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Desempate por grandes penalidades nos Mundiais e Europeus – 2004-2012


(clicar na imagem para ampliar)

A propósito da polémica suscitada pelo facto de Cristiano Ronaldo ter sido reservado para marcar o quinto pontapé da marca de grande penalidade, no desempate do jogo Portugal-Espanha (acabando, por força das circunstâncias, por ficar privado da sua tentativa), procedi a levantamento das situações de desempate verificadas nos Campeonatos da Europa de 2004, 2008 e 2012, e dos Campeonatos do Mundo de 2006 e 2010.

No total, registaram-se 12 casos de empate no final do prolongamento, com o consequente desempate por via desta fórmula: 2 em cada uma das competições de 2004, 2008, 2010 e 2012; 4 em 2006.

Das 111 tentativas, 77 foram convertidas em golo (69,4%); 19 foram defendidas pelos guarda-redes (17,1%) – o que significa um total de 96 remates enquadrados com a baliza (86,5%) – apenas tendo 15 remates tido outra direcção: 5 a embater na trave e 2 no poste; 4 ao lado, e outros 4 por alto.

Na sequência de remates (sendo que apenas por duas vezes se completaram as 10 tentativas previstas regulamentarmente) – e exceptuando o 9º remate, pela sua particularidade de ter sido a tentativa decisiva em 7 dos casos, com 100% (!) de aproveitamento, nas 9 situações em que ocorreu (daí alguma lógica em procurar reservar o melhor rematador para a 5ª tentativa da equipa, que pode vir a revelar-se determinante – o remate mais bem sucedido tem sido o 3º (83% de eficácia); no pólo oposto, aqueles em que se tem verificado maior propensão ao erro são o 6º (apenas 50% de eficácia) e, sobretudo, o 8º (com apenas 30% de aproveitamento, surgindo os guarda-redes particularmente “inspirados”, com 50% de defesas!).

O que nos conduz a uma outra conclusão: a de as equipas que iniciam a marcação parecerem ser de alguma forma beneficiadas (pelo efeito psicológico da tensão nervosa que se gera em que vai rematar em desvantagem, pelo menos momentânea); efectivamente, em 9 destes 12 casos, a equipa que marcou primeiro acabou por vencer!

Apenas conseguiram superar tal tendência: Portugal e Holanda (no EURO 2004, respectivamente frente à Inglaterra e Suécia); e Turquia (no EURO 2008, frente à Croácia).

Em termos aritméticos, o pior resultado foi o da Suíça, frente à Ucrânia, no Mundial 2006, perdendo por 0-3, tendo permitido, nas três tentativas de que dispôs, duas defesas do guarda-redes, e rematado uma vez à trave.

Os jogos em que os rematadores foram mais eficazes foram o Itália-França (Mundial 2006) e o Paraguai-Japão (Mundial 2010), em ambos os casos apenas com uma falha (remates à trave). Ao invés, aqueles em que estiveram mais desastrados foram, para além do referido Ucrânia-Suíca (4 falhas em 7 tentativas), o Portugal-Inglaterra (5 falhas, em 9 – com destaque para as 3 defesas de Ricardo aos 4 remates ingleses, um record) e o Croácia-Turquia (3 falhas, em 7).

A Inglaterra é a principal “vítima” deste sistema de desempate, derrotada por 3 vezes (nos Europeus de 2004 e 2012 e no Mundial de 2006), sendo que duas dessas vezes foram frente a Portugal.

A selecção portuguesa caiu agora pela primeira vez (face à Espanha), depois dos dois êxitos anteriores (em 2004 e 2006), contra os ingleses.

Tal como Portugal, também a Itália regista dois triunfos (um deles na Final do Mundial 2006, contra a França) e um desaire (em 2008, com a Espanha).

A Espanha regista 100% de aproveitamento, nas duas ocasiões em que enfrentou a marca dos pontapés de grande penalidade (nos Europeus de 2008 e 2012), de ambas as vezes, selando a vitória no 9º remate, ou seja, no 5º da sua série… e ambos transformados por Cesc Fàbregas.

29 Junho, 2012 at 1:55 pm Deixe um comentário

EURO 2012 – 1/2 Finais – Portugal – Espanha

PortugalEspanha0-0 (2-4 g.p.)

Num jogo de grandes cautelas, de parte a parte, com ambas as selecções a evidenciarem respeito mútuo, o primeiro lance de sensação ocorreu aos 10 minutos, com um remate de ressaca de Arbeloa, depois de um alívio incompleto da defesa portuguesa, a levar muito perigo à baliza portuguesa, mas, felizmente, a bola a sair algo por cima.

No minuto 13 seria Portugal a responder “à letra”: Cristiano Ronaldo, numa excelente iniciativa, a ir até à linha de fundo, no flanco esquerdo, e a cruzar de forma perfeita para Nani, que ainda ameaçou Casillas… com o guardião espanhol a retirar-lhe o “pão da boca” (no caso, a bola da cabeça).

À passagem do quarto de hora, Portugal, como que tendo despertado de alguma timidez incicial, levaria novamente o perigo até à área espanhola, uma vez mais por intermédio de Cristiano Ronaldo: sofrendo uma falta de Piqué, outra vez no flanco esquerdo, quase sobre a linha de área, próximo da linha de fundo… mas, do livre, nada resultaria, com a bola a quedar-se na barreira.

Até aos 29 minutos, Portugal, com uma exibição muito personalizada, não só emperrou o tradicional sistema de jogo espanhol, como teve o controlo do jogo, e o predomínio da iniciativa atacante. Até que, num rápido contra-ataque, um momento de desconcentração permitiu que bola chegasse a um liberto Iniesta, que visaria a baliza, com muito perigo, com a bola a sair ligeiramente por alto.

Respondendo de imediato, aos 31 minutos seria a selecção portuguesa a estar muito perto do golo, na sequência de um roubo de bola de João Moutinho, que assistiu Cristiano Ronaldo, para um remate rasteiro, sesgado, a rasar o poste da baliza de Casillas, provocando inevitável calafrio.

