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O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 1ª Jornada

(“O Templário”, 24.08.2023)
A ronda inaugural do Campeonato de Portugal pautou-se, no que à série C diz respeito, por uma forte toada de equilíbrio, tendo-se registado igualdades em metade dos desafios disputados, para além de dois desfechos tangenciais, um deles especialmente renhido, com um 4-3 no “placard” final, naquele que, à partida, seria já considerado como “jogo grande” da jornada.
Destaques – A primeira nota de realce vai para o desfecho do “clássico” açoriano, com o Fontinhas, clube recém-despromovido da Liga 3 – e, que, nessa condição, será considerado um dos candidatos aos lugares de topo deste campeonato (do qual, aliás, foi finalista há duas épocas) – a ser, algo surpreendentemente, derrotado em casa pela turma de Rabo de Peixe, por 2-0.
Mais adiante se poderá aquilatar melhor sobre o significado deste resultado, se o mesmo traduzirá apenas um percalço dos visitados, no âmbito de um embate sempre aberto, entre dois rivais açorianos, ou se terá de vir a considerar-se o grupo de Rabo de Peixe (que, na época precedente, fora já 4.º classificado, na sua série) como contendor com maiores ambições.
No outro jogo que suscitava maior interesse, em partida bastante animada, o Marinhense bateu o Benfica e Castelo Branco por estreita vantagem de 4-3; depois de a turma da Marinha Grande ter chegado ao intervalo em vantagem por 2-1, seriam ainda marcados, na segunda metade, mais dois golos por parte de cada uma das formações.
Surpresa – À parte o resultado do encontro entre os dois clubes dos Açores, a grande surpresa desta 1.ª jornada foi o empate (2-2) cedido pelo U. Santarém, na recepção ao Gouveia. E a surpresa poderia ter sido ainda maior, atendendo a que os forasteiros haviam chegado ao intervalo com vantagem de dois golos, não tendo os escalabitanos conseguido melhor do que recuperar tal diferencial, resgatando um ponto.
Confirmações – Numa fase ainda tão prematura da competição, em que se afigura bastante difícil poder dispor já de uma percepção sobre a real valia de cada um dos concorrentes, os restantes três encontros tiveram desfechos que se poderão considerar dentro das expectativas.
Para além do triunfo do Sertanense ante o Peniche, mercê de um solitário tento (apontado pouco depois da meia hora de jogo), nos outros dois jogos registaram-se outras tantas igualdades: 1-1 no Mortágua-V. Sernache (sendo que foram os visitantes a inaugurar o marcador, tendo chegado ao intervalo em vantagem); não tendo sido desfeito o nulo no confronto entre a equipa “B” do Alverca e o União 1919.
Como indicado na passada semana, o último jogo desta ronda, que deveria ter sido a estreia do União de Tomar neste escalão, recebendo o Lusitânia, foi adiado, para dia 15 de Outubro, devido ao facto de a equipa açoriana não ter tido a possibilidade de fazer a deslocação ao continente.
Por ora, na tabela classificativa, temos o Rabo de Peixe na liderança, somando três pontos, a par do Marinhense e do Sertanense. Segue-se um pelotão de seis clubes, todos com um ponto. Ou seja, do total de 14 equipas participantes, nove começaram já a pontuar, podendo este número vir a ser ainda ampliado até onze, em caso de eventual empate no desafio que ficou por disputar.
Anota-se, relativamente aos cinco recém-promovidos dos Distritais, que entraram já em acção, as igualdades averbadas em reduto alheio por parte de Gouveia, União 1919 e V. Sernache, tendo o Alverca “B” empatado também, mas, em casa; o único derrotado foi, pois, o Peniche.
É de recordar ainda que, dos 14 clubes que compõem cada uma das quatro séries, apenas os dois primeiros classificados se qualificam para a fase final, de promoção e apuramento de Campeão (a disputar em duas séries de quatro equipas cada), sendo que os cinco últimos de cada série serão automaticamente despromovidos aos regionais.
Antevisão – A 2.ª jornada, agendada para o fim-de-semana, marcará, enfim, a estreia absoluta do União de Tomar neste campeonato nacional, viajando até Coimbra, para um “reencontro” com o sucessor de um emblema “velho conhecido”.
Com efeito, o União 1919 sucedeu ao original União de Coimbra, adversário que os tomarenses haviam defrontado, na cidade do Mondego, em oito ocasiões (a última delas, no Nacional da III Divisão, na época de 1998-99), ali tendo vencido por duas vezes, empatando noutros dois jogos.
De entre os restantes seis jogos da ronda destaca-se outro embate entre clubes dos Açores, desta feita com o Lusitânia a receber o Fontinhas, assim como a partida que coloca frente a frente dois putativos candidatos, em Castelo Branco, com o Benfica local a ser visitado pelo U. Santarém.
Também nos Açores, o Rabo de Peixe defronta o Sertanense, num jogo entre dois dos clubes vitoriosos na jornada inicial. O outro vencedor, Marinhense, desloca-se a Peniche, num embate entre os dois representantes do Distrito de Leiria nesta competição.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Agosto de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – Apresentação dos clubes da Série C

(“O Templário”, 17.08.2023)
22 anos depois o União de Tomar está de regresso aos campeonatos nacionais, fazendo a sua estreia absoluta no “Campeonato de Portugal”, presentemente o 4.º escalão do futebol português.
Após seis participações no campeonato nacional da I Divisão (entre 1968 e 1976), 13 presenças na II Divisão Nacional (a última delas em 1983-84) – a que acrescem outras três épocas na então denominada “II Divisão B” (1990-91 a 1992-93) – e 19 temporadas na III Divisão (de que se despedira em 2001-02), esta será a 42.ª vez que o União disputa um campeonato nacional.
A prova que este fim-de-semana se inicia tem tido, nos últimos anos, formatos de disputa bastante diversos, a nível do número de séries e de clubes. Com efeito, tendo o antigo campeonato da III Divisão tido a sua derradeira temporada em 2012-13, viria a ser introduzido, na época seguinte, de 2013-14, o designado “Campeonato Nacional de Seniores”, o qual, todavia, teve efémera duração, apenas tendo sido realizadas duas edições. A partir de 2015-16 a prova passou a ter a actual denominação, de Campeonato de Portugal, pelo que esta será a sua nona edição.
A competição será disputada, nesta temporada, por um total de 56 clubes, repartidos, com base em critérios geográficos, em quatro séries de 14 equipas cada, estando o U. Tomar integrado na Série C, a par de representantes de sete Associações Distritais, para além da Região dos Açores:
- Açores (3) – Fontinhas (Praia da Vitória – ilha Terceira); Rabo de Peixe (Ribeira Grande – ilha de S. Miguel); e Lusitânia (Angra do Heroísmo – ilha Terceira)
- Castelo Branco (3) – Benfica e Castelo Branco; Sertanense; e V. Sernache
- Leiria (2) – Marinhense; e Peniche
- Coimbra (1) – União 1919
- Guarda (1) – Gouveia
- Lisboa (1) – Alverca “B”
- Santarém (1) – Santarém
- Viseu (1) – Mortágua.
Apresenta-se, de seguida, resumo da evolução do desempenho dos 14 clubes esta época concorrentes da Série C, ao longo das últimas dez temporadas:

(clicar na imagem para ampliar)
Começa por assinalar-se que só dois dos clubes atingiram – no decurso do período de uma década considerado – presença em escalão superior, no caso a “Liga 3”: o Fontinhas (recém-despromovido na época finda) e o U. Santarém (que disputara tal prova há duas temporadas).
Em relação aos 14 clubes desta série poderá traçar-se uma primeira grande linha delimitadora: metade deles (U. Tomar, Gouveia, Lusitânia, Peniche, União 1919, V. Sernache e Alverca “B”) acabaram de ser promovidos dos campeonatos distritais, tendo experiência limitada neste escalão – sendo que U. Tomar e a “repescada” equipa “B” do Alverca serão os únicos estreantes.
Não obstante, assinalam-se alguns casos de clubes já com várias despromoções, com destaque para o Gouveia e Peniche, que, até agora, nunca conseguiram manter-se nesta divisão, com três descidas em outras tantas participações no Campeonato de Portugal (registando o V. Sernache duas despromoções nas suas quatro últimas presenças).
Por seu lado, anota-se ainda que alguns outros clubes (por curiosidade, o U. Santarém e o Fontinhas, para além, igualmente, do V. Sernache) haviam beneficiado da isenção de despromoções, devido à suspensão dos campeonatos, pela pandemia, na época de 2019-20.
Os outros sete clubes – dos quais apenas seis transitam do campeonato da época passada (U. Santarém, Marinhense, Rabo de Peixe, B. C. Branco, Mortágua e Sertanense) – registam, claramente, bastante maior experiência a este nível, sendo que, cinco deles, vão, pelo menos, para a 5.ª época consecutiva em campeonatos nacionais (4.ª temporada, no caso do Rabo de Peixe).
