Posts filed under ‘Sociedade’

Pode a França acabar por vir a ser a salvação da União Europeia?


P.S. A propósito, a ler, “La France et « The Economist » : un constat lucide et utile“.

16 Novembro, 2012 at 11:21 pm Deixe um comentário

90 anos de José-Augusto França

O historiador José-Augusto França, natural de Tomar, comemora hoje 90 anos, sendo diversas as iniciativas em sua homenagem, de que se destacam:

  • A propósito do IV Congresso de História da Arte Portuguesa, que decorre  na Fundação Calouste Gulbenkian, de 21 a 24 de Novembro, José-Augusto França participará  na sessão inaugural do Congresso
  • Na Biblioteca Nacional de Portugal, foi, já ontem, inaugurada a exposição bibliográfica 1949-2012
  • O programa “Câmara Clara”, da RTP2, terá também José-Augusto França como convidado, no programa do próximo dia 18 de Novembro.

16 Novembro, 2012 at 9:16 pm Deixe um comentário

«Amarrados à ilusão»

Mas o ponto, agora, não é tanto o de saber como se chegou aqui, mas sobretudo o de saber como sair daqui. E nesse sentido é fundamental tirar todas as ilações dos fatores que se alteraram no decurso da última década, e do sucessivo impasse em que se tem vivido nos últimos três anos.

É suicida continuarmos amarrados à ilusão europeia, ignorando estes fatores. Nomeadamente, sem se ter em conta que a especialização produtiva dos países do Sul da Europa não lhes permite, por maior que seja a austeridade, sair no curto prazo da crise apenas pela via das exportações. Só a via federal, com união de transferências – sejam elas orçamentais, fiscais ou sociais -, responderá à gravidade da crise europeia. O montante dessas transferências foi de resto já apurado (cf. Natixis, “The cost of federalism in the euro zone”, 16/07/2012), ele corresponde aproximadamente a 1.4% do PIB da Zona Euro. Nada de extraordinário, portanto – e numa zona económica de moeda única, o jogo das transferências garante benefícios para todos, apoiando ora mais uns, ora mais outros, conforme as circunstâncias.

Os tempos são, hoje, de grande incerteza. Mas o pior modo de a enfrentar é – como tem acontecido – combinando o fatalismo dos problemas com o fanatismo das soluções. É isto que é urgente mudar.

(Manuel Maria Carrilho, Diário de Notícias)

15 Novembro, 2012 at 7:21 pm Deixe um comentário

Em dia de greve geral…

Dissonância cognitiva

O processo de ajustamento por que passa a economia portuguesa confronta-se hoje com uma curiosa dissonância na percepção que sobre ele prevalece, no exterior e no interior do País.

Ao nível externo, sobretudo entre os investidores financeiros, a imagem que se tem vindo a afirmar é a de um razoável sucesso, a que se associa um crescente interesse por investimento em activos portugueses. Pelo contrário, a nível interno – e a avaliar sobretudo pelo que a comunicação social transmite e amplifica – a imagem que se tem vindo a afirmar é, não só a de um insucesso, como a da inviabilidade do caminho seguido. […]

De qualquer forma, esta dissonância dificilmente se poderá manter por muito tempo, não sendo claro qual das duas frentes acabará por absorver a outra. Mas talvez fosse útil que o Governo desse mais atenção à frente interna, porque senão arrisca-se a ganhar no exterior, perdendo o País.

(Vítor Bento, Diário Económico)

14 Novembro, 2012 at 4:22 pm Deixe um comentário

Prestige – 10 anos depois

Hoxe cúmprense 10 anos do afundimento do Prestige. Desde Galiza Nova, queremos denunciar que, 10 anos despois, outro desastre coma este e é aínda posíbel en Galiza e que os responsábeis da catástrofe seguen a gobernarnos.

13 Novembro, 2012 at 8:31 pm Deixe um comentário

«Ofício de caça e recolecção»

Sobra a criação de uma fundação, que até há uns meses era uma actividade benemerente, vista positivamente pela comunidade, hoje passa por ser uma actividade criminosa. Há cada vez mais dificuldades e não é pelas razões moralizadoras que por aí circulam. Dois grandes responsáveis por esse processo de ignomínia das fundações são os que abusaram do seu estatuto, incluindo grandes empresas que usaram e usam as fundações para operações fiscais, e o Estado, que permitiu esses abusos e cometeu ele próprio o maior, ao usar o estatuto das fundações para desorçamentação e para alargar o campo dos jobs for the boys.