Até final da primeira parte, em especial nos derradeiros dez minutos, a Espanha retomaria algum ascendente, acercando-se com mais insistência da zona defensiva portuguesa, mas a equipa mantinha muito acerto nas marcações.

Com um desempenho muito bom do conjunto de Portugal, haveria ainda oportunidade para Cristiano Ronaldo (quem mais poderia ser?…) “fabricar” um cartão amarelo, numa arrancada em que começava a embalar, sendo travado em falta por Sergio Ramos. Também Fabio Coentrão veria o amarelo, já em período de compensação, talvez devido a um desentendimento com o banco espanhol (com o guarda-redes suplente Reina).

Os primeiros minutos do segundo tempo seriam jogados em toada ainda mais morna, apenas com dois ensaios de remate de Hugo Almeida a procurar despertar da sonolência em que a partida ameaçava poder cair.

Com Del Bosque insatisfeito com o rumo que o jogo vinha tomando, faria duas substituições relativamente cedo. E a verdade é que, nos minutos imediatos, a Espanha começaria a apertar o cerco, com Pepe e João Pereira a terem de recorrer à falta, vendo amarelos; na sequência do livre a sancionar a falta de João Pereira, haveria a primeira sensação de perigo desta etapa complementar. Pouco depois, um remate de longe de Xavi saiu à figura de Rui Patrício, que encaixou com segurança.

Aos 72 minutos, conseguindo libertar-se, Portugal teria uma boa iniciativa, que originaria mais uma falta sobre Cristiano Ronaldo; o próprio marcaria o livre, em posição quase frontal, mas ainda longe da baliza; o remate, potente, seria ligeiramente acima do travessão.

De forma incrivelmente rápida, sem que se desse por isso, o tempo voava: estávamos já no derradeiro quarto de hora! Portugal continuava a somar cantos (6-2, nessa altura), mas sem a imperiosa eficácia que esse tipo de lances exigia.

Ao minuto 80, novo livre para Portugal, com Miguel Veloso a rematar relativamente fraco, para a defesa fácil de Casillas. A Espanha parecia cair de rendimento em termos físicos.

Mais três minutos, e mais um livre para Portugal; nova tentativa de Cristiano Ronaldo, com a bola a embater na barreira, considerando o árbitro que Arbeloa fez contacto com o braço… o que originaria novo livre, um pouco mais à frente. Ronaldo com a mira alta, rematou, uma vez mais, por cima da baliza.

No último minuto, a Espanha beneficiaria de um livre descaído sobre o lado esquerdo, que a defesa portuguesa rechaçaria, lançando um rápido contra-ataque, com Cristiano Ronaldo, isolado no flanco esquerdo, a receber a bola de Raúl Meireles, beneficiando de uma soberana ocasião de golo, mas, ainda afastado da baliza, pressionado por Piqué, remataria de forma algo precipitada, não conseguindo acertar no alvo. Gorava-se uma oportunidade que seria decisiva.

Sem que nenhuma das equipas tivesse sido capaz de fazer muito por o evitar, íamos para prolongamento… com o senão de os cinco elementos mais recuados da equipa portuguesa terem visto já, todos, o cartão amarelo.

No prolongamento, quando talvez já não esperasse muito, o “momento do jogo” surgiria ao minuto 104, quando, na sequência de um bom domínio de bola de Pedro Rodríguez,  no flanco esquerdo, passando para Jordi Alba, liberto de marcação, a cruzar para Iniesta, já na zona da pequena área, tentar desviar a bola do alcance do guardião luso, mas Rui Patrício, muito atento, com excelentes reflexos, a responder à altura.

Haveria ainda tempo, a fechar a primeira parte do prolongamento, para um livre para Espanha, sendo agora a vez de Xabi Alonso rematar por alto…

Aos 107 minutos, num roubo de bola de Fábio Coentrão, originou mais um lance de contra-ataque, mas Sergio Ramos antecipou-se ao remate de Cristiano Ronaldo.

Mais três minutos decorridos, um remate perigoso de Jesús Navas, com Rui Patrício a defender, e Pepe a evitar a recarga.

Aos 114 minutos, a Espanha teria a última grande oportunidade de golo, num rápido contra-ataque de Pedro Rodríguez, muito perigoso, a surgir isolado, mas com Fábio Coentrão, vindo de trás, “in extremis”, a conseguir fazer o desarme, na “Hora H”!

A selecção espanhola, aparentando dispor de maiores reservas em termos físicos, fora bastante mais perigosa no prolongamento, com a equipa portuguesa a desunir-se um pouco. A decisão iria para os pontapés da marca de grande penalidade!

Onde – entre a bola que bate na trave e sai e a bola que bate no poste e entra, com a felicidade, caprichosamente, a pender para o lado dos Campeões da Europa e Campeões do Mundo -, a equipa portuguesa, com uma excelente campanha na prova, com exibições de grande categoria, demonstrando um verdadeiro conjunto, acabaria por ver-se arredada da Final, tendo de se satisfazer com mais um 3º lugar, repetindo a classificação dos Europeus de 1984 e 2000, e do Mundial 1966.

