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O pulsar do campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 Final
(“O Templário”, 06.03.2014)
Em nova pausa nos campeonatos distritais para disputa de mais uma eliminatória da Taça do Ribatejo, correspondente aos ¼ Final da competição, o destaque vai para a equipa da Glória do Ribatejo, última classificada na sua série da II Divisão Distrital, que alcançou a proeza de ser a única do escalão secundário a atingir as ½ Finais.
Ao invés, para os tomarenses, infelizes no sorteio, actuando, uma vez mais, em terreno alheio, e, no caso concreto, defrontando o líder da I Divisão Distrital (e finalista no ano anterior), fica o amargo da eliminação, numa prova em que o União de Tomar não conseguiu ainda chegar à Final.
De facto, tendo perdido por 0-2 em Ourém, face ao At. Ouriense, a formação unionista quedou-se pelos ¼ Final, fase que apenas por quatro vezes alcançou (em 2003, 2010, 2011 e 2014), nas quinze participações que regista na Taça do Ribatejo. A melhor participação nabantina na competição continua a ser a da temporada de 2002-03, em que, disputando as ½ Finais com o Águias de Alpiarça, perdendo, também por 0-2, se viu afastado do desafio decisivo.
Nestas quinze presenças, o União somou a 10.ª eliminação em jogos realizados fora de casa. Para além daqueles quatro anos, em que atingiu, pelo menos, os ¼ Final, o clube de Tomar ficou-se pelos 1/8 Final por cinco vezes (1986-87, 1997-98, 2008-09, 2011-12 e 2012-13).
Conforme referido anteriormente, o grupo da Glória do Ribatejo, em deslocação ao Cartaxo, defrontando um primodivisionário, conseguiu reagir à desvantagem, forçando uma igualdade a duas bolas, para acabar por se impor no desempate da marca de grande penalidade, assim concretizando a principal surpresa desta ronda.
Nas outras duas partidas, os favoritos confirmaram na prática o que se afigurava ser o seu teórico maior poderio, com o Fazendense a receber e a vencer por 4-1, frente ao Amiense, actual detentor do troféu, numa “desforra” do encontro das ½ Finais da época precedente. Por fim, noutro confronto entre equipas de escalões diferentes, o U. Almeirim, embora recebendo o Assentis, não evitou perder por 0-1.
Avançam portanto para as ½ Finais da presente edição da Taça do Ribatejo os seguintes clubes: At. Ouriense (tal como indicado, finalista vencido na última temporada), Fazendense (semi-finalista no ano passado), Assentis e Glória do Ribatejo.
Mas o fim-de-semana foi aziago para as cores unionistas também no escalão de Juniores, igualmente com a disputa dos ¼ Final da Taça do Ribatejo, com o União de Tomar, actual detentor do troféu, a ser eliminado, no Cartaxo, tendo perdido por 2-3. Marcam assim presença nas ½ Finais da prova de Juniores, o Alcanenense (finalista derrotado pelo União no ano anterior), Núcleo Sportinguista de Rio Maior, Abrantes e Benfica, para além do Cartaxo.
No Campeonato Nacional de Seniores, disputou-se a 3.ª jornada (de um total de 14) na série de manutenção, com as equipas do Distrito a não conseguirem melhor do que um nulo, na deslocação do Fátima a Porto de Mós, frente ao Portomosense. O Alcanenense foi derrotado, por 0-1, na visita ao Carregado, enquanto o Riachense perdeu em casa (1-2) com o Caldas.
Em função destes resultados, começam a complicar-se as posições na tabela classificativa, com as formações de Alcanena e Fátima a baixarem, respectivamente, ao 4.º e 5.º posto, precisamente os últimos que garantem o acesso à prova do próximo ano; dispõem agora de uma margem de segurança que se reduziu a apenas seis pontos sobre o Carregado, antepenúltimo classificado, portanto já em situação de risco. O Riachense, que somou o terceiro desaire sucessivo em outros tantos jogos, está agora já oito pontos abaixo desse tal 6.º classificado, última esperança de poder ainda “salvar-se” da despromoção e consequente regresso ao Distrital.
Neste fim-de-semana regressam os campeonatos distritais. Na I Divisão, dos quatro primeiros apenas o Torres Novas (actualmente 2.º classificado, a um ponto do líder) jogará fora de casa, numa difícil deslocação a Pontével (no que, curiosamente, constitui a quarta saída consecutiva dos torrejanos). O guia, At. Ouriense dispõe de amplo favoritismo na recepção ao U. Chamusca; o Coruchense recebe também a visita do Cartaxo, em desafio que, à partida, se antevê poder ser mais equilibrado. Por fim, o Fazendense recebe o U. Tomar, num curioso confronto entre 4.º e 5.º classificados – pese embora as distintas ambições dos dois conjuntos –, com os tomarenses a atravessar um ciclo de elevado grau de dificuldade, dado que receberão depois o At. Ouriense, imediatamente antes de nova deslocação, a Coruche.
