Archive for Junho, 2009

Opera Unite converte PC em servidor de Internet

A mais recente versão do navegador Opera, designada Opera Unite – ainda em fase de teste -, permitirá a partilha de ficheiros / arquivos, funcionando como servidor.

(via Publico.es – mais, a propósito, no El País100nada e no Abaixo de cão)

P. S. A ler, também, Du “cloud computing” au “home computing” : comment le web devînt fractal

17 Junho, 2009 at 10:56 am Deixe um comentário

Eleições europeias – Leituras (VIII)

  • José Manuel Barroso, le caméléon (Le Monde)
  • Del maoísmo a la guerra de Irak (El País)
  • Sarkozy et Merkel imposent à Barroso sa feuille de route (Le Figaro)
  • (também publicado no blogue “Eleições 2009“, do Público)

    14 Junho, 2009 at 9:55 pm Deixe um comentário

    Eleições para o Parlamento Europeu

    Algumas breves notas sobre os resultados das eleições de ontem para o Parlamento Europeu:

    1. Em primeiro lugar, uma severa derrota para o Partido Socialista, por números “pesadíssimos”, quedando-se apenas pelos 26,6 %, pela primeira vez na história da democracia portuguesa abaixo de um milhão de votos, o que corresponde efectivamente a uma proporção que deverá assustar – e, necessariamente, fazer reflectir, com humildade e em profundidade, nas suas causas (voto de protesto contra o Governo, cabeça-de-lista pouco apelativo, lista com candidatos controversos, …) – os seus responsáveis: apenas cerca de 1 em cada 10 portugueses (inscritos) votou ontem no PS!

    2. Uma vitória clara do Partido Social Democrata, aproveitando a hecatombe do PS, pese embora a percentagem obtida, com uma expressão minimalista, de apenas 31,7 %, representando, ainda assim, mais 180 000 votos que o principal adversário. Motivo natural de regozijo e esperança para os seus apoiantes, eventualmente não justificando tão esfusiante contentamento. Até porque, também para os seus responsáveis, não poderá deixar de constituir motivo de reflexão, o facto de PSD e PS alcançarem, em conjunto, a menor percentagem agregada de sempre: apenas 58,3 %.

    3. Um aproveitamento extraordinário de resultados do Bloco de Esquerda, conseguindo maximizar a tradução de votos em deputados, vencendo a CDU por escassos 2 500 votos (a cabal demonstração de que cada voto conta, “mesmo”)… e, aparentemente, impondo o seu terceiro candidato ao nono do PSD, por cerca de de 6 000 votos. Com os 10,7 % obtidos, fica um pouco aquém do que algumas sondagens lhe chegaram a atribuir, mas obtém uma vitória importante. Ao BE a questão que parece colocar-se com crescente acuidade é: “O que fazer com estes votos”? Que amálgama de interesses, opiniões, perspectivas, representam?

    4. Para a CDU, também na ordem dos 10,7 %, um travo “amargo e doce”: não deixa de ser uma percentagem aceitável, controlando a erosão do seu eleitorado… mas, em paralelo, uma derrota, mesmo que tangencial, face ao actual grande rival, caindo para o 4º lugar entre as principais forças políticas.

    5. O CDS-PP consegue (uma vez mais) uma claríssima vitória sobre… as sondagens. Com 8,4 %, minimiza as perdas, garantindo 2 eleitos (o que muitos não acreditavam ser possível), mas, para além de ficar bastante aquém dos ambicionados “dois dígitos”, cai para a última posição entre as forças com representação Parlamentar (a nível nacional e na Europa).

    6. Facto mais extraordinário destas eleições: a elevadíssima percentagem de votos brancos (4,63 %) – cerca de 165 000 portugueses (que se somam a mais 71 000 votos nulos, ou seja, 2 %) – votos que seriam mais que suficientes para eleger um deputado.

    7. Sem o “amparo” / cobertura dos principais órgãos de comunicação social, os novos partidos revelaram grandes dificuldades em se implantar e em conquistar o voto dos descontentes com os partidos tradicionais, “perdendo face ao voto em branco”. Em particular, a votação no MEP (apenas 53 000 votos – 1,5 %), é, em minha opinião, particularmente penalizadora para quem procurou fazer a mais positiva campanha eleitoral, abordando de facto as questões europeias. Com cerca de 17 500 votos em Lisboa, e menos de 9 000 no distrito do Porto, o MEP necessitará desenvolver um grande trabalho para – num previsível cenário de maior tendência para a “bipolarização” – conseguir representação na Assembleia da República.

