O Pulsar do Campeonato – 22ª Jornada

27 Março, 2022 at 11:00 am Deixe um comentário

(“O Templário”, 24.03.2022)

O embate do passado sábado entre Rio Maior e U. Tomar traduziu-se num duelo bem à altura das expectativas, entre aquelas que têm demonstrado ser as duas melhores equipas do campeonato – colocando-se mutuamente acrescidos níveis de exigência, reforçando a competitividade de cada uma delas –, uma disputa de alta intensidade, com interessantes cambiantes tácticas, culminando como pináculo desta temporada, num desafio claramente ao nível de um escalão superior.

Em função do desfecho registado (2-1), o Rio Maior reforça significativamente a sua posição privilegiada, passando agora a dispor de confortável margem de erro, que lhe proporciona poder ter até dois desaires, sem comprometer o objectivo. Por seu lado – e mesmo sem poder ter qualquer garantia de que tal possa vir a bastar – ao União restará lutar pela vitória, jogo a jogo, nas oito rondas que subsistem por disputar, procurando adiar até ao limite a decisão do título.

Destaque – Em ambiente de “clássico”, com boa moldura humana – num Estádio com excelentes condições e um relvado natural de grandes dimensões –, a turma unionista até começou por ter uma primeira investida à área contrária, ganhando um pontapé de canto logo nos instantes iniciais; porém, durante os primeiros vinte minutos, a forte intensidade do grupo da casa provocou que os tomarenses sentissem grandes dificuldades para conseguir libertar-se da pressão e sair a jogar.

A equipa nabantina, tendo entretanto conseguido adaptar-se e encaixar face ao esquema táctico adversário, teve, passado esse período, a sua melhor fase – a qual viria a ser coroada com um golo de bela execução, à passagem da meia hora, com João Marchão a dar perfeita sequência a bom cruzamento de Pedro Pires, após boa arrancada pela direita –, o que faria “abanar” a formação riomaiorense, com o União, praticamente até final da primeira metade, na “mó de cima”.

A vantagem tomarense era curta e sabia-se, claro, que a reacção dos donos da casa se faria sentir no segundo tempo. No recomeço, o conjunto visitante ia conseguindo manter o perigo afastado da sua baliza, mas um momento crucial do jogo viria a ocorrer aos 57 minutos, com a substituição forçada de Henrique Matos, a obrigar a adaptações: recuo de Siaka Bamba para central; baixa de Tiago Vieira para a zona intermediária, com Wemerson Silva a passar ser a referência na frente.

Outra vez com maior dificuldade em “ter bola”, perante o intensificar da pressão do Rio Maior, o União resistia como virtual “1.º classificado” até à entrada do derradeiro quarto de hora… todavia, num período de menos de dez minutos, viria a operar-se a reviravolta no marcador: primeiro, Geraldino Barbosa, acabado de entrar em campo, a restabelecer o empate, na sequência de um lance de bola parada (canto); apenas sete minutos volvidos seria o francês Alex Diliberto, com notável execução técnica, a desviar a bola do alcance do guardião, a fixar o “placard” em 2-1.

O técnico unionista acabara de refrescar a sua equipa, que denotava já grande desgaste, operando dupla substituição, quando, de imediato, sofreu o primeiro golo. Ao contrário do jogo da primeira volta, no qual os tomarenses se tinham imposto na segunda parte, desta feita a equipa, tendo dado “tudo o que tinha” dentro de campo, acabaria por ficar como que “sem gás” para o quarto de hora final, em contraponto à final e vigorosa aceleração contrária.

Na dúzia de minutos que restavam ainda por jogar (incluindo tempo de compensação), não haveria já força física e anímica para reagir de forma que pudesse ser eficaz, perante um adversário de grande valor e qualidade, que acabou por, meritoriamente, justificar o resultado, pese embora a repartição de pontos pudesse ter sido desfecho mais apropriado ao labor das duas formações.