De facto, apenas o Mortágua apresentara alguma menor consistência, com duas descidas nas suas três participações mais recentes. Dos recém-promovidos, e à parte o caso do V. Sernache (já com seis presenças nesta divisão), só o Lusitânia conseguira manter-se na estreia (em 2016-17).
As equipas do Benfica e Castelo Branco e do Sertanense são as únicas duas “totalistas”, com presenças neste campeonato em todas as dez últimas temporadas, sendo que os albicastrenses, evidenciando grande regularidade, praticamente sempre têm ocupado lugares do topo da tabela.
Anota-se, por fim, a curiosidade de alguns dos clubes terem chegado a militar – não há muitos anos, portanto – em divisões secundárias dos respectivos campeonatos distritais, como foram os casos de Fontinhas, U. Santarém, Marinhense, União 1919 e Alverca “B”.
Isto dito, parecem perfilar-se como candidatos a disputar a fase final, de subida, Fontinhas, U. Santarém, Marinhense e B. C. Branco, pelo que se antecipa que será bem renhida a disputa para procurar escapar aos cinco últimos lugares da tabela, que ditarão a despromoção aos Distritais.
Com base no histórico recente, estima-se que, para tal, possam vir a ser necessários, no máximo, 35 ou 36 pontos, que poderão ser atingidos, respectivamente, mediante cenários do tipo: (i) 9 vitórias, 8 empates e 9 derrotas; e (ii) 10 vitórias, 6 empates e 10 derrotas – do que parece decorrer, como “barómetro”, a importância de, pelo menos, nivelar o número total de vitórias e de derrotas.
Na ronda inaugural, tendo o União de Tomar visto o seu jogo frente ao Lusitânia adiado para 15 de Outubro (dado a turma açoriana ter alegado impossibilidade de deslocação, por falta de voo!), destacam-se os embates que se afiguram de maior interesse: o “clássico” regional dos Açores, entre Fontinhas e Rabo de Peixe; e o Marinhense-B. C. Branco, duas equipas com aspirações.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Agosto de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Supertaça Dr. Alves Vieira

(“O Templário”, 08.06.2023)
Culminando um notável trabalho desenvolvido pela equipa técnica liderada por Eduardo Fortes, o Torres Novas somou, à vitória na Taça do Ribatejo, novo troféu, conquistando também a Supertaça Dr. Alves Vieira, a terceira do historial do clube (após os triunfos das épocas de 2007-08 e 2010-11), igualando o palmarés “record” de Riachense, Coruchense e Fazendense.
Defrontando, por coincidência, no seu reduto – tradicionalmente, a prova, em homenagem ao antigo dirigente, Dr. Alves Vieira, é disputada no Estádio que ostenta também o seu nome, na cidade do Almonda – o recém-sagrado Campeão Distrital, U. Tomar, os torrejanos venceram por 3-2, numa partida emotiva, em que o resultado subsistiu incerto até ao último minuto.
A equipa do União entrou a “mandar” no jogo, perante um adversário, como seria previsível, algo na expectativa – em clara aposta em poder tirar partido do erro do adversário – tendo os tomarenses criado, logo nos dez minutos iniciais, três boas ocasiões para inaugurar o marcador.
Pouco passava do quarto de hora quando Wemerson Silva, em plena grande área, terá sentido o contacto de um contrário, acabando por cair no chão. Os unionistas reclamaram grande penalidade, que, a ter sido sancionada, poderia, porventura, ter ditado um cariz substancialmente diferente do desafio. Sem debater questões de intensidade, tendo o árbitro, perto do lance, mandado jogar, será, neste contexto, de conceder o benefício da dúvida.
A toada mantinha-se, até que, aos 33 minutos, num momento infeliz do guardião tomarense – na sequência de um atraso de bola de um seu colega –, a rematar contra o corpo de um rival, vendo a bola anichar-se nas suas redes; um golo que surgia, notoriamente, “contra a corrente”.
A formação torrejana, animada com a vantagem adquirida, mais confiante, soltou-se no campo, e, apenas seis minutos volvidos, aproveitando bem o espaço, Miguel Miguel fez um “mini-slalom”, com um excelente remate em arco, para o poste mais distante, sem hipótese de defesa.
Como que atordoados pelo inesperada evolução do marcador, as coisas piorariam ainda bastante para os tomarenses, outros quatro minutos decorridos, quando, no seguimento de um canto, o defesa central, com um toque involuntário, introduziu a bola na sua própria baliza. Perplexos, os unionistas viam-se – num curtíssimo período de dez minutos – a perder por 3-0!
Se o jogo tivesse terminado ao intervalo, só havia que, assumindo as falhas próprias, dar os parabéns ao Torres Novas, pela extrema eficácia obtida. Há dias assim: em que tudo corre bem para um lado, e mal para o outro. Mas, no segundo tempo, (quase) tudo mudaria…
Marco Marques operou tripla substituição ao intervalo, fazendo sair três (!) defesas, tendo entrado dois avançados, num manifesto sinal de inconformismo. Mas, quando as coisas correm mal, podem ainda correr pior: aos dez minutos, o União via-se em inferioridade numérica.
Por muito estranho que pareça, a partir daí “só deu” U. Tomar. O Torres Novas, mesmo com todas as vantagens (deveras ampla margem no marcador e com mais um elemento), teve monumental “apagão”, incapaz de ripostar, sem conseguir ter bola, “desaparecendo” do jogo, denotando completo esgotamento físico e, em paralelo, também algum “temor cénico”.
Logicamente, os tomarenses reduziram para 1-2, e, quinze minutos depois (aos 78), para 2-3 (com Siaka Bamba, convertido em improvisado “ponta-de-lança”, sensacionalmente a bisar), colocando em causa o desfecho desta final. Até, quatro minutos depois, ficarem reduzidos a nove. E, depois, a oito (contra dez do adversário), continuando, não obstante, a dominar territorialmente… até acabar apenas com o mínimo regulamentar de sete jogadores em campo!
Ainda oito contra dez, já em período de compensação, o União esteve pertíssimo do 3-3, quando Fábio Luzio, desviando de cabeça, quase em cima da linha de baliza, fez a bola sair a rasar o poste. Por seu lado, o Torres Novas, tendo tido possibilidade de ensaiar dois ou três contra-ataques – contra uma defesa então reduzida a dois elementos, com um fantástico Zé Maria, apoiado pelo referido Luzio – não teria forças para levar até ao fim nenhuma de tais investidas, sempre mais apostado em procurar quebrar o ritmo de jogo, recorrendo a expedientes vários.
Revisto o “filme do jogo”, é incontornável falar da arbitragem, tema de melindre, mais quando se é derrotado. João Veríssimo será, necessariamente, um dos melhores árbitros do Distrito, por isso lhe tendo sido confiada a arbitragem deste jogo. Mas, no Sábado, teve um dia que não lhe correu bem… para lidar com o cariz da partida, terá faltado algum discernimento e bom senso.
Na primeira expulsão o jogador tomarense ripostou a uma provocação (encosto de cabeça) de um torrejano, não se compreendendo como tal terá podido passar sem qualquer admoestação. Na segunda expulsão, por duplo amarelo, não se colocando em causa a validade do 2.º cartão, tinham ocorrido, na primeira parte, situações similares, sem sanção. Terá residido aí o “pecado original” da arbitragem: a forma permissiva – a querer deixar jogar – com que abordou essa fase, em flagrante contraponto com a atitude adoptada ao longo do segundo tempo.
A terceira expulsão do União (em simultâneo com a do Torres Novas, já aos 92 minutos) só acontece devido à instabilidade emocional que então assolava já todos os intervenientes, em função das incidências da partida. O jogador torrejano, embrulhando-se com um adversário, agrediu-o, quando ambos caíam, não tendo sido perceptível motivo para a sanção do unionista.
O árbitro perderia, então, por completo, durante instantes, o controlo do jogo, tendo-se assistido a cenas deploráveis, com tentativas de agressão de parte a parte, que, a terem sido levadas “à letra” as leis do jogo, teriam determinado que o mesmo não tivesse chegado ao seu termo…
Por fim, a quarta expulsão, do capitão, ao 12.º minuto do período de compensação, de novo por duplo amarelo, por protestos, após não ter sido assinalada falta evidente contra o Torres Novas, teria sido, nessa circunstância, dispensável. Um óbvio indício de “anormalidade” foi a duração da segunda parte, de 60 (!) minutos, que, ainda assim, não compensou todo o tempo perdido.
Uma nota final muito positiva: após o derradeiro apito do árbitro, os jogadores dos dois emblemas, caindo em si, deram admirável sinal de desportivismo e “fair-play”, abrindo alas para saudar cada uma das equipas, felicitando, à vez, os novos Campeões e os vencedores da Taça e da Supertaça. Tudo está bem, quando acaba bem.
Parabéns ao Torres Novas, que jogou com os argumentos de que dispunha… e ganhou.
