Archive for Outubro, 2013
Prémio Nobel da Física – 2013
O prémio Nobel da Física 2013 foi hoje atribuído aos investigadores François Englert (Bélgica) e Peter W. Higgs (Reino Unido), «pela descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa das partículas subatómicas, e cuja existência foi recentemente confirmada através da descoberta da partícula fundamental prevista, pelas experiências ATLAS e CMS do “Large Hadron Collider” do CERN».
Prémio Nobel da Medicina – 2013
O prémio Nobel da Medicina 2013 foi hoje atribuído aos investigadores James E. Rothman, Randy W. Schekman (ambos dos EUA) e Thomas C. Südhof (Alemanha), «pelas suas descobertas da maquinaria de regulação do tráfego vesicular, um importante sistema de transporte nas nossas células».
U. Tomar – Centenário (II)
(“O Templário”, 03.10.2013)
No decurso de um período de mais de seis anos, desde a sua fundação, em Maio de 1914, até Janeiro de 1921, o União de Tomar terá certamente vencido alguns dos vários jogos-treino que iam sendo realizados, tendo por adversários, essencialmente, outros grupos de Tomar. Porém, a primeira vitória do União de que dispomos de confirmação documental escrita, por via dos jornais da época, é da referida data:
«Realisou-se no passado dia 23 Janeiro [de 1921] um desafio de Foot-Ball entre os grupos Victoria F.B. Club e União Caixeiros Thomar, sendo o resultado favorável ao U. C. T. por 3 bolas.»(1)
Dando mais um pequeno salto no tempo, na sequência da instituição da denominada “Liga Tomarense de Futebol”, na temporada de 1923-24 (época em que o União de Tomar, contudo, não participaria ainda na prova), a estreia unionista nessa competição viria a ocorrer apenas em Novembro de 1924, já na sua segunda edição, também assinalada pelo primeiro jogo de cariz oficial (dado a Liga Tomarense ser filiada na então União Portuguesa de Futebol, antecessora da actual Federação Portuguesa de Futebol) entre as duas principais agremiações desportivas de Tomar, com o triunfo sportinguista a saldar-se, desta feita, por um solitário tento:
«No passado dia 9 [de Novembro de 1924] realisou-se no Campo do Sporting o segundo desafio da primeira volta do campeonato de Tomar, entre Sporting e União. A chuva que durante o desafio, caiu torrencialmente não permitiu a qualquer dos grupos produzir o seu melhor, e assim assistimos mau grado nosso a um encontro em que predominou o pontapé para a fren[t]e e salvo raras excepções. […]
Pelo jogo desenvolvido tira-se por conclusão que o União tem poucos treinos, e os homens do Sporting que nos diziam formarem uma linha formidável, não conseguiram deslumbrar a assistência. […]
É marcado «corner» ao União que apontando por Picôto é transformado em «goal» por José da Silva, que ao dar a cabeça envia a bola á trave; levando porem efeito entra, quando o guarda-redes se encontrava encostado á balisa contraria.
O efeito deste «goal» produzido entre os homens do Sporting é de tal ordem que se abraçam mutuamente.
Obtido este ponto, os homens do Sporting tentam assentar jogo; porem, os homens do União atacam com inergia e invadem frequentemente o campo do adversário, não lhes sendo possível no entanto marcar.»(2)
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(2) Cf. “Eco Sportivo”, 23 de Novembro de 1924
O pulsar do campeonato – 2013-14 – 2ª jornada
(“O Templário”, 03.10.2013)
Não foi feliz o União de Tomar na sua partida de estreia da época em que comemora o seu centenário. Numa das suas mais longas deslocações neste campeonato, até ao sul do Distrito, a Pontével, onde não tinha boas recordações do encerramento da temporada anterior, o União – que vencera recentemente (há três semanas) a equipa pontevelense, em encontro a contar para a 16.ª edição do Torneio Fernando Matias, por 2-1, o que lhe proporcionara, aliás, a conquista desse troféu – não conseguiu, desta feita, evitar novo desaire, perdendo… por 1-2.
