U. Tomar – Centenário (XV)
(“O Templário”, 09.01.2014)
A título de singela homenagem a Eusébio, desaparecido no passado Domingo, damos um pequeno “salto no tempo”, para recordar a sua passagem por Tomar, em representação do União de Tomar, na temporada de 1977-78. Começando por ouvir Eusébio, “na primeira pessoa”:
«– Satisfeito por vir representar o União de Tomar?
– Muito satisfeito.
– Mas trata-se duma equipa da 2.ª Divisão…
– Isso que importa? Para mim, é pormenor sem qualquer importância. Aliás, tive convites de equipas da 1.ª Divisão e, contudo, preferi vir para Tomar. Aliás, tenho muita honra e orgulho em envergar a camisola do União de Tomar, e uma vez integrado na equipa considero-me um jogador como qualquer outro. Nem mais, nem menos. […]
De qualquer das formas, uma coisa será certa: conforme já salientei, ao envergar a camisola unionista, irei dar o meu melhor esforço no sentido de ajudar a colocar a equipa numa posição mais de harmonia com o seu valor e pergaminhos. Bem o merecem os seus associados, os seus dirigentes e a própria cidade.»(1)
E, também, recuperando algumas memórias das suas actuações no União de Tomar, relativas, respectivamente, ao seu jogo de estreia em Tomar, frente ao Beira-Mar (a 18 de Dezembro de 1977), e a partida frente ao Cartaxo, em que Eusébio marcou os seus dois últimos golos a nível oficial em Portugal (a 12 de Fevereiro de 1978):
«No segundo tempo, actuando com invulgar determinação e fogosidade, o União de Tomar superiorizou-se ao seu antagonista, batendo-o sem apelo nem agravo, com a marcação de mais dois tentos.
Finalmente, Eusébio fez a sua estreia oficial na cidade de Tomar e tal presença terá constituído um dos grandes e aliciantes atractivos do encontro, que, por isso mesmo, foi aguardado com grande interesse. O antigo «internacional», alvo de especial vigilância (Eusébio será sempre o Eusébio), e «apertado» por dois adversários, lesionou-se fortemente, passando a não render aquilo que certamente ainda estará ao seu alcance e tendo até que ser substituído, nitidamente incapacitado.»(2)
«Na realidade, o União de Tomar, não podendo contar com Simões a cem por cento, já que se tinha deitado às seis da manhã, por via dos seus trabalhos na Assembleia da República, ressentiu-se da falta de comando e foi preciso que Eusébio, em dois lances de livre, e da maneira que só ele sabe fazer, tivesse dado a vitória aos tomarenses.»(3)
O “Rei”, Eusébio, disputou um total de doze encontros com as cores unionistas, dez dos quais oficiais, no campeonato da II Divisão, tendo marcado três golos (um ao Peniche e dois ao Cartaxo), assim encerrando – a 6 de Maio de 1978 – a sua carreira como jogador em Portugal.
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O pulsar do campeonato – Taça Ribatejo – 3ª jornada
(“O Templário”, 09.01.2014)
A iniciar o novo ano de 2014, com os Campeonatos Distritais ainda em pausa, disputou-se a terceira e última ronda da fase de grupos da Taça do Ribatejo, num dia tristemente assinalado pelo desaparecimento do “Rei” Eusébio, uma lenda que perdurará na nossa memória.
Na única partida envolvendo equipas da I Divisão Distrital, o Mação foi ganhar a Assentiz, por 2-0, numa série em que ambas as equipas tinham já garantido o apuramento para a fase seguinte da competição.
Nos confrontos entre clubes de diferente escalão, os principais destaques vão para a derrota do Benavente (0-1) no terreno do Vale da Pedra (último classificado da sua série na II Divisão Distrital); o nulo caseiro cedido pelo Cartaxo ante o Moçarriense – um desfecho que, não obstante, proporcionou à equipa da I Divisão seguir em frente, em detrimento do seu adversário; assim como para o empate imposto pelo Barrosense na recepção ao Coruchense (1-1).