II Divisão Distrital – Ficou adiada para a última ronda, agendada para esta quinta-feira, a definição do terceiro clube que acompanhará o Moçarriense e o Forense na subida ao escalão principal. O Vasco da Gama, que visita o Espinheiro, só depende de si, com Riachense (5.º, a três pontos) e Tramagal (4.º somente a um ponto), a defrontar-se, ainda com ténues esperanças.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 8 de Junho de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

(“O Templário”, 01.06.2023)
Na 45.ª final da Taça do Ribatejo (em 46 edições da competição – atendendo a que a prova de 2019-20 acabaria por ser suspensa nas meias-finais, devido à pandemia), em partida disputada no Cartaxo, uma surpreendente equipa do Torres Novas superiorizou-se ao Alcanenense, conquistando o troféu pela segunda vez no seu historial (depois da vitória averbada em 2011).
Em função da classificação dos dois clubes no campeonato (4.º lugar do Alcanenense; face ao 9.º posto do Torres Novas), a turma de Alcanena aspirava a estrear-se como vencedora da Taça a nível de seniores, depois de ter já triunfado, nesta época, em tal prova no escalão de juniores.
Com um conjunto de forte potencial, liderado por José Torcato, em que impera a juventude, o Alcanenense procurou assumir a iniciativa do jogo, que foi sendo repartido, persistindo o nulo no marcador até ao derradeiro quarto de hora – mesmo que o grupo de Torres Novas se tenha visto forçado a substituir o seu guarda-redes, Telmo Rodrigues, ao intervalo, devido a lesão.
Bastaria um golo para decidir o desfecho da final, apontado – estavam decorridos 77 minutos – por Persi Mamede (que, por curiosidade, representara a formação de Alcanena na temporada precedente), finalizando da melhor forma, com um desvio subtil, a assistência de Miguel Miguel, com a formação torrejana, muito oportuna, a beneficiar de falha da defensiva contrária.
Até ao termo do encontro o Alcanenense ensaiaria várias tentativas de chegar ainda ao empate, mas o jovem guardião da equipa de Torres Novas, António Henriques, com intervenções muito atentas, preservaria o nulo na sua baliza, garantindo assim um excelente triunfo da equipa comandada pelo tomarense Eduardo Fortes, fazendo valer a maior experiência do seu colectivo.
Contando apenas 22 participações na Taça do Ribatejo (e, somente, com quatro presenças nas meias-finais; e três em finais), o Torres Novas igualou, pois, o registo de dois troféus conquistados, até agora mantido por Águias de Alpiarça, Alferrarede, Cartaxo, Mação, Samora Correia, U. Rio Maior e U. Santarém. No palmarés da prova subsiste destacado o Fazendense, com cinco Taças, seguido por Amiense, Coruchense, Riachense e Tramagal (três triunfos cada).
Juntam-se ainda doze clubes cada um com uma Taça do Ribatejo conquistada: Abrantes FC, Azinhaga, Benavente, Ferreira do Zêzere, Ferroviários, Glória do Ribatejo, Lagartos do Sardoal, Monsanto, Ouriquense, Pego, União de Tomar e Vasco da Gama.
I Divisão Distrital – Recuperando também o palmarés do Campeonato, o U. Tomar sagrou-se Campeão Distrital da I Divisão pela 6.ª vez no seu historial, depois de ter sido já vencedor nas épocas de 1941-42, 1942-43, 1964-65, 1987-88 e 1997-98. Soma, ainda, quatro títulos de Campeão da divisão secundária (nas temporadas de 1941-42, 1942-43, 1955-56 e 1957-58).
A nível do escalão principal apenas o Torres Novas (com 9 títulos, incluindo o de 1928-29, então conquistado pelo Torres Novas F.C.), U. Operária Santarém (8) e Tramagal (7) superam o registo do emblema unionista – contando também a Ac. Santarém com seis títulos de Campeão.
Em praticamente um século de Campeonatos Distritais – cujo início data do ano de 1925 – foram já 30 os clubes Campeões, num total de 97 títulos atribuídos (não tendo sido completadas as provas das épocas de 2019-20 e 2020-21), sendo a próxima a 100.ª edição da competição.
II Divisão Distrital – Ainda com duas rondas por disputar o Forense (que, na próxima época, se estreará na I Divisão) e o Moçarriense (num rápido regresso, depois da descida no final da temporada de 2020-21) garantiram já a promoção ao principal escalão do futebol distrital.
Tendo o Forense vencido (2-0) o Tramagal, já depois de o Moçarriense ganhar (4-2), no Sábado, ao Vasco da Gama, os dois clubes – que continuam a partilhar o comando –, dispõem agora de vantagem de oito pontos face ao par que reparte o 3.º posto (Riachense e Vasco da Gama).
A formação dos Riachos foi surpreendida no Espinheiro, tendo sido derrotada por 4-3 – terceiro desaire sucessivo –, um desfecho que poderá, eventualmente, vir a revelar-se comprometedor, na medida em que o Riachense foi o primeiro concorrente a perder com o Espinheirense.
A restante vaga de promoção será disputada, para além de Riachense e Vasco da Gama, também pelo Tramagal, somente um ponto abaixo, pese embora conte já quatro derrotas consecutivas.
Antevisão – Este Sábado teremos, no Estádio Municipal Dr. Alves Vieira, em Torres Novas, a disputa da Supertaça com a mesma denominação, colocando frente-a-frente o recente Campeão Distrital, U. Tomar, e o vencedor da Taça do Ribatejo, precisamente o C. D. Torres Novas.
Numa prova cujo calendário foi, desde o ano de 2019, adaptado ao final de temporada, os torrejanos terão, nesta situação, a particularidade de beneficiar do factor casa, a equilibrar a contenda perante um grupo unionista aureolado com o título distrital, mas que, por seu lado, vem de um (breve) interregno competitivo, desde que, há duas semanas, se sagrou Campeão.
O U. Tomar participa nesta competição pela terceira vez, tendo sido desfeiteado nas duas finais disputadas, enquanto Campeão Distrital de 1998 (batido pelo Ferroviários) e após ter conquistado a Taça do Ribatejo de 2018 (perdendo com o Campeão, Mação). Ao invés, o Torres Novas, disputando a prova igualmente pela terceira vez, venceu nas duas presenças anteriores, enquanto Campeão Distrital em 2008, e na condição de vencedor da Taça do Ribatejo de 2011.
Fica ainda o registo de, nas 28 edições precedentes, o Campeão Distrital ter triunfado em 17 ocasiões; face a 11 vezes em que saiu vencedor o detentor (ou finalista da Taça do Ribatejo) – incluindo nas duas últimas Supertaças, ganhas por Coruchense (2019) e Fazendense (2022).
A II Divisão Distrital terá a 9.ª e penúltima jornada da fase final, de apuramento de Campeão e de promoção, compreendendo as seguintes partidas: Vasco da Gama-Forense; Moçarriense-Riachense; e Tramagal-Espinheirense; de que poderá resultar nova configuração da tabela, em especial a nível do terceto que disputa ainda a subida.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Junho de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 30ª Jornada

(“O Templário”, 25.05.2023)
Ao fim de 25 anos, e de 20 épocas no Distrital da I Divisão – após, por várias ocasiões, ter ficado muito próximo do objectivo –, o União de Tomar consegue, enfim, sagrar-se Campeão, garantindo a promoção ao Campeonato de Portugal, regressando, pois, às competições de índole nacional.
Nessas 20 participações no principal escalão do futebol distrital (desde 2002-03) esta foi a 10.ª vez em que o emblema unionista concluiu a prova nos cinco primeiros lugares; ocupando uma das posições do pódio pela 7.ª vez – depois de, em quatro ocasiões (2009, 2015, 2018 e 2022), ter sido vice-campeão; e de ter terminado no 3.º lugar noutras duas edições (em 2016 e 2017).
Um justo prémio para muitos anos de esforços em prol do clube, por parte de órgãos directivos, equipas técnicas (destacando-se as seis temporadas sob a orientação de Eduardo Fortes, a que se seguiram oito épocas sob o comando de Lino Freitas, galardoado com a conquista da Taça do Ribatejo em 2018 – por curiosidade, numa final frente ao Mação) e várias gerações de jogadores.
Um trabalho agora culminado sob a direcção técnica de Marco Marques, repetindo, como treinador, o anterior título de Campeão Distrital, em 1997-98 (então como jogador do União), que junta à conquista, como treinador da equipa de Juniores do clube, da Taça do Ribatejo, em 2013 – vendo coroado de êxito o seu intenso labor e enorme dedicação. Ao Marco, o meu Obrigado!
Destaques – Num campeonato renhido, disputado até ao último dia entre três concorrentes, de que – em largas décadas – havia, até agora, um único antecedente (na época de 1967-68), a forte réplica oferecida por Amiense e Fazendense vem valorizar sobremaneira a conquista do União.
