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Jorge Jesus
A contratação de Jorge Jesus pelo Benfica – cinco anos depois da sua dispensa pela Direcção, por não se enquadrar na estratégia e no projecto do clube – é, de algum modo, como se se estivesse a começar agora a especular na Bolsa, no preciso momento em que as cotações atingiram o pico e, previsivelmente, virão por aí abaixo num futuro próximo; ou, de outra forma, qual jogada de Casino, um “all-in”, apostando todas as fichas numa única opção, na ilusória esperança de vir a ser bafejado com a sorte de um “jackpot”.
Isto numa altura em que o Benfica negociou os termos da contratação em posição de absoluta fraqueza (em desespero, mesmo, numa luta contra o tempo, perante os “nãos” que terá recebido e outras hipóteses irrealistas, de entre nomes como Mauricio Pochettino, Julian Nagelsmann, Massimiliano Allegri, Unay Emery, Leonardo Jardim, Jorge Sampaoli e Marcelo Gallardo, para além do “clássico” José Mourinho – entre tantos outros que foram apontados pela comunicação social como potenciais alvos)…
Em contraponto a um Jorge Jesus no auge do seu valor de mercado, pelo (conjuntural) sucesso obtido no Flamengo, em boa medida fruto de uma enorme discrepância de poderio face à concorrência nacional, e, a nível sul-americano, com bastante felicidade (após ter começado por ganhar o seu grupo de apuramento em igualdade de pontos com o 2.º e 3.º classificados, ainda sob o comando técnico de Abel Braga), desde logo, com um desempate da marca de grande penalidade, nos 1/8 de final, ante o Emelec após comprometedora derrota por 0-2 no Equador, defrontando equipas brasileiras nos 1/4 de final e nas meias-finais, culminando na final ante o River Plate, com a equipa argentina a dominar todo o jogo, acabando por ser inesperadamente derrotada em função de dois golos marcados por Gabriel Barbosa, nos minutos 89 e 92.
Mais do que tudo o resto, o que me intriga é esta crença “irracional” (com muito pouca fundamentação) de que Jesus será o (único) “salvador da Pátria”, quando – até pela experiência anterior de 6 anos (mais 3 no Sporting) – se sabe ter muitas limitações e pontos fracos, que nunca possibilitarão, por exemplo, ter sucesso na Europa, onde, sobretudo na Liga dos Campeões, não deixou de ter alguns desempenhos sofríveis.
A nível nacional, a memória que retenho é que Jesus, de forma sistemática (foi aprendendo com os erros, denotando algumas melhorias em 2013-14 e 2014-15), apostando “cegamente” nos mesmos jogadores, esgotava física e mentalmente as suas equipas (até pela exigência que lhe é commumente reconhecida), que chegavam à fase decisiva das épocas (meses de Março/Abril) já em notório sub-rendimento.
Isto, claro, associado a uma política muito agressiva (e dispendiosa) de contratações, privilegiando o curto prazo e, nunca, projectos de futuro, praticamente não dando oportunidades a valores surgidos da formação do clube (tendo por “pecado capital” o imperdoável caso de Bernardo Silva).
Não tenho nenhum “parti pris” contra Jesus. Compreendi perfeitamente que tivesse aceitado o convite do Sporting (para além de ser profissional, acresce que é o seu clube, até por motivos de ordem familiar, pelo que, inclusivamente pela forma como fora dispensado do Benfica, se afigurou uma oportunidade irrecusável), pelo que não vi qualquer problema nisso. Apenas entendo que era desnecessário ter destratado o Benfica, e, principalmente, Rui Vitória, que procurou “apoucar” de forma inaceitável (sem esquecer a infeliz atitude face a Shéu, ainda no Benfica). Acabaria, aliás, em 2015-16, por ser vítima da sua própria “basófia”.
O que não lhe reconheço é a competência extrema que outros parecem ver, como se se tratasse da “última bolacha do pacote”.
Até 2010, ao longo de 20 anos de carreira como treinador – na maior parte do tempo, é verdade, em clubes sem grandes aspirações: Amora; Felgueiras; U. Madeira; E. Amadora; V. Setúbal; V. Guimarães (14.º lugar em 2003-04); Moreirense; U. Leiria; Belenenses (5.º e 8.º lugar em 2007 e 2008); e Sp. Braga (5.º em 2008-09, atrás do Nacional, de Manuel Machado) – nunca registou qualquer desempenho que se possa considerar efectivamente notável.
Nos 9 anos de Benfica e Sporting ganhou (apenas) três vezes o campeonato, pecúlio manifestamente escasso para os investimentos realizados. De facto, nunca se lhe conheceu perspectiva realista de poder vir a ser candidato a assumir um clube de nível europeu (nunca mais que, em Espanha, uma equipa de tipo Valencia).
Por fim, o investimento que se está a fazer na sua contratação parece-me absolutamente desmesurado, dificil de rentabilizar, e, no limite, se as coisas correrem mal – e receio exista uma probabilidade não negligenciável de tal vir a ocorrer -, poderá revelar-se mesmo ruinoso.
Com eleições previstas para daqui a três meses, trata-se de uma jogada de alto risco, que, mais do que procurar defender o interesse do Benfica, visa, fundamentalmente, perpetuar a sua liderança. E, na hipóstese improvável de mudança de presidência do clube e da SAD, deixando os eventuais futuros responsáveis reféns de uma escolha – de médio prazo – que não foi sua.
Tudo isto dito – ficando claro que Jorge Jesus (que, obviamente, dispõe de qualidades) nunca seria o “meu” treinador (e não faltariam perfis que poderiam proporcionar um projecto futuro de desenvovimento mais sustentado, de que, a título exemplificativo, no imediato sem possibilidade de prova contra-factual, deixo os nomes de Luís Castro, Paulo Fonseca, Abel Ferreira e, porque não, João Henriques) – só desejo é que venha a alcançar no Benfica êxito a uma escala como nunca antes teve…
Liga Europa – Sorteio dos 1/4 de final e das 1/2 finais
Realizou-se também hoje o sorteio dos 1/4 de final e das 1/2 finais da Liga Europa:
1/4 de final
11.08.2020 – Wolfsburg/Shakhtar Donetsk – Eintracht Frankfurt/Basel (Gelsenkirchen)
10.08.2020 – LASK/Manchester United – Istanbul Başakşehir/København (Köln)
10.08.2020 – Inter/Getafe – Rangers/Bayer Leverkusen (Düsseldorf)
11.08.2020 – Olympiakos/Wolverhampton – Sevilla/Roma (Duisburg)
1/2 finais
16.08.2020 – Olympiakos/Wolverhampton ou Sevilla/Roma – LASK/Manchester United ou Istanbul Başakşehir/København (Köln)
17.08.2020 – Inter/Getafe ou Rangers/Bayer Leverkusen – Wolfsburg/Shakhtar Donetsk – Eintracht Frankfurt/Basel (Düsseldorf)
Liga dos Campeões – Sorteio dos 1/4 de final e das 1/2 finais
Realizou-se hoje o sorteio dos 1/4 de final e das 1/2 finais da Liga dos Campeões:
1/4 de final
12.08.2020 – Atalanta – Paris St.-Germain (Estádio da Luz)
13.08.2020 – RB Leipzig – At. Madrid (Estádio José Alvalade)
14.08.2020 – Napoli/Barcelona – Chelsea/Bayern (Estádio da Luz)
15.08.2020 – Real Madrid/Manchester City – Lyon/Juventus (Estádio José Alvalade)
1/2 finais
18.08.2020 – RB Leipzig/At. Madrid – Atalanta/Paris St.-Germain (Estádio da Luz)
19.08.2020 – Real Madrid/Manchester City ou Lyon/Juventus – Napoli/Barcelona ou Chelsea/Bayern (Estádio José Alvalade)
Bruno Lage
Confesso que me sinto como se ainda estivesse em negação, incrédulo e sem conseguir compreender o que se passou desde Fevereiro.
