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O pulsar do campeonato – 2.ª jornada
(“O Templário”, 02.10.2014)
Disputadas duas jornadas do Campeonato Distrital da I Divisão – e depois de, na ronda inaugural, não tendo havido qualquer empate, termos sete equipas empatadas com três pontos –, registamos agora, com maior propriedade, os “primeiros” líderes da prova, com somente duas equipas a somarem os seis pontos correspondentes a dois triunfos.
E se um desses líderes era bem expectável, dado que será porventura o principal candidato ao título, como é o caso do Coruchense, o outro é, para já, uma agradável surpresa, como é o caso dos Empregados do Comércio. Curiosamente, para que se lhes possa chamar verdadeiramente líderes ex-aequo, capricharam em replicar os mesmos resultados, quer na 1.ª, como na 2.ª jornada, tendo ambos vencido, no passado fim-de-semana, por 3-0, recebendo, respectivamente, o U. Santarém e o U. Chamusca.
Poderia haver, nesta altura, um terceiro líder, caso não se tivesse registado um empate em Tomar, na partida em que o União recebeu o Cartaxo, a duas bolas: marcou primeiro a formação unionista, tendo depois os cartaxenses operado a reviravolta, para ser restabelecida a igualdade pelos nabantinos já na fase final do desafio. Um ponto, que lá mais para a frente, será possível avaliar com maior acuidade se terá sido um ponto ganho… ou dois pontos perdidos. Assim sendo, partilham ambas estas equipas o 3.º posto da pauta classificativa, com quatro pontos.
Segue-se depois um mini-pelotão de seis equipas, todas elas já com uma vitória e uma derrota. Nesta ronda, o principal destaque vai para o triunfo do Fazendense – outro candidato aos lugares de topo – em Mação (1-0), com os maçaenses a desperdiçarem assim a vantagem psicológica da vitória fora de casa na estreia, enquanto o grupo de Fazendas de Almeirim começa a recuperar de um inesperado mau começo.
Menos previsível seria talvez a derrota do Amiense em Pontével (também pela margem mínima, com um solitário golo). Ao invés, mais lógico foi o desfecho do Torres Novas-Barrosense (4-1), dado colocar frente a frente uma equipa que, embora não se assumindo como candidata à promoção, não enjeitará uma eventual oportunidade se ela se vier a proporcionar, e outra, naturalmente de ambições mais restritas, visando a luta pela manutenção, isto sem prejuízo de até ter oferecido boa resistência em parte deste encontro.
Numa tabela classificativa, para já, com perfeita simetria – dois clubes com duas vitórias face a outros dois com duas derrotas; dois com uma vitória e um empate e outros dois com um empate e uma derrota, para além do tal grupo de seis concorrentes –, Benavente e Rio Maior somaram o primeiro ponto, empatando a um golo, no terreno do primeiro, no que constitui também a estreia a pontuar das equipas recém-promovidas ao escalão principal do futebol distrital.
De qualquer forma – e dificilmente poderia ser de outra maneira, com tão pouco campeonato jogado ainda – o equilíbrio é, para já, a nota dominante, com dez equipas enquadradas num intervalo de 3 pontos. E, mesmo a nível de golos, marcados e sofridos, os maiores desfasamentos face à “média” são, pela positiva, o Cartaxo (seis golos apontados), e, pela negativa, o U. Santarém, com uma defesa a denotar fragilidades, já com oito tentos encaixados. Todos os clubes marcaram já; os guias, Coruchense e Empregados do Comércio são os únicos ainda com as balizas invioladas.
Procurando perspectivar a próxima jornada, os dois comandantes terão decerto tarefa difícil, com a turma de Coruche a visitar um Mação, naturalmente a pretender evitar segundo desaire sucessivo em casa, e o grupo de Santarém a deslocar-se ao tradicionalmente complicado terreno de Amiais de Baixo. Mas há mais duelos de grande interesse, como é, em particular, o caso do Cartaxo-Torres Novas, jogo de prognóstico não facilmente previsível. O Fazendense apresenta-se com claro favoritismo na recepção ao U. Chamusca. Outros jogos de “tripla” são o Rio Maior-U. Tomar, Barrosense-Pontével e U. Santarém-Benavente, com as equipas teoricamente mais apetrechadas a defrontar-se com a dificuldade de actuarem em terreno alheio, o que poderá resultar no equilibrar dos “pratos da balança”.