    8. Uma palavra para a abstenção: normal! Com cadernos eleitorais necessariamente desactualizados, com uma campanha tão deficitária em termos de debate europeu, numa eleição sem a carga dramática de umas legislativas, 63 % de abstenção (um pouco mais de 6 milhões de inscritos) acaba por situar-se dentro do esperado, sendo de sublinhar aliás – uma vez mais – os 236 000 portugueses que fizeram o esforço de se deslocar às assembleias de voto para expressar a sua insatisfação perante a classe política em geral. Um sério aviso…

    9. A encerrar, referência ao descalabro das sondagens eleitorais. Neste contexto de elevado abstencionismo, reconhece-se a dificuldade em antecipar o desfecho das eleições; mas – com tão significativos desvios face às tendências repetidamente proclamadas (apenas uma sondagem acertou na vitória do PSD!) – o que aconteceu neste processo eleitoral foi “mau demais”. Também aqui haverá motivo para necessária e aturada reflexão.

    (também publicado no blogue “Eleições 2009“, do Público)

    8 Junho, 2009 at 12:15 pm Deixe um comentário

    Eleições para o Parlamento Europeu – Resultados


    O 22º deputado, ainda por atribuir, deverá vir a ser confirmado para o Bloco de Esquerda (3º eleito).

    7 Junho, 2009 at 11:55 pm Deixe um comentário

    Deputados eleitos

    Com base nas várias projecções anunciadas às 20 horas pelas televisões (RTP, SIC e TVI), estimo que deverão ser os seguintes os deputados eleitos ao Parlamento Europeu:

    Partido Social Democrata (8)

    • Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel
    • Carlos Miguel Maximiano de Almeida Coelho
    • Maria da Graça Martins da Silva Carvalho
    • Mário Henrique de Almeida Santos David
    • Nuno Alexandre Pisco Pola Teixeira de Jesus
    • Maria do Céu Patrão Neves de Frias Martins
    • Regina Maria Pinto da Fonseca Ramos Bastos
    • José Manuel Ferreira Fernandes

    Partido Socialista (7)

    • Vital Martins Moreira
    • Edite de Fátima Santos Marreiros Estrela
    • Luís Manuel Capoulas Santos
    • Elisa Maria da Costa Guimarães Ferreira
    • António Fernando Correia de Campos
    • Luís Paulo de Serpa Alves
    • Ana Maria Rosa Martins Gomes

    Bloco de Esquerda (3)

    • Miguel Sacadura Cabral Portas
    • Marisa Isabel dos Santos Matias
    • Rui Miguel Marcelino Tavares Pereira

    Coligação Democrática Unitária (2)

    • Maria Ilda da Costa Figueiredo
    • João Manuel Peixoto Ferreira

    Partido Popular (2)

    • João Nuno Lacerda Teixeira de Melo
    • Diogo Nuno de Gouveia Torres Feio

    7 Junho, 2009 at 8:45 pm Deixe um comentário

    Sondagens às 20h00

    20h00 – Projecções de resultados, de acordo com as sondagens:

    
    
    RTP (%) 29,0-34,0 28,0-33,0 9,0-12,0 9,0-12,0 7,0-10,0 RTP (Dep.) 8-9 7-8 2-3 2 2 SIC (%) 29,2-33,0 27,7-31,5 11,6-13,4 9,5-11,3 7,5-9,3 SIC (Dep.) 7-8 7-8 3 2-3 2 TVI (%) 30,4-34,4 24,1-28,1 9,8-12,8 9,7-12,7 6,7-9,3 TVI (Dep.) 8-9 6-8 2-3 2-3 1-2

    7 Junho, 2009 at 8:10 pm Deixe um comentário

    Roger Federer vence Torneio de Roland Garros

    Vencendo na Final, hoje disputada, o sueco Robin Soderling (que, nos 1/8 Final, havia afastado Rafael Nadal, tetra-campeão da prova francesa), por 3-0, com os parciais de 6-1, 7-6 e 6-4, o suíço Roger Federer, actual nº 2 do ranking mundial, conquistou pela primeira vez o Torneio de Roland Garros, igualando o record de 14 títulos do Grand Slam (em 19 Finais disputadas), até agora pertença exclusiva do estado-unidense Pete Sampras.

