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O Pulsar do Campeonato – Taça de Portugal – 1ª eliminatória

(“O Templário”, 14.09.2023)
13-0, 10-0, 8-0, 0-7, 6-0, 0-5, foram alguns dos resultados dos jogos da 1.ª eliminatória da Taça de Portugal da época de 2023-24, em desafios tão desnivelados que colocam bem em evidência o diferencial entre clubes estruturados para a disputa de competições de âmbito nacional (Liga 3 e Campeonato de Portugal) e os que militam em provas de cariz regional.
Do total de 32 representantes dos Distritais que disputaram esta jornada inicial da Taça, vinte defrontaram adversários de escalão superior (cinco da Liga 3 e quinze do Campeonato de Portugal), apenas um deles – o Olivais e Moscavide – conseguindo evitar a eliminação, ao vencer (2-1), em terreno alheio, o Real; sendo que vários outros sofreram tais inclementes goleadas.
Tinham ido a sorteio, na ronda de abertura, 112 clubes (18 da Liga 3 – excluindo as equipas “B”, de Sporting e Sp. Braga; 53 do Campeonato de Portugal – excluindo também as equipas “B”, de Alverca, Marítimo e V. Guimarães; e 41 dos Distritais), tendo ficado isentos 40 emblemas (entre eles, o U. Tomar, tal como Atlético, Barreirense, Oriental, Sp. Covilhã, Tirsense ou V. Setúbal).
Destaques – Para além da referida proeza do Olivais e Moscavide, registou-se apenas um outro “tomba-gigantes”, com o Limianos (Campeonato de Portugal) a superar, no desempate da marca de grande penalidade, o Varzim (Liga 3), depois de igualdade a duas bolas, após prolongamento.
As equipas do Alqueidão da Serra, Castrense, Quarteirense, Pombal, Tocha e U. Micaelense foram os outros seis representantes dos Distritais a seguir em frente (juntando-se aos nove clubes de tal divisão que tinham ficado isentos), tendo afastado rivais da sua igualha (idêntico escalão).
Nos três embates entre clubes da Liga 3, Felgueiras, Pêro Pinheiro – próximo adversário dos unionistas – e Sanjoanense impuseram-se, respectivamente, a Fafe, Caldas e Anadia, por curiosidade em partidas que terminaram empatadas no final dos 90 minutos, tendo duas sido decididas da marca de “penalty”, só os felgueirenses tendo desfeito o empate no prolongamento.
Nos cinco confrontos entre equipas que militam no Campeonato de Portugal, destaca-se a eliminação do histórico Beira-Mar, já vencedor da prova, em 1998-99, agora derrotado, por 1-3, pelo Florgrade, de Cortegraça, recente Campeão Distrital de… Aveiro. No reencontro entre Peniche e Marinhense (depois de se terem defrontado, para o campeonato, duas semanas antes), manteve-se o 0-0 até final dos 90 minutos, subsistindo o empate (1-1) após prolongamento, acabando os homens da casa por ser mais eficazes no desempate da marca de grande penalidade.
Por seu lado, no “derby” de Coimbra, o União 1919 resistiu ao superior poderio da Académica (Liga 3), mantendo o nulo até ao final do tempo regulamentar, vindo a soçobrar no prolongamento, já em inferioridade numérica, tendo a briosa acabado por ganhar por 3-0.
Confirmações – Recuperemos então a “história” das goleadas, em que os deveras expressivos números “falam por si”, com os clubes dos Distritais impotentes para opor resistência a quatro adversários da Liga 3 – 13-0 no Alverca-Gavionenses; 10-0 no Lusitânia Lourosa-Régua; 8-0 no Amora-V. Pico; e 0-5 no Fornos Algodres-O. Hospital – e a dois do Campeonato de Portugal, com 6-0 no U. Santarém-Proença-a-Nova; e 0-7 no Amiense-Benfica e Castelo Branco.
Tal como sucedera na última época, dos (três) representantes do Distrito de Santarém que disputaram a 1.ª eliminatória, apenas o U. Santarém – uma das equipas vitoriosas com goleada – garantiu o apuramento para a ronda seguinte (a par do U. Tomar, como antes referido, isento).
O Torres Novas (vencedor da Taça do Ribatejo), jogando em reduto alheio, ofereceu boa réplica face ao Alqueidão da Serra (3.º no Distrital de Leiria), tendo chegado a dispor de vantagem de dois tentos, acabando, contudo, por consentir o empate (2-2) que se registava no final dos 90 minutos, vindo ainda a sofrer o golo que ditou o 3-2 no derradeiro minuto do prolongamento.
Já no que respeita ao desfecho da partida de Amiais de Baixo, com o grupo da casa – recente vice-campeão distrital, em igualdade pontual com o Campeão – a ser goleado por 0-7 (0-4 ao intervalo) por conjunto que milita no escalão imediatamente acima, tal será de molde a suscitar reflexão. O Amiense confirmou, aliás, forte “aversão” a desafios com os albicastrenses, que, por curiosidade, tinham também já goleado, em Castelo Branco, por 9-0, há oito anos, igualmente para a Taça.
Apuraram-se nove clubes da Liga 3 (mais cinco que tinham ficado isentos no sorteio), vinte do Campeonato de Portugal (mais os 26 isentos) e sete do Distrital (mais nove isentos); aos quais se juntarão, na 2.ª eliminatória da Taça de Portugal, 16 equipas da II Liga. Como indicado, o U. Tomar será anfitrião do Pêro Pinheiro (Liga 3), enquanto o U. Santarém se deslocará ao Minho, para defrontar o Dumiense (turma também integrada no Campeonato de Portugal).
Antevisão – Neste fim-de-semana está de regresso o Campeonato de Portugal, já na sua 4.ª jornada, realçando-se os desafios: Marinhense (1.º) – U. Santarém (por ora, no 10.º posto); Lusitânia (13.º) – Sertanense (2.ª posição, depois de, no passado Domingo, em desafio que tinha ficado em atraso, ter derrotado o Rabo de Peixe, por 3-2); e B. C. Branco (6.º) – Alverca “B” (4.º).
Por seu lado, o U. Tomar (7.º classificado) viaja até à Serra da Estrela, para defrontar o Gouveia, nesta altura, no antepenúltimo posto (integrando um quarteto em igualdade pontual, que se posiciona entre o 9.º e 12.º lugares), pese embora um único ponto abaixo dos nabantinos.
Arranca também mais uma edição do Distrital da I Divisão – na centésima temporada de competições da Associação de Futebol de Santarém –, numa época que promete ser empolgante, com vários concorrentes com aspirações aos lugares cimeiros, com destaque, em especial, para Ferreira do Zêzere, Fátima e Fazendense, com Amiense e Mação também na luta, e Alcanenense e o recém-despromovido Coruchense a apostarem em formações repletas de juventude.
Na primeira jornada, destacam-se as seguintes partidas: logo a abrir o apetite, um entusiasmante Fazendense-Fátima, entre candidatos; por seu lado, o Ferreira do Zêzere terá a visita do Torres Novas, dois conjuntos que se conhecem bastante bem; o Mação recebe o recente Campeão do escalão secundário, Moçarriense; cabendo ao Coruchense deslocar-se ao terreno de outro promovido, o Vasco da Gama. Por curiosidade, nos Amiais de Baixo, cruzam-se os vice-campeões da I e da II Divisão Distrital da época finda, respectivamente, Amiense e Forense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Setembro de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 3ª Jornada

(“O Templário”, 07.09.2023)
A precedente vitória do U. Tomar em campeonatos nacionais ocorrera no já distante dia 3 de Fevereiro de 2002, na recepção ao Teixosense, em partida a contar para a 20.ª jornada da III Divisão. Mais de vinte anos passados, na sua estreia, em Tomar, no Campeonato de Portugal, o União voltou a vencer, ao segundo jogo que disputa na presente temporada.
A atestar a “anormalidade” do registo de seis golos da ronda anterior, foram marcados, nesta 3.ª jornada, 16 tentos, tantos como no dia de arranque da prova – sendo que, em cada um dos três fins-de-semana decorridos, sempre houve um jogo adiado, tendo sido disputados seis encontros.
Destaques – A primeira nota de realce vai, pois, para o triunfo do U. Tomar, frente ao V. Sernache, fruto de um solitário golo, apontado por Siaka Bamba, à passagem dos dez minutos. Por curiosidade, o costa-marfinense, centro-campista – que, aliás, na última época, por várias vezes alinhou como defesa central –, foi o autor de todos os últimos quatro tentos unionistas, obtidos nos três jogos oficiais disputados pelo clube desde que, a 21 de Maio, se sagrou Campeão Distrital.
