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Irlanda – Portugal (Mundial 2022 – Qualif.)

Aviva Stadium, Dublin

Irlanda Irlanda – Gavin Bazunu, Matt Doherty, Seamus Coleman, Shane Duffy, John Egan, Enda Stevens (78m – James McClean), Chiedozie Ogbene (90m – William Keane), Josh Cullen, Jeff Hendrick (78m – Conor Hourihane), Jamie McGrath (61m – Adam Idah) e Callum Robinson

Portugal Portugal – Rui Patrício, Nélson Semedo, Pepe, Danilo Pereira, Diogo Dalot, João Palhinha, Matheus Nunes (57m – João Moutinho), Bruno Fernandes (75m – Renato Sanches), Cristiano Ronaldo, Gonçalo Guedes (56m – Rafael Leão) (83m – José Fonte) e André Silva (75m – João Félix)

Cartões amarelos – Chiedozie Ogbene (29m), Seamus Coleman (54m) e Matt Doherty (90m); Danilo Pereira (71m) e Pepe (72m)

Cartão vermelho – Pepe (82m)

Árbitro – Jesús Gil Manzano (Espanha)

Para o “bem” (título de Campeão Europeu em 2016) e para o “mal”, Fernando Santos deixou que se lhe colasse a imagem de jogar para o empate – é o próprio que, implicitamente, há muito tempo o reconheceu, com a sua “frase-chave”, de que é difícil a qualquer equipa do mundo ganhar a Portugal…

Ora, faltando disputar dois jogos nesta fase de qualificação, sendo que a selecção portuguesa tinha a garantia de que dois empates nessas partidas lhe garantiriam o apuramento, estava completo o círculo.

Ainda para mais, quando, efectivamente, para tais contas do apuramento, era indiferente ganhar ou empatar esta noite, uma vez que, em qualquer caso, será sempre necessário evitar a derrota frente à Sérvia.

Isto dito, o seleccionador português preocupou-se, em primeira instância, em procurar preservar os jogadores que estavam à beira de poder ser excluídos do decisivo embate de Domingo (entre eles João Cancelo, Rúben Dias e Diogo Jota), por terem visto já cartão amarelo; e, em paralelo, na escolha do “onze” que entrou de início em Dublin, apostando na componente física, para enfrentar uma equipa cujo ponto forte é precisamente esse.

Em função do contexto do jogo e das condicionantes apontadas – acresce ainda a indisponibilidade, por lesão, de Bernardo Silva -, foi muito pobre a exibição do conjunto português, num encontro entediante, que parecia nunca mais acabar. Foram raros os lances articulados que a equipa nacional conseguiu explanar no relvado, praticamente sem criar qualquer efectiva ocasião de golo, expondo-se, por outro lado, ao jogo directo e vertical dos irlandeses.

As substituições operadas, logo a partir de uma fase ainda relativamente prematura do jogo, não surtiriam também efeito. E as coisas conseguiriam piorar quando Pepe – que se tornou, aos 38 anos e 8 meses, no jogador mais velho de sempre a jogar pela selecção – viu, com um intervalo de apenas dez minutos, dois cartões amarelos, deixando a equipa em inferioridade numérica (ao mesmo tempo que ficava arredado do próximo jogo).

Fernando Santos não arriscou, recorrendo, de imediato, a José Fonte – em detrimento de Rafael Leão, que entrou e saiu de jogo, apenas após 27 minutos em campo, sinalizando bem da importância em manter o nulo… que seria preservado, não sem passar por alguns sustos, o último dos quais um lance de “golo” invalidado por contacto de Keane em Rui Patrício, na pequena área.

Foram, verdadeiramente, serviços mínimos. E a necessidade de, rapidamente, “mudar o chip”, para o desafio de Domingo… mesmo que o desfecho necessário seja o mesmo.

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Portugal     7   5   2   -  16 - 4  17
2º Sérvia       7   5   2   -  16 - 8  17
3º Luxemburgo   7   3   -   4   8 -15   9
4º Irlanda      7   1   3   3   8 - 8   6
5º Azerbaijão   8   -   1   7   5 -18   1

9ª jornada

11.11.2021 – Azerbaijão – Luxemburgo – 1-3
11.11.2021 – Irlanda – Portugal – 0-0
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11 Novembro, 2021 at 10:40 pm Deixe um comentário

Portugal – Luxemburgo (Mundial 2022 – Qualif.)

Estádio Algarve, Faro-Loulé

Portugal Portugal – Rui Patrício, João Cancelo, Pepe, Rúben Dias, Nuno Mendes, João Palhinha (73m – Rúben Neves), João Moutinho (65m – João Mário), Bruno Fernandes (80m – Gonçalo Guedes), Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva (80m – Matheus Nunes) e André Silva (73m – Rafael Leão)

Luxemburgo Luxemburgo – Anthony Moris, Laurent Jans, Maxime Chanot, Dirk Carlson, Michael Pinto (87m – Edvin Muratović), Danel Sinani (87m – Eric Veiga), Christopher Martins, Leandro Barreiro, Olivier Thill (45m – Yvandro Borges), Gerson Rodrigues e Sébastien Thill (45m – Maurice Deville)

1-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 8m
2-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 13m
3-0 – Bruno Fernandes – 18m
4-0 – João Palhinha – 69m
5-0 – Cristiano Ronaldo – 87m

Cartões amarelos – Nuno Mendes (22m) e João Cancelo (84m); Christopher Martins (32m)

Árbitro – Benoît Bastien (França)

Foi um “jogo sem história”, para lá da “história” dos golos, de tal modo se tornou fácil, desde logo por via de duas grandes penalidades assinaladas (e convertidas) ainda antes do quarto de hora. O terceiro golo de Portugal, ainda antes dos 20 minutos “acabou com o jogo”, com o desfecho já então mais que decidido.