A demonstrar que “não há dois jogos iguais”, e que os encontros de cariz particular ou amigável são bem distintos da “competição a doer”, a turma unionista, pese embora tenha entrado em campo com uma boa disposição, cedo se veria em desvantagem, vítima de um lance de desconcentração defensiva, logo à passagem do quarto de hora.
Não acusando em demasia o tento sofrido, o União prosseguiria em boa toada; assim, por volta da meia de hora de jogo, num lance rápido de contra-ataque, com um jogador nabantino a isolar-se na direcção da baliza contrária, apenas seria travado em falta, mesmo antes de entrar na área de rigor… foi assim evitado o golo tomarense, mas tendo por “contrapartida” a expulsão do jogador do Pontével, que, desta forma, teria de actuar, durante mais de uma hora em inferioridade numérica.
Até final do primeiro tempo, a formação rubro-negra daria ideia de que a reviravolta no marcador poderia estar ao seu alcance, tendo desperdiçado mesmo uma soberana ocasião para repor a igualdade. Porém, logo a abrir a segunda metade do desafio, o lance culminante, de infelicidade para o União, resultando num auto-golo, que, conforme desde logo se poderia recear, viria a ser determinante no desfecho da partida. A perder por 0-2, a equipa, naturalmente, perderia boa parte da tranquilidade necessária, que lhe permitisse construir jogadas com “princípio, meio e fim” e, sobretudo, denotando alguma dificuldade na zona da concretização.
O golo que os unionistas tanto procuraram apenas surgiria a cerca de dez minutos do termo do encontro. Tarde demais; a partir daí, mesmo contando com cinco minutos de tempo de compensação, já pouco se jogaria, tantas e com tanta frequência foram as interrupções de jogo, com o Pontével, naturalmente, tentando perder o máximo de tempo útil, visando preservar este importante triunfo. Para o União, o sabor amargo da derrota, associado à sensação de que tinha condições para regressar a casa com um resultado positivo.
Nos outros jogos desta segunda ronda, destaque para a categórica margem da vitória do Mação em Abrantes (3-0), que possibilita aos maçaenses partilharem o comando, precisamente com o Pontével, únicas equipas a averbarem duas vitórias nas duas partidas iniciais da competição. Segue-se-lhes outro dueto, formado por Amiense e Fazendense; o grupo de Amiais de Baixo, depois da vitória, em terreno alheio, frente aos Empregados do Comércio, não foi agora além do empate (1-1) na recepção ao Cartaxo; já a turma de Fazendas de Almeirim, que começara por empatar em Coruche, recebeu agora e bateu, curiosamente, também aquela mesma equipa de Santarém (2-0).
O U. Chamusca, que registara um mau arranque, com o desaire caseiro ante o Pontével, surpreendeu agora com a vitória em Benavente (1-0); reparte o 5.º lugar com o Torres Novas, que, com um jogo a menos, fez também a sua estreia, vencendo, em casa, a vizinha formação do Assentiz (2-0).
Fruto dos dois empates obtidos, Cartaxo e Coruchense posicionam-se a meio da pauta classificativa. Na parte baixa da tabela, integrando um quarteto com apenas um ponto, situam-se, de forma algo imprevista, At. Ouriense e Benavente, e, porventura com menor surpresa, Assentiz e U. Abrantina. Finalmente, na cauda, ainda em branco no que respeita a pontos, U. Tomar (com um jogo a menos) e Empregados do Comércio.
Antes da antevisão da próxima jornada, uma breve referência aos resultados das equipas representantes do Distrito no Campeonato Nacional de Seniores, com o Alcanenense, venturoso, a ganhar ao Fátima com um golo já em período de descontos, enquanto o Riachense perdeu 2-3 em Leiria, com o União local. As formações de Alcanena (com um jogo em atraso) e Fátima, tendo somado 7 pontos em quatro jornadas, integram um trio que ocupa o 3.º lugar; o grupo de Riachos, com um único ponto somado, ocupa um outro terceto, o do fundo da tabela.