Após um desfecho desfavorável no desafio inaugural, em Coimbra, mas tendo deixado bons sinais, a turma nabantina abordou este primeiro encontro no seu reduto de forma personalizada, assumindo a iniciativa, empurrando o adversário para o seu sector defensivo.
E, ainda cedo, seria feliz: na sequência de um pontapé de canto, surgiu Siaka Bamba, a desviar de cabeça, para o fundo da baliza, fazendo o que acabaria por ser o único golo da partida, proporcionando ao emblema rubro-negro somar os seus primeiros (e tão importantes) três pontos.
Durante a primeira parte os tomarenses mantiveram maior ascendente. Para a segunda metade, após alterações tácticas, a equipa do V. Sernache surgiria mais afoita, porém revelando pechas na finalização. Na parte final do confronto, o grupo unionista teria de cerrar fileiras, defendendo, de forma solidária, a escassa mas preciosa vantagem, que conseguiria preservar até final.
Uma vitória muito importante, não só em termos aritméticos, da tabela classificativa, mas, principalmente, pelo efeito anímico, reforçando o nível de confiança da equipa, que vem mostrando capacidade competitiva neste escalão, mesmo que, até agora, tenha defrontado dois clubes recém-promovidos, os Campeões Distritais de Coimbra e de Castelo Branco.
Em destaque esteve também, precisamente, o Benfica e Castelo Branco, a impor-se no terreno do Mortágua, ganhando por 2-1, com a particularidade de os dois tentos terem sido alcançados na conversão de grandes penalidades, que lhe conferiram importante vantagem, de 2-0, no final do primeiro tempo. Foi também a estreia dos albicastrenses a ganhar nesta edição da prova.
Por seu lado, o líder, Marinhense, cedeu os primeiros pontos, empatando a uma bola na Sertã, mas não deverá ter ficado descontente por completo, dado que fora o Sertanense a inaugurar o marcador, logo aos doze minutos, tendo o conjunto da Marinha Grande restabelecido a igualdade logo no reatar da partida, após o intervalo.
Dos cinco clubes que, à 2.ª jornada, somavam dois empates, apenas um deles saiu vitorioso, tendo todos os restantes (V. Sernache, Mortágua, Gouveia e U. Santarém) sido desfeiteados na 3.ª ronda. A jovem equipa “B” do Alverca, recebendo justamente o Gouveia (que surpreendera pela positiva, ao ir pontuar a Santarém), ganhou por 3-1, tendo operado reviravolta no marcador, com o seu avançado, Rodrigo Freitas, em especial evidência, autor de um “hat-trick”.
Surpresa – Ao segundo jogo em casa, segunda surpresa negativa da parte do U. Santarém, batido por 0-1 pelo anterior “lanterna vermelha”, Peniche, com um tento apontado próximo da hora de jogo. A “procissão ainda vai no adro” mas os escalabitanos necessitam rectificar processos, de forma a sustentar as suas aspirações a lugares cimeiros.
Valer-lhes-á, como alguma forma de consolo, o facto de outro potencial candidato, o grupo do Fontinhas, ter passado, entretanto, a ocupar o último lugar da tabela, mas tendo um jogo em atraso, precisamente o referente a esta ronda, em que deverá receber o União 1919.
Confirmação – Na sequência da igualdade entre Marinhense e Sertanense – duas das equipas que tinham vencido os jogos até então realizados – a formação de Rabo de Peixe é agora a única que conta por triunfos os desafios disputados (apenas dois): tendo principiado por ir ganhar ao terreno do Fontinhas por 2-0, derrotou agora o outro clube dos Açores, o Lusitânia, por renhido 3-2.
Os visitantes começaram por surpreender, colocando-se em vantagem aos onze minutos, a qual, contudo, seria de curta duração, tendo os donos da casa empatado cinco minutos volvidos. Pouco depois do quarto de hora da segunda parte, mais dois tentos da turma de Rabo de Peixe pareciam garantir uma vitória tranquila; porém, com o 3-2, seria necessário manter a concentração até final.
Após a realização das três primeiras jornadas – sendo que são, nesta altura, seis os clubes com um jogo em atraso – o Marinhense lidera com sete pontos, um mais que o Rabo de Peixe, estando o Alverca “B” um degrau abaixo, seguindo-se um trio, formado por Sertanense, União 1919 e Benfica e C. Branco, com quatro pontos. O U. Tomar (um dos emblemas com um jogo a menos), mercê do triunfo averbado, subiu até ao 7.º posto, que reparte com o Peniche (este com três jogos).
Antevisão – O Campeonato de Portugal sofre a sua primeira pausa, para disputa da 1.ª eliminatória da Taça de Portugal, fase da qual, por sorteio, os tomarenses ficaram isentos.
Nos desafios que envolvem clubes desta série C, destaca-se o curioso “derby” de Coimbra, entre Académica e União 1919. Assinala-se também a coincidência de Peniche e Marinhense se voltarem a defrontar, apenas duas semanas depois do encontro para o campeonato. O Fontinhas joga, uma vez mais, com uma equipa açoriana, o Flamengos, da cidade da Horta (ilha do Faial).
O U. Santarém receberá o Proença-a-Nova (representante do Distrital de Castelo Branco), sendo amplamente favorito a seguir em frente. Do embate entre Pêro Pinheiro e Caldas (ambos a disputar a Liga 3) sairá o adversário dos nabantinos na eliminatória seguinte.
Por seu lado, os representantes do Distrital de Santarém têm a seguinte agenda: o Amiense (vice-campeão distrital) terá a visita do Benfica e Castelo Branco; cabendo ao Torres Novas (vencedor da Taça do Ribatejo) deslocar-se ao reduto do Alqueidão da Serra (Distrital de Leiria).
O Campeonato de Portugal será retomado no fim-de-semana de 17 de Setembro, com o União de Tomar a ir de longada até à Serra da Estrela, para defrontar o Gouveia. Realce ainda, na 4.ª ronda, para o embate entre Marinhense e U. Santarém, enquanto o Rabo de Peixe visita o União 1919.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Setembro de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 2ª Jornada

(“O Templário”, 31.08.2023)
Um total de (apenas) seis golos nos seis desafios da 2.ª jornada do Campeonato de Portugal – três dos quais numa única partida – não tendo sido desfeito o nulo inicial em três outros encontros, é um indício expressivo do valor de cada golo, nesta fase inicial da temporada, numa competição que se antecipa venha a ser disputada ponto a ponto, com escassas diferenças entre os clubes.
Pena foi que o golo apontado pelo U. Tomar não se tenha acabado por materializar em ponto(s) – o que teria sido de grande relevância, em ordem a reforçar a tranquilidade e confiança da equipa –, dado a turma nabantina ter sofrido dois tentos em Coimbra, tendo, pois, perdido na sua estreia.
Tal como sucedera na ronda inicial, voltou a ser adiado o confronto que a equipa açoriana (no caso, o Rabo de Peixe) deveria ter disputado no continente (na Sertã, ante o Sertanense), pelo que temos, nesta altura, quatro clubes com apenas um jogo realizado, o que perturba a apropriada percepção sobre o escalonamento dos diversos concorrentes.
Destaques – Com quatro empates nos seis embates disputados, o principal destaque vai para a vitória – de certa forma expectável – do Marinhense na visita a Peniche, colocando frente-a-frente os dois representantes do Distrito de Leiria. Porém, tal triunfo, pela diferença mínima, apenas seria concretizado já em período de compensação, altura em os homens da Marinha Grande marcaram o solitário golo do desafio.
A outra equipa vencedora foi o União 1919, batendo o U. Tomar também por margem tangencial, de 2-1. Os conimbricenses inauguraram o marcador aos 34 minutos, tendo os tomarenses restabelecido a igualdade aos 66 minutos. Todavia, tal situação de equilíbrio perduraria por pouco tempo, tendo os visitados chegado ao golo da vitória a um quarto de hora do final da partida.
A formação nabantina apresentou sinais positivos, em especial durante a segunda metade, acabando por ser penalizada com o segundo tento sofrido “contra a corrente”.
Confirmações – Não se poderá considerar que tenha havido grandes surpresas, pelo que as igualdades registadas nos restantes quatro desafios confirmam a tendência de forte equilíbrio.