Desempate da marca de grande penalidade

Xabi Alonso permitiu a defesa a Rui Patrício
João Moutinho permitiu a defesa a Iker Casillas
0-1 – Andrés Iniesta
1-1 – Pepe
1-2 – Gerard Piqué
2-2 – Nani
2-3 – Sergio Ramos
Bruno Alves rematou à trave
2-4 – Cesc Fàbregas – rematou ao poste, mas a bola acabou por entrar…

Portugal Rui Patrício, João Pereira, Pepe, Bruno Alves e Fábio Coentrão, Miguel Veloso (105m – Custódio), Raul Meireles (113m – Varela), João Moutinho, Nani, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida (81m – Nélson Oliveira)

Espanha Iker Casillas, Álvaro Arbeloa, Gerard Piqué, Sergio Ramos, Jordi Alba, Xavi Hernández (87m – Pedro Rodríguez), Sergio Busquets, Xabi Alonso, Andrés Iniesta, David Silva (60m – Jesús Navas) e Álvaro Negredo (54m – Cesc Fàbregas)

“Melhor em campo” – Sergio Ramos (Espanha)

Amarelos – Fábio Coentrão (45m), Pepe (61m), João Pereira (64m), Bruno Alves (86m) e Miguel Veloso (90m); Sergio Ramos (40m), Sergio Busquets (60m), Álvaro Arbeloa (84m) e Xabi Alonso (113m)

Árbitro – Cüneyt Çakır (Turquia)

Donbass Arena – Donetsk (19h45)

27 Junho, 2012 at 2:21 pm 1 comentário

EURO 2012 – 1/4 Final – R. Checa – Portugal

R. ChecaPortugal0-1

Atingidos novamente os 1/4 Final, tal como no Europeu anterior, nesta primeira partida a eliminar, a selecção portuguesa denotou alguma dificuldade em “agarrar o jogo” logo de entrada, permitindo à R. Checa as primeiras iniciativas de ataque, ganhando dois cantos logo nos minutos iniciais.

Mas rapidamente inverteria a tendência do jogo, passando a bola a  rondar, de forma mais insistente, a zona defensiva checa, que, até meio da primeira parte, foi ainda ensaiando alguns lances de contra-ataque, procurando provocar ocasiões de perigo, com destaque para uma situação em que Pepe cortou no último instante.

A partir dos 25 minutos, a R. Checa começou, instintivamente, a recuar no terreno, formando como que duas linhas defensivas, separadas por pouco mais de dez metros, uma praticamente em cima da linha de área, a outra um pouco mais à frente no terreno. Em paralelo, começavam a rarear as suas tentativas de saída em contra-ataque.

A equipa de Portugal, procurando um tipo de futebol directo, com lançamentos em profundidade, teria então muitas dificuldades em controlar a bola nos metros finais do seu ataque, perante os dois blocos defensivos da R. Checa, que não deixavam espaços livres.

Não obstante, Fábio Coentrão ia desenvolvendo uma boa exibição, muito esforçado, sempre muito em jogo, ao mesmo tempo que Cristiano Ronaldo procurava também dar “prova de vida”, com um pontapé de bicicleta na zona da pequena área, a sair ao lado, e na marcação de um livre.

Já em período de compensação do primeiro tempo, um momento de pura magia de Cristiano Ronaldo, a dominar a bola de forma magnífica, com excelente “nota artística”, retirando o adversário do lance, acabando por rematar… ao poste.

Ao intervalo, a leitura que se proporcionava era de que Portugal necessitava jogar com mais cabeça, pensar melhor o jogo, dominar a bola, evitando a forma algo precipitada com que actuou, para, quando tal se proporcionar, imprimir então maior velocidade, no momento das transições ofensivas.

Logo no reinício do encontro, Hugo Almeida (que entrara a substituir o lesionado Hélder Postiga), na sequência de um bom cruzamento de Raul Meireles, cabeceou de primeira, mas ligeiramente ao lado, desperdiçando mais uma excelente ocasião de golo.

E, ao quarto minuto, num livre, marcado ainda à distância, um remate em potência de Cristiano Ronaldo, novamente a acertar… no poste!

Aos nove minutos, Cristiano Ronaldo, a conseguir desmarcar-se, “encheu o pé”, mas não apanhou a bola “a jeito”, pelo que acabou por sair ao lado da baliza.

Os cantos a favor de Portugal sucediam-se (já em número de sete, aos 55 minutos). Perante uma como que atordoada R. Checa, Portugal tinha uma excelente reentrada em jogo; parecia adivinhar-se o golo.

Minuto doze: João Moutinho a recuperar a bola a meio-campo, e remate perigoso de Nani, a obrigar Petr Čech a uma defesa de recurso, para a frente.

No lance imediato, Hugo Almeida, de cabeça, conseguiria mesmo introduzir a bola na baliza checa, dando boa sequência a um cruzamento; só que estava em posição de fora-de-jogo…

Apenas ao quarto de hora da segunda parte a R. Checa conseguiria, pela primeira vez, libertar-se do sufoco, provocando um calafrio na defesa portuguesa, quando Pepe escorregou (possivelmente consequência do mau estado do terreno, que, ao longo do jogo, originou inúmeros deslizes).

Aos 63 minutos, Nani, na sequência de uma jogada envolvente, hesitou em rematar, a bola sobrou para João Moutinho, que de meia-distância, fez um potente remate, novamente com  o guardião checo a ter de aplicar-se, defendendo para canto.

Aos 71 minutos, já em plena área, Cristiano Ronaldo, em acção esforçada, para se conseguir coordenar com a bola, conseguiu um passe ligeiramente atrasado, para a entrada de Raul Meireles, que, na passada, rematou por alto.

Mais três minutos, uma boa jogada de envolvência, agora com Meireles a libertar para Nani, que, de primeira, remataria ligeiramente ao lado.

Aproximava-se a fase derradeira do encontro, num jogo de enorme desgaste físico para a selecção portuguesa (com os checos praticamente sempre acantonados nas imediações da sua zona defensiva)… e, ainda, sem a mais que merecida recompensa.

Que, depois de tanto porfiar, acabaria mesmo por chegar… na “melhor altura”: um lance de antologia, com João Moutinho, excelente, a “furar” a defesa checa, a ir à procura do espaço para cruzar da direita, já perto da linha de fundo, e Cristiano Ronaldo, absolutamente pujante, numa espécie de “salto de peixe”, cabeceando de cima para baixo, com a bola ainda a bater no chão, fulminava a baliza, sem hipóteses para Petr Čech. Fazia-se finalmente justiça no marcador!

Aos 82 minutos, numa boa execução de Nani, a desmarcar João Pereira, que, também em força, tentou a sua sorte, mas o atento Čech fez o habitual: defesa, e mais um canto (o 11º!).