De resto imperou a normalidade, com os grupos teoricamente mais cotados a confirmar a superioridade, nos desafios entre turmas da I e da II Divisão Distrital: aconteceu assim, com maior expressão, na marca de 4-0 com que U. Tomar (com um bom regresso às vitórias) e Torres Novas bateram, respectivamente o Alferrarede e o Pego; mas também no Rio Maior-Pontével (0-3), assim como no duelo entre os vizinhos U. Abrantina-Tramagal (2-0); e, aparentemente com maior dificuldade, no U. Chamusca-Porto Alto (3-2). O At. Ouriense tinha vencido já, em encontro realizado em Novembro, o Caxarias, também por 3-0.
Por fim, nos confrontos entre agremiações participantes na II Divisão Distrital, o Ferreira do Zêzere goleou a formação da Sabacheira por 5-1, tendo o Mindense vencido o Goleganense (3-1), enquanto o Glória do Ribatejo foi ganhar à capital do Distrito, frente ao U. Santarém, por 2-0; no confronto mais equilibrado, U. Almeirim e Samora Correia empataram a duas bolas.
São apurados para os 1/8 Final da prova, os dez vencedores de série, e os seis clubes de entre os classificados no 2.º lugar, que registem melhor desempenho, com base na aplicação de média ponderada dos pontos obtidos.
Em função destes resultados, garantiram o apuramento para os 1/8 Final as seguintes equipas, vencedoras das respectivas séries (todas elas a militar na I Divisão Distrital): At. Ouriense, Mação, Torres Novas, U. Tomar (triunfando categoricamente, impondo-se aos seus concorrentes com duas goleadas, de 5-0 e 4-0), Amiense, U. Chamusca, Pontével, Fazendense, Benavente e Emp. Comércio (sujeito a confirmação, no caso do Benavente, dado terem as três equipas integrantes da correspondente série terminado esta fase de apuramento em situação de igualdade pontual).
São também qualificadas as equipas do Caxarias, Assentis, Cartaxo e U. Almeirim (clubes posicionados em 2.º lugar com melhores médias pontuais de entre todas as dez séries); subsistia ainda pendente a confirmação relativamente a dois outros conjuntos, a apurar de entre U. Abrantina, Glória do Ribatejo e Vale da Pedra – todos com três pontos averbados em dois jogos, tendo a formação de Abrantes registado um marcador global de 4-4, face a 3-3 de Glória do Ribatejo e Vale da Pedra.
Para já, é de assinalar alguma surpresa na eliminação do Coruchense – até pela excelente campanha que vem realizando no campeonato –, possivelmente único representante da I Divisão Distrital a “ficar pelo caminho”, penalizado pelo facto de ter defrontado, na sua série, dois líderes, da I e da II Divisão; em contraponto, registam-se os apuramentos de Caxarias e U. Almeirim, sobreviventes da II Divisão Distrital (a que se juntará, pelo menos, mais um – Glória do Ribatejo e/ou Vale da Pedra).
Neste fim-de-semana regressam os Campeonatos Distritais, após um hiato de três semanas, para disputa da penúltima ronda da primeira volta, repleta de aliciantes encontros, com destaque para os desafios entre Mação e Fazendense – um bem difícil teste ao líder –, e para o At. Ouriense-Amiense, duas equipas que, tradicionalmente, discutem os lugares de topo da tabela.
O U. Tomar, recebendo o Assentis, tem uma oportunidade para confirmar o regresso aos bons resultados, e, paralelamente, subir algumas posições na pauta classificativa, para lugares que proporcionem maior tranquilidade. Por seu lado, o 2.º classificado, Torres Novas, terá também uma difícil deslocação ao Cartaxo, num jogo de tendência muito equilibrada, o que, aliás, será também aplicável aos restantes confrontos: Coruchense-Benavente; U. Chamusca-U. Abrantina; e Empregados do Comércio-Pontével. Uma jornada em que imperará o “X” no “Totobola”?
No Campeonato Nacional de Seniores, em que se jogou ainda a fechar o ano de 2013 (a 29 de Dezembro), com o Fátima a impor um nulo ao comandante destacado (Mafra), não tendo o Alcanenense ido além do empate a um golo na recepção ao Carregado, com o Riachense a perder nas Caldas (1-2), realiza-se já a antepenúltima jornada da primeira fase da competição.
