Liga dos Campeões – 1/4 de Final (1.ª mão)
Chelsea – Real Madrid – 1-3
Manchester City – At. Madrid – 1-0
Villarreal – Bayern – 1-0
Benfica – Liverpool – 1-3
Liga dos Campeões – 1/4 final (1.ª mão) – Benfica – Liverpool
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (70m – Soualiho Meïté), Everton Soares (82m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (86m – João Mário) e Darwin Núñez
Liverpool – Alisson Becker, Trent Alexander-Arnold (89m – Joseph “Joe” Gomez), Ibrahima Konaté, Virgil Van Dijk, Andrew “Andy” Robertson, Naby Keïta (89m – James Milner), Fábio Tavares “Fabinho”, Thiago Alcântara (61m – Jordan Henderson), Mohamed Salah (61m – Diogo José “Jota”), Luis Díaz e Sadio Mané (61m – Roberto Firmino)
0-1 – Ibrahima Konaté – 17m
0-2 – Sadio Mané – 34m
1-2 – Darwin Núñez – 49m
1-3 – Luis Díaz – 87m
Cartões amarelos – Adel Taarabt (63m); Thiago Alcântara (58m)
Árbitro – Jesús Gil Manzano (Espanha)
Foi “pena” o golo sofrido já à beira do fim… o 1-2 permitiria ainda levar a eliminatória “viva” para Liverpool. Mas, efectivamente, o resultado poderia ter sido bastante mais gravoso para o Benfica, e, logo, na metade inicial do jogo.
As equipas portuguesas têm vindo, sucessivamente, a demonstrar, perante este tipo de adversários do mais alto gabarito (veja-se os casos de jogos do FC Porto, Sporting e Benfica, frente a Liverpool, Manchester City e Bayern – hoje por hoje, as melhores equipas do Mundo), enorme dificuldade em delinear uma abordagem que possa ser consentânea / minimamente adaptada face às necessidades, atendendo à exigência a nível competitivo e de intensidade que tais rivais impõem: “jogar o jogo pelo jogo” seria assumir uma espécie de “hara-kiri”; acantonar-se à defesa, não tem proporcionado muito melhores resultados.
Ainda assim, uma coisa é jogar à defesa – como o Benfica fez em Amesterdão – frente a um opositor do nível do Ajax, com alguma probabilidade, como sucedeu, de “correr bem”; outra coisa, distinta, é defrontar um dos clubes antes referidos.
Pois, algo atemorizado perante o poderio do Liverpool, o Benfica insistiu na estratégia defensiva, “encolhendo-se” de tal maneira, que, objectivamente, abdicou de competir, durante larga fase do primeiro tempo.
Foi um “convite” – ao qual a equipa inglesa acedeu de bom grado – a que o oponente, com amplo espaço livre na zona intermediária do campo, viesse para cima da defesa benfiquista, necessariamente impotente para dar resposta a todas as investidas, múltiplos cruzamentos, diagonais, rupturas diversas, incapaz de controlar a profundidade do futebol ofensivo contrário.
Um golo aos 17 minutos; um segundo decorridos outros 17 minutos e Vlachodimos a impedir que o “placard” subisse até aos 4 ou 5 ainda na primeira metade, perante uma equipa do Benfica “à deriva” dentro de campo, incapaz de encontrar o posicionamento que lhe permitisse resistir ao turbilhão.
Ficou por compreender exactamente se a configuração do jogo na segunda metade terá decorrido mais de alguma “soberba” do Liverpool, confiado nas excessivas facilidades com que até aí deparara, pensando estar a eliminatória resolvida, tirando o “pé do acelerador”, se, ao invés, foi o Benfica a conseguir assumir e impor um outro tipo de abordagem.
A verdade é que, mal as equipas tinham regressado ao relvado, já o Benfica estava a reduzir o marcador para a diferença mínima, na sequência de um bom cruzamento, do flanco direito, de Rafa, com o central Konaté (que apontara o tento inicial da partida, na sequência de um pontapé de canto, cabeceando em plena liberdade no eixo da área benfiquista) desastradamente a falhar a intercepção, e Darwin, com uma calma notável, a dominar a bola e a desviá-la do alcance do guarda-redes.
O golo teve o condão de animar a Luz, com os adeptos – recordando-se do que sucedera no jogo da 1.ª mão, frente ao Ajax -, numa atmosfera de crescente e vibrante entusiasmo (num Estádio praticamente lotado) a levarem a “equipa ao colo”, dando força e energia para que o Benfica conseguisse superar-se, melhorando a sua produção de forma assinalável.