Até final, os checos, já em desespero, tentariam finalmente sair da defesa, mas Portugal não permitira tal veleidade, à excepção de uma situação pontual, em que a R. Checa conseguiu um canto, já no último minuto do período de compensação, sem consequências… nem as que poderiam ter decorrido do facto de Čech também ter ido “lá à frente”, até à zona da pequena área (!) portuguesa, abandonando a sua baliza. Tendo assentado o seu jogo, Portugal dominara por completo, em todas as vertentes, a etapa complementar da partida.

Depois de 2004 (e 2000 e 1984), Portugal volta a marcar presença nas 1/2 Finais do Campeonato da Europa!


(Foto AFP – Via galeria no Jornal de Notícias)

R. Checa Petr Čech, Theodor Gebre Selassie, Tomás Sivok, Michal Kadlec, David Limberský, Tomáš Hübschman (86m – Tomáš Pekhart), Jaroslav Plašil, Petr Jirácek, Vladimír Darida (61m – Jan Rezek), Václav Pilař e Milan Baroš

Portugal Rui Patrício, João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles (88m – Rolando), João Moutinho, Nani (84m – Custódio), Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (40m – Hugo Almeida)

0-1 – Cristiano Ronaldo – 79m

“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo

Amarelos – Nani (26m) e Miguel Veloso (27m); David Limberský (90m)

Árbitro – Howard Webb (Inglaterra)

Estádio Nacional Narodowy – Varsóvia (19h45)

21 Junho, 2012 at 7:59 pm Deixe um comentário

EURO 2012 – Grupo B – 3ª jornada – Portugal – Holanda

PortugalHolanda2-1

Parecendo confiar na (vitória da) Alemanha, e escudado na possibilidade de, inclusivamente, poder perder por um golo de diferença, Portugal entrou em campo, frente à Holanda, numa toada expectante, de “esperar para ver”, assim concedendo a iniciativa atacante aos adversários.

Que não se fizeram rogados, empurrando, logo desde início, a equipa portuguesa para as imediações da sua área. E, depois de dois “avisos”, acabariam mesmo por chegar ao golo, apenas com 11 minutos decorridos.

Parece que foi o melhor que poderia acontecer à selecção de Portugal… A partir daí (tal como sucedera nos dois jogos anteriores, quando em posição desvantajosa) mudou radicalmente de atitude, passando a assumir o controlo de bola e, também, o domínio do jogo.

Com a Holanda a continuar a ter de arriscar, começaram a surgir espaços para as ofensivas portuguesas, perante uma defesa holandesa com muitas dificuldades “em se encontrar”.

Primeiro, aos 18 minutos, Hélder Postiga a surgir completamente isolado na cara do guardião holandês, mas a não ter o discernimento para concretizar o golo, rematando ligeiramente ao lado. Para, pouco depois – e quando a Alemanha, inaugurando o marcador no outro jogo, aos 19 minutos, voltara a recolocar Portugal em posição de apuramento – ser Cristiano Ronaldo, também numa boa posição para poder marcar, a cabecear à figura de Stekelenburg.

O mesmo Cristiano Ronaldo não vacilaria contudo, apenas com 28 minutos (e, com a Dinamarca já empatada a um golo, desde o minuto 24, empurrando Portugal novamente para “fora do EURO”), dando a melhor conclusão a uma excelente desmarcação, culminando uma magnífica abertura de João Pereira, com um remate fora do alcance do guarda-redes adversário, dirigindo a bola para o fundo das redes.

Com a igualdade a um em ambos os campos, Portugal voltava a “entrar” na prova. E o jogo prosseguiria com a mesma toada, com Portugal a dominar por completo a batalha a meio-campo, sem que os holandeses conseguissem “pegar no jogo”, e, a criar mais oportunidades: ao minuto 32, uma “bomba” de Cristiano Ronaldo – hoje a dar sinais de maior motivação, e sobretudo, mais confiança – a obrigar Stekelenburg a aplicar-se a fundo, com uma defesa de recurso, para a frente.

Depois de um primeiro tempo a alta rotação, com o “jogo partido”, com ambas as equipas com os olhos apenas no ataque, a segunda parte iniciar-se-ia em ritmo bastante mais moderado.

A Holanda, a necessitar de ganhar por dois para manter algumas aspirações ao apuramento, ia procurando acelerar o ritmo de jogo, com dois “avisos” quase consecutivos, a findar o primeiro quarto de hora.

Portugal jogava então, assumidamente, em contra-ataque, com rápidas transições. Aos 72 minutos, Nani teria uma soberana ocasião de desempatar a partida, mas não teve a frieza necessária para ultrapassar o guarda-redes contrário, bem a arrojar-se ao chão, fazendo uma enorme “mancha”.

O melhor exemplo da forma de jogo de Portugal culminaria, de forma excelente, no segundo golo: bola recuperada na defesa por Pepe, a passar a Cristiano Ronaldo (que fora lá atrás dar uma ajuda), o qual, ao mesmo tempo que, de imediato, colocava a bola em João Moutinho, fazia uma veloz aceleração em direcção à área contrária, seguido de um rápido lançamento para Nani, na direita, e de um cruzamento de primeira, a rasgar toda a defesa holandesa, numa magnífica assistência para… Ronaldo, que, com a frieza que faltara dois minutos antes a Nani, dominou a bola, passou para o outro pé, sentou os defesas e rematou fora do alcance de Stekelenburg.

Nos minutos imediatos, Portugal provocaria ainda dois enormes sustos à defesa contrária, mas sem consequências. Já com a Dinamarca a perder, desde os 80 minutos, Portugal teria a sorte de ver um cabeceamento adversário a embater no poste da baliza de Rui Patrício.

Para, num minuto 90, um agora já super-confiante Cristiano Ronaldo, a entrar em drible, tirando os adversários do caminho, para rematar, com estrondo… ao poste!