Nas restantes partidas desta ronda 18, o Amiense, que recebe o Assentis, assim como o Benavente, visitado pela U. Abrantina, são também claramente favoritos. De desfecho mais imprevisível será o confronto entre Empregados do Comércio e Mação.
Na II Divisão Distrital disputa-se a penúltima jornada da primeira fase da prova, com o Pego, recebendo o Ferreira do Zêzere a poder confirmar a última vaga de apuramento para a fase final, de disputa do título (acompanhando U. Atalaiense e, precisamente, o clube ferreirense); mais a Sul, o U. Almeirim, deslocando-se a Rio Maior, necessitará imperiosamente de vencer, para evitar que fique desde já definido o lote de apurados (Barrosense – já matematicamente qualificado –, U. Santarém e Rio Maior, estes dois dispondo de confortável vantagem).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 6 de Março de 2014)
U. Tomar – Centenário (XXII)
(“O Templário”, 27.02.2014)
Depois da vitória inaugural na I Divisão, frente ao Sporting, novamente a equipa unionista se superaria, causando sensação o empate alcançado na deslocação ao Estádio de Alvalade, em jogo disputado a 21 de Janeiro de 1969.
E o “escândalo” poderia ter sido de maior estrondo: o União, entrando cedo a ganhar, com um golo de Dui, logo aos nove minutos, apenas a quatro minutos do termo da partida concederia o empate, num tento de Pedras. Numa altura em que os nabantinos jogavam em inferioridade numérica, por expulsão de Cláudio (aos 64 minutos… por ter demorado na reposição da bola em jogo). Vale a pena recordar uma síntese, por um grande senhor da escrita desportiva em Portugal (Vítor Santos):
«Esta equipa do União de Tomar que sempre nos deu a ideia de ter uma ideia, foi o que é uma equipa «pequena» quando joga no campo do adversário – e do adversário… «grande». Defesa fechada, meio-campo manhoso e contra-ataque «com veneno», como o provam o golo, uma bola salva sobre o risco por Pedro Gomes e alguma coisa mais de fazer cardíacos entre os espectadores de Alvalade. De altamente positivo há na equipa o seguinte:
1. Um guarda-redes de bom talhe atlético, valente, elástico e decidido – Arsénio;
2. Um defesa-central que custa aceitar como «refugo» e, aqui para nós, fazia agora um jeitão ao Sporting, com Armando e José Carlos lesionados – Caló;
3. Dois homens de meio-campo bons executantes e muito experientes, capazes de conservarem a bola por longos períodos, que são, como é óbvio, períodos de descanso para a equipa e de frustração para o adversário – Ferreira Pinto e Cláudio.
Se dissermos que o resto tem ânimo e ganas de jogar, compreende-se perfeitamente que a equipa, não vai ser, com certeza, acidental visita da I Divisão…»(1)
Ainda sobre a justiça do resultado, atente-se no facto de ter o União disposto de algumas ocasiões adicionais para marcar, como é aqui a seguir detalhado:
«Adiada uma prevista desforra!… Desfazendo todas ou quase todas as previsões, daqueles que consideravam como certa a vitória do Sporting, o União de Tomar foi a Lisboa conquistar um ponto, podendo ainda lastimar-se da forma como consentiu o empate (a 4 m. do fim) e já depois de a bola ter estado duas vezes à vista no fundo das redes de Damas e ainda se ter visto privada, daquele, que até à altura estava sendo um dos melhores jogadores em campo – Cláudio, que foi expulso pelo árbitro.»(2)
Em resumo, maior domínio leonino, de alguma forma consentido, e de todo não esclarecido: «o Sporting tem dominado muito, mas nem sempre bem, enquanto que o meio campo do União de Tomar com Ferreira Pinto, Dui e Cláudio a jogarem com acerto e com muita codícia, estão a chegar para a “urdidura” que o Sporting lhes apresenta.»(3)
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O pulsar do campeonato – 17ª jornada
(“O Templário”, 27.02.2014)
E, de repente, tudo muda… e poderá, certamente, continuar a mudar. Ainda na ronda anterior tínhamos o quarteto da frente concentrado num interregno de um único ponto; agora passou a ser já de quatro pontos a amplitude desse intervalo.
