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O pulsar do campeonato – Taça do Ribatejo – 1/8 Final
(“O Templário”, 06.02.2014)
Em mais uma pausa nos campeonatos distritais, disputou-se no passado fim-de-semana a eliminatória correspondente aos 1/8 Final da Taça do Ribatejo. Contando com a participação de treze equipas da I Divisão – curiosamente, apenas o líder do campeonato, Coruchense, ficara afastado da competição ainda na sua fase de grupos – e somente três da II Divisão Distrital, proporcionou-se a existência de dois “tomba-gigantes”.
Efectivamente, um primeiro destaque poderá ser atribuído às vitórias do U. Almeirim, frente ao Pontével (1-0), e do Glória do Ribatejo, ante o Mação (no desempate da marca de grande penalidade, após o nulo registado no final do tempo regulamentar), com aquelas duas equipas a resistirem na prova, avançando já para os 1/4 de Final. No outro confronto entre clubes de escalão diferente, o Assentis superiorizou-se com naturalidade ao Vale da Pedra, vencendo, em terreno alheio, por 3-0.
Passando aos desafios entre equipas da I Divisão Distrital, realce para a eliminação do Torres Novas, perdendo no seu terreno perante o Fazendense (0-1), assim agravando ainda mais a sua situação de crise de resultados. O desfecho mais desnivelado registou-se em Amiais de Baixo, com o actual detentor do troféu, Amiense, a vencer por 4-0 frente aos Empregados do Comércio.
Nas restantes partidas, vitórias também das equipas forasteiras, com o Cartaxo a vencer na Chamusca, frente ao União local, por 3-2 (curiosamente, estas mesmas equipas já se haviam defrontado na fase de grupos, então no Cartaxo, com os cartaxenses a golear então por 5-0); e o At. Ouriense – não tendo conseguido desfazer o nulo em Abrantes, face à U. Abrantina – a ser mais feliz no desempate da marca de grande penalidade. Por fim, o União de Tomar, prosseguindo a sua senda vitoriosa, ganhando em Benavente por 3-1, somando o quinto triunfo em outros tantos jogos disputados neste festivo ano do centenário.
Começando por ter a felicidade de ver o seu opositor desperdiçar uma grande penalidade – numa altura em que, aliás, praticamente desde o início do encontro, os unionistas haviam já assumido o controlo do jogo – a formação “rubro-negra” começaria por inaugurar o marcador, vindo a permitir aos visitados o empate próximo do termo da primeira parte, numa fase em que os benaventenses tinham, gradualmente, vindo a equilibrar a tendência da partida, então com domínio mais repartido, embora, paradoxalmente, na sequência imediata de um lance em que o União desfrutara de soberana ocasião para ampliar a marca.
No segundo tempo, os tomarenses, assentando o seu futebol, impor-se-iam com categoria, tendo voltado a colocar-se em vantagem, e, quer antes, quer depois do terceiro tento apontado, desperdiçando pelo menos outras tantas oportunidades flagrantes de golo, com jogadores a surgirem isolados frente ao guardião adversário, mas, por uma razão ou outra, a não serem eficazes na finalização. Sem exagero, foi mais um desafio em que, caso o União de Tomar tivesse marcado seis ou sete golos, não seriam excessivos face ao caudal atacante patenteado, em particular com Wemerson e Fábio Marques (este a aparecer no “sítio certo”, muito oportuno e eficaz, a marcar dois golos) a “dar nas vistas”.
Em função dos clubes apurados para os 1/4 Final da prova, a tarefa unionista, nesta sua ambição de procurar chegar o mais longe possível na competição – de que cresce a esperança –, continua a revelar-se de elevado grau de exigência, atentando a que se mantêm em prova duas equipas do quarteto da frente do campeonato (o actual 2.º classificado, At. Ouriense; o 4.º, Fazendense), assim como o detentor do troféu, que partilha com os tomarenses o 5.º lugar, Amiense; para além destes, temos ainda o Cartaxo e Assentis, assim como os dois sobreviventes da II Divisão, U. Almeirim e Glória do Ribatejo, que, naturalmente, não oferecerão também facilidades caso venham a ser emparelhados com o União no sorteio da próxima eliminatória.
Neste fim-de-semana regressam os campeonatos, disputando-se a 15.ª ronda na I Divisão Distrital, com grande destaque para o confronto Coruchense – At. Ouriense, um empolgante duelo entre os dois primeiros da pauta classificativa; mas haverá outras partidas a suscitar grande interesse, como o derby local entre Assentis e Torres Novas (com os torrejanos a começar a ficar sem “margem de erro”), um interessante Empregados do Comércio – Fazendense, em mais um teste às aspirações dos visitantes, sem esquecer o que mais directamente nos interessará, o União de Tomar – Pontével, com os unionistas a procurar alargar o seu brilhante ciclo de vitórias.
A propósito, nesta altura de retoma da competição, iniciada que foi a segunda metade da prova, ocasião para recordar algumas tendências, a confirmar ou a infirmar: o líder Coruchense, que se terá vindo a reforçar, apontando decididamente ao título e à promoção, mantém em curso uma série de sete triunfos consecutivos, enquanto o At. Ouriense venceu quatro dos últimos cinco jogos, registando o União de Tomar três vitórias sucessivas (para além das duas na Taça).