O Campeonato Nacional de Seniores registou, no passado fim-de-semana, um breve interregno, para disputa da 2.ª eliminatória da Taça de Portugal, com dois dos clubes do Distrito a avançarem na competição: o Riachense, ganhando, após prolongamento, por 3-2, ao Praiense, dos Açores; e o Alcanenense, vencendo, também em casa, o Lusitânia de Lourosa (2-0) – clube que, curiosamente, afastara o Fátima na eliminatória inicial. Ao invés, o At. Ouriense, que marcou primeiro em Pedras Salgadas, não evitaria a reviravolta no marcador, perdendo por 1-2, sendo portanto eliminado.
No próximo fim-de-semana tem também início o Campeonato Distrital da II Divisão, com 20 equipas concorrentes, repartidas em duas séries de dez. Por curiosa coincidência, os dois clubes despromovidos na época finda, Assentis e U. Abrantina, defrontam-se logo na ronda inaugural, no Campo da Pinheira, local onde o União de Tomar assinalou, há poucos meses, o seu centenário. Pego, Atalaiense e Ferreira do Zêzere, que, na temporada anterior, ficaram “à porta” da promoção, defrontam, respectivamente, Sabacheira, Vale da Pedra e Caxarias. Por fim, de saudar o regresso à competição oficial de mais um clube histórico no Distrito, o Rossiense, e logo com uma muito aliciante estreia, recebendo o vizinho e rival Alferrarede.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Outubro de 2014)
O pulsar do campeonato – 1.ª jornada
(“O Templário”, 25.09.2014)
Está de volta o Campeonato Distrital da I Divisão, com uma ronda inaugural fértil em golos (média superior a três por jogo, sem qualquer encontro sem golos), e com a particularidade de não se ter registado qualquer empate nas sete partidas disputadas.
O primeiro destaque da competição que agora começa a ensaiar os primeiros passos vai para o grupo dos Empregados do Comércio de Santarém, que protagonizou a principal surpresa da jornada, impondo-se no terreno de um presumível candidato aos primeiros lugares, Fazendense (4.º na temporada precedente), ganhando por 1-0.
De seguida menção a dois jogos em que os avançados estiveram particularmente concretizadores, com o triunfo por 5-3 do Mação em Santarém, frente à outra equipa escalabitana, U. Santarém, recém primodivisionário, após ter retomado a competição oficial na época passada; e com o Cartaxo a ganhar por 4-2 ao Benavente.
Por fim, o realce para outros dois vencedores em terreno alheio: o Coruchense (vice-campeão no ano anterior, porventura o principal candidato ao título), ganhando 1-0 em Rio Maior, clube com um percurso em tudo similar ao do U. Santarém, a nível do regresso à competição e da promoção ao principal escalão do futebol distrital; e o União de Tomar, obtendo o mesmo desfecho na deslocação à Barrosa, para defrontar o terceiro promovido da II Divisão Distrital, Barrosense (outra equipa do município de Benavente), os três com uma má estreia.
Valerá a pena deter-nos um pouco mais neste triunfo unionista, que foi bem sofrido, bastante dificultado por um adversário que, neste desafio, se revelou organizado, pressionante a todo o campo, e durante praticamente todo o tempo de jogo, respondendo sempre à toada mais ofensiva que o União ia procurando impor – com os tomarenses, praticamente desde o início da contenda, a assumir a iniciativa do jogo –, por via de rápidos contra-ataques, que não possibilitavam ao adversário descansar nem confiar em demasia.
De facto, só a meio do segundo tempo os unionistas conseguiriam – curiosamente num lance em que replicaram o tipo de jogada em que o adversário mais vinha insistindo, numa veloz saída para o ataque, com Pelé a desmarcar-se, a ter tempo para dominar a bola, e, na cara do guardião adversário, com muita frieza, rematar inapelavelmente para o fundo da baliza – chegar ao golo que lhes garantiria os três pontos. Só já em tempo de compensação o União voltaria a dispor de uma outra soberana ocasião para marcar, com um potente remate a que o guarda-redes contrário, muito concentrado, deu cabal resposta, numa defesa de elevado grau de dificuldade.
Uma vitória feliz, merecida pelo esforço desenvolvido, por parte de um conjunto tomarense que não se apresentou na máxima força (actuando sem os seus jogadores brasileiros, ainda em processo de finalização da respectiva inscrição), e ao qual, neste encontro, pareceu faltar alguns metros na frente ofensiva. Mas, também, necessariamente, uma vitória importante, proporcionando o reforçar do nível de confiança do grupo, e a tranquilidade necessária para enfrentar os novos desafios que se irão colocando.
