I Liga / I Divisão – Historial de lugares de honra
Época Campeão 2º 3º 4º 2015-16 Benfica Sporting FC Porto Sp. Braga 2014-15 Benfica FC Porto Sporting Sp. Braga 2013-14 Benfica Sporting FC Porto Estoril 2012-13 FC Porto Benfica P. Ferreira Sp. Braga 2011-12 FC Porto Benfica Sp. Braga Sporting 2010-11 FC Porto Benfica Sporting Sp. Braga 2009-10 Benfica Sp. Braga FC Porto Sporting 2008-09 FC Porto Sporting Benfica Nacional 2007-08 FC Porto Sporting V. Guimarães Benfica 2006-07 FC Porto Sporting Benfica Sp. Braga 2005-06 FC Porto Sporting Benfica Sp. Braga 2004-05 Benfica FC Porto Sporting Sp. Braga 2003-04 FC Porto Benfica Sporting Nacional 2002-03 FC Porto Benfica Sporting V. Guimarães 2001-02 Sporting Boavista FC Porto Benfica 2000-01 Boavista FC Porto Sporting Sp. Braga 1999-00 Sporting FC Porto Benfica Boavista 1998-99 FC Porto Boavista Benfica Sporting 1997-98 FC Porto Benfica V. Guimarães Sporting 1996-97 FC Porto Sporting Benfica Sp. Braga 1995-96 FC Porto Benfica Sporting Boavista 1994-95 FC Porto Sporting Benfica V. Guimarães 1993-94 Benfica FC Porto Sporting Boavista 1992-93 FC Porto Benfica Sporting Boavista 1991-92 FC Porto Benfica Boavista Sporting 1990-91 Benfica FC Porto Sporting Boavista 1989-90 FC Porto Benfica Sporting V. Guimarães 1988-89 Benfica FC Porto Boavista Sporting 1987-88 FC Porto Benfica Belenenses Sporting 1986-87 Benfica FC Porto V. Guimarães Sporting 1985-86 FC Porto Benfica Sporting V. Guimarães 1984-85 FC Porto Sporting Benfica Boavista 1983-84 Benfica FC Porto Sporting Sp. Braga 1982-83 Benfica FC Porto Sporting V. Guimarães 1981-82 Sporting Benfica FC Porto V. Guimarães 1980-81 Benfica FC Porto Sporting Boavista 1979-80 Sporting FC Porto Benfica Boavista 1978-79 FC Porto Benfica Sporting Sp. Braga 1977-78 FC Porto Benfica Sporting Sp. Braga 1976-77 Benfica Sporting FC Porto Boavista 1975-76 Benfica Boavista Belenenses FC Porto 1974-75 Benfica FC Porto Sporting Boavista 1973-74 Sporting Benfica V. Setúbal FC Porto 1972-73 Benfica Belenenses V. Setúbal FC Porto 1971-72 Benfica V. Setúbal Sporting CUF 1970-71 Benfica Sporting FC Porto V. Setúbal 1969-70 Sporting Benfica V. Setúbal Barreirense 1968-69 Benfica FC Porto V. Guimarães V. Setúbal 1967-68 Benfica Sporting FC Porto Académica 1966-67 Benfica Académica FC Porto Sporting 1965-66 Sporting Benfica FC Porto V. Guimarães 1964-65 Benfica FC Porto CUF Académica 1963-64 Benfica FC Porto Sporting V. Guimarães 1962-63 Benfica FC Porto Sporting Belenenses 1961-62 Sporting FC Porto Benfica CUF 1960-61 Benfica Sporting FC Porto V. Guimarães 1959-60 Benfica Sporting Belenenses FC Porto 1958-59 FC Porto Benfica Belenenses Sporting 1957-58 Sporting FC Porto Benfica Belenenses 1956-57 Benfica FC Porto Belenenses Sporting 1955-56 FC Porto Benfica Belenenses Sporting 1954-55 Benfica Belenenses Sporting FC Porto 1953-54 Sporting FC Porto Benfica Belenenses 1952-53 Sporting Benfica Belenenses FC Porto 1951-52 Sporting Benfica FC Porto Belenenses 1950-51 Sporting FC Porto Benfica Atlético 1949-50 Benfica Sporting Atlético