    Roger Federer - Roland Garros
    (foto via Record)

    Com o triunfo na única das principais provas que lhe faltava vencer (após derrotas na Final nos três anos anteriores, frente a Rafael Nadal), Federer torna-se apenas no terceiro tenista a conseguir – na era “Open” (desde 1968) – vencer os quatro grandes torneios do ténis mundial (Austrália, Roland Garros, Wimbledon, e o Open dos Estados Unidos, disputados em diferentes superfícies), repetindo as proezas do australiano Rod Laver e do também estado-unidense Andre Agassi.

    O suíço somou o seu 59º título como profissional, estando agora a 10 triunfos da marca de Andre Agassi.

    7 Junho, 2009 at 6:20 pm Deixe um comentário

    Albânia – Portugal (Mundial 2010 – Qualif.)

    Num ambiente adverso, frente a uma equipa albanesa que não teve pejo em usar, desde início do jogo, alguma agressividade, Portugal não cumpriu o que Carlos Queirós, num exercício de tentativa de motivação dos seus jogadores, antecipara: o de alcançar uma vitória “fácil” e/ou categórica.

    Efectivamente, foi necessário sofrer muito para – “a ferros” – conseguir alcançar os 3 pontos, esta noite em Tirana; apenas no antepenúltimo dos cinco minutos de tempo de compensação, quando os jogadores albaneses já haviam abdicado de disputar o jogo, recolhendo-se às imediações da sua área, num lance típico de bola lançada em profundidade, surgiu Bruno Alves, nas costas da defesa, a antecipar-se e desviar de cabeça para o golo.

    Até aí – e, portanto, ao longo de todo o encontro – Portugal denotara uma falta de ideias e de dinâmica, sem oportunidades de perigo dignas de realce, à excepção do lance do primeiro golo, com uma descida de Bosingwa pelo corredor lateral direito, cruzando com “conta, peso e medida” para a cabeça de Hugo Almeida, que não se fez rogado, inaugurando o marcador.

    E, quando se pensaria que o mais difícil – quebrar a muralha defensiva albanesa – estava feito, praticamente no minuto imediato, num lance de desconcentração da defesa portuguesa, a deixar-se antecipar, a Albânia empatava o jogo.

    Com uma equipa algo saturada física e psicologicamente, Portugal não conseguiria imprimir mudanças de ritmo, nem acelerar o jogo, com as substituições operadas por Carlos Queirós a não resultar em mais do que um ou dois fogachos da parte de Nani. Seria, consequentemente, já em desespero, que Portugal conseguiria manter a esperança do apuramento, que teria ficado bastante comprometido em caso de empate.

    De qualquer forma, após a vitória da Dinamarca hoje na Suécia, as contas para o primeiro lugar parecem irremediavelmente afastadas – dificilmente os dinamarqueses deixarão escapar a vitória no Grupo e a qualificação directa (recebendo, no seu terreno, os três adversários ainda na disputa do acesso à Fase Final do Mundial) -, com a equipa portuguesa a ver-se praticamente compelida a recentrar os seus objectivos no segundo lugar e eventual apuramento via play-off.

    No pressuposto de que Portugal venceria todas as 4 partidas que tem ainda a disputar – sendo a próxima, daqui a 3 meses… na Dinamarca, seguindo-se, quatro dias depois, a visita à Hungria -, alcançaria um total de 21 pontos, sendo que, nesse cenário, o máximo de pontos que a Hungria poderia atingir seria de 19, o que a afastaria da qualificação. Com a Suécia a ter ainda de se deslocar à Dinamarca, só a vitória (em todos os 5 jogos) lhe permitiria também atingir os 21 pontos.

    Realizaram-se hoje diversos outros jogos de qualificação, um pouco por todo o mundo, com Japão, Austrália, Coreia do Sul e Holanda a serem os primeiros a garantir um lugar na Fase Final do Campeonato Mundial, a disputar no próximo ano na África do Sul.

