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EURO 2020 – Grupo F – 3ª jornada – Portugal – França

2-2
Rui Patrício, Nélson Semedo (79m – Diogo Dalot), Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho (72m – Rúben Neves), Danilo Pereira (45m – João Palhinha), Renato Sanches (88m – Sérgio Oliveira), Bernardo Silva (72m – Bruno Fernandes), Diogo Jota e Cristiano Ronaldo
Hugo Lloris, Jules Koundé, Raphaël Varane, Presnel Kimpembe, Lucas Hernández (45m – Lucas Digne) (52m – Adrien Rabiot), Paul Pogba, N’Golo Kanté, Corentin Tolisso (66m – Kingsley Coman), Antoine Griezmann (87m – Moussa Sissoko), Kylian Mbappé e Karim Benzema
1-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 31m
1-1 – Karim Benzema (pen.) – 45m
1-2 – Karim Benzema – 47m
2-2 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 60m
“Melhor em campo” – Karim Benzema
Amarelos – Hugo Lloris (27m), Lucas Hernández (36m), Antoine Griezmann (40m) e Presnel Kimpembe (83m)
Árbitro – Antonio Mateu Lahoz (Espanha)
Puskás Aréna – Budapeste (20h00)
Num jogo que colocava frente-a-frente o Campeão do Mundo e o Campeão da Europa, numa reedição da Final do “EURO 2016” – por coincidência precisamente 37 anos depois do malfadado encontro do Vélodrome -, as circunstâncias eram, agora, distintas, com Portugal a necessitar pontuar para não ficar dependente do resultado do Alemanha-Hungria, enquanto a França entrava em campo já apurada.
Mais, a selecção portuguesa necessitava rectificar, de imediato, a má imagem deixada na partida de Munique. Em qualquer caso – tendo presente o interesse em não perder -, caso a lógica imperasse, Portugal sabia que poderia até perder por três golos de diferença, que, ainda assim, garantiria o apuramento.
Fernando Santos deve ter reflectido muito, ponderado as várias opções, os “prós” e os “contras”, acabando por decidir operar uma pequena remodelação no “onze”, fazendo sair William Carvalho e Bruno Fernandes, substituídos por João Moutinho e Renato Sanches. O seleccionador nacional ganharia a aposta.
Portugal entrou bem no jogo, de forma personalizada, assumindo a posse de bola, avançando, sem temor, para o meio-campo contrário. Eram decorridos apenas os dez minutos iniciais quando chegava a notícia do golo da Hungria em Munique. Era inesperado e o pensamento terá sido: “a Alemanha pode ter sido supreendida, mas, rapidamente, irá rectificar a situação”.
A coragem da equipa nacional seria recompensada, mercê de um lance relativamente acidental: numa investida de Danilo à área – falta sobre Renato Sanches, apontada por Cristiano Ronaldo, para a zona nevrálgica da área -, Lloris saiu a socar a bola, mas, falhando o tempo de intervenção, acertou, com contundência, no médio português, situação sancionada pelo árbitro com uma grande penalidade, que o próprio Cristiano converteu, colocando Portugal em vantagem.
Mas, se Mateu Lahoz ajuizou bem aquele lance, mais duvidosa foi a grande penalidade que, mesmo em cima da hora do termo da primeira metade, proporcionaria à França o empate, com Benzema a voltar aos golos pela selecção gaulesa – de que estivera arredado desde Outubro de 2015. Nélson Semedo terá feito “carga de ombro” sobre Mbappé, o qual, sentindo o contacto, se deixou cair.
Entretanto, em Munique, findo o primeiro tempo, a Alemanha denotava dificuldades para inverter a tendência do jogo… e a Hungria subsistia em vantagem.
Se o tento sofrido a fechar a primeira parte tinha chegado em má hora, pior ainda seria o início da etapa complementar, com Benzema a surgir isolado, e a bisar, dando a melhor sequência a um fenomenal lançamento em profundidade de Pogba, a rasgar todo o meio-campo e defesa contrária. Num ápice, Portugal – que chegara a liderar o grupo, entre os 31 e os 45 minutos, caía – ao 47.º minuto – para o último lugar, ficando numa situação de virtualmente eliminado!
Seria então a altura de a selecção portuguesa mostrar a sua raça e inconformismo. Não se escondendo, Portugal foi à luta, dividindo o jogo com os campeões do Mundo.
Cristiano Ronaldo teria, de imediato, um lance na área contrária, em que, com uma fantástica elevação, como que “planando” no ar – à Michael Jordan -, cabeceou, mas em posição muito difícil, sem a potência e colocação desejadas, tendo a bola saído ligeiramente ao lado.
Cerca de dez minutos decorridos, a audácia compensaria uma vez mais, de novo por via de uma grande penalidade (a terceira do desafio, segunda a favorecer Portugal), assinalada pelo árbitro espanhol, a sancionar contacto com a mão de Koundé, a interceptar uma tentativa de cruzamento para o centro da área, quase “à queima roupa”, de Cristiano Ronaldo – o aumento de volumetria decorrente do movimento de braços do defesa francês terá sido determinante na decisão.
Cristiano Ronaldo marcava o seu 5.º golo na presente edição do Campeonato da Europa, o 14.º em fases finais da competição, e o 109.º da sua carreira na selecção, igualando enfim o mítico record do iraniano Ali Daei!
Mas se havia coisa que não se podia, de todo, dizer, é que o resultado estivesse feito, ou, ainda menos, que Portugal tivesse a situação perfeitamente controlada… Chegavam “boas” notícias de Munique, com o golo do empate da Alemanha, mas seria “sol de pouca dura”: apenas dois minutos volvidos, a Hungria colocava-se, de forma sensacional, outra vez em vantagem, e, desta feita – faltando pouco mais de vinte minutos para o final – a possibilidade de uma enorme surpresa tinha de ser tomada como sério aviso.
Portugal – então posicionado no 2.º lugar – estava dependente de um eventual golo sofrido, que, a acontecer, provocaria queda, outra vez, para a 4.ª posição, e, consequentemente, para zona de eliminação.