Bruno Lage estreou-se no comando técnico do Benfica a 6 de Janeiro de 2019, no Estádio da Luz, recebendo o Rio Ave, em jogo da 16.ª jornada do campeonato.
Vindo de uma traumatizante derrota em Portimão – a qual sentenciou a carreira de Rui Vitória no clube -, por via de dois auto-golos (e que colocava então a equipa no 4.º lugar, a sete pontos do líder, FC Porto), aos vinte minutos de jogo, o Benfica, jogando em casa, via-se em desvantagem por 0-2… Era difícil começar pior. Mas o grupo uniu-se, revoltou-se e operou uma notável reviravolta, acabando por vencer por 4-2.
Até final da temporada de 2018-19, Bruno Lage acumularia um absolutamente incrível registo de 18 vitórias em 19 jornadas, tendo cedido um único empate, ante a B. SAD… depois de ter chegado a dispor de vantagem de 2-0.
Aos 4-2 frente ao Rio Ave, somaram-se outras doze (!) impressivas goleadas: 5-1 ao Boavista; 4-2 em Alvalade, frente ao Sporting; 3-0 nas Aves; 4-0 ao Chaves; 4-0 em Moreira de Cónegos; 4-1 em Santa Maria da Feira; 4-2 ao V. Setúbal; 6-0 ao Marítimo; 4-1 em Braga; 5-1 ao Portimonense (também numa épica reviravolta, com todos os cinco golos apontados na derradeira meia hora); 4-1 ao Santa Clara; para além do fantástico 10-0 ao Nacional (retenho especialmente a humildade de Bruno Lage nesse dia, quase como que a “pedir desculpa”).

Numa caminhada que ninguém podia antecipar, o Benfica triunfaria em Guimarães, Alvalade, “Dragão”, Moreira de Cónegos, Braga e Vila do Conde, derrotando sucessivamente – em terreno alheio – todos os clubes classificados do 2.º ao 7.º lugares no final do campeonato!
Como consequência, o Benfica – com um sensacional registo de 103 golos marcados em 34 jogos – recuperou o significativo atraso com que partia, chegando, de forma brilhante, ao título.
A senda triunfal prosseguiu, na época de 2019-20, com um percurso quase a “papel químico”: nas primeiras 19 rondas, outra vez 18 vitórias, e um único desaire, em casa, com o FC Porto.
Isto é, sob a direcção de Bruno Lage, foi alcançado um impressionante ciclo de 18 vitórias consecutivas fora de casa, a que se somaram outros 18 triunfos (em 20 jogos) no Estádio da Luz, numa fenomenal série – a melhor de sempre da centenária história do Benfica – de 36 vitórias, 1 empate e 1 derrota, nos seus primeiros 38 jogos, com 119 golos marcados e 24 golos sofridos.
Subitamente, desde a 20.ª jornada, em dez jogos, apenas duas vitórias, quatro empates e quatro derrotas, invertendo-se os papéis: de sete pontos de avanço, na liderança, para seis pontos de atraso, em relação ao FC Porto.
O que se terá passado?
É verdade que Bruno Lage deixara entrever, no seu percurso triunfal, algumas fragilidades: se na primeira derrota, com o FC Porto, para a Taça da Liga, o resultado pareceu ser fortuito e injusto, perante a exibição efectuada, a eliminação nas meias-finais da Taça, em Alvalade, e, sobretudo, a oscilante campanha europeia não deixaram de suscitar alguma inquietude. Mas que, até certo ponto, tinha justificação na deliberada aposta na reconquista do título de Campeão.
Já esta época, no jogo com o FC Porto, na Luz – logo na 3.ª jornada -, o Benfica denotara absoluta incapacidade para conseguir contrariar a forma como o adversário se dispôs em campo. O desempenho a nível europeu voltou a ser titubeante; a participação na Taça da Liga, com três empates em outros tantos jogos, foi obviamente medíocre.
Mas a “roda” começou, claramente, a “desandar”, a partir do início de 2020: vitórias muito sofridas, em casa, ante o D. Aves, a B. SAD e, para a Taça, com o Famalicão, evidenciavam que algo não estava bem. A derrota no Porto seria o ponto culminante, do qual a equipa não conseguiria, nunca mais, recuperar.
As conferências de imprensa que eram um bálsamo (Bruno Lage nunca deixava de, pedagogicamente, de forma entusiasmada e completamente aberta, explicar as opções tomadas e dissecar as incidências de cada jogo) começaram gradualmente – à medida que os resultados negativos se iam tornando recorrentes – a banalizar-se, como se o discurso se tivesse de alguma forma esgotado, passando a socorrer-se de chavões e generalidades, “jogando mais à defesa”.
A contagiante alegria que transmitia, assim como alguma inocência e a genuinidade que transparecia foram-se esvaindo. Jogo após jogo, Bruno Lage parecia carregar um fardo cada vez mais pesado, aparentando crescente impotência para dar a volta à situação, pese embora, teimosamente, nunca tivesse deixado de acreditar, até ao fim (mesmo após a derrota na Madeira?).
O empate em Famalicão, que proporcionou o apuramento para a final da Taça, e as igualdades com Moreirense e V. Setúbal – ainda antes da interrupção do campeonato – eram sinais inequívocos. Depois de três meses de paragem, a retoma revelou-se penosa: outros dois empates, com Tondela e Portimonense, antes dos fatais desaires com o Santa Clara e Marítimo, função de erros defensivos primários (a par de uma quase total eficácia dos adversários).
Lamentável foi a forma como – ainda no cargo – a Direcção do Benfica logo começou, de forma atabalhoada, em notório desespero, a busca do seu sucessor, fragilizando ainda mais a sua posição, de incómodo extremo no que viria a ser o seu último desafio, na Madeira, em que, uma vez mais, faltou uma “pontinha” de felicidade, para evitar o descalabro.
Por tudo o que deu ao Benfica, Bruno Lage – um de nós, que tanto gostava de, no centro do relvado, fitar os adeptos nas bancadas – não merecia, nem a infeliz sucessão de resultados, que acabariam por ditar a sua saída, nem, sobretudo, a forma como foi “destratado” pela “estrutura” do clube.
