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U. Tomar – Centenário (XIII)
(“O Templário”, 26.12.2013)
A brilhante carreira unionista da temporada de 1964-65 prosseguiria com a disputa dos ¼ Final do Campeonato Nacional da III Divisão, em que o União de Tomar defrontava o Portalegrense, sendo que o vencedor desta eliminatória garantiria automaticamente o apuramento para a II Divisão, grande objectivo ambicionado pela formação nabantina.
Após a vitória de 10-0 frente ao Vitória de Lisboa, que proporcionara ao clube a conquista do título de Campeão Provincial do Ribatejo, saberia a pouco o nulo registado logo na semana seguinte, na 1.ª mão de tal eliminatória, em Tomar. Não se dando por vencida, a turma unionista imporia nova igualdade, a três golos, na 2.ª mão, em Portalegre, assim forçando um terceiro jogo, de desempate, a disputar em campo neutro, a 29 de Junho de 1965:
«48 horas depois dos jogadores terem disputado um encontro emocionante e de forte desgaste físico, voltaram a encontrar-se, mas desta vez em Vendas Novas. […]
Mal o desafio principiou o União demonstrando uma condição física excepcional apoderou-se do comando do jogo para só o largar no final do encontro. Foi fantástico ver como os jogadores se bateram de princípio ao fim sem terem um minuto de desânimo. Fartaram-se de jogar e só o destino continuava a não permitir que o União obtivesse um golo sequer. À medida que o tempo ia correndo mais vinha ao de cima a superioridade do União. A equipa do Portalegrense, limitou-se em todo o jogo a fazer de vez em quando uma avançada. Na primeira parte jogando contra o vento, meteram-se todos dentro da área e foi impossível ao União criar oportunidades de golo, apesar de estar sempre ao ataque. Mesmo assim, um remate de longe, de P. Silva foi embater na trave. Na segunda parte, jogando a favor do vento, foram novamente dominados pelo bom jogo do União. […]
O resultado de 1-0, com um golo marcado excelentemente por Ernesto após brilhante jogada da equipa, não revela a superioridade do União ao longo de 270 minutos e a coincidência é que esta vitória, mais do que justa e merecida, alcançada sem qualquer favor de A ou B, foi conquistada graças à excelente preparação física que a equipa tem. Está de parabéns, particularmente Di Paola, que soube dar à equipa ao longo da época uma preparação metódica e só possível a um grande treinador. Voltamos a não distinguir jogadores pois individualmente todos foram excelentes. Diremos apenas que os dois últimos golos alcançados pelo União, ambos a 7 minutos do final dos encontros e que valeram ao União a subida de Divisão, foram alcançados pelo jogador Ernesto que mais o merecia, como prémio da sua actuação ao longo de todo o Campeonato.»(1)
Depois de tanto porfiar, ao longo de cerca de cinco anos de persistentes tentativas, com particular incidência nas três épocas mais recentes (desde 1962-63), o União de Tomar alcançava, finalmente, a promoção à II Divisão Nacional, em que, desta forma, voltaria a participar, 23 anos após a sua última presença anterior.
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O pulsar do campeonato – 11ª jornada
(“O Templário”, 26.12.2013)
A última jornada do Campeonato Distrital da I Divisão disputada no ano de 2013 proporcionou – de alguma forma emulando a curiosa situação de liderança partilhada entre os três “grandes”, na I Liga (Sporting, FC Porto e Benfica) – um reagrupamento no topo da tabela classificativa, com um quarteto separado por apenas dois pontos, assim reforçando o interesse na competição.
Numa ronda em que At. Ouriense e Coruchense foram os principais beneficiados, o líder Fazendense – que atingira tal posição na sequência de um bom ciclo de quatro triunfos sucessivos – viu, curiosamente, logo na primeira jornada em que ostentava tal posição (que, não obstante, mantém) quebrado esse ciclo, não tendo conseguido ir além de um nulo na difícil deslocação a Amiais de Baixo, de qualquer forma, um desfecho que não deixa de ser positivo.
Por seu lado, o Torres Novas, que se vira desapossado da posição cimeira no campeonato que ocupara desde o início do campeonato, pôs termo a uma fase negativa, de três jogos sem vitória, recebendo e vencendo, por 2-0, a formação dos Empregados do Comércio, num desafio em que, ainda assim, experimentou bastantes dificuldades. Reduziram desta forma os torrejanos, para um escasso ponto, a diferença que os separa do guia.
Falando então agora dos grandes vencedores da jornada: o At. Ouriense – que não perde desde a jornada inaugural da prova –, impôs-se, num terreno sempre difícil como é o de Benavente, graças a um solitário tento; enquanto o Coruchense, que surge cada vez mais afirmativo (continuando a apresentar a defesa menos batida, dispondo agora do segundo melhor ataque), goleou, e em terreno alheio, uma equipa do Pontével que parece ter vindo a “perder gás”, pela categórica marca de 5-1. Foi a quarta vitória consecutiva do grupo do Sorraia, que regista a melhor série actualmente em curso… em perfeito contraponto ao quarto desaire sucessivo da turma do município do Cartaxo. Assim, as turmas de Ourém e de Coruche prosseguiram a tal aproximação à liderança, de que distam agora somente dois pontos.
Depois do Amiense, porventura o último dos cinco candidatos ao título, que se posiciona logo abaixo do quarteto referido – mas a uma distância de cinco pontos da equipa de Fazendas de Almeirim –, segue-se um mini-pelotão de sete clubes (metade dos concorrentes), compreendidos num intervalo de apenas quatro pontos: o Pontével dispõe agora de apenas um ponto de vantagem sobre Mação e Empregados do Comércio, com o União de Tomar logo atrás, também somente a um ponto do duo que o precede, e, igualmente, com um único ponto a mais que o Assentis, enquanto Benavente e Cartaxo surgem de imediato, ainda um ponto mais abaixo.
