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O Pulsar do Campeonato – 20ª Jornada

(“O Templário”, 23.02.2023)

Concluído o segundo terço do campeonato, o U. Tomar – há oito jornadas consecutivas na liderança, desde o mês de Dezembro, totalizando já onze rondas no comando – alcançou a maior vantagem de que, até agora, dispôs. Não obstante, uma “magra” margem de quatro pontos, atendendo às dificuldades que terá ainda de enfrentar até final, incluindo visitas ao reduto dos 2.º e 3.º classificados (Fazendense e Amiense – a que se somam só outras duas saídas, a Benavente e Salvaterra), e a recepção aos clubes posicionados no 4.º e 5.º lugar (Alcanenense e Mação).

Destaques – O desafio de maior cartaz da jornada 20 colocava frente-a-frente o Samora Correia e o Fazendense – os outros dois guias da prova, nesta temporada, respectivamente durante três e cinco semanas –, que vinham de trajectórias diametralmente opostas (os samorenses com quatro desaires sucessivos; a turma das Fazendas com uma série de quatro triunfos), mas que encontraram, neste jogo, um “ponto de equilíbrio”, fixando-se uma igualdade a duas bolas no final da partida, depois de os visitados terem mesmo chegado ao intervalo em vantagem, por 2-1.

O U. Tomar, com desempenho muito seguro, superou mais um obstáculo na sua caminhada, tendo ido ganhar a Alpiarça, frente a uma aguerrida equipa do Águias, por 3-1. Os unionistas cedo se colocaram em vantagem, antes dos dez minutos, que geriram até ao intervalo. Na segunda metade, outra vez dez minutos decorridos, ampliariam para 2-0. Os visitados, nunca “virando a cara à luta” – valorizando o êxito do adversário –, tendo ameaçado um par de vezes, reduziriam para a diferença mínima, mas com os nabantinos a confirmar o triunfo à entrada do quarto de hora final.

Praticamente “sem se se dar por ele”, o Amiense prossegue o seu excelente percurso nesta edição do Distrital, tendo ido vencer a um difícil terreno como é o do Benavente, face ao penúltimo classificado, uma posição que, contudo, não faz jus às exibições dos benaventenses. Bastou, para tal, um solitário tento, com o grupo dos Amiais de Baixo a conseguir extrair a maior eficácia dos golos marcados (43 pontos somados, mercê de apenas 32 golos), tendo averbado o sexto triunfo em terreno alheio, em onze jogos (registo só superado pelas oito vitórias dos tomarenses).

Em evidência esteve igualmente o At. Ouriense, ganhando no Cartaxo por 2-1 (oitava derrota dos cartaxeiros nos últimos nove jogos), após operar reviravolta no marcador, colocando-se, com forte probabilidade, a salvo de maiores imprevistos, para o que resta do campeonato, partilhando agora o 8.º posto com o Fátima – ambos um ponto atrás do Salvaterrense, conjunto também a atravessar fase muito positiva –, projectando-se que este trio possa vir a animar (juntamente com algumas equipas actualmente posicionadas mais abaixo) uma interessante disputa a meio da tabela.

Surpresa – A surpresa da ronda registou-se em Torres Novas, onde o Salvaterrense conseguiu uma robusta desforra do desaire sofrido no seu terreno na primeira volta frente aos torrejanos. Num desafio entre duas formações que, em termos globais, vêm realizando boas campanhas – eram, à entrada para este jogo, respectivamente 7.º e 8.º classificados –, os visitados não poderiam desejar melhor do que marcar logo no primeiro minuto. Porém, o Salvaterrense empataria à meia hora, vindo mesmo a colocar-se em vantagem aos 75 minutos. Com o adversário reduzido a dez elementos, o “placard” avolumar-se-ia, nos derradeiros dez minutos, para um imprevisível 1-5!

Confirmações – Nas restantes três partidas os resultados apurados seriam, de alguma forma, expectáveis. Começando pela natural vitória, com goleada (4-1), do Alcanenense sobre o “lanterna vermelha”, Entroncamento – tendo mesmo chegado aos 4-0, só concedendo o “ponto de honra” dos visitantes já à entrada dos últimos cinco minutos.

Abrantes e Benfica e Mação não desfizeram o nulo, num embate que, noutras circunstâncias, seria um dos jogos de principal cartel do campeonato. Os maçaenses continuam a partilhar a 5.ª posição com o Samora Correia, agora já a oito pontos do Alcanenense (4.º), e com avanço de cinco pontos face ao Salvaterrense; por seu lado, os abrantinos ocupam o 13.º posto, a quatro pontos do Águias de Alpiarça (12.º)… mas, apenas, um ponto a mais que o Cartaxo, e dois sobre o Benavente.

Num jogo em estreia entre os dois clubes, o Fátima – num ciclo muito favorável, tendo alcançado o sexto triunfo nas oito rondas mais recentes (só U. Tomar e Amiense fizeram melhor, nesse período) – superiorizou-se a um intranquilo Ferreira do Zêzere, ganhando por 3-2, apesar de os ferreirenses terem chegado a dispor de vantagem de 2-1… durante dois minutos.

Num total de quinze pontos em disputa na segunda volta, o Ferreira do Zêzere obteve um único ponto (empate caseiro com o Salvaterrense), sendo que, em todas essas cinco jornadas, sofreu sempre três golos por jogo (!), o que justifica uma acentuada queda na classificação, tendo baixado agora ao 11.º lugar, com uma vantagem de apenas cinco pontos face ao Abrantes e Benfica.

II Divisão Distrital – Moçarriense (5-1 ao Rebocho), Espinheirense (1-0, fora, com o Benfica do Ribatejo) e Marinhais (2-1 ao At. Pernes) cumpriram o seu papel, enquanto o Forense folgou. No “derby” Paço dos Negros-U. Almeirim, o nulo no marcador pode ter sido comprometedor para as aspirações dos almeirinenses, a oito pontos do Marinhais (mesmo que com um jogo a menos).

O Riachense bateu, com dificuldade, a U. Atalaiense, por 4-3, aproximando-se – tal como, na outra série, o Moçarriense – da garantia de apuramento (dez pontos de avanço sobre o 4.º classificado, Caxarias, não obstante ter um jogo a mais). O Tramagal goleou (4-0), com naturalidade, o Ortiga, e beneficiou do imprevisto desaire do Vasco da Gama no Pego, mas com os pegachos ainda em situação pouco promissora (atraso de quatro pontos, com mais um jogo).

Campeonato de Portugal – O U. Santarém confirmou o seu favoritismo, derrotando o Loures por 3-0. Quanto ao Coruchense, voltou a pontuar, tendo empatado a zero em Arronches, um desfecho que, mais adiante, se poderá aquilatar se terá ou não ficado aquém das necessidades.

Por agora os escalabitanos repartem o 4.º lugar com o B. C. Branco, a dois pontos do vice-líder, Pêro Pinheiro (e, também, do Marinhense), com o 1.º Dezembro na frente, a cinco pontos. Já a turma do Sorraia subsiste abaixo da “linha de água”, na 9.ª posição, dois pontos atrás de Sertanense e Mortágua (este ainda sem “folgar”, o que sucederá na jornada em que deveria defrontar o Rio Maior). Mas o União da Serra (10.º) está somente um ponto atrás.

Antevisão – O jogo grande da próxima ronda será o U. Tomar-Alcanenense, que poderá eventualmente reduzir o número de candidatos ao título, ou, ao invés, deixar tudo ainda “mais embrulhado”. O Fazendense, recebendo o Águias de Alpiarça, é favorito a somar os três pontos; por seu lado, o Amiense, mesmo jogando em casa, com o Fátima, enfrenta mais um sério teste.

Na II Divisão, o Moçarriense tem uma saída de alguma dificuldade, ao Porto Alto. O U. Almeirim-Marinhais poderá ser uma espécie de “tudo ou nada” para os almeirinenses. Mais a Norte, as atenções estarão centradas no Vasco da Gama-Tramagal, actuais 3.º e 2.º classificados, respectivamente, com o Caxarias (também com deslocação difícil, ao Vilarense) na “expectativa”.

No Campeonato de Portugal o U. Santarém, deslocando-se ao terreno do agora último (13.º) classificado, Alcains, terá uma boa oportunidade de voltar a ganhar; bem mais difícil se afigura a tarefa do Coruchense, que viaja até Pêro Pinheiro, para defrontar um dos actuais vice-líderes.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Fevereiro de 2023)

26 Fevereiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 19ª Jornada

(“O Templário”, 16.02.2023)

U. Tomar e Fazendense voltaram a ganhar, em ambos os casos pela quarta jornada consecutiva, mantendo o pleno de (12) pontos na segunda volta, continuando separados por escassa margem de dois pontos, destacados no topo da tabela. Beneficiaram, em paralelo, do desaire sofrido pelo Alcanenense frente ao Amiense – por números que não seriam expectáveis –, para distanciar um concorrente ao título, que, todavia, não poderá considerar-se ainda arredado de tais aspirações.

Destaques – O “jogo-grande” da jornada 19, colocando frente-a-frente as formações que partilhavam o 3.º lugar, tinha sido disputado já na quarta-feira da passada semana (dia 8), no Espinheiro, com uma inesperada vitória – dada a diferença registada no “placard” final – do Amiense sobre o Alcanenense (grupo que vinha de três triunfos sucessivos, não perdendo há onze jornadas, no que constitui a mais longa série de invencibilidade neste campeonato), por 3-0.

Tendo-se atingido o intervalo com o nulo a subsistir, a turma de Amiais de Baixo inaugurou o marcador à passagem dos dez minutos do segundo tempo, vindo a selar o desfecho com mais dois tentos nos derradeiros cinco minutos. O Amiense, agora isolado no 3.º posto, mantém-se a cinco pontos do comandante, tendo o Alcanenense visto ampliar-se, para oito pontos, o seu atraso.

Em Tomar, o União conseguiu, enfim, superar uma espécie de “karma” que vinha registando nos desafios ante o Samora Correia (clube frente ao qual sofrera cinco derrotas sucessivas, apenas tendo obtido uma vitória nos últimos oito jogos para o campeonato, desde a época de 2018-19).