Recupero as palavras de Vasco Mendonça, no “Expresso“:
Lembro-me que, depois de confirmado o 37, tinha elaborado mentalmente uma série de agradecimentos que partilharia se por acaso voltasse a cruzar-me contigo. Pelo título, claro, mas também pela cultura desportiva e pelos momentos dentro do 37: a reviravolta no primeiro jogo, a vitória no Dragão, o 10-0, outra reviravolta contra o Portimonense, uma das celebrações mais viscerais que este estádio da Luz viveu. […]
Há uma frase da qual tão cedo não me vou esquecer. Depois da vitória no Dragão, uma daquelas que dá a um treinador aquele capital que os benfiquistas reservam para os grandes, disseste humildemente que os jogadores fizeram de ti treinador. Tudo aquilo soou estranhamente decente no contexto do futebol português e foi-se prolongando ao ponto de até os adeptos dos rivais reconhecerem essa qualidade, um acontecimento muito raro por cá.
Não sei se os mesmos jogadores que fizeram de ti treinador campeão decidiram fazer de ti, por agora, treinador sem clube. Não sei exactamente em que parte do caminho é que te perdeste, ou se era eu que estava demasiado inebriado pelo milagre da época passada para ver o que estava à nossa frente. Talvez seja um pouco das duas coisas.
Suspeito que um dia saberemos todos melhor o que se passou e porque é que, de forma meio angustiante, te foste tornando parte do problema. Será que aceitaste ser parte do problema? Ou será que parte desse problema te foi imposto? Sinceramente ainda não percebi, mas uma coisa é evidente: acabaste por ser a única parte do problema que esta direcção pareceu interessada em resolver, ou seja, resolvendo pouco ou nada. Tu dirás de forma simples que é a vida de um treinador. E a vida de um adepto do Benfica é pedir a tua cabeça quando se ganha 2 jogos em 13. Faz parte. É um final triste, mas tenho a certeza que foi um dos maiores privilégios da tua vida.
Disseste uma vez, quase sem voz na noite mais feliz da tua passagem pelo clube, que era importante reconhecer a mais valia do adversário no momento das derrotas para que este reconhecesse a nossa mais valia no momento das vitórias. Obrigado pela decência que emprestaste ao cargo na maioria dos momentos. Não serviu para ganhar todos os jogos, mas penso que conquistou o respeito de muitos benfiquistas. Felicidades.
Fase Final da “Champions League” em Portugal
Os quartos-de-final, meias-finais e final da “Champions League” 2019/20 vão ser disputados em eliminatórias directas (num único jogo) em Portugal, no mês de Agosto, no Estádio da Luz (que acolherá a Final) e no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Se os 4 jogos ainda pendentes da 2.ª mão dos oitavos-de-final tiverem também de ser realizados em Portugal, seriam disputados no Porto (Estádio do Dragão) e em Guimarães (Estádio D. Afonso Henriques).
O calendário completo para conclusão da 65.ª edição da principal competição europeia de clubes é o seguinte:
- 7-8 de Agosto: segunda mão dos oitavos-de-final (locais a confirmar)
- 12-15 de Agosto: Quartos-de-final (Lisboa)
- 18-19 de Agosto: Meias-finais (Lisboa)
- 23 de Agosto: Final (Lisboa)
I Liga – Quadro global resultados: 1934-35/2019-20
Com o regresso da I Liga – após uma inaudita interrupção de praticamente três meses – apresento um quadro interactivo com todos os resultados dos 19.061 jogos até à data disputados, em todas as 2.423 jornadas, das 86 edições dos campeonatos da I Liga / I Divisão de futebol, desde a época de 1934-35.
Pode filtrar-se por vários critérios: Época; Jornada; Visitado; Visitante; n.º de Golos da equipa da Casa; e n.º de Golos da equipa que jogou Fora.
Todos os dados estatísticos apresentados, em termos de cômputo de Vitórias (V) / Empates (E) / Derrotas (D) e Golos da equipa da casa e da equipa que jogou fora, reportam-se sempre ao clube “Visitado” (independentemente do filtro seleccionado).
A título de curiosidade, regista-se, em tal base de dados de resultados, uma singular particularidade: no jogo entre o Sp. Braga e o Benfica, da última (30.ª) jornada do campeonato de 1986-87 (interrompido a escassos minutos do final, por “invasão pacífica” de campo, com o resultado em 1-1), ambos os clubes foram então sancionados pela Federação Portuguesa de Futebol com derrota “administrativa” por 0-3.
Acrescem ainda duas outras situações, em que – não tendo igualmente os jogos chegado ao seu termo – a vitória foi atribuída a uma das equipas, mas, neste caso, sem contagem de golos: Atlético-Leixões (1960-61) e CUF-V. Setúbal (1974-75), tendo sido declarados vencedores, respectivamente, o Leixões e a CUF.
Grandes clássicos das competições europeias – (1) Real Madrid – Bayern München

Época Prova Ronda 1.ª Mão 2.ª mão 1975-76 TCE 1/2 R.Madrid-Bayern 1-1 Bayern-R.Madrid 2-0 1986-87 TCE 1/2 Bayern-R.Madrid 4-1 R.Madrid-Bayern 1-0 1987-88 TCE 1/4 Bayern-R.Madrid 3-2 R.Madrid-Bayern 2-0 1999-00 LCE Grupo R.Madrid-Bayern 2-4 Bayern-R.Madrid 4-1 1999-00 LCE 1/2 R.Madrid-Bayern 2-0 Bayern-R.Madrid 2-1 2000-01 LCE 1/2 R.Madrid-Bayern 0-1 Bayern-R.Madrid 2-1 2001-02 LCE 1/4 Bayern-R.Madrid 2-1 R.Madrid-Bayern 2-0 2003-04 LCE 1/8 Bayern-R.Madrid 1-1 R.Madrid-Bayern 1-0 2006-07 LCE 1/8 R.Madrid-Bayern 3-2 Bayern-R.Madrid 2-1 2011-12 LCE 1/2 Bayern-R.Madrid 2-1 R.Madrid-Bayern 2-1 2013-14 LCE 1/2 R.Madrid-Bayern 1-0 Bayern-R.Madrid 0-4 2016-17 LCE 1/4 Bayern-R.Madrid 1-2 R.Madrid-Bayern 4-2 2017-18 LCE 1/2 Bayern-R.Madrid 1-2 R.Madrid-Bayern 2-2 Balanço global J V E D GM GS Real Madrid - Bayern München 26 12 3 11 41 – 39
Eis-nos chegados ao “clássico dos clássicos” do futebol europeu, entre Real Madrid e Bayern, o qual se caracteriza pela particularidade de – ao longo de 64 anos – estes dois colossos nunca se terem defrontado numa Final das competições europeias; não obstante, registam nada menos de sete embates em meias-finais, num total de 14 empolgantes desafios, apenas nessa fase decisiva!
