U. Tomar – Centenário (XXXIV)

25 Maio, 2014 at 11:00 am Deixe um comentário

Centenario - 34

(“O Templário”, 22.05.2014)

O dia 30 de Maio de 1976 marcaria a despedida do União de Tomar do principal escalão do futebol português, a I Divisão. Chegara-se à derradeira jornada com tudo ainda por decidir no que respeita à manutenção. Atente-se na pauta classificativa, começando de baixo para cima: a CUF caíra nas profundezas da classificação, ocupando o último lugar (16.º), a um ponto do Farense, a dois de Leixões, U. Tomar e Beira-Mar, a três do Atlético, e a quatro do Académico.

Eram de “vida ou de morte” (necessariamente entre aspas!) os jogos dessa última jornada, em que o União se deslocava às margens do Sado, para defrontar um tranquilo V. Setúbal (9.º). Com o grupo unionista a atravessar graves dificuldades financeiras, em campo – dando tudo o que tinham dentro de si, num grande sentido de esforço e abnegação –, os rubro-negros (que se haviam visto em posição de desvantagem, de 0-2, apenas com vinte minutos decorridos), revelando grande coração e capacidade de reacção, acabariam por chegar ao empate, a duas bolas, mercê dos tentos apontados por Camolas e Caetano, obtidos num intervalo de apenas quatro minutos.

«Agora, conhecendo-se o que aconteceu nos outros jogos em que participaram clubes da zona dos «aflitos», sabe-se que o União de Tomar não podia ter outro destino do que aquele que tem (disputa da «Liguilla»), qualquer que fosse o resultado que obtivesse […]. Mas, às 16 horas de ontem, tudo podia acontecer nos tais outros jogos, nada garantia que os nabantinos não tivessem necessidade de empatar (pelo menos) […] e compreende-se, por isso, o estado de espírito com que os seus jogadores iniciaram o duelo com o Vitória.

A necessidade, porém, se umas vezes aguça o engenho e faz das fraquezas forças, também noutras é bem capaz de diminuir possibilidades. E admitimos que tenha sido esse o caso dos tomarenses, tão mal actuaram em toda a primeira parte e tão incapazes se mostraram (até) de disfarçar e contrabalançar com «elan» o que lhes faltava em capacidade futebolística. Uma equipa triste, amorfa, como que tolhida no raciocínio e nos movimentos e, por isso, a ampliar as suas debilidades e a dar todas as hipóteses aos antagonistas – inclusivamente, na obtenção dos dois golos. […]

Os jogos, porém, têm hora e meia. E num lance, muitas vezes, podem mudar de rumo. Sobretudo, se esse lance corresponde a um golo e esse golo gera a tangente no resultado. E Camolas (que já aos 18 minutos tivera um «tiraço» ameaçador) fez o 2-1 num «livre» (ainda que em pura consequência da tabela que a bola encontrou no seu caminho) e, a partir daí, se não pode dizer-se que as posições se inverteram (evidentemente que não, por todas as razões), bem pode afirmar-se que ambas as equipas se transformaram muito.

Logo a seguir ao 2-1, uma «cabeça» de Caetano só não deu o 2-2 porque foi mal aplicada; dois minutos após, o mesmo Caetano fez o empate, resgatando bem aquela falha; dentro do último quarto de hora, dois lances de Bolota e um de Camolas estiveram perto de dar o triunfo aos tomarenses – excelentes, até, na forma como «seguraram» (a jogar e a bater-se) um curto período de «forcing» dos sadinos, pouco depois da igualdade.

O União de Tomar acabou por ter um «prémio» que começou a merecer quando decidiu acreditar um pouco mais em si próprio e na parte final do encontro, mostrou que as suas fraquezas não são tão grandes quanto o haviam parecido antes».(1)

Não se sabia ainda então, mas, infelizmente, chegara ao fim a participação do União de Tomar na I Divisão, fechando-se assim um ciclo de seis presenças em oito temporadas…

____________

(1) Cf. “A Bola”, 31 de Maio de 1976 – Crónica de Cruz dos Santos
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