E, numa fase algo oscilante da equipa portuguesa, esse golo podia mesmo ter acontecido, logo depois do 1-2 na Alemanha. Estava a terminar o minuto 67 – o jogo de Budapeste tinha, agora, desde o início da segunda parte, um atraso de cerca de dois minutos e meio em relação ao de Munique – Rui Patrício seria chamado a, numa mesma sequência, fazer duas intervenções “milagrosas”: primeiro, a remate colocado de Pogba, com uma palmada, já no ângulo da baliza, a desviar a bola para o poste, praticamente no vértice com a trave; a bola ressaltou para dentro de campo, surgindo, “na passada”, Griezmann a rematar cruzado, com o guardião luso, com excelentes reflexos, a evitar que a bola chegasse a linha fatal, repelindo-a para zona lateral do campo.
Entretanto, a Alemanha conseguia, enfim, fixar o que viria a ser o resultado final, restabelecendo a igualdade. Faltavam seis minutos para acabar o jogo em Munique; pouco menos de nove minutos em Budapeste. Nesse período, as equipas pareciam já pouco dispostas a correr riscos, com Portugal, então, a trocar a bola, procurando preservá-la o máximo tempo possível, enquanto a França, por seu lado, estava também satisfeita com a manutenção do 1.º lugar (com Didier Deschamps a recomendar “calma” aos seus jogadores).
Quando o encontro terminou na Alemanha, jogava-se o segundo de cinco minutos de tempo de compensação; com o apuramento então já garantido, sem nada a perder, Fernando Santos gesticulava junto à linha lateral, quase a entrar dentro de campo, procurando empurrar a equipa para a frente, visando arriscar tudo na procura do golo da vitória, que conferiria o 1.º lugar a Portugal… mas os jogadores portugueses não o ouviram.
Aliás, pouco se jogaria já. Logo depois o árbitro dava a partida por concluída. E toda a gente pareceu sair (bastante) satisfeita, de parte a parte.
O sofrimento tinha sido muito – perante um opositor deste calibre, é difícil que se possa dizer, em qualquer momento, que se esteja tranquilo e seguro – mas Portugal, com uma boa exibição, mostrou estar à altura do grande desafio com que se deparava, repartindo os números-chave, com a posse de bola quase equitativa entre as duas equipas, 11-10 para a França no total de remates, e o mesmo número de remates à baliza (cinco para cada lado).
Não fora a incerteza sobre o desfecho do confronto de Munique, este Portugal-França poderia não ter sido mais que um animado “jogo-treino” (afinal, mesmo que o resultado tivesse sido de 2-5, não originaria qualquer alteração no escalonamento do Grupo, nem a nível das selecções apuradas para os 1/8 de final); efectivamente, da forma como as coisas correram, num e noutro campo, foram exponenciadas as emoções, numa noite de intenso thriller.
Pela oitava vez em outras tantas presenças na Fase Final de Europeus, Portugal garantia o apuramento para a fase a eliminar, um registo absolutamente ímpar. Segue-se a Bélgica, em Sevilha…
EURO 2020 – Grupo F – 2ª jornada – Portugal – Alemanha

2-4
Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, William Carvalho (58m – Rafa Silva), Danilo Pereira, Bernardo Silva (45m – Renato Sanches), Bruno Fernandes (64m – João Moutinho), Diogo Jota (83m – André Silva) e Cristiano Ronaldo
Manuel Neuer, Matthias Ginter, Mats Hummels (62m – Emre Can), Antonio Rüdiger, Joshua Kimmich, İlkay Gündoğan (73m – Niklas Süle), Toni Kroos, Robin Gosens (62m – Marcel Halstenberg), Kai Havertz (73m – Leon Goretzka), Thomas Müller e Serge Gnabry (87m – Leroy Sané)
1-0 – Cristiano Ronaldo – 15m
1-1 – Rúben Dias (p.b.) – 35m
1-2 – Raphaël Guerreiro (p.b.) – 39m
1-3 – Kai Havertz – 51m
1-4 – Robin Gosens – 60m
2-4 – Diogo Jota – 67m
“Melhor em campo” – Robin Gosens
Amarelos – Kai Havertz (66m) e Matthias Ginter (77m)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
Fußball Arena München – Munique (17h00)
Para Portugal o melhor deste jogo foi o resultado…
Durante cerca de uma hora a selecção portuguesa foi submersa como que numa enxurrada de futebol ofensivo por parte da Alemanha, nunca conseguindo encontrar antídoto para deter essa avalancha.
Logo nos minutos iniciais os alemães, com uma entrada em jogo de rompante, deixando a equipa nacional atordoada, introduziriam a bola na baliza, lance, contudo, invalidado por posição irregular.
O primeiro golo de Portugal, fruto de uma rápida transição – na sequência de um canto contra -, que apanhou a Alemanha em contrapé, com Bernardo Silva a fazer o lançamento, no momento certo, para Diogo Jota, que faria excelente assistência para Cristiano Ronaldo (o qual começara por aliviar a bola na nossa área, correndo de seguida quase todo o campo) empurrar com facilidade para a baliza, revelar-se-ia “pura” ilusão.
Rapidamente se tendo refeito do embate sofrido – é verdade que, no entretanto, Portugal tivera ainda ocasião de criar uma outra situação de perigo -, a Alemanha voltaria a colocar em prática, uma, duas, três, “n” vezes, o seu lance estudado, fazendo a bola circular entre corredores, surgindo quase sempre em superioridade numérica face a uma descompensada linha defensiva de quatro elementos de Portugal, com Nélson Semedo, sistematicamente, a ser atraído para tentar fechar mais no centro, deixando aberta uma “cratera” no flanco direito, espaço que Gosens aproveitou para “semear o pânico”: teve intervenção nos dois auto-golos dos defesas portugueses – os quais, em desespero de causa, se limitaram a antecipar-se aos avançados que se preparavam para empurrar a bola para a baliza -, fez a assistência para o terceiro golo e seria, ele próprio o autor do quarto tento alemão!
Durante toda essa fase – que pareceu uma eternidade – o meio-campo português foi como um “passador”, com William Carvalho e Danilo Pereira impotentes para contrariar o ritmo de jogo adversário, e, em última instância, na procura de repelir as investidas alemãs, com todo o sector defensivo da seleçcão nacional a denotar uma confrangedora lentidão, incapaz de vencer a inércia, como que “adormecido”, perdendo sempre a “segunda bola”, concedendo demasiado espaço e liberdade de acção.
