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“ÁRVORE DE NATAL”
Uma “Árvore de Natal” original: em cada um dos primeiros 25 dias do mês de Dezembro, uma surpresa, com links especiais (por exemplo, no dia 7, as “Tradições de Natal” em vários países do mundo, incluindo Portugal)… – (via Mediatic)
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JOÃO GARCIA – UM SONHO, UMA PAIXÃO
João Garcia tem uma paixão.
Por essa paixão, perdeu um amigo, perdeu alguns dedos. perdeu até uma parte do nariz.
Foi, até hoje, o único português a .conquistar. o Evereste.
Está agora envolvido numa nova aventura: o Monte Vison, o mais alto cume da Antártida, com cerca de 5000 metros.
Esta é mais uma etapa no seu percurso de conquista dos 7 cumes mais altos do planeta, depois de já ter vencido o Evereste, o Aconcágua, o Mckinley e o Elbrus… ficando a faltar apenas o Kilimanjaro e o Cartensz.
Um homem que vive pelo seu sonho e que fez dele a sua vida.
Um exemplo!?
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RESOLUÇÕES DE ANO NOVO
Este é um texto do César Valente que considero magnífico e que não resisti a transcrever:
.Este ano passou muito mais rápido que os anteriores. Estamos praticamente em Dezembro e, pelas minhas contas, passaram-se só uns seis meses desde Janeiro. Não sei quem é o responsável por essa velocidade absurda nem quem tratou de fazer com que a gente não acompanhasse o ritmo deste ano apressado. O facto é que temos que fazer imediatamente coisas que normalmente só faríamos daqui a umas três ou quatro semanas, para não sermos surpreendidos por 2004.
A coisa mais importante do final do ano é a lista de resoluções do Ano Novo. Foi para isso que Dom Gregório inventou o calendário. Para que de tempos em tempos pudéssemos purgar os nossos defeitos, preguiças e incapacidades e redimir-nos fazendo um rol de propósitos, vontades e sonhos.
Automaticamente passamos dos fracassados que às vezes somos no final do ano, para os vitoriosos por antecipação que sempre seremos em Janeiro.
A lista, portanto, é fundamental para um réveillon bem sucedido. Depois de uma certa idade, é até mais necessária do que a lista de pedidos para o Pai Natal. Porque essas resoluções de Ano Novo são, na verdade, presentes que, ao longo dos doze meses, queremos dar-nos.
A elaboração da lista requer um certo cuidado e alguma ciência. Não dá para fazê-la totalmente nefelibata. Nem cumpre a sua função se for completamente rastaquera. É preciso dosear sonho, realidade, possibilidade e utopia, de tal maneira que seja também um desafio e cumpra a sua função inspiradora..
E, depois, continua assim:
.Vou mostrar parte da minha lista, para ilustrar o nhém-nhém-nhém dos parágrafos iniciais.
O QUE EU QUERO DE 2004 (lista parcial, em construção)
– Publicar um ou dois livros (não consegui em 50 anos, mas quem sabe agora vai).
– Visitar o Rio de Janeiro, Niterói e Belo Horizonte (na verdade deveria dizer que quero visitar algumas pessoas nessas cidades).
– Ser (ainda) mais brincalhão.
– Escrever (finalmente) um trabalho científico que me dê algum título académico ou pelo menos prove para mim mesmo que aprendi alguma coisa em 33 anos de profissão.
– Encontrar uma revista de turismo (ou do que for) que me obrigue a viajar.
– Livrar-me do blggr/globo.
– Sucesso para os que me rodeiam e para quem eu vivo rodeando.
– Um ano um pouco mais lento, não só para que a idade custe mais a passar, mas para que a gente possa desfrutá-lo com calma, porque 2004, vocês sabem, será muito melhor que 2003..
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ADOPÇÃO – "QUANDO TODOS FICAM A GANHAR"
Existem actualmente cerca de 16 mil menores internados em dezenas de instituições estatais ou de solidariedade social em Portugal.
Dezenas de psicólogos e técnicos ligados a colégios, orfanatos e institutos de reinserção social têm defendido a extinção dos grandes estabelecimentos de acolhimento de crianças em risco, muitas das quais funcionando como “depósitos de crianças”.
Das referidas 16 mil crianças, mais de metade poderia, em alternativa e de forma vantajosa para todos os intervenientes (crianças, pais de acolhimento, instituições envolvidas), beneficiar de apoio e inserção familiar.