Durante um período de cerca de vinte minutos, o Benfica superiorizou-se (!) ao adversário, baralhando-o, com o Liverpool, inesperadamente, a ser permeável a sucessivos lances de ataque organizado e/ou de transição, que os benfiquistas iam conseguindo desenvolver.
O Benfica jogava bem – bastante melhor até do que tinha feito em Amesterdão. De tal forma que se passou a acreditar piamente que era possível chegar ao empate. Que Everton teve nos pés, quando, enquadrado com a baliza, liberto de marcação, fez um remate que saiu fraco, e à figura de Alisson. O próprio Darwin teria ocasião de bisar.
Em gestão de esforço – tendo em mente o que poderá ser o “desafio do título”, no Domingo, em Manchester, ante o City – Klopp procedeu, à passagem da hora de jogo, a “rotação”, fazendo entrar, simultaneamente, Diogo Jota, Firmino e Henderson, numa tripla substituição, para os lugares de Salah, Mané e Thiago Alcântara.
O fulgor benfiquista ia-se desvanecendo, à medida que a equipa começava a acusar alguma inevitável fadiga, perante a intensidade do desafio, com o Liverpool, gradualmente, a retomar o controlo.
Depois da bela reacção benfiquista, o tal terceiro golo soou a punição excessiva, mesmo que o desfecho final (margem da vitória inglesa) não esteja desfasado do desempenho das duas equipas dentro de campo, na globalidade do tempo de jogo.
Ficou a demonstração de que é possível competir, mesmo que seja muito difícil fazê-lo durante os noventa minutos, ao ritmo estabelecido por adversários deste quilate. O Benfica parece próximo de finalizar a sua campanha desta temporada na “Liga dos Campeões”, mas, pelo que fez esta noite, poderá sair de “cabeça erguida”… desde que consiga “estar à (sua) altura” na partida em Inglaterra.
O Pulsar do Campeonato – 23ª Jornada

(“O Templário”, 31.03.2022)
Não obstante se tenham registado cinco triunfos dos visitantes (apenas U. Tomar e Amiense venceram em casa) a 23.ª ronda do Distrital da I Divisão caracterizou-se, em termos gerais, pela lógica: foram derrotados todos os clubes que ocupam os sete últimos lugares, tendo-se registado uma igualdade, num confronto em que o anterior 5.º classificado recebeu o 4.º da tabela.
Os principais beneficiados da jornada foram o Rio Maior – superou, aparentemente com facilidade, o que se antecipava poder ser uma deslocação de alguma complexidade, a Torres Novas, encurtando assim a “distância” que o separa do presumível título – e o Fazendense, aproveitando o empate do Mação, para se isolar no 3.º lugar.
Destaques – A primeira nota de realce vai justamente para a presteza com que o Rio Maior se desembaraçou do seu adversário, em Torres Novas, onde, apenas com um quarto de hora, ganhava já por 2-0, tendo arrumado a contenda antes da meia hora de jogo, fixando o que seria o 0-3 final.
Precisamente o mesmo desfecho (0-3) averbado pelo Fazendense, num categórico triunfo obtido no “derby”, no terreno do U. Almeirim, agravando a situação delicada que o 1.º classificado do campeonato de há dois anos (então interrompido, devido ao surgimento da pandemia) atravessa, actualmente no penúltimo lugar, portanto em posição de despromoção (a consumar-se, no final, tal traduzir-se-ia na segunda descida de divisão sucessiva dos almeirinenses) – por agora, com sete desafios por disputar, dois pontos abaixo do Ferreira do Zêzere e a quatro do At. Ouriense.
Em destaque estiveram também as equipas do Alcanenense, Samora Correia e Benavente, pelas vitórias alcançadas extra-muros: 2-1 pela turma de Alcanena, no difícil reduto de Salvaterra de Magos (tendo, aliás, liderado por 2-0 quase até final da partida); 2-0 por parte do grupo de Samora Correia, no Cartaxo; e, igualmente por 2-1, pelo conjunto de Benavente, em Ferreira do Zêzere.
Em função destes resultados os vencedores firmam-se na disputa pelo 5.º lugar, actualmente pertença do Alcanenense (5.º), mas somente um ponto acima de Samora Correia e Benavente. Ao invés, os vencidos vêem-se mais distanciados da primeira metade do quadro, ocupando agora o 10.º (Salvaterrense), 12.º (Cartaxo) e 14.º lugar (Ferreira do Zêzere).