Com uma péssima (e dificilmente compreensível) actuação a nível defensivo – como referido, múltiplas vezes apanhado em inferioridade perante a “cavalgada” germânica -, sem intensidade nem agressividade (apenas duas faltas cometidas no primeiro tempo, finalizando com 5 faltas, contra 15 do opositor!), chegou a recear-se mesmo que o resultado pudesse vir a atingir números avassaladores, que nos colocariam, virtualmente, fora do “EURO” (Rui Patrício teria ainda, pelo menos, uma bastante difícil intervenção, a negar mais um golo).
Acabaria por valer a opção de Joachim Löw, quando – considerando, aos 4-1, o jogo ganho e “acabado” – fez sair Gosens, logo aos 62 minutos, visando dar também algum descanso a Hummels (“tocado”), Gündoğan e Havertz.
A partir daí, “tirando o pé do acelerador”, a Alemanha daria enfim possibilidade à equipa portuguesa de respirar, tendo, então o melhor período no jogo. Conseguindo, finalmente, ter bola, reduziria, pouco tempo depois, para 2-4 – com Cristiano Ronaldo, quase em cima da linha de baliza, num gesto acrobático, a assistir para Diogo Jota, também a marcar de forma pouco ordodoxa, de alguma forma expondo as fragilidades defensivas contrárias -, minimizando os efeitos do que poderia ter sido um verdadeiro descalabro, antes de Renato Sanches, com um potente remate, ter feito a bola embater com estrondo no poste, no que teria sido um bastante enganador 3-4.
No final, mais do que o desfecho negativo, o que fica bem patente é a grande preocupação por uma exibição tão pobre, tão desconexa, de um lote de jogadores que não constituiu, na acepção da palavra, uma “equipa”, mostrando-se, ao contrário, um conjunto “esfrangalhado”.
O apuramento continua, claro, a ser possível, mas, para não ficar dependente de terceiros, será necessário rectificar muitas situações, e de forma rápida, perante o enorme desafio que constituirá o confronto com os Campeões do Mundo, visando pontuar.
EURO 2020 – Grupo F – 1ª jornada – Hungria – Portugal

0-3
Péter Gulácsi, Endre Botka, Willi Orbán, Attila Szalai, Gergő Lovrencsics, László Kleinheisler (78m – Dávid Sigér), Ádám Nagy (88m – Roland Varga), András Schäfer (65m – Loïc Négo), Attila Fiola (88m – Kevin Varga), Ádám Szalai e Roland Sallai (77m – Szabolcs Schön)
Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Dias, Pepe, Raphaël Guerreiro, Danilo Pereira, William Carvalho (81m – Renato Sanches), Bruno Fernandes (89m – João Moutinho), Bernardo Silva (71m – Rafa Silva), Diogo Jota (81m – André Silva) e Cristiano Ronaldo
0-1 – Raphaël Guerreiro – 84m
0-2 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 87m
0-3 – Cristiano Ronaldo – 90m
“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo
Amarelos – Loïc Négo (80m) e Willi Orbán (86m); Rúben Dias (38m)
Árbitro – Cüneyt Çakır (Turquia)
Puskás Aréna – Budapeste (17h00)
A selecção de Portugal iniciou da melhor forma a defesa do seu título de Campeão Europeu, com uma vitória por números robustos.
Pese embora actuasse em terreno adversário – com um Estádio lotado, com mais de 60.000 espectadores –, a equipa portuguesa tinha cabal noção da importância de vencer este jogo, não só por se tratar do primeiro desafio da competição, como, principalmente, atendendo aos opositores que terá de defrontar de seguida, dois colossos do futebol mundial, Alemanha e França (actuais Campeões do Mundo).
Pelo que, logo desde entrada, a formação lusa – organizada por Fernando Santos com especiais cautelas, alinhando com Danilo Pereira e William Carvalho, com a missão primeira de procurar suster quaisquer tentativas de contra-ataque da Hungria, visando, em paralelo, conceder maior liberdade a outros quatro elementos, de cariz bastante ofensivo (Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Diogo Jota e Cristiano Ronaldo) – assumiu a iniciativa do jogo, empurrando a equipa contrária para o seu meio terreno, mais propriamente, para as imediações da sua área.
Exercendo amplo domínio durante toda a metade inicial do desafio, Portugal poderia ter inaugurado o marcador logo aos 5 minutos, com Diogo Jota a testar a concentração do guardião Gulácsi, ao mesmo tempo que, em corrida, pelo lado esquerdo do avançado português, Cristiano Ronaldo surgia completamente desmarcado e em excelentes condições para rematar com êxito… mas Jota só “teve olhos” para a baliza.
Praticamente a findar o primeiro tempo, Cristiano Ronaldo, outra vez muito bem posicionado, cara a cara com o guarda-redes, mas perdulário, desperdiçaria nova soberana ocasião de golo, não tendo conseguido enquadrar o remate com a baliza, com a bola a sair demasiado por alto.
Com a equipa húngara concentrada no seu sector defensivo – incapaz de ripostar à pressão sofrida –, Portugal começaria, contudo, à medida que o tempo decorria (e parecia acelerar-se a aproximação do fim do jogo), a denotar alguma ansiedade em procurar quebrar o compacto bloco adversário, com o largo domínio de posse de bola a revelar-se infrutífero. Em paralelo, a intensidade e ritmo de jogo vinham decaindo, pelo que urgia “mexer na equipa”.
O que Fernando Santos só começaria por fazer já com 71 minutos decorridos (fazendo entrar Rafa para o lugar de Bernardo), e, de forma mais “radical”, já dentro dos dez minutos finais – o que se receou, então, poder ser já demasiado tarde –, apostando no “rompante” Renato Sanches e em André Silva, procurando colocar mais homens dentro da área adversária.
E a verdade é que Renato Sanches e Rafa iriam “agitar” decisivamente o jogo, com o benfiquista a ser protagonista em todos os três golos.
Faltavam somente seis minutos para o termo do desafio quando, enfim, chegou o tento inaugural, com alguma felicidade, primeiro na assistência de Rafa, a tabelar num jogador contrário, sobrando a bola para Raphaël Guerreiro, o qual, com um remate algo “enrolado”, beneficiou ainda de um outro ligeiro toque da bola num defesa húngaro – consequência, também, da aglomeração de jogadores, concentrados num curto espaço de terreno, em zona mais defensiva –, o suficiente para a fazer mudar de trajectória, traindo inapelavelmente Gulácsi.