Belenenses 1948-49 Sporting Benfica Belenenses FC Porto 1947-48 Sporting Benfica Belenenses Estoril 1946-47 Sporting Benfica FC Porto Belenenses 1945-46 Belenenses Benfica Sporting Olhanense 1944-45 Benfica Sporting Belenenses FC Porto 1943-44 Sporting Benfica Atlético FC Porto 1942-43 Benfica Sporting Belenenses Unidos Lisboa 1941-42 Benfica Sporting Belenenses FC Porto 1940-41 Sporting FC Porto Belenenses Benfica 1939-40 FC Porto Sporting Belenenses Benfica 1938-39 FC Porto Sporting Benfica Belenenses 1937-38 Benfica FC Porto Sporting Carcavelinhos 1936-37 Benfica Belenenses Sporting FC Porto 1935-36 Benfica FC Porto Sporting Belenenses 1934-35 FC Porto Sporting Benfica Belenenses
Resumo:
– Benfica – 35 vezes Campeão / 27 vezes 2º / 15 vezes 3º / 4 vezes 4º classificado
– FC Porto – 27 vezes Campeão / 25 vezes 2º / 13 vezes 3º / 11 vezes 4º classificado
– Sporting – 18 vezes Campeão / 21 vezes 2º / 26 vezes 3º / 12 vezes 4º classificado
– Belenenses – 1 vez Campeão / 3 vezes 2º / 14 vezes 3º / 9 vezes 4º classificado
– Boavista – 1 vez Campeão / 3 vezes 2º / 2 vezes 3º / 10 vezes 4º classificado
– V. Setúbal – 1 vez 2º / 3 vezes 3º / 2 vezes 4º classificado
– Sp. Braga – 1 vez 2º / 1 vez 3º / 12 vezes 4º classificado
– Académica – 1 vez 2º / 2 vezes 4º classificado
– V. Guimarães – 4 vezes 3º / 9 vezes 4º classificado
– Atlético – 2 vezes 3º / 1 vez 4º classificado
– CUF – 1 vez 3º / 2 vezes 4º classificado
– P. Ferreira – 1 vez 3º classificado
– Nacional – 2 vezes 4º classificado
– Estoril – 2 vezes 4º classificado
– Barreirense – 1 vez 4º classificado
– Olhanense – 1 vez 4º classificado
– Unidos Lisboa – 1 vez 4º classificado
– Carcavelinhos – 1 vez 4º classificado
I Liga – 2015-16 – Classificação final
Equipa J V E D GM GS P Benfica 34 29 1 4 88 - 22 88 Sporting 34 27 5 2 79 - 21 86 FC Porto 34 23 4 7 67 - 30 73 Sp. Braga 34 16 10 8 54 - 35 58 Arouca 34 13 15 6 47 - 38 54 Rio Ave 34 14 8 12 44 - 44 50 Paços Ferreira 34 13 10 11 43 - 42 49 Estoril 34 13 8 13 40 - 41 47 Belenenses 34 10 11 13 44 - 66 41 V. Guimarães 34 9 13 12 45 - 53 40 Nacional 34 10 8 16 40 - 56 38 Moreirense 34 9 9 16 38 - 54 36 Marítimo 34 10 5 19 45 - 63 35 Boavista 34 8 9 17 24 - 41 33 V. Setúbal 34 6 12 16 40 - 61 30 Tondela 34 8 6 20 34 - 54 30 U. Madeira 34 7 8 19 27 - 50 29 Académica 34 5 10 19 32 - 60 25
Campeão – Benfica – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
2º classificado – Sporting – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
3º classificado – FC Porto – “Play-off” de acesso à Fase Grupos Liga dos Campeões
4º classificado – Sp. Braga – Entrada directa na Fase Grupos da Liga Europa
5º classificado – Arouca – 3ª eliminatória de acesso à Fase Grupos da Liga Europa
6º classificado – Rio Ave – 3ª eliminatória de acesso à Fase Grupos da Liga Europa
Vencedor da Taça – Sp. Braga
Despromovidos – U. Madeira e Académica
Promovidos – Chaves e Feirense
Melhores marcadores:
1. Jonas – Benfica – 32
2. Islam Slimani – Sporting – 27
3. Konstantinos Mitroglou – Benfica – 19
Benfica Tri-Campeão!