É interessante verificar que, depois de um relatório feito com os pés, a maioria das aberrações continua a funcionar e a única coisa que vai ficar é uma lei mal feita, cheia de erros, estatista e prepotente, assente na desconfiança do Estado em relação a tudo o que seja privado, e obrigando as fundações a gastar os seus recursos mais para manter uma burocracia interna do que para prosseguir os fins que os seus doadores pretendiam.

Sim, porque o acto inicial de uma fundação privada é uma oferta a todos de bens até então privados, e muitas fundações podem viver sem dinheiros do Estado. Podiam, mais do que o que podem, porque o Estado, em vez de usar a concessão da utilidade pública como mecanismo de distinguir quem a tem, de quem apenas a quer para obter benefícios fiscais, prefere destruir esse mecanismo de doação aos portugueses, que é a criar uma instituição de serviço público, que actua em áreas onde ou não há dinheiro do Estado, ou onde a centralização desertificou recursos e oportunidades.

Eu, que fui estúpido em não querer nunca criar uma fundação enquanto tive funções políticas, e que sou igualmente estúpido em vir falar disto em público, vejo-me agora a braços com uma lei absurda que só atinge quem quer, como antes se dizia e agora não se usa, “fazer o bem”, sem impedir qualquer abuso quer do Estado, quer daqueles que por aí passam com um olho, em terras de cegos. Vamos ver como as coisas evoluem.

(José Pacheco Pereira, Ephemera)

9 Novembro, 2012 at 3:08 pm Deixe um comentário

«No tempo em que Cavaco falava»

Estávamos no estertor do guterrismo – Guterres demitir-se-á seis meses depois na sequência da derrota autárquica. Cavaco refuta a justificação de Guterres de que o abrandamento do crescimento económico obrigou o governo a avançar com uma redução de 150 milhões de contos em despesa pública. Ora, Cavaco explica – e bem – que defender a redução da despesa pública em tempos de crise económica “é uma proposição errada”. “O que terão pensado os meus alunos da Universidade ao ouvirem o primeiro-ministro e o ministro das Finanças afirmarem perante as câmaras de televisão precisamente o contrário do que lhes ensinei e que leram nos livros de macroeconomia e de finanças públicas? Porque estamos em época de exames, entendi que era meu dever não ficar calado. O argumento é falso”.

É o professor a falar: “Quando o crescimento económico de um país abranda, a política correcta é precisamente deixar que a receita fiscal baixe automaticamente e não cortar na despesa pública. (…) Se quando um país é atingido por uma crise económica se cortasse a despesa pública, a crise ainda se agravava mais. É por isso que não se deve fazê-lo”. Em Junho de 2001, o professor está estupefacto com a ignorância económica de Guterres: “Como é que é possível que os assessores do primeiro-ministro não lhe tenham explicado que este é um caso em que não há similitude entre o comportamento correcto para as famílias e para o Estado?”.

(Ana Sá Lopes, i)

5 Novembro, 2012 at 8:57 am Deixe um comentário

Referendar a manutenção no euro de Portugal?

Há uma semana a proposta do OE2013 previa que o subsídio de desemprego iria descer 6% (para um mínimo de €394) agora, volvida uma semana, o governo avança com uma proposta de corte sobre o valor mínimo do subsídio da ordem dos 10%. O que irá propor amanhã? E daqui a uma semana?

Como acreditar que há um rumo, um plano, um futuro com a política atual, seja pelos constrangimentos externos, seja pelo desatino político interno?

Que garantias temos que os sacrifícios de hoje não culminarão, a prazo, na inevitabilidade do destino que, para já, quase todos querem evitar, que é a saída do euro?

A sensação que tenho, pela irredutibilidade e insustentabilidade do plano de salvação é que estamos a adiar o inevitável acrescentando sacrifício à provação final que não conseguiremos evitar. Se assim for, estamos a perder tempo, energia vital (com a emigração a passar além do que seria razoável) e a cavar um buraco cada vez maior a somar à desonra de virmos a ter de pagar apenas parte e/ou a más horas. Apenas.