Apenas três minutos volvidos seria Renato Sanches a lançar Rafa, que, em velocidade, apenas seria travado, em plena área, em falta, originando a grande penalidade, convertida por Cristiano Ronaldo.
Já em período de compensação (90+2 minutos), Portugal assinou então um (prolongado) momento de “filigrana”, com 33 (!) passes sucessivos, enleando completamente o adversário, finalizando com outra assistência de Rafa, para Cristiano Ronaldo, o qual, mesmo podendo eventualmente duvidar se estaria em posição regular (o que seria confirmado pelo “VAR”), driblou o guarda-redes da Hungria, antes de empurrar, com facilidade, a bola para a baliza deserta.
Num balanço final, depois do susto passado (num dos raros contra-ataques que conseguiu completar a Hungria chegou a introduzir a bola na baliza de Rui Patrício, precisamente à entrada dos últimos dez minutos, não tendo o lance sido validado, por fora-de-jogo), Portugal, conseguindo, quase “in-extremis” desbloquear o jogo (depois de ter chegado a passar inclusivamente, porventura, por um período de menor crença, ou, pelo menos, de maior ansiedade), obteve – frente a um adversário que deixou transparecer notórias debilidades competitivas – um resultado que se revela bastante melhor do que a exibição e que, salvo qualquer “hecatombe” nos dois jogos restantes, lhe deverá proporcionar, desde já, uma boa “garantia” de apuramento (no cenário menos favorável, mesmo que como um dos quatro melhores 3.º classificados, como, aliás, sucedeu em 2016).
Cristiano Ronaldo, que, durante praticamente toda a partida, não esteve nos seus dias “mais inspirados”, acabaria por sair feliz: para além de ser, agora, o único jogador a disputar jogos em cinco fases finais dos Europeus (2004, 2008, 2012, 2016 e “2020”), tornou-se, com a soma de 11 golos (2+1+3+3+2) já apontados nessas edições, o melhor marcador da história da competição (deixando para trás o francês Michel Platini, com 9 tentos), ao mesmo tempo que, tendo atingido os 106 golos pela selecção portuguesa, está agora, apenas, a três de igualar o “record” do iraniano Ali Daei.
Cristiano, com 22 jogos já disputados nestas cinco fases finais (apenas “falhou” o jogo com a Suíça, na última jornada da fase de Grupos do Europeu de 2008), isolou-se também como o jogador com mais vitórias (12: 3 em 2004, 2012 e em 2016; 2 em 2008; e 1 na presente edição) em fases finais de Campeonatos da Europa, destacando-se dos espanhóis Andrés Iniesta e Cesc Fábregas (11 triunfos).
Convocados para o “EURO 2020”
Guarda-redes – Anthony Lopes (Lyon), Rui Patrício (Wolverhampton) e Rui Silva (Granada);
Defesas – João Cancelo (Manchester City), Nélson Semedo (Wolverhampton), José Fonte (Lille), Pepe (FC Porto), Rúben Dias (Manchester City), Nuno Mendes (Sporting) e Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund);
Médios – Danilo Pereira (Paris Saint-Germain), João Palhinha (Sporting), Rúben Neves (Wolverhampton), Bruno Fernandes (Manchester United), João Moutinho (Wolverhampton), Renato Sanches (Lille), Sérgio Oliveira (FC Porto) e William Carvalho (Bétis);
Avançados – Pedro Gonçalves (Sporting), André Silva (Eintracht Frankfurt), Bernardo Silva (Manchester City), Cristiano Ronaldo (Juventus), Diogo Jota (Liverpool), Gonçalo Guedes (Valencia), João Félix (Atlético Madrid) e Rafa Silva (Benfica).
O seleccionador nacional, Fernando Santos, anunciou esta noite o nome dos 26 jogadores convocados para a Fase Final do Campeonato da Europa de Futebol, a disputar de 11 de Junho a 11 de Julho em 12 cidades europeias.
Em relação à anterior competição (Mundial 2018) – em que o número de convocados era de 23 -, verifica-se uma significativa remodelação, com a entrada de treze jogadores: Rui Silva, João Cancelo, Nélson Semedo, Nuno Mendes, Danilo Pereira, João Palhinha, Rúben Neves, Renato Sanches, Sérgio Oliveira, Pedro Gonçalves, Diogo Jota, João Félix e Rafa Silva.
Ao invés, deixaram de integrar os seleccionados os seguintes dez jogadores: Beto, Cédric Soares, Ricardo Pereira, Bruno Alves, Mário Rui, João Mário, Manuel Fernandes, Adrien Silva, Gelson Martins e Ricardo Quaresma.
Dos Campeões Europeus de há cinco anos, em França, mantêm-se os seguintes onze: os guardiões Rui Patrício e Anthony Lopes, Pepe, José Fonte, Raphaël Guerreiro, William Carvalho, Danilo Pereira, João Moutinho, Renato Sanches, Rafa Silva e Cristiano Ronaldo.
Na convocatória hoje anunciada, o Sporting conta com três jogadores, o FC Porto com dois, enquanto o Benfica tem somente um. Regista-se, portanto, um contingente de 20 elementos a actuar em clubes estrangeiros (nove do campeonato de Inglaterra, quatro de Espanha e de França, dois da Alemanha e um de Itália – face a um total de 17 na convocatória anterior -, com destaque para o Wolverhampton (com quatro representantes) e Manchester City (três).
Luxemburgo – Portugal (Mundial 2022 – Qualif.)