Nesta ronda, é de registar o empate obtido pelo União de Tomar na tradicionalmente difícil visita a Mação (1-1, tendo obtido o golo da igualdade na conversão de uma grande penalidade), um desfecho que, para além do mero efeito aritmético a nível da pontuação, poderá revelar-se importante para devolver a tranquilidade ao grupo, deixando paralelamente em aberto a possibilidade de voltar a subir na pauta classificativa, uma vez que, conforme referido, está somente a dois pontos da 6.ª posição.
Menção ainda para o Assentis, que tendo atravessado uma fase nada profícua, em que somara três derrotas, conseguiu reagir, tendo empatado na semana passada, e ganhando agora, por 1-0, ao U. Chamusca (que, assim, regressou aos resultados negativos, mantendo o penúltimo lugar).
Por fim, confirmando a tendência das trajectórias que ambas as equipas vêm denotando, o Cartaxo foi vencer a Abrantes, frente à U. Abrantina, por 3-1 – quarto jogo sem perder dos cartaxenses (depois de quatro derrotas sofridas entre a 3.ª e a 7.ª jornadas)… e sexto desaire consecutivo da turma abrantina, que, assim, dista já sete pontos do antepenúltimo lugar, que traça, nesta altura (ainda de forma provisória, dependendo do desempenho das equipas do Distrito no Nacional de Seniores), a “linha de água”.
Houve novidades na II Divisão Distrital, tendo o anterior líder da série mais a Norte, Pego, recebido e a perdido (1-2) com o Atalaiense, num confronto que se traduziu numa passagem de testemunho do comando da prova; a equipa da Atalaia tem agora um ponto a mais que os pegachos, com o Ferreira do Zêzere, que tem empreendido boa recuperação, a três pontos. A Sul, os anteriores três primeiros classificados sofreram derrotas; não obstante, o Barrosense mantém a liderança, com três pontos a mais que o U. Almeirim (que apenas somou seis pontos nas seis últimas jornadas), tendo o Rio Maior (protagonista da quebra da invencibilidade do líder) subido ao 3.º lugar, a quatro pontos do guia.
Os campeonatos distritais apenas regressarão, já em 2014, a 12 de Janeiro, uma vez que, na semana anterior, será disputada a última ronda da fase grupos da Taça Ribatejo, na qual o União de Tomar defrontará o Alferrarede, bastando-lhe o empate para prosseguir na competição.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores – que avança rapidamente para o termo desta primeira fase – destaque para a excelente partida que o Alcanenense realizou no terreno do líder Mafra, a quem esteve a vencer até perto do final, acabando por ceder o empate a três golos. As outras duas agremiações do Distrito enfrentaram-se, em Riachos, com o Fátima – na expectativa de uma solução para a grave crise financeira com que se vem debatendo nos últimos meses, com os jogadores que optaram por se manter no clube a revelar grande dignidade – a vencer pela clara margem de 3-0, não tendo o Riachense conseguido assim dar sequência aos resultados positivos que obtivera recentemente.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Dezembro de 2013)
U. Tomar – Centenário (XII)
(“O Templário”, 19.12.2013)
Continuemos a reviver mais algumas memórias da sensacional vitória de 10-0 do União de Tomar, ante o Vitória de Lisboa, em partida a contar para o Nacional da III Divisão, disputada a 13 de Junho de 1965, agora também na perspectiva do cronista do jornal “O Templário”:
«Lançados ao ataque desde o primeiro minuto, os jogadores tomarenses encontraram na equipa lisboeta um sério opositor, que tudo tentou para contrariar os propósitos dos locais. […]
Mau grado a força avassaladora do ataque unionista, os postes, a trave e o guarda-redes tudo iam defendendo, de tal forma que na primeira parte só uma vez os locais conseguiram levar o esférico ao fundo das redes. […]
Poderosos de querer e de vontade, e depois de por três vezes a bola ter beijado os postes, conseguiram aos 10m abrir uma série de quatro golos, obtidos em oito minutos que enlouqueceram a assistência, tal o nível futebolístico a que se alcandoraram. Impulsionados por Dui e Mata, com Josué e Totói a construírem sucessivos centros de todas as formas e feitios, os locais brindaram-nos com uma exibição excepcional, irresistível, brilhante por vezes. […]
Nova série de três golos, dos 26 aos 36m galvanizou a assistência, mas o poder físico dos 22 elementos em campo parecia esgotado, tão grandiosa fora a luta até então. […]
O público vibra e os jogadores são heróis do jogo mais dramático a que temos assistido. A obcecação do golo domina os jogadores tomarenses, e aos 43 e 44m Ernesto e Totoi fecham a série de 10 com que terminou a partida. […]
O público aplaude, mas desconhece-se ainda o resultado da partida Tramagal-Matrena. […]
Cerca de dez minutos mais tarde, o público tem conhecimento que o Tramagal ganhava por 8-0. Era a certeza da qualificação unionista. […]
O União tinha feito o jogo da sua vida e o público manifestou-se exuberantemente. […]
Trinta e duas jornadas de futebol distrital e nacional estavam ali resumidas naquele minuto que a todos unia num abraço que constituía o justo prémio do esforço de dirigentes e atletas no desejo comum de levar o União à II Divisão. O momento era indiscritível.»(1)
Após cinco anos de sucessivas tentativas, com presenças consecutivas no Nacional da III Divisão, tendo, finalmente, conquistado a vitória na sua série, a II Divisão parecia enfim tão próxima, com o apuramento para os 1/4 Final do campeonato… Mas faltava ainda ultrapassar um último grande obstáculo: o Portalegrense, também 1.º classificado na respectiva série.