Ao invés, um agora aparentemente menos seguro Fazendense registou dois desaires nas três últimas rondas (o que terá porventura ultrapassado com a vitória em Torres Novas, para a Taça); por seu lado, os torrejanos apenas venceram por duas vezes nos sete desafios mais recentes (tendo sofrido dois desaires seguidos em casa, incluindo o tal jogo da Taça); o Pontével não vence há sete jornadas; também o Empregados do Comércio vai num jejum de quatro jogos; enquanto Assentis e Cartaxo não vencem há três (no caso dos cartaxenses, tendo registado três empates sucessivos); por fim, a U. Abrantina, depois de oito jogos com derrota, conseguiu quebrar essa série terrível, com a igualdade averbada na derradeira jornada.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 6 de Fevereiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XVIII)
(“O Templário”, 30.01.2014)
Ainda na época 1967-68, e a faltar apenas três jornadas para o termo da prova, o União, líder destacado, com quatro pontos de vantagem, deslocava-se a Torres Novas, para defrontar o 2.º classificado, num jogo verdadeiramente decisivo, como que uma “final” antecipada. Estávamos a 21 de Abril de 1968, um dia que ficaria gravado a ouro na história do União de Tomar!
«E o jogo propriamente dito o que foi? Um encontro pleno de vibração mas onde andou arredada a boa técnica já que as duas equipas preocuparam-se mais em jogar depressa (tendo como grande aliado as reduzidas dimensões do rectângulo de jogo) do que em fazer prevalecer as suas intenções em lances esclarecidos e de bom «association». E, já que ambas se equivaleram em vontade e bravura, postos na luta, os tomarenses acabaram por se superiorizar graças à sua «cabeça-fria» e à sua maior lucidez de processos, trunfos naturais em face da sua maior tranquilidade na tabela classificativa em contraste com o seu opositor para quem o jogo era realmente de «vida ou de morte»
À maior sagacidade e clareza dos pupilos de Oscar Tellechea, opôs o Torres Novas um futebol todo coração e pernas, feito com garra e frenesim, mas onde faltou a tal «cabeça fria», do seu adversário. E, como os atacantes locais não estavam em tarde «sim», faltando-lhes talento e potência de remate para transformar em golo uma ou duas oportunidades surgidas, quando o marcador ainda estava em branco (Gamboa foi o mais desastrado e infeliz), o desfecho premeia a equipa que menos jogou em quantidade mas a mais hábil na sua qualidade.»(1)
Graças a dois golos, de Totói (28m) e Alberto (73m), a que o Torres Novas apenas contrapôs um tento, por Gamboa (84m), o União obtinha a, até então, mais importante vitória do seu historial:
«Num mini-rectângulo, onde qualquer espécie de futebol estruturado é praticamente impossível, o União fez o jogo que mais lhe convinha e do qual melhores resultados podia tirar. Assentando numa defesa muitíssimo bem organizada onde os avançados locais nunca conseguiram uma nesga para rematar em boas condições e dispondo os outros jogadores bem espalhados pela defesa e meia-defesa local o União desmembrou por completo a equipa local e comandou a partida durante quase todo o tempo.»(2)
«Verdade seja que as duas equipas se empregaram com entusiasmo e apego à luta, mais técnica e mais esclarecida a equipa tomarense, mais em força e genica a equipa torrejana, pelo que o espectáculo, se não teve os primores técnicos que um jogo de nervos não permitiria, teve no entanto a virtude de prender a assistência pela luta posta em jogo pelos dois contendores.»(3)
Com este triunfo, alcançado no terreno do mais directo rival, o União de Tomar ampliava a sua vantagem para seis pontos, garantindo matematicamente o 1.º lugar na classificação final e consequente promoção à I Divisão, feito que alcançava pela primeira vez na sua história, de já mais de meio século de existência. Aqui fica a homenagem aos onze heróis que participaram nesta brilhante façanha: Conhé; Cabrita, Faustino, Alexandre e Santos; Bilreiro e Cláudio; Lecas, Alberto, Djunga e Totói.
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O pulsar do campeonato – 14ª jornada
(“O Templário”, 30.01.2014)
No arranque da segunda volta do Campeonato Distrital da I Divisão, dois destaques principais: começando pelo União de Tomar, um excelente triunfo em Torres Novas, por 3-2, num desafio em que os unionistas “entraram a ganhar”, com um golo logo no minuto inicial, tendo tido ainda a capacidade de sofrimento e de reacção necessárias para operar a reviravolta no marcador, depois de os torrejanos se terem entretanto colocado em vantagem; depois, começa já a ser repetitivo o enaltecer do excelente desempenho do Coruchense que, vencendo em Fazendas de Almeirim (1-0) ampliou para três pontos a sua vantagem na liderança da prova.
Para os tomarenses – que conseguiram o pleno de vitórias no mês de Janeiro –, foi o quarto triunfo obtido em outros tantos jogos disputados neste início de ano do centenário (um para a Taça do Ribatejo, três a contar para o campeonato), com um score global de 13-5, assim reforçando a sua meritória posição (5.º posto, partilhado com o Amiense), agora a começar a dispor de vantagem mais tranquilizadora (já oito pontos) sobre a zona perigosa da classificação.
Por seu lado, a formação de Coruche consegue ainda melhor: depois de um início algo titubeante, com quatro empates nas cinco rondas iniciais, acumula já uma série de sete jogos sucessivos a ganhar no campeonato (curiosamente, neste período, a única equipa capaz de travar o líder foi… o guia da II Divisão Distrital, Barrosense, que impôs um empate a uma bola em desafio da Taça do Ribatejo).
Aproveitando os desaires de Torres Novas e Fazendense, o At. Ouriense, regressando aos triunfos (não obstante por margem tangencial, de 1-0, sobre o Mação), ascendeu de novo ao 2.º lugar, ultrapassando aqueles rivais na luta pelo título, os quais passaram entretanto a distar já quatro pontos do guia. Salvo maior imprevisto, deverá sair deste quarteto, que continua a ocupar os lugares do topo da tabela, o futuro Campeão Distrital.