No 1.000.º jogo em 50 temporadas de participações em Campeonatos Distritais da Associação de Futebol de Santarém (914 jogos na I Divisão, em 42 edições; e 86 na II Divisão, em 8 presenças), o U. Tomar fixou, com o triunfo, um balanço global de 475 vitórias, 192 empates e 333 derrotas.

Fosse pelo “peso” do histórico recente entre os dois clubes, ou pelas incidências da partida da primeira volta (com o impacto adverso do golo não validado, na conversão de um “penalty”), a equipa pareceu entrar em campo demasiado ansiosa e nervosa, sem conseguir assentar o jogo.

Valeria alguma “estrelinha”, em momentos-chave: primeiro, a inaugurar o marcador mesmo a findar o primeiro tempo; de seguida, ampliando para 2-0, logo ao terceiro minuto da segunda parte; e, já depois de se ter visto reduzida a dez elementos, e de consentir o 2-1, restabelecendo uma decisiva “margem de segurança”, com o terceiro golo, somente dois minutos volvidos.

O 4-1 final, obtido em período de compensação, chegava numa fase em que o adversário, tendo cometido muito comprometedoras falhas (oportunamente aproveitadas pelo União, marcando o 1.º e 3.º golos), se tinha desorganizado e conformado com o quarto desaire sucessivo, de uma turma que chegou a liderar a prova, invicta nas dez primeiras rondas… agora a 14 pontos do guia!

Num desafio que se antecipava equilibrado, entre Ferreira do Zêzere e Mação, os ferreirenses confirmaram o mau momento que vêm atravessando (tendo averbado um único ponto em quatro jogos nesta segunda volta), perdendo por 2-3, um desfecho que possibilitou aos maçaenses igualarem o Samora Correia na 5.ª posição. Ao invés, o conjunto de Ferreira vem caindo na pauta classificativa, repartindo o 9.º ao 11.º posto com Fátima e At. Ouriense, somente seis pontos acima da “linha de água”, uma situação que, de todo, não se projectava ser possível nesta temporada.

Em destaque esteve também o Torres Novas, com a estratégia delineada por Eduardo Fortes, apostando na consistência defensiva, a revelar-se acertada, tendo ido ganhar a Ourém, face ao At. Ouriense, por concludente marca de 3-0. Os torrejanos ascenderam a um notável 7.º lugar.

Confirmações – Numa jornada sem especiais surpresas, registaram-se, nos quatro encontros restantes, resultados de alguma forma expectáveis.

O Fazendense confirmou, com naturalidade, o favoritismo, na recepção ao Cartaxo, impondo-se por 3-0, tendo, outra vez, resolvido cedo a contenda, com dois tentos, aos 21 e 27 minutos.

Em Salvaterra de Magos o Abrantes e Benfica, procurando sair da posição delicada em que se encontra, fez um bom jogo, empatando 1-1 com o Salvaterrense (que somou terceira igualdade sucessiva), numa partida em que os abrantinos até poderiam ter obtido maior ganho pontual.

Por seu lado, o Fátima, recebendo o Benavente, obteve uma importante vitória (2-1), consumada “in extremis”, já depois dos 90 minutos, após ter operado reviravolta no marcador. Os fatimenses, em fase muito positiva (quatro vitórias nos cinco jogos mais recentes; ou cinco nos últimos sete), não só subiram ao 9.º lugar, como conseguiram estabelecer uma certa “margem de segurança”.

Entroncamento e Águias de Alpiarça empataram também a uma bola, um resultado que, não sendo o “ideal”, permite aos “ferroviários” manter acesa a esperança, enquanto os alpiarcenses, ponto a ponto (quarta igualdade nas cinco últimas jornadas) vão amealhando precioso pecúlio, dispondo de cinco pontos de vantagem sobre o 13.º e 14.º classificados (Abrantes e Benfica e Cartaxo).

II Divisão Distrital – Em partida que se antecipava poder ser relevante para as contas finais, Espinheirense e Forense neutralizaram-se, empatando a um golo, desfecho mais favorável ao Forense (2.º classificado), que, assim, mantém seis pontos de vantagem sobre o grupo do Espinheiro (4.º), mas tendo este um jogo a menos, dado ter já folgado na segunda volta.

No “derby” municipal, o Marinhais não conseguiu melhor que resultado idêntico (1-1) na Glória do Ribatejo, mantendo o 3.º lugar, com três pontos de diferença em relação ao Espinheirense. O U. Almeirim, a fazer um campeonato de “trás para a frente” é já 5.º, três pontos mais abaixo.

A Norte, noutro “derby”, Riachense e Goleganense não desfizeram o nulo no marcador, do que beneficiou o Tramagal (que partilha a 2.ª posição com o Vasco da Gama), ganhando 4-0 em Abrantes, para reduzir para cinco pontos o seu atraso… mas o Caxarias (4.º) está só a dois pontos.

Campeonato de Portugal – Confirmada a desqualificação do Rio Maior, esta foi uma ronda negativa para os clubes do Distrito, com duas derrotas, ambas por tangencial 0-1: o U. Santarém, em Pêro Pinheiro; o Coruchense, em casa, frente ao Sintrense.

Considerando o ajustamento decorrente da desconsideração dos resultados dos dois jogos que o Rio Maior tinha disputado na 2.ª volta, o U. Santarém é agora 5.º classificado (a par do Sintrense), mas apenas a dois pontos do trio que partilha o 2.º lugar (Pêro Pinheiro, B. C. Branco e Marinhense); por seu lado, o Coruchense continua em 9.º, a três pontos de Sertanense e Mortágua, mas restando-lhe ainda disputar oito jogos, enquanto estes rivais só jogarão mais sete vezes.

Antevisão – Os três primeiros do principal escalão do Distrital enfrentam saídas difíceis, com destaque para a visita do Fazendense a Samora Correia, isto no pressuposto de que os samorenses consigam, entretanto, recuperar animicamente de uma sucessão de resultados negativos; o U. Tomar, mesmo sendo favorito, não esperará também facilidades em Alpiarça; o Amiense desloca-se a Benavente, formação que tudo procurará fazer para pontuar, na luta pela permanência.

Na II Divisão, com Forense e Caxarias de folga, o realce vai para os desafios: U. Atalaiense-Riachense, Pego-Vasco da Gama; assumindo o Moçarriense e Marinhais claro favoritismo, perante, respectivamente, o Rebocho e At. Pernes, precisamente os dois últimos da série.

No Campeonato de Portugal os clubes do Distrito esperarão somar pontos, na recepção ao Loures (U. Santarém) e na viagem até Arronches (Coruchense), actuais 12.º e 11.º classificados.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Fevereiro de 2023)

19 Fevereiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 18ª Jornada

(“O Templário”, 09.02.2023)

Depois do (prematuro) afastamento da Taça do Ribatejo, no regresso ao campeonato, U. Tomar e Fazendense voltaram a não vacilar, continuando a somar vitórias, ganhando, respectivamente no Cartaxo e em Torres Novas. Mas não estão sós: tal como os dois primeiros, também o Alcanenense conta por triunfos os três desafios disputados na segunda volta, parecendo, pois, ir-se definindo (e restringindo) o leque de mais firmes candidatos ao título.

Isto porque o Amiense, empatando em Alpiarça, se atrasou; enquanto o Samora Correia, acumulando, de forma absolutamente imprevista, terceiro desaire sucessivo, se despediu de tais pretensões, já a onze pontos do líder (e a nove do segundo), quanto faltam disputar doze jornadas.

Destaques – O U. Tomar venceu categoricamente no Cartaxo, por 3-0, face a uma equipa a passar por fase muito difícil, tendo perdido seis das suas últimas sete partidas. Os tomarenses assumiram o controlo do jogo praticamente desde o início, dominando durante todo o jogo; só o facto de terem sido bastante perdulários proporcionou que o nulo subsistisse durante 55 minutos.

Depois, bastaram outros cinco minutos para decidir a contenda, com os dois tentos apontados, vindo a fechar a contagem já mesmo a finalizar o tempo regulamentar, com o “placard” a revelar-se escasso face à supremacia exercida pelos tomarenses.

Por seu lado, o Fazendense “resolveu” também a seu favor, rapidamente, e ainda bastante cedo, o que se afigurava um difícil compromisso, em Torres Novas, chegando ao 2-0 aos 23 minutos. Os torrejanos reduziriam para 1-2, à passagem da hora de jogo, intensificando ainda a pressão, mas, até final, os visitantes não concederiam maiores veleidades aos donos da casa.

De parabéns está Jorge Peralta, que, num encontro com simbolismo muito especial, atingiu a marca de 500 jogos como treinador, desde a estreia, há mais de 25 anos, em Novembro de 1997: com a sua actual equipa, Águias de Alpiarça, a receber aquele que tinha sido o anterior clube que representou, Amiense, o desafio saldou-se por um empate a uma bola, resultado que, não tendo agradado por completo a qualquer dos emblemas, permite manter alguma margem de segurança.

A deslocação do Ferreira do Zêzere a Benavente afigurava-se já como sendo de elevado grau de dificuldade, perante um adversário carenciado de pontos, bastante moralizado por ter afastado o líder na eliminatória inicial da Taça. Pois, os benaventenses venceram e convenceram, derrotando por inequívoca marca de 3-0 um conjunto ferreirense que parece como que, de alguma forma, conformar-se com a campanha desapontante que vem realizando, numa época que tanto prometia (integra agora, a par do Salvaterrense e At. Ouriense, um trio que reparte o 7.º ao 9.º posto).

Surpresas – Numa ronda na qual, em metade dos desafios, se registou triunfo dos visitantes (sendo que apenas Alcanenense e Benavente conseguiram ganhar em casa), dois desses desfechos constituíram grandes surpresas.

A maior de todas, a vitória arrancada pelo “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, em Samora Correia, mesmo que mercê de um solitário tento. Foi a primeira vez que a formação da cidade ferroviária conseguiu vencer, desde a jornada inaugural, voltando, assim, a alimentar esperança de lutar ainda pela manutenção – numa disputa que poderá até vir a tornar-se menos difícil do que expectável, em função da situação do Rio Maior no Campeonato de Portugal.