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O pulsar do campeonato – 10ª jornada
(“O Templário”, 19.12.2013)
Ponto prévio, antes de entrar na matéria: quando, há duas semanas, aqui referi as maiores goleadas da história do União de Tomar, indiquei, por manifesto lapso, que tinha ganho por 10-0, em 1964-65, ao Matrena, quando, com propriedade, pretendia referir que tal triunfo foi de facto obtido perante o Vitória de Lisboa (efectivamente, no mesmo dia, o Matrena perdeu 8-0 no Tramagal, daí a involuntária confusão), como aliás se recorda na coluna que recupera algumas das memórias do Centenário do União; aqui fica portanto a devida rectificação.
Passando então ao campeonato distrital da I Divisão da época em curso, disputou-se no passado fim-de-semana a 10.ª jornada; faltando portanto realizar ainda tantas rondas (16), naturalmente nada está decidido, não obstante se comecem a aperceber tendências. E a tendência diz-nos que, no caso específico do Torres Novas – que liderara a prova desde o seu início até agora –, depois de seis vitórias nos sete primeiros encontros, somou apenas um ponto nos três últimos desafios.
De facto, surpreendidos por uma sólida formação do Coruchense (tendo perdido 1-3 em Coruche), os torrejanos viram-se ultrapassados no comando da classificação, por uma equipa do Fazendense que, ao invés – depois de um surpreendente desaire caseiro ante o Assentis – soma já uma série de quatro triunfos consecutivos, tendo ganho por 3-1 ao Benavente. Um ciclo face ao qual se aguarda uma reacção do grupo de Torres Novas, que continua, não obstante, a ser um dos principais candidatos ao título, pese embora agora com três pontos de desvantagem face à turma de Fazendas de Almeirim.
Outra tendência que se vem desenhando, e reforçando, é a do mau desempenho da U. Abrantina, derrotada, igualmente por 1-3, na deslocação ao terreno dos Empregados do Comércio (que, depois do “acidente”, prossegue o seu “bom trilho”), ampliando já para cinco as derrotas que, sucessivamente, vem registando nas últimas jornadas, assim se afundando ainda mais na cauda da tabela, continuando imóvel nos quatro pontos, já a… quatro pontos dos rivais mais próximos.
Já aqui tive oportunidade, por mais de uma vez, de apontar a boa campanha que o Coruchense vem patenteando, encarrilando uma série de três vitórias, continuando a registar um único desaire, o que acumula agora com o estatuto de defesa menos batida da prova, somente com seis tentos consentidos, o que, entretanto, lhe permitiu ascender ao 3.º posto da pauta classificativa, em igualdade com o At. Ouriense (que venceu, nesta jornada, o Pontével, por 2-0) – equipa que, curiosamente, também averbou uma única derrota… e logo na ronda inaugural, em Mação.
O Amiense prossegue a sua carreira triunfal em casa, somando – depois da excepção do empate cedido ante o Cartaxo no primeiro jogo no seu terreno – quatro vitórias em outros tantos jogos, tendo desta feita ganho ao Mação, também por 2-0. Mas a “tendência mais definida” até ao momento é a do Pontével: é a única equipa que continua sem empatar qualquer jogo; porém, tendo registado derrotas nas suas últimas três partidas, tem vindo, paulatinamente, a descer na classificação, posicionando-se no 6.º lugar, já a quatro pontos do 3.º e 4.º classificados.
Do União de Tomar, o que se poderá dizer nesta altura é que vem denotando alguma irregularidade, quer exibicional, quer a nível de resultados. Na deslocação à Chamusca, privado de três dos habituais titulares, indisponíveis por motivos profissionais, e fustigado com outros casos de jogadores lesionados, o grupo começou por ter, nos minutos iniciais, uma boa entrada na partida, assumindo o controlo do jogo; porém, a meio do primeiro tempo, em mais um lance de bola parada, teria a infelicidade de sofrer um golo, que colocava termo a mais de seis horas em que o guardião unionista mantivera a sua baliza inviolada.
Na etapa complementar do desafio, com boa atitude, a turma nabantina, saindo em busca do golo, reclamaria duas situações de grande penalidade, acabando por, no melhor lance de todo o encontro, praticamente no seu termo – e depois do avançado dos nabantinos, com excelente execução técnica, ter desviado do seu caminho todos os adversários –, não ter a pontinha de sorte necessária, com o guarda-redes da Chamusca a “fazer a mancha”, oferecendo o corpo à bola, a evitar o golo do União, que assim via também quebrada a sua série de seis jogos de invencibilidade, o que se reflecte em mais uma posição perdida na tabela, baixando ao 9.º lugar. Subsiste, não obstante, uma vantagem de quatro pontos da formação unionista em relação ao Cartaxo (que, recebendo o Assentis, voltou a empatar, 1-1) e ao seu adversário desta jornada.
Na próxima ronda, última do ano, o União volta a ter uma saída difícil, até Mação, onde um resultado positivo seria um forte contributo para o reforço da tranquilidade do grupo. Destaque ainda para o sério teste que o agora novo líder, Fazendense, enfrentará na deslocação a Amiais de Baixo, com o Torres Novas, que recebe os Empregados do Comércio, na expectativa.