Tem sido repleto de cambiantes este animadíssimo campeonato: começou mais forte o Torres Novas, que cedo se isolou; depois, fraquejando, cedeu a batuta ao Fazendense, o qual, contudo, a viria a transmitir a um Coruchense que parecia então inexpugnável, com uma série de sete triunfos consecutivos; agora, é a vez de surgir o At. Ouriense a parecer revelar-se mais sólido, encarreirando quatro vitórias de seguida.
E, a aproximar-se a passos largos, provindo das profundezas da pauta classificativa, temos um fantástico União de Tomar – sete jogos ganho em oito partidas disputadas neste ano tão especial, do centenário –, agora “apenas” a quatro pontos do 4.º classificado.
Então, foi assim: At. Ouriense, impondo-se por 2-0 na difícil deslocação ao Cartaxo; assim como o Torres Novas, com triunfo por margem categórica em Mação (3-0 – resultado que não espelha as dificuldades experimentadas pelos visitantes), numa bela operação, em que consegue somar três vitórias sucessivas em outros desafios em terreno alheio, assumem os dois primeiros lugares, separados por um ponto, a favor dos oureenses.
O Coruchense, não tendo conseguido melhor que a igualdade, a dois golos, na visita à capital do Ribatejo, frente aos Empregados do Comércio – parecendo atravessar período mais oscilante, com uma derrota, uma vitória e um empate nas três jornadas mais recentes – baixou assim ao 3.º lugar, a um ponto dos torrejanos.
Mais inesperado terá sido o desfecho do Fazendense claudicando na Chamusca, derrotado por 0-1 – terceiro desaire nos últimos seis encontros –, vendo assim ampliar-se para quatro pontos a distância para o líder.
Ao invés, o União de Tomar, depois de três derrotas nas quatro jornadas iniciais, apenas voltou a perder numa única ocasião, curiosamente… na Chamusca. “Suprimindo” essas tais rondas, os unionistas ocupariam um fantástico 3.º lugar (26 pontos em 13 jogos; apenas a três pontos do Coruchense, e a seis do At. Ouriense) – um exercício meramente académico, apenas demonstrativo da excelente carreira que o clube vem fazendo, em particular no ano de 2014. Desta feita, num desafio em que, no imediato, estava em disputa o 5.º lugar, os tomarenses superiorizaram-se ao sempre difícil conjunto de Amiais de Baixo, ganhando por 2-1.
Quem teve também motivos para sorrir foi a formação de Assentiz, ganhando (2-0) ao Benavente, reencontrando o caminho das vitórias, de que andava arredada desde há seis jornadas. Por fim, o cada vez mais “lanterna vermelha”, U. Abrantina, foi impotente para evitar um pesado desaire caseiro (0-3), na recepção ao Pontével.
À parte os clubes da frente da tabela, os principais beneficiados desta jornada foram a U. Chamusca (a subir do 11.º ao 9.º lugar) e o Assentis (de 13.º para 10.º); em perfeito contraponto, Benavente (“trocando” de posições com a U. Chamusca, descendo de 9.º a 11.º) e Cartaxo (de forma simétrica ao grupo de Assentiz, caindo de 10.º para 13.º) voltam a ver-se envolvidos numa zona muito arriscada da classificação – no “meio”, imóvel, manteve-se a equipa dos Empregados do Comércio, que subsiste na 12.ª posição.
Não obstante, também a este nível as diferenças são ainda escassas: estas cinco equipas estão concentradas num intervalo de apenas três pontos, pelo que, obviamente, nada pode ser dado como adquirido. É que falta ainda bastante campeonato: nove jornadas, ou seja, vamos entrar no último 1/3 da competição.
Ao invés, na II Divisão Distrital, faltando apenas duas jornadas para a conclusão da primeira fase da prova, Atalaiense, Ferreira do Zêzere e Pego (os dois primeiros já garantidos matematicamente), Barrosense (também já apurado), e os regressados U. Santarém e Rio Maior, deverão ser os seis clubes que disputarão, na segunda fase, o título de Campeão desse escalão, assim como as três vagas de acesso à promoção à I Divisão Distrital.
Por fim, no Campeonato de Seniores, com a vitória do Fátima sobre o Riachense (2-0) e a derrota do Alcanenense (1-2) nas Caldas da Rainha, tudo está bastante “embrulhado”, com os cinco primeiros separados somente por dois pontos; a turma de Alcanena baixou ao 3.º posto, agora a um ponto do novo guia, Lourinhanense, enquanto o Fátima é 5.º, um ponto mais abaixo. Parecem dispor ambos, para já, de margem de segurança suficiente face à zona perigosa da classificação (respectivamente de nove e oito pontos), mas terão de manter-se “vigilantes”. Para o grupo de Riachos, nada está ainda definitivamente perdido; continuam a ser cinco os pontos que o separa do Carregado, antepenúltimo classificado.