Pelo que, na segunda parte, sem forçar muito a nota, a equipa portuguesa pouco mais do que se limitou a gerir o esforço: foi deixando correr o tempo, tendo, com naturalidade, ampliado a contagem por mais duas vezes, ficando a dever a si própria uma goleada por números históricos, beneficiando também do facto de a equipa do Luxemburgo nunca se ter remetido a uma defesa porfiada da sua baliza, antes tendo tentado chegar ao seu “ponto de honra”.

A presença, pelo menos, num eventual “play-off” ficou desde já garantida. A qualificação directa – reservada ao vencedor de cada grupo – depende, nesta altura, quando faltam disputar as duas derradeiras rondas, de dois empates (na Irlanda e na recepção à Sérvia). Na eventualidade de Portugal poder vir a ser derrotado na Irlanda teria, nesse cenário, de ganhar à Sérvia, no único embate que resta jogar por parte dos actuais líderes do grupo.

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Sérvia       7   5   2   -  16 - 8  17
2º Portugal     6   5   1   -  16 - 4  16
3º Luxemburgo   6   2   -   4   5 -14   6
4º Irlanda      6   1   2   3   8 - 8   5
5º Azerbaijão   7   -   1   6   4 -15   1

8ª jornada

12.10.2021 – Sérvia – Azerbaijão – 3-1
12.10.2021 – Portugal – Luxemburgo – 5-0
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12 Outubro, 2021 at 9:36 pm Deixe um comentário

Mundial 2022 – Qualificação – 7ª Jornada

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Sérvia       6   4   2   -  13 - 7  14
2º Portugal     5   4   1   -  11 - 4  13
3º Luxemburgo   5   2   -   3   5 - 9   6
4º Irlanda      6   1   2   3   8 - 8   5
5º Azerbaijão   6   -   1   5   3 -12   1

7ª jornada

09.10.2021 – Azerbaijão – Irlanda – 0-3
09.10.2021 – Luxemburgo – Sérvia – 0-1
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9 Outubro, 2021 at 9:58 pm Deixe um comentário

Azerbaijão – Portugal (Mundial 2022 – Qualif.)

Estádio Olímpico de Baku

Azerbaijão Azerbaijão – Shakhrudin Magomedaliyev, Elvin Badalov, Hojjat Hahgverdi, Azer Salahlı (76m – Rahim Sadikhov), Abbas Hüseynov, Emin Makhmudov, Gara Garayev (45m – Anatolii Nuriiev), Tamkin Khalilzade (45m – Ali Ghorbani), Namik Alaskarov, Filip Ozobić (62m – Vugar Mustafayev) e Mahir Emreli (62m – Tural Bayramov)

Portugal Portugal – Rui Patrício, João Cancelo, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro (71m – Nuno Mendes), João Moutinho (78m – João Mário), João Palhinha (45m – Rúben Neves), Bruno Fernandes, Bernardo Silva (78m – Otávio), Diogo Jota (78m – Gonçalo Guedes) e André Silva

0-1 – Bernardo Silva – 26m
0-2 – André Silva – 31m
0-3 – Diogo Jota – 75m

Cartões amarelos – Namik Alaskarov (16m), Ali Ghorbani (61m) e Hojjat Hahgverdi (77m); João Palhinha (15m) e Nuno Mendes (90m)

Árbitro – Marco Guida (Itália)

Já muito foi debatido o impacto que Cristiano Ronaldo tem na selecção portuguesa – como, por exemplo, ficou bem patenteado há apenas seis dias, quando conseguiu, “in-extremis”, transformar uma inconcebível derrota com a Irlanda numa vitória (muito sofrida, mas vitória…). Mais do que a questão se Cristiano “deve” ou não jogar, o fulcro está no modelo de jogo idealizado pelo treinador, que se tem revelado incapaz de fazer a “quadratura do círculo”, de compatibilizar no mesmo “onze” Ronaldo, Bernardo Silva, Diogo Jota e Bruno Fernandes.

Mas não terá sido por coincidência que a forçada ausência de Cristiano (sancionado com cartão amarelo pelos festejos do segundo golo frente à Irlanda, ao retirar a camisola) acabou por proporcionar uma das melhores exibições da selecção nacional nos últimos tempos, esta noite, no Azerbaijão.

Dominando por completo de início a fim, Portugal foi excessivamente perdulário, triunfando por magros 3-0, quando poderia ter alcançado uma goleada histórica.

A equipa mostrou-se fluida, com os seus elementos mais tecnicistas a protagonizarem momentos de génio, como foi o caso do primeiro golo, com Bruno Fernandes em especial evidência e João Cancelo qual “furacão”, verdadeiramente demolidor para o sector defensivo contrário. O centro do terreno ficou bem entregue à dupla João Moutinho / João Palhinha, a permitirem libertar os criativos da frente de ataque portuguesa.

Depois de uma entrada forte, o ritmo até decaíra um pouco, quando Portugal chegou ao golo, que fez com que o Azerbaijão de alguma forma se “descompusesse” defensivamente, com a velocidade de Cancelo e a mobilidade de Diogo Jota e André Silva a suscitarem o erro do adversário, que, paradoxalmente, insistia em procurar sair a jogar… assim colocando a nu as suas insuficiências.