Acresce que, tal como sucede no caso do Real Madrid-Juventus, os 26 encontros Real-Bayern foram – todos eles – disputados no âmbito da Taça dos Campeões Europeus (6) / Liga dos Campeões (20).
Num confronto com números globais equilibrados (12 vitórias a 11, a favor dos merengues, anotando-se o relativamente escasso número de empates, com o score global de golos também muito repartido, de 41-39), nas doze eliminatórias até à data já realizadas, opondo os clubes com maior número de títulos de Campeão de Espanha e da Alemanha, o Real Madrid saiu vencedor por sete vezes (1988, 2000, 2002, 2004, 2014, 2017 e 2018), tendo o Bayern levado a melhor nas restantes cinco ocasiões (1976, 1987, 2001, 2007 e 2012) – com os espanhóis a adquirirem vantagem sobre o rival nos últimos cinco anos, tendo actualmente em curso uma série de três eliminatórias ganhas sucessivamente (sendo de realçar ainda os nove golos apontados por Cristiano Ronaldo, nos oito jogos disputados, de 2012 a 2018).
Outro facto particularmente notável é o de, na sequência daquelas doze eliminatórias, em que madrilenos e bávaros se cruzaram, ter acabado por resultar um total de sete títulos de Campeão Europeu para estes dois emblemas: dois títulos para o Bayern e cinco para o Real Madrid!
Começando por restringir o campo de observação às sete meias-finais que disputaram, o Bayern impôs-se em quatro delas, face a três vezes em que o Real Madrid avançou para a Final. Nessas temporadas, o emblema germânico sagrar-se-ia Campeão Europeu em 1976 (Final em Glasgow, ante o Saint-Étienne, conquistando então o seu terceiro título consecutivo) e em 2001 (Final em San Siro, ganha ao Valencia no desempate da marca de grande penalidade), tendo perdido as Finais de 1987 (Viena, ante o FC Porto) e de 2012 (em casa, no “Allianz Arena” de Munique, igualmente no desempate da marca de grande penalidade, perante o Chelsea). Por seu lado, o Real Madrid obteria pleno sucesso nas três Finais que disputou: no Stade de France, também ante o Valencia (2000); no Estádio da Luz, com o At. Madrid (2014); e em Kiev, frente ao Liverpool (2018), correspondendo à conquista dos seus 8.º, 10.º e 13.º troféus de Campeão Europeu.
Nas outras cinco ocasiões em que se defrontaram, o Bayern, após suplantar o Real Madrid (em 2007), viria a ser afastado na eliminatória imediata, batido nos 1/4 de final pelo futuro Campeão Europeu, AC Milan. Em 1988, depois de ter superado, sucessivamente, o Napoli, FC Porto (então Campeão Europeu em título) e Bayern, o Real Madrid perderia nas meias-finais, também ante o clube que viria a conquistar o título (PSV Eindhoven, vencedor da Final de Estugarda, ante o Benfica); já em 2002, os merengues afastariam, nas meias-finais, o Barcelona, para se coroarem Campeões da Europa pela 9.ª vez (em Glasgow, frente ao Bayer Leverkusen); em 2004, o clube branco cairia logo nos 1/4 de final, aos pés do Monaco; por fim, em 2017, o Real ultrapassaria ainda o At. Madrid (nas meias-finais), antes de conquistar, em Cardiff, frente à Juventus, o seu 12.º título.
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A estreia dos embates entre Real e Bayern sucedeu apenas em 1976 (já com vinte anos de competições europeias), numa altura em que o clube teutónico – contando nas suas fileiras com nomes como os de Sepp Maier, Frank Beckenbauer, Uli Hoeness, ou Gerd Müller – dominava o futebol na Europa, vindo, nessa época, a sagrar-se tri-Campeão Europeu. Nas meias-finais – imediatamente após o Real ter eliminado o então campeão alemão (Borussia M’gladbach) – as duas equipas começariam por empatar a um golo no “Santiago Bernabéu” (no final do desafio, um espectador invadiria o terreno, agredindo o árbitro), sendo que o Bayern ganharia por 2-0 na 2.ª mão (bis de Gerd Müller logo na meia hora inicial), apurando-se, pois, para a Final de Glasgow.
A 1.ª mão das meias-finais de 1987, na qual o Bayern goleou por 4-1 (tendo chegado a 3-0 antes dos 40 minutos de jogo), ficaria assinalada pela agressão de Juanito a Lothar Matthäus, o que valeria ao espanhol uma suspensão da UEFA por cinco anos. Em Madrid, os espanhóis não iriam além do 1-0, desfecho claramente insuficiente para inverter o rumo da eliminatória.
Na época imediata, de 1987-88, uma pujante equipa do Real (a famosa “Quinta del Buitre”, com Emilio Butragueño, Miguel Pardeza, Manolo Sanchís, Míchel González e Martín Vázquez), como que obteria a desforra, com dois golos nos últimos seis minutos da 1.ª mão, reduzindo uma goleada de 3-0 a uma esperançosa desvantagem de 3-2, o que lhe permitiria, em função do triunfo por 2-0 em Madrid, avançar para as meias-finais.
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Após um interregno de onze anos, de 1988 a 1999, os dois clubes enfrentar-se-iam por quatro vezes no curto período de apenas quatro meses, entre Fevereiro e Maio de 2000.
De facto, em 23 participações do Bayern na Liga dos Campeões (sendo que o Real Madrid regista 24 presenças na competição, neste formato), apenas uma única vez partilharam o mesmo grupo de apuramento, na época de 1999-00 (então na 2.ª fase de grupos), com dois triunfos dos bávaros, repetindo a “chapa 4”: 4-2 em Madrid e goleando por 4-1 em Munique. Ainda assim, apuraram-se ambos para os 1/4 de final, tendo o Real eliminado o Manchester United, enquanto o Bayern afastava o FC Porto, antes de… se reencontrarem nas meias-finais.
Aí chegados – com um particular confronto de guardiões, entre o jovem Iker Casillas (então com 18 anos) e o já consagrado Oliver Kahn -, seria o Real a impor-se à sua “besta negra”, ganhando no “Santiago Bernabéu” por 2-0, adquirindo uma preciosa vantagem, que preservou em Munique, onde perderia por tangencial 2-1 (com o também novato Nicolas Anelka a marcar nos dois jogos), garantindo a presença na Final de Saint-Denis (Paris).
Os dois gigantes do futebol europeu voltariam a encontrar-se nas duas temporadas seguintes: em 2000-01, sendo agora a oportunidade de o Bayern se desforrar, ganhando os jogos das duas mãos (1-0 em Madrid, repetindo-se o 2-1 em Munique), apurando-se para a Final de San Siro; em 2001-02, depois do terceiro 2-1 sucessivo na Alemanha, o Real inverteria a tendência da eliminatória, ganhando 2-0 na 2.ª mão. Conforme referido, neste triénio, entre 2000 e 2002, repartiriam entre ambos os títulos de Campeão Europeu: dois para os espanhóis, um para os germânicos.