Palmarés – Campeões:
Benfica (35) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14; 2014-15; 2015-16
FC Porto (27) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13
Sporting (18) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02
Belenenses (1) – 1945-46
Boavista (1) – 2000-01

Benfica Campeão Europeu de Hóquei em Patins

Novamente numa Final entre duas equipas portuguesas (tal como se verificara em 2013), hoje disputada no Pavilhão da Luz, o Benfica, ganhando à Oliveirense por 5-3, sagrou-se Campeão Europeu de Hóquei em Patins, troféu que conquista pela segunda vez na sua história (depois do triunfo de 2012-13), e que junta às Taças CERS conquistadas em 1990-91 e 2010-11 e à Supertaça Europeia.
Para chegar a esta Final (7.ª da história do clube, na prova), e tal como há três anos, o Benfica eliminara ontem, na partida das 1/2 Finais, o Barcelona, no desempate da marca de grande penalidade (2-1), depois de 1-1 no final do tempo regulamentar e do prolongamento.
Antes, nos 1/4 Final tinha já eliminado o Vendrell, também de Espanha, com 5-3 na Catalunha e 5-5 no Pavilhão da Luz, depois de ter ganho o seu Grupo de apuramento, à frente do Vic (Espanha – 5-1 e 6-7), Bassano (Itália – 9-6 e 8-2) e Mérignac (França – 8-0 e 5-2).
Os heróis que conquistaram esta taça foram: Pedro Henriques, Valter Neves, Diogo Rafael, João Rodrigues (os quatro a bisar a conquista do título, pelo Benfica), Guillem Trabal, Carlos Nicolia, Jordi Adroher, Marc Torra, Tiago Rafael e Miguel Rocha, sob a orientação técnica de Pedro Nunes.
Esta foi a sexta vez que a competição foi conquistada por equipas portuguesas.

(foto via MaisFutebol)
Palmarés da prova:
- Barcelona (21) – 1972-73, 1973-74, 1977-78, 1978-79, 1979-80, 1980-81, 1981-82, 1982-83, 1983-84, 1984-85, 1996-97, 1999-00, 2000-01, 2001-02, 2003-04, 2004-05, 2006-07, 2007-08, 2009-10, 2013-14 e 2014-15
- Reus (7) – 1966-67, 1967-68, 1968-69, 1969-70, 1970-71, 1971-72 e 2008-09
- Igualada (6) – 1992-93, 1993-94, 1994-95, 1995-96, 1997-98 e 1998-99
- Liceo Coruña (6) – 1986-87, 1987-88, 1991-92, 2002-03, 2010-11 e 2011-12
- Voltregà (3) – 1965-66, 1974-75 e 1975-76
- FC Porto (2) – 1985-86 e 1989-90
- Benfica (2) – 2012-13 e 2015-16
- Sporting (1) – 1976-77
- Noia (1) – 1988-89
- Barcelos (1) – 1990-91
- Follonica (1) – 2005-06
A reversão mais valiosa para o futuro: acabar com o Acordo Ortográfico
As declarações do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa sobre o Acordo Ortográfico são uma das últimas janelas de oportunidade para que se feche em Portugal toda uma história de medíocre engenharia da língua, sem nenhuma vantagem nem mérito, cuja manutenção, por inércia e quase só por inércia, tornará Portugal e a cultura portuguesa mais débeis, menos influentes e mais isolados. Se há “reversão” que se exige do governo é a do Acordo Ortográfico, obra de políticas de facilidade, destinadas a resolver problemas complexos com um truque de engenharia política imposto por governantes cuja relação com a língua e a cultura portuguesa é, para não dizer outra coisa, de bastante indiferença. As divergências de ortografia com o Brasil, o grande argumento para o Acordo, têm a ver com coisas muito diferentes de uma norma. Têm a ver com a pujança do português do Brasil, empurrado por uma sociedade dinâmica e aberta a muitas outras línguas e influências, que nunca conseguiremos domar com um Acordo deste tipo. Bem pelo contrário, é bom para o português como língua que ele tenha como locomotiva o Brasil, que nos enriquece pela sua diferença, enquanto que o português de Portugal pode permanecer o cânone cultural da língua, fiel às suas origens latinas, e transportando uma história que vale muito mais para a cultura brasileira do que uma variante mortiça da ortografia abrasileirada, escrita a contragosto e sem chama. O português é o português e é uma enorme vantagem cultural, mesmo no mercado competitivo da cultura, que ele permaneça na sua ortografia fiel às suas origens latinas.
