«Amarrados à ilusão»
Mas o ponto, agora, não é tanto o de saber como se chegou aqui, mas sobretudo o de saber como sair daqui. E nesse sentido é fundamental tirar todas as ilações dos fatores que se alteraram no decurso da última década, e do sucessivo impasse em que se tem vivido nos últimos três anos.
É suicida continuarmos amarrados à ilusão europeia, ignorando estes fatores. Nomeadamente, sem se ter em conta que a especialização produtiva dos países do Sul da Europa não lhes permite, por maior que seja a austeridade, sair no curto prazo da crise apenas pela via das exportações. Só a via federal, com união de transferências – sejam elas orçamentais, fiscais ou sociais -, responderá à gravidade da crise europeia. O montante dessas transferências foi de resto já apurado (cf. Natixis, “The cost of federalism in the euro zone”, 16/07/2012), ele corresponde aproximadamente a 1.4% do PIB da Zona Euro. Nada de extraordinário, portanto – e numa zona económica de moeda única, o jogo das transferências garante benefícios para todos, apoiando ora mais uns, ora mais outros, conforme as circunstâncias.
Os tempos são, hoje, de grande incerteza. Mas o pior modo de a enfrentar é – como tem acontecido – combinando o fatalismo dos problemas com o fanatismo das soluções. É isto que é urgente mudar.
Em dia de greve geral…
Dissonância cognitiva
O processo de ajustamento por que passa a economia portuguesa confronta-se hoje com uma curiosa dissonância na percepção que sobre ele prevalece, no exterior e no interior do País.
Ao nível externo, sobretudo entre os investidores financeiros, a imagem que se tem vindo a afirmar é a de um razoável sucesso, a que se associa um crescente interesse por investimento em activos portugueses. Pelo contrário, a nível interno – e a avaliar sobretudo pelo que a comunicação social transmite e amplifica – a imagem que se tem vindo a afirmar é, não só a de um insucesso, como a da inviabilidade do caminho seguido. […]
De qualquer forma, esta dissonância dificilmente se poderá manter por muito tempo, não sendo claro qual das duas frentes acabará por absorver a outra. Mas talvez fosse útil que o Governo desse mais atenção à frente interna, porque senão arrisca-se a ganhar no exterior, perdendo o País.
Prestige – 10 anos depois

Hoxe cúmprense 10 anos do afundimento do Prestige. Desde Galiza Nova, queremos denunciar que, 10 anos despois, outro desastre coma este e é aínda posíbel en Galiza e que os responsábeis da catástrofe seguen a gobernarnos.
Análise sobre a evolução do Campeonato Distrital – Divisão Principal

(“O Templário”, 08.11.2012 – clicar na imagem para ampliar)
A extrema dificuldade que o 1.º classificado (Mação) teve em levar de vencida o último (Moçarriense – que, na ronda anterior, derrotara o At. Ouriense, outra das equipas do topo da tabela classificativa), vencendo pela renhida margem de 4-3, atesta a competitividade e grande equilíbrio de forças entre praticamente todos os participantes nesta Divisão Principal do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém, que, curiosamente, o actual desnível pontual entre as várias equipas concorrentes não ilustra.
No que respeita ao União de Tomar, dois triunfos consecutivos, 8 golos marcados em duas partidas, podem traduzir o reencontrar do caminho da serenidade – colocando fim a uma série de cinco resultados desfavoráveis –, dando novo e reforçado ânimo para uma boa continuidade da prova, ainda nesta sua 1ª fase.
Outro desfecho talvez não totalmente esperado foi o do desaire do Amiense – que tinha em curso uma série de três vitórias consecutivas –, em Fazendas de Almeirim (2-1, para a equipa da casa, que vai “fazendo o seu caminho”, recuperando de uma má fase inicial), com a formação de Amiais de Baixo, para já, a atrasar-se ligeiramente em relação ao líder.
Uma boa operação fez o Pontével, que depois do 0-4 em Tomar, obteve, numa única semana, as suas duas primeiras vitórias na prova, primeiro, no feriado de dia 1, recebendo, em jogo em atraso da 1.ª jornada, o Glória do Ribatejo, e, no domingo, vencendo, também em casa, o Coruchense (1-0), equipa que averbou a terceira derrota consecutiva.