Neste fim-de-semana, os campeonatos distritais registam novo breve hiato, para disputa da eliminatória correspondente aos ¼ Final da Taça do Ribatejo, com o seguinte alinhamento de jogos: At. Ouriense – U. Tomar; Fazendense – Amiense; U. Almeirim – Assentis; e Cartaxo – Glória do Ribatejo. Com um sorteio “pouco amigável” – desafio em terreno alheio, tendo por opositor o líder –, do União de Tomar aguarda-se, em primeiro lugar, que continue a dignificar o nome do clube, e, com um pouco de “estrelinha”, que possa continuar a ser “feliz”…
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 27 de Fevereiro de 2014)
«Memórias dos cem anos do União de Tomar contadas em livro»
Recuperar o património histórico do União de Tomar, nomeadamente dos seus momentos mais grandiosos, deixando um legado para as gerações vindouras é o que moveu Leonel Vicente, tomarense de 47 anos, natural da freguesia de Olalhas, a escrever um livro sobre o centenário do U. Tomar. O facto de nunca ter escrito um livro e residir em Lisboa há vários anos, onde exerce a profissão de auditor, não impediu que o desafio lhe fosse lançado pelo actual presidente do clube, Abel Bento.
A obra está em fase de acabamento e vai chegar ao público a 4 de Maio de 2014, data do centenário do U. Tomar. “Este projecto nasceu por altura do 95.º aniversário do clube, como um sonho pouco definido, quando criei um blogue dedicado especificamente à recolha e compilação de dados sobre o historial do União de Tomar (http://uniaotomar.wordpress.com)”, revela a O MIRANTE.
“É um livro que foi sendo escrito ‘a meias’ com uma diversidade de grandes cronistas e autores, alguns dos nomes maiores do jornalismo desportivo em Portugal, a par dos jornalistas locais”, descreve. A obra intercala a narrativa detalhada da história do clube com excertos de crónicas de jogos de várias épocas.
As fotografias, que surgem como separadores das várias partes em que o livro se compõe, são de época, disponibilizadas por várias pessoas, desde jogadores a dirigentes, ou adeptos e simpatizantes, na maior parte das vezes sem que tenha sido possível apurar a sua autoria. O livro foi escrito durante três anos, sobretudo à noite e nos tempos livres, em paralelo com a pesquisa e compilação de documentos. Um trabalho a que, nos últimos meses, se dedicou todas as noites. O prefácio é de Vítor Serpa, há vários anos director do jornal A Bola.
O grande incentivo para escrever o livro deu-se quando, em Maio de 2010, foi realizada uma homenagem aos campeões nacionais da II Divisão de 1973-74, organizada pelos veteranos do União. O convite de José Martins e José Tapadas Martins permitiu-lhe conviver directamente com alguns dos ídolos da sua infância, casos de Conhé, Faustino, Kiki, Manuel José, Raúl Águas, Bolota, Camolas ou Totói, de quem coleccionou os famosos cromos.
Seguiu-se um trabalho de pesquisa, ao longo de cerca de quatro anos, na Hemeroteca de Lisboa, onde consultou todos os exemplares publicados pelos jornais locais, bem como os jornais desportivos nacionais. Passou ainda algum tempo na Biblioteca Municipal de Tomar e na Biblioteca Nacional de Portugal.
Carlos Silva, seu antigo director, ofereceu-lhe a colecção integral do “Jornal União de Tomar”. Apesar de não ter realizado entrevistas formais, Leonel Vicente participou em alguns encontros com veteranos do clube, nomeadamente no Torneio dos Templários, mantendo contactos com antigos jogadores e directores, casos de Faustino, Totói, Mário Pinto ou Rui Costa, onde foram recordadas memórias da vida do clube.
“Tomar tem perdido relevância”
Apesar de Leonel Vicente ter vivido em Tomar apenas até aos sete anos, manteve-se sempre ligado à sua terra natal. Em cada deslocação à cidade lia avidamente os jornais locais para se manter informado sobre tudo. No dia 1 de Março de 2004, decidiu criar um blogue sobre Tomar (http://tomar.wordpress.com) com o intuito de reforçar esse elo.