Stade Josy Barthel, Luxemburgo
Luxemburgo – Anthony Moris, Laurent Jans, Maxime Chanot, Lars Gerson, Michael Pinto (65m – Marvin Martins), Christopher Martins (87m – Aldin Skenderović), Olivier Thill (58m – Sébastien Thill), Leandro Barreiro, Vincent Thill (58m – Maurice Deville), Gerson Rodrigues e Danel Sinani (87m – Edvin Muratović)
Portugal – Anthony Lopes, João Cancelo, Rúben Dias, José Fonte, Nuno Mendes, Rúben Neves (89m – Sérgio Oliveira), Renato Sanches, Bernardo Silva (68m – João Palhinha), Cristiano Ronaldo, Diogo Jota (68m – Rafa Silva) e João Félix (41m – Pedro Neto)
1-0 – Gerson Rodrigues – 30m
1-1 – Diogo Jota – 45m
1-2 – Cristiano Ronaldo – 51m
1-3 – João Palhinha – 80m
Cartões amarelos – Maxime Chanot (20m); Diogo Jota (39m) e Rúben Dias (70m) e Renato Sanches (83m)
Cartão vermelho – Maxime Chanot (87m)
Árbitro – Sergei Ivanov (Rússia)
Poderia supor-se que a equipa portuguesa – que saíra de Belgrado com um “amargo de boca” e uma inevitável sensação de injustiça (pela não validação do que teria sido o seu terceiro golo, e, consequentemente, da vitória) – entraria em campo, no Luxemburgo, disposta a, desde o primeiro minuto, expressar o seu sentimento de revolta.
Pois, a meia hora inicial do jogo mostraria precisamente o contrário: um lote de jogadores notoriamente desinspirados, com uma estranha passividade, a permitir ao Luxemburgo gerir o jogo de acordo com a sua conveniência.
Sabia-se que a selecção luxemburguesa tem feito progressos notórios, e que vinha, inclusivamente, de uma tão sensacional como surpreendente vitória na Irlanda. Acresce, naturalmente, a motivação de defrontar o Campeão da Europa em título, num grupo em que, ademais, são vários os jogadores com ligações afectivas a Portugal.
Ainda assim poucos seriam os que poderiam crer no resultado que se verificava aos trinta minutos: mercê de um tento da autoria de Gerson Rodrigues – nascido no Pragal – o Luxemburgo estava a ganhar aos campeões europeus!
Até então, a formação nacional dispusera de uma única ocasião de perigo, desaproveitada por Renato Sanches. Sentindo o “toque a rebate”, o “onze” português, claro, espevitaria, curiosamente com o recuo de Bernardo Silva, a apoiar Rúben Neves e Renato Sanches, vindo ainda a beneficiar de uma substituição forçada (por lesão de João Félix), com a entrada de Pedro Neto, o qual viria precisamente a estar no origem do golo do empate, cruzando para mais um cabeceamento de excelente execução do muito oportuno Diogo Jota, mesmo a findar a primeira metade da partida.
Um golo que surgiu na “altura certa”, proporcionado a Fernando Santos, no intervalo, uma conversa em tom algo diferente do que teria sido se se mantivesse a escandalosa situação de desvantagem.
Com a serenidade recuperada, Portugal viria a desferir, logo no recomeço, um golpe decisivo, com o golo de Cristiano Ronaldo, apenas com seis minutos decorridos, a operar a reviravolta e, necessariamente, a fazer duvidar os luxemburgueses da possibilidade de virem ainda a alcançar um resultado positivo. De imediato, Nuno Mendes poderia até ter ampliado a contagem…
O que não significa que a turma da casa tivesse abdicado de ir em busca de tal “proeza”, à medida que o tempo ia decorrendo e o resultado tangencial subsistia, tendo, em paralelo, a selecção portuguesa voltado a baixar a intensidade de jogo. À passagem dos 70 minutos, o Luxemburgo ameaçaria mesmo o empate, não fora a atenta intervenção de Anthony Lopes.
Por seu lado, Cristiano Ronaldo, continuando a denotar estar em mau momento de forma – porventura também afectado por alguma ansiedade em procurar fazer, rapidamente, os (agora) seis golos que o separam do “record” do iraniano Ali Daei -, não conseguiria desfeitear Anthony Moris, perdendo, no mesmo lance, duas soberanas ocasiões, no “cara-a-cara” com o guardião contrário (viria ainda, “à terceira”, a introduzir a bola na baliza, mas, então, já em posição irregular).
Portugal só descansaria enfim, a dez minutos do final, com o recém-entrado João Palhinha, muito eficaz, a apontar o terceiro golo, que selava o triunfo, que, por agora, lhe confere o 1.º lugar do Grupo (em igualdade pontual com a Sérvia), após uma intensa série de três jogos disputados, num bem curto período de apenas seis dias. Um registo claramente superior ao nível exibicional demonstrado…
GRUPO A Jg V E D G Pt 1º Portugal 3 2 1 - 6 - 3 7 2º Sérvia 3 2 1 - 7 - 5 7 3º Luxemburgo 2 1 - 1 2 - 3 3 4º Irlanda 2 - - 2 2 - 4 - 5º Azerbaijão 2 - - 2 1 - 3 -
3ª jornada
30.03.2021 – Azerbaijão – Sérvia – 1-2
30.03.2021 – Luxemburgo – Portugal – 1-3
Sérvia – Portugal (Mundial 2022 – Qualif.)
Stadion Rajko Mitić, Belgrado
Sérvia – Marko Dmitrović, Nikola Milenković, Stefan Mitrović, Strahinja Pavlović, Darko Lazović (45m – Nemanja Maksimović), Sergej Milinković-Savić, Nemanja Gudelj, Filip Kostić (71m – Mihailo Ristić), Dušan Vlahović (45m – Nemanja Radonjić), Dušan Tadić (81m – Filip Djuričić) e Aleksandar Mitrović (87m – Luka Jović)
Portugal – Anthony Lopes, Cédric Soares, Rúben Dias, José Fonte, João Cancelo (72m – Nuno Mendes), Danilo Pereira, Bruno Fernandes (90m – João Palhinha), Sérgio Oliveira (72m – Renato Sanches), Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Diogo Jota (85m – João Félix)
0-1 – Diogo Jota – 11m
0-2 – Diogo Jota – 36m
1-2 – Aleksandar Mitrović – 46m
2-2 – Filip Kostić – 60m
Cartões amarelos – Nemanja Maksimović (57m) e Aleksandar Mitrović (85m); Bruno Fernandes (53m), José Fonte (54m) e Cristiano Ronaldo (90m)
Cartão vermelho – Nikola Milenković (90m)
Árbitro – Danny Makkelie (Holanda)
É inevitável começar por lamentar que a vitória tenha acabado por ser “sonegada” à equipa portuguesa por um crasso erro de arbitragem, sobretudo por um árbitro auxiliar que não fez o seu trabalho de forma competente, no derradeiro lance do encontro, quanto teve “todo o tempo do mundo” para ajuizar de forma correcta, sem qualquer impedimento visual: a bola, empurrada “in extremis” para a baliza por Cristiano Ronaldo (algo em desequilíbrio e num ângulo relativamente apertado) encaminhou-se lentamente para a baliza, com Mitrović, num desesperado “carrinho”, a tentar salvar sobre a linha de golo, mas, efectivamente, a repelir a bola quando esta tinha já ultrapassado o risco “fatal”.