Começando pelo confronto entre dois candidatos aos lugares da frente, Benfica e Castelo e Branco e U. Santarém neutralizaram-se, não tendo conseguido chegar ao golo.
A zero ficou também o encontro entre clubes açorianos, com o Lusitânia a estrear-se com um empate na recepção ao Fontinhas (formação que vinha de um inesperado desaire caseiro ante o outro grupo dos Açores, de Rabo de Peixe).
O nulo subsistiu até final, igualmente, na partida entre V. Sernache e a equipa “B” do Alverca.
Pelo que o único empate com golos (1-1) se registou no jogo entre Gouveia e Mortágua. Ao contrário do que sucedera na primeira ronda, desta vez as duas equipas fizeram questão de resolver a contenda logo no quarto de hora inicial: os visitantes começaram por se colocar em vantagem aos 13 minutos, mas os donos da casa retorquiram de imediato, fixando o que viria a ser o resultado final apenas dois minutos volvidos.
Após as duas jornadas já realizadas, o Marinhense isolou-se na liderança, sendo o único clube a somar o pleno de seis pontos, seguido pelo União 1919 (quatro pontos). As turmas de Rabo de Peixe e do Sertanense ganharam o único jogo que disputaram até à data, contando três pontos.
Por outro lado, são nada menos de cinco os emblemas que empataram os dois jogos que realizaram: Gouveia, Mortágua, U. Santarém, V. Sernache e Alverca “B”. Dois dos favoritos, Benfica e Castelo Branco e Fontinhas obtiveram um único ponto. Só U. Tomar e Peniche ainda não pontuaram, sendo que os penichenses são os únicos já com dois desaires averbados.
Antevisão – Na 3.ª ronda do campeonato voltaremos a ter, neste fim-de-semana, apenas seis jogos, tendo sido adiado o encontro entre Fontinhas e União 1919.
E, à semelhança das duas primeiras jornadas, assinala-se mais um embate entre clubes dos Açores, cabendo ao Rabo de Peixe receber o Lusitânia.
O U. Tomar fará o seu primeiro desafio em casa, recebendo o vizinho V. Sernache, retomando um confronto que se realizara pela última vez em Março de 2002 (então a contar para o Nacional da III Divisão), o qual findara com um empolgante e “impróprio para cardíacos” 4-4 (com a singularidade de todos os oito tentos terem sido apontados praticamente na meia hora final)!
Em cinco partidas disputadas em Tomar, entre os dois emblemas, os unionistas apenas contam uma vitória, no ano 2000, tendo, então, goleado por categórica marca de 4-0. Para além disso, duas igualdades, e outros tantos triunfos do grupo de Cernache do Bonjardim.
Realce ainda para os embates Sertanense-Marinhense e Mortágua-Benfica e Castelo Branco, de prognóstico incerto, mesmo que os visitantes pareçam ter, em princípio, superiores argumentos. Por seu lado, o U. Santarém surge como favorito, recebendo a visita do Peniche.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 31 de Agosto de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – 1ª Jornada

(“O Templário”, 24.08.2023)
A ronda inaugural do Campeonato de Portugal pautou-se, no que à série C diz respeito, por uma forte toada de equilíbrio, tendo-se registado igualdades em metade dos desafios disputados, para além de dois desfechos tangenciais, um deles especialmente renhido, com um 4-3 no “placard” final, naquele que, à partida, seria já considerado como “jogo grande” da jornada.
Destaques – A primeira nota de realce vai para o desfecho do “clássico” açoriano, com o Fontinhas, clube recém-despromovido da Liga 3 – e, que, nessa condição, será considerado um dos candidatos aos lugares de topo deste campeonato (do qual, aliás, foi finalista há duas épocas) – a ser, algo surpreendentemente, derrotado em casa pela turma de Rabo de Peixe, por 2-0.
Mais adiante se poderá aquilatar melhor sobre o significado deste resultado, se o mesmo traduzirá apenas um percalço dos visitados, no âmbito de um embate sempre aberto, entre dois rivais açorianos, ou se terá de vir a considerar-se o grupo de Rabo de Peixe (que, na época precedente, fora já 4.º classificado, na sua série) como contendor com maiores ambições.
No outro jogo que suscitava maior interesse, em partida bastante animada, o Marinhense bateu o Benfica e Castelo Branco por estreita vantagem de 4-3; depois de a turma da Marinha Grande ter chegado ao intervalo em vantagem por 2-1, seriam ainda marcados, na segunda metade, mais dois golos por parte de cada uma das formações.
Surpresa – À parte o resultado do encontro entre os dois clubes dos Açores, a grande surpresa desta 1.ª jornada foi o empate (2-2) cedido pelo U. Santarém, na recepção ao Gouveia. E a surpresa poderia ter sido ainda maior, atendendo a que os forasteiros haviam chegado ao intervalo com vantagem de dois golos, não tendo os escalabitanos conseguido melhor do que recuperar tal diferencial, resgatando um ponto.
Confirmações – Numa fase ainda tão prematura da competição, em que se afigura bastante difícil poder dispor já de uma percepção sobre a real valia de cada um dos concorrentes, os restantes três encontros tiveram desfechos que se poderão considerar dentro das expectativas.
Para além do triunfo do Sertanense ante o Peniche, mercê de um solitário tento (apontado pouco depois da meia hora de jogo), nos outros dois jogos registaram-se outras tantas igualdades: 1-1 no Mortágua-V. Sernache (sendo que foram os visitantes a inaugurar o marcador, tendo chegado ao intervalo em vantagem); não tendo sido desfeito o nulo no confronto entre a equipa “B” do Alverca e o União 1919.
Como indicado na passada semana, o último jogo desta ronda, que deveria ter sido a estreia do União de Tomar neste escalão, recebendo o Lusitânia, foi adiado, para dia 15 de Outubro, devido ao facto de a equipa açoriana não ter tido a possibilidade de fazer a deslocação ao continente.
Por ora, na tabela classificativa, temos o Rabo de Peixe na liderança, somando três pontos, a par do Marinhense e do Sertanense. Segue-se um pelotão de seis clubes, todos com um ponto. Ou seja, do total de 14 equipas participantes, nove começaram já a pontuar, podendo este número vir a ser ainda ampliado até onze, em caso de eventual empate no desafio que ficou por disputar.
Anota-se, relativamente aos cinco recém-promovidos dos Distritais, que entraram já em acção, as igualdades averbadas em reduto alheio por parte de Gouveia, União 1919 e V. Sernache, tendo o Alverca “B” empatado também, mas, em casa; o único derrotado foi, pois, o Peniche.
É de recordar ainda que, dos 14 clubes que compõem cada uma das quatro séries, apenas os dois primeiros classificados se qualificam para a fase final, de promoção e apuramento de Campeão (a disputar em duas séries de quatro equipas cada), sendo que os cinco últimos de cada série serão automaticamente despromovidos aos regionais.
Antevisão – A 2.ª jornada, agendada para o fim-de-semana, marcará, enfim, a estreia absoluta do União de Tomar neste campeonato nacional, viajando até Coimbra, para um “reencontro” com o sucessor de um emblema “velho conhecido”.
Com efeito, o União 1919 sucedeu ao original União de Coimbra, adversário que os tomarenses haviam defrontado, na cidade do Mondego, em oito ocasiões (a última delas, no Nacional da III Divisão, na época de 1998-99), ali tendo vencido por duas vezes, empatando noutros dois jogos.
De entre os restantes seis jogos da ronda destaca-se outro embate entre clubes dos Açores, desta feita com o Lusitânia a receber o Fontinhas, assim como a partida que coloca frente a frente dois putativos candidatos, em Castelo Branco, com o Benfica local a ser visitado pelo U. Santarém.
Também nos Açores, o Rabo de Peixe defronta o Sertanense, num jogo entre dois dos clubes vitoriosos na jornada inicial. O outro vencedor, Marinhense, desloca-se a Peniche, num embate entre os dois representantes do Distrito de Leiria nesta competição.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Agosto de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Campeonato de Portugal – Apresentação dos clubes da Série C

(“O Templário”, 17.08.2023)
22 anos depois o União de Tomar está de regresso aos campeonatos nacionais, fazendo a sua estreia absoluta no “Campeonato de Portugal”, presentemente o 4.º escalão do futebol português.
Após seis participações no campeonato nacional da I Divisão (entre 1968 e 1976), 13 presenças na II Divisão Nacional (a última delas em 1983-84) – a que acrescem outras três épocas na então denominada “II Divisão B” (1990-91 a 1992-93) – e 19 temporadas na III Divisão (de que se despedira em 2001-02), esta será a 42.ª vez que o União disputa um campeonato nacional.