E, se no caso dos emblemas de Salvaterra e Magos e do Cartaxo, respectivamente com doze e dez pontos de vantagem sobre os ferreirenses, a sua situação é de grande tranquilidade quanto ao objectivo de permanência no escalão principal, já o emblema do Zêzere deu “um passo atrás” na recuperação que vem encetando (mesmo que, no imediato, sem repercussão a nível da ordenação dos clubes na tabela), sobretudo por se ter tratado de desaire caseiro.
Acresce que a equipa de Ferreira até começara por se colocar em vantagem, vindo a sofrer o tento do empate à passagem da hora de jogo, para acabar por ver consumar-se a reviravolta no marcador já em período de compensação, perdendo um ponto que poderá vir a ser relevante.
Quem parece encaminhar-se irremediavelmente para a divisão secundária é o Glória do Ribatejo, com o 6-0 sofrido em Amiais de Baixo a poder indiciar como que um “atirar de toalha ao chão”.
Confirmações – Numa jornada sem grandes surpresas – mesmo considerando os mencionados êxitos de Alcanenense e Samora Correia, em terreno alheio –, anota-se a repartição de pontos no Abrantes e Benfica-Mação (empate a duas bolas), o que, não tendo sido um desfecho de todo negativo para os abrantinos (face ao potencial do adversário), acabou por lhes ser duplamente penalizador: por um lado, deixaram escapar – num único minuto, entre o 62 e o 63 – a vantagem de dois golos que tinham alcançado logo nos dez minutos iniciais; por outro, baixaram à 8.ª posição, pouco condizente com as suas aspirações, ainda que o 5.º lugar esteja só a dois pontos.
O U. Tomar, recebendo o At. Ouriense, também envolvido na luta pela manutenção (é 13.º classificado, somente dois pontos acima da “linha de água”, num cenário de virem a ser três os clubes a despromover) debateu-se ainda com a “ressaca” do insucesso do fim-de-semana anterior.
Com a equipa a denotar dificuldade em “carburar” da forma habitual, só à beira do termo da primeira parte os nabantinos conseguiriam chegar ao golo – num lance assinalado por uma infelicidade, com o guardião contrário a atingir, inadvertidamente, um companheiro, que, caindo desamparado no terreno, foi submetido a assistência médica no local, com o jogo interrompido durante cerca de meia hora, tendo sido transportado para o hospital. Acima de tudo, os votos são, naturalmente, da sua boa recuperação e pronto restabelecimento.
Na segunda metade, a turma unionista continuou exposta aos perigosos contra-ataques da formação de Ourém, com o guarda-redes Ivo Cristo a ter papel fundamental na preservação da vantagem das suas cores. Mesmo depois de terem chegado a 2-0, os visitados, tendo consentido a redução para a diferença mínima, voltaram a oscilar. A tranquilidade só chegaria na fase final, com mais um golo apontado, a estabelecer o resultado de 3-1.
Será um desafio a requerer grande superação o que o União enfrenta até final: o de, sem vacilar, tentar vencer jogo após jogo, ansiando que o rival na luta pelo título possa vir a ter alguma quebra.
II Divisão Distrital – Mercê da difícil vitória, por tangencial 3-2, alcançada no terreno do Rebocho, o Forense garantiu, a uma ronda do final da primeira fase do campeonato, a última vaga de acesso à disputa do título de Campeão e de promoção à I Divisão (três primeiros da fase final).
Estão já matematicamente apurados: Águias de Alpiarça e Forense (Série A); Fátima e Entroncamento AC (Série B); e Moçarriense e Espinheirense (Série C). O Marinhais (tendo goleado por 5-0 em Benfica do Ribatejo) é quem ficou mais próximo, posicionando-se quatro pontos abaixo dos dois primeiros da série A – na série C o Tramagal está seis pontos atrás do 2.º.
Campeonato de Portugal – Em jogo de “acerto de calendário”, o Coruchense entrou com o “pé direito” neste “mini-campeonato” (apenas seis jornadas) para disputa da manutenção nos Nacionais, ganhando por 2-1 na recepção ao V. Sernache. Reparte, pois, o 1.º lugar com o Marinhense (que vencera, na estreia, na semana anterior, em Peniche), ambos com três pontos.
Antevisão – Na divisão principal os dois primeiros jogam em casa, com o Rio Maior a receber o Salvaterrense, enquanto o U. Tomar disputará um “clássico”, com o vizinho Ferreira do Zêzere, muito necessitado de pontos. De interesse será também o Samora Correia-Abrantes e Benfica.