Sendo muito difícil compreender que, num jogo de apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo, não esteja disponível a tecnologia da linha de golo, é com uma boa dose de benevolência que podemos aceitar que – sem conseguir ter a certeza de que a bola tivesse transposto por completo tal linha – tivesse optado por não dar indicação ao árbitro da validação do golo.
A intempestiva reacção de Cristiano Ronaldo (já depois de ter sancionado com cartão amarelo), retirando a braçadeira de capitão do braço e lançando-a ao chão, obviamente não lhe fica nada bem, não deixando de constituir um evidente sinal de revolta perante este grave erro, mas, em paralelo, expressando toda a frustração por um jogo em que nada lhe correu de feição.
De forma mais abrangente, Portugal começa por dever muito a si próprio não ter saído de Belgrado com os três pontos e, por consequência, com o que poderia constituir-se num passo decisivo para o apuramento, perante o seu adversário principal nesta fase de qualificação.
Apresentando-se com seis alterações no “onze” inicial face ao encontro da passada quarta-feira, e depois de uma boa entrada em jogo, assertiva, coroada com um primeiro golo logo aos 11 minutos (dando perfeita sequência a excelente passe de Bernardo Silva), e, de novo por outro cabeceamento de um inspirado Diogo Jota (agora a cruzamento de Cédric), a ampliar a vantagem para um “confortável” 2-0 – um resultado, não obstante, algo lisonjeiro face à exibição -, a selecção lusa voltaria apática no segundo tempo.
Surpreendida pelas alterações tácticas do adversário ao intervalo, ainda antes de ter tempo para perceber o que tinha mudado, já tinha sofrido um golo, logo no minuto inicial, tendo passado então por uma fase de claro desnorte, em que valeu a atenção de Anthony Lopes (face a remate com “selo de golo” de Dušan Tadić) para adiar males maiores.
Mas demoraria pouco o tento que possibilitou à Sérvia restabelecer a igualdade, aproveitando a recuperação de bola após o que seria um dos escassos bons ataques portugueses nessa segunda parte, beneficiando de uma situação de desequilíbrio defensivo, desta feita com Kostić a rematar sem hipótese.
Curiosamente, depois de ter visto esfumar-se a posição privilegiada de que tinha chegado a dispor, Portugal pareceu assentar o seu jogo, também em função de algumas alterações introduzidas por Fernando Santos, que permitiram reequilibrar a contenda.
Contudo, daí até final, não tendo criado outras soberanas oportunidades, o que teria sido o terceiro golo – ao minuto 93, com a Sérvia já reduzida a dez elementos -, chegaria numa altura em que, em rigor, o desempenho da equipa não justificara, num balanço global do tempo de jogo, a vitória neste desafio. Mas, como a “justiça” do marcador acaba, em última instância, por ser ditada pelas bolas que entram na baliza, temos de acabar como começámos: provocou uma enorme azia (quero acreditar que também para a equipa de arbitragem) que o golo de Cristiano Ronaldo não tivesse sido validado…
Que este episódio possa ter servido para se retirar as devidas ilações, por parte da UEFA e da FIFA, sobre a necessidade de ser mais “profissional” em jogos desta importância – não faz qualquer sentido, nos dias de hoje, que não estejam disponíveis meios tecnológicos para certificar que a bola ultrapassou a linha de golo!
GRUPO A Jg V E D G Pt 1º Sérvia 2 1 1 - 5 - 4 4 2º Portugal 2 1 1 - 3 - 2 4 3º Luxemburgo 1 1 - - 1 - 0 3 4º Azerbaijão 1 - - 1 0 - 1 - 5º Irlanda 2 - - 2 2 - 4 -
2ª jornada
27.03.2021 – Sérvia – Portugal – 2-2
27.03.2021 – Irlanda – Luxemburgo – 0-1
Portugal – Azerbaijão (Mundial 2022 – Qualif.)
Allianz Stadium, Turim
Portugal – Anthony Lopes, João Cancelo, Rúben Dias, Domingos Duarte, Nuno Mendes, Pedro Neto (63m – Rafa Silva), João Moutinho (45m – Bruno Fernandes), Rúben Neves (88m – João Palhinha), Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva (88m – Sérgio Oliveira) e André Silva (75m – João Félix)
Azerbaijão – Shakhrudin Magomedaliyev, Maksim Medvedev, Elvin Badalov, Badavi Hüseynov, Anton Krivotsyuk, Abbas Hüseynov (45m – Anatolii Nuriiev), Emin Makhmudov (84m – Aleksey Isaev), Vugar Mustafayev (45m – Ismayil İbrahimli), Azer Salahli, Mahir Emreli (84m – Namik Alaskarov) e Ali Ghorbani (85m – Ramil Sheydaev)
1-0 – Maksim Medvedev (p.b.) – 36m
Cartões amarelos – Bruno Fernandes (82m); Mahir Emreli (52m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Finalizados os 90 minutos (mais o inerente tempo de compensação) a questão que, inevitavelmente, perdura é: como foi possível que a selecção portuguesa não conseguisse “marcar” neste jogo?
Mesmo perante adversários que apresentam evidentes debilidades, raramente Portugal exerceu um domínio tão avassalador, instalando-se, praticamente de início a fim, no meio-campo contrário – em boa verdade, mais próximo da área -, sem que o oponente assumisse qualquer iniciativa, ou, sequer, se atrevesse a engendrar um lance ofensivo.
Com uma equipa que mostrou algum desequilíbrio nas suas acções, com as jogadas de ataque predominantemente carriladas pelo flanco direito, muito pela iniciativa de Pedro Neto, a equipa portuguesa empurrou a formação adversária para a sua zona mais recuada, com duas linhas de defesa praticamente sobrepostas, numa inusitada aglomeração de jogadores em tão reduzido espaço de terreno.