Falta referir os dois outros jogos deste primeiro dia de prova: num deles, defrontavam-se dois tradicionais candidatos às posições de topo da pauta classificativa, com o Amiense a receber e a derrotar o Torres Novas (respectivamente, 5.º e 3.º classificados no campeonato anterior) por 2-1; no outro, com o U. Chamusca a ser visitado pelo Pontével (clubes que, no ano passado, lutaram arduamente, até ao final, pela manutenção), registando-se idêntico marcador, também a favor da equipa da casa.
Nesta fase, ainda muito precoce, da competição – em que a “procissão” ainda não saiu do “adro” –, sendo obviamente demasiado cedo para antever claramente favoritos, tiveram, não obstante, um bom começo, as equipas do Coruchense, Amiense e Mação (para além, naturalmente, do União de Tomar); ao invés, deram um primeiro “passo em falso” os conjuntos do Fazendense e do Torres Novas.
Na próxima ronda, o Mação-Fazendense poderá ser apontado como “jogo da jornada”, revestindo-se também de particular interesse o União de Tomar-Cartaxo, assim como o Coruchense-U. Santarém, entre dois históricos do futebol do distrito.
Uma última referência, ainda que breve, ao Campeonato Nacional de Seniores, que segue já com quatro jornadas realizadas, e com o Alcanenense (vencedor frente ao Mafra, por 1-0), a surgir, por agora, isolado na liderança da respectiva série (com 10 pontos, um a mais que os mafrenses e que o U. Leiria), ocupando o Fátima – que derrotou o At. Ouriense por 3-1 – uma posição a meio da tabela (5.º, com 5 pontos); a turma de Ourém, tendo somado apenas um único ponto, acompanha o Riachense (que somou, na Sertã, onde perdeu por 0-1, o quarto desaire na prova) nos dois últimos lugares. Nada de muito preocupante para já, quando apenas se inicia a 1.ª fase, sendo que as grandes decisões só serão definidas lá mais para diante, na fase final… mas, naturalmente, será conveniente começar a somar pontos.
Na 5.ª ronda, a disputar apenas a 5 de Outubro, apenas o grupo de Riachos jogará em casa, recebendo o Torreense; com os restantes três representantes do distrito a deslocarem-se, a Ponte de Sôr (Alcanenense), Caldas (Fátima) e Leiria (At. Ouriense).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 25 de Setembro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XL)
(“O Templário”, 03.07.2014)
Na temporada de 1997-98, para conclusão de um campeonato disputado “ao milímetro”, chegava-se à última jornada, com os unionistas a visitar o terreno do principal rival, Ferroviários. A 24 de Maio de 1998, o ambiente era frenético; a esperança na conquista do título repartida entre ambos os contendores e respectivas massas adeptas:
«O União de Tomar partia em vantagem já que levava mais três pontos do que o seu adversário que, para se sagrar campeão, tinha de vencer a equipa tomarense por dois golos de diferença. Assim, a equipa do Ferroviários entrou no jogo a pressionar, e a imprimir muita velocidade, em especial nos primeiros 15 minutos de jogo. Com um futebol rápido e a procurar jogar junto da baliza do União, a equipa da casa conseguiu marcar logo aos 12 minutos por Nuno Légua. Este golo veio ainda dar uma maior emotividade ao jogo, já que, por um golo estava “presa” a decisão de se saber quem subia de divisão. […]
No último minuto da primeira parte, aconteceu então o momento do jogo que abriu quase por completo as portas da 3.ª Divisão ao União de Tomar. Rui Coelho, de um ângulo difícil, marcou para o União, igualando a partida, escassos instantes antes do apito do árbitro para o final do primeiro tempo. Este golo, importantíssimo para a equipa orientada po Mário Ruas, desmoralizou não só a equipa do Ferroviários como a sua massa associativa que também sentiu que a partir dali tudo estava muito mais complicado. […]
A partir do início do segundo tempo e até à meia hora, assistiu-se a um jogo mais calmo, com o domínio do Ferroviários a ser consentido, em parte, pelo União de Tomar. Finalmente, a 8 minutos do fim, o Ferroviários acabaria por marcar.