Também inesperada foi a derrota (1-2) caseira do Abrantes e Benfica ante o At. Ouriense, turma que não conseguira ganhar nas sete rondas precedentes. Os abrantinos não souberam capitalizar a soberba goleada (12-0) aplicada na Taça e voltaram a ter resultado negativo (sétimo desaire em nove jogos) e especialmente comprometedor, perante um adversário directo, tendo-se visto igualados pelo penúltimo classificado, sendo muito preocupante a situação que atravessam.

Uma “meia-surpresa” ocorreu em Mação, onde o clube local – que mantém o 6.º lugar, apenas podendo aspirar, de forma realista, a vir eventualmente a chegar à 5.ª posição – cedeu igualdade (1-1) ante o Salvaterrense, que, depois de ter superado período de maior dificuldade, vai “levando a água ao seu moinho”, após ter empatado já, na jornada anterior, também em Ferreira do Zêzere.

Confirmação – A vitória (ainda que tangencial, por 1-0) do Alcanenense, na recepção ao Fátima, veio confirmar o favoritismo que lhe era atribuído – não obstante os fatimenses virem de resultados recentes muito positivos, tendo vencido nas três jornadas anteriores, duas delas fora de casa, em Samora e no Cartaxo. O grupo de Alcanena continua a tirar partido da sua solidez defensiva, sendo, agora, a defesa menos batida do campeonato (apenas 13 golos sofridos).

II Divisão Distrital – Depois de ter ido já golear à Moçarria o U. Almeirim voltou a surpreender um dos líderes, no seu próprio reduto, ganhando por 3-2 ao Forense. Com a difícil vitória do Moçarriense sobre o Espinheirense, por 3-2 (e contando também com o jogo antecipado, na semana anterior, em que a formação escalabitana goleara por 9-0 o Benfica do Ribatejo), o Moçarriense distanciou-se no comando; tendo aberto um fosso de nove pontos face ao 4.º classificado (o seu rival desta ronda), aproxima-se do apuramento para a fase final.

A Norte, no embate entre os dois primeiros, o Riachense, ganhando por 2-0 no Tramagal, cimentou a sua posição de guia – dispondo de igual vantagem, de nove pontos, sobre o 4.º lugar (ocupado pelo Caxarias, que foi ganhar à Atalaia por 2-1), segue as pisadas do Moçarriense. Quem beneficiou também de tal desfecho foi o Vasco da Gama, que, tendo goleado o Ortiga por 6-1, se isolou na 2.ª posição, a quatro pontos da formação dos Riachos.

Campeonato de Portugal – A equipa do Rio Maior fez segunda falta de comparência sucessiva (no desafio que deveria ter disputado, em casa, ante o Loures), pelo que, nos termos regulamentares, será desqualificada e inibida de voltar a disputar a prova por um período de um a três anos. Depreende-se que, a retomar a actividade, terá de o fazer – tal como sucedeu recentemente com o clube de Fátima – na II Divisão Distrital; o que, no imediato, significará que a sua despromoção não implicará qualquer descida adicional da I Divisão Distrital nesta época.

Tal terá, em paralelo, impacto a nível do escalonamento dos clubes no Campeonato de Portugal, uma vez que apenas serão mantidos os resultados dos jogos do Rio Maior no decurso da 1.ª volta: as vitórias averbadas pelo Sintrense e pelo Coruchense (na 14.ª e 15.ª jornadas) ficarão sem efeito.

U. Santarém e Coruchense neutralizaram-se, não tendo desfeito o nulo no marcador, em mais uma evidência do extremo equilíbrio desta série: os escalabitanos são vice-líderes, a dois pontos do 1.º de Dezembro; em função dos ajustes referidos, a turma do Sorraia descerá ao 9.º posto (outra vez abaixo da “linha de água”), apenas a sete pontos (mas, agora, com um jogo “a menos”) do guia.

Antevisão – O U. Tomar recebe um adversário do qual guarda más memórias, o Samora Correia, esperando poder aproveitar o mau momento dos samorenses, mas sempre “desconfiando”… Em qualquer caso, o jogo que poderá vir a revelar-se mais clarificador é o que coloca frente-a-frente Amiense e Alcanenense (equipas que partilham o 3.º lugar, a cinco pontos do comandante).

No escalão secundário, com o Moçarriense de folga, destacam-se, em especial, as partidas: Espinheirense-Forense (de cariz determinante); tal como o “derby” Glória do Ribatejo-Marinhais.

No Campeonato de Portugal o U. Santarém desloca-se a Pêro Pinheiro (3.º classificado, só um ponto abaixo), enquanto o Coruchense recebe o Sintrense (8.º), em desafio de grande importância.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Fevereiro de 2023)

12 Fevereiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Pré-eliminatória

(“O Templário”, 02.02.2023)

A nota mais significativa desta “Pré-eliminatória” da Taça do Ribatejo (primeira ronda abrangendo clubes do principal escalão do futebol distrital) vai para o afastamento dos dois primeiros classificados do campeonato, U. Tomar e Fazendense, que, assim, falham – pela primeira vez nos últimos quinze anos, em ambos os casos – a presença nos 1/8 de final da competição, depois de 14 anos de apuramentos consecutivos dos dois clubes, desde 2009!

A outra nota vai para o extremo desnível registado em dois dos encontros entre equipas de escalão diferente, por números que “já não se usam” (14-0 e 12-0!), traduzindo uma situação que não é positiva para a modalidade, a suscitar a necessária reflexão – desde 2011 que não se verificava um resultado de 14-0 (goleada do Porto Alto, fora de casa, face ao Barrosense); o anterior 12-0 (vitória do U. Rio Maior ante o Mugense) tinha ocorrido já em 1998.

Por curiosidade, para além desses casos, as maiores goleadas da história da Taça do Ribatejo foram as seguintes: Riachense-Santanense (16-1, em 1994); Águias do Sorraia-Fazendense (0-15 – 1989); Pego-Olalhas (15-0 – 1989); U. Almeirim-Marianos e Murta (14-0 – 1992); Tramagal-C.A.D.C.A (12-0 – 1976); Vasco da Gama-Cercal (12-1 – 1992); U. Rio Maior-Moita do Norte (12-1 – 2001); e Ouriquense-Marianos e Murta (11-0 – 1991); afora oito vezes 10-0.

De resto, foi uma eliminatória sem surpresas significativas, não tendo emergido qualquer “tomba-gigantes”, avançando para os 1/8 de final: treze clubes da I Divisão (tendo os, apenas, três eliminados – para além de U. Tomar e Fazendense, também o Ferreira do Zêzere – sido afastados por clubes do mesmo escalão); e três da II Divisão (Moçarriense e Riachense, isentos; e Vasco da Gama, única equipa a apurar-se dentro de campo, frente ao Glória do Ribatejo).

Destaques – No “jogo-grande”, em Mação, cruzavam-se dois clubes que somavam um agregado total de 29 qualificações consecutivas (!) para os 1/8 de final da Taça: 15 por parte do Mação, desde o ano de 2007 (sendo que não participara na edição de 2018-19, dado ter disputado, nessa temporada, o Campeonato de Portugal); 14 do Fazendense, desde 2009.

Por curiosidade, repetiam o embate de quinze dias antes, para o campeonato (que os visitantes venceram por 1-0); desta feita as equipas neutralizaram-se, não tendo desfeito o nulo no marcador. No desempate da marca de “penalty” os maçaenses foram mais eficazes, conseguindo, pois, uma espécie de desforra, afastando – logo na ronda inicial –, o “Rei” da Taça, Fazendense (com o máximo de cinco troféus conquistados e actual detentor do título).

Em Benavente, o actual penúltimo classificado do campeonato recebia o líder, U. Tomar, emblemas separados por 26 pontos (13 vs. 39). Porém, dentro de campo, tal diferença não foi, de modo algum, tão notória: o jogo foi repartido durante larga fase da primeira parte, sendo que os donos da casa se colocaram em vantagem logo ao minuto 25, não tendo o União – mesmo beneficiando de algumas ocasiões de perigo – conseguido evitar sair para o intervalo a perder.

Na segunda metade os tomarenses intensificaram a pressão, assenhoreando-se do jogo, vindo a restabelecer a igualdade aos 65 minutos; até final, mantendo o domínio, desperdiçariam pelo menos um par de oportunidades flagrantes para vencer. No desempate da marca de “penalty”, tal como sucedera, no início da época, na Taça de Portugal (em Pombal), e, por coincidência, na véspera, com a equipa de juniores do clube (no Entroncamento), acabariam por ser eliminados.

Ferreira do Zêzere e Alcanenense tinham como que um “tira-teimas”, voltando a encontrar-se após o confronto de duas semanas antes, em Alcanena. Pois, se dúvidas tivessem ficado sobre a superioridade do Alcanenense, elas foram “esclarecidas”, repetindo-se – agora em reduto alheio – o desfecho a seu favor (3-1), confirmando a boa fase que vem atravessando.

Quanto aos ferreirenses – “recordistas” de participações na Taça (presença em 45 das 46 edições da prova, apenas tendo falhado na edição inaugural, na época de 1976-77) –, viram-se também prematuramente arredados de outro objectivo, a juntar à irregular carreira no campeonato.

Há, depois, a história de dois desafios “sem história”, consubstanciando jogos de sentido único: as estrondosas goleadas de 14-0, infligida pelo Amiense ao Paço dos Negros, com destaque para os cinco golos de Cristiano Aniceto “Ganso”, e quatro de Luís Torres “Moleiro”; e 12-0, aplicada pelo Abrantes e Benfica ao At. Pernes (com um total de oito jogadores a marcar) – averbadas justamente ante os dois últimos classificados da série Sul da II Divisão.

Surpresa – Em bom rigor, não chegou a consumar-se a surpresa “total”, que teria constituído a eliminação do Samora Correia, mas o empate (3-3) concedido pelos samorenses na recepção ao Espinheirense (actual 3.º classificado da série Sul do escalão secundário) não estaria nas expectativas. Valeu aos donos da casa serem mais efectivos na fórmula de desempate definida.