Apenas mais dois anos decorridos, Bayern e Real Madrid (então com Carlos Queiroz como responsável técnico) voltariam a reencontrar-se, desta feita em fase relativamente prematura (nos 1/8 de final da temporada de 2003-04), com os espanhóis a superiorizarem-se novamente: o empate a um golo em Munique (livre apontado por Roberto Carlos, a iludir Kahn), seguido de um tangencial triunfo caseiro (golo de Zidane) garantiram o apuramento, tendo, porém, os merengues sido travados, logo de seguida, pelo Monaco.
A alternância de sucessos nas eliminatórias entre os dois emblemas seria retomada em 2006-07, desta vez com o Bayern a evitar males maiores no “Santiago Bernabéu”, com um golo a dois minutos do fim, a reduzir a desvantagem para 3-2, o que permitiu aos bávaros, com mais um triunfo caseiro por 2-1 (com Makaay a inaugurar o marcador logo aos 10 segundos de jogo!), seguir em frente.
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Os merengues ansiavam já há dez anos pela tão almejada “10.ª” quando (agora sob o comando de José Mourinho) se cruzaram novamente com o Bayern, nas meias-finais de 2011-12, tendo ripostado a outro 2-1 sofrido na Alemanha (5.ª vitória dos alemães por este “placard”, nos dez jogos até então disputados em Munique, correspondendo, por outro lado, ao último triunfo dos bávaros sobre o Real, até à data), com igual marca, a seu favor, em Chamartin, o que forçaria ao desempate da marca de grande penalidade. Depois de ter marcado dois golos no jogo, Cristiano Ronaldo viria a permitir a defesa a Manuel Neuer (que deteria também o remate de Kaká); Casillas negara igualmente as tentativas de Toni Kroos e Philipp Lahm, mas a falha de Sergio Ramos, a rematar muito por alto, proporcionaria aos alemães apurar-se para a Final, que disputariam no seu próprio terreno, ante o Chelsea… a qual, por amarga ironia, viriam a perder em tal fórmula de desempate.
Mas, de facto, só em 2014 um imperial Real Madrid (de Carlo Ancelotti) alcançaria tal desiderato, e em grande estilo, garantindo a presença na Final de Lisboa ao triunfar nos dois encontros das meias-finais (1-0 em Madrid) ante o Bayern (de Pep Guardiola), feito sublimado com uma estrondosa vitória no “Allianz Arena”, por 4-0, com Cristiano Ronaldo e… Sergio Ramos (este, com dois cabeceamentos, ainda antes dos 20 minutos) a bisarem ambos, no que constitui a pior derrota do emblema de Munique em todo o seu historial europeu!
A eliminatória de 2016-17 (1/4 de final) terá tido dos mais empolgantes jogos entre os dois clubes: depois de o Real ter começado por ganhar em Munique por 2-1 (com o terceiro bis de Cristiano Ronaldo), o Bayern devolveria tal resultado no final do tempo regulamentar da 2.ª mão, em pleno “Santiago Bernabéu”, forçando o prolongamento! Não obstante, com um “hat-trick” apontado por Cristiano, o Real Madrid, tendo operado nova sensacional reviravolta, acabaria por vencer por 4-2.
Por fim, na época imediata (2017-18) – na oitava semi-final consecutiva do Real, um registo único nas provas europeias – os merengues voltariam a ganhar vantagem na Alemanha (outra vez por 2-1, na sua terceira vitória sucessiva no “Allianz Arena”), tendo, não obstante, tido de sofrer na 2.ª mão, em Madrid, com a partida a ter por desfecho uma igualdade a dois golos, o que possibilitaria ao Real Madrid o apuramento para a Final de Kiev, onde – sempre sob o comando técnico de Zinédine Zidane – culminaria um fantástico ciclo de três edições da Liga dos Campeões conquistadas consecutivamente, sagrando-se, pois, tri-Campeões da Europa (um feito que não era igualado desde… a série do Bayern de 1974 a 1976)!
Poderá consultar-se a série completa de artigos sobre os “Grandes clássicos da competições europeias“, aqui.
Grandes clássicos das competições europeias – (2) Real Madrid – Juventus

Época Prova Ronda 1.ª Mão 2.ª mão 1961-62 TCE 1/4 Juventus-R.Madrid 0-1 R.Madrid-Juventus 0-1 1961-62 TCE 1/4 Juventus-R.Madrid 1-3 (Desempate - Paris) 1986-87 TCE 1/8 R.Madrid-Juventus 1-0 Juventus-R.Madrid 1-0 1995-96 LCE 1/4 R.Madrid-Juventus 1-0 Juventus-R.Madrid 2-0 1997-98 LCE Final R.Madrid-Juventus 1-0 (Amesterdão) 2002-03 LCE 1/2 R.Madrid-Juventus 2-1 Juventus-R.Madrid 3-1 2004-05 LCE 1/8 R.Madrid-Juventus 1-0 Juventus-R.Madrid 2-0 2008-09 LCE Grupo Juventus-R.Madrid 2-1 R.Madrid-Juventus 0-2 2013-14 LCE Grupo R.Madrid-Juventus 2-1 Juventus-R.Madrid 2-2 2014-15 LCE 1/2 Juventus-R.Madrid 2-1 R.Madrid-Juventus 1-1 2016-17 LCE Final R.Madrid-Juventus 4-1 (Milennium, Cardiff) 2017-18 LCE 1/4 Juventus-R.Madrid 0-3 R.Madrid-Juventus 1-3 Balanço global J V E D GM GS Real Madrid - Juventus 21 10 2 9 26 – 25
Num dos mais marcantes “clássicos” do futebol europeu, a estatística global de 21 duelos disputados – todos eles no âmbito da principal competição de clubes da Europa – é equilibrada, em termos de vitórias (dez a nove, a favor do Real).
Todavia, tal vantagem é mais vincada em termos de desfecho das “decisões”, com o Real Madrid a vencer as duas Finais da “Liga dos Campeões” disputadas entre ambos os clubes, em 1998 e 2017, enquanto a Juventus se impôs em duas meias-finais (em 2003 e 2015).
Em termos globais, nas sete ocasiões em que se defrontaram em eliminatórias, o Real Madrid garantiu o apuramento para a fase seguinte por três vezes (1962, 1987 e 2018), tendo a Juventus interrompido a campanha do rival nos restantes quatro casos (para além de 2003 e 2015, também em 1996 e em 2005).
Na primeira época em que se cruzaram (1961-62), após a decisão da eliminatória apenas num terceiro jogo (de desempate, realizado em Paris) – tendo cada equipa começado por vencer no terreno do adversário (com a curiosa história de a Juventus ter tido de mudar de equipamento na 2.ª mão) -, o Real Madrid (com Di Stéfano, Puskas e Gento) afastaria ainda, de seguida, o Standard de Liège, nas meias-finais, antes de ser derrotado pelo Benfica, na Final de Amesterdão.