    Albânia – Islli Hidi, Elvin Beqiri, Kristi Vangjeli, Lorik Cana, Debatik Curri, Endri Vrapi, Amsi Agolli, Ervin Bulku, Klodian Duro (87m – Besart Berisha), Ervin Skela (90m – Dorian Bylykbasi) e Erion Bogdani (65m – Hamdi Salihi)

    Portugal – Eduardo; Bosingwa, Ricardo Carvalho (76m – Nani), Bruno Alves e Duda; Pepe, Raul Meireles e Deco; Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida (70m – Edinho) e Boa Morte (45m – Simão Sabrosa)

    0-1 – Hugo Almeida – 27m
    1-1 – Erion Bogdani – 29m
    1-2 – Bruno Alves – 90m

    Cartões amarelos – Kristi Vangjeli (9m), Debatik Curri (21m), Amsi Agolli (54m) e Islli Hidi; Raul Meireles (54m) e Pepe (80m)

    Árbitro – Florian Meyer (Alemanha)

    GRUPO 1

                       Jg    V    E    D       G      Pt 
    1º Dinamarca        6    5    1    -    13 - 2    16 
    2º Hungria          6    4    1    1     8 - 2    13 
    3º Portugal         6    2    3    1     8 - 4     9 
    4º Suécia           6    2    3    1     6 - 2     9 
    5º Albânia          8    1    3    4     4 - 8     6 
    6º Malta            8    -    1    7     0 - 21    1

    7ª jornada

    06.06.09 – Suécia – Dinamarca – 0-1
    06.06.09 – Albânia – Portugal – 1-2
    10.06.09 – Suécia – Malta – 4-0

    (mais…)

    6 Junho, 2009 at 9:45 pm Deixe um comentário

    Oportunidade perdida

    Há, já hoje (aliás, já há bastante tempo…), uma certeza: no rescaldo da noite eleitoral do próximo dia 7 – logo no seu início, ainda antes de serem divulgadas quaisquer projecções de resultados com base em sondagens à “boca da urna” – o primeiro grande foco de atenção será a elevadíssima taxa de abstenção destas eleições (um número na ordem dos 5 / 6 milhões de inscritos!).

    Ao longo da noite – cada vez mais curta, no que respeita ao espectáculo televisivo, cenário e momento em que se “ganham as eleições” – para além dos vários representantes das diversas forças políticas concorrentes que reclamarão a(s) sua(s) vitória(s), quanto mais não seja sobre as sondagens, teremos o inevitável carpir de mágoas e busca (ou alijar) de responsabilidades relativamente ao crescente grau de desmobilização e alheamento dos cidadãos, no que denota, por outro lado, uma “demissão” das nossas responsabilidades individuais.

    Esta campanha acabou por traduzir, infelizmente, e como de alguma forma se receava já – não obstante alguns meritórios esforços -, uma oportunidade perdida, de tal forma ficou afastada da preocupação de esclarecimento e debate das principais questões europeias.

    Pior: foi (mais) uma campanha marcada pelo negativismo, por sucessivas tricas, que apenas contribuem para descredibilizar a classe política no seu todo. Exemplos poderiam ser inúmeros; para não me alongar muito:

    1. A fórmula “Candidato Vital Moreira”, adoptada por Paulo Rangel para se dirigir ao seu principal adversário nestas eleições (para evitar subalternizar-se, tratando-o por “Professor” – porque não, simplesmente, o comum tratamento por “Doutor”?) terá sido um dos momentos mais deselegantes da história das campanhas eleitorais em Portugal. Lamentável.
    2. Não menos lamentável, o violento vídeo que foi colocado a circular, divulgado por responsável da Juventude Socialista, pegando em palavras – descontextualizadas – de Paulo Rangel a propósito dos (que considera inexistentes) direitos dos animais.
    3. A pretensa falta de honestidade política na forma como foi atacada a (mal fundamentada) referência de Vital Moreira à criação de um imposto europeu (que, tendencialmente, viria a beneficiar Portugal).
    4. A infeliz referência de Vital Moreira ao caso BPN e a sequência de trocas de palavras que se seguiram, envolvendo nomeadamente Paulo Rangel e José Lello.
    5. As sucessivas (mútuas) acusações de “quem andava a esconder quem”: o PSD argumentando que o PS escondia Vital Moreira; o PS contrapondo que o PSD escondia Manuela Ferreira Leite.
    6. Noutro plano, os maus cartazes de campanha (os erros nos cartazes do PS; as péssimas fotografias – e enquadramento – de Manuela Ferreira Leite), numa notória deficiente prestação dos consultores de comunicação e  imagem.