“É patente que a estagnação do concelho nos últimos anos tenha levado a uma situação de perda de relevância face a municípios vizinhos, com maior capacidade de atracção, a que não é naturalmente alheia também a situação de grave crise que o tecido empresarial local atravessa”, responde, ,quando lhe perguntamos como é que um tomarense que reside fora há tantos anos olha para o seu concelho.
Na opinião de Leonel Vicente, para contrariar o flagelo do desemprego, que é nacional, devem ser adoptadas políticas que possibilitem a fixação de população, por via da captação de investimento. “Julgo também que o potencial turístico e cultural do concelho poderá ser igualmente uma área de desenvolvimento que deverá constituir aposta reforçada”, atesta.
(O Mirante, 27 de Fevereiro de 2014)
Livro do Centenário do União de Tomar – Excerto exemplificativo

(clicar na imagem para aceder a algumas páginas exemplificativas do livro do Centenário do União de Tomar)
U. Tomar – Centenário (XXI)
(“O Templário”, 20.02.2014)
A 22 de Setembro de 1968, à terceira jornada (depois dos empates averbados com o Atlético e Belenenses), a cidade de Tomar recebia a primeira visita de um dos grandes do futebol português, o Sporting. E, de forma surpreendente, o União obteria o seu primeiro triunfo na I Divisão!
«Em Tomar aconteceu sensação. Verdadeiro dia de futebol, em que o novo primo-divisionário recebia um dos mais sérios candidatos ao título final, o Sporting, que 4 dias antes, em autêntica noite de gala para o futebol português, havia vencido rotundamente um dos melhores conjuntos espanhóis, o Valência. Este facto, aliado ao excelente comportamento do União nas 2 primeiras jornadas, levou ao Estádio Municipal a maior enchente de sempre.»(1)
«A cidade de Tomar teve ontem o seu primeiro dia grande de futebol com a visita do Sporting, um grande e um «leader» do Campeonato Nacional, um nome portanto mais do que consagrado e mais do que suficiente para justificar o extraordinário movimento da bela cidade nabantina e do entusiasmo e do ambiente que envolveram o Estádio Municipal, excelentemente situado no parque e todo ele de belas e amplas perspectivas. E nem algumas reticências que entendemos fazer, noutro local, nesta primeira visita ao Estádio Municipal, em dia grande, […] pode minimizar o excelente espectáculo oferecido ontem por toda uma cidade atrás do seu clube e toda uma multidão atrás do seu «leader»»(2)
Contudo, o União de Tomar começaria por se ver em situação de desvantagem no marcador desde cedo, com um golo de Chico, logo aos 6 minutos. Reagiria, não obstante, da melhor forma, com um golo algo controverso de Leitão, aos 34 minutos, acabando por garantir esta histórica vitória, por intermédio de Cláudio, estabelecendo o 2-1 final aos 55 minutos.
«O Sporting, recheado de jogadores de reconhecida capacidade, não esteve, afinal, nos seus melhores dias, cedeu mais do que seria legítimo esperar e a sua defesa, considerada a melhor que existe no País, foi permeável à acção acutilante dos avançados do União de Tomar.»(3)
Em conclusão, sublinhando a justiça da vitória unionista:
«O União de Tomar alcançou um excelente triunfo, nas condições já descritas, num desafio em que foi, inegavelmente, a melhor equipa no terreno a que mais jogou e que mais dominou e a que mais rematou […]. A equipa fecha bem o caminho da baliza mete jogadores no meio do terreno e ataca com perigo, rematando, sempre que a oportunidade se lhe depara.»(4)
«E o final chegou com a vitória inesperada do União. Talvez por inesperada, não deixa de constituir um belo feito para os tomarenses, mais um momento inesquecível para o seu brilhante historial.»(5)
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O pulsar do campeonato – 16ª jornada
(“O Templário”, 20.02.2014)
No futebol também há dias assim, em que impera a lógica, em que seria menos difícil “acertar no totobola” (sendo que é sempre muito mais fácil – como dizia um antigo famoso jogador – fazer prognósticos “no fim do jogo”).
Neste campeonato, nunca, como nesta 16.ª jornada, os desfechos das várias partidas que a compunham foram tão previsíveis; nunca os seis primeiros classificados tinham ganho em simultâneo, todos eles. E só não venceram todos os sete clubes da primeira metade da tabela, porque dois deles se defrontaram entre si (Coruchense e Mação), pelo que o sétimo vencedor da ronda foi o… 8.º classificado.