Confirmações – Nos outros quatro jogos, confirmou-se o favoritismo de Torres Novas (3-0 ao Caxarias), Salvaterrense (2-0 no Pego), At. Ouriense (por “apertado” 3-2, nos Foros de Salvaterra, sendo que reverteu, num minuto, uma desvantagem de 1-2), e – no único embate entre clubes da II Divisão – do Vasco da Gama (4-1, frente ao Glória do Ribatejo, clube de tradição na Taça, vencedor há duas épocas, este ano a realizar campanha muito aquém).

Anota-se que, por sorteio prévio, tinham ficado isentos, apurando-se para a ronda seguinte, seis clubes: Águias de Alpiarça, Cartaxo, Entroncamento AC, Fátima, Moçarriense e Riachense.

Campeonato de Portugal – Sinais positivos, na ronda 16, e um extremamente negativo: o Coruchense surpreendeu, batendo o anterior líder, B. C. Branco, por 2-0, enquanto o U. Santarém obteve um, apesar de tudo, favorável empate a zero em Sintra; quanto ao Rio Maior, fez “falta de comparência” em Pêro Pinheiro, dado os jogadores terem decidido “cessar a actividade”, devido aos sucessivos incumprimentos da SAD, com reiteradas situações de vencimentos em atraso. Uma situação de gravidade, comprometedora da verdade desportiva.

Os escalabitanos integram agora um quarteto que reparte a vice-liderança, a três pontos do 1.º de Dezembro; tendo a turma do Sorraia ascendido à 6.ª posição, somente dois pontos abaixo!

Antevisão – No regresso às emoções do campeonato, os três primeiros, U. Tomar, Fazendense e Amiense, voltam a jogar fora de casa, com “ameaçadoras” deslocações, respectivamente, ao Cartaxo, a Torres Novas e a Alpiarça, para defrontar adversários posicionados na segunda metade da pauta classificativa, apostados em amealhar alguns preciosos pontos.

Alcanenense (4.º) e Samora Correia (5.º), actuando nos respectivos terrenos, terão maior dose de favoritismo, recebendo o Fátima e o “lanterna vermelha”, Entroncamento AC – mas, em especial, os fatimenses (com uma série em curso de três triunfos) não deixarão de procurar surpreender de novo, como, aliás, o fizeram já, em jornadas recentes, de forma repetida.

Na II Divisão destacam-se as seguintes partidas: Moçarriense-Espinheirense (com o 2.º a receber o 3.º); e, a Norte, o Tramagal-Riachense, colocando frente-a-frente os dois primeiros.

No Campeonato de Portugal, teremos um entusiasmante embate U. Santarém-Coruchense; ficando por saber se o Rio Maior (que deverá receber o Loures) consumará ou não a desistência.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Fevereiro de 2023)

5 Fevereiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 17ª Jornada

(“O Templário”, 26.01.2023)

São os actuais quatro primeiros classificados e, também, os clubes que (a par do Fátima) ganharam os dois jogos já disputados na segunda volta do Campeonato Distrital da I Divisão da presente época: U. Tomar, Fazendense, Amiense e Alcanenense confirmam-se – numa altura em que o grau de exigência da competição vai crescentemente “apertando” – como os candidatos ao título.

Para além das vitórias próprias, beneficiam também dos deslizes alheios: se, na semana passada, tinha sido o Mação a ficar irremediavelmente para trás, desta feita foi o Samora Correia a atrasar-se, tendo averbado derrotas nas duas últimas rondas, sendo que os seus quatro desaires na prova foram registados, todos, nos sete encontros mais recentes, dos quais, aliás, ganhou apenas dois.

Destaques – Tal como se antecipava pudesse vir a acontecer, o embate entre Amiense e Samora Correia revelou-se clarificador, com os samorenses a serem os principais derrotados desta jornada, perdendo por 2-1, vendo, pois, ampliar-se o atraso face aos primeiros da tabela, com amplitudes já dificilmente reversíveis – dado reportar-se a vários concorrentes: oito pontos em relação ao U. Tomar; seis para o Fazendense; cinco face ao adversário do passado fim-de-semana, Amiense, que regista a melhor série em curso, tendo somado quarto triunfo consecutivo.

Em evidência, continuando a dar indícios de grande solidez, continua o Alcanenense, que superou de forma convincente um teste de elevada dificuldade, ganhando em Benavente por 2-0, especialmente com dois elementos em realce: os jovens guineenses, Moisés Iabna, melhor marcador da prova, com 14 golos, e Botche Candé (respectivamente com 20 e 19 anos). A que se alia a robustez defensiva, apenas com quatro golos sofridos nas últimas nove partidas, que lhe confere, nesta altura, o estatuto de equipa menos batida do campeonato, a par do Fazendense.

Depois de uma série muito negativa, de cinco desaires sucessivos, o Cartaxo esteve em destaque pela positiva, indo ganhar ao reduto do “lanterna vermelha”, Entroncamento, por tangencial 1-0, mercê de um tento apontado já em período de compensação. Um resultado de grande importância, não só na aritmética presente do campeonato, como, especialmente, em termos anímicos.

O qual, em paralelo, pode ter começado a sentenciar o destino do emblema da cidade ferroviária, que, somando oito escassos pontos, subsiste a nove pontos de distância da “linha de água”, zona delimitadora definida precisamente por este último adversário, Cartaxo, agora no 13.º posto – mas que, dependendo do desempenho do Coruchense no Nacional, poderá até subir para doze pontos.

Surpresas – A principal surpresa da jornada foi a igualdade (2-2) cedida pelo Mação, na recepção ao At. Ouriense, conjunto que seguia com quatro derrotas sucessivas, não vencendo há sete jogos. E a surpresa poderia ter sido maior ainda, dado que os maçaenses chegaram a estar em posição de desvantagem no marcador. Uma actuação que poderá estar de alguma forma relacionada com o facto de os visitados terem deixado de crer na possibilidade de chegar ao topo da tabela.

Outra meia-surpresa ocorreu em Ferreira do Zêzere, também a consentir empate (3-3) ante o Salvaterrense – por três vezes tendo deixado escapar a vantagem de que usufruía –, em contexto de alguma forma análogo: os ferreirenses não terão já, nesta fase ainda relativamente prematura do campeonato, objectivos muito palpáveis, ocupando a 7.ª posição, mas distando oito pontos do 5.º lugar. Viram, assim, a turma de Salvaterra colar-se, somente a um ponto, partilhando o 8.º posto com o Torres Novas; assim como, mais abaixo, Fátima e At. Ouriense estão mais próximos.

Confirmações – Nos restantes três encontros, os visitados confirmaram o seu favoritismo, sendo que o Fátima só chegaria à vitória (2-1) ante o Águias de Alpiarça mesmo no derradeiro instante.

Por seu lado, U. Tomar e, em especial, Fazendense, ganharam mais “facilmente” do que seria expectável: o grupo das Fazendas cedo resolveu a contenda (primeiro golo ao terceiro minuto; e o segundo à meia hora), “despachando” o Abrantes e Benfica por claro 3-0, com os abrantinos (que caíram no antepenúltimo lugar) a terem, prontamente, de “arrepiar caminho”, sob pena de poderem vir a ter surpresa bem desagradável no balanço final da prova; quanto aos unionistas, bateram o Torres Novas por 4-1, margem excessiva face à actuação das duas equipas em campo.

No “clássico dos clássicos”, os tomarenses também inauguraram o marcador ainda em fase inicial (à passagem do quarto de hora), mas viram, logo de seguida, a bola a embater nos ferros da sua baliza. O jogo continuou repartido, com os tomarenses, mais eficazes, a ampliar para 2-0.

No recomeço os torrejanos chegaram a exercer algum ascendente, com o União a defender-se bem, vindo, contudo, a sofrer o golo quando conseguira reequilibrar já o desafio. Até final, não se descompondo, confirmaria o triunfo com dois tentos em dois minutos, entre os 78 e os 80, frente a um adversário que mostrou a razão de ser da bela recuperação que tem vindo a realizar.

Para além de Pedro Pires, melhor marcador da equipa, realce para Diogo Ismail, que aproveitou da melhor forma a oportunidade que se lhe proporcionou, bisando na partida. O U. Tomar mantém-se como equipa com mais golos (36 – dois a mais que o Fazendense), tendo, em paralelo, a terceira defesa menos batida (16 golos sofridos – mais três que Fazendense e Alcanenense).

II Divisão Distrital – Não houve surpresas na 15.ª jornada, com os quatro primeiros de cada série a vencer: a Sul, o Forense (3-0 em Pernes) e Moçarriense (2-1 em Almeirim, rectificando o desaire da primeira volta) partilham o comando, mantendo seis pontos de vantagem em relação a Espinheirense (1-0 ao Rebocho) e Marinhais (também vitorioso por 1-0, ante o Paço dos Negros).

A Norte o Riachense impôs-se por categórico 4-1 face ao Pego, liderando com quatro pontos de vantagem sobre o par formado por Tramagal (vitória “à justa”, por 4-3, em Vilar dos Prazeres) e Vasco da Gama (4-1 em Abrantes, ante a equipa “sub-23” do Abrantes e Benfica). O Caxarias (4.º classificado, a cinco pontos do duo que o precede na tabela) ganhou por 2-1 ao Goleganense.

Campeonato de Portugal – Foi uma ronda favorável a 15.ª desta competição, com o U. Santarém a ir ganhar a Arronches por 2-0, ascendendo à 3.ª posição, somente a um ponto de B. C. Branco e 1.ª Dezembro, que repartem a liderança; enquanto, no embate entre Rio Maior e Coruchense, se registou o desfecho que, de forma pragmática, se afigurará mais vantajoso para os clubes do Distrito, com vitória difícil, após operar reviravolta no marcador, do grupo do Sorraia, por 3-2.

O Coruchense conseguiu, enfim, pela primeira vez nesta época, subir acima da “linha de água”, ascendendo ao 7.º posto; porém, em igualdade pontual com Sertanense e União da Serra, agora a primeira equipa em lugar de despromoção. Por seu lado, o Rio Maior (que conta uma única vitória) voltou a cair na última posição, a 17 pontos de tal linha, cada vez mais próximo da descida.