Com um agendamento de jogos de alguma dificuldade para as equipas do Distrito, é agora a vez do Riachense (ainda último classificado, contando uma única vitória) receber o Lourinhanense, equipa que reparte o 5.º lugar com o Caldas, curiosamente o próximo adversário do Fátima (4.º na tabela); por fim, o Alcanenense (3.º) desloca-se a Porto de Mós, para defrontar o penúltimo classificado.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Janeiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XIV)
(“O Templário”, 02.01.2014)
Mas a época de 1964-65 ainda não chegara ao seu termo. Alcançado enfim o tão ansiado objectivo, de promoção à II Divisão Nacional, o União de Tomar defrontaria, nas ½ Finais do Campeonato da III Divisão, a formação do Casa Pia, cotada como principal candidata ao título, prestigiada com a sua invencibilidade no decurso da temporada, ao longo de um total de mais de trinta jogos, tendo-se sagrado Campeã Distrital de Lisboa, e vencido a sua série da III Divisão.
A 4 de Julho, em mais um jogo épico, no Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, depois de ter chegado ao intervalo em desvantagem de dois golos, o União conseguiria, por via de três tentos, marcados por Ernesto, Pedro Silva e Morado (este a dois minutos do termo da partida, quando já se aguardava o prolongamento), vencendo por 3-2, garantir a presença na prestigiante Final do Campeonato Nacional da III Divisão.
A 11 de Julho de 1965, o Estádio do Calhabé, em Coimbra, recebia esta Final, em que o União de Tomar marcava presença inédita no seu historial, defrontando a turma da Ovarense – já aureolada com o título conquistado em 1949-50 –, conquistando, após renhida disputa, decidida apenas no prolongamento, com triunfo dos rubro-negros por 3-1, o título de Campeão Nacional:
«No Estádio Municipal de Coimbra, acabou no passado domingo a maratona do futebol nacional e felizmente para todos nós, tomarenses, ela acabou em beleza e em triunfo, pois confirmou aquilo que todos nós sabíamos: (e que nos perdoem todos os adversários do União), o União Futebol Comércio e Indústria de Tomar é e foi ao longo de 37 jogos, a melhor equipa do País no escalão da 3.ª Divisão. […]
Foram precisos 120 minutos, para que o União trouxesse para Tomar o título de campeão: entretanto bastaram os primeiros 20 para que ficasse demonstrado o valor da nossa equipa. Durante este período evoluiu no relvado de Coimbra uma equipa que deixou entusiasmado o público e os críticos mais severos. […]
Marcou o União um único golo neste período, mas a verdade é que o resultado podia ter sido elevado para mais dois golos que não surpreenderia ninguém. Um deslize da defesa do União deu aso a que a Ovarense crescesse e foram só cinco minutos que duraram este ascendente e suficiente para que empatassem a partida. […]
E foi neste sistema que se jogou quase toda a segunda parte. O União a jogar mais futebol e a criar mais perigo, o Ovarense a lutar com muita energia, contra atacando aqui e ali. […]
Quando se chegou ao prolongamento, e para aqueles que conhecem bem o valor do União, poucas dúvidas havia quanto ao vencedor. […]
Veio uma jogada perfeita e Totoi com uma descontracção absoluta anichou a bola nas redes. Tentaram responder os rapazes do Ovarense, mas a verdade é que lhes faltava aquilo que o União tinha: frescura física. E veio mais uma jogada de Ernesto que culminou com um remate dando um golo monumental (o mais belo do jogo).»(1)
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U. Tomar – Centenário (XIII)
(“O Templário”, 26.12.2013)
A brilhante carreira unionista da temporada de 1964-65 prosseguiria com a disputa dos ¼ Final do Campeonato Nacional da III Divisão, em que o União de Tomar defrontava o Portalegrense, sendo que o vencedor desta eliminatória garantiria automaticamente o apuramento para a II Divisão, grande objectivo ambicionado pela formação nabantina.