Este golo veio trazer, de novo, uma grande ansiedade ao jogo, já que o União não podia sofrer mais nenhum golo sem marcar e o Ferroviários ao longo do campeonato tem dado a volta aos jogos nos minutos finais. Talvez por isso, a ansiedade dos sócios e jogadores fosse ainda maior e como tal, a expectativa era grande até ao apito final […].»(1)
Sem ter evitado passar por alguns sustos, quando André Gralha apitou para o final do desafio, com o resultado em 1-2, foi a grande explosão de alegria entre os tomarenses. De forma inesperada no início da época, culminando uma excelente temporada de um jovem colectivo – em particular com uma fantástica primeira volta, com apenas 2 empates cedidos em 15 jogos – o União de Tomar sagrava-se Campeão Distrital pela quinta vez no seu historial, dez anos depois da conquista anterior, assim regressando à III Divisão Nacional.
O clube daria então início ao último ciclo, de quatro anos, nos Campeonatos Nacionais, de que se despediria em 2001-02, na aldeia da Bidoeira de Cima, a 11 de Maio de 2002, curiosamente o mesmo local onde, a 2 de Setembro de 2001, disputara a derradeira partida na Taça de Portugal.
De retorno aos Distritais, o União registaria como melhor série de resultados, 10 vitórias consecutivas no campeonato, sucessivamente, contra todos os adversários da prova (à excepção do Campeão, Riachense), entre Novembro de 2008 e Fevereiro de 2009, vindo a sagrar-se vice-campeão Distrital em 2008-09. Uma série que de alguma forma procuraria replicar no início do ano do Centenário, com 8 jogos de invencibilidade, nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2014, numa época em que viria a fazer história, obtendo a maior goleada de sempre em jogos fora de casa, em todo o seu historial, ganhando por 8-0 em Santarém… aos Empregados do Comércio!
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U. Tomar – Centenário (XXXIX)
(“O Templário”, 26.06.2014)
Na época de 1990-91, regressado à II Divisão Nacional (para um ciclo final de três temporadas), o União de Tomar enfrentaria uma luta tenaz, até ao último minuto da derradeira jornada, para garantir a manutenção – num ano em que foram despromovidos os oito últimos classificados –, tendo averbado, não obstante, um registo de 12 jogos consecutivos de invencibilidade.Também na Taça de Portugal o clube teria uma carreira digna de menção… que culminaria com o regresso ao Estádio da Luz: a 27 de Fevereiro de 1991, dava-se o último reencontro com o Benfica.
Num jogo de festa, a resistência unionista não duraria contudo mais do que 21 minutos, altura em que sofreu o primeiro golo, para, logo de seguida, num intervalo de escassos segundos (entre o minuto 29 e 30) ver o marcador ampliar-se para 0-3, com dois tentos de Magnusson. O segundo tempo correria muito melhor, com o União a conseguir uma “igualdade”, a um golo: Moreno reduziu para 1-3, e só já no “cair do pano”, os benfiquistas voltariam a marcar, por Sanchez, fixando o resultado em 4-1, desfecho que denota ilusórias facilidades:
«Claro que não houve apenas amolecimento e desinspiração benfiquista mas também, em apreciável grau, mérito e qualidade de jogo por parte dos animosos visitantes, tacticamente conscientes, tecnicamente válidos, com personalidades em destaque como, por exemplo, o «te[e]nager» Moreno, mais aplaudido pelos sócios do clube da Luz do que quase todos os «craques» benfiquistas. […]
Quando, a meio do 2.º tempo, os «rubro-negros» de Tomar reduziram para 3-1, a reviravolta exibicional tornou-se chocante e a hipótese dos 2-3 pairou no estádio, entre assobios a Isaías e a Matts e palmas vibrantes para Moreno e para o generoso paraguaio [chileno] Romero.
Quem poderia supor!
Um bom «keeper» – e não só…
Boa impressão deixou a turma visitante nesta «saltada» original até Lisboa. Em 5x3x2, muito «arrumadinho», o U. Tomar botou figura nos primeiros 20 minutos de claro pendor atacante benfiquista, dando a conhecer um bom guarda-redes (Nélson) e resultando o expediente de trazer cá para trás um ponta-de-lança de bom arcaboiço e bastante «calo» como o «trintão» Plemen. […]
No 2.º tempo, sentindo-se menos secundária, a turma de Tomar ousou mais e, no minuto 61, Ferreira poderia ter marcado, assustando o «espectador» Silvino.
