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"RETENÇÃO" vs. "PROMOÇÃO AUTOMÁTICA" (II)
Ao invés, será a “retenção” escolar um “mal necessário”? A “passagem de ano automática” avolumará/agravará os problemas/dificuldades dos alunos até atingir um nível incomportável e impeditivo do efectivo sucesso (aproveitamento) escolar, dada a absoluta falta de preparação?
Poderá a repetição de ano constituir uma oportunidade suplementar ao aluno? Possibilitando-lhe suprir, no curto prazo, as suas limitações escolares e, a longo prazo, prosseguir, com maior grau de êxito, os seus estudos?
Traduzirá de forma mais adequada os diferentes ritmos de aprendizagem de cada aluno? Poderá contribuir para que, por via da recuperação das bases em falta, o aluno adquira maior auto-confiança para os anos seguintes?
E a que níveis escolares será a “retenção” mais pertinente, necessária ou útil? No limite, a que soluções alternativas poderão os professores e responsáveis escolares recorrer?
A reacção dos pais face à reprovação dos filhos tenderá a divergir, consoante a sua condição social, oscilando entre a “recusa” (nos meios sociais favorecidos) – traduzindo-se, por exemplo, no abandono do ensino público (por ser apercebido como ineficaz) e passagem ao ensino privado – e a “resignação” nas camadas sociais mais baixas (acabando, muitas vezes, no abandono escolar).
Por outro lado, serão os professores os maiores defensores do sistema de “retenção”, entendido como uma medida indispensável ou “necessária”?
Na Europa, o sistema é adoptado nomeadamente em Portugal (com uma das maiores taxas de reprovação da Europa, 14 %), Alemanha, Bélgica (maior taxa de reprovação, 16 %), Espanha, França, Holanda, Itália e Suíça.
Por fim, esta questão cruza-se directamente com a política de orientação / diferenciação dos estudos, na sua dupla vertente, de formação “académica” e formação técnico-profissional.
[407]
"RETENÇÃO" vs. "PROMOÇÃO AUTOMÁTICA" (I)
A “retenção” escolar (como agora se chama à reprovação, vulgo “chumbo”) poderá constituir um antídoto para fazer face ao insucesso?
Ou será, como defendem investigadores do fenómeno, um instrumento dispendioso e ineficaz no plano pedagógico?
Apercebida também como uma forma de “sanção”, deverá ser limitada a casos muito específicos? Aplicável apenas no final de cada ciclo escolar? Ou, em cada ano do percurso escolar?
Poderá – considerando o grau de subjectividade da apreciação / avaliação de professores, com diferentes critérios ou gradações – ter eventualmente um carácter de injustiça?
Terá como consequência “fazer perder um ano na vida dos alunos”? Será um factor penalizador, quer em termos escolares, quer a nível psicológico (podendo, no limite, ser mesmo traumatizante, com perda de auto-estima, sobretudo quando acontece de forma precoce), contribuindo também, de forma significativa, a prazo, para o abandono do sistema escolar?
O custo da “retenção” (por via da repetição de ano) poderia ser, alternativamente, aplicado de forma mais “produtiva”?
Face a estes casos, a solução será, não a “reprovação maciça”, mas, preferencialmente, o trabalho em pequenos grupos ou o acompanhamento individual?
Na generalidade, os países do Norte da Europa, como a Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, mas também o Reino Unido e a Irlanda (como, noutra área, o Japão) são contrários à adopção da política de “retenção”, praticando a promoção automática (“passagem de ano”), com um sistema de acompanhamento dos alunos em maior dificuldade.
[402]
O TRABALHO (III)
Podemos, ao invés, interrogar-nos sobre o que faríamos se ficássemos .libertos. (todos) de ter uma actividade profissional.
Seria errado pensar que talvez apenas uma relativamente pequena parte da população utilizaria esse .novo tempo livre. para se instruir, para aprender, para inovar, inventar um .novo mundo.; e que, uma parte relevante da população mundial não faria nada mais que .preguiçar. indefinidamente (optando pela via da .facilidade. e, consequentemente, da .mediocridade.)?
Será legítima a interrogação se a “sociedade”, pelos constrangimentos que determina . impondo ao homem uma espécie de trabalho .compulsivo. . terá acabado por .fazer a agulha., orientando-nos de forma a contornar a que seria eventualmente a tendência .natural. do género humano?
[397]
O TRABALHO (II)
Apesar de, em 1900, o trabalho ocupar cerca de um terço da vida e, hoje, apenas cerca de 20 % (considerando os fins-de-semana, férias e feriados), passou a ser visto como um prolongamento da existência, a concretização (forma de .realização.) da vida, um meio de expressão pelo qual nos tornamos assimiláveis aos outros, sem o qual nos sentiríamos excluídos socialmente.
Mas a realidade efectiva é que o trabalho nos acompanha muito para além das instalações físicas em que é desenvolvido, ocupando parte muito relevante das nossas mentes.
Em determinadas actividades, demasiadamente absorventes, entra-se num ciclo, simultaneamente .virtuoso. e .vicioso.: por um lado, numa sociedade que se fundamentará na .meritocracia., o bom desempenho traduz-se em feedback (reconhecimento), re-alimentando, por sua vez, a necessidade de continuar a .investir. e a progredir na carreira (com subsequente .acréscimo. de reconhecimento); por outro, tal gera uma engrenagem da qual é difícil à pessoa individual conseguir libertar-se, a .vontade. / .necessidade. (de afirmação pessoal) tem reflexos numa espiral de dedicação ou envolvimento, cada vez mais consumidora de tempo e de disponibilidade mental.