Na derradeira ronda da II Divisão o Marinhais terá a visita do Forense, num embate no qual, porém, os visitados não conseguirão já superar a desvantagem, que os arredou da fase final. O Fátima recebe o Riachense, bastando-lhe pontuar para confirmar o 1.º lugar da série. Num “quase derby” o Moçarriense desloca-se ao Espinheiro, procurando completar o trajecto 100% vitorioso.
Na Liga 3 o U. Santarém terá um encontro crucial, na Cova da Piedade, clube que o precede na classificação, e que poderá ser o de mais plausível ultrapassagem, na busca pela manutenção; no Campeonato de Portugal o Coruchense recebe o Marinhense, em mais um difícil compromisso.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 31 de Março de 2022)
Sorteio – Mundial 2022
Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Qatar Inglaterra Argentina França Países Baixos EUA México Dinamarca Senegal Irão Polónia Tunísia Equador Gales/Esc./Ucr. A. Saudita EAU/Aust./Peru Grupo E Grupo F Grupo G Grupo H Espanha Bélgica Brasil Portugal Alemanha Croácia Suíça Uruguai Japão Marrocos Sérvia Coreia Sul C.Rica/N.Zel. Canadá Camarões Ghana
Portugal estreia-se na Fase Final do Mundial 2022 a 24 de Novembro, frente ao Ghana; voltará a jogar a 28 de Novembro, com o Uruguai, finalizando a fase de grupos a 2 de Dezembro, ante a Coreia do Sul.
Mundial 2022 – Play-off (Zona Europeia) – “Finais”
País de Gales – Escócia / Ucrânia – (Adiado)
Polónia – Suécia – 2-0
Portugal – Macedónia do Norte – 2-0
Estão já apuradas 27 das selecções que marcarão presença na Fase Final do Campeonato do Mundo:
- Europa (12) – Alemanha, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Países Baixos, Polónia, Portugal, Sérvia e Suíça
- África (5) – Camarões, Ghana, Marrocos, Senegal e Tunísia
- Ásia (5) – Qatar, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Irão e Japão
- América do Sul (4) – Brasil, Argentina, Uruguai e Equador
- América do Norte (1) – Canadá
Falta determinar mais duas vagas de apuramento directo na América do Norte, uma na Europa (jogos do play-off que foram adiados – a decidir entre País de Gales – Escócia/Ucrânia) e definir os vencedores dos dois play-offs intercontinentais (a disputar apenas em Junho): (i) Emiratos Árabes Unidos/Austrália – Peru; e (ii) EUA/México/Costa Rica – N. Zelândia/Ilhas Salomão.
Actualização a 31.03.2022 – México e EUA garantiram as duas últimas vagas de apuramento directo (América do Norte). Os play-offs intercontinentais terão o seguinte alinhamento: Emiratos Árabes Unidos/Austrália – Peru; e Costa Rica – N. Zelândia.
Portugal – Macedónia do Norte (Mundial 2022 – Play-off – “Final”)
Estádio do Dragão, Porto
Portugal – Diogo Costa, João Cancelo, Danilo Pereira, Pepe, Nuno Mendes, Bruno Fernandes (87m – Matheus Nunes), João Moutinho (90m – Vítor Ferreira “Vitinha”), Otávio Monteiro (76m – William Carvalho), Diogo Jota (76m – Rafael Leão), Bernardo Silva (87m – João Félix) e Cristiano Ronaldo
Stole Dimitrievski, Stefan Ristovski, Visar Musliu, Darko Velkoski, Ezgjan Alioski, Eljif Elmas (87m – Boban Nikolov), Enis Bardi, Arijan Ademi, Aleksandar Trajkovski (59m – Darko Churlinov), Milan Ristovski (45m – Bojan Miovski) e Tihomir Kostadinov (75m – Stefan Ashkovski)
1-0 – Bruno Fernandes – 32m
2-0 – Bruno Fernandes – 65m
Cartões amarelos – João Cancelo (68m); Visar Musliu (68m) e Ezgjan Alioski (74m)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
Agora, findos os jogos do play-off, constata-se que Portugal conseguiu, com muito maior facilidade que o esperado, garantir o apuramento para a fase final do Mundial. Efectivamente – beneficiando, em larga medida, da grande surpresa protagonizada pela Macedónia do Norte em Itália –, a selecção portuguesa acabou por ver-se confrontada com duas equipas de nível manifestamente inferior ao seu.
Fazendo alinhar nesta “final” João Cancelo, Pepe e Nuno Mendes (por troca com Diogo Dalot, José Fonte e Raphaël Guerreiro), a formação nacional fez uma exibição segura, controlando durante praticamente todo o jogo, exercendo natural predomínio.