Após a vitória de 10-0 frente ao Vitória de Lisboa, que proporcionara ao clube a conquista do título de Campeão Provincial do Ribatejo, saberia a pouco o nulo registado logo na semana seguinte, na 1.ª mão de tal eliminatória, em Tomar. Não se dando por vencida, a turma unionista imporia nova igualdade, a três golos, na 2.ª mão, em Portalegre, assim forçando um terceiro jogo, de desempate, a disputar em campo neutro, a 29 de Junho de 1965:
«48 horas depois dos jogadores terem disputado um encontro emocionante e de forte desgaste físico, voltaram a encontrar-se, mas desta vez em Vendas Novas. […]
Mal o desafio principiou o União demonstrando uma condição física excepcional apoderou-se do comando do jogo para só o largar no final do encontro. Foi fantástico ver como os jogadores se bateram de princípio ao fim sem terem um minuto de desânimo. Fartaram-se de jogar e só o destino continuava a não permitir que o União obtivesse um golo sequer. À medida que o tempo ia correndo mais vinha ao de cima a superioridade do União. A equipa do Portalegrense, limitou-se em todo o jogo a fazer de vez em quando uma avançada. Na primeira parte jogando contra o vento, meteram-se todos dentro da área e foi impossível ao União criar oportunidades de golo, apesar de estar sempre ao ataque. Mesmo assim, um remate de longe, de P. Silva foi embater na trave. Na segunda parte, jogando a favor do vento, foram novamente dominados pelo bom jogo do União. […]
O resultado de 1-0, com um golo marcado excelentemente por Ernesto após brilhante jogada da equipa, não revela a superioridade do União ao longo de 270 minutos e a coincidência é que esta vitória, mais do que justa e merecida, alcançada sem qualquer favor de A ou B, foi conquistada graças à excelente preparação física que a equipa tem. Está de parabéns, particularmente Di Paola, que soube dar à equipa ao longo da época uma preparação metódica e só possível a um grande treinador. Voltamos a não distinguir jogadores pois individualmente todos foram excelentes. Diremos apenas que os dois últimos golos alcançados pelo União, ambos a 7 minutos do final dos encontros e que valeram ao União a subida de Divisão, foram alcançados pelo jogador Ernesto que mais o merecia, como prémio da sua actuação ao longo de todo o Campeonato.»(1)
Depois de tanto porfiar, ao longo de cerca de cinco anos de persistentes tentativas, com particular incidência nas três épocas mais recentes (desde 1962-63), o União de Tomar alcançava, finalmente, a promoção à II Divisão Nacional, em que, desta forma, voltaria a participar, 23 anos após a sua última presença anterior.
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O pulsar do campeonato – 11ª jornada
(“O Templário”, 26.12.2013)
A última jornada do Campeonato Distrital da I Divisão disputada no ano de 2013 proporcionou – de alguma forma emulando a curiosa situação de liderança partilhada entre os três “grandes”, na I Liga (Sporting, FC Porto e Benfica) – um reagrupamento no topo da tabela classificativa, com um quarteto separado por apenas dois pontos, assim reforçando o interesse na competição.
Numa ronda em que At. Ouriense e Coruchense foram os principais beneficiados, o líder Fazendense – que atingira tal posição na sequência de um bom ciclo de quatro triunfos sucessivos – viu, curiosamente, logo na primeira jornada em que ostentava tal posição (que, não obstante, mantém) quebrado esse ciclo, não tendo conseguido ir além de um nulo na difícil deslocação a Amiais de Baixo, de qualquer forma, um desfecho que não deixa de ser positivo.
Por seu lado, o Torres Novas, que se vira desapossado da posição cimeira no campeonato que ocupara desde o início do campeonato, pôs termo a uma fase negativa, de três jogos sem vitória, recebendo e vencendo, por 2-0, a formação dos Empregados do Comércio, num desafio em que, ainda assim, experimentou bastantes dificuldades. Reduziram desta forma os torrejanos, para um escasso ponto, a diferença que os separa do guia.
Falando então agora dos grandes vencedores da jornada: o At. Ouriense – que não perde desde a jornada inaugural da prova –, impôs-se, num terreno sempre difícil como é o de Benavente, graças a um solitário tento; enquanto o Coruchense, que surge cada vez mais afirmativo (continuando a apresentar a defesa menos batida, dispondo agora do segundo melhor ataque), goleou, e em terreno alheio, uma equipa do Pontével que parece ter vindo a “perder gás”, pela categórica marca de 5-1. Foi a quarta vitória consecutiva do grupo do Sorraia, que regista a melhor série actualmente em curso… em perfeito contraponto ao quarto desaire sucessivo da turma do município do Cartaxo. Assim, as turmas de Ourém e de Coruche prosseguiram a tal aproximação à liderança, de que distam agora somente dois pontos.