Da ameaça ao golo foi um quase-nada: em contra-ataque, Moreno «sprintou» muito bem, foi feliz no ressalto em choque com o «capitão» benfiquista e, completamente só, a 20 metros da linha de golo, vibrou à grande com a sua proeza, difícil de esquecer. […]
Bem esteve o União – tacticamente e em equilíbrio emocional. Nelson, Alexandrov, Ferreira e Moreno deixaram-nos bastante boa impressão. E também Eira, um defesa «mini» de atenção «maxi», um topa-a-tudo eficaz na cortina defensiva. Passar assim pela «Taça» valeu a pena…»(1)
«Parabéns a João Barnabé e à equipa, muito vistosa, muito disciplinada e com a preocupação de jogar bem.»(2)
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U. Tomar – Centenário (XXXVIII)
(“O Templário”, 19.06.2014)
Dando sequência a um trabalho de base que vinha desenvolvendo desde há três anos, o União de Tomar havia já intercalado – entre duas temporadas como que de “lançamento” (as de 1986-87 e de 1988-89, em que obtivera por duas vezes, respectivamente no Campeonato Distrital e no Nacional da III Divisão, o 3.º lugar na classificação final) –, a conquista (em 1987-88) do título de Campeão Distrital, à qual se seguiria, na época de 1989-90, mais um êxito para o seu palmarés.
A 25 de Abril de 1990, recebendo a equipa do Nazarenos, em partida a contar para a 30.ª jornada do Campeonato Nacional da III Divisão, e vencendo categoricamente, por 3-0, o União garantia – ainda com quatro jornadas por disputar – a promoção à II Divisão B, novo escalão que se estrearia precisamente na temporada seguinte, em função da introdução da então denominada II Divisão de Honra, interposta logo abaixo da I Divisão.
«Em tarde bastante perdulária, a turma tomarense, não só deixou fugir uma soberana oportunidade para golear o seu adversário, como também e apenas confirmou a vitória nos derradeiros minutos da contenda.»(1)
A 13 de Maio, com a disputa da 33.ª e penúltima ronda, vencendo em Ferrel por 1-0, os “rubro-negros” confirmavam enfim a conquista de mais um título – o segundo em três anos, ambos sob a direcção técnica de Vítor Esmoriz –, sagrando-se antecipadamente vencedores da Série D da III Divisão, um desfecho que vinham prometendo há já largos meses.
«O União já garantiu a vitória na Série D do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão.
Na verdade, em jogo realizado no passado domingo com o Ferrel, os nabantinos ao vencerem por uma bola a zero desfizeram todas as dúvidas (se ainda as havia) acerca de quem seria o campeão da série D na época 89/90.»(2)
«Na parte complementar da contenda, a turma anfitriã, moralizada com o empate ao intervalo e com o forte vento pelas costas, tentou obter dividendos deste facto, só que o conjunto de Vítor Esmoriz, argumentando um futebol de outro gabarito, um futebol tecnicista e rente ao solo, não deu qualquer hipótese aos seus adversários e se o árbitro não anulasse aos 66 minutos de jogo, um golo a Dinis por pretenso fora de jogo, após grande confusão na área da turma da casa, o União de Tomar passaria nessa altura para o comando da partida, no entanto e com a paciência inerente a um campeão, chegou à vitória, quando faltavam 14 minutos para o final contenda, através de um golo de Bernardino, que acabado de entrar na equipa, por troca com Luís Alves, efectuou um primoroso chapéu a Damas.»(3)
Culminando mais uma brilhante temporada – em que liderou, de forma isolada, desde a 10.ª jornada, durante intermináveis seis meses (depois de ter já comandado a prova noutras quatro rondas), lutando principalmente “contra si próprio”, procurando bater, semana a semana, o seu record de invencibilidade, que perduraria durante 25 jornadas – o União,com os 54 pontos obtidos, foi a equipa mais pontuada da III Divisão; sofrendo apenas 14 golos (em 34 jornadas, tendo mantido a inviolabilidade da sua baliza em 22 dessas rondas), a turma unionista registava a defesa menos batida de entre todos os 180 clubes integrantes da I, II e III Divisões Nacionais!
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U. Tomar – Centenário (XXXVII)
(“O Templário”, 12.06.2014)
Ainda na temporada de 1987-88, terminada que fora a aventura da Taça, era altura de focalizar a atenção no objectivo prioritário, o campeonato, como salientara o Presidente unionista, Dr. Dinis Martins: «Meta é a III Divisão – o jogo da Taça é só festa.»(1), que expressava também uma curiosa opinião: «somos o Benfica ou o Porto deste distrital, pois enchemos os campos todos.»(2)
Como que a recordar outras memoráveis conquistas (em particular a da primeira subida à I Divisão Nacional, em 1967-68), a 8 de Maio de 1988, na 27.ª jornada, o União de Tomar recebia, em partida decisiva, qual “final” do campeonato, o rival Torres Novas, 2.º classificado (a par do Águias de Alpiarça), tendo assim a oportunidade de – tal como, curiosamente, sucedera há vinte anos, perante o mesmo adversário, embora então em terreno alheio – fazer enfim a grande festa, de nova subida e consequente regresso aos Nacionais.