Surpresas – A 22.ª jornada foi repleta em surpresas, como raramente se terá visto nesta temporada, desde logo com o duo que partilha o 3.º posto a não conseguir tirar benefícios do resultado desfavorável averbado pelo U. Tomar. De facto, quer Fazendense, quer Mação, foram inesperadamente desfeiteados nos seus próprios redutos, perdendo, respectivamente, ante o Salvaterrense (0-2) e o Cartaxo (1-2), clubes que, desta forma, praticamente garantem um final de época tranquilo – no caso dos cartaxeiros ainda com ambições na Taça do Ribatejo.

O mesmo sucedeu na Glória do Ribatejo, num electrizante desafio, ante o Abrantes e Benfica, finalizado com igualdade a três bolas – tendo ambas as equipas marcado já para além do minuto 90 –, contudo um desfecho ainda assim insuficiente para fortalecer as esperanças dos visitados, agora ainda mais distantes da “linha de água”. E isto porque, em partida que poderá vir a revelar-se crucial, o Ferreira do Zêzere foi ganhar a Ourém, ao At. Ouriense, por muito imprevisto 3-0.

Confirmações – Nos restantes três encontros os visitados impuseram-se, com triunfo categórico (4-1) do Samora Correia face ao U. Almeirim (que, assim, cai na zona de despromoção), a mesma marca registada no Alcanenense-Torres Novas (com os torrejanos aquém das expectativas, vindos de triunfo ante o Fazendense); enquanto o Benavente bateu, por 3-1, o Amiense, voltando a aproximar-se da 5.ª posição, agora repartida pelos abrantinos e pelo grupo de Alcanena.

II Divisão Distrital – O principal realce vai para a convincente vitória (3-0) do Águias de Alpiarça ante o Forense, isolando-se na liderança da sua série, com três pontos de vantagem (ainda que o Forense tenha um jogo a menos), ao mesmo tempo que confirma matematicamente o apuramento para a fase final, de disputa de Campeão e de promoção. O Marinhais, ganhando por tangencial 2-1 ao Porto Alto, “sonha” ainda com a remota possibilidade de apuramento (dista quatro pontos do conjunto dos Foros de Salvaterra), a duas rondas do final desta primeira fase.

Têm também já confirmada a qualificação para tal fase final o Fátima (3-0 ao Goleganense) e o Entroncamento AC (3-1 no terreno da U. Atalaiense), tal como o Moçarriense (5-1 fora de casa, ante o Aldeiense, mantendo o pleno de vitórias – 14) e o Espinheirense (1-0 em casa, com o Pego).

Liga 3 – Foi algo “estranha” a evolução do resultado no jogo de arranque da disputa da fase de manutenção, no qual o U. Santarém recebeu o Amora: tendo-se visto em inferioridade numérica logo a partir dos cinco minutos, os escalabitanos chegariam ao intervalo a ganhar por 2-0; após terem também ficado reduzidos a dez elementos (ainda antes do final da primeira parte), os amorenses viriam a conseguir, na etapa complementar, restabelecer a igualdade, a dois golos.

Dado o empate entre Caldas e Cova da Piedade mantêm-se inalteradas as posições, com o U. Santarém em 4.º e último da sua série, dois pontos abaixo dos piedenses, seus próximos rivais.

Antevisão – Avulta, no Distrital da I Divisão, o Torres Novas-Rio Maior, primeiro “teste” do agora reforçado líder, para além do “derby” U. Almeirim-Fazendense, enquanto o U. Tomar recebe o At. Ouriense, urgentemente carenciado de pontos para procurar escapar à zona perigosa.

Na II Divisão Distrital, o Forense poderá ser o sexto e último clube a confirmar o apuramento para a fase final, caso vença no terreno do Rebocho (caso contrário, poderíamos ter um “escaldante” Marinhais-Forense, confronto agendado para a derradeira jornada).

Com o decurso regular dos nacionais em pausa no fim-de-semana, o Coruchense entra em acção, para disputar o desafio da ronda inaugural, adiado para este domingo, recebendo o V. Sernache.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Março de 2022)

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