Com uma estratégia inicial algo arriscada, Portugal teve a capacidade de compreender que as lacunas da defesa holandesa poderiam proporcionar golos, mas foi o domínio do meio-campo que se revelou crucial para assumir as rédeas da partida, e libertar a linha avançada para levar, por sucessivas vezes, o perigo até junto da baliza holandesa.

Com uma exibição muito bem conseguida, Portugal (novamente a afastar a Holanda, agora aureolada com o título de vice-campeã mundial, mas muito distante do seu melhor rendimento) garante o apuramento para os 1/4 Final, onde tem encontro marcado com a R. Checa, para uma desforra do EURO 96…

Precisamente desde 1996, foi esta a primeira vez que Portugal não ganhou o seu grupo de apuramento, o que, contudo, não assume relevância particular, face à quinta qualificação consecutiva para os 1/4 Final!

Portugal Rui Patrício, João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles (72m – Custódio), João Moutinho, Nani (87m – Rolando), Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (64m – Nélson Oliveira)

Holanda Maarten Stekelenburg, Gregory van der Wiel, Ron Vlaar, Joris Mathijsen, Jetro Willems (67m – Ibrahim Afellay), Nigel de Jong, Rafael van der Vaart, Arjen Robben, Robin van Persie, Wesley Sneijder e Klaas-Jan Huntelaar

0-1 – Rafael van der Vaart – 11m
1-1 – Cristiano Ronaldo – 28m
2-1 – Cristiano Ronaldo – 74m

“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo (Portugal)

Amarelos – João Pereira (90m); Jetro Willems (51m) e Robin van Persie (69m)

Árbitro – Nicola Rizzoli (Itália)

Estádio Metalist – Kharkiv (19h45)

17 Junho, 2012 at 9:36 pm Deixe um comentário

EURO 2012 – Grupo B – 2ª jornada – Dinamarca – Portugal

DinamarcaPortugal2-3

E, felizmente, os golos apareceram!

Contrariamente ao que poderia ser expectável foi a Dinamarca a surgir mais afoita, logo de entrada, empurrando a equipa portuguesa para a sua zona defensiva, obrigando-a a conceder três cantos nos 4 minutos iniciais da partida!

Não obstante, a partir do momento em que a selecção de Portugal conseguiu serenar, e “entrar em jogo”, rapidamente assumiu o controlo e a iniciativa do jogo, começando a explanar o seu futebol ofensivo.

Seria portanto com alguma naturalidade que, rapidamente, igualaria o adversário em número de cantos obtidos… com a pequena diferença de, num deles, na sequência de uma entrada fulgurante de Pepe, a antecipar-se de cabeça à defesa contrária, desviando a bola para a baliza, Portugal ter inaugurado o marcador.

Não desacelerando, a selecção nacional prosseguiria numa toada ofensiva, procurando consolidar a vantagem, o que conseguiria poucos minutos decorridos, num lance oportuno de Hélder Postiga. Isto depois de Cristiano Ronaldo ter já desperdiçado uma soberana oportunidade de golo, cara a cara com o guardião adversário, não tendo tido a frieza necessária para “picar a bola” por cima do último opositor.

Só que, quando se pensava que a vitória estava ali, à “mão de semear”, uma desconcentração da defesa portuguesa permitiria um inacreditável golo, com dois cabeceamentos da Dinamarca na zona da pequena área, o primeiro a cruzá-la, o segundo, a fazer com que inapelavelmente se anichasse nas redes da baliza lusa. Portugal começava a complicar o que parecia ter-se tornado relativamente fácil.

Mas o pior estaria para vir, no segundo tempo, em que, com a equipa portuguesa como que adormecida, durante uma longa meia hora, permitiu à Dinamarca assenhorear-se da iniciativa do jogo. Cristiano Ronaldo, em tarde desastrada (parecendo desligado do jogo, triste), desperdiçaria uma outra ocasião ainda mais flagrante de golo, completamente desmarcado, a cometer o mesmo erro do lance do primeiro tempo. E, no minuto imediato, o que se antecipava há largos minutos aconteceria mesmo: o tento do empate da Dinamarca.

Só então, a seis minutos do termo do encontro, Paulo Bento assumiria a necessidade (que era evidente há muito tempo…) de mexer na equipa, fazendo entrar Varela. Que, feliz – num lance em que até começara por, desenquadrado da bola, falhar o remate, tendo depois a extrema frieza de rematar de primeira, com o outro pé -, necessitaria de apenas três minutos para recolocar Portugal em posição de vantagem.

Faltava apenas praticamente o tempo de compensação, em que Portugal sofreria ainda um calafrio, mas a tentativa de remate à baliza sairia por alto.

Num jogo em que se sofreu imenso, de forma desnecessária, a equipa portuguesa, notoriamente superior ao adversário, garantia uma justa vitória. No próximo jogo com a Holanda, será necessário “estar em jogo” durante os 90 minutos, sem ausências como a hoje verificada durante cerca de meia hora da segunda parte…

Dinamarca Stephan Andersen, Lars Jacobsen, Simon Kjær, Daniel Agger, Simon Poulsen, William Kvist, Niki Zimling (16m – Jakob Poulsen), Dennis Rommedahl (60m – Tobias Mikkelsen), Christian Eriksen, Michael Krohn-Dehli (90m – Lasse Schøne) e Nicklas Bendtner

Portugal Rui Patrício, João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles (84m – Silvestre Varela), João Moutinho, Nani (89m – Rolando), Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (64m – Nélson Oliveira)

0-1 – Pepe – 24m
0-2 – Hélder Postiga – 36m
1-2 – Nicklas Bendtner – 41m
2-2 – Nicklas Bendtner – 80m
2-3 – Silvestre Varela – 87m

“Melhor em campo” – Pepe (Portugal)

Amarelos – Jakob Poulsen (56m) e Lars Jacobsen (81m); Raul Meireles (29m) e Cristiano Ronaldo (90m)

Árbitro – Craig Thomson (Escócia)

Arena Lviv – Lviv (17h00)

13 Junho, 2012 at 8:48 pm Deixe um comentário

EURO 2012 – Grupo B – 1ª jornada – Alemanha – Portugal

AlemanhaPortugal1-0

Entrando neste Europeu, uma vez mais, condicionada pelas polémicas suscitadas à volta do estágio em Óbidos, e pelas fracas exibições e resultados produzidos nos jogos de preparação, frente à Macedónia e à Turquia, a selecção portuguesa adoptou uma estratégia realista, procurando, em primeira análise, bloquear os espaços para as ofensivas alemãs, na expectativa de poder depois, em contra-ataque, espreitar a possibilidade de surpreender a equipa germânica.