O Acordo Ortográfico é um monumento de ambiguidade às relações entre Portugal e os países onde se fala a língua portuguesa, que ninguém desejou nem pediu e que acabou por servir para gerar enormes efeitos perversos, que se arriscam a cair apenas sobre Portugal, visto que no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Timor, o caminho seguido é deixar o Acordo apenas na sua condição de papel. Para fazer esta “reversão” basta apenas tornar a sua aplicação facultativa, e logo a seguir a força colectiva da recusa ao Acordo isolará a minoria que o defende. O Acordo só existe em Portugal pelo absurdo de termos governos que o têm querido impor isoladamente a nível nacional, o que é o melhor exemplo do seu falhanço como acordo internacional, que não obriga ninguém visto que vários signatários resolveram não o aplicar, o que o torna caduco.
Acabar com o Acordo já tem custos, custos que de há muito foram anunciados e previstos e que poderiam e deveriam ter sido evitados. Os custos são de duas ordens: uma, a mais grave, o facto de uma geração de crianças e jovens ter sido educada com as regras do novo acordo, processo que se agravou pelo facto de os seus defensores terem estado a criar à pressa um facto consumado, para tornar o Acordo inevitável e não se poder andar para trás. Como o Acordo nunca seria implementado pelo seu mérito nas escolas e no Estado, onde muito pouca gente o aceita como seu, forçou-se a sua aplicação manu militari, com ameaças e sanções mesmo que de legalidade muito contestável. Admito que isso signifique que para uma faixa etária de portugueses a sua maneira de escrever fique numa espécie de limbo, mas estão longe de ser a maioria dos portugueses, jovens adultos e mais velhos, que nunca seguiram as regras da nova ortografia. Por isso, limbo por limbo, mais vale corrigir o mais depressa possível aquele que é de centenas de milhares, em vez de forçar o de milhões. É o custo desta operação de engenharia da língua pago pelos mais novos? É. Mas iriam crescer num mundo em que a escrita de qualidade, os jornais de referência, o português de todos os países africanos de língua portuguesa, seria o da ortografia anterior ao Acordo. Já lá vamos ao Brasil.
O segundo custo, o de alterar de novo os manuais escolares e outros documentos em que se forçou a aplicação do Acordo, também existe, mas os prejuízos a médio e longo prazo do Acordo são muito maiores do que o custo dessas alterações a curto prazo. O Estado pode ir corrigindo os seus papéis pouco a pouco, e alguma forma de indemnização pode ser dada às editoras de livros escolares. Já penso que as editoras que se apressaram a correr a fazer livros com as regras do Acordo, enquanto outras mantinham a antiga ortografia, ou porque se opunham ao Acordo ou porque os seus autores não aceitavam as novas regras – o que foi a regra – não devem receber qualquer indemnização. Estavam prevenidas das muito sérias objecções que existiam quanto à legalidade do Acordo, e aceitaram o risco.
Mas se se acabar com o Acordo o mais depressa possível – e essa urgência é real para evitar mais estragos do que os que já foram feitos – não se pode ignorar os seus custos, não se pode deixar de dizer com clareza que os custos da sua manutenção são muito maiores e particularmente gravosos para um bem intangível, o da influência do português como língua nacional de cultura e história. O que acontecerá, sem nunca se resolver a divergência com o Brasil, será a divergência cada vez mais acentuada entre o português que se escreve em Portugal e o que se escreve nos PALOP. Com Angola, Moçambique, Cabo Verde sem aplicar o novo Acordo, com o Brasil a escrever como muito bem lhe apetece, ficará Portugal isolado numa variante ortográfica empobrecedora, cujos efeitos serão tornar cada vez mais bizarra a escrita do português.
Um dos argumentos dos defensores do Acordo é que se trata apenas de mudar a ortografia e isso não muda a língua. Foi o argumento com que se me respondeu quando falei do abastardamento do português que, no meu ponto de vista e no de muitos outros, resulta da aplicação das novas regras ortográficas. Considero o argumento absurdo, como se na língua que falamos e lemos – insisto, falamos e lemos – a imagem física das palavras não contasse, e fosse o mesmo escrever aspeto e aspecto. As palavras transportam uma dimensão cultural e na sua escrita não são mera ortografia, como melhor do que ninguém João Guimarães Rosa compreendeu, tratando a língua portuguesa como sentido, som, e imagem.