Em 1987, enfrentando-se logo na 2.ª eliminatória (1/8 de final) – o que, a par do confronto entre Real e Napoli (de Maradona), na 1.ª eliminatória da edição imediata (1987-88) da Taça dos Campeões Europeus terá acelerado a criação da Liga dos Campeões -, tendo cada equipa vencido a partida disputada no respectivo terreno (em ambos os casos por tangencial 1-0), os merengues acabariam por ser mais eficazes no desempate da marca de grande penalidade, avançando para os 1/4 de final, fase em que eliminariam (agora com base na regra de desempate pelos golos marcados fora de casa) o Crvena Zvezda, antes de virem a ser afastados nas meias-finais pelo Bayern, a caminho da Final de Viena, na qual o FC Porto se sagrou pela primeira vez Campeão Europeu.
Na temporada de 1995-96, sob o comando técnico de Marcelo Lippi (e contando com figuras como as de Del Piero, Deschamps, Vialli, Conte ou Paulo Sousa), após ter revertido uma desvantagem de 0-1 em Madrid, ganhando por 2-0 em Turim, a Juventus – tendo entretanto suplantado também o Nantes, nas meias-finais – conquistaria o seu segundo título de Campeão Europeu (último, até à data, tendo, desde então, perdido já cinco finais da “Champions”, totalizando sete finais perdidas na principal competição europeia de clubes), ao ganhar o desempate da marca de grande penalidade, no Estádio Olímpico de Roma, frente ao então detentor do título, Ajax.
Em 1998, o Real Madrid conquistava a sua sétima coroa de Campeão Europeu, batendo a Juventus (ainda com Zidane nas suas fileiras), na Final de Amesterdão, mercê de um contestado golo do montenegrino Predrag Mijatović (na pequena área, a contornar o guardião Peruzzi), no que constituía então a estreia do clube branco (dirigido por Jupp Heynckes, com Roberto Carlos, Seedorf ou Raul) como vencedor da Liga dos Campeões, colocando enfim termo a um longo jejum, de 32 anos – correspondendo precisamente a metade de todas as edições das competições europeias até agora disputadas – desde a última vitória na Taça dos Campeões, em 1966.
Já depois de o Real Madrid ter entretanto somado três títulos sob a égide da Liga dos Campeões (1998, 2000 e 2002), a Juventus impor-se-ia, nas meias-finais de 2003, superando a derrota de 1-2 no “Santiago Bernabéu” com um triunfo por 3-1 no “Stadio delle Alpi” (face a um adversário em que alinhavam os “galácticos” Roberto Carlos, Zidane, Ronaldo, Raúl González e Luís Figo – o qual possibilitaria a Buffon a defesa de uma grande penalidade). A “Vecchia Signora” viria, porém, a perder a Final de Manchester, no desempate da marca de grande penalidade, face ao AC Milan.
Nos 1/8 de final da época de 2004-05 operou-se quase como que um remake de 1995-96, outra vez com o Real a começar por ganhar em casa mercê de um solitário golo, vindo a Juventus a superar tal desvantagem, com o 2-0 averbado em Turim, pese embora, desta feita, apenas após prolongamento. O grupo italiano seria, contudo, afastado nas meias-finais pelo futuro Campeão Europeu, Liverpool.
Dez anos volvidos, em 2015, depois de se superiorizar novamente ao Real Madrid nas meias-finais (tal como sucedera em 2003), desta vez em função de um tangencial triunfo caseiro (2-1), que defendeu em Madrid, onde empatou a uma bola – com um jogador da formação do Real, Álvaro Morata, a marcar pela equipa transalpina nos dois jogos -, a Juventus voltaria a ser desfeiteada na Final, em Berlim, perdendo com o Barcelona.
Em 2017, no Millennium Stadium, em Cardiff, nova vitória do Real Madrid numa Final – conquistando o 12.º título de Campeão Europeu, coincidindo com o seu sexto troféu da Liga dos Campeões (e, em paralelo, a sétima Final perdida pelos italianos) -, ganhando à Juventus por categórica marca de 4-1, com Cristiano Ronaldo a bisar.
Por fim, em 2018 – quarto embate de gigantes em cinco épocas -, uma eliminatória ainda bem presente na nossa memória, com o soberbo golo de Cristiano Ronaldo em Turim (bisando de novo), num fantástico triunfo por 3-0 do Real; e a expulsão de Buffon em Madrid, com a formação espanhola a desempatar a eliminatória apenas já em tempo de compensação (ao minuto 98, na conversão de uma grande penalidade, outra vez por… Cristiano Ronaldo – no seu 10.º golo em sete jogos (!) ante aquele que viria a ser o novo clube do português), reduzindo a expressão da derrota dos merengues para 1-3, o suficiente para garantir a qualificação, impedindo o que prometia ser uma épica recuperação da Juventus. Depois de afastar o Bayern nas meias-finais, o Real Madrid conquistaria a principal competição da UEFA pela 13.ª vez, na Final de Kiev, frente ao Liverpool, na muito infeliz noite de Loris Karius.
Os dois emblemas integraram ainda o mesmo grupo da “Champions” em duas ocasiões, em 2008-09 e em 2013-14, tendo o Real Madrid alcançado a qualificação de ambas as vezes – não obstante tenha perdido as duas partidas de 2008, por 1-2 em Turim e 0-2 em Madrid (bis de Del Piero) -, enquanto a Juventus sairia afastada em 2013 (3.ª classificada do grupo).
Em 2008-09, o Real Madrid cairia logo nos 1/8 de final, aos pés do Liverpool, perdendo os dois jogos, com um score agregado de 5-0, quedando-se a Juventus na mesma fase, afastada pelo Chelsea.
Em 2014 – tendo começado, nessa fase de grupos, por vencer a Juventus, em casa, por 2-1 e empatado em Turim a dois golos -, depois de afastar, nas sucessivas eliminatórias, nada menos do que três clubes alemães (Schalke 04, Borussia Dortmund e Bayern), o Real conquistaria enfim a tão almejada “10.ª” – após um interregno de doze anos, desde a última vitória anterior -, na Final em Lisboa, no Estádio da Luz, derrotando o At. Madrid, por 4-1, no prolongamento (tendo-se salvado da derrota, com um golo de Sergio Ramos já em período de compensação do tempo regulamentar).