A prova que este fim-de-semana se inicia tem tido, nos últimos anos, formatos de disputa bastante diversos, a nível do número de séries e de clubes. Com efeito, tendo o antigo campeonato da III Divisão tido a sua derradeira temporada em 2012-13, viria a ser introduzido, na época seguinte, de 2013-14, o designado “Campeonato Nacional de Seniores”, o qual, todavia, teve efémera duração, apenas tendo sido realizadas duas edições. A partir de 2015-16 a prova passou a ter a actual denominação, de Campeonato de Portugal, pelo que esta será a sua nona edição.
A competição será disputada, nesta temporada, por um total de 56 clubes, repartidos, com base em critérios geográficos, em quatro séries de 14 equipas cada, estando o U. Tomar integrado na Série C, a par de representantes de sete Associações Distritais, para além da Região dos Açores:
- Açores (3) – Fontinhas (Praia da Vitória – ilha Terceira); Rabo de Peixe (Ribeira Grande – ilha de S. Miguel); e Lusitânia (Angra do Heroísmo – ilha Terceira)
- Castelo Branco (3) – Benfica e Castelo Branco; Sertanense; e V. Sernache
- Leiria (2) – Marinhense; e Peniche
- Coimbra (1) – União 1919
- Guarda (1) – Gouveia
- Lisboa (1) – Alverca “B”
- Santarém (1) – Santarém
- Viseu (1) – Mortágua.
Apresenta-se, de seguida, resumo da evolução do desempenho dos 14 clubes esta época concorrentes da Série C, ao longo das últimas dez temporadas:

(clicar na imagem para ampliar)
Começa por assinalar-se que só dois dos clubes atingiram – no decurso do período de uma década considerado – presença em escalão superior, no caso a “Liga 3”: o Fontinhas (recém-despromovido na época finda) e o U. Santarém (que disputara tal prova há duas temporadas).
Em relação aos 14 clubes desta série poderá traçar-se uma primeira grande linha delimitadora: metade deles (U. Tomar, Gouveia, Lusitânia, Peniche, União 1919, V. Sernache e Alverca “B”) acabaram de ser promovidos dos campeonatos distritais, tendo experiência limitada neste escalão – sendo que U. Tomar e a “repescada” equipa “B” do Alverca serão os únicos estreantes.
Não obstante, assinalam-se alguns casos de clubes já com várias despromoções, com destaque para o Gouveia e Peniche, que, até agora, nunca conseguiram manter-se nesta divisão, com três descidas em outras tantas participações no Campeonato de Portugal (registando o V. Sernache duas despromoções nas suas quatro últimas presenças).
Por seu lado, anota-se ainda que alguns outros clubes (por curiosidade, o U. Santarém e o Fontinhas, para além, igualmente, do V. Sernache) haviam beneficiado da isenção de despromoções, devido à suspensão dos campeonatos, pela pandemia, na época de 2019-20.
Os outros sete clubes – dos quais apenas seis transitam do campeonato da época passada (U. Santarém, Marinhense, Rabo de Peixe, B. C. Branco, Mortágua e Sertanense) – registam, claramente, bastante maior experiência a este nível, sendo que, cinco deles, vão, pelo menos, para a 5.ª época consecutiva em campeonatos nacionais (4.ª temporada, no caso do Rabo de Peixe).
De facto, apenas o Mortágua apresentara alguma menor consistência, com duas descidas nas suas três participações mais recentes. Dos recém-promovidos, e à parte o caso do V. Sernache (já com seis presenças nesta divisão), só o Lusitânia conseguira manter-se na estreia (em 2016-17).
As equipas do Benfica e Castelo Branco e do Sertanense são as únicas duas “totalistas”, com presenças neste campeonato em todas as dez últimas temporadas, sendo que os albicastrenses, evidenciando grande regularidade, praticamente sempre têm ocupado lugares do topo da tabela.
Anota-se, por fim, a curiosidade de alguns dos clubes terem chegado a militar – não há muitos anos, portanto – em divisões secundárias dos respectivos campeonatos distritais, como foram os casos de Fontinhas, U. Santarém, Marinhense, União 1919 e Alverca “B”.
Isto dito, parecem perfilar-se como candidatos a disputar a fase final, de subida, Fontinhas, U. Santarém, Marinhense e B. C. Branco, pelo que se antecipa que será bem renhida a disputa para procurar escapar aos cinco últimos lugares da tabela, que ditarão a despromoção aos Distritais.
Com base no histórico recente, estima-se que, para tal, possam vir a ser necessários, no máximo, 35 ou 36 pontos, que poderão ser atingidos, respectivamente, mediante cenários do tipo: (i) 9 vitórias, 8 empates e 9 derrotas; e (ii) 10 vitórias, 6 empates e 10 derrotas – do que parece decorrer, como “barómetro”, a importância de, pelo menos, nivelar o número total de vitórias e de derrotas.
Na ronda inaugural, tendo o União de Tomar visto o seu jogo frente ao Lusitânia adiado para 15 de Outubro (dado a turma açoriana ter alegado impossibilidade de deslocação, por falta de voo!), destacam-se os embates que se afiguram de maior interesse: o “clássico” regional dos Açores, entre Fontinhas e Rabo de Peixe; e o Marinhense-B. C. Branco, duas equipas com aspirações.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Agosto de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Supertaça Dr. Alves Vieira

(“O Templário”, 08.06.2023)
Culminando um notável trabalho desenvolvido pela equipa técnica liderada por Eduardo Fortes, o Torres Novas somou, à vitória na Taça do Ribatejo, novo troféu, conquistando também a Supertaça Dr. Alves Vieira, a terceira do historial do clube (após os triunfos das épocas de 2007-08 e 2010-11), igualando o palmarés “record” de Riachense, Coruchense e Fazendense.
Defrontando, por coincidência, no seu reduto – tradicionalmente, a prova, em homenagem ao antigo dirigente, Dr. Alves Vieira, é disputada no Estádio que ostenta também o seu nome, na cidade do Almonda – o recém-sagrado Campeão Distrital, U. Tomar, os torrejanos venceram por 3-2, numa partida emotiva, em que o resultado subsistiu incerto até ao último minuto.
A equipa do União entrou a “mandar” no jogo, perante um adversário, como seria previsível, algo na expectativa – em clara aposta em poder tirar partido do erro do adversário – tendo os tomarenses criado, logo nos dez minutos iniciais, três boas ocasiões para inaugurar o marcador.
Pouco passava do quarto de hora quando Wemerson Silva, em plena grande área, terá sentido o contacto de um contrário, acabando por cair no chão. Os unionistas reclamaram grande penalidade, que, a ter sido sancionada, poderia, porventura, ter ditado um cariz substancialmente diferente do desafio. Sem debater questões de intensidade, tendo o árbitro, perto do lance, mandado jogar, será, neste contexto, de conceder o benefício da dúvida.
A toada mantinha-se, até que, aos 33 minutos, num momento infeliz do guardião tomarense – na sequência de um atraso de bola de um seu colega –, a rematar contra o corpo de um rival, vendo a bola anichar-se nas suas redes; um golo que surgia, notoriamente, “contra a corrente”.
A formação torrejana, animada com a vantagem adquirida, mais confiante, soltou-se no campo, e, apenas seis minutos volvidos, aproveitando bem o espaço, Miguel Miguel fez um “mini-slalom”, com um excelente remate em arco, para o poste mais distante, sem hipótese de defesa.
Como que atordoados pelo inesperada evolução do marcador, as coisas piorariam ainda bastante para os tomarenses, outros quatro minutos decorridos, quando, no seguimento de um canto, o defesa central, com um toque involuntário, introduziu a bola na sua própria baliza. Perplexos, os unionistas viam-se – num curtíssimo período de dez minutos – a perder por 3-0!
Se o jogo tivesse terminado ao intervalo, só havia que, assumindo as falhas próprias, dar os parabéns ao Torres Novas, pela extrema eficácia obtida. Há dias assim: em que tudo corre bem para um lado, e mal para o outro. Mas, no segundo tempo, (quase) tudo mudaria…
Marco Marques operou tripla substituição ao intervalo, fazendo sair três (!) defesas, tendo entrado dois avançados, num manifesto sinal de inconformismo. Mas, quando as coisas correm mal, podem ainda correr pior: aos dez minutos, o União via-se em inferioridade numérica.