Na II Divisão Distrital, o Pego aproveitou o empate cedido pelo Atalaiense na Golegã, para se isolar no comando, agora com dois pontos de vantagem. Mais a Sul, o Barrosense, impondo-se na Glória do Ribatejo, mantém a liderança, com três pontos a mais que o U. Almeirim.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, já na 13.ª ronda (faltando apenas cinco para concluir a primeira fase), houve dois resultados de alguma “sensação”: o ânimo da primeira vitória do Riachense, e logo sobre o U. Leiria (2-1); assim como o triunfo – que, noutras circunstâncias seria “normal” – do Fátima sobre o Alcanenense (1-0), com os jogadores fatimenses, sem receber salários há vários meses, a revelarem boa atitude profissional.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Dezembro de 2013)
U. Tomar – Centenário (XI)
(“O Templário”, 12.12.2013)
Ainda na época de 1964-65, ao Distrital (de que o União de Tomar se sagrara Campeão), seguia-se a participação no Nacional da III Divisão, integrando, na sua primeira fase, uma série de seis clubes, conjuntamente com Tramagal, Matrena, Torres Novas, Olivais e Vitória de Lisboa – de que apenas o vencedor avançaria para a fase seguinte (1/4 Final), de disputa da promoção à II Divisão.
À entrada para a derradeira jornada, o Tramagal ocupava o primeiro lugar, mas em igualdade pontual com o União, que, contudo, registava uma desvantagem a nível de diferença de golos, de dois tentos (17-7 para os nabantinos, face a 22-10 dos tramagalenses). Assim, para além do obrigatório triunfo, revelava-se decisivo marcar o maior número de golos possível…
A 13 de Junho de 1965, a turma unionista recebia a formação do Vitória de Lisboa, obtendo uma extraordinária goleada, por 10-0, a segunda mais dilatada de todo o seu centenário historial (após os 13-1 com que batera o Alcanenense, em 1942-43, e igualando a marca registada em 1925, frente ao Operário de Tomar, então em jogo da “Liga Tomarense”), com golos de Morado (quatro), Ernesto (três), Pedro Silva (dois) e Totói, este a obter o tento decisivo – num desafio em que, ao intervalo, os rubro-negros dispunham de vantagem tangencial, de um único golo!
«Ao fim de 90 minutos de luta constante, o União obteve o seu melhor resultado da época e com ele apanhou a chave para abrir as portas da 2.ª Divisão que esperamos tenham a força suficiente para as abrir. Falar tecnicamente ou tacticamente sobre este jogo, é absolutamente impossível já que o União tinha o fim único de obter o maior número de golos possível, já porque o Vitória se empregou num sistema «tudo à defesa», tornando difícil para nós a apreciação deste jogo «jogado» e por isso limitamo-nos a fazer alguns comentários, visando a necessidade com que as equipas entraram em campo.
O Vitória, cujo último lugar da série estava mais ou menos garantido apresentou-se em campo, e contra toda a expectativa, com uma missão totalmente defensiva, procurando não perder o encontro ou perdê-lo por diferença escassa. […] Entregaram-se à luta com um empenho tão extraordinário que por vezes tivemos a sensação de que não era o União que tinha interesse em ganhar, mas sim o Vitória. […]
Foi uma partida dramática e que ficará na história do Clube. Eram precisos golos e eles apareceram e com a virtude de terem encontrado pela frente um adversário que nunca se entregou. Marcou o União 10 golos, no entanto outros tantos (sem exagero!) podia ter obtido se não fosse a magistral exibição do guarda-redes do Vitória e a trave que amparou seis bolas! Parece curioso o União ter obtido o número de golos exacto às suas pretensões; no entanto foi esse o número de golos que a assistência pediu aos jogadores e confessamos que chegámos a ter pena dos mesmos devido ao esforço que se estava exigindo. Quando acabou o jogo, ninguém arredou pé e os próprios jogadores do União não queriam ir tomar banho, sem saber o que se passava no Tramagal e foi, passados 15 minutos, que se soube o resultado do Tramagal e então foi o «fim do mundo»; todos se entregaram a uma manifestação, o que não é mais do que o amor que têm à camisola, à terra e o reconhecimento do valor patenteado.»(1)
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O pulsar do campeonato – 9ª jornada
(“O Templário”, 12.12.2013)
No regresso dos campeonatos Distritais, na I Divisão confirmou-se o que já se vinha prenunciando desde há algumas jornadas, com o Torres Novas a ser igualado na liderança pelo Fazendense. Efectivamente, mesmo jogando no seu terreno, os torrejanos não foram além da igualdade a um golo, na recepção ao At. Ouriense, enquanto a formação das Fazendas de Almeirim obteve um bom triunfo, graças a um solitário tento, na difícil deslocação a Pontével.
Nesta aproximação aos lugares do topo da tabela, também o Coruchense prossegue uma campanha muito segura, apenas tendo registado, até à data, uma única derrota, em Tomar. Desta feita, impôs-se por categórica margem de 3-0 na visita a Abrantes, frente a um conjunto da U. Abrantina que se afunda na classificação (acumulando já quatro derrotas consecutivas), continuando na indesejável posição de “lanterna vermelha”.
De alguma forma surpreendente terá sido o desaire sofrido pelo Amiense em Benavente, perdendo por 3-2, assim como os números do triunfo da turma dos Empregados do Comércio (que, assim, confirma estar já superado o impacto da goleada sofrida perante o União de Tomar) em Assentiz, ganhando por 4-2 (tendo inclusivamente chegado a 3-0 no início do segundo tempo), frente a um grupo que, curiosamente, vinha também de uma goleada, neste caso a seu favor, na Taça Ribatejo (6-0), mas que, no campeonato, somou o terceiro desaire sucessivo.