Isto apesar de a Macedónia do Norte ter começado por surpreender, entrando em campo de forma muito aguerrida, com linhas subidas, a disputar os lances a meio-campo, visando bloquear, logo aí, as iniciativas contrárias, beneficiando também, nessa fase, de um estilo de arbitragem que ia enervando os portugueses, permitindo excessiva agressividade aos adversários.
Ainda assim, nesse período, os lances de maior perigo surgiriam, primeiro, num remate cruzado de Cristiano Ronaldo, no flanco esquerdo, a sair a rasar o poste da baliza de Dimitrievski; e, logo depois, num cabeceamento “defeituoso” de Diogo Jota, muito direccionado para o solo, a desperdiçar soberana ocasião de marcar.
Por curiosidade, Portugal chegaria ao golo de forma talvez menos expectável, num lance de transição, aproveitando um mau passe (de grande risco) de Stefan Ristovski, na zona intermediária, paralelo à linha de meio campo, mas ligeiramente atrasado, o qual seria interceptado por Bruno Fernandes, que, após pronta combinação com Cristiano Ronaldo, surgiu desmarcado, a rematar colocado, para o fundo da baliza.
Não obstante a Macedónia como que tivesse “desaparecido” do jogo, o tento da confirmação só chegaria passada outra meia hora de jogo (já após o intervalo), outra vez com início numa recuperação de bola, com Diogo Jota a fazer excelente assistência, de “longa distância”, para notável remate, na passada, do mesmo Bruno Fernandes, particularmente inspirado nesta noite, igualmente sem hipóteses para o guardião macedónio.
Até final, Portugal ainda podia ter ampliado a contagem, não fosse um defesa ter “tirado o pão da boca” a Cristiano Ronaldo, num corte “in extremis”, quando este se preparava para “fazer o gosto ao pé”.
A selecção nacional, sem necessidade de se aplicar a fundo, ou de “brilhar”, não deixou de colocar em evidência o seu superior potencial, face a uma inofensiva equipa contrária, que não conseguiu qualquer remate enquadrado à baliza portuguesa, obtendo um triunfo tão claro como lógico.
Desde a ausência da fase final do Mundial de 1998, em França, nunca mais Portugal voltou a falhar uma grande competição internacional, somando, consecutivamente, 12 participações: seis no Europeu (2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020/21) e, agora, outras tantas em Campeonatos do Mundo (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) – a que junta os até então raros apuramentos (1966 e 1986 no Mundial; 1984 e 1996 em Europeus).
Para ilustrar esta proeza lusa, anote-se que apenas três países (Alemanha, Espanha e França) acompanharam Portugal em todas estas 12 fases finais, superando o registo português: os germânicos não falham uma fase final desde o Europeu de 1968 (somando 13 Europeus e 14 Mundiais sucessivos); os espanhóis registam 15 presenças consecutivas (desde 1994, com 8 Mundiais e 7 Europeus); enquanto os gauleses alcançaram uma série de 14 participações (desde 1996, com 7 Mundiais e 7 Europeus) – devendo, por outro lado, considerar-se ainda os casos do Brasil (nunca falhou o Mundial, que irá disputar pela 22.ª vez) e Argentina (13 presenças sucessivas, desde 1974).
Óscares – 2022 – Vencedores
E os vencedores dos Óscares foram:
- Melhor filme – “CODA – No Ritmo do Coração” – CODA
- Melhor realizador – Jane Campion (“O Poder do Cão” – The Power of the Dog)
- Melhor actor – Will Smith (“King Richard: Para Além do Jogo” – King Richard)
- Melhor actriz – Jessica Chastain (“Os Olhos de Tammy Faye” – The Eyes of Tammy Faye)
- Melhor actor secundário – Troy Kotsur (“CODA – No Ritmo do Coração” – CODA)
- Melhor actriz secundária – Ariana DeBose (“West Side Story”)
Consultar a lista completa aqui.
O Pulsar do Campeonato – 22ª Jornada

(“O Templário”, 24.03.2022)
O embate do passado sábado entre Rio Maior e U. Tomar traduziu-se num duelo bem à altura das expectativas, entre aquelas que têm demonstrado ser as duas melhores equipas do campeonato – colocando-se mutuamente acrescidos níveis de exigência, reforçando a competitividade de cada uma delas –, uma disputa de alta intensidade, com interessantes cambiantes tácticas, culminando como pináculo desta temporada, num desafio claramente ao nível de um escalão superior.