O novo regime jurídico da Adopção, em vigor desde Setembro, permite reduzir a morosidade dos processos de adopção, de mais de 3 anos para apenas 18 meses, possibilitando que casais com mais de 25 anos de idade e quatro de casamento possam aspirar a adoptar uma criança.
Também a idade limite para a adopção foi alargada, passando de 50 para 60 anos.
Uma pessoa individual pode também, desde que tenha mais de 30 anos, candidatar-se a acolher uma criança.
E, muito importante, a adopção pode (deve…) ser também realizada por casais já com filhos!
Mas. deixemos falar quem sabe do assunto, aqui!
P. S. Entretanto, vejo que acaba de ser lançada uma campanha que é imperioso divulgar: “Adopte uma atitude – As crianças agradecem”.
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APAV
Parece mentira mas não é.
A violência doméstica mata mais
do que o cancro e os acidentes
de automóvel. Só em Portugal
são mais de 10 000 queixas por
ano e, todos os meses, pelo menos
cinco são vítimas fatais.
Muitas mulheres não denunciam
por vergonha, mas a maioria tem medo.
Por isso agora a lei mudou e este
é um assunto de todos.
A violência doméstica é crime público.
Se conhece algum caso, dentro ou fora
da família, pode e deve denunciar.
Mas também pode ajudar divulgando
essa mensagem para o maior número
de pessoas possível. Um minuto
pode ajudar a salvar uma vida.
25 de Novembro – Dia Internacional Contra a Violência Contra as Mulheres
APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
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PRESTIGE (VI)
30.11.02 . .A impressão do governo é de que o fuel solidificou e que o que se mantém à tona é óleo e combustível do navio. – Mariano Rajoy, Vice-Presidente do Governo.
05.12.02 . .É verdade que estive no fim-de-semana de 24 de Novembro na Serra Nevada, mas não a esquiar. – Francisco Alvárez Cascos, Ministro do Fomento.
05.12.02 . .Pensa-se que o fuel está ainda a arrefecer; saiem uns pequenos fios, os que se viram, hoje em concreto, são quatro regueiros que se solidificaram com aspecto de plasticina em estiramento vertical. Deve sair de alguma das fendas. Os técnicos estão a estudar o significado disto. . Mariano Rajoy, Vice-Presidente do Governo de Espanha, no Congresso de Deputados.
12.12.02 . .Na catástrofe do Prestige, há apenas um culpado: o navio. – Ana Botella, esposa de Aznar.
24.12.02 . .As praias estavam limpas e esplendorosas, a visão era magnífica. – Federico Trillo, Ministro da Defesa (em Dezembro de 2002, a imensa maioria das praias continuavam cobertas de fuel, num estado terrível).
03.02.03 . .Se se chegasse à conclusão que a responsabilidade é de alguma autoridade pública, não o divulgaria, porque isso prejudicaria o património nacional. – Rodolfo Martin Villa, Comissário nomeado pelo Governo de Espanha para investigar a tragédia.
16.05.03 . .Os nossos peixes e mariscos atingiram dimensões que nunca tiveram. – Jaime Pita, Conselheiro da Presidência da Junta da Galiza.
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PRESTIGE (V)
20.11.02 . .O que temos feito é o trabalho que se tinha de realizar. Longe de qualquer protagonismo e próximo de encontrar a resposta. – Jaume Matas, ministro do Ambiente.
20.11.02 . .Estivemos a planear propor o bombardeamento do petroleiro com os nossos caças F-18 e os Harrier de descolagem vertical. – Federico Trillo, Ministro da Defesa.
22.11.02 . “O navio perdeu algum fuel ao ser rebocado” – Mariano Rajoy, Vice-Presidente do Governo (realmente, foram umas trinta mil toneladas.).
22.11.02 . .Há um dado claro, é que não se sabe qual a quantidade derramada. – Arsenio Fernández de Mesa, Delegado do Governo.
23.11.02 . .Não se trata de uma maré negra, mas apenas de manchas muito localizadas. – Mariano Rajoy, representante da Presidência.
