Archive for 2 Fevereiro, 2014

U. Tomar – Centenário (XVIII)

Centenario - 18

(“O Templário”, 30.01.2014)

Ainda na época 1967-68, e a faltar apenas três jornadas para o termo da prova, o União, líder destacado, com quatro pontos de vantagem, deslocava-se a Torres Novas, para defrontar o 2.º classificado, num jogo verdadeiramente decisivo, como que uma “final” antecipada. Estávamos a 21 de Abril de 1968, um dia que ficaria gravado a ouro na história do União de Tomar!

«E o jogo propriamente dito o que foi? Um encontro pleno de vibração mas onde andou arredada a boa técnica já que as duas equipas preocuparam-se mais em jogar depressa (tendo como grande aliado as reduzidas dimensões do rectângulo de jogo) do que em fazer prevalecer as suas intenções em lances esclarecidos e de bom «association». E, já que ambas se equivaleram em vontade e bravura, postos na luta, os tomarenses acabaram por se superiorizar graças à sua «cabeça-fria» e à sua maior lucidez de processos, trunfos naturais em face da sua maior tranquilidade na tabela classificativa em contraste com o seu opositor para quem o jogo era realmente de «vida ou de morte»

À maior sagacidade e clareza dos pupilos de Oscar Tellechea, opôs o Torres Novas um futebol todo coração e pernas, feito com garra e frenesim, mas onde faltou a tal «cabeça fria», do seu adversário. E, como os atacantes locais não estavam em tarde «sim», faltando-lhes talento e potência de remate para transformar em golo uma ou duas oportunidades surgidas, quando o marcador ainda estava em branco (Gamboa foi o mais desastrado e infeliz), o desfecho premeia a equipa que menos jogou em quantidade mas a mais hábil na sua qualidade.»(1)

Graças a dois golos, de Totói (28m) e Alberto (73m), a que o Torres Novas apenas contrapôs um tento, por Gamboa (84m), o União obtinha a, até então, mais importante vitória do seu historial:

«Num mini-rectângulo, onde qualquer espécie de futebol estruturado é praticamente impossível, o União fez o jogo que mais lhe convinha e do qual melhores resultados podia tirar. Assentando numa defesa muitíssimo bem organizada onde os avançados locais nunca conseguiram uma nesga para rematar em boas condições e dispondo os outros jogadores bem espalhados pela defesa e meia-defesa local o União desmembrou por completo a equipa local e comandou a partida durante quase todo o tempo.»(2)

«Verdade seja que as duas equipas se empregaram com entusiasmo e apego à luta, mais técnica e mais esclarecida a equipa tomarense, mais em força e genica a equipa torrejana, pelo que o espectáculo, se não teve os primores técnicos que um jogo de nervos não permitiria, teve no entanto a virtude de prender a assistência pela luta posta em jogo pelos dois contendores.»(3)

Com este triunfo, alcançado no terreno do mais directo rival, o União de Tomar ampliava a sua vantagem para seis pontos, garantindo matematicamente o 1.º lugar na classificação final e consequente promoção à I Divisão, feito que alcançava pela primeira vez na sua história, de já mais de meio século de existência. Aqui fica a homenagem aos onze heróis que participaram nesta brilhante façanha: Conhé; Cabrita, Faustino, Alexandre e Santos; Bilreiro e Cláudio; Lecas, Alberto, Djunga e Totói.

____________

(1) Cf. “Record”, 23 de Abril de 1968 – Crónica de Carlos Arsénio
(2) Cf. “Cidade de Tomar”, 27 de Abril de 1968 – Crónica de A. J.
(3) Cf. “O Templário”, 27 de Abril de 1968 – Crónica de Figueiredo Santos

2 Fevereiro, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 14ª jornada

Pulsar - 14

(“O Templário”, 30.01.2014)

No arranque da segunda volta do Campeonato Distrital da I Divisão, dois destaques principais: começando pelo União de Tomar, um excelente triunfo em Torres Novas, por 3-2, num desafio em que os unionistas “entraram a ganhar”, com um golo logo no minuto inicial, tendo tido ainda a capacidade de sofrimento e de reacção necessárias para operar a reviravolta no marcador, depois de os torrejanos se terem entretanto colocado em vantagem; depois, começa já a ser repetitivo o enaltecer do excelente desempenho do Coruchense que, vencendo em Fazendas de Almeirim (1-0) ampliou para três pontos a sua vantagem na liderança da prova.

Para os tomarenses – que conseguiram o pleno de vitórias no mês de Janeiro –, foi o quarto triunfo obtido em outros tantos jogos disputados neste início de ano do centenário (um para a Taça do Ribatejo, três a contar para o campeonato), com um score global de 13-5, assim reforçando a sua meritória posição (5.º posto, partilhado com o Amiense), agora a começar a dispor de vantagem mais tranquilizadora (já oito pontos) sobre a zona perigosa da classificação.