Antevisão – Os campeonatos distritais estarão em pausa neste fim-de-semana, para dar lugar à Taça do Ribatejo, prova da qual se disputa uma “pré-eliminatória”, com dez jogos, tendo ficado isentos, por sorteio, seis clubes. Destacam-se os seguintes confrontos: Benavente-U. Tomar, Mação-Fazendense, Ferreira do Zêzere-Alcanenense e Forense-At. Ouriense.

No Campeonato de Portugal antecipa-se uma jornada de grandes dificuldades: o U. Santarém viaja até Sintra, para defrontar o seu actual parceiro no 3.º lugar, Sintrense; o Coruchense recebe o líder, B. C. Branco; cabendo ao Rio Maior deslocar-se a Pêro Pinheiro (actual 5.º classificado).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Janeiro de 2023)

29 Janeiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 16ª Jornada

(“O Templário”, 19.01.2023)

U. Tomar e Fazendense reagiram da melhor forma ao duplo desaire sofrido na ronda precedente, superando “com distinção” as exigentes provas a que foram submetidos, em Abrantes e em Mação, retomando o trilho das vitórias, reafirmando o estatuto de principais candidatos ao título.

Mais, em função da derrota sofrida pelo emblema maçaense, numa partida que se afigurava de “tudo ou nada” para as suas cores, foi bastante efémera a sua reentrada na disputa pelo 1.º lugar, da qual – agora, de novo, com dez pontos de atraso – deverá ter ficado definitivamente arredado.

Também em notória quebra de rendimento, com onze pontos perdidos nas seis últimas jornadas, o Samora Correia parece dar sinais de começar a descolar, pelo que, para além do Amiense, o Alcanenense (clube com a maior série de invencibilidade actualmente em curso, acumulando nove jogos sem perder) se perfila como o outro potencial desafiante ainda com aspirações em tal luta.

Destaques – No “jogo grande” do passado Domingo, em Mação, o Fazendense impôs-se mercê de um solitário tento, obtido logo ao quarto de hora de jogo, preciosa vantagem que soube preservar até final, assim quebrando uma série de sete jogos sem perder dos donos da casa.

Em Abrantes, o U. Tomar deu mostras de ter estudado bem a lição na sequência da derrota em Mação, adoptando abordagem de grande pragmatismo e contando com boa dose de “estrelinha”: os unionistas abriram o marcador logo aos dez minutos, tendo depois beneficiado do desacerto da turma abrantina na finalização, a desperdiçar três claras oportunidades ainda na primeira parte.

Tendo conseguido ajustar o seu posicionamento dentro de campo, de forma a conter as ofensivas contrárias, os tomarenses ampliaram a contagem com vinte minutos decorridos no segundo tempo, fixando o que viria a ser o resultado. O União teria ainda um pequeno susto, já em período de compensação, quando foi sancionado com uma grande penalidade… defendida por Ivo Cristo.

Numa jornada com quatro triunfos dos forasteiros, o Amiense, prosseguindo o belo campeonato que vem realizando, somou terceiro triunfo consecutivo (melhor série em curso de entre todos os concorrentes), ganhando no Cartaxo por 1-0, ascendendo a lugar no pódio, somente a um ponto do Fazendense, e a três pontos do comandante (pela quarta jornada sucessiva), U. Tomar. Sofrendo quinta derrota em outros tantos jogos a formação cartaxeira caiu no antepenúltimo lugar.

Noutro desafio de especial interesse, colocando frente-a-frente os então 5.º e 7.º classificados, o Alcanenense derrotou a equipa de Ferreira do Zêzere por 3-1, operando reviravolta no marcador apenas na segunda metade, depois de os ferreirenses praticamente terem entrado a ganhar. O jovem grupo de Alcanena igualou o Samora Correia no 4.º posto; quanto ao conjunto de Ferreira, foi igualado pontualmente pelo Torres Novas, a realizar notável recuperação na tabela.

Surpresas – O Fátima repete e reforça o estatuto de equipa surpresa: depois da vitória averbada no Cartaxo, foi, desta feita, ganhar, de forma ainda mais retumbante, a Samora Correia, por absolutamente inesperada marca de 4-2: os visitantes começaram por inaugurar o marcador, tendo os samorenses recuperado a vantagem logo a abrir a etapa complementar.

Até final, os fatimenses marcariam por mais três vezes, garantindo um importante triunfo, que lhes permite ascender ao 12.º lugar, saindo da zona de despromoção. Por seu lado o Samora Correia denota ter aberto brechas no esteio defensivo que o caracterizava, tendo sofrido mais golos (dez) nos cinco últimos jogos, que nas primeiras onze jornadas (apenas oito).

Em Alpiarça, após ter adquirido vantagem por duas vezes, não se esperaria que o Águias acabasse por deixar escapar a vitória, ante uma equipa do Benavente em inferioridade numérica, o que não impediu os benaventenses de vir a restabelecer a igualdade a duas bolas.

Confirmações – O Salvaterrense confirmou o seu favoritismo, ganhando por 3-1 na recepção ao At. Ouriense, equipa que segue sem vencer há seis rondas, tendo somado quarto desaire sucessivo.

O mesmo sucedeu no Torres Novas-Entroncamento AC, com os torrejanos a somar o sexto triunfo (2-0) nas últimas nove jornadas, assinalável desempenho – depois de ter acumulado cinco desaires nas seis rondas iniciais. A formação da cidade ferroviária ofereceu boa resistência, mas não evitou completar toda uma volta do campeonato sem ganhar, depois de ter somado o único triunfo no jogo de abertura do campeonato, precisamente ante este mesmo adversário.

II Divisão Distrital – Forense (vitória por tangencial 1-0 frente ao Glória do Ribatejo) e Moçarriense (2-0 ante o At. Pernes) reforçaram a posição de liderança, beneficiando do facto de o mais imediato perseguidor, Espinheirense, ter folgado, distando agora seis pontos. O Marinhais, ganhando por 2-0 em Benfica do Ribatejo, igualou a turma do Espinheiro em termos pontuais.

Na outra série, o confronto entre os dois primeiros, Vasco da Gama-Riachense, saldou-se por um empate (1-1). O grupo dos Riachos mantém a liderança, agora com quatro pontos de vantagem sobre o par formado por Vasco da Gama e Tramagal (vencedor, face ao Caxarias, por 3-1).

Campeonato de Portugal – Nenhum dos clubes do Distrito conseguiu somar os três pontos na ronda (14.ª) de abertura da segunda volta da competição: o U. Santarém empatou (1-1) com o guia, B. C. Branco, não tendo o Coruchense conseguido desfazer o nulo na recepção ao Marinhense; pior esteve o Rio Maior, goleado (4-0) pelo Sintrense.

Na pauta classificativa os escalabitanos baixaram à 4.ª posição, mantendo-se três pontos abaixo dos albicastrenses; dispõem, por outro lado, de curta margem de quatro pontos sobre a formação do Sorraia (9.º lugar), primeira abaixo da “linha de água”. Os riomaiorenses continuam no 13.º e penúltimo posto, agora já a 16 pontos dos lugares de manutenção…

Antevisão – Superados que foram os testes da passada semana, em terrenos tradicionalmente difíceis, U. Tomar e Fazendense voltam a actuar em casa, perante adversários que, porém, não lhes oferecerão facilidades: o União recebe o Torres Novas, no maior clássico do futebol distrital (os dois clubes defrontam-se pela 98.ª vez em jogos oficiais, de Campeonatos nacionais e distritais, Taça de Portugal e Taça do Ribatejo); o Fazendense terá a visita do Abrantes e Benfica, que tão forte oposição apresentou frente aos unionistas.

As partidas Benavente-Alcanenense e, em especial, Amiense-Samora Correia, poderão ser de alguma forma clarificadoras sobre o futuro deste campeonato a nível dos lugares de topo.

Na II Divisão realce para os jogos: U. Almeirim-Moçarriense (com o conjunto da Moçarria a pretender rectificar o incrível 0-5 da primeira volta), Riachense-Pego e Vilarense-Tramagal.

No Campeonato de Portugal teremos um encontro entre Rio Maior e Coruchense, que, nesta fase, assumirá maior relevância para o grupo de Coruche; por seu lado, o U. Santarém desloca-se a Arronches, esperando-se que possa averbar desfecho positivo ante o actual 12.º classificado.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Janeiro de 2023)

22 Janeiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 15ª Jornada

(“O Templário”, 12.01.2023)

Pela segunda vez nesta primeira metade do Campeonato Distrital da I Divisão os dois primeiros classificados foram, ambos, derrotados na mesma ronda: tal sucedera já, ainda numa fase inicial da competição, à 5.ª jornada, com os desaires das equipas que, então, partilhavam a liderança, Fazendense (batido em casa pelo Samora Correia) e Amiense (desfeiteado, também no seu reduto, pelo Benavente); voltou a ocorrer agora, a concluir a primeira volta, com o U. Tomar e (outra vez) o Fazendense, a perderem, respectivamente, em Mação e em Salvaterra de Magos.

Acresce ainda, por outro lado, a situação verificada na 12.ª ronda, com as derrotas sofridas pelo U. Tomar e pelo Samora Correia, numa altura em que ocupavam a 1.ª e a 3.ª posição, ambas cedidas nos seus próprios terrenos, respectivamente ante o… Fazendense e o Ferreira do Zêzere.

Numa análise comparativa à pontuação dos clubes que se posicionam no topo da tabela face às registadas, também a meio da competição, na época precedente – assinalando-se a particularidade de o U. Tomar “bisar” a liderança que alardeava igualmente há um ano –, apuramos os seguintes dados: 1.º U. Tomar (33 pontos em 2023 vs. 40 em 2022); 2.º Samora Correia (31) vs. Rio Maior (39); 3.º Fazendense (31) vs. Mação (27); 4.º Amiense (30 em 2023) vs. Fazendense (25 em 2022).

