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25 DE ABRIL – "SÉCULO ILUSTRADO"
Pelas 11h45, era lido novo comunicado do “Movimento das Forças Armadas”:
“Na sequência das acções desencadeadas na madrugada de hoje, com o objectivo de derrubar o regime que há longo tempo oprime o País, as Forças Armadas informam que de Norte a Sul domina a situação e que em breve chegará a hora da libertação.
Reafirma-se o desejo veemente de evitar derramamento de sangue mas igualmente se reafirma a decisão inabalável de responder decidida e implacavelmente a qualquer oposição que as forças militarizadas e policiais pretendam oferecer.
Recomenda-se de novo à população que se mantenha calma e nas suas residências para evitar incidentes desagradáveis cuja responsabilidade caberá integralmente às poucas forças que se opõem ao Movimento.
Chama-se a atenção de todos os estabelecimentos comerciais de que devem encerrar imediatamente as suas portas, colaborando desta forma com o Movimento, de modo a evitar açambarcamentos desnecessários e inúteis.
Caso esta determinação não seja acatada, será forçoso decretar o recolher obrigatório. Ciente de que interpreta fielmente os verdadeiros sentimentos da Nação, o Movimento das Forças Armadas prosseguirá inabalavelmente na missão que a sua consciência de portugueses e militares lhes impõe.
Viva Portugal!”
P. S. Nos últimos dias, aqui foram sendo apresentadas algumas “memórias do 25 de Abril”, através dos comunicados do MFA e de primeiras páginas de jornais da época. Tal tem por objectivo – a propósito da data que agora comemoramos – a divulgação de documentação centralizada em arquivo na excelente página do Instituto Camões (fazendo-a, de alguma forma, “reviver”), onde poderão ser também encontrados muitos outros documentos de carácter histórico, cuja consulta recomendo vivamente.
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25 DE ABRIL – "EXPRESSO"
Às 10h47, novo comunicado é lido aos microfones do Rádio Clube Português:
“O Movimento das Forças Armadas constata que a população civil não está a respeitar o apelo já efectuado para que se mantenha em casa.
Muito embora o controle das acções desencadeados seja quase total, tendo já o ex-ministro do Exército abandonado o Ministério e entrado em contacto com oficiais superiores do Comando do Movimento, pede-se mais uma vez à população que permaneça nas suas casas, a fim de não pôr em perigo a sua própria integridade física.
Em breve será radiodifundido um comunicado esclarecendo o domínio da situação.”
P. S. Desta vez, permitir-me-ão o agradecimento mais “especial”, ao Professor Vital Moreira, pela honra com que me distingue, com a referência no Causa Nossa. Obrigado!
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25 DE ABRIL – "O SÉCULO"
Às 8h45, era emitido nova comunicação (essencialmente, reafirmando o teor do comunicado precedente):
“As Forças Armadas iniciaram uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados, as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que venha a manifestar-se.
Consciente de que interpreta os verdadeiros sentimentos da nação, o movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal!”
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MEGA FERREIRA E LISBOA
Não tive ainda oportunidade de ver referência na blogosfera à crónica / artigo de opinião de António Mega Ferreira, na revista .Visão. (edição de 15 a 21 de Abril), sob o título .Lisboa, minguante..
Escreve Mega Ferreira: .Ciclicamente (quando saem os resultados de um novo censo), erguem-se vozes de alarme perante aquilo que é o decréscimo continuado da população do concelho de Lisboa. Quando eu era adolescente, Lisboa tinha «cerca de um milhão de habitantes», dizia-se, para arredondar o prestígio da metrópole; hoje, são pouco mais de 650 mil os que ainda residem no perímetro do concelho..
E, na sequência de uma análise em que diagnostica os problemas que afectam Lisboa, Mega Ferreira conclui: .E, no entanto, nunca se fez sentir tanto a falta de uma política de promoção que seja capaz de devolver à cidade a sua atractividade como lugar de residência, de trabalho e de lazer. Também é para isso que se elege uma gestão autárquica. Esta ou outra..
Estará Mega Ferreira exclusivamente numa posição de .observador. / comentador? Poderão os últimos dois períodos do texto ser apercebidos como uma forma de posicionamento para uma .intervenção mais activa. do autor? Depois dos .sucessos. que teve na acção que desenvolveu ao serviço da Parque Expo na requalificação urbana da zona oriental da cidade de Lisboa, poderá / quererá Mega Ferreira .abalançar-se. a uma tarefa de índole .mais abrangente., ao nível dos Paços do Concelho?
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25 DE ABRIL – "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
Às 7h30, Luís Filipe Costa lia o 5º comunicado do dia:
“Aqui posto de comando das Forças Armadas.