E, embalado como estava, não a desperdiçaria, acabando por se impor por 2-0, golos de Vítor Romero e de Ferreira, obtidos, respectivamente, aos 73 e aos 78 minutos – pouco depois de o guardião Jorge ter defendido uma grande penalidade a favor dos torrejanos –, assim culminando da melhor forma os largos minutos de “sofrimento”, dando ainda mais sabor às comemorações do título: beneficiando também do inesperado desaire caseiro do Águias perante o Benavente, o União, agora com sete pontos de vantagem, faltando três jornadas, sagrava-se Campeão Distrital!
«O Torres Novas enquanto contou com a frescura física do veterano Fragata foi dominando o encontro mostrando-se a equipa mais perigosa pois só a vitória lhe interessava. No entanto a equipa tomarense dispondo as suas pedras de maneira a não ser surpreendido foi respondendo com alguns ataques que todavia não surtiram o efeito desejado. […]
No segundo tempo o cariz do encontro não se alterou, mantendo-se a equipa da casa na expectativa […]. Aproveitando a frescura de Leite que acertou com a marcação a Fragata até então o melhor homem do Torres Novas a equipa da casa começou a pressionar o último reduto dos torrejanos e através de um futebol rápido e incisivo foram na procura do golo que lhes desse a tranquilidade necessária e os dois pontos em jogo. […]
Com o resultado final de 2-0 favorável aos tomarenses e a derrota do Águias em casa foi a festa no Municipal de Tomar com o público, jogadores, treinador e direcção a festejarem efusivamente a subida à 3ª divisão nacional.»(3)
Estava cumprido o “destino” do União, que assim conquistava, pela quarta vez no seu historial, o título de Campeão Distrital.
Tendo finalmente conseguido – após três anos de intensa disputa – conquistar o direito de regressar aos Campeonatos Nacionais, o União de Tomar encetara um árduo caminho de ascensão, subindo “a pulso”, visando retomar o lugar que deveria ser o seu no panorama do futebol nacional.
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U. Tomar – Centenário (XXXVI)
(“O Templário”, 05.06.2014)
Infelizmente, a passagem pela II Divisão, na temporada de 1983-84, seria bem efémera, com uma traumática despromoção, na derradeira jornada, em situação de igualdade pontual com Beira-Mar e Caldas – com a equipa a ser surpreendida por um desempate a três, em que tinha desvantagem, quando se tinha “preparado” para um eventual desempate apenas a dois…
De regresso à III Divisão, a época de 1984-85 finalizaria de forma absolutamente inconcebível à partida, com segunda despromoção sucessiva, e o regresso ao Distrital, vinte anos depois, traduzindo uma verdadeira “queda no abismo”.
O clube encetaria então, nos anos seguintes, nova trajectória de recuperação de posições na hierarquia do futebol nacional, a qual culminaria com a excelente campanha na época de 1987-88, em que, para além da carreira no campeonato, de que trataremos na próxima semana, teve também desempenho meritório na Taça de Portugal, tendo sido a equipa dos Distritais que mais longe chegou na prova, única a atingir os 1/32 Final, eliminatória em que defrontaria o Salgueiros, então a militar na I Divisão, em desafio disputado na terça-feira de Carnaval, 16 de Fevereiro de 1988.