Efectivamente, União de Tomar e Amiense – que, nesta ronda, venceu face ao grupo dos Empregados do Comércio, por 2-1 – registam um atraso de cinco pontos para o duo que imediatamente os precede na pauta classificativa, estando ambos a nove pontos do comandante.
Daqui para baixo, subsiste uma grande amálgama na classificação, com metade dos concorrentes separados por apenas quatro pontos, embora se vá assistindo a tendências e trajectórias algo divergentes: o Mação, actual sexto classificado (quatro pontos abaixo de União e Amiense), apesar de uma carreira algo irregular, parece poder vir a superiorizar-se à restante concorrência, nomeadamente com o Pontével em notória quebra de rendimento, há sete jogos sem vencer (depois de cinco triunfos nas sete primeiras rondas), e, pior, surpreendentemente derrotado em casa na última jornada pelo U. Chamusca (0-1).
Também sem ganhar há quatro jornadas surge a formação dos Empregados do Comércio, que – a par do Benavente (que empatou com o Cartaxo a um golo) – dispõem agora de um único ponto de vantagem sobre o trio formado por Assentis, Cartaxo e U. Chamusca, emblemas que, integrando a parte baixa da classificação, registam não obstante uma média de um ponto por jogo, beneficiando também da má campanha da U. Abrantina, “lanterna vermelha” destacada, já com nove pontos de atraso (tendo desperdiçado uma oportunidade, ao não ter conseguido melhor do que a igualdade a um tento na recepção à turma de Assentiz).
Na próxima semana, o campeonato terá mais um breve interregno para disputa da eliminatória correspondente aos 1/8 Final da Taça do Ribatejo, com destaque para os confrontos que opõem Torres Novas e Fazendense, Benavente e União de Tomar, e ainda com a curiosidade de ver o que serão capazes de fazer Glória do Ribatejo, Vale da Pedra e U. Almeirim – equipas actualmente a militar na II Divisão Distrital –, frente aos primodivisionários Mação, Assentis e Pontével.
Falando da II Divisão, o Barrosense destaca-se cada vez mais na liderança, dispondo agora já de uma vantagem de sete pontos sobre o Rio Maior, tendo beneficiado do desaire do U. Almeirim, derrotado pelo U. Santarém. A Norte, tudo está mais indefinido, com o comando agora partilhado por Atalaiense (que cedeu empate caseiro ante o Caxarias) e Pego, com o Mindense apenas um ponto mais abaixo.
Terminou entretanto a primeira fase da edição inaugural do Campeonato Nacional de Seniores, com a derradeira jornada a ficar assinalada, na série F, por empates em todos os cinco desafios disputados; em concreto, no que às equipas do Distrito respeita, Riachense e Alcanena não conseguiram desfazer o nulo no prélio que disputaram em Riachos, tendo o Fátima registado igual desfecho na recepção ao Lourinhanense. O Mafra (que mantém a invencibilidade) e U. Leiria (tendo empatado entre si, a três tentos, em Leiria) são os dois clubes apurados para a fase de disputa do título e de promoção à Liga 2, integrando uma série (“Sul”), conjuntamente com B. C. Branco, Sertanense, Loures, Oriental, Pinhalnovense e Ferreiras.
Os grupos do Distrito de Santarém disputarão a manutenção, partindo para a segunda fase com metade dos pontos até agora obtidos, com o seguinte escalonamento: Alcanenense (15 pontos); Fátima (14); Lourinhanense (13); Caldas (12); Torreense (11); Carregado (9); Portomosense (6); e Riachense (4 pontos). Serão despromovidos aos Distritais os dois últimos classificados de cada uma das oito séries; os antepenúltimos classificados de cada série terão de realizar uma eliminatória (“play-off”), em que os (quatro) clubes vencidos serão igualmente despromovidos.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Janeiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XVII)
(“O Templário”, 23.01.2014)
Se, na semana passada, aqui fora evocada a “estreia” do União de Tomar na II Divisão (após 23 anos de ausência), com uma goleada sofrida em Leça da Palmeira, regressamos hoje, precisamente ao mesmo cenário, para recordar um jogo-charneira da época de 1967-68, disputado a 4 de Fevereiro de 1968, no arranque da segunda volta do Campeonato Nacional da II Divisão, com uma épica reviravolta no marcador, consolidando a liderança unionista, a caminho da I Divisão.