Portugal terá começado por denotar alguma ansiedade, procurando atacar “depressa demais”, com mais de 15 remates na primeira parte, dos quais, contudo, apenas cinco enquadrados com a baliza, numa sucessão “interminável” de cruzamentos, sempre a esbarrar numa “parede”.
Por curiosidade o que acabaria por ser o único golo da partida viria a decorrer de uma situação algo caricata: um lançamento em profundidade de Rúben Neves, com o guardião a antecipar-se, a socar a bola contra um seu colega de equipa, do que resultaria o seu ressaltar para dentro da baliza…
Pensou-se que o mais difícil – quebrar a resistência do opositor – estaria feito e que a selecção lusa poderia serenar e organizar melhor o seu ataque. Porém, não tendo o cariz de jogo sofrido qualquer alteração por parte do Azerbaijão, a equipa nacional viria gradualmente a baixar a intensidade de jogo, evidenciando inesperadas dificuldades para conseguir criar flagrantes ocasiões de golo. Ao contrário, à passagem dos 70 minutos, seria a formação adversária a provocar um pequeno susto, num remate que sairia por cima da baliza.
Nem de bola parada Portugal conseguia mostrar maior discernimento, com tentativas sempre desinspiradas. O melhor lance do desafio surgiria já na sua parte final, por João Félix, com o guarda-redes a salvar a sua baliza com uma defesa com a perna…
Como pano de fundo deste jogo – num contexto muito particular, jogado sem público, em campo neutro, inserido numa série de três jornadas a disputar numa única semana – perdura a preocupação com algum aparente “conformismo” mostrado pela selecção portuguesa, a partir de determinada altura como que “satisfeita” com a vantagem tangencial, porventura já a pensar no próximo compromisso, na Sérvia, apenas 72 horas depois.
GRUPO A Jg V E D G Pt 1º Sérvia 1 1 - - 3 - 2 3 2º Portugal 1 1 - - 1 - 0 3 3º Luxemburgo - - - - - - - - 4º Irlanda 1 - - 1 2 - 3 - 5º Azerbaijão 1 - - 1 0 - 1 -
1ª jornada
24.03.2021 – Portugal – Azerbaijão – 1-0
24.03.2021 – Sérvia – Irlanda – 3-2
Mundial 2022 – Sorteio da Fase de Qualificação
Realizou-se hoje, em Zurique, o sorteio da Fase de Qualificação para o Mundial 2022 de Futebol, no que respeita à zona europeia, com a seguinte constituição dos Grupos:
Grupo A Grupo B Grupo C Portugal Espanha Itália Sérvia Suécia Suíça Irlanda Grécia Irlanda Norte Luxemburgo Geórgia Bulgária Azerbaijão Kosovo Lituânia Grupo D Grupo E Grupo F França Bélgica Dinamarca Ucrânia País da Gales Áustria Finlândia R. Checa Escócia Bósnia-Herzeg. Bielorrússia Israel Cazaquistão Estónia Ilhas Faroé Moldávia Grupo G Grupo H Grupo I Grupo J Países Baixos Croácia Inglaterra Alemanha Turquia Eslováquia Polónia Roménia Noruega Rússia Hungria Islândia Montenegro Eslovénia Albânia Macedónia N. Letónia Chipre Andorra Arménia Gibraltar Malta San Marino Liechtenstein
Tendo a Europa direito a 13 selecções na Fase Final do Mundial, das 55 participantes na qualificação, apenas o vencedor de cada um dos 10 Grupos de Qualificação terá acesso directo à referida Fase Final; os dez segundos classificados disputarão (juntamente com duas selecções a apurar com base na Liga das Nações), em sistema de “play-off”, as restantes três vagas de apuramento.
Croácia – Portugal (Liga das Nações – 6.ª Jornada)
Croácia – Dominik Livaković, Josip Juranović, Dejan Lovren, Mile Škorić, Domagoj Bradarić, Luka Modrić, Marko Rog, Mateo Kovačić (90m – Toma Bašić), Nikola Vlašić (83m – Mislav Oršić), Ivan Perišić e Mario Pašalić (64m – Josip Brekalo)
Portugal – Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Dias, Rúben Semedo, Mário Rui (71m – João Cancelo), Danilo Pereira (77m – Sérgio Oliveira), João Moutinho, Bruno Fernandes (45m – Francisco Trincão), João Félix (71m – Bernardo Silva), Diogo Jota (77m – Paulinho) e Cristiano Ronaldo
1-0 – Mateo Kovačić – 29m
1-1 – Rúben Dias – 52m
1-2 – João Félix – 60m
2-2 – Mateo Kovačić – 65m
2-3 – Rúben Dias – 90m
Cartões amarelos – Marko Rog (23m) e Ivan Perišić (57m); Cristiano Ronaldo (54m)
Cartão vermelho – Marko Rog (51m)
Árbitro – Michael Oliver (Inglaterra)
A selecção de Portugal concluiu a sua participação na segunda edição da “Liga das Nações”, com um bom triunfo, na Croácia, ante o actual vice-campeão do Mundo, culminando assim uma muito boa campanha, contudo insuficiente para alcançar o objectivo da qualificação para a fase final da prova.
Não obstante a vitória, o seleccionador nacional, Fernando Santos, não se mostrou nada agradado com a atitude da equipa, dentro de campo, neste jogo de despedida.
Efectivamente, o conjunto português obteve um resultado algo lisonjeiro, beneficiando muito da feliz conjugação de algumas circunstâncias: em primeiro lugar, a expulsão, praticamente no início da segunda parte, de um jogador croata; depois, o facto de – não existindo “VAR” nesta fase preliminar da competição -, o árbitro não ter visto um ligeiro toque com a mão na bola, por parte de Diogo Jota, imediatamente antes de fazer a assistência que proporcionou a João Félix a marcação do segundo golo; por fim, uma desastrada intervenção do guardião Livaković, o qual, ao chocar com um colega, deixou escapar a bola das mãos, surgindo, com grande sentido de oportunidade, Rúben Dias, a marcar o tento (o seu segundo da noite) que, já em período de compensação, selaria o triunfo de Portugal…
Isto, sem prejuízo de, praticamente desde início, ter sido a selecção nacional a assumir a iniciativa, pese embora sem resultados práticos, não aproveitando, nessa fase, as debilidades que a defensiva da casa ia denotando, tendo a melhor ocasião de perigo sido desperdiçada por Diogo Jota, a rematar, de cabeça, mas ao lado da baliza.