A normalidade imperou em Mação, com a equipa da casa a vencer por 2-1 perante o U. Chamusca. Por fim, o União de Tomar, depois dos 13 tentos obtidos nas duas partidas anteriores, terá visto “secar a fonte” dos golos – espera-se que apenas neste desafio –, não tendo conseguido, pela primeira vez nesta temporada, marcar qualquer golo, registando portanto um nulo, que, nestas circunstâncias, soube a pouco; numa óptica pela positiva, este foi, não obstante, o quarto desafio consecutivo sem que o grupo unionista tivesse sofrido qualquer golo, ampliando para seis o número de jogos sem perder.
Assim, olhando para a pauta classificativa, os seis primeiros estão agora separados por apenas cinco pontos, agrupados em três pares: Torres Novas e Fazendense partilham o comando, com vinte pontos, dispondo de uma vantagem de quatro pontos sobre o duo formado por At. Ouriense e Coruchense, enquanto Amiense e Pontével (nesta ronda, a cair, devido ao desaire caseiro averbado) estão somente um ponto mais abaixo.
Depois, em posição intermédia, surge um quarteto, num intervalo de apenas dois pontos: o Mação subiu ao 7.º posto, com 13 pontos, seguido pelo União de Tomar, com doze, com Benavente e Empregados do Comércio bem próximos, apenas também um ponto atrás.
Por fim, um outro quarteto, na cauda da tabela, mas com trajectórias distintas: o Assentis, que soma oito pontos, atravessa a referida série negativa de três jogos, enquanto o Cartaxo, com um ponto a menos, começou a recuperar posições; U. Chamusca, com cinco pontos, e U. Abrantina, somente com quatro pontos, começam a passar por situações aflitivas.
Na próxima ronda, já a décima desta competição, o Torres Novas enfrenta mais um sério teste à sua liderança, numa difícil deslocação a Coruche, ao mesmo tempo que o Fazendense recebe a visita do Benavente. Numa jornada em que o equilíbrio parece reinar, há ainda outros confrontos de desfecho imprevisível, como o Amiense-Mação, At. Ouriense-Pontével (a não ser que se confirme uma quebra da equipa do município do Cartaxo), ou, no que mais directamente interessa aos tomarenses, o U. Chamusca-União de Tomar. Finalmente, nas restantes partidas, à partida, parece haver notório favoritismo das equipas da casa, no Cartaxo-Assentis e no Empregados do Comércio-U. Abrantina, mas as surpresas estão aí sempre “à espreita”…
Na II Divisão Distrital, com oito jornadas disputadas, os líderes mantiveram as respectivas posições, com o Pego e Atalaiense a repartirem o comando da série mais a Norte (ampliando de um para três pontos a ainda curta vantagem sobre Tramagal e Caxarias), enquanto o Barrosense continua como guia da série a Sul, com U. Almeirim e Porto Alto a manterem-se também a três pontos, uma vez que este trio registou igualdades na última ronda (tendo aliás o Porto Alto empatado na Barrosa).
Subindo até ao Campeonato Nacional de Seniores, depois de uma tripla derrota na ronda anterior, desta feita tivemos um triplo empate (a zero) das equipas representantes do Distrito de Santarém, num fim-de-semana em que, aliás, apenas o guia (Mafra) saiu vencedor (frente ao Lourinhanense), tendo todos os restantes quatro encontros resultado em igualdades: nulos no Alcanenense-Torreense, no U. Leiria-Fátima, e no Portomosense-Riachense; e empate a três golos no Carregado-Caldas.
Seriam resultados positivos para o Riachense e para o Fátima, não fora a circunstância de a formação de Riachos manter oito pontos de atraso face ao antepenúltimo classificado, Torreense, (tendo o penúltimo, Portomosense, a seis pontos); e, por outro lado, a muito delicada situação financeira com que se debate o grupo fatimense, com um Passivo que excederá os 400 mil euros, e em situação de ruptura de tesouraria, com vencimentos dos jogadores em atraso, o que poderá colocar em risco não só a continuidade da equipa na prova, mas inclusivamente a própria sobrevivência do clube, caso não sejam encontradas soluções alternativas a breve prazo. Mais um forte alerta a toda a comunidade futebolística, com a austera realidade a impor-se e a ditar os imprescindíveis ajustamentos.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 12 de Dezembro de 2013)
U. Tomar – Centenário (X)
(“O Templário”, 05.12.2013)
Tendo regressado à I Divisão Distrital em 1958, o União de Tomar demoraria três anos até conseguir, pela primeira vez na sua história, apurar-se para o Campeonato Nacional da III Divisão, o que alcançaria na época de 1960-61, na sequência do 5.º lugar obtido no Distrital (atrás dos então “quatro grandes” do Distrito, Tramagal, Torres Novas, “Os Leões” de Santarém e Coruchense).
Tal como sucedera, vinte anos antes, na temporada de 1940-41 – então na estreia do clube no Campeonato Nacional da II Divisão –, o União teria uma excelente estreia no Nacional da III Divisão, a 15 de Janeiro de 1961, indo vencer a Coruche, por 4-3, num jogo frenético, alcançando o golo da vitória a dois minutos do fim, depois de a equipa Coruchense por três vezes ter estado em vantagem, com os dois últimos tentos a serem apontados por Eduardo Corona, antiga glória do Benfica, integrante da equipa que venceu a Taça Latina de 1949-50.