O segundo golo, obtido logo de seguida, pouco passava da meia-hora de jogo, foi o da tranquilidade e garantia de que os três pontos não escapariam. André Silva podia ter bisado ainda na primeira parte, mas foi sobretudo na segunda metade que se multiplicaram as ocasiões perdidas.

Digo Jota parecia em “noite não” em termos de finalização, até que conseguiria mesmo quebrar a malapata, fazendo o 3-0 já à entrada do quarto de hora final. A partir daí, com o resultado “feito”, já pouco de relevante haveria a assinalar.

Desta ronda fica também o empate da Sérvia na Irlanda (tendo deixado fugir o triunfo), o que, para já, confere à selecção portuguesa a liderança isolada do grupo de apuramento, mas com tudo ainda por decidir, possivelmente até ao derradeiro dia, do confronto luso-sérvio.

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Portugal     5   4   1   -  11 - 4  13
2º Sérvia       5   3   2   -  12 - 7  11
3º Luxemburgo   4   2   -   2   5 - 8   6
4º Irlanda      5   -   2   3   5 - 8   2
5º Azerbaijão   5   -   1   4   3 - 9   1

6ª jornada

07.09.2021 – Azerbaijão – Portugal – 0-3
07.09.2021 – Irlanda – Sérvia – 1-1
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7 Setembro, 2021 at 6:51 pm Deixe um comentário

Mundial 2022 – Qualificação – 5ª Jornada

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Sérvia       4   3   1   -  11 - 6  10
2º Portugal     4   3   1   -   8 - 4  10
3º Luxemburgo   4   2   -   2   5 - 8   6
4º Irlanda      4   -   1   3   4 - 7   1
5º Azerbaijão   4   -   1   3   3 - 6   1

5ª jornada

04.09.2021 – Irlanda – Azerbaijão – 1-1
04.09.2021 – Sérvia – Luxemburgo – 4-1
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4 Setembro, 2021 at 7:07 pm Deixe um comentário

Portugal – Irlanda (Mundial 2022 – Qualif.)

Estádio do Algarve – Faro-Loulé

Portugal Portugal – Rui Patrício, João Cancelo (82m – Gonçalo Guedes), Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro (62m – Nuno Mendes), Bruno Fernandes (62m – João Mário), João Palhinha (73m – João Moutinho), Bernardo Silva, Diogo Jota, Rafa Silva (45m – André Silva) e Cristiano Ronaldo

Irlanda Irlanda – Gavin Bazunu, Shane Duffy, Dara O’Shea (35m – Andrew Omobamidele), John Egan, Seamus Coleman, Jeff Hendrick, Josh Cullen, Jamie McGrath (90m – Jayson Molumby), Matt Doherty, Aaron Connolly (72m – James McClean) e Adam Idah (90m – James Collins)

0-1 – John Egan – 45m
1-1 – Cristiano Ronaldo – 89m
2-1 – Cristiano Ronaldo – 90m (+7)

Cartões amarelos – Cristiano Ronaldo (90+6m); Jeff Hendrick (10m), Dara O’Shea (33m), Aaron Connolly (45m) e Matt Doherty (56m)

Árbitro – Matej Jug (Eslovénia)

Portugal e Irlanda integram, presentemente, “divisões” completamente distintas, tal o desnível competitivo entre ambas as selecções, como, aliás, ficou bem patente neste jogo. E, porém, a (enorme) surpresa esteve prestes a acontecer…

A equipa portuguesa assumiu, desde início, a iniciativa, empurrando, desde logo, o conjunto adversário para o seu meio-terreno, o que, rapidamente, se traduziria numa grande penalidade, após falha de um defesa e do guardar-redes irlandês. Mas seria o próprio guardião a rectificar, com uma notável defesa, a impedir Cristiano Ronaldo de chegar ao golo… do record.

A intensidade e ritmo de jogo decairiam, não tendo Portugal – à excepção de um remate de Diogo Jota ao poste – criado outras flagrantes situações de perigo para a baliza contrária, denotando muito pouco jogo de equipa, insistindo quase sempre em desgarrados individualismos.

Numa das raras vezes em que se libertaram da pressão lusa, os irlandeses conseguiram um canto… que resultaria em golo, abrindo o activo a seu favor!

Só a partir da entrada de João Mário em campo, já passada a hora de jogo, o colectivo português começaria a carrilar, começando então a construir sucessivas oportunidades, todavia, por uma razão ou outra, com o golo a tardar a surgir.

Importante se revelaria também a entrada – para os dez derradeiros minutos – de Gonçalo Guedes, numa fase em que a selecção nacional – então já pouco preocupada com tácticas – arriscava tudo em busca do golo, agora com André Silva e Cristiano Ronaldo como “pontas-de-lança”.

A Irlanda recuara, concentrando-se nas imediações da sua grande área, formando uma barreira que começava a parecer intransponível. Seriam precisamente João Mário e Gonçalo Guedes a desbloquear o jogo, revertendo o que parecia apontar para uma deveras comprometedora derrota: foi dos seus pés que sairiam os cruzamentos que iriam encontrar a cabeça de Cristiano Ronaldo – com um poder de impulsão extraordinário e uma fantástica intuição / sentido posicional, a “adivinhar” onde a bola iria “cair”.

Ao minuto 89, Cristiano empatava o jogo, batendo finalmente o record de maior goleador de selecções a nível mundial, apontando o seu 110.º golo por Portugal. Mas não se ficaria por aí: já para além dos cinco minutos de tempo de compensação que o árbitro concedera, ampliava a contagem pessoal para 111, culminando a reviravolta no marcador, num golo libertador de mais de 90 minutos de tensão.