O Acordo Ortográfico não é ciência, nem lei, é política. Como política, é prejudicial à nossa cultura a nível nacional e como elemento de política externa é um acto político clamorosamente falhado e cujas consequências do seu falhanço caem essencialmente sobre Portugal. O Presidente teve a coragem de levantar o assunto, convinha agora dar ao seu acto a força da opinião pública. Há muitas maneiras de o fazer, e os juristas e constitucionalistas certamente que encontrarão forma de dar expressão legal a esta “reversão”. Pode considerar-se a sua caducidade visto que não está a ser aplicado pelos outros signatários, “reverter” a sua imposição administrativa, ou, levar os portugueses a pronunciarem-se em referendo, mesmo que de forma não vinculativa, sobre o Acordo. Não são os opositores do Acordo quem tem medo do referendo, bem pelo contrário. Mas o tempo urge, visto que os defensores do Acordo pouco mais têm a seu favor do que a inércia.
Há uma saída airosa para o Acordo Ortográfico?
Em visita presidencial a Moçambique, de onde regressará no sábado, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quarta-feira à RTP África que o facto de Angola e Moçambique não terem ratificado o AO constitui “uma oportunidade para repensar a matéria”. […]
Como seria de esperar, a sua intervenção desagradou aos defensores do AO e foi entusiasticamente saudada pelos adversários do diploma, que após anos a verem as suas críticas ao Acordo Ortográfico serem ignoradas pelo Parlamento, por sucessivos governos e pelo anterior Presidente da República, registaram com satisfação que um órgão de soberania português viesse, com manifesta deliberação, colocar em cima da mesa a possibilidade de se repensar a aplicação do AO em Portugal.
Uma iniciativa que não deixa de surpreender, já que as posições de Marcelo em matéria de AO não têm sido isentas de oscilações. Em 1991 assinou um primeiro manifesto contra o acordo, mas em 2008 já parecia rendido ao argumentário político em favor do tratado e menorizava o seu impacto na língua. Após ter sido eleito, mas antes de tomar posse, publicou no Expresso um artigo de opinião na ortografia anterior ao AO, mas nunca tomou a iniciativa de reverter a aplicação da nova ortografia nos serviços da Presidência, introduzida pelo seu antecessor, Cavaco Silva.
Hesitações que não são incompatíveis com o argumento estritamente prático que Marcelo invocou para reavivar o debate: a sua convicção de que o AO redundou num falhanço diplomático para o qual é preciso encontrar solução.
Rasgar ou melhorar?
Qual pode ser essa solução é que “é a pergunta que todos fazem”, disse ao PÚBLICO o actual presidente da Academia de Ciências de Lisboa (ACL), Artur Anselmo, defendendo que “é preciso encontrarmos uma saída airosa, para bem de todos”. O filólogo é um declarado opositor do AO, mas pergunta-se: “É preferível rasgar o chamado acordo de 1990 ou tentar melhorá-lo?”. E “com o devido respeito por posições mais extremistas”, avisa que “é preciso ter cuidado, porque os problemas que decorrem do ensino da nova ortografia nas escolas ao longo dos últimos anos são gravíssimos”.
Embora descartando qualquer influência na iniciativa que o Presidente da República veio a tomar, Artur Anselmo desafiara-o publicamente a ouvir os especialistas da língua e a contribuir para “despiorar” um acordo que – afirmou ao PÚBLICO no início de Março – estipula “coisas incompreensíveis e inaceitáveis, que o senso comum não aceita, e que têm de ser corrigidas”. […]
Para lá de achar que “é um ultraje procurar impor uma norma ortográfica comum à portuguesa a países com a autonomia cultural do Brasil, Angola, Moçambique ou Cabo Verde”, Artur Anselmo, que tem ascendência portuguesa e brasileira, não duvida de que o objectivo é além do mais irrealizável, dado que “a chamada norma brasileira do português está a afastar-se cada vez mais do português europeu”, observa. […]
O principal obreiro do AO pelo lado do português, o linguista Malaca Casteleiro, já reagiu a este reacendimento da controvérsia em torno do AO, afirmando à Lusa que os atrasos na sua ratificação “correspondem aos ritmos democráticos de cada país” e que, em democracia, “quando há decisões, há sempre os contestatários dessas decisões”. […]
O linguista pode bem ter contribuído involuntariamente para levar Marcelo a tomar a iniciativa de discutir o AO, já que este dificilmente terá gostado de ler as declarações que Malaca Casteleiro prestou ao Diário de Notícias no início de Abril, afirmando que o novo Presidente tinha, no exercício das suas funções, de “cumprir a lei” e aplicar o AO. Afirmação aliás controversa, já que a resolução do Conselho de Ministros que impôs o acordo à administração pública não vinculará, segundo defendem vários juristas, órgãos de soberania como a Presidência da República e os tribunais. Um recente acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra vem afirmar isso mesmo. […]
Partilhando a posição do embaixador Carlos Fernandes, que no seu recente livro O Acordo Ortográfico de 1990 não está em vigor (Guerra e Paz, 2016) defende que o diploma pode estar a ser aplicado na prática, mas não está em vigor de jure, Ivo Miguel Barroso acha que o AO “é inconstitucional por várias razões”, e desde logo por contrariar o artigo da Constituição que proíbe o Estado de “programar a cultura e a educação segundo quaisquer directrizes estéticas, políticas ou ideológicas”. Mas considera que um dos aspectos mais graves, e mais obviamente inconstitucionais, do AO é “ter inventado palavras como ‘conceção’ e ‘receção’, inexistentes mesmo no Português do Brasil”.