Mas, chegados a este patamar, seria necessário porfiar ainda, ao longo de cinco anos, para, enfim, a turma unionista conquistar um título de Campeão Nacional, matéria para uma próxima coluna. Antes disso, também na época de 1964-65, o União reconquistaria o título de Campeão Distrital. O calendário da prova ditara como adversário, para a antepenúltima ronda, o Alferrarede, que fora derrotado em Tomar com uma concludente goleada (8-1). E, naturalmente, com margem substancialmente mais reduzida, os “rubro-negros” voltariam a vencer:
«Dentro do critério que ultimamente vem utilizando, o União ganhou mais um encontro, fazendo uma exibição calma e sem preocupações no resultado.
O resultado de 2-0 é justo na medida em que o União, sem qualquer problema de classificação, se preocupou apenas com a vitória, actuando os jogadores em descontracção absoluta.»(1)
Em paralelo, a formação do Matrena era derrotada, em Santa Cita, pelo Tramagal, passando ambas estas equipas a registar um atraso de cinco pontos face ao guia. Assim, a 7 de Março de 1965, culminando uma bela campanha, o União de Tomar confirmava matematicamente a conquista do título – o terceiro do seu historial, no principal escalão do futebol distrital, depois dos títulos de Campeão Provincial alcançados nas já distantes épocas de 1941-42 e 1942-43:
«Se é certo que a vitória da equipa tomarense, mercê de uma carreira a todos os títulos brilhante no Campeonato Distrital era aguardada como consequência lógica de uma superioridade demonstrada em todo o Campeonato, a verdade é que beneficiando da derrota da Matrena, o União aumentou para cinco pontos o seu avanço sobre o segundo classificado, a duas jornadas do fim sagrando-se campeão mais cedo do que esperava.»(2)
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O pulsar do campeonato – Taça Ribatejo – 2ª jornada
(“O Templário”, 05.12.2013)
Os campeonatos distritais registaram mais um breve interregno, para disputa da segunda ronda da fase de grupos da Taça Ribatejo, em que os principais destaques vão para a goleada do Assentis frente ao Goleganense (6-0) e, uma vez mais, em “maré alta” goleadora, para o categórico triunfo do União de Tomar em Pernes, perante o Atlético local, por 5-0.
Curiosamente, os Empregados do Comércio, que haviam sido vítimas da turma unionista na derradeira jornada do campeonato, “desforraram-se”, num derby muito especial, na cidade de Santarém, goleando por 4-0 o U. Santarém! O que, paralelamente, proporciona desde já àquele grupo escalabitano, a par das formações do Amiense, At. Ouriense, Assentis e Mação, matematicamente, a garantia do apuramento para os 1/8 Final.
De facto, tendo o Amiense batido a U. Abrantina (no único confronto entre equipas primodivisionárias) por 4-2, o At. Ouriense vencido na Sabacheira por 3-0 e o Mação derrotado o Mindense (2-0), todas as equipas antes mencionadas – tendo registado duas vitórias nas duas jornadas iniciais, somando portanto os correspondentes seis pontos –, serão vencedoras das respectivas séries (situação já confirmada pelo Amiense e pelos Empregados do Comércio), ou, no pior dos cenários, serão sempre um dos seis melhores segundos classificados.
Ao invés, estão já virtualmente eliminadas as formações da Sabacheira, Mindense, Goleganense, Atalaiense, At. Pernes, Rio Maior e Vale da Pedra, pelo que os restantes 22 clubes disputarão na última ronda desta fase inicial, a 29 de Dezembro, as onze vagas ainda em aberto.
Dos jogos disputados no passado fim-de-semana, saliência ainda para a dificuldade com que o líder da I Divisão Distrital, Torres Novas, venceu frente ao Atalaiense, por tangencial margem de 2-1, tendo de discutir com o Pego, na derradeira jornada, o apuramento (sendo que o empate deverá permitir a qualificação de ambas as equipas); assim como para a vitória pela diferença mínima (1-0) do Fazendense sobre o Barrosense; para além do triunfo, também por 2-1, da U. Chamusca sobre o Moçarriense; com o Cartaxo a não ir além do empate a duas bolas no Porto Alto. Os restantes encontros tiveram os seguintes desfechos: Ferreira Zêzere-Caxarias, 0-0; Samora Correia-Rio Maior, 2-0; U. Almeirim-Pontével, 0-0; e Muge-Vale da Pedra, 3-2.
Em relação ao União de Tomar, com a concludente vitória averbada, encontra-se em posição privilegiada para alcançar o apuramento para os 1/8 Final, para o que lhe deverá bastar o empate em casa com o Alferrarede, na partida que resta disputar na respectiva série de qualificação.
O Campeonato Nacional de Seniores não teve, ao contrário, qualquer pausa, tendo-se realizado já a 11.ª jornada, uma ronda muito negativa para as equipas do Distrito de Santarém, acumulando três desaires: o Alcanenense, perdendo 0-1 na Lourinhã; o Fátima, batido em casa, no derradeiro minuto, pelo Torreense, por 2-3; e, o Riachense, pese embora a “chicotada psicológica”, com Paulo Costa a substituir Pedro Monserrate no comando técnico da equipa, não evitou nova derrota (a nona, em onze jogos), perdendo em casa, com o Carregado, por 0-2.