Revelando falta de consistência, não tendo sido capaz de manter o nível exibicional ao longo do tempo de jogo, e denotando ter sido muito pouco equipa neste encontro, a selecção portuguesa conseguia, graças a excelentes acções individuais, chegar ao tão necessário triunfo.

   GRUPO A     Jg   V   E   D     G    Pt
1º Portugal     4   3   1   -   8 - 4  10
2º Sérvia       3   2   1   -   7 - 5   7
3º Luxemburgo   3   2   -   1   4 - 4   6
4º Irlanda      3   -   -   3   3 - 6   -
5º Azerbaijão   3   -   -   3   2 - 5   -

4ª jornada

01.09.2021 – Luxemburgo – Azerbaijão – 2-1
01.09.2021 – Portugal – Irlanda – 2-1
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1 Setembro, 2021 at 10:00 pm Deixe um comentário

EURO 2020 – 1/8 de final – Bélgica – Portugal

BélgicaPortugal1-0

Bélgica Thibaut Courtois, Toby Alderweireld, Jan Vertonghen, Thomas Vermaelen, Thomas Meunier, Youri Tielemans, Axel Witsel, Thorgan Hazard (90m – Leander Dendoncker), Kevin De Bruyne (48m – Dries Mertens), Eden Hazard (87m – Yannick Ferreira-Carrasco) e Romelu Lukaku

Portugal Rui Patrício, Diogo Dalot, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho (55m – João Félix), João Palhinha (78m – Danilo Pereira), Renato Sanches (78m – Sérgio Oliveira), Bernardo Silva (55m – Bruno Fernandes), Diogo Jota (70m – André Silva) e Cristiano Ronaldo

1-0 – Thorgan Hazard – 42m

“Melhor em campo” – Thorgan Hazard

Amarelos – Thomas Vermaelen (72m) e Toby Alderweireld (81m); João Palhinha (45m), Diogo Dalot (51m) e Pepe (77m)

Árbitro – Felix Brych (Alemanha)

Estadio de La Cartuja – Sevilha (20h00)

Os Campeões da Europa em título defrontavam o líder do ranking mundial da FIFA. Portugal, que superara a fase de grupos com uma vitória, um empate e uma derrota, encontrava uma selecção que seguia, neste Campeonato da Europa, com uma série de 13 vitórias consecutivas (tendo feito o pleno de dez triunfos na fase de qualificação, assim como venceu todos os três jogos do seu grupo nesta fase final).

Fernando Santos optou por confiar a lateral direita a Diogo Dalot, fazendo alinhar no meio-campo, João Moutinho, Palhinha e Renato Sanches, alterando por completo a estrutura com que abordara este torneio.

À partida esperava-se já que fosse a Bélgica a assumir predomínio a nível da posse de bola. Contudo, de forma algo inesperada, tal sucedeu apenas nos minutos iniciais, com Portugal, bastante personalizado, a conseguir contrariar a organização contrária, e a instalar-se progressivamente no meio-campo adversário, procurando imprimir maior velocidade.

Com o jogo a decorrer, não obstante, em toada relativamente morna, com as duas equipas bastante encaixadas – e, na verdade, algo afastadas das zonas de perigo -, a Bélgica conseguiria, já prestes a findar a primeira parte, tirar um “coelho da cartola”, com um potente remate de Thorgan Hazard, à entrada da área, a surpreender Rui Patrício, que ficou a centímetros de chegar à bola, a entrar na zona central da sua baliza.

No recomeço, a formação belga pareceu sentir em demasia a saída do seu “patrão”, De Bryune, lesionado. No que se antecipava já vir a ser uma corrida contra o tempo, Fernando Santos arriscava então – já sem pensar em grandes tácticas -, fazendo entrar, enfim, João Félix, assim como Bruno Fernandes e, um pouco mais tarde, apostando também em André Silva.

Nessa fase, Portugal poderia ter marcado, por volta da hora de jogo, porém Diogo Jota rematou por alto. Já a menos de dez minutos do final seria Rúben Dias a cabecear, com muito perigo, mas à figura de Courtois; para, logo de seguida, Raphaël Guerreiro fazer a bola esbarrar no poste. Antes do final André Silva embrulhar-se-ia com a bola e com o guardião contrário.

A equipa portuguesa tentava, por todas as formas, mesmo que anarquicamente – Pepe chegou a posicionar-se na frente de ataque -, ameaçar a baliza contrária, mas não conseguiria chegar ao golo. Do outro lado, remetida à sua zona defensiva, a Bélgica procurava bombear bolas para a frente, onde Lukaku fora deixado sozinho, mas seria a inépcia de Yannick Ferreira-Carrasco, entrado a três minutos do termo do desafio, a impedir que, por duas vezes, o marcador pudesse ser ampliado.

No final, fica, claro, um forte amargo de boca pela eliminação, perante estatísticas contundentes: 56/44% em termos de posse de bola, 24-6 em remates, 5 remates à baliza contra um único (o que resultou no golo) dos belgas!

Faltou alguma dose de sorte, de que beneficiámos noutras ocasiões. De alguma forma contrariando o que poderiam ser as expectativas Portugal não foi inferior à poderosa selecção da Bélgica, neste encontro aquém do seu esplendor.

Mas, em paralelo, e num balanço global a esta participação no “EURO 2020”, será necessário assumir também as falhas próprias, com a notória dificuldade de encaixar os vários talentos, alguma falta de coerência estratégica, acabando nos improvisos, numa equipa que poderia ter sido mais trabalhada.