O plano de jogo ia correndo bem, sem que a Alemanha criasse ocasiões de perigo, não obstante Portugal não ter tido também oportunidades de potenciar a sua estratégia, devido ao facto de não conseguir imprimir velocidade nas transições a partir da defesa.

Até que, a fechar o primeiro tempo, surgiria o lance que podia ter marcado (e, que, por outro lado, marcaria mesmo…) o jogo: Pepe, oportuno, a aproveitar um ressalto de bola na área alemã, rematou em força, de cima para baixo, com a bola a embater com estrondo na trave e a cair… em cima da linha de baliza; Portugal garantia o melhor “quase-golo” deste Europeu…

Na fase inicial da segunda parte, a toada de jogo não se alteraria substancialmente, com a Alemanha, respeitando Portugal, a experimentar grandes dificuldades para criar lances ofensivos, embora procurando pressionar cada vez mais.

À espera do erro, que aconteceria mesmo, a pouco mais de um quarto de hora do termo da partida; Mario Gomez, qual matador, não perdoaria. A Alemanha chegava ao golo… e à vitória.

A partir daí, com o tempo a correr de forma acelerada, a selecção portuguesa teria uma boa reacção, embora, naturalmente, “mais com o coração que com a cabeça”. Faltou então frieza e eficácia à equipa nacional, que não conseguiu aproveitar nenhum dos 11 (!) cantos que obteve…

Destaque para uma perdida de Varela, já muito próximo do final, na cara de Neuer, a não conseguir desviar a trajectória da bola do guardião alemão.

Estava consumado mais um desaire português frente aos alemães, repetindo o desfecho das partidas disputadas no Mundial 2006 e no Europeu 2008.

Golos precisam-se para o jogo com a Dinamarca, onde o “plano de jogo” terá de ser distinto: só a vitória interessa a Portugal…

Alemanha Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Mats Hummels, Holger Badstuber, Philipp Lahm, Sami Khedira, Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller (90m – Lars Bender), Mesut Özil (87m – Toni Kroos), Lukas Podolski e Mario Gomez (80m – Miroslav Klose)

Portugal Rui Patrício, João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão, Miguel Veloso, Raul Meireles (80m – Silvestre Varela), João Moutinho, Nani, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (70m – Nélson Oliveira)

1-0 – Mario Gomez – 72m

“Melhor em campo” – Mesut Özil (Alemanha)

Amarelos – Holger Badstuber (43m) e Jérôme Boateng (69m); Hélder Postiga (13m) e Fábio Coentrão (60m)

Árbitro – Stéphane Lannoy (França)

Arena Lviv – Lviv (19h45)

9 Junho, 2012 at 10:09 pm Deixe um comentário

Convocados para o Europeu 2012

Guarda-redes – Rui Patrício (Sporting), Eduardo (Benfica) e Beto (CFR Cluj)

Defesas – João Pereira (Sporting), Fábio Coentrão (Real Madrid), Miguel Lopes (Braga), Pepe (Real Madrid), Bruno Alves (Zenit), Rolando (FC Porto) e Ricardo Costa (Valencia)

Médios – Raúl Meireles (Chelsea), Miguel Veloso (Genoa), Carlos Martins (Granada), João Moutinho (FC Porto), Ruben Micael (Zaragoza), Silvestre Varela (FC Porto), Ricardo Quaresma (Besiktas) e Custódio (Braga)

Avançados – Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Nélson Oliveira (Benfica), Nani (Manchester United), Hélder Postiga (Zaragoza) e Hugo Almeida (Besiktas)

Acabam de ser anunciados os nomes dos 23 convocados para a selecção nacional de futebol na Fase Final do Europeu de 2012, com início no próximo dia 8 de Junho, na Polónia e Ucrânia.

Numa significativa remodelação em relação ao Mundial de 2010, entram nesta convocatória 11 jogadores: Rui Patrício, João Pereira, Miguel Lopes, Carlos Martins, João Moutinho, Ruben Micael, Silvestre Varela, Ricardo Quaresma, Custódio, Nélson Oliveira e Hélder Postiga (sendo que Rui Patrício, João Moutinho, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga repetem a presença no anterior Europeu, de 2008). De notar as estreias absolutas de Miguel Lopes e Custódio.

Ao invés, deixaram de integrar os seleccionados (face à pré-convocatória do Mundial): Daniel Fernandes, Miguel, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Duda, Pedro Mendes, Zé Castro, Tiago, Deco, Simão Sabrosa, Danny e Liedson. Para além das já esperadas ausências de Besiktas e Ricardo Carvalho, assinale-se a não convocatória de jogadores como Quim, Hugo Viana ou Manuel Fernandes, com boas épocas nos seus clubes.

Por exclusão de partes, repetem a convocatória de há dois anos: Eduardo, Beto, Bruno Alves, Rolando, Ricardo Costa, Fábio Coentrão, Pepe, Raúl Meireles, Miguel Veloso, Cristiano Ronaldo, Nani (que viria a ser excluído da convocatória final, por lesão, já na África do Sul) e Hugo Almeida.

Na convocatória hoje anunciada, o FC Porto e Real Madrid contam com 3 jogadores cada, seguindo-se o Benfica, Braga, Sporting, Zaragoza e Besiktas (todos com 2 cada).

Os quatro primeiros classificados do campeonato contribuem com 9 dos seleccionados, provindo os restantes 14 de equipas estrangeiras (7 dos quais alinhando no campeonato de Espanha).