A formação mais regular ao longo de toda a época – na liderança durante um total de 21 (das 30) jornadas, entre as quais as últimas 18 – o U. Tomar entrava para o derradeiro encontro sendo o único a depender apenas de si, “bastando” ganhar ao Mação para confirmar a conquista do título.
Perante este dado, a equipa, com forte personalidade, honrou, desde o início da partida, a missão que tinha a cumprir, assumindo a iniciativa, indo em busca da vitória. Que acabou por ser construída e alcançada com naturalidade. Quando os tomarenses inauguraram o marcador, num remate colocado, de “meia-distância”, desferido por Leandro Filipe, estavam decorridos apenas 17 minutos, tinham demonstrado cabalmente ao que vinham, tendo criado já um par de situações.
O golo tranquilizou o grupo, que manteve a pressão. Mas o melhor estava ainda para vir: não estava completado o minuto inicial do segundo tempo quando Wemerson Silva, com um remate “bombeado”, fez a bola sobrevoar o guardião contrário, estabelecendo o “placard” final de 2-0.
Logo aí começou a formar-se a convicção de que a vitória – e, consequentemente, o título – não escaparia ao União. E assim foi. Até final, os nabantinos, perdulários, não conseguiram aproveitar algumas soberanas ocasiões para voltar a marcar. A grande festa esperava já por eles!
O Amiense, em igualdade pontual face ao líder, tinha também uma tarefa a realizar: a de vencer o seu desafio, recebendo o Torres Novas, na expectativa de algum eventual deslize dos unionistas.
Cedo (apenas com dez minutos decorridos) se colocando em vantagem, o conjunto dos Amiais repetiria a “dose” no segundo tempo, marcando de novo após estarem jogados dez minutos, fixando o resultado em 2-0. Porém, as notícias que chegavam de Tomar não eram as desejadas…
O grupo de Amiais de Baixo, com excelente desempenho nesta época, alcançou, não obstante, magnífico 2.º lugar, superando todas as expectativas – terminando, aliás, com o mesmo número de pontos do Campeão – tendo como prémio a presença na próxima edição da Taça de Portugal.
Por seu lado, o Fazendense – imune à decepção de ter deixado escapar uma situação, que chegou a parecer privilegiada, de poder conquistar o título (quando, depois de ter já derrotado o Amiense, recebia, na 27.ª ronda, o U. Tomar, apenas com um ponto de desvantagem), tendo acabado, inesperadamente, por ver-se relegado para o 3.º lugar, sem sequer ter a consolação do acesso à Taça de Portugal – goleou, em jogo de “final de estação”, o Salvaterrense, por categórico 5-0.
Aqui fica uma palavra de apreço pelo brilhante campeonato realizado pela turma das Fazendas de Almeirim, num estimulante duelo com o União, porventura merecedor de algo mais na pauta final.
Também, em paralelo, um abrir de apetite para a próxima edição do Campeonato Distrital, que se antevê empolgante, com vários clubes com fortes aspirações, a que se juntará ainda o Coruchense.
Surpresas – A grande surpresa da derradeira jornada foi o empate (2-2) cedido pelo Alcanenense – em “rodagem” para a Final da Taça –, na recepção ao Águias de Alpiarça (15.º classificado), que, assim, conseguiu fechar a sua participação neste campeonato a pontuar, após dez derrotas.
O conjunto de Alcanena manteve, ainda assim, a 4.ª posição, mercê de outro desfecho algo imprevisto, por parte do Samora Correia (5.º), derrotado por 2-1 no “derby” municipal, pelo rival Benavente (14.º), o qual, já desde a semana anterior, conhecia o seu destino, acompanhando os alpiarcenses e o Entroncamento AC na despromoção ao escalão secundário.
Confirmações – Nas restantes três partidas os favoritos alcançaram a vitória, destacando-se o Fátima, que, mercê da categórica vitória (3-0) ante o Cartaxo (13.º), ascendeu a uma muito meritória 7.ª posição, ultrapassando, sobre o “risco de meta”, os grupos de Salvaterra e torrejano.
Também o Ferreira do Zêzere finalizou da melhor forma um campeonato irregular, somando o quarto triunfo consecutivo, ao bater (2-1) o At. Ouriense; os ferreirenses igualaram, precisamente, aqueles dois emblemas (formando-se um terceto com 39 pontos), mas, por via do confronto directo, acabaram por quedar-se no 10.º posto, após o Salvaterrense (8.º) e o Torres Novas (9.º).
Igualmente inglória foi a vitória do Abrantes e Benfica no Entroncamento, por 3-2, uma vez que não lhe possibilitou melhorar o modesto 12.º lugar final, em paridade pontual com o At. Ouriense (11.º). A formação da cidade ferroviária tinha já definida a sua posição de “lanterna vermelha”.
II Divisão Distrital – Também neste escalão se assinala evolução surpreendente, do Vasco da Gama, que, depois de ter averbado um único ponto nas quatro primeiras jornadas, encadeou um ciclo de três triunfos sucessivos, tendo vencido nos Riachos por 2-1, igualando, precisamente, o Riachense, no 3.º posto. Ao invés, o Tramagal, derrotado (0-1) em casa pelo Moçarriense, somou terceiro desaire consecutivo, baixando ao 5.º lugar, pese embora apenas a um ponto desse duo.
O Forense, ganhando por renhido 4-3 no reduto do Espinheirense, consolida a sua posição, apresentando-se, a três rondas do termo desta fase final, na liderança destacada – a par do Moçarriense – ambos já com uma boa margem, de cinco pontos de avanço face àquele par.
Antevisão – Este Domingo (13 horas) disputa-se a Final da Taça do Ribatejo, entre Alcanenense e Torres Novas, turmas dirigidas, respectivamente, por José Torcato e Eduardo Fortes. O clube de Alcanena participa na Final pela quarta vez (depois de 2002, 2009 e 2010), ainda sem se estrear como vencedor do troféu, que almeja juntar à Taça conquistada no escalão de Juniores. Já os torrejanos participam na sua terceira Final (após 1986 e 2011), aspirando a bisar o triunfo de 2011.
Na II Divisão Distrital todos os três desafios se afiguram de cariz determinante, em relação à definição dos lugares de subida ao escalão principal: o Forense procurará desforrar-se da pesada derrota (1-5) sofrida, na 1.ª volta, no Tramagal; o Moçarriense recebe o Vasco da Gama, podendo, em caso de triunfo, praticamente selar a promoção; o Riachense visita a turma do Espinheirense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 25 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 29ª Jornada

(“O Templário”, 18.05.2023)
Na penúltima jornada do campeonato os três candidatos ao título venceram, todos eles em terreno alheio, não vacilando, mantendo-se as posições relativas (U. Tomar e Amiense igualados no comando, com vantagem dos tomarenses no critério de desempate; o Fazendense apenas um ponto abaixo) pelo que a disputa se estenderá ao último dia, possivelmente até ao derradeiro minuto…
Destaques – A primeira nota de realce vai, pois, para os triunfos das três formações do topo da tabela, que, de forma competente, superaram as dificuldades que enfrentavam: o União, ganhando por 2-0 em Salvaterra de Magos; o Amiense, por tangencial 2-1, no difícil reduto abrantino; o Fazendense, por categórico 3-0, frente ao At. Ouriense, que vinha de surpreender em Tomar.
O União não podia ter melhor entrada, colocando-se em vantagem apenas completados os dois minutos iniciais, beneficiando de um auto-golo, decorrente da forte pressão que, desde o começo da partida, exerceu. Tendo sempre maior iniciativa que o Salvaterrense, não surpreendeu o segundo tento, a cerca de dez minutos do intervalo, conferindo importante margem de segurança.
Numa tarde com forte vento lateral a fazer-se sentir, adivinhava-se, na segunda parte, uma tentativa dos homens da casa fazerem lançamentos em profundidade, procurando surpreender a defesa contrária. Mas, controlando muito bem o jogo, os tomarenses não permitiram maiores veleidades ao adversário, que não dispuseram de qualquer efectiva ocasião de golo.
Um jogo que acabou por ser bem mais tranquilo do que se poderia supor, mesmo que seja latente alguma inevitável ansiedade. A vitória por 2-0 não deixou qualquer dúvida sobre o mérito dos unionistas, constituindo um importante tónico para abordar a decisiva partida de Domingo, em Tomar, em que o União, com o “destino nas mãos”, pode voltar a fazer história, 25 anos depois.
Em Abrantes os locais ainda assustaram o Amiense, tendo inaugurado o marcador, mas, bastante sólido, o grupo de Amiais de Baixo operaria a reviravolta ainda na metade inicial, estabelecendo o 2-1 final. Tal como em Salvaterra não se registou qualquer golo no segundo tempo.
Impressionou também a “facilidade” com o que o Fazendense se desembaraçou do At. Ouriense, indo ganhar a Ourém por categórica marca de 3-0, mantendo-se na expectativa de qualquer eventual deslize dos seus rivais (só poderá chegar ainda ao 1.º lugar se ambos perderem pontos).