Depois do Amiense, porventura o último dos cinco candidatos ao título, que se posiciona logo abaixo do quarteto referido – mas a uma distância de cinco pontos da equipa de Fazendas de Almeirim –, segue-se um mini-pelotão de sete clubes (metade dos concorrentes), compreendidos num intervalo de apenas quatro pontos: o Pontével dispõe agora de apenas um ponto de vantagem sobre Mação e Empregados do Comércio, com o União de Tomar logo atrás, também somente a um ponto do duo que o precede, e, igualmente, com um único ponto a mais que o Assentis, enquanto Benavente e Cartaxo surgem de imediato, ainda um ponto mais abaixo.
Nesta ronda, é de registar o empate obtido pelo União de Tomar na tradicionalmente difícil visita a Mação (1-1, tendo obtido o golo da igualdade na conversão de uma grande penalidade), um desfecho que, para além do mero efeito aritmético a nível da pontuação, poderá revelar-se importante para devolver a tranquilidade ao grupo, deixando paralelamente em aberto a possibilidade de voltar a subir na pauta classificativa, uma vez que, conforme referido, está somente a dois pontos da 6.ª posição.
Menção ainda para o Assentis, que tendo atravessado uma fase nada profícua, em que somara três derrotas, conseguiu reagir, tendo empatado na semana passada, e ganhando agora, por 1-0, ao U. Chamusca (que, assim, regressou aos resultados negativos, mantendo o penúltimo lugar).
Por fim, confirmando a tendência das trajectórias que ambas as equipas vêm denotando, o Cartaxo foi vencer a Abrantes, frente à U. Abrantina, por 3-1 – quarto jogo sem perder dos cartaxenses (depois de quatro derrotas sofridas entre a 3.ª e a 7.ª jornadas)… e sexto desaire consecutivo da turma abrantina, que, assim, dista já sete pontos do antepenúltimo lugar, que traça, nesta altura (ainda de forma provisória, dependendo do desempenho das equipas do Distrito no Nacional de Seniores), a “linha de água”.
Houve novidades na II Divisão Distrital, tendo o anterior líder da série mais a Norte, Pego, recebido e a perdido (1-2) com o Atalaiense, num confronto que se traduziu numa passagem de testemunho do comando da prova; a equipa da Atalaia tem agora um ponto a mais que os pegachos, com o Ferreira do Zêzere, que tem empreendido boa recuperação, a três pontos. A Sul, os anteriores três primeiros classificados sofreram derrotas; não obstante, o Barrosense mantém a liderança, com três pontos a mais que o U. Almeirim (que apenas somou seis pontos nas seis últimas jornadas), tendo o Rio Maior (protagonista da quebra da invencibilidade do líder) subido ao 3.º lugar, a quatro pontos do guia.