24.11.02 . .Estive na caçada, mas vim sem participar nela, mas falei com o presidente da Câmara de Comércio de Madrid, o viguense Fernández Tapias, que sabe muito de petroleiros. E logo vim para a Galicia mesmo sem comer. – Manuel Fraga Iribarne, Presidente da Junta (numa caçada organizada pelo dono do .El Corte Ingles., no fim-de-semana em que o navio se encontrava à deriva)
27.11.02 . .Creio que há alarmismos muito pouco justificados. – José María Aznar, Presidente do Governo de Espanha.
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PRESTIGE (IV)
Durante o dia de hoje, relembrando a catástrofe ecológica do “Prestige”, apresentarei algumas declarações de responsáveis espanhóis, nos dias seguintes ao desastre, citações que têm vindo a ser introduzidas pelo Martin Pawley no Dias Estranhos.
Porque é preciso não esquecer; porque, durante o ano que passou, nada mudou em termos de medidas de prevenção; porque não queremos que se repita NUNCA MAIS!
14.11.02 . .O mais provável é que o fuel não chegue à costa galega. – Arsenio Fernández de Mesa, Delegado do Governo.
15.11.02 . “Já passou o perigo mais grave” – Manuel Fraga Iribarne, presidente da Junta da Galiza.
16.11.02 . .A rápida intervenção das autoridades espanholas, afastando o barco da costa, faz com que não temamos uma catástrofe ecológica. – Miguel Arias Cañete, Ministro da Agricultura.
17.11.02 . .Não pode falar-se de maré negra, apenas um derrame de fuel. – Enrique López Veiga, Conselheiro de Pescas.
17.11.02 . .Todo o fuel derramado que tinha que chegar à costa já chegou. – Enrique López Veiga, Conselheiro de Pescas.
19.11.02 . .O fuel do Prestige, que se encontra no fundo do mar, solidificará devido às baixas temperaturas e ali ficará para sempre. – Arsenio Fernández de Mesa, Delegado do Governo.
19.11.02 . .O destino do fuel no fundo do mar é o de se converter em pedra. – Arsenio Fernández de Mesa, Delegado do Governo.
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PRESTIGE (III)
Breve cronologia dos acontecimentos:
13.11.02 . O petroleiro Prestige, com 77 000 toneladas de fuel a bordo, está em risco de naufrágio, cinco milhas ao largo do Cabo Finisterra.
14.11.02 . Os 14 tripulantes são resgatados de helicóptero, sendo o comandante entregue às autoridades marítimas.
16.11.02 . As autoridades espanholas ordenam que o Prestige, com um grande rombo no casco, navegue para Sul, em direcção à Zona Económica Exclusiva Portuguesa. Uma fragata da marinha portuguesa impede a entrada do petroleiro nessa área.
19.11.02 . O navio não resiste, parte-se em dois e naufraga, cerca de 20 milhas ao largo do Cabo Finisterra. As manchas de fuel na água atingem uma grande dimensão, tornando claro que a maré negra seria inevitável.
20.11.02 . O fuel, muito espesso e gorduroso, começa a dar à costa, confirmando as piores previsões.
23.11.02 . Uma quantidade assinalável de voluntários chega à .Costa da Morte. para ajudar na limpeza das praias, operação de grande envergadura que decorreu ao longo de cerca de três meses.
30.11.02 . O Rei de Espanha e o Príncipe Felipe visitam Muxia, uma das zonas mais afectadas, e ouvem a população desesperada a pedir a intervenção do exército.
10.12.02 . A recém-formada plataforma .Nunca Mais. realiza uma monumental manifestação em Santiago de Compostela, alertando as autoridades para o drama da maré negra.
28.02.03 . É dada por concluída a limpeza das praias, depois de recolhidas manualmente quase 50 000 toneladas de crude.
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PRESTIGE (II)
.Às 15:15 do dia 13 de Novembro de 2002, o petroleiro .Prestige., que navegava junto à costa da Galiza, lançava um S. O. S., alertando sobre as suas grandes dificuldades. À deriva durante seis dias, acabou por afundar-se, originando uma catástrofe ecológica e social sem precedentes na nossa história.
Um ano depois, continuamos à espera que se demitam os responsáveis públicos que, com as suas decisões inapropriadas, converteram o acidente numa tragédia para um país.
Este .blogue. não esquece os culpados do desastre, nem compartilha do discurso triunfalista das autoridades, e está consciente de que o governo não adoptou ainda nenhuma medida que possa evitar que algo de semelhante volte a acontecer.
Continuaremos exigindo responsabilidades.
Nunca Mais..