Uma partida repleta de histórias… Na sequência da lesão do defesa central, Maçarico – num tempo em que não haviam ainda sido introduzidas as substituições –, o treinador Óscar Tellechea ver-se-ia obrigado a uma verdadeira revolução táctica: no início da segunda parte, o avançado Totói recuaria para defesa central, despachando bolas lá para a frente, enquanto Maçarico era colocado como extremo, apenas “para atrapalhar”…
«Embora a perder por 3 bolas ao intervalo, isso não significava, de forma alguma, um domínio esmagador do Leça, antes foram alguns acidentes próprios do jogo. Permitindo, é certo, pelo seu figurino táctico, que o jogo se desenrolasse mais no seu meio campo, o União nunca foi dominado, mas antes demonstrou ao longo de todo o jogo uma superioridade técnica apreciável. […]
Com o começo do 2.º tempo, o União imprimindo um pouco mais de velocidade de jogo, sempre com o jogador que transportava a bola bem apoiado por um ou dois companheiros, começou a abrir brechas na defensiva local que nunca mais se entendeu com a marcação do ataque tomarense. […]
Marcado um golo aos 9 minutos, por Maçarico que, aleijado, jogou deslocado para a ponta-esquerda e logo outro, passados 2 minutos por Alberto, o União tomou deliberadamente o comando do jogo e realizou até final uma exibição digna de registo, demonstrando personalidade e capacidade futebolística que podem atirar a equipa, sem sombra de dúvida por mais altos voos.»(1)
Entrando mal no jogo, o União sofrera três golos de rajada, entre os 13 e os 26 minutos. Na segunda parte, começaria por marcar dois tentos em dois minutos, que, pela oportunidade com que foram alcançados, se viriam a revelar decisivos; aos 66 minutos, de novo por Alberto, empataria a 3-3. A doze minutos do termo, ainda Alberto (com um “hat-trick”), colocava os “rubro-negros” em vantagem, para, já no derradeiro minuto, Araújo fixar a marca em 5-3:
«Uma equipa que em campo adversário está a perder ao fim do 1.º tempo por 3-0 e ainda com um defesa na ponta esquerda em inferioridade física, e que no 2.º tempo supera tudo isto e tem moral e força física para ir vencer por 5-3, sem dúvida que tem muito valor e legitimamente pode aspirar a largos voos.»(2)
E aqui fica elencado o rol de onze heróis, participantes nesta fantástica jornada: Conhé; Cabrita, Maçarico, Santos e Bilreiro; Faustino e Araújo; Lecas, Alberto, Cláudio e Totói.
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O pulsar do campeonato – 13ª jornada
(“O Templário”, 23.01.2014)
Está bem vivo este campeonato, qual “caixinha de surpresas”, com sucessivas alterações no comando, a cada jornada. Na última ronda, mercê de um excelente triunfo obtido pelo Coruchense, numa sempre difícil deslocação a Amiais de Baixo (e logo por 2-0), e beneficiando da quebra da série de onze jogos de invencibilidade do At. Ouriense, derrotado em Fazendas de Almeirim – depois de ter perdido na ronda inaugural, a turma de Ourém só agora voltou a sofrer novo desaire, curiosamente no último jogo da primeira volta –, o grupo de Coruche, de forma sensacional, isola-se no comando da prova.
Dispõe o Coruchense, é verdade, de curtíssima vantagem, de um único ponto, sobre um par de sérios candidatos ao título, formado por Torres Novas e Fazendense, e, agora, de uma margem de três pontos face ao At. Ouriense. Neste momento, tanto poderá ser aplicável o provérbio de “candeia que vai à frente alumia duas vezes”, como o facto de que falta (ainda) disputar precisamente metade da competição.
Tendo ambos vencido os respectivos desafios – no caso do Torres Novas, com inesperadas dificuldades frente ao U. Chamusca, por tangencial 2-1, acabando o jogo com algum sofrimento; o Fazendense, mais afirmativamente, impondo-se por 3-1 ao At. Ouriense (que vinha de uma estrondosa goleada obtida perante o Amiense) – continuarão, não obstante, estes dois clubes, pelo menos em teoria, a ser os principais aspirantes à subida ao Campeonato Nacional de Seniores. Mas a luta está bem renhida, para já, aparentemente, reservada ao quarteto do topo da tabela.
Outro grande vencedor da jornada foi o União de Tomar, que, superiorizando-se, em Abrantes, à U. Abrantina (por 2-1, depois de ter chegado a dispor de vantagem de dois golos), ascendeu – no termo da primeira volta do campeonato, agora que já todas as equipas se defrontaram entre si – a uma excelente 5.ª posição na pauta classificativa, a par do Amiense, pese embora distem ambos seis pontos do At. Ouriense, pelo que não parece perspectivável que se venham a imiscuir directamente na disputa de lugares mais cimeiros. Mas, como este campeonato tem demonstrado à saciedade, nada pode ser dado por adquirido, assim como nada pode ser liminarmente afastado.
Continua a assistir-se, todavia, a um agrupamento dos diversos concorrentes, na parte intermédia da classificação, pelo que será crucial manter a regularidade de (bons) resultados, sob pena de se poder cair rapidamente na tabela: de facto, a formação unionista (tal como o conjunto de Amiais de Baixo) têm o Mação somente um ponto abaixo, o Pontével a dois, a equipa dos Empregados do Comércio a quatro, Benavente a cinco, e Cartaxo e Assentis a seis pontos; tudo bastante concentrado ainda.
Para tal, contribuíram também os restantes desfechos do fim-de-semana: empate do Mação em Assentiz (2-2), o nulo do derby municipal do Cartaxo, entre Pontével (que, curiosamente, somou a segunda igualdade sucessiva) e Cartaxo (o “rei” dos empates, contando já com sete…), e a vitória tangencial do Benavente sobre os Empregados do Comércio, mercê de um solitário tento.
Ou seja, à parte a U. Abrantina, que se afunda cada vez mais na posição de “lanterna vermelha”, já a sete pontos do U. Chamusca, e a nove do Cartaxo e Assentis, pelo que as probabilidades jogam bastante em seu desfavor em termos de eventuais aspirações à manutenção, tudo subsiste muito indefinido.
E, como o calendário não pára, teremos já, neste fim-de-semana, no arranque da segunda volta, mais um leque de interessantes emparelhamentos. Começando por baixo, a U. Abrantina, recebendo precisamente o Assentis, terá porventura uma das últimas oportunidades de procurar encetar uma recuperação; passando ao pólo oposto, teremos um empolgante Fazendense-Coruchense, onde a liderança estará, uma vez mais, em jogo. Uma contenda em relação à qual os desfechos do At. Ouriense-Mação e do Torres Novas-U. Tomar serão também, necessariamente, de forte relevância (esperando-se que o União possa explorar e tirar partido de alguma pressão a que os torrejanos não deixarão de estar submetidos).