Numa espécie de “final”, o Cartaxo, impondo-se por 4-2 frente ao Benavente, traçou irremediavelmente o destino do adversário, agora já despromovido ao escalão secundário, acompanhando Águias de Alpiarça e Entroncamento AC. Foi um desafio muito renhido e “nervoso”, com sucessivas cambiantes no marcador, tendo o Benavente chegado a estar a vencer, mas, após os cartaxeiros terem restabelecido a igualdade (a duas bolas), o rival “desmoralizou”.
Surpresa – Já aqui fora referida, na passada semana, a surpresa da derrota caseira (1-2) do Mação ante o “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, em encontro que havia sido antecipado.
Confirmações – Com Alcanenense e Torres Novas já com o espírito na Final da Taça, foram de alguma forma expectáveis os desfechos dos respectivos desafios: derrota tangencial (1-2) do conjunto de Alcanena em Samora Correia, o que proporcionou aos samorenses reduzir para apenas um ponto a desvantagem face a esse adversário, ainda com o 4.º lugar por confirmar; empate (1-1) no Torres Novas-Fátima, dois clubes posicionados exactamente a meio da tabela.
Em Alpiarça o Ferreira do Zêzere, a fechar a época em boa forma, somou terceira vitória sucessiva (ganhando por 2-1), no que constitui o décimo desaire consecutivo do Águias no campeonato.
II Divisão Distrital – Continuam as goleadas, tendo, desta feita, a “vítima” sido a turma que concluíra a primeira volta na liderança: o Riachense foi batido pelo Forense por categórico 5-2!
De alguma forma inesperada terá sido também nova derrota averbada pelo Tramagal, desfeiteado pelo Vasco da Gama por 2-1, ao invés, com a turma de Boleiros a ganhar pela segunda semana sucessiva, encurtando distâncias, agora apenas a três pontos do grupo dos Riachos.
O Moçarriense obteve uma segura vitória (3-0) ante o Espinheirense, partilhando o comando com o Forense, ambos com dois pontos mais que o Riachense, com o Tramagal um ponto abaixo.
Antevisão – Tendo a definição do novo Campeão Distrital ficado adiada para a 30.ª e derradeira jornada, em função dos desfechos que se verificaram no passado Domingo, as anteriormente referidas 729 combinações possíveis de resultados reduziram-se, agora, a apenas 27 (3 x 3 x 3)!…
De novo, sem atender às dificuldades específicas de cada um dos desafios, passaram a ser as seguintes as probabilidades de qualquer dos três emblemas vir a sagrar-se Campeão: 52% para o U. Tomar (14 combinações favoráveis); 30% para o Amiense (8); 18% para o Fazendense (5).
Em relação às probabilidades de terminar no 2.º lugar (dando acesso à Taça de Portugal), as hipóteses são, agora, de 40% para o Amiense; e de 30% para o U. Tomar, tal como o Fazendense.
Na larga história dos Campeonatos Distritais da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém só por uma vez (na temporada de 1967-68) os três primeiros classificados tinham chegado à última ronda separados por um único ponto (então, U. Almeirim, com 37 pontos; e Ferroviários e “Os Leões” de Santarém, com 36 – tendo a formação do Entroncamento acabado por conquistar o título, mercê de um empate… face às derrotas sofridas pelos outros dois contendores!).
O U. Tomar – que será Campeão se conseguir, pelo menos, desfecho idêntico ao que os seus rivais registarem –, recebendo o Mação, necessitará, independentemente de qualquer outra coisa, de fazer a sua parte, para não ficar dependente de outros resultados; isto é: precisa de ganhar o jogo!
Trata-se de um adversário valoroso, frente ao qual, em oito jogos disputados em Tomar, na última década, o União venceu três (incluindo na última época), tendo cedido cinco empates. Foi igualmente ante o Mação, que, há cinco anos, conquistou o seu último troféu: a Taça do Ribatejo.
Mas o Mação é, também, um adversário já com a sua classificação final fixada (6.º classificado), pelo que o resultado deste desafio em nada afectará o seu desempenho na presente temporada.
Ao contrário dos nabantinos, os maçaenses – já sem objectivos concretos – entram em campo sem qualquer tipo de pressão. Os unionistas terão, pois, de estar preparados para enfrentar todos os cenários, com força mental para superar qualquer eventual adversidade que se lhes possa deparar, com a noção de que este poderá ser um jogo “aberto”, com “bastantes” golos, e que só terminará quando o árbitro apitar pela última vez. Dar tudo pela vitória, numa oportunidade “única”.
E isto porque, quer Amiense (recebendo o Torres Novas), quer Fazendense (visitado pelo Salvaterrense), são claros favoritos a somar os três pontos (mesmo que, na última época, a equipa de Amiais não tenha ido além do empate ante os torrejanos e o conjunto de Salvaterra tenha surpreendido, vencendo nas Fazendas – desfechos, contudo, de repetição nada expectável).
Na II Divisão Distrital, já na 7.ª jornada da fase final, destaca-se o Tramagal-Moçarriense, em que os visitados jogam cartada determinante. O Riachense-Vasco da Gama poderá dar indicação importante sobre a possibilidade de a agremiação fatimense vir ainda a “reentrar na luta”.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 18 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/2 finais

(“O Templário”, 11.05.2023)
As duas equipas apuradas para a “festa da Taça” – final a disputar no próximo dia 28 de Maio, no Cartaxo – acabaram por confirmar o favoritismo que, teoricamente, lhes adviria em função da maior regularidade demonstrada no respectivo desempenho ao longo de toda a temporada: o 4.º classificado do campeonato (Alcanenense) superiorizou-se ao 9.º (Fátima); tendo o 8.º (Torres Novas) afastado o 11.º classificado (Abrantes e Benfica).
Não deixou, não obstante, de ter havido alguma surpresa, atendendo a dois factores: por um lado, o facto de, quer Abrantes e Benfica (seis vitórias e dois empates nos oito encontros mais recentes), quer Fátima (três triunfos e três empates, nas últimas sete partidas disputadas), atravessarem bom momento de forma nesta fase da época; a que acresce, por outro, a suposta “vantagem” de terem obtido igualdades no reduto dos adversários, na 1.ª mão das meias-finais.
Destaques – O principal destaque do passado fim-de-semana foi a forma categórica como o Torres Novas se impôs em Abrantes, ganhando por 3-0 (com dois golos obtidos na meia hora inicial do desafio), “rectificando” assim o empate (1-1) concedido em casa há menos de duas semanas, garantindo uma notável qualificação para a Final da Taça do Ribatejo, de que estava arredado há doze anos, no que será a sua terceira presença no desafio decisivo desta competição.
Um justo prémio para a formação orientada por Eduardo Fortes, culminando uma participação até agora invicta nesta edição, na qual averbou três vitórias e dois empates, tendo superado, sucessivamente, os seguintes adversários: Caxarias, Mação, Amiense e, por fim, o Abrantes e Benfica (finalista na época transacta).
Por seu lado, o Alcanenense – que, à entrada para esta fase da prova, se perfilava como principal favorito à conquista do troféu (o que, a concretizar-se, será uma estreia absoluta) –, foi também vencer a Fátima, neste caso por tangencial 1-0, “desfazendo” o nulo registado na 1.ª mão.
Sabia-se da ambição da turma liderada por José Torcato (aspirando a juntar, ao título de Campeão Distrital de Juniores e à vitória na Taça do Ribatejo, nesse mesmo escalão, também a Taça a nível de Seniores), mas, do outro lado, do Fátima, estava o treinador ainda actual Campeão Distrital em título, Gonçalo Carvalho.
No termo de uma renhida disputa, decidida pela margem mínima, prevaleceriam os superiores argumentos do conjunto de Alcanena, que – tendo afastado o Ferreira do Zêzere, Entroncamento AC, Benavente e Fátima, somando quatro triunfos e um único empate cedido na presente edição – marcará presença na final pela quarta vez, treze anos depois da última participação anterior.
Surpresa – Em encontro antecipado da penúltima ronda do Campeonato Distrital da I Divisão, pouco mais do que para “cumprir calendário”, o Mação recebeu o “lanterna vermelha” e já matematicamente despromovido Entroncamento AC, acabando por ser surpreendido, perdendo por 1-2, no que constitui apenas a terceira vitória do grupo da cidade ferroviária no campeonato.
II Divisão Distrital – Também neste caso não seria talvez expectável, em função do desempenho recente (após ter aplicado duas goleadas nas jornadas imediatamente precedentes), o desaire caseiro do Tramagal, tendo sido desfeiteado por 2-0 pelo Riachense, que, desta forma, conclui a primeira volta deste “mini-campeonato” na liderança isolada, tendo somado 10 pontos.