A formação de Alcanena, apesar deste resultado (apenas a segunda derrota sofrida) mantém-se no 2.º posto, que continua a partilhar com o U. Leiria (também derrotado nesta jornada, em casa, pelo Portomosense, num desfecho surpreendente), mas agora ambos a seis pontos do guia, Mafra. O Fátima continua a ser 4.º, mas agora com apenas sete pontos de vantagem sobre o antepenúltimo; enquanto o grupo de Riachos está mais distante do penúltimo (a turma de Porto de Mós), já a seis pontos.
Antes de perspectivar a próxima jornada do Distrital, e tendo por mote as goleadas do União de Tomar nas suas duas últimas partidas, aqui fica o registo da memória dos mais volumosos resultados obtidos em todo o historial unionista: 13-1 frente ao Alcanenense (1942); 11-1 com o Tramagal (Taça de Honra de 1971); 10-0 perante o Operário de Tomar (Liga Tomarense, em 1925); 10-0 ao Vitória de Lisboa (1965); 9-0 com a Ac. Santarém (1942); 10-2 ante o Sporting de Tomar (1943); 9-1 face ao Condestável (Taça de Portugal, em 1977); 8-0 contra o Operário Vilafranquense (1943); 8-0 ao U. Almeirim (1963); 8-0 perante o Atouguiense (1982); 8-0 aos Empregados do Comércio (na semana passada, na tal maior goleada fora de casa); 8-1 ao Alferrarede (1964); 8-1 frente ao Beira-Mar (1973, na maior goleada obtida na I Divisão Nacional); e 8-1 com o At. Ouriense (Taça Ribatejo, em 1986).
Neste fim-de-semana, na retoma dos campeonatos distritais, as equipas do topo da classificação enfrentam tarefas árduas, com destaque para as duas partidas em que se defrontam quatro dos actuais cinco primeiros classificados (Torres Novas-At. Ouriense e Pontével-Fazendense); mas também o Amiense terá um difícil teste, na deslocação a Benavente.
Nos restantes desafios, o União de Tomar, em fase muito afirmativa a nível de golos – e registando, por outro lado, três encontros sucessivos sem sofrer qualquer tento –, recebe a visita do Cartaxo, esperando-se que, serenamente, possa confirmar o favoritismo que no momento actual se lhe reconhece. O Mação é também favorito na recepção à formação da U. Chamusca; de tendência mais repartida poderão ser os prélios entre U. Abrantina e Coruchense, por um lado, e, por outro, entre Assentiz e Empregados do Comércio, pressupondo que a turma da capital do Distrito terá já recuperado do desaire frente aos tomarenses, como parece decorrer da categórica vitória obtida na Taça do Ribatejo.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Dezembro de 2013)
U. Tomar – Centenário (IX)
(“O Templário”, 28.11.2013)
O título de Campeão Distrital da II Divisão da época de 1955-56 não teria contudo associada a promoção directa à I Divisão Distrital, por via de uma famigerada “liguilha” disputada com o último classificado desse escalão (Alcanenense), pelo que o União de Tomar se veria forçado a nova tentativa de subida… que falharia por pouco, na temporada imediata. Pelo que, uma vez mais, pelo terceiro ano consecutivo, militaria na II Divisão Distrital na época de 1957-58.
Desta forma, a 27 de Abril de 1958, disputando com o Ouriquense o seu penúltimo encontro desse campeonato, o União tinha, em caso de vitória, a possibilidade de conquistar novo título:
«O nosso representante, nesta difícil deslocação a Chã de Ourique (difícil, mais pela categoria técnica do adversário, pela deslocação em si, tratando-se de adversário aguerrido, e pela responsabilidade do resultado, de que podia depender o 1.º lugar da competição), venceu claramente o seu adversário pelo amplo resultado de 3-0, que, ao que nos dizem, podia ainda ser mais desnivelado.»(1)
«Atendendo ao facto de o jogo ter bastante importância para a classificação, deslocou-se à pitoresca vila Chã de Ourique a acompanhar a equipa, numerosa assistência de Tomar. […].
O resultado indica o suficiente para que se veja que o União nunca esteve em dificuldade.
A equipa a jogar com a táctica adequada às necessidades desorientou por completo a equipa local. […]
Devia ter sido a melhor exibição feita esta época; já na segunda parte e com o resultado feito, a equipa jogava inteligentemente fazendo com que a bola girasse de uns para os outros sem precipitações.»(2)
Nesta partida que se viria a revelar decisiva, a turma unionista alinhou da seguinte forma: Tónito; Confraria e Henrique; Lino, Pereira e Nelson; Vítor Lopes, Carvalho, Ernesto, Amílcar e Bengala. Os golos do União foram apontados por Amílcar e Ernesto (que bisou) – com a particularidade de este último ser o jogador, natural de Santa Cita, que viria posteriormente (a partir da época de 1960-61) a militar no Sporting, clube onde ficaria conhecido pelo seu apelido, Figueiredo, e, também, pela alcunha de “Altafini de Cernache” (sagrando-se por duas vezes Campeão Nacional e tendo participado também na conquista da Taça das Taças, em 1964).
Repetindo o título conquistado dois anos antes, ainda a uma jornada do fim, o União de Tomar sagrava-se novamente Campeão da II Divisão Distrital, garantindo assim o regresso, nove anos depois da última participação, à I Divisão Distrital.
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O pulsar do campeonato – 8ª jornada
(“O Templário”, 28.11.2013)
O grande destaque da 8.ª ronda do Campeonato Distrital vai, obviamente, para a sensacional vitória averbada pelo União de Tomar, goleando por 8-0 a equipa dos Empregados do Comércio, em Santarém! Não tendo conseguido “fazer história” em Ourém (o que sucederia caso tivesse consumado a extraordinária reviravolta de que esteve próximo, revertendo uma desvantagem de dois golos em período de descontos), este grupo acaba mesmo por entrar na história do clube, ao obter, no passado dia 24 de Novembro de 2013, a maior goleada de sempre do União de Tomar, em encontros fora de casa, em todo o seu centenário historial!