14 Maio, 2012 at 8:34 pm Deixe um comentário

Sorteio da Fase Final do EURO 2012

     Grupo A         Grupo B         Grupo C         Grupo D

Polónia Holanda Espanha Ucrânia

Grécia Dinamarca Itália Suécia

Rússia Alemanha Irlanda França

R. Checa Portugal Croácia Inglaterra

2 Dezembro, 2011 at 6:55 pm Deixe um comentário

Portugal – Bósnia-Herzegovina (Europeu 2012 – “Play-off”)

Portugal – Rui Patrício; João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão; João Moutinho, Miguel Veloso, Nani (82m – Ricardo Quaresma), Raul Meireles (63m – Rúben Micael) e Cristiano Ronaldo; Hélder Postiga (84m – Carlos Martins)

Bósnia-Herzegovina – Asmir Begović, Adnan Zahirović, Sanel Jahić, Emir Spahić, Saša Papac, Elvir Rahimić (56m – Darko Maletić), Haris Medunjanin, Senad Lulić, Zvjezdan Misimović, Miralem Pjanić (65m – Muhamed Bešić) e Edin Džeko

1-0 – Cristiano Ronaldo – 8m
2-0 – Nani – 24m
2-1 – Zvjezdan Misimović – 41m
3-1 – Cristiano Ronaldo – 53m
3-2 – Emir Spahić – 65m
4-2 – Hélder Postiga – 72m
5-2 – Miguel Veloso – 80m
6-2 – Hélder Postiga – 82m

Cartões amarelos – Hélder Postiga (36m), Fábio Coentrão (40m) e Rúben Micael (77m); Emir Spahić (22m), Elvir Rahimić (43m), Haris Medunjanin (51m), Senad Lulić (54m), Edin Džeko (68m) e Saša Papac (79m)

Cartão vermelho – Senad Lulić (55m)

Árbitro – Wolfgang Stark (Alemanha)

Numa partida que se antevia poder vir a ser difícil, a selecção portuguesa, entrando em campo com boa atitude, teve o condão de começar por a tornar fácil: por duas vezes deu sinal de “pré-aviso”, por duas vezes chegaria ao golo quase de imediato.

Logo aos 6 minutos, na sequência de um remate de Cristiano Ronaldo, já em plena área, o guarda-redes bósnio teve de fazer uma defesa de recurso, com a bola a sobrar para Raul Meireles, que, de primeira, procurou um remate cruzado – que não daria hipóteses de defesa -, mas que sairia ligeiramente ao lado.

Apenas dois minutos volvidos, com uma excelente conversão de um livre, com um remate indefensável, Cristiano Ronaldo inaugurava o marcador. Com 8 minutos de jogo, a posição relativa das equipas invertia-se: agora passava a Bósnia a ter de marcar para manter aspirações a qualificar-se.

Prosseguindo numa toada ofensiva, de grande intensidade, com a selecção bósnia como que atordoada, novamente Cristiano Ronaldo levaria o perigo à baliza adversária, também na conversão de um livre, com um forte remate, bem colocado, e, uma vez mais, Asmir Begović a defender quase por instinto.

E, repetindo-se o argumento da primeira sequência de lances, o segundo golo de Portugal surgiria apenas dois minutos depois, numa soberba execução de Nani, num remate de meia-distância, com excelente efeito, e colocação perfeita, absolutamente imparável. A selecção nacional passava a dispor de uma vantagem já com alguma margem de tranquilidade, que lhe deveria permitir facilitar a gestão do jogo e do resultado.

Com a equipa da Bósnia a acusar este golo, o encontro passou então por uma fase menos intensa, sem que, contudo, Portugal deixasse de manter o domínio do jogo, mas, de forma não tão pressionante, dando mais tempo aos bósnios para pensar e executar o seu jogo.

Já no ocaso da primeira parte, dois lances resultariam em novo volte-face no cariz do jogo e na disposição motivacional das duas equipas: primeiro, na área bósnia, Hélder Postiga a sofrer o contacto de um defesa, e a cair, esperando que o árbitro assinalasse a grande penalidade; contudo, tendo sido considerada simulação, o que veria seria o cartão amarelo. Pouco depois, agora na área portuguesa, novo choque, entre avançado e defesa, com Fábio Coentrão a saltar à bola, sendo carregado pelo adversário, mas, inadvertidamente, colocando um braço no ar, que entraria em contacto com a bola. Desta vez, o árbitro assinalaria mesmo a penalidade: e a Bósnia aproveitou para reduzir para a diferença mínima, voltando a entrar no jogo… e na eliminatória.

Colocado à prova, Portugal reagiria da melhor forma, continuando a jogar o seu jogo, visando o ataque. Seria, não obstante, na sequência de uma rápida recuperação de bola de João Moutinho, a desmarcar, no momento preciso, Cristiano Ronaldo, que, isolado sobre a esquerda, à saída do guarda-redes, com impressionante frieza, contornou-o, empurrando depois a bola para a baliza deserta, dilatando novamente a vantagem para dois golos, que a equipa portuguesa voltaria a uma situação de tranquilidade.

Até porque a Bósnia, de cabeça perdida, pela veemência dos protestos de Lulić, que veria, de uma assentada, o cartão amarelo e, de imediato, o vermelho, ficava reduzida a dez unidades.

À passagem da hora de jogo, ficaria por assinalar mais uma grande penalidade, novamente por contacto com a mão na bola, desta vez na grande-área bósnia. Mais dois minutos decorridos, Portugal poderia ter ampliado a marca, por intermédio de Fábio Coentrão, com um bom golpe de cabeça, que sairia ligeiramente ao lado.

Até que, de forma absolutamente inesperada, num momento de desconcentração da equipa portuguesa, e aproveitando uma situação irregular de fora-de-jogo, não sancionada pela arbitragem, a Bósnia reduziria outra vez a desvantagem, colocando o marcador em 2-3. Faltavam 25 minutos para o final, a eliminatória voltava a ser relançada… Portugal tinha que continuar a sofrer.