Por seu lado, o Moçarriense, derrotando o Forense por 2-1, igualou, precisamente, o emblema tramagalense, assim como o rival que defrontou nesta ronda, formando-se, assim, um trio perseguidor ao líder, somente a um ponto de distância da formação dos Riachos.
No encontro entre os dois últimos, o Vasco da Gama levou a melhor ante o Espinheirense, ganhando por 2-1. Em qualquer caso, a disputa das três vagas de promoção parece reservada aos quatro primeiros, uma vez que é de cinco pontos o atraso da equipa de Boleiros face àquele trio.
Antevisão – Chegamos, então, à “hora da verdade”, no Distrital da I Divisão, faltando disputar apenas as duas derradeiras jornadas, com uma situação há largos anos inaudita, de termos três clubes em disputa pelo título, concentrados num intervalo de apenas um ponto (entre 1.º e 3.º)!
Desde 1998-99 que não tínhamos três candidatos (então, Ferroviários, Cartaxo e Amiense) a chegar a esta fase final da competição separados por tão escassa margem pontual (e, nessa altura, com três pontos a distanciar o 1.º do 3.º classificado).
No total dos seis desafios que U. Tomar, Amiense e Fazendense terão ainda de enfrentar, resultará uma de entre 729 (3 x 3 x 3 x 3 x 3 x 3) combinações de desfechos possíveis.
Numa análise meramente estatística – sem atender às dificuldades específicas de cada jogo – teremos as seguintes probabilidades de qualquer equipa vir a ser Campeã: 43% para o U. Tomar (316 combinações favoráveis); 32% para o Amiense (234); 25% para o Fazendense (179).
No que respeita às probabilidades (estatísticas, portanto, teóricas) de terminar no 2.º lugar (posição que confere acesso à Taça de Portugal), as hipóteses são, agora, similares; em torno de 1/3 para cada um dos três clubes: 36% para o Amiense; 32% para o U. Tomar e o Fazendense.
O U. Tomar terá, pois, cerca de 75% de probabilidades de ficar num dos dois primeiros lugares; sendo que o Fazendense tem, agora, 75% de hipóteses de não ser Campeão. O Amiense regista probabilidades idênticas de terminar o campeonato no 1.º (32%), 2.º (36%) ou 3.º lugar (32%).
Procurando passar algo mais ao concreto: os três candidatos têm, nesta penúltima ronda, saídas de relativo grau de dificuldade: o U. Tomar desloca-se a Salvaterra de Magos, para defrontar o tranquilo Salvaterrense (7.º); o Amiense visita Abrantes, onde encontrará um Abrantes e Benfica possivelmente ainda a lamentar ter deixado escapar a presença na final da Taça; o Fazendense viaja até Ourém, jogando ante o At. Ouriense, que vem de surpreender em Tomar.
O União, mesmo tendo sido desfeiteado na jornada anterior, beneficia da possibilidade de uma “vida extra” (proporcionada pelo triunfo do Ferreira do Zêzere nas Fazendas de Almeirim), que não pode desperdiçar, continuando a ser o único a depender exclusivamente de si próprio, mas não dispondo de qualquer margem de erro, necessitando, pois, de ganhar os seus dois jogos.
Na II Divisão Distrital, no arranque da segunda volta da fase final, de apuramento de Campeão e de promoção, destaca-se o Forense-Riachense; mas Moçarriense (recebendo o Espinheirense) e Tramagal (deslocação ao terreno do Vasco da Gama) terão também de aplicar-se para vencer.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 28ª Jornada

(“O Templário”, 04.05.2023)
Há uma semana aqui tinha deixado escrito que seria uma possibilidade “remota” a de o Amiense vir ainda a chegar ao título. Pois, no futebol como na vida, num ápice tudo pode mudar – mea-culpa, que com os anos que levo a acompanhar o futebol, já vi ocorrer tantas improbabilidades, que, de facto, não deverá nunca, antecipadamente, excluir-se qualquer cenário.
De facto, o conjugar de resultados da antepenúltima ronda, com os candidatos ao título, U. Tomar e Fazendense, a serem, ambos, assaz inesperadamente, derrotados em casa, fez com que a turma de Amiais de Baixo tivesse recuperado, face a cada um desses dois rivais, cinco pontos de atraso em apenas dois jogos, tendo, sensacionalmente, igualado os unionistas no comando!
Subsiste, por ora, a questão de o Amiense ter desvantagem no confronto directo, o que, não obstante o “choque” com o desaire caseiro sofrido, proporciona ao U. Tomar como que uma “vida extra”, tendo mantido – mercê da derrota imposta pelo Ferreira do Zêzere nas Fazendas – a liderança do campeonato, e a posição privilegiada, de ser o único a continuar a depender só de si.
Fazendo um “ponto de ordem”: U. Tomar (dispondo este, como referido, de vantagem no critério de desempate, mercê de goleada por 4-0) e Amiense partilham agora o topo da classificação, ambos com 62 pontos, tendo-se visto o Fazendense – após 17 jornadas consecutivas em que ocupara uma das duas primeiras posições – relegado para o 3.º lugar, somente um ponto abaixo!
Destaques – Comecemos, então, por dar o devido relevo ao excelente campeonato que o Amiense vem realizando, sendo o clube com menos derrotas na competição (apenas quatro, das quais três na primeira volta). Recebendo o 5.º classificado, Mação, não vacilou, impondo-se por seguro 2-0, somando terceiro triunfo sucessivo (sexto, nas últimas sete jornadas).
Tendo apenas o 8.º ataque mais concretizador da prova, mas a segunda defesa menos batida, a formação dos Amiais beneficia de um excepcional grau de conversão dos seus golos (44) em pontos (62) – por exemplo, o U. Tomar regista uma paridade perfeita (62 golos vs. 62 pontos).
Num Domingo marcado por uma anormal propensão para resultados favoráveis aos visitantes (o Amiense foi, justamente, o único visitado a vencer), constituiu também destaque maior o triunfo averbado pelo Ferreira do Zêzere no reduto do Fazendense (repetindo o êxito da primeira volta), mercê de um solitário tento, nos últimos minutos da primeira parte, o suficiente para que os ferreirenses possam, enfim, sossegar, agora com a permanência já matematicamente garantida.
De sensação foi também o desfecho da partida entre o Alcanenense e o Cartaxo, com os cartaxeiros a ganhar por 2-1, ficando em posição muito favorável para garantir igualmente a manutenção, necessitando apenas mais um ponto – sendo que, não obstante, terão um embate crucial na próxima jornada, recebendo o Benavente, o rival directo nessa disputa (uma destas duas equipas será despromovida), necessitando os benaventenses de recuperar seis pontos de atraso.
O que, a avaliar pelo desfecho da passada semana, parece (com todas as reservas necessárias nas circunstâncias…) um cenário pouco “plausível”, atendendo à forma inequívoca como o Benavente foi desfeiteado no seu terreno, perdendo por 0-3 com o absolutamente tranquilo Torres Novas, que, ascendeu, entretanto, a um notável 8.º posto (para além da deslocação ao Cartaxo, o Benavente terá, na derradeira ronda, o “derby” municipal, enfrentando o Samora Correia).
Surpresa – Foi fértil em surpresas a 28.ª jornada, mas – para além dos triunfos já objecto de realce, averbados por Ferreira do Zêzere, Cartaxo e, em certa medida, até no caso do Torres Novas – o desfecho mais imprevisível foi a derrota caseira sofrida pelo U. Tomar ante o At. Ouriense, modesto 10.º classificado, que vinha de uma difícil vitória (por tangencial 3-2) ante o “lanterna vermelha”, tendo, no início do mês de Abril, sido goleado, no seu terreno, por 2-7, pelo Fátima…
Até ao passado Domingo o União tinha um fantástico registo de 18 vitórias em 18 jogos (!) face a todos os (dez) clubes classificados abaixo do 6.º lugar deste campeonato. Um desempenho “perfeito”, irremediavelmente “manchado” por esta derrota, num dia em que “tudo saiu mal”.
Os tomarenses quase entraram a perder, começando por ser surpreendidos com o tento adversário, logo aos onze minutos. Tendo demorado a “reentrar no jogo”, conseguiriam, ainda assim, empatar pouco depois da meia hora. Praticamente à meia hora, mas do segundo tempo, o U. Tomar operaria a reviravolta no marcador (num livre superiormente apontado por Wemerson Silva), chegando ao 2-1, pensando-se que o mais difícil estaria feito.
Porém, apenas quatro minutos volvidos, também na conversão de um livre, o conjunto de Ourém restabelecia a igualdade. Faltava ainda algum tempo (cerca de um quarto de hora, mais o período de compensação), mas, contra todas as expectativas, acabaria por ser o At. Ouriense a chegar ao golo da vitória (3-2)… ao minuto 93. Desta feita a “estrelinha” nada quis com os unionistas.
Pela positiva fica uma nota, ainda assim de grande relevância: se faltavam três vitórias para o título, passaram a faltar, agora, “apenas” duas… nos dois desafios que resta disputar, em Salvaterra de Magos e, em Tomar, ante o Mação. Tudo continua, pois, “nas mãos” do União.