..E tal dia fez um ano.. Costuma dizer-se assim para encomendar ao esquecimento os acontecimentos a que damos uma importância desmesurada. Imagino que ao longo destes trezentos e sessenta e cinco dias, os políticos envolvidos no desastre do Prestige repetiram essa sentença com a esperança de conseguir para as suas responsabilidades um esconderijo seguro.
E esta semana completa-se o primeiro aniversário deste acontecimento, um dos mais trágicos da nossa história, que eles converteram em inesquecível com a sua incompetência e sua soberba. Pior seria para nós se fosse cumprido o desejo que o seu negro coração oculta de não sabermos tirar aprendizagem e experiência do que aconteceu.
Agora sabemos que não temos .Estadinho., que a sua autonomia e o seu estatuto são apenas mais uma forma de nos manter submetidos e de anular a nossa capacidade de decisão e de reacção: que ninguém faça nada, porque isto é para se tratar em Madrid, parece ter dito alguém com muito mando. Podem ir caçar, insistiu. E os de cá (que são os mesmos de lá) foram obedientes .a corcear., como diria Ánxel Fole, que quem paga é o .El Corte Inglés..
Mas também aprendemos que não temos Estado. Que aquele ao qual pertencemos por imperativo legal tampouco não serve para nada além de andar com o navio de cima para abaixo soltando merda como quem caga num ventilador. Enquanto uns tantos caçavam e os outros olhavam para o lado, assobiando para o ar.
Naquele momento soubemos de uma vez por todas que o nosso só terá saída se formos capazes de agarrar o futuro com as nossas mãos. Que são as nossas mãos nuas o único instrumento com que contamos para sermos alguém. Que nada podemos esperar de uns políticos mentirosos e falsários que nem se atreviam a vir, porque além disso são cobardes e estúpidos.
E comprovamos com tristeza mas com orgulho como soavam mais de duzentas mil vozes em coro no Obradoiro; como se uniam as mãos das crianças galegas para encadear esta tragédia com um futuro mais esperançoso. Como crescia a indignação enquanto se descobria a indignidade que os cobria e cobrirá. Como as janelas e varandas se enchiam de gritos em branco e negro, enquanto o seu coração remoía ódio e rancor ao contemplar que não aparecia em nenhum lado a resignação e a submissão que esperavam.
E assim, aprendizagem após aprendizagem, fomos construindo uma experiência nova, que vale tanto como dizer, um conhecimento da realidade que nos aproxime um pouco a fazermo-nos donos do nosso futuro. A dizer-lhes que não podemos confiar em ninguém senão em nós mesmos, porque nos demonstraram que nos desprezam tanto quanto são capazes, como de facto fizeram, de insultar e blasfemar impunemente. Dizer-lhes que sabemos que no fundo sabem como grande foi o nosso sofrimento, mas ignoram como é grande agora o nosso conhecimento. Provocaram-nos um grande dano, mas proporcionaram-nos o poder de vislumbrar o caminho da sabedoria: os sábios são livres.
Também nos deixaram um rosário de tristes palavras: .fiozinhos de plasticina., .fuel que se converterá em pedra., .só sabemos que não sabemos.. E outras pérolas das quais só quero destacar mais uma: .cães que ladram nas esquinas., porque na Costa da Morte se diz que os cães que ladram em vésperas de Natal fazem isso para avisar que chegam os esbirros de Herodes para degolar os inocentes.
Haverá quem me diga que não aprecia tais aprendizagens na realidade de hoje, mas quero dizer a quem assim o pense, que as mudanças que se produzem nos corações demoram para se manifestar na sociedade. Por isso me atrevo agora a dizer que faz um ano que começou para muitíssimos galegos um tempo novo e, com a sua força, já NUNCA MAIS nada vai ser como antes..
Xabier P. Docampo
Novembro 2003
P. S. Não pretendendo imiscuir-me em questões do foro interno espanhol, não quis deixar de apresentar o texto (em cuja tradução para português colaborei), tendo em consideração a sua vertente de protesto contra a catástrofe do Prestige, que .não se pode repetir. NUNCA MAIS!
P. S. 2 – Xabier P. Docampo recebeu o Prémio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil em 1995.
P. S. 3 – Estes textos estão editados, em 8 línguas (galego, castelhano, catalão, euskera, português, francês, inglês e italiano), numa página que nos apela a não esquecer a tragédia.
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