Em função do desfecho registado (2-1), o Rio Maior reforça significativamente a sua posição privilegiada, passando agora a dispor de confortável margem de erro, que lhe proporciona poder ter até dois desaires, sem comprometer o objectivo. Por seu lado – e mesmo sem poder ter qualquer garantia de que tal possa vir a bastar – ao União restará lutar pela vitória, jogo a jogo, nas oito rondas que subsistem por disputar, procurando adiar até ao limite a decisão do título.
Destaque – Em ambiente de “clássico”, com boa moldura humana – num Estádio com excelentes condições e um relvado natural de grandes dimensões –, a turma unionista até começou por ter uma primeira investida à área contrária, ganhando um pontapé de canto logo nos instantes iniciais; porém, durante os primeiros vinte minutos, a forte intensidade do grupo da casa provocou que os tomarenses sentissem grandes dificuldades para conseguir libertar-se da pressão e sair a jogar.
A equipa nabantina, tendo entretanto conseguido adaptar-se e encaixar face ao esquema táctico adversário, teve, passado esse período, a sua melhor fase – a qual viria a ser coroada com um golo de bela execução, à passagem da meia hora, com João Marchão a dar perfeita sequência a bom cruzamento de Pedro Pires, após boa arrancada pela direita –, o que faria “abanar” a formação riomaiorense, com o União, praticamente até final da primeira metade, na “mó de cima”.
A vantagem tomarense era curta e sabia-se, claro, que a reacção dos donos da casa se faria sentir no segundo tempo. No recomeço, o conjunto visitante ia conseguindo manter o perigo afastado da sua baliza, mas um momento crucial do jogo viria a ocorrer aos 57 minutos, com a substituição forçada de Henrique Matos, a obrigar a adaptações: recuo de Siaka Bamba para central; baixa de Tiago Vieira para a zona intermediária, com Wemerson Silva a passar ser a referência na frente.
Outra vez com maior dificuldade em “ter bola”, perante o intensificar da pressão do Rio Maior, o União resistia como virtual “1.º classificado” até à entrada do derradeiro quarto de hora… todavia, num período de menos de dez minutos, viria a operar-se a reviravolta no marcador: primeiro, Geraldino Barbosa, acabado de entrar em campo, a restabelecer o empate, na sequência de um lance de bola parada (canto); apenas sete minutos volvidos seria o francês Alex Diliberto, com notável execução técnica, a desviar a bola do alcance do guardião, a fixar o “placard” em 2-1.
O técnico unionista acabara de refrescar a sua equipa, que denotava já grande desgaste, operando dupla substituição, quando, de imediato, sofreu o primeiro golo. Ao contrário do jogo da primeira volta, no qual os tomarenses se tinham imposto na segunda parte, desta feita a equipa, tendo dado “tudo o que tinha” dentro de campo, acabaria por ficar como que “sem gás” para o quarto de hora final, em contraponto à final e vigorosa aceleração contrária.
Na dúzia de minutos que restavam ainda por jogar (incluindo tempo de compensação), não haveria já força física e anímica para reagir de forma que pudesse ser eficaz, perante um adversário de grande valor e qualidade, que acabou por, meritoriamente, justificar o resultado, pese embora a repartição de pontos pudesse ter sido desfecho mais apropriado ao labor das duas formações.
Surpresas – A 22.ª jornada foi repleta em surpresas, como raramente se terá visto nesta temporada, desde logo com o duo que partilha o 3.º posto a não conseguir tirar benefícios do resultado desfavorável averbado pelo U. Tomar. De facto, quer Fazendense, quer Mação, foram inesperadamente desfeiteados nos seus próprios redutos, perdendo, respectivamente, ante o Salvaterrense (0-2) e o Cartaxo (1-2), clubes que, desta forma, praticamente garantem um final de época tranquilo – no caso dos cartaxeiros ainda com ambições na Taça do Ribatejo.
O mesmo sucedeu na Glória do Ribatejo, num electrizante desafio, ante o Abrantes e Benfica, finalizado com igualdade a três bolas – tendo ambas as equipas marcado já para além do minuto 90 –, contudo um desfecho ainda assim insuficiente para fortalecer as esperanças dos visitados, agora ainda mais distantes da “linha de água”. E isto porque, em partida que poderá vir a revelar-se crucial, o Ferreira do Zêzere foi ganhar a Ourém, ao At. Ouriense, por muito imprevisto 3-0.