O “sistema” de jogo que nos proporcionou o triunfo há cinco anos revela-se ultrapassado, e importa não teimar nessa insistência, quando as características dos jogadores são distintas, assim como as exigências de competitividade impostas pelos adversários, também pela própria evolução do futebol “moderno”. Pouco adiantará “antever” a possibilidade de aspirar à conquista de títulos mundiais (!) sem um pensamento estratégico coerente.

27 Junho, 2021 at 9:55 pm Deixe um comentário

EURO 2020 – Grupo F – 3ª jornada – Portugal – França

PortugalFrança2-2

Portugal Rui Patrício, Nélson Semedo (79m – Diogo Dalot), Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho (72m – Rúben Neves), Danilo Pereira (45m – João Palhinha), Renato Sanches (88m – Sérgio Oliveira), Bernardo Silva (72m – Bruno Fernandes), Diogo Jota e Cristiano Ronaldo

França Hugo Lloris, Jules Koundé, Raphaël Varane, Presnel Kimpembe, Lucas Hernández (45m – Lucas Digne) (52m – Adrien Rabiot), Paul Pogba, N’Golo Kanté, Corentin Tolisso (66m – Kingsley Coman), Antoine Griezmann (87m – Moussa Sissoko), Kylian Mbappé e Karim Benzema

1-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 31m
1-1 – Karim Benzema (pen.) – 45m
1-2 – Karim Benzema – 47m
2-2 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 60m

“Melhor em campo” – Karim Benzema

Amarelos – Hugo Lloris (27m), Lucas Hernández (36m), Antoine Griezmann (40m) e Presnel Kimpembe (83m)

Árbitro – Antonio Mateu Lahoz (Espanha)

Puskás Aréna – Budapeste (20h00)

Num jogo que colocava frente-a-frente o Campeão do Mundo e o Campeão da Europa, numa reedição da Final do “EURO 2016” – por coincidência precisamente 37 anos depois do malfadado encontro do Vélodrome -, as circunstâncias eram, agora, distintas, com Portugal a necessitar pontuar para não ficar dependente do resultado do Alemanha-Hungria, enquanto a França entrava em campo já apurada.

Mais, a selecção portuguesa necessitava rectificar, de imediato, a má imagem deixada na partida de Munique. Em qualquer caso – tendo presente o interesse em não perder -, caso a lógica imperasse, Portugal sabia que poderia até perder por três golos de diferença, que, ainda assim, garantiria o apuramento.

Fernando Santos deve ter reflectido muito, ponderado as várias opções, os “prós” e os “contras”, acabando por decidir operar uma pequena remodelação no “onze”, fazendo sair William Carvalho e Bruno Fernandes, substituídos por João Moutinho e Renato Sanches. O seleccionador nacional ganharia a aposta.

Portugal entrou bem no jogo, de forma personalizada, assumindo a posse de bola, avançando, sem temor, para o meio-campo contrário. Eram decorridos apenas os dez minutos iniciais quando chegava a notícia do golo da Hungria em Munique. Era inesperado e o pensamento terá sido: “a Alemanha pode ter sido supreendida, mas, rapidamente, irá rectificar a situação”.

A coragem da equipa nacional seria recompensada, mercê de um lance relativamente acidental: numa investida de Danilo à área – falta sobre Renato Sanches, apontada por Cristiano Ronaldo, para a zona nevrálgica da área -, Lloris saiu a socar a bola, mas, falhando o tempo de intervenção, acertou, com contundência, no médio português, situação sancionada pelo árbitro com uma grande penalidade, que o próprio Cristiano converteu, colocando Portugal em vantagem.

Mas, se Mateu Lahoz ajuizou bem aquele lance, mais duvidosa foi a grande penalidade que, mesmo em cima da hora do termo da primeira metade, proporcionaria à França o empate, com Benzema a voltar aos golos pela selecção gaulesa – de que estivera arredado desde Outubro de 2015. Nélson Semedo terá feito “carga de ombro” sobre Mbappé, o qual, sentindo o contacto, se deixou cair.

Entretanto, em Munique, findo o primeiro tempo, a Alemanha denotava dificuldades para inverter a tendência do jogo… e a Hungria subsistia em vantagem.

Se o tento sofrido a fechar a primeira parte tinha chegado em má hora, pior ainda seria o início da etapa complementar, com Benzema a surgir isolado, e a bisar, dando a melhor sequência a um fenomenal lançamento em profundidade de Pogba, a rasgar todo o meio-campo e defesa contrária. Num ápice, Portugal – que chegara a liderar o grupo, entre os 31 e os 45 minutos, caía – ao 47.º minuto – para o último lugar, ficando numa situação de virtualmente eliminado!

Seria então a altura de a selecção portuguesa mostrar a sua raça e inconformismo. Não se escondendo, Portugal foi à luta, dividindo o jogo com os campeões do Mundo.

Cristiano Ronaldo teria, de imediato, um lance na área contrária, em que, com uma fantástica elevação, como que “planando” no ar – à Michael Jordan -, cabeceou, mas em posição muito difícil, sem a potência e colocação desejadas, tendo a bola saído ligeiramente ao lado.

Cerca de dez minutos decorridos, a audácia compensaria uma vez mais, de novo por via de uma grande penalidade (a terceira do desafio, segunda a favorecer Portugal), assinalada pelo árbitro espanhol, a sancionar contacto com a mão de Koundé, a interceptar uma tentativa de cruzamento para o centro da área, quase “à queima roupa”, de Cristiano Ronaldo – o aumento de volumetria decorrente do movimento de braços do defesa francês terá sido determinante na decisão.