Do que rapidamente se constata – tal como vem sendo assinalado no decurso da prova –, por um lado, um muito maior equilíbrio este ano; por outro, um importante acréscimo do total de pontos perdidos pelos dois primeiros: 12 (decorrendo de quatro derrotas) em 2022-23, face a apenas 5 (uma derrota e um empate) em 2021-22, por parte do U. Tomar; 14 (quatro empates e duas derrotas), o que compara com 6 (três empates cedidos) pelo 2.º classificado, nestas duas épocas.

Aliás, não só voltámos a ter o quarteto da frente concentrado num intervalo de três pontos (!), finda a primeira volta, como, em paralelo, só quatro pontos separam o 12.º do 15.º classificados, no que se antecipa uma tenaz disputa pela permanência, até final, num cenário em que o número de clubes a despromover oscilará entre um mínimo de dois e um máximo que poderá ir até cinco.

Mais, ainda, e de particular relevância, a aguçar o apetite para uma aliciante segunda volta: em função dos pontos perdidos nas seis jornadas mais recentes pelos emblemas no pódio (nove pontos cedidos pelo Fazendense; oito pelo Samora Correia; e seis pelo U. Tomar), a disputa pelo 1.º lugar surge potencialmente reaberta aos seis primeiros classificados, com o Alcanenense (5.º) só a cinco pontos do guia; e o Mação (6.º, tendo perdido quatro pontos nas tais seis rondas), a sete pontos…

Destaques – O principal realce da 15.ª ronda vai para a vitória (3-2) do Salvaterrense ante o Fazendense, num encontro “taco-a-taco”, com os visitantes a ripostar, por duas vezes, a situações de desvantagem, mas a não conseguir já recuperar após o notável “hat-trick” de António Pereira.

A par com este desfecho, destaca-se, claro, o triunfo do Mação frente ao comandante, U. Tomar, por inequívoca marca de 3-0. Muito eficaz, marcando em três lances de bola parada (um canto e dois livres), praticamente entrando a ganhar (abrindo o activo logo aos oito minutos), a turma maçaense não deu qualquer hipótese de reacção ao adversário, pese embora os tomarenses tenham, durante largos períodos, assumido a iniciativa do jogo.

Ao contrário de outras partidas em que o resultado terá sido melhor que a exibição, desta feita foram os unionistas a sofrer esse contraponto, impotentes, apesar de o desempenho apresentado em campo poder ter sido de molde a justificar outro resultado, pelo menos, não tão contundente.

O Ferreira do Zêzere voltou a estar em evidência, pela positiva, ganhando em Ourém, face ao Atlético local, por 3-1, isolando-se no 7.º posto, continuando a aspirar subir na classificação, mesmo que o atraso seja de alguma amplitude (quatro pontos para o 6.º lugar; seis face ao 5.º).

Em “pezinhos de lã”, quase sem se dar por ele – mas a realizar muito boa campanha –, o Amiense, ganhando em Torres Novas por tangencial 1-0, não só firmou o seu 4.º lugar, como, tal como antes aludido, recolou aos primeiros, somente a três pontos do líder.

Surpresa – A principal surpresa terá sido a vitória averbada pelo Fátima no Cartaxo, também mercê de um solitário golo, a dar claro sinal de inconformismo, igualando esse rival na 13.ª posição, e, mais importante, recolocando-se bem dentro da luta pela manutenção, numa trajectória em contra-ciclo com a dos cartaxeiros, que não deixarão de preocupar-se com a actual série de quatro desaires, com a agravante de três deles terem sido registados contra “adversários directos”.

Confirmações – Outra “sapatada” na crise foi dada pelo Abrantes e Benfica, a golear, por 4-0, o “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, que se vai atrasando pontualmente face à concorrência.

Águias de Alpiarça e Alcanenense repartiram os pontos, empatando a uma bola, com o tento do empate, por parte dos alpiarcenses, obtido já em tempo de compensação.

No “derby” municipal, o Samora Correia confirmou o favoritismo, ganhando por tangencial 3-2 ao Benavente, que chegou a assustar, tendo começado mesmo por se colocar em vantagem, como, ao longo do confronto, até final, nunca abdicou de procurar melhor sorte.

II Divisão Distrital – As primeiras notas de realce vão para o triunfo (2-1) do Forense em Marinhais, e, por outro lado, para o imprevisto empate (3-3) cedido pelo Riachense face ao Ortiga.

O Moçarriense goleou (4-0) na Glória do Ribatejo, continuando a partilhar a liderança da série mais a Sul com o Forense, beneficiando do empate (1-1) cedido pelo Espinheirense no Porto Alto.

Mais a Norte, o Vilarense, ganhando por 3-1 ao Vasco da Gama, vem imiscuir-se também na disputa pelas três primeiras posições, assinalando-se ainda a goleada (6-1) aplicada pelo Tramagal no “derby”, em Alferrarede, e a importante vitória (3-1) do Caxarias ante o Pego.

Campeonato de Portugal – A fechar a primeira volta o U. Santarém goleou por categórico 5-1 o Rio Maior, enquanto o Coruchense não conseguiu ir além do 2-2 na recepção ao 1.º Dezembro.

Os escalabitanos integram um trio que reparte o 3.º lugar, a um ponto do 1.º Dezembro e a três do líder, B. C. Branco. Por seu lado, o Coruchense é 9.º (primeiro abaixo da “linha de água”), a dois pontos de um trio que ocupa o 6.º ao 8.º posto… e a quatro pontos do U. Santarém. Quanto ao Rio Maior SC, mantém-se em penúltimo, agora já a quinze pontos de tal linha delimitadora, atraso que, salvo alguma espécie de “milagre”, se afigura irrecuperável, nos 13 jogos que resta disputar.

Antevisão – Na viragem para a segunda volta do Distrital, adivinham-se novas emoções fortes, com U. Tomar e Fazendense, outra vez, a jogar em terreno alheio, e com compromissos de elevado grau de dificuldade. O jogo de maior cartel será o Mação-Fazendense, cabendo ao U. Tomar defrontar o revigorado Abrantes e Benfica. De interesse será igualmente o Alcanenense-F. Zêzere.

Na II Divisão, Forense e Moçarriense recebem os dois últimos classificados da sua série, respectivamente Glória do Ribatejo e At. Pernes. A Norte, o guia, Riachense, visita o seu perseguidor mais próximo, Vasco da Gama; defrontam-se ainda 3.º e 4.º: Tramagal-Caxarias.

No Campeonato de Portugal o U. Santarém terá a visita do guia, B. C. Branco, recebendo o Coruchense o Marinhense; o Rio Maior SC viaja até Sintra, para defrontar o 3.º, Sintrense.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 12 de Janeiro de 2023)

15 Janeiro, 2023 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 14ª Jornada

(“O Templário”, 22.12.2022)

A I Divisão Distrital subsiste muito competitiva, com acesa disputa, não só pelos lugares de topo, como, especialmente, pela permanência, que, nesta altura (prestes a findar a metade inicial da prova), parece poder estender-se ainda a dez dos 16 clubes (com cinco pontos a separar o 7.º do 12.º classificado). Na frente, U. Tomar e Fazendense não vacilaram, afastando-se dos demais.

Destaques – No desafio que concitava maior interesse na 14.ª ronda, Alcanenense e Samora Correia (respectivamente 4.º e 3.º classificados) neutralizaram-se, não tendo conseguido desfazer o nulo no “placard”, atrasando-se, pois, em relação ao dois primeiros, com os samorenses agora já a cinco pontos do U. Tomar, distando a turma de Alcanena seis pontos do guia.

Em evidência continua o Mação, somando mais uma vitória, mesmo que “arrancada a ferros”, no terreno do “lanterna vermelha”, Entroncamento: o grupo da cidade ferroviária marcou primeiro, aos 41 minutos, mas durou muito pouco a sua vantagem, consentindo o tento do empate ainda antes do intervalo. O golo decisivo (1-2) surgiria ao minuto 90+5, na conversão de um “penalty”.

Numa trajectória com algumas similitudes com a dos maçaenses segue o Torres Novas, que registou também importante triunfo, em Fátima, igualmente por 2-1, e, por curiosidade, operando a reviravolta nos derradeiros cinco minutos da partida, com o tento da vitória obtido… aos 90+5.

Beneficiando, em paralelo, da grande surpresa da jornada (derrota caseira do Ferreira do Zêzere), a turma torrejana – após notável recuperação na tabela – chega a esta fase da prova igualada em pontos com o At. Ouriense e o emblema ferreirense, posicionados entre o 7.º e o 9.º lugar.

Realce, por fim, para o resultado obtido pelo Benavente, ganhando por 3-1 ao Cartaxo, voltando a somar os três pontos, depois de um ciclo de quatro jogos sem vencer, tendo mesmo perdido os três anteriores. Em contraponto, é agora o Cartaxo a seguir com três desaires sucessivos.

Este resultado deixa tudo “embrulhado” na cauda da pauta classificativa, com cinco equipas separadas por quatro pontos, entre o 11.º (Salvaterrense) e o 15.º lugar (Fátima), com Cartaxo, Abrantes e Benfica e Benavente em situação intermédia, mas, todos, em zona muito aflitiva.

Surpresa – O desempenho do Ferreira do Zêzere nesta temporada continua a caracterizar-se por “altos e baixos”: depois de duas sensacionais vitórias, em Samora Correia, e ante o Fazendense, os ferreirenses voltam a sofrer mais um extremamente comprometedor desaire caseiro, perdendo por 1-2 com o Águias de Alpiarça, aliás, apenas marcando o “ponto de honra” no final do desafio.

Com um grupo recheado de jogadores de grande valor e muita experiência, afigura-se dificilmente “compreensível” a campanha que vem realizando, nesta altura com mais derrotas (sete) do que vitórias (seis), e com saldo negativo de golos, em posição (8.ª) muito aquém das expectativas.

Ao invés, o Águias, com um grupo muito solidário, continua a amealhar preciosos pontos. Trata-se, por outro lado, de mais um desfecho a atestar a grande competitividade deste campeonato.

Confirmações – O duo da dianteira cumpriu, ganhando os seus encontros, de forma bem mais folgada no caso do Fazendense, a golear por categórico 4-0 o At. Ouriense; já o U. Tomar, recebendo o Salvaterrense, entrou praticamente a vencer, marcando logo aos 7 minutos… estabelecendo o que viria a ser o resultado final (1-0).