Confirmações – Nos restantes três encontros os visitados impuseram-se, com triunfo categórico (4-1) do Samora Correia face ao U. Almeirim (que, assim, cai na zona de despromoção), a mesma marca registada no Alcanenense-Torres Novas (com os torrejanos aquém das expectativas, vindos de triunfo ante o Fazendense); enquanto o Benavente bateu, por 3-1, o Amiense, voltando a aproximar-se da 5.ª posição, agora repartida pelos abrantinos e pelo grupo de Alcanena.
II Divisão Distrital – O principal realce vai para a convincente vitória (3-0) do Águias de Alpiarça ante o Forense, isolando-se na liderança da sua série, com três pontos de vantagem (ainda que o Forense tenha um jogo a menos), ao mesmo tempo que confirma matematicamente o apuramento para a fase final, de disputa de Campeão e de promoção. O Marinhais, ganhando por tangencial 2-1 ao Porto Alto, “sonha” ainda com a remota possibilidade de apuramento (dista quatro pontos do conjunto dos Foros de Salvaterra), a duas rondas do final desta primeira fase.
Têm também já confirmada a qualificação para tal fase final o Fátima (3-0 ao Goleganense) e o Entroncamento AC (3-1 no terreno da U. Atalaiense), tal como o Moçarriense (5-1 fora de casa, ante o Aldeiense, mantendo o pleno de vitórias – 14) e o Espinheirense (1-0 em casa, com o Pego).
Liga 3 – Foi algo “estranha” a evolução do resultado no jogo de arranque da disputa da fase de manutenção, no qual o U. Santarém recebeu o Amora: tendo-se visto em inferioridade numérica logo a partir dos cinco minutos, os escalabitanos chegariam ao intervalo a ganhar por 2-0; após terem também ficado reduzidos a dez elementos (ainda antes do final da primeira parte), os amorenses viriam a conseguir, na etapa complementar, restabelecer a igualdade, a dois golos.
Dado o empate entre Caldas e Cova da Piedade mantêm-se inalteradas as posições, com o U. Santarém em 4.º e último da sua série, dois pontos abaixo dos piedenses, seus próximos rivais.
Antevisão – Avulta, no Distrital da I Divisão, o Torres Novas-Rio Maior, primeiro “teste” do agora reforçado líder, para além do “derby” U. Almeirim-Fazendense, enquanto o U. Tomar recebe o At. Ouriense, urgentemente carenciado de pontos para procurar escapar à zona perigosa.
Na II Divisão Distrital, o Forense poderá ser o sexto e último clube a confirmar o apuramento para a fase final, caso vença no terreno do Rebocho (caso contrário, poderíamos ter um “escaldante” Marinhais-Forense, confronto agendado para a derradeira jornada).
Com o decurso regular dos nacionais em pausa no fim-de-semana, o Coruchense entra em acção, para disputar o desafio da ronda inaugural, adiado para este domingo, recebendo o V. Sernache.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Março de 2022)
Mundial 2022 – Play-off (Zona Europeia) – “Semi-finais”
Semi-final 1 – Escócia – Ucrânia – (Adiado)
Semi-final 2 – País de Gales – Áustria – 2-1
Semi-final 3 – Rússia – Polónia – Jogo não disputado, devido ao facto de a selecção russa ter sido suspensa da competição, no âmbito das sanções aplicadas à Rússia pela invasão da Ucrânia
Semi-final 4 – Suécia – R. Checa – 0-0 (1-0 a.p.)
Semi-final 5 – Itália – Macedónia do Norte – 0-1
Semi-final 6 – Portugal – Turquia – 3-1
O alinhamento – previamente sorteado – dos jogos das “finais”, agendados para o próximo dia 29 de Março, é o seguinte:
País de Gales – Escócia / Ucrânia
Polónia – Suécia
Portugal – Macedónia do Norte
A Campeã da Europa em título, Itália, foi surpreendida, em casa, perdendo com a Macedónia do Norte, mercê de um golo apontado já em período de compensação, com os italianos a falharem o apuramento para o Mundial pela segunda edição sucessiva. Tendo-se estreado em fases finais de grandes competições no “EURO 2020”, em Junho do ano passado, a Macedónia do Norte ganhara já, na fase de grupos desta qualificação para o Mundial, na Alemanha, há cerca de um ano, tendo ido agora vencer a Itália.