Cristiano Ronaldo marcava o seu 5.º golo na presente edição do Campeonato da Europa, o 14.º em fases finais da competição, e o 109.º da sua carreira na selecção, igualando enfim o mítico record do iraniano Ali Daei!

Mas se havia coisa que não se podia, de todo, dizer, é que o resultado estivesse feito, ou, ainda menos, que Portugal tivesse a situação perfeitamente controlada… Chegavam “boas” notícias de Munique, com o golo do empate da Alemanha, mas seria “sol de pouca dura”: apenas dois minutos volvidos, a Hungria colocava-se, de forma sensacional, outra vez em vantagem, e, desta feita – faltando pouco mais de vinte minutos para o final – a possibilidade de uma enorme surpresa tinha de ser tomada como sério aviso.

Portugal – então posicionado no 2.º lugar – estava dependente de um eventual golo sofrido, que, a acontecer, provocaria queda, outra vez, para a 4.ª  posição, e, consequentemente, para zona de eliminação.

E, numa fase algo oscilante da equipa portuguesa, esse golo podia mesmo ter acontecido, logo depois do 1-2 na Alemanha. Estava a terminar o minuto 67 – o jogo de Budapeste tinha, agora, desde o início da segunda parte, um atraso de cerca de dois minutos e meio em relação ao de Munique – Rui Patrício seria chamado a, numa mesma sequência, fazer duas intervenções “milagrosas”: primeiro, a remate colocado de Pogba, com uma palmada, já no ângulo da baliza, a desviar a bola para o poste, praticamente no vértice com a trave; a bola ressaltou para dentro de campo, surgindo, “na passada”, Griezmann a rematar cruzado, com o guardião luso, com excelentes reflexos, a evitar que a bola chegasse a linha fatal, repelindo-a para zona lateral do campo.

Entretanto, a Alemanha conseguia, enfim, fixar o que viria a ser o resultado final, restabelecendo a igualdade. Faltavam seis minutos para acabar o jogo em Munique; pouco menos de nove minutos em Budapeste. Nesse período, as equipas pareciam já pouco dispostas a correr riscos, com Portugal, então, a trocar a bola, procurando preservá-la o máximo tempo possível, enquanto a França, por seu lado, estava também satisfeita com a manutenção do 1.º lugar (com Didier Deschamps a recomendar “calma” aos seus jogadores).

Quando o encontro terminou na Alemanha, jogava-se o segundo de cinco minutos de tempo de compensação; com o apuramento então já garantido, sem nada a perder, Fernando Santos gesticulava junto à linha lateral, quase a entrar dentro de campo, procurando empurrar a equipa para a frente, visando arriscar tudo na procura do golo da vitória, que conferiria o 1.º lugar a Portugal… mas os jogadores portugueses não o ouviram.

Aliás, pouco se jogaria já. Logo depois o árbitro dava a partida por concluída. E toda a gente pareceu sair (bastante) satisfeita, de parte a parte.

O sofrimento tinha sido muito – perante um opositor deste calibre, é difícil que se possa dizer, em qualquer momento, que se esteja tranquilo e seguro – mas Portugal, com uma boa exibição, mostrou estar à altura do grande desafio com que se deparava, repartindo os números-chave, com a posse de bola quase equitativa entre as duas equipas, 11-10 para a França no total de remates, e o mesmo número de remates à baliza (cinco para cada lado).

Não fora a incerteza sobre o desfecho do confronto de Munique, este Portugal-França poderia não ter sido mais que um animado “jogo-treino” (afinal, mesmo que o resultado tivesse sido de 2-5, não originaria qualquer alteração no escalonamento do Grupo, nem a nível das selecções apuradas para os 1/8 de final); efectivamente, da forma como as coisas correram, num e noutro campo, foram exponenciadas as emoções, numa noite de intenso thriller.

Pela oitava vez em outras tantas presenças na Fase Final de Europeus, Portugal garantia o apuramento para a fase a eliminar, um registo absolutamente ímpar. Segue-se a Bélgica, em Sevilha…

23 Junho, 2021 at 9:58 pm Deixe um comentário

EURO 2020 – Grupo F – 2ª jornada – Portugal – Alemanha

PortugalAlemanha2-4

Portugal Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, William Carvalho (58m – Rafa Silva), Danilo Pereira, Bernardo Silva (45m – Renato Sanches), Bruno Fernandes (64m – João Moutinho), Diogo Jota (83m – André Silva) e Cristiano Ronaldo

Alemanha Manuel Neuer, Matthias Ginter, Mats Hummels (62m – Emre Can), Antonio Rüdiger, Joshua Kimmich, İlkay Gündoğan (73m – Niklas Süle), Toni Kroos, Robin Gosens (62m – Marcel Halstenberg), Kai Havertz (73m – Leon Goretzka), Thomas Müller e Serge Gnabry (87m – Leroy Sané)

1-0 – Cristiano Ronaldo – 15m
1-1 – Rúben Dias (p.b.) – 35m
1-2 – Raphaël Guerreiro (p.b.) – 39m
1-3 – Kai Havertz – 51m
1-4 – Robin Gosens – 60m
2-4 – Diogo Jota – 67m

“Melhor em campo” – Robin Gosens

Amarelos – Kai Havertz (66m) e Matthias Ginter (77m)

Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)

Fußball Arena München – Munique (17h00)

Para Portugal o melhor deste jogo foi o resultado…

Durante cerca de uma hora a selecção portuguesa foi submersa como que numa enxurrada de futebol ofensivo por parte da Alemanha, nunca conseguindo encontrar antídoto para deter essa avalancha.