Na II Divisão Distrital, na série mais a Norte, nenhum dos dois primeiros venceu; o Atalaiense, empatando em Ferreira do Zêzere já na parte final da partida, mantém, não obstante, a liderança, tendo aproveitado o desaire caseiro do Pego ante o Mindense, para ampliar para dois pontos a sua vantagem, com a formação de Minde a subir ao 3.º posto, reentrando na luta, a três pontos do guia. A Sul, o sempre fiável Barrosense, vencendo fora o Vale da Pedra, dilatou já para cinco pontos o seu avanço face ao U. Almeirim (que não foi além do nulo caseiro ante o Muge).
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, a penúltima jornada da primeira fase da competição foi bastante negativa para as equipas do Distrito, que somaram três derrotas: o Alcanenense, em casa, com o U. Leiria (0-1), assim se vendo, desde já, matematicamente arredado da possibilidade de disputar, na segunda fase da prova, a série de promoção à “Liga 2” (reservada aos dois primeiros classificados, já apurados, Mafra e U. Leiria); o Fátima, perdendo algo inesperadamente no Carregado (1-2); o Riachense, inapelavelmente batido em Torres Vedras, por 1-5. Na próxima e derradeira ronda a formação de Riachos terá a visita do conjunto de Alcanena, enquanto o Fátima recebe o Lourinhanense, em jogos em que, não obstante, os pontos “continuam a contar”, dado que cada equipa iniciará a segunda fase, de disputa da manutenção, com metade dos pontos obtidos na primeira fase.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Janeiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XVI)
(“O Templário”, 16.01.2014)
Retomando o fio condutor da história, depois da festiva temporada de 1964-65, as exigências competitivas eram substancialmente acrescidas com o regresso do União – 23 anos depois da última participação – à II Divisão Nacional, prova cujo jogo de estreia, a 12 de Setembro de 1965, teria um penoso desfecho para as cores unionistas, perdendo 0-6 em Leça da Palmeira.
Mas, a época de 1965-66, teria também o seu grande dia de “festa”, a 7 de Novembro de 1965, com um histórico jogo para o União de Tomar, que – apenas então, ao fim de mais de 50 anos de existência –, se estrearia na segunda mais importante competição futebolística nacional, a Taça de Portugal! O adversário neste baptismo seria, bem a propósito, o Belenenses, clube do qual o União é a delegação n.º 2.
E, de forma absolutamente surpreendente, visitando um “grande” do futebol português, num encontro ao mais alto nível – porventura o, até então, mais exigente em termos competitivos de toda a sua história – a turma unionista, com uma enorme força de vontade e coragem, imporia, no final do tempo regulamentar, um excelente empate a dois golos (tentos do União marcados por Totói e por Morado), traduzindo, perante tão categorizado opositor e num terreno pesado, uma admirável resistência! Que apenas viria a ser quebrada já na 2.ª parte do prolongamento, em que a equipa nabantina acabaria enfim por soçobrar, vindo a sofrer mais três golos nesse derradeiros quinze minutos, saldando-se assim o desfecho desta eliminatória (1/32 Final) numa tão concludente como ilusória vantagem belenense, de 5-2…
«Está em nítido progresso o futebol da divisão secundária do nosso futebol. Especialmente, ontem, à tarde, o União constituiu uma excelente surpresa não apenas para a crítica mas para o público que esteve no Restelo e que dispensou calorosa e significativa salva de palmas, quando os jogadores de Tomar abandonaram o relvado, após 2 horas de jogo. Este União, a jogar sempre assim, seria uma equipa que podia figurar na segunda metade da tabela do Campeonato Nacional da I Divisão, com o seu futebol perfeitamente sistematizado, uma estruturação em toda a equipa que a faz mover-se como um bloco, uma preocupação de manter sempre a bola rente à relva, enfim uma entreajuda entre os vários sectores que muito complicaram o trabalho do Belenenses, obrigando-o por vezes a remeter-se a uma defensiva preocupada e desorientada para salvaguardar as suas balizas.
E no meio de tudo isto, o que é mais espantoso é que o «onze» visitante não adoptou qualquer sistema defensivo, antes dispôs os seus haveres exactamente como os do adversário, encaixando-se no seu sistema e jogando durante as duas horas de igual para igual. Enfim, uma excelente equipa, um magnífico representante da linda cidade de Tomar, que passa a ter na sua equipa de futebol mais um excelente motivo de propaganda da sua terra. Parabéns ao clube e ao seu técnico, que julgamos ser o argentino Di Paola, que fez parte de uma bela equipa do Lusitano eborense.»(1)
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O pulsar do campeonato – 12ª jornada
(“O Templário”, 16.01.2014)
E, num ápice, na retoma do campeonato distrital da I Divisão, assistimos a uma revolução no topo da pauta classificativa! Chegados à penúltima jornada da primeira volta da competição, as duas equipas que, durante toda a prova, até agora, a haviam liderado – Torres Novas e Fazendense – vêem-se sensacionalmente ultrapassadas pelo At. Ouriense e pelo Coruchense, com a imprevisibilidade do futebol a constituir-se como um dos seus grandes atractivos. Agora com o quarteto da frente concentrado num intervalo de um único ponto, o campeonato está verdadeiramente ao rubro.