Confirmações – O Águias de Alpiarça, recebendo o Samora Correia, somou nona derrota consecutiva, tendo perdido por 1-2, um registo muito negativo, que, inevitavelmente, ditou já, em termos matemáticos, a sua despromoção ao escalão secundário.
Os alpiarcenses acompanham, pois, o Entroncamento AC, também desfeiteado em casa, pelo Salvaterrense, pela mesma marca (1-2) – restando apurar o terceiro emblema a despromover.
Fátima e Abrantes e Benfica, aspirantes à final da Taça do Ribatejo – com a teórica vantagem de, na 1.ª mão das meias-finais, terem, ambos, empatado em terreno alheio – protagonizaram um empolgante embate, culminando na repartição de pontos, fruto de um certamente “entretido” 3-3.
II Divisão Distrital – A fase final da competição tem sido marcada, após a realização das suas quatro primeiras rondas (de um total de dez) por uma imprevista sucessão de goleadas, outra vez com o Tramagal em grande evidência (ganhando por 6-1 no terreno do Espinheirense), enquanto o Forense respondia à derrota da semana anterior, com um triunfo por 5-1 ante o Vasco da Gama.
Não tendo Riachense e Moçarriense desfeito o nulo, o Tramagal e o Forense repartem a liderança, com mais dois pontos que o grupo dos Riachos, estando a turma da Moçarria um ponto abaixo.
Antevisão – Neste fim-de-semana o Distrital da I Divisão dá lugar à 2.ª mão das meias-finais da Taça, com a disputa das partidas: Abrantes e Benfica-Torres Novas; e Fátima-Alcanenense.
Na II Divisão destacam-se os encontros: Tramagal- Riachense; e Moçarriense-Forense.
A fechar este artigo, aqui deixo o muito merecido destaque, extra-futebol, à fantástica proeza do Sporting de Tomar, sagrando-se vencedor da Taça de Portugal em Hóquei em Patins – depois de, nas meias-finais, ter batido categoricamente o Campeão nacional em título e anterior detentor do troféu, FC Porto, impondo-se, na Final, ao Sporting –, no que constitui, não só a mais brilhante página da centenária história do clube, como um feito sem superação a nível do desporto tomarense. Um justo prémio para todos (atletas, técnicos e dirigentes) por tantos anos de esforços.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 27ª Jornada

(“O Templário”, 27.04.2023)
Do “decisivo” embate entre os dois primeiros classificados resultou o… adiar da decisão. Nessa “quase final”, entre Fazendense e U. Tomar, a ter havido um vencedor, qualquer que fosse, ficaria em posição muito privilegiada para vir a conquistar o tão almejado título de Campeão Distrital.
Assim, face à igualdade verificada, ficam, ambos os contendores, com três “finais” pela frente, nas três rondas que subsistem por disputar: o União, mantendo a liderança, volta a ser o único clube a depender de si próprio, sendo que três vitórias lhe garantirão tal título (aliás, muito possivelmente, bastar-lhe-á registar os mesmos desfechos que o adversário vier a obter); mas, se o Fazendense conseguir somar um único ponto a mais, que seja, acabará por ter a primazia.
Até ao termo do campeonato, quer os unionistas, quer o grupo das Fazendas, terão dois jogos em casa e apenas um fora: os tomarenses começam pela recepção ao At. Ouriense, deslocando-se de seguida a Salvaterra de Magos, finalizando a prova recebendo o Mação; já o Fazendense terá a visita do Ferreira do Zêzere, desloca-se a Ourém, e conclui com a recepção ao Salvaterrense.
Para além de se verificar a curiosidade de dois adversários comuns – ao longo de praticamente toda a época, o Fazendense encontra sempre a equipa que, na jornada precedente, defrontou o U. Tomar –, nesta equação da disputa do título poderá ainda vir a ter uma palavra a dizer o Amiense, que, prosseguindo a brilhante campanha que vem realizando, aproveitou para encurtar distâncias.
Afigura-se, ainda assim, uma possibilidade remota, uma vez que, tendo agora dois pontos de atraso do Fazendense, e três face ao U. Tomar, teria desvantagem no confronto directo perante qualquer deles (diferença desfavorável de 14 golos, no “score” global, em relação ao grupo das Fazendas), assim como num cenário de eventual igualdade pontual entre os três emblemas.
Destaques – Todas as atenções estavam focadas, na 27.ª jornada, no prélio disputado nas Fazendas de Almeirim, entre o vice-líder e o líder, com grande afluência de público, afecto às duas equipas, a dar uma cor especial ao espectáculo. E, começando precisamente por aí, é grato registar e enaltecer a correcção com que os adeptos visitados acolheram os visitantes, inclusivamente perante um desfecho da partida que não foi o que pretenderiam para as suas cores.
Como foi o desafio? O União teve muito boa entrada, começando por estar “por cima” no jogo, com maior posse de bola, denotando confiança, porém, sem ter criado oportunidades junto da baliza contrária. A partir de meio do primeiro tempo o Fazendense conseguiria equilibrar a toada do encontro, procurando explorar os lances de bola parada, tendo logo uma primeira ocasião de muito perigo, a que os tomarenses ripostariam de pronto, ainda nos 25 minutos iniciais, com os dois guarda-redes, de ambos os lados, a mostrar reflexos apurados.
No decurso da primeira parte, de assinalar ainda o forte susto sofrido pelos nabantinos, cerca dos 40 minutos (bola a esbarrar com estrondo na trave, com o guardião unionista a negar o golo na recarga), e, mesmo a encerrar, outro livre em zona perigosa, mas sem consequências.
Na segunda metade o Fazendense, ciente da “conveniência” de ganhar este crucial encontro, assumiria mais a iniciativa. Essas investidas acabariam por frutificar com a conquista, aos 73 minutos, de uma grande penalidade, de cuja conversão decorreria o tento dos homens da casa.
O técnico tomarense, Marco Marques, foi lesto a reagir, arriscando de imediato, trocando um defesa central e um defesa lateral, por um médio e um avançado (Guilherme Nunes), que viria, sete minutos volvidos – somente quatro minutos após ter entrado em campo –, a ter influência determinante, tendo sido o autor do remate que, depois de ressaltar num defesa contrário, resultou no tento do empate. Tal como sucedera na ronda anterior, com Guilherme Camargo (que entrara a três minutos do final), autor do golo da vitória ante o Ferreira, o União voltava a ter “estrelinha”.
Até ao fim, nos dez minutos de tempo regulamentar, mais os dez minutos de período de compensação, seria necessário sofrer bastante, perante a intensa pressão exercida pelo Fazendense, empurrando o União para o seu sector mais recuado – tendo, não obstante, esboçado ainda um par de contra-ataques –, mas sem que qualquer das turmas tivesse conseguido alterar o “placard”, com nota de realce para intervenções determinantes do guardião Ivo Cristo.
O U. Tomar saiu das Fazendas como líder – festejou, junto dos seus adeptos, tal condição –, mas nada está decidido, tendo ainda muito trabalho pela frente, para poder concretizar o seu objectivo.
Conforme aludido, o Amiense continua em muito bom plano (cinco vitórias nos últimos seis jogos), tendo ido ganhar a Salvaterra de Magos por 2-0… mantendo-se “à espreita”, nada tendo já a perder, dado que, no mínimo, garantiu já um notável 3.º lugar.
Desta ronda fica ainda a confirmação “matemática” da despromoção do Entroncamento AC (derrotado por tangencial 3-2 em Ourém) à II Divisão Distrital, o que, em paralelo, permite garantir, desde logo, a permanência do At. Ouriense no escalão principal.
O mesmo se aplica (manutenção já garantida) ao Abrantes e Benfica, que – depois de uma longa e difícil de compreender fase negativa de resultados – conseguiu “dar a volta”, tendo somado quarta vitória consecutiva (sexta, contando com os jogos da Taça), derrotando, curiosamente pela mesma marca (3-2), o “aflito” Benavente, o qual voltou a cair abaixo da “linha de água”.
E isso, porque noutro desafio de cariz determinante na luta pela manutenção, o Cartaxo se impôs por categórico 3-0 ao Águias de Alpiarça – conjunto que, tendo somado oitavo desaire consecutivo, sem conseguir ganhar há 13 longas jornadas, parece também encaminhar-se a passos largos para a descida (passou a distar quatro pontos do seu adversário desta ronda).
Um desfecho também muito importante foi o alcançado pelo Ferreira do Zêzere, derrotando o Samora Correia por 3-1 (apenas o segundo triunfo ferreirense na segunda volta), a ampliar para sete pontos a sua agora já “confortável” margem de segurança face à zona de despromoção.
Confirmações – Torres Novas e Alcanenense confirmaram que estão, ambos, já mais “com a cabeça na Taça” que no campeonato, não tendo desfeito o nulo na partida que disputaram.