Logo nos minutos iniciais os alemães, com uma entrada em jogo de rompante, deixando a equipa nacional atordoada, introduziriam a bola na baliza, lance, contudo, invalidado por posição irregular.

O primeiro golo de Portugal, fruto de uma rápida transição – na sequência de um canto contra -, que apanhou a Alemanha em contrapé, com Bernardo Silva a fazer o lançamento, no momento certo, para Diogo Jota, que faria excelente assistência para Cristiano Ronaldo (o qual começara por aliviar a bola na nossa área, correndo de seguida quase todo o campo) empurrar com facilidade para a baliza, revelar-se-ia “pura” ilusão.

Rapidamente se tendo refeito do embate sofrido – é verdade que, no entretanto, Portugal tivera ainda ocasião de criar uma outra situação de perigo -, a Alemanha voltaria a colocar em prática, uma, duas, três, “n” vezes, o seu lance estudado, fazendo a bola circular entre corredores, surgindo quase sempre em superioridade numérica face a uma descompensada linha defensiva de quatro elementos de Portugal, com Nélson Semedo, sistematicamente, a ser atraído para tentar fechar mais no centro, deixando aberta uma “cratera” no flanco direito, espaço que Gosens aproveitou para “semear  o pânico”: teve intervenção nos dois auto-golos dos defesas portugueses – os quais, em desespero de causa, se limitaram a antecipar-se aos avançados que se preparavam para empurrar a bola para a baliza -, fez a assistência para o terceiro golo e seria, ele próprio o autor do quarto tento alemão!

Durante toda essa fase – que pareceu uma eternidade – o meio-campo português foi como um “passador”, com William Carvalho e Danilo Pereira impotentes para contrariar o ritmo de jogo adversário, e, em última instância, na procura de repelir as investidas alemãs, com todo o sector defensivo da seleçcão nacional a denotar uma confrangedora lentidão, incapaz de vencer a inércia, como que “adormecido”, perdendo sempre a “segunda bola”, concedendo demasiado espaço e liberdade de acção.

Com uma péssima (e dificilmente compreensível) actuação a nível defensivo – como referido, múltiplas vezes apanhado em inferioridade perante a “cavalgada” germânica -, sem intensidade nem agressividade (apenas duas faltas cometidas no primeiro tempo, finalizando com 5 faltas, contra 15 do opositor!), chegou a recear-se mesmo que o resultado pudesse vir a atingir números avassaladores, que nos colocariam, virtualmente, fora do “EURO” (Rui Patrício teria ainda, pelo menos, uma bastante difícil intervenção, a negar mais um golo).

Acabaria por valer a opção de Joachim Löw, quando – considerando, aos 4-1, o jogo ganho e “acabado” – fez sair Gosens, logo aos 62 minutos, visando dar também algum descanso a Hummels (“tocado”), Gündoğan e  Havertz.

A partir daí, “tirando o pé do acelerador”, a Alemanha daria enfim possibilidade à equipa portuguesa de respirar, tendo, então o melhor período no jogo. Conseguindo, finalmente, ter bola, reduziria, pouco tempo depois, para 2-4 – com Cristiano Ronaldo, quase em cima da linha de baliza, num gesto acrobático, a assistir para Diogo Jota, também a marcar de forma pouco ordodoxa, de alguma forma expondo as fragilidades defensivas contrárias -, minimizando os efeitos do que poderia ter sido um verdadeiro descalabro, antes de Renato Sanches, com um potente remate, ter feito a bola embater com estrondo no poste, no que teria sido um bastante enganador 3-4.

No final, mais do que o desfecho negativo, o que fica bem patente é a grande preocupação por uma exibição tão pobre, tão desconexa, de um lote de jogadores que não constituiu, na acepção da palavra, uma “equipa”, mostrando-se, ao contrário, um conjunto “esfrangalhado”.

O apuramento continua, claro, a ser possível, mas, para não ficar dependente de terceiros, será necessário rectificar muitas situações, e de forma rápida, perante o enorme desafio que constituirá o confronto com os Campeões do Mundo, visando pontuar.

19 Junho, 2021 at 6:52 pm Deixe um comentário

EURO 2020 – Grupo F – 1ª jornada – Hungria – Portugal

HungriaPortugal0-3

Hungria Péter Gulácsi, Endre Botka, Willi Orbán, Attila Szalai, Gergő Lovrencsics, László Kleinheisler (78m – Dávid Sigér), Ádám Nagy (88m – Roland Varga), András Schäfer (65m – Loïc Négo), Attila Fiola (88m – Kevin Varga), Ádám Szalai e Roland Sallai (77m – Szabolcs Schön)

Portugal Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, Danilo Pereira, William Carvalho (81m – Renato Sanches), Bruno Fernandes (89m – João Moutinho), Bernardo Silva (71m – Rafa Silva), Diogo Jota (81m – André Silva) e Cristiano Ronaldo

0-1 – Raphaël Guerreiro – 84m
0-2 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 87m
0-3 – Cristiano Ronaldo – 90m

“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo

Amarelos – Loïc Négo (80m) e Willi Orbán (86m); Rúben Dias (38m)

Árbitro – Cüneyt Çakır (Turquia)

Puskás Aréna – Budapeste (17h00)

A selecção de Portugal iniciou da melhor forma a defesa do seu título de Campeão Europeu, com uma vitória por números robustos.

Pese embora actuasse em terreno adversário – com um Estádio lotado, com mais de 60.000 espectadores –, a equipa portuguesa tinha cabal noção da importância de vencer este jogo, não só por se tratar do primeiro desafio da competição, como, principalmente, atendendo aos opositores que terá de defrontar de seguida, dois colossos do futebol mundial, Alemanha e França (actuais Campeões do Mundo).

