U. Tomar – Centenário (XXXIII)

18 Maio, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

Centenario-33

(“O Templário”, 15.05.2014)

Chegava-se então à temporada de 1975-76, que assinalaria a derradeira participação do União de Tomar na I Divisão. Atravessando uma época difícil, a sete jornadas do termo da competição, a formação tomarense ocupava a indesejada posição de “lanterna vermelha”, a três pontos dos lugares da “salvação”. Até que aconteceria uma das maiores surpresas do campeonato…

Um magnífico Boavista cedera entretanto a liderança (que ocupara durante a primeira fase da prova) ao Benfica, mas continuava a ocupar um estupendo 2.º lugar, e, sobretudo, não abdicara ainda da luta pelo título. Na 24.ª ronda, a 13 de Março de 1976, o União visitava o Estádio do Bessa e ninguém apostaria “um tostão” numa eventual possibilidade de triunfo unionista.

Bastaria porém um golo de Camolas, ao findar da primeira parte, para desmentir toda e qualquer lógica do futebol: os “rubro-negros” obtinham uma tão sensacional como absolutamente surpreendente vitória sobre o Boavista, em terreno alheio, que terá sido determinante para afastar o “Boavistão” de Pedroto da possibilidade de se vir a sagrar Campeão Nacional!

«Parecia fácil, por tudo isso e ainda porque os visitados, segundos da classificação, defrontavam o último da tabela. Realmente parecia fácil. Mas foi difícil. Parecia simples. E foi tremendamente complicado. Parecia de ganhar. E foi de perder. Sem um apelo, sem um reparo para o árbitro, sem outras atenuantes que fossem afinal, as ausências de Celso e de Alves. Celso que é dono do meio-campo, que aí segura o jogo, que aí mina o adversário, que o impede, aí, de se mostrar, de se organizar, de partir para o contra-ataque. Alves que é o estratega, o homem que constrói, que corre o campo, que mete a bola, quando não marca o golo, que disciplina os movimentos, o «empreiteiro» que faz os «alicerces» da actuação, que vê o lance, que faz jogar, que arrasta consigo a equipa, que lhe dá o balanço certo que é a «inteligência do «onze», o cérebro que o comanda, lá dentro, mesmo quando marcado, quando vigiado, quando policiado, quando perseguido em todos os terrenos, que tem sido o grande impulsionador do mesmo assim sensacional «Boavistão» de 1975-76, no sábado apenas «Boavistinha», confundido, desnorteado, descompassado, sem ritmo de início, depois nervoso, despistado, sempre ao ataque, um ataque porfiado, prolongado, constante, persistente, que deparou com todo um «União dos Defesas Unidos» que de Tomar foi até ao Bessa jogar uma cartada que se antevia difícil, quase impossível, mas que redundou num triunfo naturalmente surpreendente mas justificado, para não dizermos justo, sopesados bem os acontecimentos daqueles noventa minutos de nervos em franja para toda a gente, as duas equipas e todos os espectadores, sobretudo os interessados, os que sofreram mais com a derrota, por a ela não estarem habituados.

Não foi um jogo espectacular. Mas foi um espectáculo todo o jogo. Emotivo, emocionante, que prendeu toda a gente até ao derradeiro segundo do último minuto. […].

O União de Tomar acabou por vencer bem – por culpa alheia, também. E o Boavista perdeu mal – mas apenas porque jogou realmente mal. […]

Claro que o União, como já vimos, teve a sua tarefa de algum modo facilitada. Mas soube deitar a mão ao ensejo, soube aproveitar a oportunidade, soube construir, com abnegação e lucidez, o caminho que a conduziu ao êxito. Com certa dose de sorte, convenhamos. Mas o importante é que soube procurar essa sorte, soube agarrá-la, soube conquistá-la e, depois, soube guardá-la com determinação, soube segurá-la com unhas e dentes.»(1)

____________

(1) Cf. “A Bola”, 15 de Março de 1976 – Crónica de Álvaro Braga
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