Portugal – Turquia (Mundial 2022 – Play-off – “Semi-final”)
Estádio do Dragão, Porto
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Danilo Pereira, José Fonte, Raphaël Guerreiro (88m – Nuno Mendes), Bruno Fernandes (80m – William Carvalho), João Moutinho (88m – Matheus Nunes), Bernardo Silva, Otávio Monteiro (88m – Rafael Leão), Diogo Jota (71m – João Félix) e Cristiano Ronaldo
Turquia – Uğurcan Çakır, Ozan Kabak, Merih Demiral, Çağlar Söyüncü, Berkan Kutlu (90m – Serdar Dursun), Zeki Çelik (80m – Yusuf Yazıcı), Orkun Kökçü (80m – Dorukhan Toköz), Hakan Çalhanoğlu, Kerem Aktürkoglu (66m – Enes Ünal), Cengiz Ünder e Burak Yılmaz
1-0 – Otávio Monteiro – 15m
2-0 – Diogo Jota – 42m
2-1 – Burak Yılmaz – 65m
3-1 – Matheus Nunes – 90m
Cartões amarelos – Diogo Jota (35m) e João Moutinho (86m); Zeki Çelik (35m), Hakan Çalhanoğlu (69m), Merih Demiral (76m) e Dorukhan Toköz (90m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Pese embora uma exibição desequilibrada e inconstante, com “altos” e “baixos”, o primeiro objectivo (intermédio) foi alcançado: o apuramento para o jogo da final dos “play-off”, no qual Portugal irá disputar, com a surpreendente Macedónia do Norte, a qualificação para a fase final do Mundial 2022.
A selecção portuguesa ganhou à Turquia, porque é claramente melhor – mesmo privada de elementos-chave na defesa como têm sido João Cancelo, Rúben Dias ou Pepe, obrigando ao recurso a José Fonte e ao recuo de Danilo Pereira para o eixo central, e com alguma surpresa na titularidade (em estreia) do guardião Diogo Costa.
Mas não deixou de passar por um enorme susto quando, a escassos cinco minutos do final, Burak Yılmaz teve a soberana oportunidade de igualar o marcador a dois golos, tendo, para nossa tranquilidade, desperdiçado a grande penalidade de que dispôs, ao rematar muito por alto.
Com uma boa entrada em jogo, afirmativa, assumindo a iniciativa, “sufocando” o adversário, Portugal cedo chegou ao golo de que necessitava para poder serenar, isto depois de ter já deixado algumas ameaças, uma delas com uma perdida flagrante de Diogo Jota. Foi na sequência de um remate de Bruno Fernandes, com a bola a embater com estrondo no poste, surgindo Otávio, muito oportuno, a antecipar-se e a fazer a recarga para o fundo da baliza.
Já depois de um período de algumas perdas de bola na fase de construção, a actuação da equipa portuguesa, mantendo a toada ofensiva, culminaria com o segundo tento, obtido já à beira do intervalo, pelo mesmo Diogo Jota, assistido por Otávio, uma aposta para esta partida, ganha pelo seleccionador Fernando Santos. Parecia uma margem confortável e segura.
Na segunda metade, aproveitando também alguma quebra anímica por parte da selecção turca, a formação nacional, continuando a exercer forte domínio, mesmo que baixando a intensidade de jogo, teve ocasiões para ampliar o marcador (em especial, de novo, por Diogo Jota, por mais de uma vez), mas não conseguiria chegar ao 3-0, que teria, desde logo, ditado o desfecho do desafio.
Perante tantas (aparentes) “facilidades”, vindo gradualmente a cair de produção, principalmente após o golo turco, apontado por Burak Yılmaz (a aproveitar alguma passividade na defesa), Portugal correu riscos que teriam sido desnecessários, tendo perdido o controlo do jogo, experimentando então dificuldades para suster a dinâmica turca, agora com renovada crença.
Logo depois de, por via da entrada de William Carvalho (a substituir, a dez minutos do fim, Bruno Fernandes), Fernando Santos ter pretendido “trancar” o resultado, surgiria o lance da grande penalidade, que poderia ter mudado drasticamente a configuração deste embate.
Tendo acabado por passar por um período de algum sofrimento, durante vários minutos, o terceiro golo, da confirmação – com Rafael Leão a desmarcar Matheus Nunes, o qual, com excelente execução técnica, desviou a bola do alcance do guarda-redes –, surgiria apenas já em período de compensação.
Praticamente em simultâneo a Macedónia do Norte acabara de marcar também, em Itália, o tento solitário que foi o bastante para afastar o Campeão Europeu em título do Mundial, no que constitui a segunda fase final sucessiva que os transalpinos falham.
No Estádio do Dragão haveria ainda tempo, nos derradeiros instantes, para Cristiano Ronaldo rematar à trave, no que, a ter-se materializado em golo, constituiria um excessivamente pesado castigo para os turcos, então já conformados com o desenlace da eliminatória.