Pelo que, logo desde entrada, a formação lusa – organizada por Fernando Santos com especiais cautelas, alinhando com Danilo Pereira e William Carvalho, com a missão primeira de procurar suster quaisquer tentativas de contra-ataque da Hungria, visando, em paralelo, conceder maior liberdade a outros quatro elementos, de cariz bastante ofensivo (Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Diogo Jota e Cristiano Ronaldo) – assumiu a iniciativa do jogo, empurrando a equipa contrária para o seu meio terreno, mais propriamente, para as imediações da sua área.

Exercendo amplo domínio durante toda a metade inicial do desafio, Portugal poderia ter inaugurado o marcador logo aos 5 minutos, com Diogo Jota a testar a concentração do guardião Gulácsi, ao mesmo tempo que, em corrida, pelo lado esquerdo do avançado português, Cristiano Ronaldo surgia completamente desmarcado e em excelentes condições para rematar com êxito… mas Jota só “teve olhos” para a baliza.

Praticamente a findar o primeiro tempo, Cristiano Ronaldo, outra vez muito bem posicionado, cara a cara com o guarda-redes, mas perdulário, desperdiçaria nova soberana ocasião de golo, não tendo conseguido enquadrar o remate com a baliza, com a bola a sair demasiado por alto.

Com a equipa húngara concentrada no seu sector defensivo – incapaz de ripostar à pressão sofrida –, Portugal começaria, contudo, à medida que o tempo decorria (e parecia acelerar-se a aproximação do fim do jogo), a denotar alguma ansiedade em procurar quebrar o compacto bloco adversário, com o largo domínio de posse de bola a revelar-se infrutífero. Em paralelo, a intensidade e ritmo de jogo vinham decaindo, pelo que urgia “mexer na equipa”.

O que Fernando Santos só começaria por fazer já com 71 minutos decorridos (fazendo entrar Rafa para o lugar de Bernardo), e, de forma mais “radical”, já dentro dos dez minutos finais – o que se receou, então, poder ser já demasiado tarde –, apostando no “rompante” Renato Sanches e em André Silva, procurando colocar mais homens dentro da área adversária.

E a verdade é que Renato Sanches e Rafa iriam “agitar” decisivamente o jogo, com o benfiquista a ser protagonista em todos os três golos.

Faltavam somente seis minutos para o termo do desafio quando, enfim, chegou o tento inaugural, com alguma felicidade, primeiro na assistência de Rafa, a tabelar num jogador contrário, sobrando a bola para Raphaël Guerreiro, o qual, com um remate algo “enrolado”, beneficiou ainda de um outro ligeiro toque da bola num defesa húngaro – consequência, também, da aglomeração de jogadores, concentrados num curto espaço de terreno, em zona mais defensiva –, o suficiente para a fazer mudar de trajectória, traindo inapelavelmente Gulácsi.

Apenas três minutos volvidos seria Renato Sanches a lançar Rafa, que, em velocidade, apenas seria travado, em plena área, em falta, originando a grande penalidade, convertida por Cristiano Ronaldo.

Já em período de compensação (90+2 minutos), Portugal assinou então um (prolongado) momento de “filigrana”, com 33 (!) passes sucessivos, enleando completamente o adversário, finalizando com outra assistência de Rafa, para Cristiano Ronaldo, o qual, mesmo podendo eventualmente duvidar se estaria em posição regular (o que seria confirmado pelo “VAR”), driblou o guarda-redes da Hungria, antes de empurrar, com facilidade, a bola para a baliza deserta.

Num balanço final, depois do susto passado (num dos raros contra-ataques que conseguiu completar a Hungria chegou a introduzir a bola na baliza de Rui Patrício, precisamente à entrada dos últimos dez minutos, não tendo o lance sido validado, por fora-de-jogo), Portugal, conseguindo, quase “in-extremis” desbloquear o jogo (depois de ter chegado a passar inclusivamente, porventura, por um período de menor crença, ou, pelo menos, de maior ansiedade), obteve – frente a um adversário que deixou transparecer notórias debilidades competitivas – um resultado que se revela bastante melhor do que a exibição e que, salvo qualquer “hecatombe” nos dois jogos restantes, lhe deverá proporcionar, desde já, uma boa “garantia” de apuramento (no cenário menos favorável, mesmo que como um dos quatro melhores 3.º classificados, como, aliás, sucedeu em 2016).

Cristiano Ronaldo, que, durante praticamente toda a partida, não esteve nos seus dias “mais inspirados”, acabaria por sair feliz: para além de ser, agora, o único jogador a disputar jogos em cinco fases finais dos Europeus (2004, 2008, 2012, 2016 e “2020”), tornou-se, com a soma de 11 golos (2+1+3+3+2) já apontados nessas edições, o melhor marcador da história da competição (deixando para trás o francês Michel Platini, com 9 tentos), ao mesmo tempo que, tendo atingido os 106 golos pela selecção portuguesa, está agora, apenas, a três de igualar o “record” do iraniano Ali Daei.

Cristiano, com 22 jogos já disputados nestas cinco fases finais (apenas “falhou” o jogo com a Suíça, na última jornada da fase de Grupos do Europeu de 2008), isolou-se também como o jogador com mais vitórias (12: 3 em 2004, 2012 e em 2016; 2 em 2008; e 1 na presente edição) em fases finais de Campeonatos da Europa, destacando-se dos espanhóis Andrés Iniesta e Cesc Fábregas (11 triunfos).

15 Junho, 2021 at 6:52 pm Deixe um comentário

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