Mundial 2018 – Portugal – Espanha

15 Junho, 2018 at 8:52 pm Deixe um comentário

Portugal Espanha 3-3

Portugal Rui Patrício; Cédric Soares, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; Wiliam Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva (69m – Ricardo Quaresma), Gonçalo Guedes (80m – André Silva) e Bruno Fernandes (68m – João Mário); Cristiano Ronaldo (c.)

Espanha David de Gea; Nacho, Gerard Piqué, Sergio Ramos (c.) e Jordi Alba; Sergio Busquets, Koke, Isco e Andrés Iniesta (70m – Thiago Alcântara); David Silva (86m – Lucas Vázquez) e Diego Costa (77m – Iago Aspas)

1-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 4m
1-1 – Diego Costa – 24m
2-1 – Cristiano Ronaldo – 44m
2-2 – Diego Costa – 55m
2-3 – Nacho – 58m
3-3 – Cristiano Ronaldo – 88m

Cartões amarelos – Bruno Fernandes (28m); Sergio Busquets (17m)

Árbitro – Gianluca Rocchi (Itália)

Fisht Stadium – Sochi (19h00)

Frente a uma selecção de Espanha necessariamente ainda algo combalida pela mudança de seleccionador apenas dois dias antes da estreia no Mundial (na sequência do anúncio da contratação de Julen Lopetegui pelo Real Madrid, a Federação espanhola decidiu dispensá-lo com efeitos imediatos, sendo substituído por Fernando Hierro), seria difícil pedir-se melhor entrada em campo: apenas com três minutos decorridos, era assinalada uma grande penalidade (a sancionar falta de Nacho sobre Cristiano Ronaldo), a qual, superiormente convertida pelo próprio Cristiano, colocaria Portugal em vantagem.

Era um excelente tónico para este jogo inaugural, que se esperava pudesse reforçar os níveis de confiança da equipa portuguesa, a qual viria a dispor ainda de uma outra ocasião soberana de golo, por volta dos vinte minutos de jogo; porém, Gonçalo Guedes, pouco expedito, não conseguiu materializar tal oportunidade.

Não obstante, ainda com “todo o tempo” pela frente, os espanhóis não se desuniram, fiéis ao seu estilo de jogo, de posse e controlo. E, em aplicação da velha máxima de que “quem não marca sofre”, igualariam o marcador, com um tento de Diego Costa, todavia ferido de ilegalidade, não sancionada pelo árbitro, nem pelo “VAR”: antes da concretização, o brasileiro naturalizado espanhol dera uma cotovelada no brasileiro naturalizado português (Pepe), afastando-o do lance (cairia ao chão), ficando assim com espaço de manobra para visar com êxito a baliza de Rui Patrício.

Estávamos a meio da primeira parte e, até final, a formação de Espanha “pegou no jogo”,  não dando liberdade aos portugueses, que, apenas de forma algo “incidental”, numa iniciativa de Cristiano Ronaldo, com um forte remate, de efeito caprichoso, a trair o guardião de Gea (que viu a bola escapar-se-lhe das mãos ao tentar detê-la), voltaria a criar perigo, sendo bem sucedido, recolocando a equipa lusa em vantagem. Um golo, mesmo a findar a metade inicial do desafio, que parecia chegar na altura ideal.

Contudo, na etapa complementar, a turma portuguesa não conseguiria nunca suster o ímpeto contrário, vendo-se gradualmente empurrada para a sua zona defensiva, perante a insistência de troca de bola dos espanhóis – no final do encontro, a estatística conferia-lhes uns claramente dominadores mais de 60% de posse de bola -, que ia “apertando”, outra vez com Diego Costa, perante uma passiva defesa, a restabelecer o empate, para, quase de imediato, numa excelente execução de Nacho, a Espanha consumar a reviravolta no marcador.

A partir daí, embora a tendência do jogo se mantivesse, sempre com controlo espanhol, a verdade é que não surgiram grandes ocasiões de golo, enquanto, por seu lado, o conjunto português ia procurando, mesmo que sem grande convicção, reverter o resultado negativo que passara a registar.

Num jogo bastante intenso, muito exigente a nível físico para ambos os lados, no qual a equipa nacional teve a virtude de não virar a cara à luta, nunca se “entregando”, Portugal voltaria a ser feliz, quando restavam apenas dois minutos para o final: na sequência de uma falta de Piqué sobre Ronaldo, muito próximo da área, ligeiramente descaída para o lado direito, o mesmo Cristiano – pleno de crença, concentração/foco e uma imensa vontade de ser o melhor -, com uma execução perfeita do livre, com a bola a sobrevoar/contornar a barreira e a sair fora do alcance do guarda-redes, completava o “hat-trick”, que proporcionava um algo lisonjeiro empate à nossa selecção.

No final, a alegria estampada no rosto de todos os portugueses – com Cristiano Ronaldo à cabeça, radiante com a sua magnífica exibição, coroada pelos três golos apontados a uma das melhores selecções do mundo, num jogo em que preencheu todo o campo, procurando apoiar também em momentos defensivos – era a prova cabal da importância deste resultado.

Quanto à exibição global da equipa, sobretudo a nível defensivo (incluindo a acção do meio-campo), Fernando Santos – que, no momento crucial do jogo, arriscara em busca do empate, vindo a ver a sua aposta bem sucedida – revelou estar bem consciente de quanto será necessário melhorar para dar sequência positiva a este jogo de estreia.

«Spain and Portugal Play a Draw for the Ages, Starring a Player for All Time» (Rory Smith – The New York Times)

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