Por muito estranho que pareça, a partir daí “só deu” U. Tomar. O Torres Novas, mesmo com todas as vantagens (deveras ampla margem no marcador e com mais um elemento), teve monumental “apagão”, incapaz de ripostar, sem conseguir ter bola, “desaparecendo” do jogo, denotando completo esgotamento físico e, em paralelo, também algum “temor cénico”.
Logicamente, os tomarenses reduziram para 1-2, e, quinze minutos depois (aos 78), para 2-3 (com Siaka Bamba, convertido em improvisado “ponta-de-lança”, sensacionalmente a bisar), colocando em causa o desfecho desta final. Até, quatro minutos depois, ficarem reduzidos a nove. E, depois, a oito (contra dez do adversário), continuando, não obstante, a dominar territorialmente… até acabar apenas com o mínimo regulamentar de sete jogadores em campo!
Ainda oito contra dez, já em período de compensação, o União esteve pertíssimo do 3-3, quando Fábio Luzio, desviando de cabeça, quase em cima da linha de baliza, fez a bola sair a rasar o poste. Por seu lado, o Torres Novas, tendo tido possibilidade de ensaiar dois ou três contra-ataques – contra uma defesa então reduzida a dois elementos, com um fantástico Zé Maria, apoiado pelo referido Luzio – não teria forças para levar até ao fim nenhuma de tais investidas, sempre mais apostado em procurar quebrar o ritmo de jogo, recorrendo a expedientes vários.
Revisto o “filme do jogo”, é incontornável falar da arbitragem, tema de melindre, mais quando se é derrotado. João Veríssimo será, necessariamente, um dos melhores árbitros do Distrito, por isso lhe tendo sido confiada a arbitragem deste jogo. Mas, no Sábado, teve um dia que não lhe correu bem… para lidar com o cariz da partida, terá faltado algum discernimento e bom senso.
Na primeira expulsão o jogador tomarense ripostou a uma provocação (encosto de cabeça) de um torrejano, não se compreendendo como tal terá podido passar sem qualquer admoestação. Na segunda expulsão, por duplo amarelo, não se colocando em causa a validade do 2.º cartão, tinham ocorrido, na primeira parte, situações similares, sem sanção. Terá residido aí o “pecado original” da arbitragem: a forma permissiva – a querer deixar jogar – com que abordou essa fase, em flagrante contraponto com a atitude adoptada ao longo do segundo tempo.
A terceira expulsão do União (em simultâneo com a do Torres Novas, já aos 92 minutos) só acontece devido à instabilidade emocional que então assolava já todos os intervenientes, em função das incidências da partida. O jogador torrejano, embrulhando-se com um adversário, agrediu-o, quando ambos caíam, não tendo sido perceptível motivo para a sanção do unionista.
O árbitro perderia, então, por completo, durante instantes, o controlo do jogo, tendo-se assistido a cenas deploráveis, com tentativas de agressão de parte a parte, que, a terem sido levadas “à letra” as leis do jogo, teriam determinado que o mesmo não tivesse chegado ao seu termo…
Por fim, a quarta expulsão, do capitão, ao 12.º minuto do período de compensação, de novo por duplo amarelo, por protestos, após não ter sido assinalada falta evidente contra o Torres Novas, teria sido, nessa circunstância, dispensável. Um óbvio indício de “anormalidade” foi a duração da segunda parte, de 60 (!) minutos, que, ainda assim, não compensou todo o tempo perdido.
Uma nota final muito positiva: após o derradeiro apito do árbitro, os jogadores dos dois emblemas, caindo em si, deram admirável sinal de desportivismo e “fair-play”, abrindo alas para saudar cada uma das equipas, felicitando, à vez, os novos Campeões e os vencedores da Taça e da Supertaça. Tudo está bem, quando acaba bem.
Parabéns ao Torres Novas, que jogou com os argumentos de que dispunha… e ganhou.
II Divisão Distrital – Ficou adiada para a última ronda, agendada para esta quinta-feira, a definição do terceiro clube que acompanhará o Moçarriense e o Forense na subida ao escalão principal. O Vasco da Gama, que visita o Espinheiro, só depende de si, com Riachense (5.º, a três pontos) e Tramagal (4.º somente a um ponto), a defrontar-se, ainda com ténues esperanças.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 8 de Junho de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

(“O Templário”, 01.06.2023)
Na 45.ª final da Taça do Ribatejo (em 46 edições da competição – atendendo a que a prova de 2019-20 acabaria por ser suspensa nas meias-finais, devido à pandemia), em partida disputada no Cartaxo, uma surpreendente equipa do Torres Novas superiorizou-se ao Alcanenense, conquistando o troféu pela segunda vez no seu historial (depois da vitória averbada em 2011).
Em função da classificação dos dois clubes no campeonato (4.º lugar do Alcanenense; face ao 9.º posto do Torres Novas), a turma de Alcanena aspirava a estrear-se como vencedora da Taça a nível de seniores, depois de ter já triunfado, nesta época, em tal prova no escalão de juniores.
Com um conjunto de forte potencial, liderado por José Torcato, em que impera a juventude, o Alcanenense procurou assumir a iniciativa do jogo, que foi sendo repartido, persistindo o nulo no marcador até ao derradeiro quarto de hora – mesmo que o grupo de Torres Novas se tenha visto forçado a substituir o seu guarda-redes, Telmo Rodrigues, ao intervalo, devido a lesão.
Bastaria um golo para decidir o desfecho da final, apontado – estavam decorridos 77 minutos – por Persi Mamede (que, por curiosidade, representara a formação de Alcanena na temporada precedente), finalizando da melhor forma, com um desvio subtil, a assistência de Miguel Miguel, com a formação torrejana, muito oportuna, a beneficiar de falha da defensiva contrária.
Até ao termo do encontro o Alcanenense ensaiaria várias tentativas de chegar ainda ao empate, mas o jovem guardião da equipa de Torres Novas, António Henriques, com intervenções muito atentas, preservaria o nulo na sua baliza, garantindo assim um excelente triunfo da equipa comandada pelo tomarense Eduardo Fortes, fazendo valer a maior experiência do seu colectivo.
Contando apenas 22 participações na Taça do Ribatejo (e, somente, com quatro presenças nas meias-finais; e três em finais), o Torres Novas igualou, pois, o registo de dois troféus conquistados, até agora mantido por Águias de Alpiarça, Alferrarede, Cartaxo, Mação, Samora Correia, U. Rio Maior e U. Santarém. No palmarés da prova subsiste destacado o Fazendense, com cinco Taças, seguido por Amiense, Coruchense, Riachense e Tramagal (três triunfos cada).
Juntam-se ainda doze clubes cada um com uma Taça do Ribatejo conquistada: Abrantes FC, Azinhaga, Benavente, Ferreira do Zêzere, Ferroviários, Glória do Ribatejo, Lagartos do Sardoal, Monsanto, Ouriquense, Pego, União de Tomar e Vasco da Gama.
I Divisão Distrital – Recuperando também o palmarés do Campeonato, o U. Tomar sagrou-se Campeão Distrital da I Divisão pela 6.ª vez no seu historial, depois de ter sido já vencedor nas épocas de 1941-42, 1942-43, 1964-65, 1987-88 e 1997-98. Soma, ainda, quatro títulos de Campeão da divisão secundária (nas temporadas de 1941-42, 1942-43, 1955-56 e 1957-58).
A nível do escalão principal apenas o Torres Novas (com 9 títulos, incluindo o de 1928-29, então conquistado pelo Torres Novas F.C.), U. Operária Santarém (8) e Tramagal (7) superam o registo do emblema unionista – contando também a Ac. Santarém com seis títulos de Campeão.
Em praticamente um século de Campeonatos Distritais – cujo início data do ano de 1925 – foram já 30 os clubes Campeões, num total de 97 títulos atribuídos (não tendo sido completadas as provas das épocas de 2019-20 e 2020-21), sendo a próxima a 100.ª edição da competição.
II Divisão Distrital – Ainda com duas rondas por disputar o Forense (que, na próxima época, se estreará na I Divisão) e o Moçarriense (num rápido regresso, depois da descida no final da temporada de 2020-21) garantiram já a promoção ao principal escalão do futebol distrital.
Tendo o Forense vencido (2-0) o Tramagal, já depois de o Moçarriense ganhar (4-2), no Sábado, ao Vasco da Gama, os dois clubes – que continuam a partilhar o comando –, dispõem agora de vantagem de oito pontos face ao par que reparte o 3.º posto (Riachense e Vasco da Gama).