A sobrevalorização do papel do trabalho, a competitividade exacerbada, fez-nos esquecer (!?) que uma sociedade, para se desenvolver, necessita também de outra coisas, desde a participação social activa, às actividades familiares, ao cultivar de um ciclo de amizades, até à vertente amorosa e, in fine, pessoal.
[396]
O TRABALHO (I)
… Continuando a falar e a reflectir sobre o trabalho…
O trabalho nasceu como uma actividade que produz riqueza.
Não obstante, no mundo grego, era visto de forma negativa (como um .mero conjunto de esforços físicos.), sendo a .nobreza. associada à intelectualidade dos .amantes da sabedoria. (filósofos).
A Reforma instigou uma passagem aos valores associados ao trabalho, desenvolvendo a ideia de uma ética do .labor.. Com Adam Smith, surge o conceito geral do trabalho como origem de todas as riquezas.
No Século XIX, Hegel e Marx defenderam uma concepção do trabalho como um valor central da actividade humana, permitindo ao homem atingir a sua realização.
Transformou-se entretanto também num sistema de distribuição de direitos sociais; esperamos dele um rendimento, uma função social, uma ocupação.
Nos dias de hoje, o trabalho corresponde ao preenchimento de uma função num sistema, sendo nomeadamente as funções de integração social e de acesso a um status social fortemente perturbadas por situações de desemprego.
[395]
E AGORA? (II)
Algumas provas testemunhais de menores que contribuíram para a decisão da prisão preventiva de Paulo Pedroso são consideradas pelo Acórdão do Tribunal da Relação, como: .frágeis, irrelevantes e inverosímeis.!!!
Depois da mensagem “cifrada” da Provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, (pré)-avisando para o que “aí virá” (mais personalidades “famosas” envolvidas?), é a credibilidade das investigações e das provas testemunhais que é assim (seriamente) colocada em causa.
Em que é que ficamos?
Estes factos “novos” não deixam de constituír uma fortíssima pressão para que a justiça aja com a máxima celeridade; não é sustentável continuar a prolongar por muito mais tempo esta situação de indefinição, em que se vai começar a duvidar de tudo…
[368]
E AGORA?
Como diz o Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, “o sistema (judicial) está a funcionar”.
Paulo Pedroso viu a medida de coacção que lhe era aplicável passar do grau máximo de privação de liberdade (4 meses e meio de prisão preventiva, a qual havia sido confirmada pelo juiz Rui Teixeira há pouco mais de 1 mês), para a de nível mais baixo (“fixação de termo de identidade e residência”).
Ao ouvir as declarações de Paulo Pedroso, retenho: “Esta era uma prisão ilegal e injusta…”; “… a certeza da minha inocência…”; “A pedofilia é um crime horrendo!”.
Conforme escrevia Pacheco Pereira, a (quebra da) “palavra de honra” será de facto o último estágio da “perda de dignidade” de um ser humano?
A ser assim, crendo nas palavras de Paulo Pedroso – ou estarei a ser naif? -, poderemos estar perante um grosseiro erro judicial de proporções tremendas (?).
E como ficará a credibilidade da justiça se, de facto, algum (ou alguns) dos indiciados deste processo da “Casa Pia” não for provado culpado?
P. S. Mais um agradecimento, ao Analiticamente incorrecto.
[364]
ESTRANHO…
…Que as .entradas. nº 315 e 303 (Setembro) sobre a admissão à Universidade não tenham merecido qualquer comentário (!?) dos meus atentos leitores.
… A abstenção generalizada de opinião sobre as notas mínimas de entrada (quando se discutem tantos temas à volta da matéria, desde a questão da fixação dos valores das propinas aos regimes excepcionais de admissão, passando pelo ranking das instituições escolares).
[346]
36 000 NOVOS UNIVERSITÁRIOS!
(Volto ao tema!…).
Desta vez, com números, “fria linguagem” que pode, contudo, dizer bastante.
Dos 41 600 candidatos ao ensino superior, foram admitidos 36 000! 87 %! “Nove em cada dez”!
Os “últimos”, com estas notas / médias:
– 8,17 – Auditoria e Fiscalidade – Escola Superior de Gestão de Tomar
– 8,40 – Contabilidade e Administração – Inst. Sup. Contabilidade e Administração Aveiro
– 8,45 – Informática e Gestão – Instituto Superior Contabilidade e Administração Coimbra.
“Isto” não é preocupante? “Isto” não é cultivar o “facilitismo”? Quais as consequências desta situação? Alunos a reprovar sistematicamente na Universidade? Com que tipo de preparação irão concluir os seus cursos? Que desempenho poderão atingir em termos profissionais (em áreas relacionadas com os cursos que frequentam) ?
P.S. Porque ainda não me esqueci que o “objectivo prioritário” é o de divulgar o que de mais positivo vai acontecendo, deixo também a relação das melhores notas / médias de admissão à Universidade:
– 18,85 – Medicina – Universidade do Porto
– 18,51 – Medicina – Faculdade Ciências Médicas Universidade Nova Lisboa
– 18,00 – Arquitectura – Universidade do Porto.
[315]
ACESSO À UNIVERSIDADE
Alguém é capaz de explicar qual a lógica de admissão à Universidade de alunos com médias inferiores a 10 valores?
[303]