Com duas partes muito desiguais, os unionistas, apesar de desinspirados na finalização, criaram várias situações que poderiam ter proporcionado, ainda na metade inicial, um tranquilo e amplo selar da vitória. Estranhamente, a equipa como que “desapareceu em combate” no segundo tempo, fazendo com que os homens de Salvaterra acreditassem que era possível pontuar, originando mais uma tarde de “sofrimento” para os tomarenses, de forma a assegurar o essencial: os três pontos.

O Amiense venceu, também por 2-1 (desfecho registado em metade das partidas), agravando ainda mais a crise do Abrantes e Benfica (uma única vitória nos últimos oito jogos), por ora envolvido numa luta que, de todo, não se projectava pudesse dizer-lhe respeito, pela manutenção.

II Divisão Distrital – Na jornada de abertura da segunda volta da divisão secundária realce para o triunfo do Marinhais na Moçarria, por 2-0, a provocar um reagrupamento na frente. O 1.º posto é agora partilhado por Forense (goleou, por 8-1, o Paço dos Negros) e Moçarriense, com o Espinheirense somente a um ponto… e o Marinhais (4.º classificado) a três pontos do par da liderança, antecipando-se uma disputa intensa pelos três lugares de apuramento para a fase final.

Na série mais a Norte, o comandante, Riachense, não foi além do nulo em Abrantes, face à equipa “sub-23” do Abrantes e Benfica, vendo o Vasco da Gama (vitória por 2-0 ante o Caxarias) aproximar-se, agora apenas a três pontos. O Tramagal (empate 1-1 com a U. Atalaiense) mantém o 3.º posto, a oito pontos da turma dos Riachos.

Campeonato de Portugal – Os clubes do Distrito registaram os três desfechos possíveis, desta vez com o U. Santarém a sair derrotado, na Marinha Grande, por tangencial 1-0. Em evidência esteve o Coruchense, indo ganhar a Mortágua, por 2-1; por seu lado o Rio Maior obteve um resultado animador, empatando a uma bola na recepção ao líder, B. C. Branco.

Faltando disputar apenas uma ronda para concluir a primeira volta, assinala-se uma situação de extremo equilíbrio na pauta classificativa: B. C. Branco e 1.º Dezembro lideram, com 23 pontos, só dois mais que o Marinhense, seguindo-se, um ponto mais abaixo, um “pelotão” formado por U. Santarém, Sertanense, Sintrense, Mortágua e Pêro Pinheiro, todos com 20 pontos!

O Coruchense, primeira equipa abaixo da “linha de água” vem logo de imediato (no 9.º lugar), agora apenas a dois pontos daquele quinteto, portanto com tudo em aberto para a segunda metade do campeonato. Mais problemática se mantém a situação do Rio Maior, penúltimo classificado, com apenas seis pontos averbados em doze jornadas.

Antevisão – Os campeonatos têm agora um interregno de duas semanas, no âmbito das festividades de Natal e Ano Novo, apenas sendo retomados no fim-de-semana de 8 de Janeiro.

Na I Divisão Distrital, a concluir a primeira volta, teremos um aliciante embate entre Mação e U. Tomar (os dois emblemas com maior número de pontos somados nas dez últimas jornadas da prova, respectivamente 23 e 24), cabendo também ao Fazendense uma difícil visita a Salvaterra de Magos. Sempre de interesse é também o “derby” Samora Correia-Benavente.

No escalão secundário teremos um empolgante Marinhais-Forense, assim como o Glória do Ribatejo-Moçarriense. A Norte, realce para o Caxarias-Pego (muito importante para as contas do apuramento para a fase final) e o reencontro de dois históricos, no Alferrarede-Tramagal.

No Campeonato de Portugal, no reinício, no novo ano, o fecho da primeira volta tem agendado um U. Santarém-Rio Maior, enquanto o Coruchense terá a visita de um dos guias, 1.º Dezembro.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 22 de Dezembro de 2022)

24 Dezembro, 2022 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 13ª Jornada

(“O Templário”, 15.12.2022)

Chegados à 13.ª jornada, esta é a terceira vez que o União ascende à liderança isolada do campeonato nesta época, posição que ocupara já na 5.ª e na 10.ª e 11.ª rondas. Para tal beneficiou – a par do seu triunfo em Ourém – do desaire sofrido pelo Fazendense em Ferreira do Zêzere. Como sucedera na ocasião anterior em que liderara (tendo perdido logo de seguida nos Amiais), a turma das Fazendas volta a ser derrotada na semana imediata a ter assumido o comando.

Destaques – O facto mais saliente do passado Domingo foi novo triunfo do Ferreira do Zêzere – depois de ter ido ganhar a Samora Correia na semana anterior – ante outro dos concorrentes mais cotados da prova, o Fazendense (anotando-se, ainda, que os ferreirenses se tinham já imposto igualmente ao Alcanenense, tendo vencido ainda em Mação), mesmo que por tangencial 2-1.

O conjunto das Fazendas marcou primeiro, mas deixou escapar a vantagem, acabando até por vir a ser desfeiteado, por um via de tento sofrido já em tempo de compensação. Tendo os ferreirenses, em jogos anteriores, consentido comprometedores e algo imprevistos resultados desfavoráveis, ante equipas menos apetrechadas, voltam a mostrar que têm (consabidos) argumentos para continuar a subir na classificação (partilham agora o 7.º posto com o At. Ouriense).

Em evidência esteve, claro, também o U. Tomar, arrancando uma difícil vitória em Ourém, ante o Atlético local, pela mesma marca (2-1). O grupo nabantino assumiu, como é seu timbre, a iniciativa do jogo, perante um adversário que, ao longo de todo o desafio, ofereceu boa réplica, vindo o União a inaugurar o marcador estavam decorridos apenas 20 minutos.

Continuando a exercer supremacia, os tomarenses voltaram a ser perdulários, não conseguindo consolidar a vantagem; acabando por ficar à mercê de um dos muitos lançamentos para a frente por parte do At. Ouriense, que viria a restabelecer a igualdade a doze minutos do final. Reagindo de pronto, os unionistas marcariam o decisivo segundo tento apenas dois minutos volvidos. Até final teriam ainda de sofrer, para preservar um muito importante triunfo, que, pela forma como foi alcançado, poderá ser um daqueles susceptível de vir a “fazer a diferença nas contas finais”.

O Alcanenense prossegue a sua muito boa campanha – dista somente dois pontos do vice-líder, Fazendense, e um único ponto do Samora Correia – tendo ido ganhar (2-0) ao Cartaxo, que, até então, tinha sido um reduto inexpugnável (ali tinham perdido já o Samora Correia e o Ferreira do Zêzere e empatado o Fazendense). A turma de Alcanena, muito jovem, mas com elementos de grande valia, e bem orientada pelo experiente José Torcato, continua a surpreender pela positiva, intrometendo-se na disputa dos lugares de topo da pauta classificativa.

Podia porventura antever-se, mas merece ainda menção o triunfo averbado pelo Mação, em casa, frente ao Amiense, por 2-0, com o conjunto de Amiais de Baixo a denotar alguma quebra de rendimento (registando duas vitórias, dois empates e duas derrotas, nas seis últimas rondas), tendo baixado ao 5.º lugar, a seis pontos do comandante. Ao invés, o Mação continua a sua progressão (é já 6.º, quatro pontos abaixo deste mesmo adversário), sendo que – depois das quatro derrotas sofridas de entrada, no arranque da temporada – a marca de 20 pontos alcançada pelos maçaenses só foi superada (e marginalmente) pelo U. Tomar, que somou 21 pontos nas últimas nove rondas.

Surpresas – De todo inesperado – depois da retumbante goleada aplicada pelos abrantinos na semana anterior – foi o desaire caseiro cedido pelo Abrantes e Benfica face ao Fátima, por 1-2. Os visitados entraram praticamente a ganhar (marcaram logo aos oito minutos), mas viriam a ser surpreendidos pelo tento do empate, no minuto inicial da segunda parte. A um quarto de hora do fim os fatimenses consumaram uma tão sensacional como preciosa reviravolta. Uma vitória que lhes confere vital “oxigénio” para respirar, agora apenas dois pontos atrás deste mesmo rival.

Também muito carenciado de pontos, o Entroncamento – que subsiste na cauda da tabela – resistiu na condição (temporária) de “vencedor”, em Salvaterra de Magos, até cinco minutos do final, altura em que o Salvaterrense atenuou o efeito da surpresa, fixando o empate final, a uma bola.

Confirmações – Tendo também empreendido notável recuperação – após um início de prova idêntico ao do Mação, com quatro derrotas nas quatro partidas iniciais – o Torres Novas ganhou por 2-1 ao Benavente, ascendendo à 9.ª posição, já sete pontos acima da zona (teórica) de despromoção (a qual, contudo, estará dependente do desempenho dos clubes do Distrito no Campeonato de Portugal, nesta altura com Coruchense e Rio Maior abaixo da “linha de água”).

Não foi, porém, nada fácil esta vitória torrejana: tendo os benaventenses inaugurado o “placard” logo aos cinco minutos, só nos derradeiros… cinco minutos, o grupo do Almonda conseguiria operar a reviravolta, com o golo decisivo a surgir mesmo ao “cair do pano”.

Mais tranquilo foi o triunfo do Samora Correia sobre o Águias de Alpiarça, por inequívoco 3-0, com os alpiarcenses a atravessarem fase difícil, bastante limitados nas opções disponíveis.

II Divisão Distrital – A fechar a primeira volta da fase inicial da prova os clubes mais apetrechados confirmaram, na 11.ª jornada, o seu favoritismo, com várias goleadas: 4-0 no Moçarriense-Paço Negros; 4-1 no Espinheirense-At. Pernes; 5-0 no Vasco da Gama-Alferrarede; e 4-0 no Caxarias-Ortiga. O Forense ganhou também, por 2-0, na recepção ao Benfica do Ribatejo.