A formação dos Riachos foi surpreendida no Espinheiro, tendo sido derrotada por 4-3 – terceiro desaire sucessivo –, um desfecho que poderá, eventualmente, vir a revelar-se comprometedor, na medida em que o Riachense foi o primeiro concorrente a perder com o Espinheirense.
A restante vaga de promoção será disputada, para além de Riachense e Vasco da Gama, também pelo Tramagal, somente um ponto abaixo, pese embora conte já quatro derrotas consecutivas.
Antevisão – Este Sábado teremos, no Estádio Municipal Dr. Alves Vieira, em Torres Novas, a disputa da Supertaça com a mesma denominação, colocando frente-a-frente o recente Campeão Distrital, U. Tomar, e o vencedor da Taça do Ribatejo, precisamente o C. D. Torres Novas.
Numa prova cujo calendário foi, desde o ano de 2019, adaptado ao final de temporada, os torrejanos terão, nesta situação, a particularidade de beneficiar do factor casa, a equilibrar a contenda perante um grupo unionista aureolado com o título distrital, mas que, por seu lado, vem de um (breve) interregno competitivo, desde que, há duas semanas, se sagrou Campeão.
O U. Tomar participa nesta competição pela terceira vez, tendo sido desfeiteado nas duas finais disputadas, enquanto Campeão Distrital de 1998 (batido pelo Ferroviários) e após ter conquistado a Taça do Ribatejo de 2018 (perdendo com o Campeão, Mação). Ao invés, o Torres Novas, disputando a prova igualmente pela terceira vez, venceu nas duas presenças anteriores, enquanto Campeão Distrital em 2008, e na condição de vencedor da Taça do Ribatejo de 2011.
Fica ainda o registo de, nas 28 edições precedentes, o Campeão Distrital ter triunfado em 17 ocasiões; face a 11 vezes em que saiu vencedor o detentor (ou finalista da Taça do Ribatejo) – incluindo nas duas últimas Supertaças, ganhas por Coruchense (2019) e Fazendense (2022).
A II Divisão Distrital terá a 9.ª e penúltima jornada da fase final, de apuramento de Campeão e de promoção, compreendendo as seguintes partidas: Vasco da Gama-Forense; Moçarriense-Riachense; e Tramagal-Espinheirense; de que poderá resultar nova configuração da tabela, em especial a nível do terceto que disputa ainda a subida.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Junho de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 30ª Jornada

(“O Templário”, 25.05.2023)
Ao fim de 25 anos, e de 20 épocas no Distrital da I Divisão – após, por várias ocasiões, ter ficado muito próximo do objectivo –, o União de Tomar consegue, enfim, sagrar-se Campeão, garantindo a promoção ao Campeonato de Portugal, regressando, pois, às competições de índole nacional.
Nessas 20 participações no principal escalão do futebol distrital (desde 2002-03) esta foi a 10.ª vez em que o emblema unionista concluiu a prova nos cinco primeiros lugares; ocupando uma das posições do pódio pela 7.ª vez – depois de, em quatro ocasiões (2009, 2015, 2018 e 2022), ter sido vice-campeão; e de ter terminado no 3.º lugar noutras duas edições (em 2016 e 2017).
Um justo prémio para muitos anos de esforços em prol do clube, por parte de órgãos directivos, equipas técnicas (destacando-se as seis temporadas sob a orientação de Eduardo Fortes, a que se seguiram oito épocas sob o comando de Lino Freitas, galardoado com a conquista da Taça do Ribatejo em 2018 – por curiosidade, numa final frente ao Mação) e várias gerações de jogadores.
Um trabalho agora culminado sob a direcção técnica de Marco Marques, repetindo, como treinador, o anterior título de Campeão Distrital, em 1997-98 (então como jogador do União), que junta à conquista, como treinador da equipa de Juniores do clube, da Taça do Ribatejo, em 2013 – vendo coroado de êxito o seu intenso labor e enorme dedicação. Ao Marco, o meu Obrigado!
Destaques – Num campeonato renhido, disputado até ao último dia entre três concorrentes, de que – em largas décadas – havia, até agora, um único antecedente (na época de 1967-68), a forte réplica oferecida por Amiense e Fazendense vem valorizar sobremaneira a conquista do União.
A formação mais regular ao longo de toda a época – na liderança durante um total de 21 (das 30) jornadas, entre as quais as últimas 18 – o U. Tomar entrava para o derradeiro encontro sendo o único a depender apenas de si, “bastando” ganhar ao Mação para confirmar a conquista do título.
Perante este dado, a equipa, com forte personalidade, honrou, desde o início da partida, a missão que tinha a cumprir, assumindo a iniciativa, indo em busca da vitória. Que acabou por ser construída e alcançada com naturalidade. Quando os tomarenses inauguraram o marcador, num remate colocado, de “meia-distância”, desferido por Leandro Filipe, estavam decorridos apenas 17 minutos, tinham demonstrado cabalmente ao que vinham, tendo criado já um par de situações.
O golo tranquilizou o grupo, que manteve a pressão. Mas o melhor estava ainda para vir: não estava completado o minuto inicial do segundo tempo quando Wemerson Silva, com um remate “bombeado”, fez a bola sobrevoar o guardião contrário, estabelecendo o “placard” final de 2-0.
Logo aí começou a formar-se a convicção de que a vitória – e, consequentemente, o título – não escaparia ao União. E assim foi. Até final, os nabantinos, perdulários, não conseguiram aproveitar algumas soberanas ocasiões para voltar a marcar. A grande festa esperava já por eles!
O Amiense, em igualdade pontual face ao líder, tinha também uma tarefa a realizar: a de vencer o seu desafio, recebendo o Torres Novas, na expectativa de algum eventual deslize dos unionistas.
Cedo (apenas com dez minutos decorridos) se colocando em vantagem, o conjunto dos Amiais repetiria a “dose” no segundo tempo, marcando de novo após estarem jogados dez minutos, fixando o resultado em 2-0. Porém, as notícias que chegavam de Tomar não eram as desejadas…
O grupo de Amiais de Baixo, com excelente desempenho nesta época, alcançou, não obstante, magnífico 2.º lugar, superando todas as expectativas – terminando, aliás, com o mesmo número de pontos do Campeão – tendo como prémio a presença na próxima edição da Taça de Portugal.
Por seu lado, o Fazendense – imune à decepção de ter deixado escapar uma situação, que chegou a parecer privilegiada, de poder conquistar o título (quando, depois de ter já derrotado o Amiense, recebia, na 27.ª ronda, o U. Tomar, apenas com um ponto de desvantagem), tendo acabado, inesperadamente, por ver-se relegado para o 3.º lugar, sem sequer ter a consolação do acesso à Taça de Portugal – goleou, em jogo de “final de estação”, o Salvaterrense, por categórico 5-0.
Aqui fica uma palavra de apreço pelo brilhante campeonato realizado pela turma das Fazendas de Almeirim, num estimulante duelo com o União, porventura merecedor de algo mais na pauta final.
Também, em paralelo, um abrir de apetite para a próxima edição do Campeonato Distrital, que se antevê empolgante, com vários clubes com fortes aspirações, a que se juntará ainda o Coruchense.
Surpresas – A grande surpresa da derradeira jornada foi o empate (2-2) cedido pelo Alcanenense – em “rodagem” para a Final da Taça –, na recepção ao Águias de Alpiarça (15.º classificado), que, assim, conseguiu fechar a sua participação neste campeonato a pontuar, após dez derrotas.
O conjunto de Alcanena manteve, ainda assim, a 4.ª posição, mercê de outro desfecho algo imprevisto, por parte do Samora Correia (5.º), derrotado por 2-1 no “derby” municipal, pelo rival Benavente (14.º), o qual, já desde a semana anterior, conhecia o seu destino, acompanhando os alpiarcenses e o Entroncamento AC na despromoção ao escalão secundário.
Confirmações – Nas restantes três partidas os favoritos alcançaram a vitória, destacando-se o Fátima, que, mercê da categórica vitória (3-0) ante o Cartaxo (13.º), ascendeu a uma muito meritória 7.ª posição, ultrapassando, sobre o “risco de meta”, os grupos de Salvaterra e torrejano.
Também o Ferreira do Zêzere finalizou da melhor forma um campeonato irregular, somando o quarto triunfo consecutivo, ao bater (2-1) o At. Ouriense; os ferreirenses igualaram, precisamente, aqueles dois emblemas (formando-se um terceto com 39 pontos), mas, por via do confronto directo, acabaram por quedar-se no 10.º posto, após o Salvaterrense (8.º) e o Torres Novas (9.º).