O mesmo se poderá dizer do Fátima, que acabou por ser batido em Mação, por tangencial 1-0, devido a um tento sofrido já no termo do período de compensação do desafio.
II Divisão Distrital – Depois de disputadas apenas as primeiras três rondas (de um total de dez) nesta fase final parece haver quatro candidatos… a três lugares de promoção ao escalão principal.
O Tramagal esteve em grande evidência, goleando o anterior guia isolado, Forense, por 5-1. Os tramagalenses repartem agora o comando com esse rival e com o Riachense, vencedor (por muito renhido 4-3, com o golo decisivo apontado já na compensação) frente ao Espinheirense. Segue-se, apenas a um ponto (cinco, face a seis pontos do trio da frente), o Moçarriense, que deixou escapar vantagem de dois tentos no reduto do Vasco da Gama, acabando por empatar a duas bolas.
Antevisão – Após a disputa da 1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, no feriado de 25 de Abril, as atenções voltam a estar concentradas no campeonato, necessariamente, no Fazendense-Ferreira do Zêzere e no U. Tomar-At. Ouriense, dispondo os candidatos ao título de maior favoritismo. Por seu turno o Amiense recebe um adversário difícil, Mação (em luta pelo 5.º lugar).
Na II Divisão destaca-se o embate Riachense-Moçarriense, tal como o Espinheirense-Tramagal.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 27 de Abril de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada

(“O Templário”, 20.04.2023)
Tendo o jogo do Fazendense, no Entroncamento, terminado antes, a equipa almeirinense chegou, por escassos minutos, a arrebatar (virtualmente) o comando do campeonato… até que, já para lá dos seis minutos de tempo de compensação inicialmente determinado pelo árbitro, o U. Tomar conseguiria ainda – no derradeiro lance do desafio – resgatar a posição de liderança (que mantém já há 14 jornadas), “arrancando a ferros” uma muito sofrida vitória ante o Ferreira do Zêzere.
Um desfecho que não deixará de ter influência na forma como as equipas abordarão a “quase final” de Sábado, nas Fazendas, dado estabelecer quem entrará em campo em vantagem pontual.
Destaques – A primeira nota de realce da 26.ª jornada vai para o concludente triunfo (3-0) do Abrantes e Benfica no reduto do 4.º classificado, Alcanenense, a conferir aos abrantinos, enfim, uma situação de tranquilidade (quase garantida) para o que resta disputar do campeonato, tendo ampliado para sete pontos a vantagem face à “linha de água”. Somando quinta vitória consecutiva (incluindo duas para a Taça), é caso para perguntar: “por onde andava” este Abrantes?
Em evidência esteve ainda o Benavente, ganhando pela segunda vez nas três últimas rondas, mercê de um solitário tento, o bastante para se impor a uma já algo em descompressão turma do Mação. Os benaventenses conseguiram voltar acima de tal linha delimitadora da zona de descida, pese embora em igualdade pontual com o Cartaxo, onde terão de se deslocar na penúltima ronda.
Destaca-se igualmente o retorno do Torres Novas às vitórias, tendo ido a Alpiarça bater o grupo local por 3-1, o que permite aos torrejanos isolar-se no 9.º lugar, mas, mais importante, a garantia matemática da permanência, com quatro jornadas por disputar. Pior ficou ainda o Águias, sem ganhar há 12 partidas, tendo somado sétimo desaire sucessivo, pese embora continue somente a um ponto do par formado por Benavente e Cartaxo, visitando este último no próximo Sábado.
Confirmações – À parte a amplitude da vitória abrantina em Alcanena, não houve, na jornada do passado fim-de-semana, outras surpresas… mas esteve muito prestes de suceder uma.
Em Tomar, o União começou por reclamar, logo ao fim do primeiro minuto, uma grande penalidade, não assinalada pelo árbitro, para, aos quatro minutos, se ver em desvantagem, devido a um tento apontado por Tiago Vieira… que é também um dos melhores marcadores (6.º em termos históricos; 2.º na última década) ao serviço do clube.
Defrontando um adversário bem organizado, sempre a ameaçar perigo, os unionistas, tendo, naturalmente, assumido a iniciativa do jogo, mostrar-se-iam demasiado perdulários, não tendo, até final do primeiro tempo, concretizado nenhuma das ocasiões de que dispuseram para marcar.
Praticamente a abrir a segunda metade, aproveitando uma falha defensiva, os tomarenses conseguiriam, enfim, restabelecer a igualdade. No decurso do tempo restante da partida, pressionando sempre, parecia ir faltando aos visitados a serenidade necessária para, inclusivamente, tirar partido de alguma menor frescura física do rival, quando, ao 97.º minuto, no “derradeiro suspiro” do jogo, acabariam por ter a fortuna de chegar à vitória, por tangencial 2-1.
Um tento muito contestado pelos ferreirenses (supostamente por eventual contacto com o braço, numa jogada bastante confusa), mas num desafio em que ficaram também dúvidas em dois outros lances, que os nabantinos alegaram ser susceptíveis de possível “penalty”, não sancionados.
Bem mais tranquila foi a forma como o Fazendense se “desembaraçou” do Entroncamento AC, indo ganhar, ao terreno do adversário (praticamente despromovido), por 2-0, na preparação para a recepção ao líder, num desafio que se afigura poder ser crucial para a decisão deste campeonato.
O Amiense confirmou também o seu favoritismo, na recepção ao At. Ouriense, mas, tal como em Tomar, apenas após o minuto 90 conseguiria chegar à vitória, igualmente por 2-1.
O Fátima continua a dar sinais de pujança nesta fase final da temporada, impondo-se por categórico 3-0 frente ao Salvaterrense, estando agora, por curiosidade, estas duas equipas igualadas pontualmente, repartindo o 7.º e 8.º lugares.
O Samora Correia bateu, com imprevista “facilidade”, o Cartaxo, por 4-1, com os samorenses a retomar a 5.ª posição (tendo ultrapassado o Mação), enquanto os cartaxeiros se vêem, outra vez, relegados para zona de despromoção (empatados com o Benavente) – a quatro pontos do Ferreira.
II Divisão Distrital – Após a disputa da 2.ª ronda da fase final, uma única equipa subsiste 100% vitoriosa, a do Forense, que, ademais, goleou o Espinheirense, por 4-0.
O Moçarriense, batendo o Tramagal por disputado 3-2, ascendeu à vice-liderança, com quatro pontos. Os tramagalenses viram-se, assim, igualados no 3.º posto pelo Riachense, vencedor no terreno do Vasco da Gama (que somou segundo desaire), por 2-1.
Campeonato de Portugal – Tal como aqui alvitrara na passada semana, o U. Santarém acabou mesmo – na derradeira ronda – por ser “desapossado” da posição de líder, caindo, aliás, para o 3.ª posto, ficando, pois, arredado da fase final, de disputa da promoção à “Liga 3” – na qual participarão os seguintes oito emblemas: Vianense, Amarante, Salgueiros e Lusitânia de Lourosa (Zona Norte); 1.º Dezembro, Pêro Pinheiro, Atlético e Lusitano de Évora (Zona Sul).
Folgando – devido à desclassificação do Rio Maior SC – os escalabitanos estavam dependentes dos resultados dos rivais do município de Sintra: necessitavam que o Pêro Pinheiro (2.º) perdesse em Mortágua; ou que o 1.º Dezembro (3.º à entrada para esta ronda) não ganhasse ao Coruchense.
Pois, não só o grupo do Sorraia não conseguiu dar qualquer “ajuda”, tendo sido derrotado por 2-1, como o Pêro Pinheiro empatou (1-1) em Mortágua. Assim, na tabela final desta primeira fase, o 1.º Dezembro saltou do 3.º para o 1.º lugar (50 pontos), por troca com o U. Santarém (48 pontos, terminando numa inglória 3.ª posição), enquanto o Pêro Pinheiro (49 pontos) manteve o 2.º lugar.
Pior ficou o Coruchense (9.º posto, apenas com 30 pontos, em igualdade pontual com o União da Serra) primeiro dos seis clubes despromovidos aos Distritais – para além destes dois, também o Loures, Arronches e Benfica, Alcains, assim como o desclassificado Rio Maior SC.
Uma época que se salda por um balanço bastante negativo para os três representantes do Distrito, nenhum deles tendo alcançado os objectivos a que se propunham no início da temporada.
Antevisão – Este Sábado temos o que se perfila como “jogo do título”, nas Fazendas de Almeirim, com Fazendense e U. Tomar separados por um único ponto, com vantagem dos unionistas, sendo que a turma da casa poderá vir a ter a seu favor o facto de ter vencido em Tomar (2-1).
Na divisão secundária, destaca-se o embate entre Tramagal e Forense, parecendo o Moçarriense favorito na deslocação ao campo do Vasco da Gama; recebendo o Riachense o Espinheirense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 20 de Abril de 2023)