Depois de um excelente arranque, em quebra parece estar também a formação da U. Abrantina, sem vencer há quatro partidas, não obstante tivesse defrontado nesta ronda um adversário de respeito, porventura o mais sério candidato ao título, a formação do Riachense, vencedora por clara margem, de 3-0.
Também o Benavente, derrotado por 1-3 em Ourém, ante o At. Ouriense, somou igualmente o quarto jogo consecutivo sem vencer.
Na classificação geral, não obstante o desnível pontual, começa a verificar-se uma aproximação a nível da linha de fronteira entre os seis primeiros e os restantes. O Mação continua isolado no comando, mas sob a cerrada mira do Riachense, logo seguidos por Amiense e At. Ouriense, subsistindo ainda alguma indefinição sobre as reais aspirações destas equipas, e, em particular, sobre quais delas virão efectivamente a disputar até final o título e consequente promoção ao novo Campeonato Nacional da Federação Portuguesa de Futebol, da próxima temporada.
Daí para baixo, ninguém estará ainda seguro de obter o desejado lugar na primeira metade da tabela classificativa. De facto, dada a fórmula de disputa da competição, esta 1.ª fase tem essencialmente dois objectivos paralelos: o de procurar alcançar um lugar nos 6 primeiros – assim garantindo, automaticamente, a manutenção –, ao mesmo tempo que se busca somar o máximo de pontos para a 2.ª fase, sabendo-se que os pontos agora angariados apenas contarão em metade para essa etapa complementar da prova).
Assim sendo, na parte nevrálgica da classificação, na tal zona onde poderá vir a definir-se essa fronteira, a U. Abrantina garantiu já, até ao momento, 8 pontos para a 2.ª fase, face a 7 do Benavente, 6 do Fazendense, e 5 do União de Tomar e do Pontével. Portanto, apesar de nos aproximarmos do final da primeira volta, tudo está ainda por jogar…
Numa comparação face à época anterior, também à nona jornada, o Mação mantém a posição de melhor classificado (embora, na temporada passada, então atrás das equipas que viriam a ser promovidas à III Divisão Nacional, Alcanenense e Torres Novas), somando agora mais dois pontos; o Amiense apresenta melhoria relevante (mais 6 pontos); o At. Ouriense, numa demonstração de regularidade e consistência, tem exactamente o mesmo número de pontos e ocupa igualmente o mesmo lugar na tabela (4.º); o Benavente tem agora mais um ponto, mas recuou uma posição (de 5.º para 6.º); também o Fazendense soma mais um ponto este ano; ao invés, o União de Tomar regista menos um ponto, baixando de 7.º para 8.º lugar; assim como, por fim, o Moçarriense, que caiu de penúltimo para último classificado, somando igualmente menos um ponto que na prova transacta.
Nas próximas jornadas, o União volta a enfrentar um ciclo de grande dificuldade, com uma sucessão de três jogos, precisamente com três das equipas da frente da classificação (recepção ao Riachense, deslocação a Ourém no fecho da primeira volta, e nova saída, até Mação, no início da segunda volta), nos quais – fundamentalmente em termos anímicos – será importante ir pontuando, para, logo de seguida, enfrentar período decisivo, frente a adversários mais do “seu campeonato”. Apesar das dificuldades que espreitam no caminho, a esperança continua bem viva na recuperação, tendo em mira algumas equipas actualmente posicionadas mais acima na tabela classificativa, mas que, possivelmente, por falta de alternativas válidas a nível de plantel, poderão vir a quebrar de rendimento em fase mais adiantada da competição.
Isto num ano em que é antecipável que possam vir a ser cinco as equipas a ser despromovidas à Divisão Secundária, uma vez que, nesta fase – não obstante ainda inicial – do Campeonato Nacional da III Divisão, Torres Novas e Cartaxo não parecem denotar capacidade para evitar o regresso ao Distrital na próxima temporada, e a campanha do Alcanenense (severamente desfeiteado em casa nesta ronda, perdendo 1-4) parece, por agora, longe de deixar antever a possibilidade de confirmação de aspirações a uma eventual promoção ao futuro novo Campeonato Nacional da Federação Portuguesa de Futebol da próxima época, reservada apenas aos 3 primeiros classificados desta época (caso em que apenas seriam despromovidos quatro clubes do Distrital no final do campeonato em curso).