Conforme tem sido transmitido, as Forças Armadas desencadearam, na madrugada de hoje, uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados as F. A. têm apelado para a não intervenção das forças policiais, com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que se venha a manifestar.
Consciente de que interpreta verdadeiros sentimentos da Nação, o M. F. A. prosseguirá na sua acção libertadora, e pede à população que se mantenha calma e que recolha às suas residências.
Viva Portugal.”
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25 DE ABRIL – "DIÁRIO POPULAR"
Eram 6h45, quando foi emitido o 4º comunicado do “Movimento das Forças Armadas”:
“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Atenção elementos das forças militarizadas e policiais.
Uma vez que as Forças Armadas decidiram tomar a seu cargo a presente situação, será considerado delito grave qualquer oposição das forças militarizadas e policiais às unidades militares que cercam a cidade de Lisboa. A não obediência a este aviso poderá provocar um inútil derramamento de sangue, cuja responsabilidade lhes será inteiramente atribuída.
Deverão, por conseguinte, conservar-se dentro dos seus quartéis até receberem ordens do Movimento das Forças Armadas. Os comandos das forças militarizadas e policiais serão severamente responsabilizados, caso incitem os seus subordinados à luta armada.”
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25 DE ABRIL – "REPÚBLICA"
Às 5h15, era emitido o terceiro comunicado:

“A todos os elementos das Forças Militarizadas e policiais, o Comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos. Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar.
Apelamos, portanto, para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas. Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem por qualquer forma conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas.
Informa-se a população de que, no sentido de evitar todo e qualquer incidente ainda que involuntário, deverá recolher a suas casas, mantendo absoluta calma. A todos os elementos das forças militarizadas, nomeadamente às forças da G.N.R. e P.S.P. e ainda às Forças da Direcção-Geral de Segurança e Legião Portuguesa, que abusivamente foram recrutadas, lembra-se o seu dever cívico de contribuírem para a manutenção da ordem pública, o que, na presente situação, só poderá ser alcançado se não for oposta qualquer reacção às Forças Armadas. Tal reacção nada teria de vantajoso, pois conduziria a um indesejável derramamento de sangue, que em nada contribuiria para a união de todos os portugueses. Embora estando crentes no bom senso e no civismo de todos os portugueses, no sentido de evitarem todo e qualquer recontro armado, apelamos para que os médicos e o pessoal de enfermagem se apresentem em todos os hospitais para uma colaboração que fazemos votos seja desnecessária.”
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25 DE ABRIL – "A CAPITAL"
O segundo comunicado do “Movimento das Forças Armadas” foi transmitido às 4h45 na antena do Rádio Clube Português:
“LISBOA, CAPITAL, REPÚBLICA, POPULAR…”
…Foi este o “pregão” que então passou a poder ouvir-se dos ardinas!
A partir de hoje, diariamente, recordando os 30 anos do “25 de Abril”, algumas das 1ªs páginas dos jornais da época, a par do texto dos vários comunicados do “Movimento das Forças Armadas”, lidos neste dia histórico, aos microfones do Rádio Clube Português.
LAPIDAÇÃO DE AMINA
Actualização:
Recebo confirmação do Luís Novaes Tito de que a informação abaixo está desactualizada, tendo a sentença de condenação de Amina sido anulada (ver a página da Amnistia Internacional, da CNN, e também aqui). Portanto, a petição abaixo indicada visará eventuais outros casos de condenação à morte.
O Supremo Tribunal da Nigéria ratificou a condenação à morte de Amina por lapidação.
A sentença apenas foi adiada em virtude de ainda se encontrar a amamentar o seu filho. Depois será enterrada até ao pescoço e, em seguida, apedrejada… a menos que um “dilúvio de e-mails” repudiando a condenação faça com que as autoridades nigerianas voltem atrás na decisão.
Através de uma campanha de assinaturas como esta salvou-se uma outra mulher na mesma situação. Não se perde nada, mas ganha-se no sentido humanitário. Não duvidem e façam-no por favor. Safiya também seria lapidada porque teve um filho depois de divorciada.
A Amnistia Internacional solicita o apoio através da nossa assinatura na sua pagina web. Basta entrar no site e assinar!
P. S. – Indica o LNT (em comentário) que Amina foi já absolvida. De facto, tinha tido conhecimento dessa notícia. Contudo, recebi hoje informação (eventualmente incorrecta ?) de que o Supremo Tribunal da Nigéria teria ratificado a condenação, a qual estaria apenas adiada. De qualquer forma, a Amnistia Internacional mantém activa a petição em luta contra a condenação à morte.
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