De facto, contrariando a expectativa que aqui havia adiantado de uma ronda possivelmente marcada pelos empates, apenas se registaram duas igualdades, um nulo no Cartaxo-Torres Novas, e a dois golos no Empregados do Comércio-Pontével (curiosamente, o primeiro empate averbado pela equipa visitante, que assim conseguiu finalmente estancar um ciclo de quatro derrotas sucessivas).
Mas o grande desfecho da ronda chega-nos de Ourém, com a goleada imposta pelo At. Ouriense ao Amiense, por categórica marca de 6-2. Em Coruche, num resultado mais previsível, o Coruchense, vencendo o Benavente por 2-1, guindou-se também ao comando da prova, posição que partilha com os oureenses – sendo agora ambas, precisamente, as únicas equipas com apenas uma derrota (o Coruchense, em Tomar; o At. Ouriense, em Mação, curiosamente logo na jornada inaugural, pelo que – tendo evitado também o desaire caseiro perante o União de Tomar, devido à tal grande penalidade desaproveitada pelos nabantinos, já em período de descontos – mantém uma série invicta de onze jogos).
Para tal ascensão ao topo da classificação, contribuiu também – para além do empate cedido pelos torrejanos – a derrota sofrida pelo Fazendense… em Mação, no que se afigurava como um verdadeiro jogo de “tripla”, onde perdeu por 0-2.
Por fim, nos restantes encontros, vitórias previsíveis do U. Chamusca sobre a U. Abrantina (por margem inequívoca, de 3-0), e do União de Tomar face ao Assentis, por 4-2, confirmando a retoma – depois de uma ligeira “seca” de golos, nas partidas com o Cartaxo e na Chamusca – da grande produtividade ofensiva, na sequência dos 4-0 averbados ante o Alferrarede (exceptuando aqueles dois jogos “em branco”, os unionistas acumulam um extraordinário pecúlio de 22 golos marcados nos últimos cinco jogos disputados – pese embora dois deles a contar para a Taça do Ribatejo).
A tradução destes resultados a nível classificativo consubstancia-se num agrupamento generalizado dos diversos clubes concorrentes; para além do já referido quarteto, também a meio da tabela se assiste a uma compactar de posições, estando o 5.º e o 9.º classificados separados por apenas quatro pontos. O Amiense – distando agora cinco pontos de Fazendense e Torres Novas – encabeça este grupo, com dois pontos de vantagem sobre o Mação, surgindo logo de seguida U. Tomar e Pontével, apenas um ponto mais abaixo, duo que conta também com essa mesma folga mínima, face ao Pontével.
Tendo voltado aos triunfos, o União de Tomar tem vindo paulatinamente a recuperar posições, ascendendo ao 7.º posto; porém, a margem sobre a zona mais arriscada da tabela é ainda perigosamente curta: apenas quatro pontos separam os unionistas do par formado por Cartaxo e Assentis; estando o Benavente e U. Chamusca somente um ponto mais atrás.
A excepção é, por agora, a formação da U. Abrantina, cada vez mais última, já com um fosso de sete pontos face aos mais directos concorrentes. O que não significa, necessariamente, que o União de Tomar – que se deslocará precisamente a Abrantes na próxima jornada –, não deva estar prevenido para os riscos que aí poderá correr, tendo de encarar com máxima concentração este desafio, em ordem a prosseguir na senda dos bons resultados.
Na derradeira ronda da primeira metade da prova, destaque ainda para um aliciante confronto entre Fazendense e At. Ouriense (defrontando-se portanto o anterior e o actual guia), com a turma de Fazendas de Almeirim a procurar recuperar a liderança. Mas teremos mais: em especial, o Amiense-Coruchense, em que o grupo de Amiais de Baixo procurará impor nova derrota à formação do Sorraia; assim como o curioso derby do município do Cartaxo, em Pontével.
Na II Divisão Distrital, as equipas da frente de ambas as séries venceram os seus desafios, mantendo-se portanto as respectivas posições e distâncias relativas: o Atalaiense lidera na série mais a Norte, com o Pego a um ponto e o Caxarias a três; a Sul, o Barrosense continua a dispor de vantagem de três pontos sobre o U. Almeirim, com o Porto Alto a cinco pontos.
Por fim, referência ainda ao Campeonato Nacional de Seniores, que teve a sua antepenúltima jornada da primeira fase, com o Alcanenense a obter um bom triunfo em Porto de Mós (3-0), enquanto o Fátima e Riachense registaram empates a um golo, respectivamente na deslocação às Caldas, e na recepção ao Lourinhanense. O clube de Alcanena mantém o 3.º lugar, a dois pontos do U. Leiria – que, curiosamente, recebe na próxima ronda, num desafio que se assume como sendo de cariz determinante –, imediatamente seguido pelo Fátima, três pontos mais abaixo; o Riachense, ainda “lanterna vermelha”, tem agora o Portomosense a três pontos. Por seu lado, o Fátima, de visita ao Carregado, e o Riachense, em deslocação a Torres Vedras, procurarão somar mais alguns pontos.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Janeiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XV)
(“O Templário”, 09.01.2014)
A título de singela homenagem a Eusébio, desaparecido no passado Domingo, damos um pequeno “salto no tempo”, para recordar a sua passagem por Tomar, em representação do União de Tomar, na temporada de 1977-78. Começando por ouvir Eusébio, “na primeira pessoa”:
«– Satisfeito por vir representar o União de Tomar?
– Muito satisfeito.