Os campeonatos distritais apenas regressarão, já em 2014, a 12 de Janeiro, uma vez que, na semana anterior, será disputada a última ronda da fase grupos da Taça Ribatejo, na qual o União de Tomar defrontará o Alferrarede, bastando-lhe o empate para prosseguir na competição.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores – que avança rapidamente para o termo desta primeira fase – destaque para a excelente partida que o Alcanenense realizou no terreno do líder Mafra, a quem esteve a vencer até perto do final, acabando por ceder o empate a três golos. As outras duas agremiações do Distrito enfrentaram-se, em Riachos, com o Fátima – na expectativa de uma solução para a grave crise financeira com que se vem debatendo nos últimos meses, com os jogadores que optaram por se manter no clube a revelar grande dignidade – a vencer pela clara margem de 3-0, não tendo o Riachense conseguido assim dar sequência aos resultados positivos que obtivera recentemente.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Dezembro de 2013)
U. Tomar – Centenário (XII)
(“O Templário”, 19.12.2013)
Continuemos a reviver mais algumas memórias da sensacional vitória de 10-0 do União de Tomar, ante o Vitória de Lisboa, em partida a contar para o Nacional da III Divisão, disputada a 13 de Junho de 1965, agora também na perspectiva do cronista do jornal “O Templário”:
«Lançados ao ataque desde o primeiro minuto, os jogadores tomarenses encontraram na equipa lisboeta um sério opositor, que tudo tentou para contrariar os propósitos dos locais. […]
Mau grado a força avassaladora do ataque unionista, os postes, a trave e o guarda-redes tudo iam defendendo, de tal forma que na primeira parte só uma vez os locais conseguiram levar o esférico ao fundo das redes. […]
Poderosos de querer e de vontade, e depois de por três vezes a bola ter beijado os postes, conseguiram aos 10m abrir uma série de quatro golos, obtidos em oito minutos que enlouqueceram a assistência, tal o nível futebolístico a que se alcandoraram. Impulsionados por Dui e Mata, com Josué e Totói a construírem sucessivos centros de todas as formas e feitios, os locais brindaram-nos com uma exibição excepcional, irresistível, brilhante por vezes. […]
Nova série de três golos, dos 26 aos 36m galvanizou a assistência, mas o poder físico dos 22 elementos em campo parecia esgotado, tão grandiosa fora a luta até então. […]
O público vibra e os jogadores são heróis do jogo mais dramático a que temos assistido. A obcecação do golo domina os jogadores tomarenses, e aos 43 e 44m Ernesto e Totoi fecham a série de 10 com que terminou a partida. […]
O público aplaude, mas desconhece-se ainda o resultado da partida Tramagal-Matrena. […]
Cerca de dez minutos mais tarde, o público tem conhecimento que o Tramagal ganhava por 8-0. Era a certeza da qualificação unionista. […]
O União tinha feito o jogo da sua vida e o público manifestou-se exuberantemente. […]
Trinta e duas jornadas de futebol distrital e nacional estavam ali resumidas naquele minuto que a todos unia num abraço que constituía o justo prémio do esforço de dirigentes e atletas no desejo comum de levar o União à II Divisão. O momento era indiscritível.»(1)
Após cinco anos de sucessivas tentativas, com presenças consecutivas no Nacional da III Divisão, tendo, finalmente, conquistado a vitória na sua série, a II Divisão parecia enfim tão próxima, com o apuramento para os 1/4 Final do campeonato… Mas faltava ainda ultrapassar um último grande obstáculo: o Portalegrense, também 1.º classificado na respectiva série.
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O pulsar do campeonato – 10ª jornada
(“O Templário”, 19.12.2013)
Ponto prévio, antes de entrar na matéria: quando, há duas semanas, aqui referi as maiores goleadas da história do União de Tomar, indiquei, por manifesto lapso, que tinha ganho por 10-0, em 1964-65, ao Matrena, quando, com propriedade, pretendia referir que tal triunfo foi de facto obtido perante o Vitória de Lisboa (efectivamente, no mesmo dia, o Matrena perdeu 8-0 no Tramagal, daí a involuntária confusão), como aliás se recorda na coluna que recupera algumas das memórias do Centenário do União; aqui fica portanto a devida rectificação.
Passando então ao campeonato distrital da I Divisão da época em curso, disputou-se no passado fim-de-semana a 10.ª jornada; faltando portanto realizar ainda tantas rondas (16), naturalmente nada está decidido, não obstante se comecem a aperceber tendências. E a tendência diz-nos que, no caso específico do Torres Novas – que liderara a prova desde o seu início até agora –, depois de seis vitórias nos sete primeiros encontros, somou apenas um ponto nos três últimos desafios.
De facto, surpreendidos por uma sólida formação do Coruchense (tendo perdido 1-3 em Coruche), os torrejanos viram-se ultrapassados no comando da classificação, por uma equipa do Fazendense que, ao invés – depois de um surpreendente desaire caseiro ante o Assentis – soma já uma série de quatro triunfos consecutivos, tendo ganho por 3-1 ao Benavente. Um ciclo face ao qual se aguarda uma reacção do grupo de Torres Novas, que continua, não obstante, a ser um dos principais candidatos ao título, pese embora agora com três pontos de desvantagem face à turma de Fazendas de Almeirim.