Igualmente inglória foi a vitória do Abrantes e Benfica no Entroncamento, por 3-2, uma vez que não lhe possibilitou melhorar o modesto 12.º lugar final, em paridade pontual com o At. Ouriense (11.º). A formação da cidade ferroviária tinha já definida a sua posição de “lanterna vermelha”.
II Divisão Distrital – Também neste escalão se assinala evolução surpreendente, do Vasco da Gama, que, depois de ter averbado um único ponto nas quatro primeiras jornadas, encadeou um ciclo de três triunfos sucessivos, tendo vencido nos Riachos por 2-1, igualando, precisamente, o Riachense, no 3.º posto. Ao invés, o Tramagal, derrotado (0-1) em casa pelo Moçarriense, somou terceiro desaire consecutivo, baixando ao 5.º lugar, pese embora apenas a um ponto desse duo.
O Forense, ganhando por renhido 4-3 no reduto do Espinheirense, consolida a sua posição, apresentando-se, a três rondas do termo desta fase final, na liderança destacada – a par do Moçarriense – ambos já com uma boa margem, de cinco pontos de avanço face àquele par.
Antevisão – Este Domingo (13 horas) disputa-se a Final da Taça do Ribatejo, entre Alcanenense e Torres Novas, turmas dirigidas, respectivamente, por José Torcato e Eduardo Fortes. O clube de Alcanena participa na Final pela quarta vez (depois de 2002, 2009 e 2010), ainda sem se estrear como vencedor do troféu, que almeja juntar à Taça conquistada no escalão de Juniores. Já os torrejanos participam na sua terceira Final (após 1986 e 2011), aspirando a bisar o triunfo de 2011.
Na II Divisão Distrital todos os três desafios se afiguram de cariz determinante, em relação à definição dos lugares de subida ao escalão principal: o Forense procurará desforrar-se da pesada derrota (1-5) sofrida, na 1.ª volta, no Tramagal; o Moçarriense recebe o Vasco da Gama, podendo, em caso de triunfo, praticamente selar a promoção; o Riachense visita a turma do Espinheirense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 25 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 29ª Jornada

(“O Templário”, 18.05.2023)
Na penúltima jornada do campeonato os três candidatos ao título venceram, todos eles em terreno alheio, não vacilando, mantendo-se as posições relativas (U. Tomar e Amiense igualados no comando, com vantagem dos tomarenses no critério de desempate; o Fazendense apenas um ponto abaixo) pelo que a disputa se estenderá ao último dia, possivelmente até ao derradeiro minuto…
Destaques – A primeira nota de realce vai, pois, para os triunfos das três formações do topo da tabela, que, de forma competente, superaram as dificuldades que enfrentavam: o União, ganhando por 2-0 em Salvaterra de Magos; o Amiense, por tangencial 2-1, no difícil reduto abrantino; o Fazendense, por categórico 3-0, frente ao At. Ouriense, que vinha de surpreender em Tomar.
O União não podia ter melhor entrada, colocando-se em vantagem apenas completados os dois minutos iniciais, beneficiando de um auto-golo, decorrente da forte pressão que, desde o começo da partida, exerceu. Tendo sempre maior iniciativa que o Salvaterrense, não surpreendeu o segundo tento, a cerca de dez minutos do intervalo, conferindo importante margem de segurança.
Numa tarde com forte vento lateral a fazer-se sentir, adivinhava-se, na segunda parte, uma tentativa dos homens da casa fazerem lançamentos em profundidade, procurando surpreender a defesa contrária. Mas, controlando muito bem o jogo, os tomarenses não permitiram maiores veleidades ao adversário, que não dispuseram de qualquer efectiva ocasião de golo.
Um jogo que acabou por ser bem mais tranquilo do que se poderia supor, mesmo que seja latente alguma inevitável ansiedade. A vitória por 2-0 não deixou qualquer dúvida sobre o mérito dos unionistas, constituindo um importante tónico para abordar a decisiva partida de Domingo, em Tomar, em que o União, com o “destino nas mãos”, pode voltar a fazer história, 25 anos depois.
Em Abrantes os locais ainda assustaram o Amiense, tendo inaugurado o marcador, mas, bastante sólido, o grupo de Amiais de Baixo operaria a reviravolta ainda na metade inicial, estabelecendo o 2-1 final. Tal como em Salvaterra não se registou qualquer golo no segundo tempo.
Impressionou também a “facilidade” com o que o Fazendense se desembaraçou do At. Ouriense, indo ganhar a Ourém por categórica marca de 3-0, mantendo-se na expectativa de qualquer eventual deslize dos seus rivais (só poderá chegar ainda ao 1.º lugar se ambos perderem pontos).
Numa espécie de “final”, o Cartaxo, impondo-se por 4-2 frente ao Benavente, traçou irremediavelmente o destino do adversário, agora já despromovido ao escalão secundário, acompanhando Águias de Alpiarça e Entroncamento AC. Foi um desafio muito renhido e “nervoso”, com sucessivas cambiantes no marcador, tendo o Benavente chegado a estar a vencer, mas, após os cartaxeiros terem restabelecido a igualdade (a duas bolas), o rival “desmoralizou”.
Surpresa – Já aqui fora referida, na passada semana, a surpresa da derrota caseira (1-2) do Mação ante o “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, em encontro que havia sido antecipado.
Confirmações – Com Alcanenense e Torres Novas já com o espírito na Final da Taça, foram de alguma forma expectáveis os desfechos dos respectivos desafios: derrota tangencial (1-2) do conjunto de Alcanena em Samora Correia, o que proporcionou aos samorenses reduzir para apenas um ponto a desvantagem face a esse adversário, ainda com o 4.º lugar por confirmar; empate (1-1) no Torres Novas-Fátima, dois clubes posicionados exactamente a meio da tabela.
Em Alpiarça o Ferreira do Zêzere, a fechar a época em boa forma, somou terceira vitória sucessiva (ganhando por 2-1), no que constitui o décimo desaire consecutivo do Águias no campeonato.
II Divisão Distrital – Continuam as goleadas, tendo, desta feita, a “vítima” sido a turma que concluíra a primeira volta na liderança: o Riachense foi batido pelo Forense por categórico 5-2!
De alguma forma inesperada terá sido também nova derrota averbada pelo Tramagal, desfeiteado pelo Vasco da Gama por 2-1, ao invés, com a turma de Boleiros a ganhar pela segunda semana sucessiva, encurtando distâncias, agora apenas a três pontos do grupo dos Riachos.
O Moçarriense obteve uma segura vitória (3-0) ante o Espinheirense, partilhando o comando com o Forense, ambos com dois pontos mais que o Riachense, com o Tramagal um ponto abaixo.
Antevisão – Tendo a definição do novo Campeão Distrital ficado adiada para a 30.ª e derradeira jornada, em função dos desfechos que se verificaram no passado Domingo, as anteriormente referidas 729 combinações possíveis de resultados reduziram-se, agora, a apenas 27 (3 x 3 x 3)!…
De novo, sem atender às dificuldades específicas de cada um dos desafios, passaram a ser as seguintes as probabilidades de qualquer dos três emblemas vir a sagrar-se Campeão: 52% para o U. Tomar (14 combinações favoráveis); 30% para o Amiense (8); 18% para o Fazendense (5).
Em relação às probabilidades de terminar no 2.º lugar (dando acesso à Taça de Portugal), as hipóteses são, agora, de 40% para o Amiense; e de 30% para o U. Tomar, tal como o Fazendense.
Na larga história dos Campeonatos Distritais da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém só por uma vez (na temporada de 1967-68) os três primeiros classificados tinham chegado à última ronda separados por um único ponto (então, U. Almeirim, com 37 pontos; e Ferroviários e “Os Leões” de Santarém, com 36 – tendo a formação do Entroncamento acabado por conquistar o título, mercê de um empate… face às derrotas sofridas pelos outros dois contendores!).
O U. Tomar – que será Campeão se conseguir, pelo menos, desfecho idêntico ao que os seus rivais registarem –, recebendo o Mação, necessitará, independentemente de qualquer outra coisa, de fazer a sua parte, para não ficar dependente de outros resultados; isto é: precisa de ganhar o jogo!
Trata-se de um adversário valoroso, frente ao qual, em oito jogos disputados em Tomar, na última década, o União venceu três (incluindo na última época), tendo cedido cinco empates. Foi igualmente ante o Mação, que, há cinco anos, conquistou o seu último troféu: a Taça do Ribatejo.