– Mas trata-se duma equipa da 2.ª Divisão…
– Isso que importa? Para mim, é pormenor sem qualquer importância. Aliás, tive convites de equipas da 1.ª Divisão e, contudo, preferi vir para Tomar. Aliás, tenho muita honra e orgulho em envergar a camisola do União de Tomar, e uma vez integrado na equipa considero-me um jogador como qualquer outro. Nem mais, nem menos. […]
De qualquer das formas, uma coisa será certa: conforme já salientei, ao envergar a camisola unionista, irei dar o meu melhor esforço no sentido de ajudar a colocar a equipa numa posição mais de harmonia com o seu valor e pergaminhos. Bem o merecem os seus associados, os seus dirigentes e a própria cidade.»(1)
E, também, recuperando algumas memórias das suas actuações no União de Tomar, relativas, respectivamente, ao seu jogo de estreia em Tomar, frente ao Beira-Mar (a 18 de Dezembro de 1977), e a partida frente ao Cartaxo, em que Eusébio marcou os seus dois últimos golos a nível oficial em Portugal (a 12 de Fevereiro de 1978):
«No segundo tempo, actuando com invulgar determinação e fogosidade, o União de Tomar superiorizou-se ao seu antagonista, batendo-o sem apelo nem agravo, com a marcação de mais dois tentos.
Finalmente, Eusébio fez a sua estreia oficial na cidade de Tomar e tal presença terá constituído um dos grandes e aliciantes atractivos do encontro, que, por isso mesmo, foi aguardado com grande interesse. O antigo «internacional», alvo de especial vigilância (Eusébio será sempre o Eusébio), e «apertado» por dois adversários, lesionou-se fortemente, passando a não render aquilo que certamente ainda estará ao seu alcance e tendo até que ser substituído, nitidamente incapacitado.»(2)
«Na realidade, o União de Tomar, não podendo contar com Simões a cem por cento, já que se tinha deitado às seis da manhã, por via dos seus trabalhos na Assembleia da República, ressentiu-se da falta de comando e foi preciso que Eusébio, em dois lances de livre, e da maneira que só ele sabe fazer, tivesse dado a vitória aos tomarenses.»(3)
O “Rei”, Eusébio, disputou um total de doze encontros com as cores unionistas, dez dos quais oficiais, no campeonato da II Divisão, tendo marcado três golos (um ao Peniche e dois ao Cartaxo), assim encerrando – a 6 de Maio de 1978 – a sua carreira como jogador em Portugal.
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O pulsar do campeonato – Taça Ribatejo – 3ª jornada
(“O Templário”, 09.01.2014)
A iniciar o novo ano de 2014, com os Campeonatos Distritais ainda em pausa, disputou-se a terceira e última ronda da fase de grupos da Taça do Ribatejo, num dia tristemente assinalado pelo desaparecimento do “Rei” Eusébio, uma lenda que perdurará na nossa memória.
Na única partida envolvendo equipas da I Divisão Distrital, o Mação foi ganhar a Assentiz, por 2-0, numa série em que ambas as equipas tinham já garantido o apuramento para a fase seguinte da competição.
Nos confrontos entre clubes de diferente escalão, os principais destaques vão para a derrota do Benavente (0-1) no terreno do Vale da Pedra (último classificado da sua série na II Divisão Distrital); o nulo caseiro cedido pelo Cartaxo ante o Moçarriense – um desfecho que, não obstante, proporcionou à equipa da I Divisão seguir em frente, em detrimento do seu adversário; assim como para o empate imposto pelo Barrosense na recepção ao Coruchense (1-1).
De resto imperou a normalidade, com os grupos teoricamente mais cotados a confirmar a superioridade, nos desafios entre turmas da I e da II Divisão Distrital: aconteceu assim, com maior expressão, na marca de 4-0 com que U. Tomar (com um bom regresso às vitórias) e Torres Novas bateram, respectivamente o Alferrarede e o Pego; mas também no Rio Maior-Pontével (0-3), assim como no duelo entre os vizinhos U. Abrantina-Tramagal (2-0); e, aparentemente com maior dificuldade, no U. Chamusca-Porto Alto (3-2). O At. Ouriense tinha vencido já, em encontro realizado em Novembro, o Caxarias, também por 3-0.
Por fim, nos confrontos entre agremiações participantes na II Divisão Distrital, o Ferreira do Zêzere goleou a formação da Sabacheira por 5-1, tendo o Mindense vencido o Goleganense (3-1), enquanto o Glória do Ribatejo foi ganhar à capital do Distrito, frente ao U. Santarém, por 2-0; no confronto mais equilibrado, U. Almeirim e Samora Correia empataram a duas bolas.
São apurados para os 1/8 Final da prova, os dez vencedores de série, e os seis clubes de entre os classificados no 2.º lugar, que registem melhor desempenho, com base na aplicação de média ponderada dos pontos obtidos.
Em função destes resultados, garantiram o apuramento para os 1/8 Final as seguintes equipas, vencedoras das respectivas séries (todas elas a militar na I Divisão Distrital): At. Ouriense, Mação, Torres Novas, U. Tomar (triunfando categoricamente, impondo-se aos seus concorrentes com duas goleadas, de 5-0 e 4-0), Amiense, U. Chamusca, Pontével, Fazendense, Benavente e Emp. Comércio (sujeito a confirmação, no caso do Benavente, dado terem as três equipas integrantes da correspondente série terminado esta fase de apuramento em situação de igualdade pontual).
São também qualificadas as equipas do Caxarias, Assentis, Cartaxo e U. Almeirim (clubes posicionados em 2.º lugar com melhores médias pontuais de entre todas as dez séries); subsistia ainda pendente a confirmação relativamente a dois outros conjuntos, a apurar de entre U. Abrantina, Glória do Ribatejo e Vale da Pedra – todos com três pontos averbados em dois jogos, tendo a formação de Abrantes registado um marcador global de 4-4, face a 3-3 de Glória do Ribatejo e Vale da Pedra.