Por seu lado, a formação de Coruche consegue ainda melhor: depois de um início algo titubeante, com quatro empates nas cinco rondas iniciais, acumula já uma série de sete jogos sucessivos a ganhar no campeonato (curiosamente, neste período, a única equipa capaz de travar o líder foi… o guia da II Divisão Distrital, Barrosense, que impôs um empate a uma bola em desafio da Taça do Ribatejo).

Aproveitando os desaires de Torres Novas e Fazendense, o At. Ouriense, regressando aos triunfos (não obstante por margem tangencial, de 1-0, sobre o Mação), ascendeu de novo ao 2.º lugar, ultrapassando aqueles rivais na luta pelo título, os quais passaram entretanto a distar já quatro pontos do guia. Salvo maior imprevisto, deverá sair deste quarteto, que continua a ocupar os lugares do topo da tabela, o futuro Campeão Distrital.

Efectivamente, União de Tomar e Amiense – que, nesta ronda, venceu face ao grupo dos Empregados do Comércio, por 2-1 – registam um atraso de cinco pontos para o duo que imediatamente os precede na pauta classificativa, estando ambos a nove pontos do comandante.

Daqui para baixo, subsiste uma grande amálgama na classificação, com metade dos concorrentes separados por apenas quatro pontos, embora se vá assistindo a tendências e trajectórias algo divergentes: o Mação, actual sexto classificado (quatro pontos abaixo de União e Amiense), apesar de uma carreira algo irregular, parece poder vir a superiorizar-se à restante concorrência, nomeadamente com o Pontével em notória quebra de rendimento, há sete jogos sem vencer (depois de cinco triunfos nas sete primeiras rondas), e, pior, surpreendentemente derrotado em casa na última jornada pelo U. Chamusca (0-1).

Também sem ganhar há quatro jornadas surge a formação dos Empregados do Comércio, que – a par do Benavente (que empatou com o Cartaxo a um golo) – dispõem agora de um único ponto de vantagem sobre o trio formado por Assentis, Cartaxo e U. Chamusca, emblemas que, integrando a parte baixa da classificação, registam não obstante uma média de um ponto por jogo, beneficiando também da má campanha da U. Abrantina, “lanterna vermelha” destacada, já com nove pontos de atraso (tendo desperdiçado uma oportunidade, ao não ter conseguido melhor do que a igualdade a um tento na recepção à turma de Assentiz).

Na próxima semana, o campeonato terá mais um breve interregno para disputa da eliminatória correspondente aos 1/8 Final da Taça do Ribatejo, com destaque para os confrontos que opõem Torres Novas e Fazendense, Benavente e União de Tomar, e ainda com a curiosidade de ver o que serão capazes de fazer Glória do Ribatejo, Vale da Pedra e U. Almeirim – equipas actualmente a militar na II Divisão Distrital –, frente aos primodivisionários Mação, Assentis e Pontével.

Falando da II Divisão, o Barrosense destaca-se cada vez mais na liderança, dispondo agora já de uma vantagem de sete pontos sobre o Rio Maior, tendo beneficiado do desaire do U. Almeirim, derrotado pelo U. Santarém. A Norte, tudo está mais indefinido, com o comando agora partilhado por Atalaiense (que cedeu empate caseiro ante o Caxarias) e Pego, com o Mindense apenas um ponto mais abaixo.

Terminou entretanto a primeira fase da edição inaugural do Campeonato Nacional de Seniores, com a derradeira jornada a ficar assinalada, na série F, por empates em todos os cinco desafios disputados; em concreto, no que às equipas do Distrito respeita, Riachense e Alcanena não conseguiram desfazer o nulo no prélio que disputaram em Riachos, tendo o Fátima registado igual desfecho na recepção ao Lourinhanense. O Mafra (que mantém a invencibilidade) e U. Leiria (tendo empatado entre si, a três tentos, em Leiria) são os dois clubes apurados para a fase de disputa do título e de promoção à Liga 2, integrando uma série (“Sul”), conjuntamente com B. C. Branco, Sertanense, Loures, Oriental, Pinhalnovense e Ferreiras.

Os grupos do Distrito de Santarém disputarão a manutenção, partindo para a segunda fase com metade dos pontos até agora obtidos, com o seguinte escalonamento: Alcanenense (15 pontos); Fátima (14); Lourinhanense (13); Caldas (12); Torreense (11); Carregado (9); Portomosense (6); e Riachense (4 pontos). Serão despromovidos aos Distritais os dois últimos classificados de cada uma das oito séries; os antepenúltimos classificados de cada série terão de realizar uma eliminatória (“play-off”), em que os (quatro) clubes vencidos serão igualmente despromovidos.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Janeiro de 2014)

2 Fevereiro, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário


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