Grandes clássicos das competições europeias – (3) Barcelona – AC Milan

Época Prova Ronda 1.ª Mão 2.ª mão 1959-60 TCE 1/8 Milan-Barcelona 0-2 Barcelona-Milan 5-1 1988-89 STE Final Barcelona-Milan 1-1 Milan-Barcelona 1-0 1993-94 LCE Final Milan-Barcelona 4-0 (Spyros Louis,Atenas) 2000-01 LCE Grupo Barcelona-Milan 0-2 Milan-Barcelona 3-3 2004-05 LCE Grupo Milan-Barcelona 1-0 Barcelona-Milan 2-1 2005-06 LCE 1/2 Milan-Barcelona 0-1 Barcelona-Milan 0-0 2011-12 LCE Grupo Barcelona-Milan 2-2 Milan-Barcelona 2-3 2011-12 LCE 1/4 Milan-Barcelona 0-0 Barcelona-Milan 3-1 2012-13 LCE 1/8 Milan-Barcelona 2-0 Barcelona-Milan 4-0 2013-14 LCE Grupo Milan-Barcelona 1-1 Barcelona-Milan 3-1 Balanço global J V E D GM GS Barcelona - AC Milan 19 8 6 5 30 – 23
Num clássico rico, envolvendo uma Final da Liga dos Campeões, para além de uma Supertaça Europeia, assinalam-se, em especial, as (três) goleadas registadas nos confrontos entre estes dois históricos do futebol mundial.
Logo em 1959, o Barcelona derrotou o AC Milan por 5-1; em 1994, na referida Final da Liga dos Campeões, foi a vez de os italianos golearem por inequívoco marcador de 4-0; um desfecho do qual o Barcelona, de alguma forma, se desforrou, nos 1/8 de final da época de 2012-13.
Na primeira daquelas épocas, após ter afastado o clube italiano nos 1/8 de final da Taça dos Campeões Europeus, a formação catalã superaria o Wolverhampton (com duas goleadas), antes de sucumbir nas meias-finais, ante o Real Madrid (perdendo por duplo 1-3).
Na Supertaça Europeia de 1988-89, o Campeão Europeu AC Milan – com Gullit, Rijkaard e Van Basten – levaria a melhor frente ao Barcelona (vencedor da Taça das Taças), ganhando por tangencial 1-0 em “San Siro”.
Em 1994, o “dream team” do Barcelona (liderado por Cruijff, contando com Koeman, Guardiola, Romário ou Stoitchkov, tetra-campeão de Espanha) assumia, em teoria, claro favoritismo, perante um adversário que não conseguia vencer há seis jogos no campeonato de Itália, e que se apresentava privado de nomes como Baresi, Costacurta ou Marco van Basten.
Contrariando as expectativas gerais, a turma dirigida por Fabio Capello resolveria a contenda em pouco mais de 45 minutos (ao marcar, logo a abrir o segundo tempo, o seu terceiro tento). O AC Milan, com uma equipa alicerçada em Maldini, Desailly e Dejan Savićević, superiorizava-se de novo – de forma inequívoca, como que um “passeio”, dominando de princípio a fim, goleando por 4-0 – ao Barcelona, numa célebre Final, disputada em Atenas, assim conquistando o seu primeiro troféu da “Liga dos Campeões”, sagrando-se Campeão Europeu pela 5.ª vez (de um total de sete títulos conquistados).
Os dois clubes cruzaram-se, depois, em três eliminatórias, todas elas na principal prova da UEFA, sempre com o Barcelona a sair vencedor, eliminando, nessas três ocasiões, o AC Milan.
Em 2005-06, nas meias-finais, os catalães – orientados por Frank Rijkaard, com Ronaldinho Gaúcho em destaque, numa equipa em que alinhavam também Deco e Samuel Eto’o (ainda antes do apogeu de Xavi e Iniesta) – ganharam em Itália por tangencial 1-0, vantagem que preservaram com um nulo em Camp Nou – numa rara eliminatória em que os italianos ficaram em branco no cômputo dos dois jogos – o suficiente para garantir ao Barcelona a sua quinta presença na Final, conquistando o título de Campeão Europeu pela segunda vez (primeira sob o formato de Liga dos Campeões), ao bater, no Stade de France, em Paris, o Arsenal.
Em 2011-12, depois de terem partilhado o mesmo grupo – tendo o Barcelona vencido outra vez em Milão (3-2) -, apurando-se ambos para a fase a eliminar, reencontraram-se nos 1/4 de final: após o nulo em San Siro, os blaugrana impuseram-se por 3-1 em casa; viriam, contudo, a ceder nas meias-finais, ante o Chelsea.
Na temporada imediata, novo embate, desta feita nos 1/8 de final, com o Barcelona – com a tal goleada de 4-0 – a reverter o desaire (0-2) averbado em Itália, na 1.ª mão. O emblema catalão superaria ainda o Paris Saint-Germain (mercê de dois empates), antes de cair com estrondo, outra vez nas meias-finais, com duas goleadas sofridas ante o Bayern (0-4 e 0-3).
Para além da época de 2011-12, catalães e milaneses integraram o mesmo Grupo da Liga dos Campeões noutras três temporadas.
Logo em 2000-01, ainda na fase inicial de grupos, tinha sido a vez de o AC Milan ganhar na Catalunha, a que se seguiu uma recheada igualdade (3-3) em Itália (com hat-trick de Rivaldo – que, dois anos depois, se transferiria para “San Siro” -, numa equipa em que alinhava Simão Sabrosa), o que resultou, então, na eliminação do Barcelona (3.º classificado no grupo, também atrás do Leeds United). Quanto aos rossoneri, quedar-se-iam pela segunda fase de grupos, suplantados por Deportivo Coruña e Galatasaray.
Na temporada de 2004-05, cada um dos clubes venceu as respectivas partidas disputadas em casa: 1-0 em Milão; 2-1 em Espanha – tendo avançado ambos na competição. O Barcelona seria depois suplantado, nos 1/8 de final, pelo Chelsea; por seu lado, o AC Milan começaria por afastar o Manchester United (com dois empates); o arqui-rival Inter, nos 1/4 de final, com vitórias nos jogos das duas mãos, e o PSV Eindhoven, nas meias-finais, apurando-se assim para a sua 10.ª Final da Taça/Liga dos Campeões.
Tratou-se da também histórica Final de Istambul, frente ao Liverpool, na qual, depois de chegar ao intervalo a ganhar por 3-0, o AC Milan consentiria três golos ao adversário no curto intervalo de seis minutos (entre os 54 e os 60 minutos), para acabar por ser batido no desempate da marca de grande penalidade, perdendo pela quarta vez no jogo decisivo.
Por fim, em 2013-14 – no(s) último(s) confronto(s) até à data -, após a igualdade a um golo em Milão, o Barcelona venceu, na 2.ª volta, por 3-1, tendo ambos os clubes avançado novamente para a fase eliminar (suplantando o Ajax e o Celtic). O AC Milan seria afastado logo nos 1/8 de final, com dois desaires sofridos ante o At. Madrid (1-4 no “Vicente Calderón”). Um destino comum ao que o Barcelona viria a ter, o qual, após superar o Manchester City com dois triunfos, acabou por ser também eliminado pelos colchoneros, nos 1/4 de final.