Na terceira ronda do Distrital, o União de Tomar recebe o Benavente, num desafio em que se deseja seja preservada a tranquilidade, e, se possível, com um triunfo unionista. O Mação, recebendo o Coruchense, poderá eventualmente isolar-se no comando, uma vez que o Pontével terá uma difícil deslocação até Assentiz. Nas restantes partidas, em que a tendência de equilíbrio parece imperar, com encontros de interesse, como são os casos, em particular, do U. Chamusca – Amiense e do Cartaxo – Fazendense, será difícil antecipar o desfecho, não obstante algum ligeiro favoritismo que possa ser atribuído a Torres Novas e At. Ouriense, que, contudo, actuarão ambos em terreno adversário, respectivamente frente a U. Abrantina e Empregados do Comércio.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 3 de Outubro de 2013)
Liga Europa – 2ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo E
Paços Ferreira – Pandurii – 1-1
Dnipro – Fiorentina – 1-2
1º Fiorentina, 6; 2º Dnipro, 3; 3º Pandurii e Paços Ferreira, 1
Grupo H
Slovan Liberec – Estoril – 2-1
Sevilla – Freiburg – 2-0
1º Sevilla, 6; 2º Slovan Liberec, 4; 3º Freiburg, 1; 4º Estoril, 0
Grupo I
Lyon – Guimarães – 1-1
Rijeka – Betis – 1-1
1º Guimarães, 4; 2º Betis e Lyon, 2; 4º Rijeka, 1
100 Perguntas sobre Factos, Dúvidas e Curiosidades dos Descobrimentos
Tudo partiu de um desafio da própria editora: escrever um livro sobre “mitos” e “ideias feitas” dos Descobrimentos (para não dizer “disparates incrustados”). Vai não volta, o tema lá aparece nas páginas dos jornais: ou descobriram mais uma pista da “Flor de la mar”, ou a estafadíssima historieta do “Colombo português” conhece mais um novo capítulo, ou surgem novíssimas (e incontestáveis) “provas” de que os portugueses descobriram a Austrália. Para não falar de quando alguém repesca a Escola de Sagres, a Pedra de Dighton ou outra balela. De facto, era um desafio. Mas eis que este conheceu um inesperado refinamento: “o melhor era mesmo pergunta/resposta”. “Quantas? 50?”. “100”. Eu teria preferido 97, 103 ou “um chorrilho delas” (para não usar outro vernáculo). “Um Chorrilho de Perguntas sobre Descobrimentos” seria um bom título. Mas não, 100 seriam, 100 ficaram. Depois, impus a mim mesmo uma disciplina draconiana: as respostas teriam todas o mesmo tamanho; simples ou complexas, teria que responder e descalçar a bota em X linhas. E assim foi. A lista, o alinhamento e a escrita foram mais ou menos anárquicas, até chegar à centena que foi, posteriormente, dividida por temas. Ei-los:
I. O “arranque” dos Descobrimentos
II. Mitos de ontem e de hoje
III. Homens dos Descobrimentos
IV. Mistérios e controvérsias
V. Expansão portuguesa e expansão europeia
VI. Rumos, políticas e tratados
VII. «E se mais mundo houvera, lá chegara»
VIII. Histórias de encontros e desencontros
IX. Dúvidas e curiosidades
X. Descobrimentos e memória
Liga dos Campeões – 2ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Bayer Leverkusen – Real Sociedad – 2-1
Shakhtar Donetsk – Manchester United – 1-1
1º Manchester United e Shakhtar Donetsk, 4; 3º Bayer Leverkusen, 3; 4º Real Sociedad, 0
Grupo B
Real Madrid – København – 4-0
Juventus – Galatasaray – 2-2