A Norte, o guia, Riachense, folgou, mas mantém, na viragem para a segunda metade desta fase, margem de cinco pontos face ao Vasco da Gama (2.º), com o 3.º e 4.º (Tramagal e Caxarias) já a oito e a nove pontos, respectivamente. A Sul o equilíbrio é, por ora, maior, com o Moçarriense, no topo, dois pontos acima do Espinheirense e três face ao Forense, com o Marinhais (4.º) a seis.

Campeonato de Portugal – De entre os representantes do Distrito teve melhor registo, também na 11.ª ronda, o Coruchense, com um importante triunfo, por 2-1, ante um “adversário directo”, o União da Serra. Já o U. Santarém não foi além da igualdade a um golo, na recepção ao 1.º Dezembro. O Rio Maior estreou-se, enfim, a vencer, mercê de um solitário golo, em Arronches.

Com o B. C. Branco agora a isolar-se na liderança, é perseguido de muito perto (apenas a dois pontos) por um quinteto (!) formado por U. Santarém, Mortágua, 1.º Dezembro, Sintrense e Pêro Pinheiro. Por seu lado, a turma do Sorraia subiu ao 9.º posto (por troca com o União da Serra), a dois pontos do Sertanense. O Rio Maior deixou a “lanterna vermelha”, posicionando-se no 12.º lugar, mas a doze distantes pontos da “linha de água”, fronteira delimitada pela formação da Sertã.

Antevisão – No escalão principal do Distrital disputa-se a penúltima jornada da primeira volta (derradeira do ano de 2022), com destaque para o embate entre Alcanenense e Samora Correia, respectivamente 4.º e 3.º classificados. Por seu lado, os dois primeiros jogam em casa, cabendo ao U. Tomar receber o Salvaterrense, enquanto o Fazendense terá a visita do At. Ouriense.

Na II Divisão realce para as seguintes partidas, em que a possibilidade de acesso à fase final estará em disputa: Moçarriense-Marinhais; Vasco da Gama-Caxarias e Tramagal-U. Atalaiense.

No Campeonato de Portugal, se U. Santarém (deslocação à Marinha Grande) e Coruchense (viagem até Mortágua) enfrentam saídas difíceis, o Rio Maior não terá adversário de menor grau de dificuldade, antes pelo contrário, dado receber justamente o novo comandante, B. C. Branco.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Dezembro de 2022)

18 Dezembro, 2022 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 12ª Jornada

(“O Templário”, 08.12.2022)

No “jogo-grande”, entre candidatos, o Fazendense quebrou a série triunfal do U. Tomar em casa (onze vitórias consecutivas, desde o mês de Março), recuperando a liderança do campeonato (que tinha perdido duas jornadas antes), assim como, em paralelo, originou novo reagrupamento das equipas da frente, com os cinco primeiros classificados compreendidos num intervalo de cinco pontos (não obstante o 3.º lugar tenha passado agora a distar quatro pontos do guia).

Numa prova que se vem revelando algo volúvel, a posição de comando tem sido alternada entre três clubes: desde que, à 5.ª jornada, houve um primeiro líder isolado, U. Tomar, seguiu-se um período de três semanas em que o Samora Correia predominou, sucedendo-lhe o Fazendense (uma única ronda), de novo o U. Tomar (mais duas jornadas), e, outra vez, à 12.ª ronda, o Fazendense.

Destaques – O principal destaque da última jornada (com um generoso total de 33 golos) vai, claro, para o embate entre os dois primeiros, que se saldou pela vitória da turma das Fazendas de Almeirim, por tangencial 2-1. O U. Tomar pareceu ter, de certo modo, acusado a responsabilidade do desafio, perante um rival que se mostrou mais experiente e que começou, desde logo, por ter uma entrada afirmativa em campo, como que a pretender “impor respeito” ao adversário.

Os nabantinos demoraram até conseguir equilibrar a situação e, curiosamente, seria já numa fase de jogo mais repartido que os visitantes inaugurariam o marcador, pouco depois da meia hora. Reagindo bem, os tomarenses seriam premiados com o tento do empate, mesmo ao “cair do pano” do primeiro tempo, um golo que, pensou-se, poderia potenciar uma inversão no rumo da partida.

E, de facto, na segunda metade, o União surgiu mais desenvolto, a assumir a iniciativa, chegando a forçar o adversário a reagrupar-se em zonas mais recuadas do terreno. Porém, não tendo conseguido alcançar vantagem, acabaria por ser o Fazendense a surpreender, já no quarto de hora final, marcando de novo, o que ditaria o desfecho do encontro. Até final, faltando já alguma lucidez, os homens da casa lutaram por melhor resultado, mas tal esforço resultaria infrutífero.

Em especial evidência esteve o Ferreira do Zêzere, que impôs ao – até há pouco tempo invicto – Samora Correia segundo desaire sucessivo, desta feita no seu próprio reduto, por 4-3. Num desafio muito disputado, as equipas chegaram ao intervalo empatadas a dois; na etapa complementar, os forasteiros, aproveitando rápidas investidas, ampliaram a sua contagem até aos quatro golos, a que os samorenses não conseguiram mais que ripostar, reduzindo (tal como na semana anterior) para a diferença mínima, sendo que os ferreirenses terminaram o jogo reduzidos a nove elementos.

Como que a querer dar uma enérgica “sapatada” na crise que vinha atravessando, o Abrantes e Benfica foi golear a Benavente por inusitada marca de 6-3 (!), desfecho que, necessariamente, não deixará de causar sérias inquietações aos visitados, que subsistem no antepenúltimo lugar, sendo que, em seis encontros no seu terreno, não conseguiram, por ora, melhor que dois empates.

Confirmações – Para além do triunfo ferreirense em Samora, e da expressão da vitória abrantina em Benavente, não houve surpresas de relevo a assinalar na 12.ª jornada.

Amiense e Alcanenense validaram – ainda que com maior dificuldade do que seria expectável – o seu favoritismo, ganhando, respectivamente, face ao Salvaterrense (por tangencial 3-2 (mas com os homens de Salvaterra a minimizar a desvantagem já nos derradeiros dez minutos) e ao Torres Novas (por 3-1, neste caso, com o tento da confirmação a surgir em cima do minuto 90).

Continuam, pois, as turmas de Amiais de Baixo e de Alcanena integradas no grupo de cinco clubes que se posicionam no topo da tabela, tendo, aliás, encurtado distâncias em relação às duas equipas que se posicionam imediatamente acima – com o Amiense a igualar pontualmente o Samora Correia, apenas a três pontos do U. Tomar, e o Alcanenense somente um ponto mais abaixo.

Tendo, em paralelo, ampliado a vantagem face ao 6.º e 7.º classificados, At. Ouriense e Mação, os quais não foram além de igualdades no passado fim-de-semana – a formação de Ourém, empatando a uma bola no terreno do último classificado, Entroncamento; e, no caso dos maçaenses, não tendo sido desfeito o nulo na deslocação a Fátima, actual penúltimo – passando a distar quatro (At. Ouriense) e seis (Mação) pontos da agremiação dirigida por José Torcato.

Por fim, nota para um importante triunfo averbado pelo Águias de Alpiarça, por 2-1, na recepção ao Cartaxo (equipa que vinha de duas afirmativas vitórias, ante o Ferreira do Zêzere e o Samora Correia), tendo os alpiarcenses alcançado o tento decisivo já em período de compensação; um desfecho que permitiu ao conjunto orientado por Jorge Peralta ascender ao 9.º lugar.

II Divisão Distrital – Forense e Espinheirense, ambos vitoriosos em terreno alheio, respectivamente no Porto Alto (3-2) e na Glória do Ribatejo (2-0) foram os principais beneficiados, a Sul, na 10.ª ronda da divisão secundária, dado que o guia, Moçarriense, não foi além do 0-0 em Benfica do Ribatejo – reequilibrando, de alguma forma, as contas, depois de ambos terem perdido pontos no feriado de 1 de Dezembro (vitória do conjunto da Moçarria, ante o Forense, por 2-1; e empate caseiro cedido pelo Espinheirense, a três golos, com o Marinhais).

Os três clubes da frente apresentam-se concentrados num intervalo de três pontos, dispondo o Moçarriense de dois pontos de avanço sobre o Espinheirense, seguido de imediato pelo Forense.

A Norte o Riachense consentiu, no reduto do Vilarense, aquele que foi apenas o seu segundo empate (1-1), tendo somado oito triunfos na primeira volta (que se conclui no próximo fim-de-semana, mas com os homens dos Riachos a folgar), o último, na quinta-feira, ante o Caxarias, por 4-2. Quem está também a ter um notável desempenho é a formação do Vasco da Gama, que foi golear à Atalaia por 5-1, isolando-se na 2.ª posição, pese embora a oito pontos do comandante.

Campeonato de Portugal – Foi uma jornada em “três tons” a 10.ª desta competição de cariz nacional: muito bom triunfo (2-1) do U. Santarém em Mortágua, com os escalabitanos em franca ascensão na tabela, já no 3.º lugar, somente a um ponto do par da liderança (Sintrense e Pêro Pinheiro); também, em princípio, um resultado positivo do Coruchense, empatando a um golo na Sertã (mantendo-se a dois pontos da “linha de água”, delimitada precisamente pelo Sertanense); e (mais uma) derrota (oitava) do Rio Maior, perdendo com o Marinhense, também por 1-2.

Antevisão – Na 13.ª ronda da I Divisão as atenções estarão focadas, em especial, no Ferreira do Zêzere-Fazendense e no At. Ouriense-U. Tomar, com os dois primeiros a ser, uma vez, mais colocadas à prova. De forte interesse será, também, o Mação-Amiense.

No escalão secundário realce para o Pego-U. Atalaiense, com os primeiros classificados (Moçarriense, Espinheirense, Forense; e Vasco da Gama) claramente favoritos nos seus desafios.

No Campeonato de Portugal, o U. Santarém recebe o anterior guia, 1.º de Dezembro, com o qual partilha a 3.ª posição, enquanto o Coruchense tem um importante compromisso com o União da Serra. O Rio Maior, de visita a Arronches, terá em mira a possibilidade de se estrear a ganhar.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 8 de Dezembro de 2022)

11 Dezembro, 2022 at 11:00 am Deixe um comentário

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