    Uma honrosa excepção: chama-se MEP – Movimento Esperança Portugal. Procurou, dentro das condicionantes inerentes ao seu estatuto de estreante, fazer uma campanha pela positiva, com salutares preocupações de  transparência, conseguindo – também nos cartazes, tal como nos “tempos de antena” – transmitir a mensagem mais apelativa. Entendo que mereceria ver os seus esforços recompensados com a eleição da sua voz em prol de uma “Europa de rosto humano”.

    Posto isto, valerá a pena ir votar?

    Claro que sim! Não deleguemos nos outros a responsabilidade da escolha, não esquecendo nunca que o voto individual (de cada um de nós) tem precisamente o mesmo valor que qualquer outro

    Imaginemos uma hipótese absurda: o que aconteceria se todos optássemos pelo comodismo de “ficar em casa”? 

    (também publicado no blogue “Eleições 2009“, do Público)

    5 Junho, 2009 at 12:15 pm Deixe um comentário

    Bela com senão

    Deixei aqui, nos últimos dias, uma visão optimista sobre a vocação e o percurso da União Europeia, a par de esperança no seu futuro.

    Infelizmente – e como, lá diz o ditado, não há “bela sem senão” – são sombrios os dias que vivemos, com ameaças e perigos à espreita (que poderão, não obstante, traduzir-se em oportunidades…).

    Para além de crónicas dificuldades em envolver Estados e sociedade e em aproximar os “eurocratas” aos cidadãos, depois da necessidade de absorver o choque político, económico, social e laboral constituído pela integração da antiga República Democrática Alemã na Alemanha (na sequência da queda do muro de Berlim, de que se completam, no próximo mês de Novembro, 20 anos) a União Europeia está ainda a pagar a factura de algumas decisões porventura não suficientemente amadurecidas, eventualmente demasiado voluntaristas, de que será um dos mais cabais exemplos o precipitado alargamento, primeiro a 25, depois a 27, relativamente a países que não estavam ainda preparados para integrar este espaço.

    E não, não estou a entrar em contradição com a perspectiva solidária da União. Tenho presente que, previamente à sua adesão (e admissão na então Comunidade Económica Europeia), Portugal teve de, no decurso de um longo processo de negociações (desde o pedido formal, em 1977, até à assinatura dos Tratados, em 1985), ir criando as condições mínimas que lhe facultassem – beneficiando não obstante de um período de transição após a adesão – a integração de modo pleno. 

    O que não se terá verificado num alargamento com a extensão do de Maio de 2004 (10 novos membros, 8 dos quais saindo de décadas de sistemas políticos e económicos comunistas – sendo que, até então, os anteriores 4 alargamentos nunca haviam excedido 3 Estados), integrando países com graves insuficiências e carências, e de grande dimensão, como é o caso da Polónia (e, em 2007, da Roménia) e, em menor escala, da R. Checa e da Hungria – com as inerentes dificuldades a nível da gestão da mobilidade de mão-de-obra e da redistribuição dos subsídios europeus.

    Alguns dos quais têm usado (e abusado) do poder de bloqueio do processo europeu, com meros intuitos de benefícios próprios, tão contrários ao espírito europeu, colocando em evidência a inoperacionalidade da União, incapaz de gerar consensos necessários para tomar decisões de fundo  – de que decorre, em minha opinião, a necessidade de revisão dos equilíbrios institucionais, sem prejuízo do “direito a fazer ouvir a sua voz” da parte dos países “mais pequenos”.

    Em relação a esta complexa temática (do alargamento), advogo não obstante que, a (longo) prazo , será preferível ter a Turquia dentro da União Europeia (obviamente não, como até agora, por via da ocupação de uma parte do território de Chipre) que fora dela… mas tratar-se-á de um processo de negociações – que seria, necessariamente, alargado – que poderia ter a vitualidade de poder ir proporcionando uma gradual aproximação, em busca de convergências futuras, aos mais diversos níveis, desde os direitos fundamentais, a aspectos de índole económica, social e política.

    (publicado originalmente no blogue “Eleições 2009“, do Público)

    4 Junho, 2009 at 10:31 am Deixe um comentário

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