Até que, praticamente com meia hora de jogo, ao invés, a Croácia, algo contra a designada “corrente do jogo”, aproveitaria as facilidades concedidas pela defesa lusa, com Rúben Semedo, já algo em desequilíbrio a fazer um defeituoso corte (incompleto), sobrando a bola para os croatas, com um primeiro remate defendido por Rui Patrício, mas, na recarga, Kovačić abria mesmo a contagem.
Até final do primeiro tempo, Portugal apenas teria mais um lance digno de registo, com um forte remate de Danilo Pereira, mas à figura do guardião croata.
A toada do jogo alterar-se-ia substancialmente com a expulsão de Rog – por acumulação de amarelos, devido a duas faltas, tão claras, como escusadas. De imediato, na cobrança da falta que originara a expulsão, Cristiano Ronaldo rematou forte, para defesa apertada de Livaković, surgindo Rúben Semedo a rcuperar, assistindo o outro defesa central português, Rúben Dias, que não hesitou, restabelecendo o empate.
A equipa portuguesa instalara-se no meio-campo adversário, pelo que não surpreendeu que, em menos de dez minutos, tivesse operado a reviravolta no marcador, no tal lance em que Diogo Jota, já próximo da linha de fundo, centrou atrasado para João Félix.
Mas o pior estava para vir: contrariamente ao que seria a expectativa, a vantagem portuguesa não durou mais de cinco minutos; mesmo reduzida a dez elementos, a Croácia repunha a igualdade.
Até final, num período incaracterístico, com a Croácia mais a pensar em preservar o empate, que – em função da derrota que a Suécia ia desenhando em Paris – lhe permitia manter-se no 1.º escalão desta competição, mas sem um controlo de jogo definido, Portugal acabaria mesmo por chegar à vitória, com Rúben Dias (que se estreara a marcar) a bisar, isto já depois de Bernardo Silva ter tido outra oportunidade.
No final, fica um sabor “agridoce”: tal como em relação à forma (e correspondente exibição) como foi obtida esta vitória, na derradeira ronda, Portugal, tendo obtido bons resultados ao longo desta fase de qualificação (vitórias em todos os quatro jogos ante a Croácia e a Suécia, em casa e fora, e empate em Paris, com o Campeão do Mundo), não alcançou o objectivo, deixando a pairar a sensação de que, com os recursos de que actualmente dispõe, tal teria sido possível.
Portugal – França (Liga das Nações – 5.ª Jornada)
Portugal – Rui Patrício, João Cancelo, José Fonte, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, William Carvalho (56m – Diogo Jota), Danilo Pereira (84m – Sérgio Oliveira), Bruno Fernandes (72m – João Moutinho), João Félix (84m – Paulinho), Bernardo Silva (71m – Francisco Trincão) e Cristiano Ronaldo
França – Hugo Lloris, Benjamin Pavard, Raphaël Varane, Presnel Kimpembe, Lucas Hernández, Adrien Rabiot, N’Golo Kanté, Paul Pogba, Kingsley Coman (59m – Marcus Thuram), Anthony Martial (78m – Olivier Giroud) e Antoine Griezmann
0-1 – N’Golo Kanté – 54m
Cartões amarelos – Danilo Pereira (31m); Hugo Lloris (62m), N’Golo Kanté (79m) e Lucas Hernández (82m)
Árbitro – Tobias Stieler (Alemanha)
Num grupo com a concorrência do Campeão do Mundo, e após um desempenho quase perfeito até à data, bastou um único jogo para – ainda antes da derradeira ronda – confirmar o afastamento de Portugal da fase final desta segunda edição da Liga da Nações, prova da qual conquistara o troféu inaugural, há dois anos.
Porventura excessivamente concentrada na missão de procurar evitar sofrer golos, e ao invés do que tinha sucedido há cerca de um mês em Paris, a equipa portuguesa sentiu-se, desde início, manietada pela organização francesa, com o meio-campo gaulês a impor-se, a não dar a possibilidade aos jogadores adversários de ter a bola, vendo-se forçados a, em vão, correr atrás dela.
Algo paradoxalmente, a tais preocupações defensivas acabou por estar associada uma notória falta de agressividade na procura da recuperação da bola, pelo que não surpreendeu o caudal ofensivo da selecção francesa, com Kanté a pautar o jogo na zona intermediária – perante a passividade da dupla William Carvalho e Danilo Pereira -, ao mesmo tempo que Griezmann gozava de ampla liberdade de manobra.
Assim, coube a Rui Patrício, com um par de intervenções apertadas, a salvaguarda do nulo na nossa baliza, negando o golo aos avançados Coman e Martial, este último particularmente “desinspirado”, incapaz de levar a melhor sobre o guardião nacional.
Quando se ansiaria por uma resposta mais assertiva no início da segunda parte, Portugal cede se veria em desvantagem no marcador, curiosamente, na sequência de uma defesa incompleta de Rui Patrício a remate de Rabiot, a deixar fugir a bola para a recarga, sem apelo, de N’Golo Kanté.
O seleccionador, Fernando Santos, reagiria de pronto, mas talvez tardiamente, fazendo entrar Diogo Jota para o lugar de William Carvalho. Também já com João Moutinho e Francisco Trincão em campo, a equipa portuguesa teria ainda uma fase promissora, culminando num remate de José Fonte ao poste, para além de uma atenta defesa de Lloris a remate de João Moutinho.
Mas, como tantas vezes sucede nestas ocasiões, o tempo corria contra nós, e a equipa acabou por não ter a capacidade de quebrar a barreira francesa, pelo que, mantendo-se inalterado o resultado – e sendo um eventual empate pontual no final desta fase de grupos decidido em função do confronto directo – a selecção Campeã do Mundo garantia automaticamente o apuramento para a “Final Four” da Liga das Nações.
No final, o treinador português não conseguia encontrar explicações para a forma algo amorfa como a sua equipa actuara, restando render-se à evidência de ter defrontado um adversário que – após uma derrota (0-1) na Final do “EURO 2106” e um nulo registado na primeira volta, em dois jogos realizados em França – se superiorizou, marcando pela primeira (e única) vez, ao terceiro jogo…