Nos minutos imediatos, os nervos vieram à flor da pele, de forma acentuada, em ambas as equipas, perdendo o controlo emocional. O jogo estava perigoso, e talvez tenha havido quem se tivesse recordado da partida inaugural desta qualificação, os famosos 4-4 com o Chipre…

Quando Portugal – felizmente de forma não demorada -, conseguiu voltar a assentar o jogo, beneficiando também da sua situação de superioridade numérica, Hélder Postiga quebraria finalmente o enguiço, com um remate de belo efeito, marcando o golo que dava, definitivamente, o apuramento a Portugal!

Numa fase final bastante alucinada, com o jogo completamente “partido”, foi com alguma naturalidade que Portugal aumentaria ainda a contagem, primeiro para 5-2, com Miguel Veloso, na transformação de mais um livre, a surpreender toda a gente, inclusivamente o guarda-redes (que, esperando que fosse Cristiano Ronaldo a marcar o livre, nem se fez ao lance); e, logo de seguida – culminando com facilidade (bastou “encostar” a cabeça na bola) um óptimo cruzamento atrasado de Fábio Coentrão -, com Hélder Postiga a bisar, fixando o resultado em 6-2. E, perante uma já há largos minutos destroçada selecção da Bósnia, haveria ainda tempo para Rúben Micael desperdiçar o que seria o 7º golo…

Para lá do – brilhante – resultado, o que fica desta noite foi a forma personalizada, e corajosa, com que Portugal assumiu a responsabilidade do apuramento, indo sempre, a cada golpe sofrido, em busca decidida, de forma determinada e confiante, da vitória. Um belo mote para a Fase Final, em que a selecção nacional marcará presença pela 7ª vez consecutiva (todas as 4 edições do Europeu e 3 do Mundial, desde o ano 2000)!

—–

Nos outros encontros da 2ª mão do play-off, Croácia (empatando a zero, em casa, com a Turquia), R. Checa (nova vitória, por 1-0, no Montenegro) e Irlanda (também com um empate caseiro, frente à Estónia, 1-1) confirmaram a vantagem que haviam adquirido na passada sexta-feira.

Está definida a lista das 16 selecções participantes na Fase Final do EURO 2012: para além dos países organizadores, Polónia e Ucrânia, garantiram o apuramento as selecções da Alemanha, Rússia, Itália, França, Holanda, Grécia, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Suécia, Croácia, R. Checa, Irlanda e Portugal.

15 Novembro, 2011 at 10:48 pm Deixe um comentário

Bósnia-Herzegovina – Portugal (Europeu 2012 – “Play-off”)

Bósnia-Herzegovina – Asmir Begović, Sejad Salihović (68m – Vedad Ibišević), Sanel Jahić, Emir Spahić, Elvir Rahimić, Haris Medunjanin (67m – Darko Maletić), Miralem Pjanić, Zvjezdan Misimović (86m – Senijad Ibričić), Senad Lulić, Adnan Zahirović e Edin Džeko

Portugal – Rui Patrício; João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão; João Moutinho, Miguel Veloso, Nani, Raul Meireles (82m – Rúben Micael) e Cristiano Ronaldo; Hélder Postiga (65m – Hugo Almeida)

Cartões amarelos – Sejad Salihović (18m) e Sanel Jahić (42m); Hélder Postiga (42m)

Árbitro – Howard Webb (Inglaterra)

Num relvado impróprio, com o público com comportamentos impróprios (lasers apontados a Cristiano Ronaldo e os gritos ululantes de “Messi, Messi”, também a ele dirigidos), duas equipas algo receosas, procurando, acima de tudo, jogar pelo seguro, esta partida – da 1ª mão do play-off de apuramento para a Fase Final do Campeonato da Europa de Futebol, a disputar no próximo ano na Polónia e Ucrânia -, caracterizou-se por uma qualidade sofrível.

Na primeira parte, de alguma forma surpreendentemente, a Bósnia ofereceu a iniciativa ao opositor, quase como que um convite a que fosse Portugal a atacar; a selecção portuguesa não se faria rogada, e assumiu o controlo do jogo, dominando a partida, evidenciando notória superioridade, embora sem resultados práticos, a nível de ocasiões de golo.

No segundo tempo, com a Bósnia a procurar assumir a iniciativa do jogo, começaram por surgir mais espaços para Portugal; Ronaldo, aos 51 minutos, e Hélder Postiga, aos 58 minutos, tiveram o golo nos pés… tal como aconteceria com Ibišević aos 73 minutos, e, com uma perdida ainda mais escandalosa, aos 80 minutos – tendo, porventura, todos os lances sido de alguma forma prejudicados pelo péssimo estado da relva.

Na fase final da partida, após a entrada de Ibišević  para a frente de ataque, ao lado de Džeko – que, até então, muito desamparado, fora praticamente anulado pela marcação de Pepe -, a Bósnia mostrou-se mais perigosa, mas também não conseguiria concretizar qualquer das oportunidades de que dispôs.

No cômputo das duas partes, o empate ajusta-se ao desenrolar da partida, sendo contudo de notar que o nulo no marcador em nada favorecerá Portugal para a 2ª mão, impedido sequer de empatar com golos; para se qualificar necessitará imperativamente de vencer… à excepção da possibilidade de adiar a resolução da eliminatória até ao desempate por pontapés da marca de grande penalidade.

Nos outros jogos hoje disputados, destaque para as claras vitórias, obtidas fora de casa, pela Irlanda (4-0, na Estónia) e pela Croácia (3-0, na Turquia), permitindo-lhes praticamente carimbar, desde já, o apuramento. Das selecções que jogaram em casa esta 1ª mão, apenas a R. Checa marcou… e ganhou (2-0) à selecção do Montenegro, assumindo também claro favoritismo para o jogo decisivo.

11 Novembro, 2011 at 10:20 pm Deixe um comentário

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