Archive for 4 Junho, 2009

Bela com senão

Deixei aqui, nos últimos dias, uma visão optimista sobre a vocação e o percurso da União Europeia, a par de esperança no seu futuro.

Infelizmente – e como, lá diz o ditado, não há “bela sem senão” – são sombrios os dias que vivemos, com ameaças e perigos à espreita (que poderão, não obstante, traduzir-se em oportunidades…).

Para além de crónicas dificuldades em envolver Estados e sociedade e em aproximar os “eurocratas” aos cidadãos, depois da necessidade de absorver o choque político, económico, social e laboral constituído pela integração da antiga República Democrática Alemã na Alemanha (na sequência da queda do muro de Berlim, de que se completam, no próximo mês de Novembro, 20 anos) a União Europeia está ainda a pagar a factura de algumas decisões porventura não suficientemente amadurecidas, eventualmente demasiado voluntaristas, de que será um dos mais cabais exemplos o precipitado alargamento, primeiro a 25, depois a 27, relativamente a países que não estavam ainda preparados para integrar este espaço.

E não, não estou a entrar em contradição com a perspectiva solidária da União. Tenho presente que, previamente à sua adesão (e admissão na então Comunidade Económica Europeia), Portugal teve de, no decurso de um longo processo de negociações (desde o pedido formal, em 1977, até à assinatura dos Tratados, em 1985), ir criando as condições mínimas que lhe facultassem – beneficiando não obstante de um período de transição após a adesão – a integração de modo pleno. 

O que não se terá verificado num alargamento com a extensão do de Maio de 2004 (10 novos membros, 8 dos quais saindo de décadas de sistemas políticos e económicos comunistas – sendo que, até então, os anteriores 4 alargamentos nunca haviam excedido 3 Estados), integrando países com graves insuficiências e carências, e de grande dimensão, como é o caso da Polónia (e, em 2007, da Roménia) e, em menor escala, da R. Checa e da Hungria – com as inerentes dificuldades a nível da gestão da mobilidade de mão-de-obra e da redistribuição dos subsídios europeus.

Alguns dos quais têm usado (e abusado) do poder de bloqueio do processo europeu, com meros intuitos de benefícios próprios, tão contrários ao espírito europeu, colocando em evidência a inoperacionalidade da União, incapaz de gerar consensos necessários para tomar decisões de fundo  – de que decorre, em minha opinião, a necessidade de revisão dos equilíbrios institucionais, sem prejuízo do “direito a fazer ouvir a sua voz” da parte dos países “mais pequenos”.

Em relação a esta complexa temática (do alargamento), advogo não obstante que, a (longo) prazo , será preferível ter a Turquia dentro da União Europeia (obviamente não, como até agora, por via da ocupação de uma parte do território de Chipre) que fora dela… mas tratar-se-á de um processo de negociações – que seria, necessariamente, alargado – que poderia ter a vitualidade de poder ir proporcionando uma gradual aproximação, em busca de convergências futuras, aos mais diversos níveis, desde os direitos fundamentais, a aspectos de índole económica, social e política.

(publicado originalmente no blogue “Eleições 2009“, do Público)

4 Junho, 2009 at 10:31 am Deixe um comentário


Autor – Contacto

Destaques

Benfica - Quadro global de resultados - Printscreen Tableau
Literatura de Viagens e os Descobrimentos Tomar - História e Actualidade União de Tomar - Recolha de dados históricos

Calendário

Junho 2009
S T Q Q S S D
« Maio   Jul »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Arquivos

Pulsar dos Diários Virtuais

O Pulsar dos Diários Virtuais em Portugal

O que é a memória?

Memória - TagCloud

Jogos Olímpicos

Eleições EUA 2008

Twitter

Categorias

Notas importantes

1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.