Grandes clássicos das competições europeias – (4) Barcelona – Chelsea

Época Prova Ronda 1.ª Mão 2.ª mão 1965-66 TCF 1/2 Barcelona-Chelsea 2-0 Chelsea-Barcelona 2-0 1965-66 TCF 1/2 Barcelona-Chelsea 5-0 (Desempate-Barcelona) 1999-00 LCE 1/4 Chelsea-Barcelona 3-1 Barcelona-Chelsea 5-1 2004-05 LCE 1/8 Barcelona-Chelsea 2-1 Chelsea-Barcelona 4-2 2005-06 LCE 1/8 Chelsea-Barcelona 1-2 Barcelona-Chelsea 1-1 2006-07 LCE Grupo Chelsea-Barcelona 1-0 Barcelona-Chelsea 2-2 2008-09 LCE 1/2 Barcelona-Chelsea 0-0 Chelsea-Barcelona 1-1 2011-12 LCE 1/2 Chelsea-Barcelona 1-0 Barcelona-Chelsea 2-2 2017-18 LCE 1/8 Chelsea-Barcelona 1-1 Barcelona-Chelsea 3-0 Balanço global J V E D GM GS Barcelona - Chelsea 17 6 6 5 29 – 21
Este “clássico” Barcelona-Chelsea é uma rivalidade dos “tempos modernos”, já na era da Liga dos Campeões, com um “aperitivo” na época de 1965-66, na Taça das Cidades com Feiras (prova não organizada pela UEFA).
De facto – após tal confronto inaugural, favorável ao Barcelona, decidido apenas num terceiro jogo -, os dois clubes cruzaram-se, no decurso de um período de 18 anos (de 2000 a 2018), nada menos que 14 vezes, disputando seis eliminatórias (duas delas meias-finais da “Champions League”)… mas nenhuma Final, com a turma catalã a levar a melhor em quatro dessas ocasiões – a que acrescem os dois jogos realizados na fase de grupos de 2006-07.
Pelo que o aparente equilíbrio a nível de vitórias, empates e derrotas é desfeito, se tivermos em consideração o desfecho das eliminatórias, com o Barcelona a seguir em frente por cinco vezes, face a apenas dois casos (2005 e 2012) em que foi o Chelsea a levar a melhor.
Na estreia dos duelos entre ambos, na referida temporada de 1965-66, depois de triunfos caseiros por 2-0 em ambas as mãos das meias-finais da Taça das Cidades com Feiras, apenas num terceiro jogo, de desempate, disputado na cidade condal (local definido por “moeda ao ar”), a eliminatória ficou decidida, com um categórico 5-0 para a equipa “blaugrana”. Na Final, a duas mãos, o Barcelona, batendo o Zaragoza, conquistaria o seu terceiro troféu na competição.
Após um interregno de 34 anos, os dois emblemas voltaram a encontrar-se, na época de 1999-00, com o Chelsea a vencer em Londres por 3-1, vantagem que se revelaria insuficiente, face à goleada sofrida em Barcelona, perdendo por 5-1, números alcançados, não obstante, apenas após prolongamento. Todavia, o conjunto catalão (onde alinhavam Luís Figo e Simão Sabrosa) viria a ser afastado logo de seguida, perdendo as meias-finais ante o Valencia.
De 2004-05 a 2008-09, apenas na temporada de 2007-08 não tivemos direito a reedição deste “clássico”.
No primeiro dessas edições da Liga dos Campeões, o Chelsea (dirigido por José Mourinho – que, logo na sua época de estreia no clube, reconquistaria, após um longo jejum de 50 anos, o título de Campeão de Inglaterra -, contando com Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira e Tiago) reverteria o 1-2 sofrido em Barcelona, com um 4-2 em Londres (tendo chegado a 3-0 ainda antes dos vinte minutos). A formação inglesa ultrapassaria ainda o Bayern, vindo contudo a ser batida nas meias-finais pelo Liverpool (devido a um único tento sofrido, nos 180 minutos da eliminatória).
Em 2005-06, novo reencontro, outra vez nos 1/8 de final, desta feita com o Barcelona a ir vencer a “Stamford Bridge” por 2-1, preciosa vantagem que conservou, em casa, com um empate a uma bola. Na sua caminhada triunfal para a conquista da primeira “Liga dos Campeões” (segundo título de Campeão Europeu) o Barcelona (dirigido por Frank Rijkaard) superiorizar-se-ia ainda ao Benfica (1/4 de final) e AC Milan, antes de bater, na Final no “Stade de France”, o Arsenal.
Confirmando “que não há duas sem três”, os dois clubes defrontaram-se, uma vez mais, em 2006-07, agora na fase de grupos, cabendo então ao Chelsea ganhar em casa (1-0), tendo ido empatar 2-2 a “Camp Nou”, apurando-se ambos para a fase a eliminar. O então Campeão em título, Barcelona, cairia logo nos 1/8 de final, ante o Liverpool; quanto ao Chelsea, depois de afastar o FC Porto e o Valencia, acabaria por ter a “mesma sorte”, sendo – novamente, tal como sucedera em 2004-05 – afastado nas meias-finais pelo Liverpool, desta vez no desempate da marca de grande penalidade.
Após um ano de intervalo, Barcelona e Chelsea voltaram a cruzar-se em 2008-09, nas meias-finais, com o desfecho a saldar-se por dois empates, mas a favorecer o Barcelona (na época de estreia de Pep Guardiola), que, após o nulo registado em “Camp Nou”, conseguiria, na 2.ª mão, já em período de compensação, marcar um golo em Londres (por Andrés Iniesta) que lhe proporcionaria o apuramento, numa partida marcada por uma muito “infeliz” arbitragem, extremamente contestada pelos ingleses (isto depois de o Chelsea ter deixado antes pelo caminho a Juventus e o… Liverpool). Vencendo a Final, disputada em Roma, frente ao detentor do título, Manchester United, o Barcelona sagrar-se-ia então Campeão Europeu pela terceira vez no seu historial.
A disputa das meias-finais da Liga dos Campeões teria uma reedição três anos volvidos, em 2011-12, desta vez com o Chelsea a ser mais bem sucedido, ganhando em casa por 1-0 e forçando um empate a dois golos em Barcelona, tal como fizera cinco anos (desta vez, recuperando de uma desvantagem de 0-2, em inferioridade numérica, por expulsão de Terry, com o tento decisivo, de Fernando Torres, a surgir também em tempo de compensação).
Os “blues” garantiam a presença na Final de Munique (arbitrada por Pedro Proença), na qual, mais “felizes” nas grandes penalidades, bateriam o anfitrião Bayern, assim conquistando para o Chelsea o primeiro troféu de Campeão da Europa, sob a direcção de Roberto Di Matteo (após ter substituído André Villas-Boas, no período entre os jogos da 1.ª e da 2.ª mão dos 1/8 de final).
Por fim, as duas equipas tornaram a confrontar-se nos 1/8 de final, há duas épocas (2017-18), com o Barcelona a ser, outra vez, mais forte: após a igualdade a um golo averbada em Londres, os catalães venceram por categórico 3-0 em casa. Todavia, o Barcelona veria a sua campanha findar logo de seguida, nos 1/4 de final, ao perder, de forma absolutamente imprevista, também por 3-0, em Roma (desperdiçando assim a aparentemente “confortável” vantagem de 4-1 obtida na 1.ª mão).