Outra tendência que se vem desenhando, e reforçando, é a do mau desempenho da U. Abrantina, derrotada, igualmente por 1-3, na deslocação ao terreno dos Empregados do Comércio (que, depois do “acidente”, prossegue o seu “bom trilho”), ampliando já para cinco as derrotas que, sucessivamente, vem registando nas últimas jornadas, assim se afundando ainda mais na cauda da tabela, continuando imóvel nos quatro pontos, já a… quatro pontos dos rivais mais próximos.
Já aqui tive oportunidade, por mais de uma vez, de apontar a boa campanha que o Coruchense vem patenteando, encarrilando uma série de três vitórias, continuando a registar um único desaire, o que acumula agora com o estatuto de defesa menos batida da prova, somente com seis tentos consentidos, o que, entretanto, lhe permitiu ascender ao 3.º posto da pauta classificativa, em igualdade com o At. Ouriense (que venceu, nesta jornada, o Pontével, por 2-0) – equipa que, curiosamente, também averbou uma única derrota… e logo na ronda inaugural, em Mação.
O Amiense prossegue a sua carreira triunfal em casa, somando – depois da excepção do empate cedido ante o Cartaxo no primeiro jogo no seu terreno – quatro vitórias em outros tantos jogos, tendo desta feita ganho ao Mação, também por 2-0. Mas a “tendência mais definida” até ao momento é a do Pontével: é a única equipa que continua sem empatar qualquer jogo; porém, tendo registado derrotas nas suas últimas três partidas, tem vindo, paulatinamente, a descer na classificação, posicionando-se no 6.º lugar, já a quatro pontos do 3.º e 4.º classificados.
Do União de Tomar, o que se poderá dizer nesta altura é que vem denotando alguma irregularidade, quer exibicional, quer a nível de resultados. Na deslocação à Chamusca, privado de três dos habituais titulares, indisponíveis por motivos profissionais, e fustigado com outros casos de jogadores lesionados, o grupo começou por ter, nos minutos iniciais, uma boa entrada na partida, assumindo o controlo do jogo; porém, a meio do primeiro tempo, em mais um lance de bola parada, teria a infelicidade de sofrer um golo, que colocava termo a mais de seis horas em que o guardião unionista mantivera a sua baliza inviolada.
Na etapa complementar do desafio, com boa atitude, a turma nabantina, saindo em busca do golo, reclamaria duas situações de grande penalidade, acabando por, no melhor lance de todo o encontro, praticamente no seu termo – e depois do avançado dos nabantinos, com excelente execução técnica, ter desviado do seu caminho todos os adversários –, não ter a pontinha de sorte necessária, com o guarda-redes da Chamusca a “fazer a mancha”, oferecendo o corpo à bola, a evitar o golo do União, que assim via também quebrada a sua série de seis jogos de invencibilidade, o que se reflecte em mais uma posição perdida na tabela, baixando ao 9.º lugar. Subsiste, não obstante, uma vantagem de quatro pontos da formação unionista em relação ao Cartaxo (que, recebendo o Assentis, voltou a empatar, 1-1) e ao seu adversário desta jornada.
Na próxima ronda, última do ano, o União volta a ter uma saída difícil, até Mação, onde um resultado positivo seria um forte contributo para o reforço da tranquilidade do grupo. Destaque ainda para o sério teste que o agora novo líder, Fazendense, enfrentará na deslocação a Amiais de Baixo, com o Torres Novas, que recebe os Empregados do Comércio, na expectativa.
Na II Divisão Distrital, o Pego aproveitou o empate cedido pelo Atalaiense na Golegã, para se isolar no comando, agora com dois pontos de vantagem. Mais a Sul, o Barrosense, impondo-se na Glória do Ribatejo, mantém a liderança, com três pontos a mais que o U. Almeirim.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, já na 13.ª ronda (faltando apenas cinco para concluir a primeira fase), houve dois resultados de alguma “sensação”: o ânimo da primeira vitória do Riachense, e logo sobre o U. Leiria (2-1); assim como o triunfo – que, noutras circunstâncias seria “normal” – do Fátima sobre o Alcanenense (1-0), com os jogadores fatimenses, sem receber salários há vários meses, a revelarem boa atitude profissional.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Dezembro de 2013)



