Para já, é de assinalar alguma surpresa na eliminação do Coruchense – até pela excelente campanha que vem realizando no campeonato –, possivelmente único representante da I Divisão Distrital a “ficar pelo caminho”, penalizado pelo facto de ter defrontado, na sua série, dois líderes, da I e da II Divisão; em contraponto, registam-se os apuramentos de Caxarias e U. Almeirim, sobreviventes da II Divisão Distrital (a que se juntará, pelo menos, mais um – Glória do Ribatejo e/ou Vale da Pedra).
Neste fim-de-semana regressam os Campeonatos Distritais, após um hiato de três semanas, para disputa da penúltima ronda da primeira volta, repleta de aliciantes encontros, com destaque para os desafios entre Mação e Fazendense – um bem difícil teste ao líder –, e para o At. Ouriense-Amiense, duas equipas que, tradicionalmente, discutem os lugares de topo da tabela.
O U. Tomar, recebendo o Assentis, tem uma oportunidade para confirmar o regresso aos bons resultados, e, paralelamente, subir algumas posições na pauta classificativa, para lugares que proporcionem maior tranquilidade. Por seu lado, o 2.º classificado, Torres Novas, terá também uma difícil deslocação ao Cartaxo, num jogo de tendência muito equilibrada, o que, aliás, será também aplicável aos restantes confrontos: Coruchense-Benavente; U. Chamusca-U. Abrantina; e Empregados do Comércio-Pontével. Uma jornada em que imperará o “X” no “Totobola”?
No Campeonato Nacional de Seniores, em que se jogou ainda a fechar o ano de 2013 (a 29 de Dezembro), com o Fátima a impor um nulo ao comandante destacado (Mafra), não tendo o Alcanenense ido além do empate a um golo na recepção ao Carregado, com o Riachense a perder nas Caldas (1-2), realiza-se já a antepenúltima jornada da primeira fase da competição.
Com um agendamento de jogos de alguma dificuldade para as equipas do Distrito, é agora a vez do Riachense (ainda último classificado, contando uma única vitória) receber o Lourinhanense, equipa que reparte o 5.º lugar com o Caldas, curiosamente o próximo adversário do Fátima (4.º na tabela); por fim, o Alcanenense (3.º) desloca-se a Porto de Mós, para defrontar o penúltimo classificado.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Janeiro de 2014)
U. Tomar – Centenário (XIV)
(“O Templário”, 02.01.2014)
Mas a época de 1964-65 ainda não chegara ao seu termo. Alcançado enfim o tão ansiado objectivo, de promoção à II Divisão Nacional, o União de Tomar defrontaria, nas ½ Finais do Campeonato da III Divisão, a formação do Casa Pia, cotada como principal candidata ao título, prestigiada com a sua invencibilidade no decurso da temporada, ao longo de um total de mais de trinta jogos, tendo-se sagrado Campeã Distrital de Lisboa, e vencido a sua série da III Divisão.
A 4 de Julho, em mais um jogo épico, no Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, depois de ter chegado ao intervalo em desvantagem de dois golos, o União conseguiria, por via de três tentos, marcados por Ernesto, Pedro Silva e Morado (este a dois minutos do termo da partida, quando já se aguardava o prolongamento), vencendo por 3-2, garantir a presença na prestigiante Final do Campeonato Nacional da III Divisão.
A 11 de Julho de 1965, o Estádio do Calhabé, em Coimbra, recebia esta Final, em que o União de Tomar marcava presença inédita no seu historial, defrontando a turma da Ovarense – já aureolada com o título conquistado em 1949-50 –, conquistando, após renhida disputa, decidida apenas no prolongamento, com triunfo dos rubro-negros por 3-1, o título de Campeão Nacional:
«No Estádio Municipal de Coimbra, acabou no passado domingo a maratona do futebol nacional e felizmente para todos nós, tomarenses, ela acabou em beleza e em triunfo, pois confirmou aquilo que todos nós sabíamos: (e que nos perdoem todos os adversários do União), o União Futebol Comércio e Indústria de Tomar é e foi ao longo de 37 jogos, a melhor equipa do País no escalão da 3.ª Divisão. […]
Foram precisos 120 minutos, para que o União trouxesse para Tomar o título de campeão: entretanto bastaram os primeiros 20 para que ficasse demonstrado o valor da nossa equipa. Durante este período evoluiu no relvado de Coimbra uma equipa que deixou entusiasmado o público e os críticos mais severos. […]
Marcou o União um único golo neste período, mas a verdade é que o resultado podia ter sido elevado para mais dois golos que não surpreenderia ninguém. Um deslize da defesa do União deu aso a que a Ovarense crescesse e foram só cinco minutos que duraram este ascendente e suficiente para que empatassem a partida. […]
E foi neste sistema que se jogou quase toda a segunda parte. O União a jogar mais futebol e a criar mais perigo, o Ovarense a lutar com muita energia, contra atacando aqui e ali. […]
Quando se chegou ao prolongamento, e para aqueles que conhecem bem o valor do União, poucas dúvidas havia quanto ao vencedor. […]
Veio uma jogada perfeita e Totoi com uma descontracção absoluta anichou a bola nas redes. Tentaram responder os rapazes do Ovarense, mas a verdade é que lhes faltava aquilo que o União tinha: frescura física. E veio mais uma jogada de Ernesto que culminou com um remate dando um golo monumental (o mais belo do jogo).»(1)
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