(Crónica publicada no jornal “O Templário”, de 8 de Novembro de 2012, a cujos responsáveis agradeço a oportunidade que me foi possibilitada de ter esta experiência de escrita publicada e impressa num dos jornais de referência da cidade de Tomar)
«Ofício de caça e recolecção»
Sobra a criação de uma fundação, que até há uns meses era uma actividade benemerente, vista positivamente pela comunidade, hoje passa por ser uma actividade criminosa. Há cada vez mais dificuldades e não é pelas razões moralizadoras que por aí circulam. Dois grandes responsáveis por esse processo de ignomínia das fundações são os que abusaram do seu estatuto, incluindo grandes empresas que usaram e usam as fundações para operações fiscais, e o Estado, que permitiu esses abusos e cometeu ele próprio o maior, ao usar o estatuto das fundações para desorçamentação e para alargar o campo dos jobs for the boys.
É interessante verificar que, depois de um relatório feito com os pés, a maioria das aberrações continua a funcionar e a única coisa que vai ficar é uma lei mal feita, cheia de erros, estatista e prepotente, assente na desconfiança do Estado em relação a tudo o que seja privado, e obrigando as fundações a gastar os seus recursos mais para manter uma burocracia interna do que para prosseguir os fins que os seus doadores pretendiam.
Sim, porque o acto inicial de uma fundação privada é uma oferta a todos de bens até então privados, e muitas fundações podem viver sem dinheiros do Estado. Podiam, mais do que o que podem, porque o Estado, em vez de usar a concessão da utilidade pública como mecanismo de distinguir quem a tem, de quem apenas a quer para obter benefícios fiscais, prefere destruir esse mecanismo de doação aos portugueses, que é a criar uma instituição de serviço público, que actua em áreas onde ou não há dinheiro do Estado, ou onde a centralização desertificou recursos e oportunidades.
Eu, que fui estúpido em não querer nunca criar uma fundação enquanto tive funções políticas, e que sou igualmente estúpido em vir falar disto em público, vejo-me agora a braços com uma lei absurda que só atinge quem quer, como antes se dizia e agora não se usa, “fazer o bem”, sem impedir qualquer abuso quer do Estado, quer daqueles que por aí passam com um olho, em terras de cegos. Vamos ver como as coisas evoluem.
Liga Europa – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo B
Viktoria Plzen – Happoel Tel-Aviv – 4-0
Académica – At. Madrid – 2-0
1º At. Madrid e Viktoria Plzen, 9; 3º Académica, 4; 4º Happoel Tel-Aviv, 1
Grupo D
Bordeaux – Marítimo – 1-0
Brugge – Newcastle – 2-2
1º Newcastle, 8; 2º Bordeaux, 7; 3º Brugge, 4; 4º Marítimo, 2
Grupo G
Sporting – Genk – 1-1
Basel – Videoton – 1-0
1º Genk, 8; 2º Videoton, 6; 3º Basel, 5; 4º Sporting, 2
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Benfica – Spartak Moscovo
Benfica – Artur Moraes, Maxi Pereira (82m – André Gomes), Jardel, Ezequiel Garay, Melgarejo, André Almeida, Ola John, Enzo Peréz, Eduardo Salvio, Rodrigo (45m – Óscar Cardozo) e Lima (74m – Bruno César)
Spartak Moscovo – Artem Rebrov, Kirill Kombarov (62m – Jano Ananidze), Nicolás Pareja, Juan Manuel Insaurralde, Evgeni Makeev, Rafael Carioca, Kim Källström (71m – Artem Dzyuba), Diniyar Bilyaletdinov (79m – Marek Suchý), José Manuel Jurado, Dmitri Kombarov e Ari
1-0 – Óscar Cardozo – 55m
2-0 – Óscar Cardozo – 69m
Cartões amarelos – André Almeida (29m); Artem Rebrov (32m), Evgeni Makeev (33m) e Nicolás Pareja (38m) e José Manuel Jurado (82m)
Cartão vermelho – Nicolás Pareja (76m)
Árbitro – Florian Meyer (Alemanha)
Estando perfeitamente conhecedor do que tinha (e tem) a fazer, para manter aspirações ao apuramento para os 1/8 Final da Liga dos Campeões, o que passa(va) necessariamente por vencer os jogos em casa frente ao Spartak Moscovo e ao Celtic (esperando que, por seu lado, o Barcelona cumprisse também o seu “papel”, de vencer os mesmos adversários), a equipa do Benfica abordou porém o jogo desta noite sem grande convicção, com uma toada lenta, de jogadas denunciadas, permitindo à equipa russa uma primeira parte relativamente tranquila.