Isto dito, naturalmente, teve duas consequências óbvias: por um lado, mantiveram-se inalteradas as distâncias pontuais, assim como as correspondentes posições relativas, entre os seis primeiros… tal como entre os seis últimos; tendo, por outro lado, sido ampliado o fosso que separa esse sexteto da frente do sexteto da retaguarda, agora já estabelecido em dez pontos, quando faltam disputar dez jornadas.
Passemos então ao concreto: os dois clubes que partilham a liderança, At. Ouriense e Coruchense receberam e venceram, respectivamente, os Empregados do Comércio (3-0) e o Mação (1-0); a avaliar pelos números, tendo enfrentado graus de dificuldade distintos, reflectindo afinal, também, a posição na tabela de cada um destes dois opositores.
O par que se segue, de imediato, um escasso ponto abaixo, Torres Novas e Fazendense ganharam igualmente: no caso dos torrejanos, em Abrantes, frente à U. Abrantina (2-0), no segundo de um ciclo de três jogos consecutivos em terreno alheio (depois do triunfo em Assentiz, e antes de se deslocar a Mação); a turma de Fazendas de Almeirim, por tangencial margem (2-1) na recepção ao Cartaxo.
O terceiro dueto, formado por União de Tomar e Amiense (equipas que se cruzam na próxima jornada), foi também vencedor: 3-1 no caso dos unionistas, repetindo o desfecho, precisamente pela mesma marca, do desafio disputado há duas semanas, no mesmo local, e perante o mesmo oponente; 2-0 em Amiais de Baixo, tendo recebido a visita do U. Chamusca. Por fim, no único encontro entre duas equipas da segunda metade da pauta classificativa, o Pontével derrotou o Assentis por 4-2.
Abre-se aqui um breve parêntesis para tratar um pouco mais em detalhe o confronto que opôs Benavente e União de Tomar. E, muito curiosamente – ainda mais, porque o resultado foi exactamente coincidente com o de há duas semanas, então em partida a contar para a Taça do Ribatejo –, um cabal exemplo de que “não há dois jogos iguais”.
De facto, tendo inaugurado o marcador desde cedo (na conversão de uma grande penalidade), e, ainda na meia hora inicial, ampliado a vantagem para (tão “confortável” como arriscado) 2-0 – já depois de o árbitro ter indultado um segundo castigo máximo aos visitados –, a turma unionista passaria depois por um largo período de sofrimento, decorrente de a formação da casa ter reduzido o marcador para 1-2 ainda antes do intervalo (também na sequência de uma grande penalidade).
No segundo tempo, a equipa benaventense acreditou que podia chegar ao empate, pressionando e instalando-se no meio-campo contrário, aproveitando também alguma fase de nervosismo e intranquilidade dos tomarenses. Acabaria por ser de alguma forma feliz o União, ao conseguir, num momento crucial, marcar o seu terceiro golo, que, de forma definitiva, sentenciava o desfecho do desafio.
Com o campeonato a manter-se “ao rubro”, numa altura em que começa a aproximar-se a “hora das decisões”, a próxima jornada será certamente de bem mais complexa previsão, atentando nas dificuldades que esperam os primeiros classificados; senão, vejamos: o At. Ouriense desloca-se ao Cartaxo; o Coruchense a Santarém, para defrontar os Empregados do Comércio; o Fazendense à Chamusca (onde será favorito); o Torres Novas, tal como já referido, visita Mação; e o União de Tomar recebe o Amiense, num encontro em que estará em jogo o 5.º lugar.
Na II Divisão Distrital, destaque para o empate cedido pelo Ferreira do Zêzere em Pernes, permitindo ao líder Atalaiense dilatar para três pontos a sua vantagem; e, a Sul, para o inesperado desaire caseiro do guia, Barrosense, na recepção ao U. Santarém, encurtando o seu avanço, agora também para três pontos, sobre o par formado pelos escalabitanos e pelo Rio Maior, sendo que a equipa da Barrosa mantém um jogo em atraso, com o U. Almeirim.
Iniciou-se entretanto a segunda fase do Campeonato Nacional de Seniores, com a realização da 1.ª jornada (de um total de 14 rondas suplementares), disputando as três equipas do Distrito a série de manutenção. Enquanto o Alcanenense venceu por 1-0 na recepção ao Fátima, o Riachense prossegue na senda dos desaires, tendo perdido em casa ante o Torreense, por 1-3.