No “lançamento do jogo”, recordava e antecipava David Borges: «Não é um «distrital» qualquer o União de Tomar… É um clube com história no futebol português, acidentalmente caído no abismo. Já pertenceu à I Divisão, teve grandes jogadores nas suas equipas, mata, agora, saudades ao defrontar o Salgueiros, diante de quem tentará uma gracinha… possível.»(1)
E, no campo, quase esteve mesmo para haver “tomba-gigantes”! Perante uma assistência de dez mil espectadores (lotação praticamente esgotada), foi dia de festa em Tomar: «Quando Eira aos 23 minutos inaugurou o marcador levantando o público dos seus lugares, pensou-se que se estava a caminho da concretização do sonho.»(2)
«O União, tal como lhe competia, começou com precauções defensivas, actuando com o «capitão» Paulo Moura (belo jogador!) a «líbero», atrás dos centrais Bola e Eira, os quais não concediam um palmo de terreno, respectivamente, a Constantino e a Pita. E, perante este dispositivo táctico, o Salgueiros viu-se e desejou-se para chegar com êxito às balizas do sereno Jorge. […]
Perante a passividade dos salgueiristas, que lateralizavam os lances, os locais começaram a acreditar, tornaram-se atrevidos e (pasme-se!) puseram a nú todas as carências defensivas do clube da cidade invicta que, então, passou por momentos de grande apuro, vendo-se em sérias dificuldades para travar a velocidade de Ferreira, pelo flanco direito (Casimiro nunca esteve no lugar…), enquanto o chileno Vitor Romero, um jovem que actuou na Suécia, dava cartas a meio-campo. […]».»(3)
Porém, «quando já toda a assistência pensava na possibilidade do prolongamento Constantino partindo da posição irregular de fora de jogo obteve o segundo golo que ditaria a eliminação da equipa tomarense […].«(4) Titulava o jornal “A Bola”: «O golo (falso) de Constantino destruiu o sonho do União… que esteve quase a cometer a proeza de levar os salgueiristas a segundo jogo»(5).
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U. Tomar – Centenário (XXXV)
(“O Templário”, 29.05.2014)
A 25 de Julho de 1976, o União de Tomar teria ainda um último “contacto” (mesmo que já por via indirecta) com a I Divisão, no Campo Luís de Almeida Fidalgo, no Montijo, em partida da derradeira jornada do Torneio de Competência, qual “Final”, que daria acesso ao escalão maior. O empate poderia bastar, mas para tal seria necessário que o Salgueiros perdesse em Aveiro, frente ao Beira-Mar; uma eventual vitória garantiria automaticamente a manutenção na I Divisão…
Mas rapidamente as contas seriam “desfeitas”. Num período de pouco mais de um quarto de hora, entre os 20 e os 37 minutos, os montijenses – que o União havia deixado “para trás”, numa sensacional recuperação, no Campeonato da II Divisão de cinco anos antes, em que, também por via de uma “liguilla”, acabara por vir a ascender à divisão principal do futebol português –, marcando três golos, acabavam com as esperanças tomarenses. O resultado final, com uma pesada derrota por 0-4, seria uma infeliz forma de despedida da formação nabantina.
Passadas algumas épocas em que o clube militou na II Divisão – com especial referência à temporada de 1977-78, já aqui evocada, com as passagens por Tomar do “Rei” Eusébio e de António Simões – o União voltara a cair no escalão mais baixo do futebol nacional, a III Divisão.
Até que, enfim, depois de mais três anos de “travessia no deserto”, a 5 de Junho de 1983, ganhando por 4-1 em Nisa, o União sagrava-se vencedor da sua série da III Divisão, assim recuperando uma posição no segundo escalão do futebol em Portugal.
«Niza era palco para uma jornada que ficaria na já longa e gloriosa história do União de Tomar. Sabia-se que estava ali a última esperança da subida à 2.ª Divisão. Havia que aguardar resultados dos dois campos (Almeirim e Marinha) e havia que seguir o desenrolar dos acontecimentos neste jogo de Niza. A expectativa era enorme, por isso, Niza recebeu muitas dezenas de tomarenses, aqueles que apesar de tudo sempre acreditavam! E foi digno de se ver como apoiaram a equipa mesmo debaixo duma tremenda pancada de água! […]
Por volta da meia hora, o União marcava o seu primeiro golo. Era o caminho de uma vitória que valia uma subida de divisão, e a partir daí e com os jogadores mais descontraídos, o União nunca mais deixou de massacrar o reduto defensivo da equipa de Niza, que resistiu até ao intervalo sofrendo apenas um golo.