Numa partida em que ficou uma vez mais cabalmente demonstrado que, no futebol, a lógica nem sempre impera, perante um adversário que, até agora, tinha dado excelente conta de si neste campeonato – o qual, aliás, partilhava com o União o 8.º lugar da classificação, com o mesmo número de pontos –, sem quaisquer incidências anómalas (sem expulsões, nomeadamente), este foi um daqueles jogos em que “tudo sai bem” a um dos contendores, enquanto o outro, ao invés, se afunda cada vez mais, à medida que a contagem do marcador se vai elevando. E, até poderia ter chegado a nove golos a vantagem unionista, caso o árbitro tivesse sancionado um outro lance em que a bola terá transposto a linha de baliza. Os parabéns a todo o grupo, desde Direcção, corpo técnico, a jogadores, são de elementar justiça, nesta memorável e muito especial ocasião.
Mas houve mais novidades nesta jornada: o líder Torres Novas viu quebrada a sua invencibilidade – já não há equipas invictas nesta competição –, perdendo por 1-0 em Fazendas de Almeirim, ante o Fazendense, que, desta forma, se aproxima perigosamente do 1.º lugar, agora com dois escassos pontos a separarem estas duas equipas, sendo que os torrejanos registam a particularidade terem já disputado cinco jogos no seu terreno, e apenas três em terreno alheio. No extremo oposto, o Cartaxo obteve o primeiro triunfo no campeonato, recebendo e batendo o U. Chamusca (que, curiosamente, goleara já também, por 5-0, em partida da Taça Ribatejo) por 3-0.
Nos restantes desafios, em geral, as equipas mais credenciadas confirmaram o favoritismo, beneficiando também do factor casa, com destaque, de novo, para a margem do triunfo obtido pelo At. Ouriense, goleando a U. Abrantina – que, assim, recebe do Cartaxo a indesejada posição de “lanterna vermelha” – por 5-1; enquanto o Amiense bateu o até então 2.º classificado, Pontével (única equipa ainda sem qualquer empate), também por clara margem de 3-0. Por seu lado, o Coruchense, depois do desaire sofrido em Tomar, prosseguindo uma campanha que revela solidez, ganhou ao Assentis por 2-0. Por fim, porventura no jogo mais repartido desta ronda, o Benavente derrotou o Mação, graças a um solitário tento.
Em função destes resultados, assiste-se a um reagrupamento de posições na frente da tabela, com a equipa do Torres Novas, ainda no comando, com os tais dois pontos de vantagem sobre o Fazendense e, de imediato, um trio, formado por At. Ouriense, Amiense e Pontével, apenas dois pontos mais abaixo; caso para dizer que se “apertou o cerco” aos torrejanos. Numa posição intermédia, entre o 6.º e 8.º lugares, instalaram-se agora as formações do Coruchense, U. Tomar (escalando até ao 7.º posto, numa bastante boa progressão) e Mação. Na parte baixa da pauta classificativa, tudo está também mais compacto, com Benavente, Assentis e Empregados do Comércio com oito pontos, Cartaxo com seis, U. Chamusca com cinco, e, por fim, U. Abrantina, apenas com quatro pontos.
Posicionado a meio da classificação, o União de Tomar dista agora oito pontos do guia, passando a dispor, por outro lado, de uma vantagem já de cinco pontos sobre o antepenúltimo classificado. Sem deslumbramentos, porque é fundamental manter os “pés assentes no chão”, tudo o que a turma unionista necessita fazer é continuar a dar sequência ao bom campeonato que vem realizando, adquirindo níveis de confiança e tranquilidade que lhe proporcionem extrair o seu melhor rendimento, traduzindo-o em vitórias e em pontos.
No campeonato da II Divisão Distrital, a jornada do passado fim-de-semana provocou algumas alterações no topo das classificações, repartindo agora as equipas do Pego e do Atalaiense o comando da série mais a Norte (mas com a perseguição muito próxima de Tramagal e Caxarias, a apenas um ponto), com o Barrosense a isolar-se na liderança da série a Sul, com três pontos de vantagem sobre U. Almeirim e Porto Alto.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, é de salientar a carreira que o Alcanenense vem desenvolvendo, com mais uma vitória, sobre o Caldas, continuando a partilhar um sensacional 2.º lugar com o U. Leiria. Por sua vez, o Fátima, empatando a duas bolas em Porto de Mós, reforçou o seu 4.º lugar, já com dez pontos de vantagem sobre o antepenúltimo classificado, Torreense, curiosamente o seu próximo adversário. Já o Riachense, goleado (5-0) em Mafra, pelo líder da prova, é cada vez mais último, tendo somado apenas dois empates nas dez jornadas já disputadas, começando a ser tempo de procurar esboçar uma reacção (com a recepção ao Carregado, na próxima ronda, a ser um momento bem oportuno para tal), sob pena de ter de vir a regressar ao Distrital.
Na próxima semana os campeonatos distritais têm um breve hiato, para disputa da 2.ª ronda da fase de grupos da Taça Ribatejo, com o União de Tomar a deslocar-se a Pernes, para defrontar o Atlético local; destaque ainda para os desafios Amiense-U. Abrantina (único confronto entre equipas do principal escalão) e para um curioso derby Empregados do Comércio-U. Santarém.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Novembro de 2013)