Depois de dar “uma parte de avanço” ao adversário, a formação benfiquista pareceu despertar no segundo tempo, por coincidência ou não, com a entrada de Óscar Cardozo, que acabaria por ser o marcador dos dois tentos da vitória, desperdiçando ainda, por outro lado, de forma incrível, outras três soberanas oportunidades, a última delas rematando à trave na conversão de uma grande penalidade.
Pelo que jogou na segunda parte, o Benfica, claramente superior ao adversário, dominando a toda a linha, perante um – pelo menos esta noite – aparentemente inofensivo opositor, justificou plenamente a vitória, mantendo-se na disputa da qualificação, a qual, todavia, poderá ter ficado algo comprometida com o surpreendente triunfo do Celtic face ao Barcelona.
Em síntese, após a vitória de hoje, a tarefa apresenta-se, paradoxalmente, mais complexa: para além da imperiosa necessidade de vencer o Celtic na próxima jornada, terá, na última ronda, de, no mínimo, obter em Barcelona o mesmo resultado que os escoceses alcançarem na recepção ao Spartak de Moscovo… e isto, contando que a equipa russa não complique ainda mais coisas com um eventual resultado positivo frente à formação da Catalunha.
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Paris St.-Germain – D. Zagreb – 4-0
D. Kyiv – FC Porto – 0-0
1º FC Porto, 10; 2º Paris St.-Germain, 9; 3º D. Kyiv, 4; 4º D. Zagreb, 0
Grupo B
Olympiakos – Montpellier – 3-1
Schalke – Arsenal – 2-2
1º Schalke, 8; 2º Arsenal, 7; 3º Olympiakos, 6; 4º Montpellier, 1
Grupo C
AC Milan – Málaga – 1-1
Anderlecht – Zenit – 1-0
1º Málaga,10; 2º AC Milan, 5; 3º Anderlecht, 4; 4º Zenit, 3
Grupo D
Real Madrid – B. Dortmund – 2-2
Manchester City – Ajax – 2-2
1º B. Dortmund, 8; 2º Real Madrid, 7; 3º Ajax, 4; 4º Manchester City, 2
Grupo E
Chelsea – Shakhtar Donetsk – 3-2
Juventus – Nordsjælland – 4-0
1º Shakhtar Donetsk e Chelsea, 7, 3º Juventus, 6; 4º Nordsjælland, 1
Grupo F
Bayern – Lille – 6-1
Valencia – BATE Borisov – 4-2
1º Bayern e Valencia, 9; 2º BATE Borisov, 6; 4º Lille, 0
Grupo G
Celtic – Barcelona – 2-1
Benfica – Spartak Moskva – 2-0
1º Barcelona, 9; 2º Celtic, 7; 3º Benfica, 4; 4º Spartak Moskva, 3
Grupo H
Sp. Braga – Manchester United – 1-3
CFR Cluj – Galatasaray – 1-3
1º Manchester United, 12; 2º Galatasaray e CFR Cluj, 4; 4º Sp. Braga, 3
Com os empates alcançados, respectivamente em Kiev e em Milão, o FC Porto e o surpreendente Málaga são as primeiras equipas a garantir o apuramento para os 1/8 Final da Liga dos Campeões. Na jornada de quarta-feira, o Manchester United, novamente a operar a reviravolta no marcador frente ao Sp. Braga, tal como sucedera em Manchester, somando o pleno de 4 vitórias, assegurou também a qualificação.
Entretanto, o Benfica, embora cumprindo a sua parte, de vencer o Spartak de Moscovo, viu a sua missão muito complicada pelo desaire do Barcelona em Glasgow, a dar vantagem ao Celtic, precisamente o próximo adversário a visitar o Estádio da Luz, no próximo dia 20.
O Sp. Braga, com a dupla derrota ante o Manchester, desceu ao último lugar do seu Grupo, mantendo ainda, não obstante, tudo em aberto, uma vez que defrontará ainda o Galatasaray e CFR Cluj.