Se o resultado da formação de Alcanena lhe pode proporcionar maior tranquilidade (lidera a série, dispondo agora de nove pontos de vantagem sobre o antepenúltimo classificado); o inverso pode suceder com o Fátima, que, em função da partição a metade dos pontos obtidos na primeira fase, e desta derrota, baixou ao 5.º lugar – o último que garante automaticamente a manutenção – apenas com cinco pontos a mais que o Carregado, primeira equipa na zona de maior risco na classificação. Por fim, a equipa de Riachos, subsiste na indesejável posição de “lanterna vermelha”, curiosamente também a distância de cinco pontos do Carregado.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 20 de Fevereiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XX)
(“O Templário”, 13.02.2014)
Por caprichos do sorteio, o adversário de estreia na I Divisão, a 8 de Setembro de 1968, viria a ser precisamente o Atlético, clube com o qual o União de Tomar disputara a Final do Campeonato Nacional da II Divisão da época precedente: «Dia, excessivamente quente para a prática de Futebol e o Estádio Municipal de Tomar já com o seu ar «grandioso» com umas bancadas que poderão vir a ser excelentes quando tenham a indispensável «cobertura» […].»(1)
Apresentando-se em campo com seis dos novos recrutas como titulares (Kiki, Caló, Dui, Barnabé, Ferreira Pinto e Leitão), necessariamente ainda não entrosados, não demoraria porém o golo inaugural do União na I Divisão: logo aos nove minutos, «Ferreira Pinto caminhou com a bola uns metros desde o meio-campo adversário e à entrada da área, arrancou um pontapé forte e rasteiro. No caminho da baliza, o esférico encontrou o pé de João Carlos, desviou-se, tomou altura e anichou-se nas redes.»(2)
Um lance com a involuntária participação do defesa central do Atlético, o açoriano João Carlos (que, curiosamente, viria também – a partir da temporada seguinte –, a marcar uma era ao serviço do clube de Tomar), entrava assim para a história do União – não sendo pacífica a atribuição da autoria do tento, obtido “a meias” (Ferreira Pinto ou João Carlos, consoante as fontes consultadas).
O resultado deste jogo inicial do União na I Divisão seria fixado à passagem da meia hora de jogo, com Simões a empatar a partida. Uma igualdade que, pelas circunstâncias em que foi obtida, teria um sabor agridoce:
«Realmente, a equipa do Nabão não podia apresentar-se mesmo na forma possível para a época devido a condicionalismos que, necessariamente, sofreu e continuará a sofrer a sua preparação. Lembramos que mais de metade dos seus jogadores vieram de outros clubes e o trabalho de sincronização tem de correr juntamente com o de estruturação do conjunto e não se sabe qual deles será o mais urgente, mas admite-se que não haverá uma estrutura absolutamente firme sem que os jogadores se identifiquem com os processos de jogar uns dos outros.
Fazer uma equipa é um trabalho duro, especialmente se ela tem de ser cerzida, tem de sair de retalhos. E os desafios que a equipa disputou, antes do jogo inaugural do Campeonato, não lhe puderam proporcionar nem a tal sincronização, nem o «andamento» de I Divisão, que é ponto primordial a atingir.»(3)
Sobre a atitude e exibição da equipa tomarense, respiga-se ainda da crónica do jogo:
«O União queria, ansiosamente, dominar e ganhar. Nem uma coisa nem outra se consegue só com o querer. Mas a equipa deu tudo quanto de momento tem dentro de si, com uma vontade e um interesse notáveis.»(4)
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O pulsar do campeonato – 15ª jornada
(“O Templário”, 13.02.2014)
Num campeonato, qual “caixinha de surpresas”, à medida que vai avançando, cada vez parece ser maior o equilíbrio nos lugares da frente, não sendo possível, nesta altura, apontar inequivocamente uma equipa como favorita à conquista do título e consequente promoção ao Campeonato Nacional de Seniores.
De facto, o líder, Coruchense, não só viu interrompida uma magnífica série de sete vitórias consecutivas, como, pior ainda, foi derrotado em casa pelo anterior 2.º classificado, At. Ouriense, por 1-2, numa partida em que a turma do Sorraia desperdiçou duas grandes penalidades!
Conjugando este desfecho com os difíceis, mas importantes triunfos, alcançados pelo Torres Novas e pelo Fazendense, respectivamente em Assentiz (2-1) e em Santarém, ante a formação dos Empregados do Comércio (1-0), temos agora um quarteto no topo da classificação, concentrado no intervalo de um único ponto: At. Ouriense e Coruchense partilham o comando, com 31 pontos, seguidos de imediato pelo outro par referido, com 30 pontos.
Aparentemente afastados desta disputa, mas, por outro lado, a caminhar a passos largos para a tranquilidade, prosseguem U. Tomar e Amiense, que se posicionam ambos agora a sete pontos do duo da liderança, mas dispondo já de oito pontos de vantagem sobre a zona perigosa da classificação. Somando cada um 23 pontos, quando faltam disputar onze jornadas – e podendo projectar-se como margem de segurança, para garantia da permanência no principal escalão do futebol distrital, o atingir dos 30 pontos –, parte substancial da “caminhada” está já cumprida.