Mas o Mação é, também, um adversário já com a sua classificação final fixada (6.º classificado), pelo que o resultado deste desafio em nada afectará o seu desempenho na presente temporada.
Ao contrário dos nabantinos, os maçaenses – já sem objectivos concretos – entram em campo sem qualquer tipo de pressão. Os unionistas terão, pois, de estar preparados para enfrentar todos os cenários, com força mental para superar qualquer eventual adversidade que se lhes possa deparar, com a noção de que este poderá ser um jogo “aberto”, com “bastantes” golos, e que só terminará quando o árbitro apitar pela última vez. Dar tudo pela vitória, numa oportunidade “única”.
E isto porque, quer Amiense (recebendo o Torres Novas), quer Fazendense (visitado pelo Salvaterrense), são claros favoritos a somar os três pontos (mesmo que, na última época, a equipa de Amiais não tenha ido além do empate ante os torrejanos e o conjunto de Salvaterra tenha surpreendido, vencendo nas Fazendas – desfechos, contudo, de repetição nada expectável).
Na II Divisão Distrital, já na 7.ª jornada da fase final, destaca-se o Tramagal-Moçarriense, em que os visitados jogam cartada determinante. O Riachense-Vasco da Gama poderá dar indicação importante sobre a possibilidade de a agremiação fatimense vir ainda a “reentrar na luta”.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 18 de Maio de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/2 finais

(“O Templário”, 11.05.2023)
As duas equipas apuradas para a “festa da Taça” – final a disputar no próximo dia 28 de Maio, no Cartaxo – acabaram por confirmar o favoritismo que, teoricamente, lhes adviria em função da maior regularidade demonstrada no respectivo desempenho ao longo de toda a temporada: o 4.º classificado do campeonato (Alcanenense) superiorizou-se ao 9.º (Fátima); tendo o 8.º (Torres Novas) afastado o 11.º classificado (Abrantes e Benfica).
Não deixou, não obstante, de ter havido alguma surpresa, atendendo a dois factores: por um lado, o facto de, quer Abrantes e Benfica (seis vitórias e dois empates nos oito encontros mais recentes), quer Fátima (três triunfos e três empates, nas últimas sete partidas disputadas), atravessarem bom momento de forma nesta fase da época; a que acresce, por outro, a suposta “vantagem” de terem obtido igualdades no reduto dos adversários, na 1.ª mão das meias-finais.
Destaques – O principal destaque do passado fim-de-semana foi a forma categórica como o Torres Novas se impôs em Abrantes, ganhando por 3-0 (com dois golos obtidos na meia hora inicial do desafio), “rectificando” assim o empate (1-1) concedido em casa há menos de duas semanas, garantindo uma notável qualificação para a Final da Taça do Ribatejo, de que estava arredado há doze anos, no que será a sua terceira presença no desafio decisivo desta competição.
Um justo prémio para a formação orientada por Eduardo Fortes, culminando uma participação até agora invicta nesta edição, na qual averbou três vitórias e dois empates, tendo superado, sucessivamente, os seguintes adversários: Caxarias, Mação, Amiense e, por fim, o Abrantes e Benfica (finalista na época transacta).
Por seu lado, o Alcanenense – que, à entrada para esta fase da prova, se perfilava como principal favorito à conquista do troféu (o que, a concretizar-se, será uma estreia absoluta) –, foi também vencer a Fátima, neste caso por tangencial 1-0, “desfazendo” o nulo registado na 1.ª mão.
Sabia-se da ambição da turma liderada por José Torcato (aspirando a juntar, ao título de Campeão Distrital de Juniores e à vitória na Taça do Ribatejo, nesse mesmo escalão, também a Taça a nível de Seniores), mas, do outro lado, do Fátima, estava o treinador ainda actual Campeão Distrital em título, Gonçalo Carvalho.
No termo de uma renhida disputa, decidida pela margem mínima, prevaleceriam os superiores argumentos do conjunto de Alcanena, que – tendo afastado o Ferreira do Zêzere, Entroncamento AC, Benavente e Fátima, somando quatro triunfos e um único empate cedido na presente edição – marcará presença na final pela quarta vez, treze anos depois da última participação anterior.
Surpresa – Em encontro antecipado da penúltima ronda do Campeonato Distrital da I Divisão, pouco mais do que para “cumprir calendário”, o Mação recebeu o “lanterna vermelha” e já matematicamente despromovido Entroncamento AC, acabando por ser surpreendido, perdendo por 1-2, no que constitui apenas a terceira vitória do grupo da cidade ferroviária no campeonato.
II Divisão Distrital – Também neste caso não seria talvez expectável, em função do desempenho recente (após ter aplicado duas goleadas nas jornadas imediatamente precedentes), o desaire caseiro do Tramagal, tendo sido desfeiteado por 2-0 pelo Riachense, que, desta forma, conclui a primeira volta deste “mini-campeonato” na liderança isolada, tendo somado 10 pontos.
Por seu lado, o Moçarriense, derrotando o Forense por 2-1, igualou, precisamente, o emblema tramagalense, assim como o rival que defrontou nesta ronda, formando-se, assim, um trio perseguidor ao líder, somente a um ponto de distância da formação dos Riachos.
No encontro entre os dois últimos, o Vasco da Gama levou a melhor ante o Espinheirense, ganhando por 2-1. Em qualquer caso, a disputa das três vagas de promoção parece reservada aos quatro primeiros, uma vez que é de cinco pontos o atraso da equipa de Boleiros face àquele trio.
Antevisão – Chegamos, então, à “hora da verdade”, no Distrital da I Divisão, faltando disputar apenas as duas derradeiras jornadas, com uma situação há largos anos inaudita, de termos três clubes em disputa pelo título, concentrados num intervalo de apenas um ponto (entre 1.º e 3.º)!
Desde 1998-99 que não tínhamos três candidatos (então, Ferroviários, Cartaxo e Amiense) a chegar a esta fase final da competição separados por tão escassa margem pontual (e, nessa altura, com três pontos a distanciar o 1.º do 3.º classificado).
No total dos seis desafios que U. Tomar, Amiense e Fazendense terão ainda de enfrentar, resultará uma de entre 729 (3 x 3 x 3 x 3 x 3 x 3) combinações de desfechos possíveis.
Numa análise meramente estatística – sem atender às dificuldades específicas de cada jogo – teremos as seguintes probabilidades de qualquer equipa vir a ser Campeã: 43% para o U. Tomar (316 combinações favoráveis); 32% para o Amiense (234); 25% para o Fazendense (179).
No que respeita às probabilidades (estatísticas, portanto, teóricas) de terminar no 2.º lugar (posição que confere acesso à Taça de Portugal), as hipóteses são, agora, similares; em torno de 1/3 para cada um dos três clubes: 36% para o Amiense; 32% para o U. Tomar e o Fazendense.
O U. Tomar terá, pois, cerca de 75% de probabilidades de ficar num dos dois primeiros lugares; sendo que o Fazendense tem, agora, 75% de hipóteses de não ser Campeão. O Amiense regista probabilidades idênticas de terminar o campeonato no 1.º (32%), 2.º (36%) ou 3.º lugar (32%).
Procurando passar algo mais ao concreto: os três candidatos têm, nesta penúltima ronda, saídas de relativo grau de dificuldade: o U. Tomar desloca-se a Salvaterra de Magos, para defrontar o tranquilo Salvaterrense (7.º); o Amiense visita Abrantes, onde encontrará um Abrantes e Benfica possivelmente ainda a lamentar ter deixado escapar a presença na final da Taça; o Fazendense viaja até Ourém, jogando ante o At. Ouriense, que vem de surpreender em Tomar.
O União, mesmo tendo sido desfeiteado na jornada anterior, beneficia da possibilidade de uma “vida extra” (proporcionada pelo triunfo do Ferreira do Zêzere nas Fazendas de Almeirim), que não pode desperdiçar, continuando a ser o único a depender exclusivamente de si próprio, mas não dispondo de qualquer margem de erro, necessitando, pois, de ganhar os seus dois jogos.
Na II Divisão Distrital, no arranque da segunda volta da fase final, de apuramento de Campeão e de promoção, destaca-se o Forense-Riachense; mas Moçarriense (recebendo o Espinheirense) e Tramagal (deslocação ao terreno do Vasco da Gama) terão também de aplicar-se para vencer.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Maio de 2023)