Na segunda parte, num terreno impróprio para jogar futebol, o União fez valer toda a sua pujança física, todo o seu melhor futebol de equipa superior em todos os aspectos. E foi um regalo ver esta equipa do União a lutar e correr na lama, na água, nos buracos! […]
O jogo entrentanto chega ao fim, era dramático ver nos rostos dos jogadores a expectativa em saber os resultados nos outros campos. E foi em pleno balneário que surgiram as primeiras informações: o União, beneficiando dos empates do Caldas e U. Santarém, estava de novo na 2.ª Divisão. Eram os gritos de euforia, eram jogadores, dirigentes e adeptos envolvidos em abraços e lágrimas, era a festa justa de uma vitória final que nunca esteve em dúvida por falta de capacidade, mas sim por contingências do futebol que pôs o União em perigo até ao último minuto da 30.ª jornada.»(1)
Melhor ainda: o União de Tomar não só garantia a subida à II Divisão, como, inclusivamente, sagrava-se vencedor da série, apurando-se para a fase final de disputa do título de Campeão. No termo de uma extasiante disputa, após sucessivas “reviravoltas”, atingia o almejado objectivo.
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U. Tomar – Centenário (XXXIV)
(“O Templário”, 22.05.2014)
O dia 30 de Maio de 1976 marcaria a despedida do União de Tomar do principal escalão do futebol português, a I Divisão. Chegara-se à derradeira jornada com tudo ainda por decidir no que respeita à manutenção. Atente-se na pauta classificativa, começando de baixo para cima: a CUF caíra nas profundezas da classificação, ocupando o último lugar (16.º), a um ponto do Farense, a dois de Leixões, U. Tomar e Beira-Mar, a três do Atlético, e a quatro do Académico.
Eram de “vida ou de morte” (necessariamente entre aspas!) os jogos dessa última jornada, em que o União se deslocava às margens do Sado, para defrontar um tranquilo V. Setúbal (9.º). Com o grupo unionista a atravessar graves dificuldades financeiras, em campo – dando tudo o que tinham dentro de si, num grande sentido de esforço e abnegação –, os rubro-negros (que se haviam visto em posição de desvantagem, de 0-2, apenas com vinte minutos decorridos), revelando grande coração e capacidade de reacção, acabariam por chegar ao empate, a duas bolas, mercê dos tentos apontados por Camolas e Caetano, obtidos num intervalo de apenas quatro minutos.
«Agora, conhecendo-se o que aconteceu nos outros jogos em que participaram clubes da zona dos «aflitos», sabe-se que o União de Tomar não podia ter outro destino do que aquele que tem (disputa da «Liguilla»), qualquer que fosse o resultado que obtivesse […]. Mas, às 16 horas de ontem, tudo podia acontecer nos tais outros jogos, nada garantia que os nabantinos não tivessem necessidade de empatar (pelo menos) […] e compreende-se, por isso, o estado de espírito com que os seus jogadores iniciaram o duelo com o Vitória.
A necessidade, porém, se umas vezes aguça o engenho e faz das fraquezas forças, também noutras é bem capaz de diminuir possibilidades. E admitimos que tenha sido esse o caso dos tomarenses, tão mal actuaram em toda a primeira parte e tão incapazes se mostraram (até) de disfarçar e contrabalançar com «elan» o que lhes faltava em capacidade futebolística. Uma equipa triste, amorfa, como que tolhida no raciocínio e nos movimentos e, por isso, a ampliar as suas debilidades e a dar todas as hipóteses aos antagonistas – inclusivamente, na obtenção dos dois golos. […]
Os jogos, porém, têm hora e meia. E num lance, muitas vezes, podem mudar de rumo. Sobretudo, se esse lance corresponde a um golo e esse golo gera a tangente no resultado. E Camolas (que já aos 18 minutos tivera um «tiraço» ameaçador) fez o 2-1 num «livre» (ainda que em pura consequência da tabela que a bola encontrou no seu caminho) e, a partir daí, se não pode dizer-se que as posições se inverteram (evidentemente que não, por todas as razões), bem pode afirmar-se que ambas as equipas se transformaram muito.
Logo a seguir ao 2-1, uma «cabeça» de Caetano só não deu o 2-2 porque foi mal aplicada; dois minutos após, o mesmo Caetano fez o empate, resgatando bem aquela falha; dentro do último quarto de hora, dois lances de Bolota e um de Camolas estiveram perto de dar o triunfo aos tomarenses – excelentes, até, na forma como «seguraram» (a jogar e a bater-se) um curto período de «forcing» dos sadinos, pouco depois da igualdade.
O União de Tomar acabou por ter um «prémio» que começou a merecer quando decidiu acreditar um pouco mais em si próprio e na parte final do encontro, mostrou que as suas fraquezas não são tão grandes quanto o haviam parecido antes».(1)
Não se sabia ainda então, mas, infelizmente, chegara ao fim a participação do União de Tomar na I Divisão, fechando-se assim um ciclo de seis presenças em oito temporadas…
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