É certo que Marcelo não tem poderes para revogar o AO em Portugal, e que uma reversão do acordo implicaria uma proposta da AR ou do Governo, com posterior aprovação no Parlamento e promulgação pelo Presidente da República. Mas Marcelo, como sublinha Barroso, desbloqueou as vias políticas, tornando mais difícil aos defensores do AO evitarem uma discussão que nunca chegou verdadeiramente a existir.
Liga Europa – 1/2 finais (2ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Sevilla - Shakhtar Donetsk 3-1 2-2 5-3 Liverpool - Villarreal 3-0 0-1 3-1Apenas o Liverpool conseguiu impedir o pleno espanhol nos finalistas das competições europeias desta temporada, defrontando na final o Sevilla, que atinge o jogo decisivo da prova pelo terceiro ano consecutivo!
Liga dos Campeões – 1/2 Finais (2ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Real Madrid - Manchester City 1-0 0-0 1-0 Bayern - At. Madrid 2-1 0-1 2-2Dois anos depois repete-se – agora em Milão – a final de Lisboa, de 2014, entre Real Madrid e Atlético de Madrid.
O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada
(“O Templário”, 28.04.2016)
Caiu o pano sobre mais uma edição do Campeonato Distrital da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém, esta época com o Campeão, Fátima, porventura a bater o “record” de aproveitamento (quase 95% do máximo de pontos possíveis), somente com quatro pontos perdidos, em função de apenas dois empates cedidos, curiosamente um deles logo na ronda inaugural, tendo concluído a prova com uma fantástica série de 16 vitórias consecutivas!
Com tudo já decidido a nível dos lugares do pódio – com os três primeiros, Fátima, Cartaxo e União de Tomar, separados entre si por amplas diferenças pontuais (respectivamente 15 pontos, entre 1.º e 2.º, e 13 pontos, entre 2.º e 3.º) – para a derradeira jornada tinham ficado ainda reservadas as emoções da disputa da manutenção e da fuga à ameaça da despromoção.
Apesar de um tento inicial da U. Abrantina, em Amiais de Baixo, ainda ter provocado algum “frisson” – colocando nessa altura, durante alguns minutos (ainda que apenas de forma virtual), os “Caixeiros” em posição de despromoção – no final acabou por não haver alterações de relevo, com a turma de Abrantes a ver consumada a descida à II Divisão, destino contra o qual lutou com grande abnegação até ao último minuto, enquanto o Moçarriense deverá seguir-lhe os passos, dado o facto de o Coruchense ter praticamente sentenciada a despromoção ao Distrital.
Destaques – O principal destaque da última ronda vai precisamente para o desafio em que se defrontavam duas equipas ainda “aflitas”, pese embora o Amiense beneficiar da relativa tranquilidade de o empate lhe bastar para concretizar o seu objectivo, de manutenção. Tendo conseguido reagir ao golo da U. Abrantina, restabelecendo a igualdade ainda no primeiro tempo, na etapa complementar procurou sobretudo gerir o resultado, que lhe convinha, assim conseguindo terminar da melhor forma uma época que tão mal iniciara, apesar de o 11.º lugar que ocupa no final da prova constituir o seu pior registo dos últimos 15 anos.
Na Ribeira de Santarém – num campo ainda sem condições para receber espectadores (que têm de assistir ao jogo do lado de fora da rede de vedação, de pé) – o quase centenário grupo dos Empregados do Comércio (completa 100 anos de existência em 2017) fez pela vida, obtendo o segundo triunfo nos últimos três jogos (apenas o terceiro em toda a segunda volta), ganhando ao U. Tomar por 3-1, acabando inclusivamente por subir duas posições, fixando-se no 9.º lugar.