1º Real Madrid, 6; 2º Juventus, 2; 3º København e Galatasaray, 1
Grupo C
Anderlecht – Olympiakos – 0-3
Paris St.-Germain – Benfica – 3-0
1º Paris St.-Germain, 6, 2º Olympiakos e Benfica, 3; 4º Anderlecht, 0
Grupo D
CSKA Moskva – Viktoria Plzeň – 3-2
Manchester City – Bayern – 1-3
1º Bayern, 6; 2º Manchester City e CSKA Moskva, 3; 4º Viktoria Plzeň, 0
Grupo E
Steaua – Chelsea – 0-4
Basel – Schalke 04 – 0-1
1º Schalke 04, 6; 2º Chelsea e Basel, 3; 4º Steaua, 0
Grupo F
Arsenal – Napoli – 2-0
B. Dortmund – Marseille – 3-0
1º Arsenal, 6; 2º B. Dortmund e Napoli, 3; 4º Marseille, 0
Grupo G
FC Porto – At. Madrid – 1-2
Zenit – Austria Wien – 0-0
1º At. Madrid, 6; 2º FC Porto, 3; 3º Austria Wien e Zenit, 1
Grupo H
Celtic – Barcelona – 0-1
Ajax – AC Milan – 1-1
1º Barcelona, 6; 2º AC Milan, 4; 3º Ajax, 1; 4º Celtic, 0
Liga dos Campeões – 2ª Jornada – Paris St.-Germain – Benfica
Paris St.-Germain – Salvatore Sirigu, Gregory Van der Wiel, Alex (78m – Zoumana Camara), Marquinhos, Maxwell, Thiago Motta, Marco Verratti (70m – Adrien Rabiot), Blaise Matuidi, Edinson Cavani, Ezequiel Lavezzi (70m – Lucas) e Zlatan Ibrahimović
Benfica – Artur Moraes, André Almeida, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira, Ljubomir Fejsa (29m – André Gomes), Nemanja Matić, Enzo Pérez, Filip Đuričić (45m – Lazar Marković), Nico Gaitán (66m – Miralem Sulejmani) e Óscar Cardozo
1-0 – Zlatan Ibrahimović – 5m
2-0 – Marquinhos – 25m
3-0 – Zlatan Ibrahimović – 30m
Cartões amarelos – Van der Wiel (36m) e Alex (47m); Nico Gaitán (32m)
Árbitro – Nicola Rizzoli (Itália)
No regresso a Paris, dois anos e meio depois – mas para defrontar uma formação parisiense que é hoje radicalmente diferente – num encontro em que, logo à partida, as equipas se apresentavam com um importante desnível, começando pelo valor dos respectivos orçamentos – e como perfeito reverso do que sucedera na ronda inaugural -, o pior que podia acontecer a um Benfica algo falho de confiança era sofrer um golo logo aos cinco minutos.
Acusando o toque – na verdade, a equipa nunca deu indicações de que pudesse operar qualquer tipo de inversão na tendência do jogo, ou seja, de que fosse possível evitar a derrota -, a formação benfiquista desuniu-se, com os seus jogadores muito “longe” uns dos outros.
Quando, no espaço de cinco minutos, entre os 25 e os 30 minutos, o marcador se elevou para 3-0, temeu-se que o Benfica pudesse ter hoje uma noite negra.
Valeu que, na segunda parte, a equipa de alguma forma se conseguiu recompor a nível defensivo, assim como a baixa de intensidade de jogo por parte do conjunto francês.
Numa das piores exibições dos últimos tempos em competições europeias, o Benfica escapou à goleada, mas impõe-se uma séria reflexão – que terá de ser realizada a breve prazo, dados os dois jogos que se seguem com o Olympiakos, que serão decisivos para determinar quem deverá acompanhar o Paris St.-Germain nos 1/8 Final da Liga dos Campeões – sobre as opções tácticas, a nível de escolha de jogadores titulares e coerência de substituições, assim como sobre a condição física (e agora também psicológica) em que a equipa se apresenta neste início de temporada.