O tempo de falar claro e de decidir não pode ser daqui a um ano ou quando der jeito ao calendário eleitoral de algum soberano estrangeiro que há muito deixou de respeitar os princípios basilares que vinham enformando a construção europeia. Dos nossos parceiros pouco mais temos que uma sucessão de cimeiras, promessas vãs de evolução, adiamentos sucessivos e desmentidos em catadupa sempre que algo que se desvie do cânone comece a ganhar momento.

O que fazer então? É tempo de clarificar exatamente o que nos pedem e aquilo que estamos dispostos a fazer. Será preciso referendar a manutenção no euro para que se fale claro e se analisem, confirmem ou desmintam os pavores que se agitam?

(Rui Cerdeira Branco, Adufe)

25 Outubro, 2012 at 10:10 pm Deixe um comentário

«O monstro vai bem, obrigado»

A frase original e inteira de Vítor Gaspar, dita ontem no Parlamento, é esta: “existe aparentemente um enorme desvio entre aquilo que os portugueses acham que devem ter como funções sociais do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar para assegurar essas mesmas funções”.

A palavra “aparentemente” está ali a mais. Todos queremos receber mais dando menos em troca. Isto é verdade para contribuintes, consumidores, investidores, patrões ou empregados. Para pais e filhos, namorados e casados. […]

É inegável que nas últimas décadas os governos acrescentaram sucessivas camadas de benefícios e subsídios, direitos e regalias que a nossa pobre economia jamais poderia pagar. A medíocre produtividade portuguesa nunca poderia suportar um Estado social “à nórdica”, ainda por cima gerido por uma máquina gorda e ineficaz. Alguma coisa teria de mudar. Aos anos que Medina Carreira e outros o diziam: ou abdicávamos de uma parte desses direitos ou teríamos que pagar mais impostos.

Incapazes de fazer a mudança, chegámos à ruptura: pagamos uma carga fiscal que nem nos piores pesadelos e temos uma protecção social em acelerada degradação.

Os cortes em subsídios e prestações sociais sucedem-se e chegam, escandalosamente, a quem deles precisa mesmo para sobreviver. Incapaz de fiscalizar, combater a fraude e ser mais selectivo, o Estado corta a eito. Os mais fracos são as primeiras vítimas da incompetência e ineficácia da máquina administrativa.

Paralelamente, esse mesmo Estado faz-se pagar cada vez mais pelos seus serviços. No ensino superior há propinas. Na saúde, as taxas moderadoras cada vez mais elevadas. A comparticipação dos medicamentos é cada vez menor. Todas as auto-estradas receberam portagens. As taxas de justiça sobem para valores surrealistas e os actos notariais também. […]

Vários aumentos de impostos depois, a frase de Vítor Gaspar só faz sentido assim: existe um enorme desvio entre aquilo que os portugueses devem ter como funções sociais do Estado e os impostos que estão a pagar.

(Paulo Ferreira, Dinheiro Vivo)

25 Outubro, 2012 at 6:32 pm Deixe um comentário

O que vai fazer o resto da sua vida?

O Orçamento do Estado tem tudo para correr mal. O rol de desgraças está mais do que listado, a maior carga fiscal de sempre é um tonelada em cima de algodão, não há justiça nem rumo, há impostos, impostos, impostos. E há sobretudo a descrença de que vai funcionar. A certeza de que não vai chegar, porque nada chega para encher um buraco negro no universo. Desde ontem, há ainda mais. Há riscos. […]

Mas há mais um risco. O risco político. Os desenvolvimentos dos últimos dias mostram que o golpe palaciano movido pelo CDS e por parte do PSD contra o ministro das Finanças falhou. Ficou tudo como estava antes das maratonas no Conselho de Ministros. Vítor Gaspar não cedeu a Portas, como noticiava o “Sol” na sexta, os escalões de IRS e a sobretaxa não mudaram, como avançava o “Expresso” no sábado. Ficou tudo na mesma. Gaspar venceu. E ficou só. […]

É preciso inventar a esperança. Ela não morreu, apenas não está no Governo que a devia erguer.

(Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios)

16 Outubro, 2012 at 7:19 pm Deixe um comentário

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