Nesta ronda uma e outra equipa empataram a um golo: o União, em casa, frente ao Pontével – que, curiosamente, depois de não ter empatado nas onze jornadas iniciais, soma agora já três igualdades nos últimos quatro desafios na prova –, interrompendo também um ciclo de cinco triunfos (pleno de vitórias no ano de 2014, até esta jornada), mas, paralelamente, ampliando para sete o número de encontros em que preserva a invencibilidade; o Amiense, no Cartaxo, frente ao “campeão” dos empates (regista já nove, em quinze jornadas realizadas).
Curiosamente, no caso do União de Tomar, não tendo aspirações ao título, ganhou já ao Coruchense (no que constituía, até esta altura, o único desaire do líder), assim como foi triunfar a Torres Novas, tendo desperdiçado (com a tal grande penalidade desaproveitada, em tempo de descontos), a possibilidade de vitória no terreno do outro guia, At. Ouriense, para além de ter empatado ante o Fazendense. O que demonstra cabalmente a capacidade da equipa, bastante personalizada, para se bater frente a qualquer adversário deste campeonato, e em qualquer terreno.
Nos restantes encontros, o Mação – que segue em posição intermédia na tabela (7.º lugar), certamente “olhando um pouco mais para cima”, mas sem poder descurar os perseguidores – deparou-se com inesperadas dificuldades para derrotar o cada vez mais “lanterna vermelha” U. Abrantina (que muito dificilmente escapará já à despromoção), tendo tido de operar uma reviravolta no marcador, acabando por ganhar por 2-1; por fim, num prélio em que se antecipava já poder ser bastante equilibrado, tal confirmou-se plenamente, com o empate do Benavente na Chamusca, também a uma bola.
Daí, para baixo – e à excepção da U. Abrantina – temos outra grande amálgama, com um grupo de seis equipas enquadradas num intervalo de quatro pontos, “lideradas” pelo Pontével, que parece querer reagir a uma fase menos positiva. Com a margem de risco inerente a este tipo de projecções, a grande luta pela manutenção deverá disputar-se entre Benavente, Cartaxo, U. Chamusca, Empregados do Comércio e Assentis, actualmente separados por apenas dois pontos.
Com o Campeonato Nacional de Seniores ainda em pausa, antes de ser retomado, com o arranque da segunda fase, neste fim-de-semana, é ainda difícil antecipar quantos serão os clubes a despromover do Distrital, mas, por prudência, considerando a difícil situação do Riachense, será mais apropriado ir lidando com um cenário eventual de três despromoções.
Na II Divisão Distrital temos também novidades: com a sanção aplicada ao Mindense, na partida em que recebera o Ferreira do Zêzere (tendo a equipa da casa sido punida com derrota), conjugada com o triunfo dos ferreirenses, curiosamente, nesta segunda volta, na recepção, precisamente, à turma de Minde, o grupo do Zêzere deu um grande pulo na tabela, estando agora no 2.º lugar, somente a um ponto do guia, Atalaiense (que, apenas já no “cair do pano”, conseguiu superiorizar-se ao Tramagal); surgindo o Pego logo de imediato, apenas um ponto abaixo. A Sul, o comandante, Barrosense, viu o seu desafio em Almeirim, frente ao União local, ser adiado, devido às más condições do terreno, pelo que tem agora o par formado por Rio Maior e U. Santarém a seis pontos (e o U. Almeirim, também com o tal jogo em atraso, a oito pontos), isto quando faltam realizar só quatro jornadas.
Neste fim-de-semana, os quatro da frente da I Divisão Distrital apresentam-se como favoritos… mas as surpresas podem estar “à espreita” onde menos se espere: At. Ouriense, recebendo os Empregados do Comércio; Coruchense sendo visitado pelo Mação (num desafio que não deverá ser fácil); o Torres Novas, de novo em terreno alheio, deslocando-se a Abrantes; e o Fazendense a jogar em casa com o Cartaxo, também num prélio de forte rivalidade. Amiense e Pontével têm também a tendência a seu favor, respectivamente, frente a U. Chamusca e Assentis. Por fim, o União de Tomar regressa, apenas duas semanas depois da partida para a Taça do Ribatejo, a Benavente; se conseguir repetir a exibição, poderá certamente obter novo resultado positivo.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Fevereiro de 2014)