Numa partida em que o União nada tinha a ganhar nem a perder, a primeira parte foi algo incaracterística, sem grandes oportunidades de golo (a principal terá até pertencido aos tomarenses), chegando-se ao intervalo com o nulo no marcador, que se ajustava ao desempenho de ambas as equipas. Na segunda parte, os “Caixeiros” foram mais acutilantes, aproveitando alguma desconcentração defensiva dos nabantinos, acabando por justificar o triunfo.
Apesar desta “saída em falso”, é justa uma palavra final de apreço para o bom desempenho do União de Tomar nesta competição, mantendo-se no pódio pelo segundo ano consecutivo, depois de ter sido vice-campeão na temporada anterior, garantindo um honroso 3.º lugar, numa época em que teve de enfrentar múltiplas contrariedades, desde sucessivas lesões a questões burocráticas de inscrição de jogadores, que obrigaram ao sistemático recurso a jogadores ainda juniores. Ainda a propósito do trabalho desenvolvido nos escalões de formação, abre-se aqui um brevíssimo parêntesis, para felicitar a equipa de Juvenis do União de Tomar, pela conquista, 24 anos depois, de novo título de Campeão Distrital. Bons sinais de esperança no futuro do clube!
O Fátima deu cabal resposta à interrogação que aqui suscitara na semana passada, impondo-se em Torres Novas, por categórica marca de 3-0, fechando com “chave de ouro” esta sua breve passagem pelo Distrital, numa caminhada que encetou para mais ambiciosos voos.
Confirmações – Nos restantes quatro encontros registaram-se desfechos expectáveis, sem impacto significativo no posicionamento final das equipas. Efectivamente, o Moçarriense, recebendo o Rio Maior, superou o contratempo inicial de um tento sofrido, acabando por ganhar por 3-1, fixando-se na ingrata 12.ª posição – que seria de manutenção, mas que, em função da previsível descida do Coruchense, arrastará na queda para a II Divisão o conjunto da Moçarria.
O Cartaxo completou também a sua excelente temporada, ganhando ao Fazendense, por 2-0, terminando com três triunfos sucessivos. O Mação, batendo o At. Ouriense pelo mesmo resultado, confirmou o 4.º lugar final (a sua melhor posição dos últimos 15 anos, igualando os desempenhos de 2004-05 e 2012-13). Por fim, o Riachense, recebendo o U. Almeirim, chegou a estar em vantagem por dois golos, tendo consentido o restabelecer do empate, antes de acabar por fixar o resultado em 3-2, um desfecho que lhe proporciona também a confirmação do 5.º lugar, imediatamente à frente do rival Torres Novas, registando igualmente ambos os clubes o mais fraco desempenho dos últimos quinze anos (tal como no caso do Fazendense, que cai do 3.º posto do ano anterior). Paralelamente, U. Almeirim e Fazendense terminam a prova igualados em pontos, respectivamente no 7.º e 8.º lugares, que ocupavam já antes desta jornada.
II Divisão Distrital – Na quinta ronda da fase final, destaque para mais um categórico triunfo (3-0) do Benavente, no “derby” (em Samora Correia), praticamente já com um pé na I Divisão, dado dispor de oito pontos de vantagem sobre o 4.º lugar (partilhado por Glória e Samora). O Ferreira do Zêzere não foi além do nulo na recepção ao Pego, com os pegachos a manterem o 2.º lugar, com um ponto a mais que o adversário desta ronda. O U. Santarém, ganhando por 2-1 ao Glória, parece reentrar na corrida pela promoção, agora a dois pontos do 3.º lugar.
Campeonato de Portugal Prio – Na 11.ª jornada da segunda fase, o Alcanenense, com excelente recta final de temporada, ganhou ao Caldas por 2-0, consolidando a liderança, agora com cinco pontos de vantagem sobre o adversário desta ronda. Por seu lado, o Coruchense, perdendo por 3-1 em Loures, mantém a indesejada “lanterna vermelha”, distando já oito pontos do 6.º lugar. Restando somente nove pontos em disputa, só por “milagre” o grupo do Sorraia poderia ainda evitar o regresso ao Distrital na próxima época….
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Abril de 2016)
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Villarreal – Liverpool – 1-0
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