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ELEIÇÕES PARLAMENTO EUROPEU (II)
Resultados das eleições realizadas em 19 de Julho de 1987 (em simultâneo com eleições para a Assembleia da República):
Inscritos . 7 787 603
Votantes . 5 639 650 (72,42 %)
Abstenções . 2 147 953 (27,58 %)
Brancos . 68 475 (1,21 %)
Nulos . 74 240 (1,32 %)
PPD/PSD . 2 111 828 (37,45 %) . 10 eleitos
PS . 1 267 672 (22,48%) . 6 eleitos
CDS . 868 718 (15,40%) . 4 eleitos
CDU . 648 700 (11,50%) . 3 eleitos
PRD . 250 158 (4,44%) . 1 eleito
PPM . 155 990 (2,77%)
UDP . 52 835 (0,94%)
PDC . 40 812 (0,72%)
PSR . 29 009 ( 0,51%)
MDP/CDE . 27 678 (0,49%)
PC(R) . 24 060 (0,43%)
PCTP/MRPP . 19 475 (0,35%)
Eleitos:
– PPD/PSD (10): Pedro Miguel de Santana Lopes, Rui Alberto Barradas do Amaral, Manuel Pereira, Carlos Alberto Martins Pimenta, Vasco Manuel Verdasca da Silva Garcia, António Jorge de Figueiredo Lopes, Virgílio Higino Gonçalves Pereira, António Joaquim Bastos Marques Mendes, Fernando dos Reis Condesso e Pedro Augusto Cunha Pinto
– PS (6): Maria de Lourdes Ruivo da Silva Matos Pintasilgo, Luís Filipe Nascimento Madeira, António Antero Coimbra Martins, Fernando Manuel dos Santos Gomes, Joaquim Jorge de Pinho Campinos e Fernando Luís de Almeida Torres Marinho
– CDS (4): Francisco António Lucas Pires, José Miguel Nunes Anacoreta Correia, José Vicente de Jesus de Carvalho Cardoso e Francisco Gentil da Silva Martins
– CDU (3): Ângelo Matos Mendes Veloso, Joaquim António Miranda da Silva e José Aurélio da Silva Barros Moura
– PRD (1): José Manuel de Medeiros Ferreira
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ELEIÇÕES PARLAMENTO EUROPEU (I)
No próximo dia 13 de Junho os portugueses vão ser chamados a exercer um seu direito, mas também .dever cívico.: o de eleger – em conjunto com cidadãos de outros 24 países membros da União Europeia (10 dos quais apenas desde o dia 1 de Maio!) -, os seus (24) representantes no Parlamento Europeu, uma das instituições da União, a partir de agora composta por 732 deputados.
De forma errada, poderemos ser conduzidos a um raciocínio do tipo: .24 representantes em 732 deputados não têm qualquer expressão, sendo indiferentes os eleitos, pelo que não valerá a pena o .esforço. da deslocação ao local de voto…
De facto, estas eleições têm sido tradicionalmente .ignoradas. pela população portuguesa, perfilando-se no presente caso concreto a ameaça do maior absentismo de sempre, num país que estará bastante envolvido com o EURO 2004 – e, em muitos casos, numa situação de “fim-de-semana prolongado”.
Não obstante, parece-me que o esboço de raciocínio anterior será tão incorrecto como o de pensar, a propósito de umas eleições legislativas: .porque vou eu (por exemplo eleitor do Distrito de Beja) votar, para eleger 3 deputados, quando o Distrito de Lisboa elege cerca de 15 vezes mais?. ou .o meu voto individual não vai ter qualquer importância no apuramento dos resultados finais..; é que . essa será uma das virtualidades da democracia . todos os votos .valem o mesmo.; isto é, não é pelo facto de os alemães elegerem 99 .euro-deputados. que valerá .mais a pena. votar na Alemanha do que em Portugal!
O que será importante esclarecer são as competências e atribuições do Parlamento Europeu e a forma como se organizam os eleitos (por famílias políticas transnacionais).
Tema para outro texto nesta semana, ao longo da qual farei também uma breve apresentação dos resultados de anteriores .eleições europeias..
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FELIPE E LETIZIA
A monarquia espanhola tem, ao longo dos quase 30 anos que D. Juan Carlos leva de reinado, procurado preservar uma imagem de recato, longe dos acontecimentos que têm publicitado negativamente outras casas reais.
O regime (monárquico) pode ser muito discutido (e discutível), mas, no caso de Juan Carlos, houve especificidades muito próprias que o distinguem dos restantes monarcas, desde logo o facto de ter sido legitimado pelo referendo que aprovou a Constituição espanhola.
Felipe de Borbón sabe que recai sobre si a responsabilidade de dar continuidade a um reinado que teve de passar pela circunstância de se afirmar como garante da democracia e como forma de cimentar a unidade nacional.
O seu casamento com Letizia Ortiz, hoje celebrado – marcando a actualidade em quase todas as televisões do mundo -, transborda portanto o carácter de uma cerimónia privada, na medida em que a noiva assume também, enquanto futura rainha, um papel de representante da nação, todo um compromisso de vida que vai muito para além da mera relação conjugal.
P. S. Sendo um facto “relevante”, parece-me bastante excessiva a cobertura televisiva que as estações portuguesas vêm fazendo do acontecimento desde os últimos dias.
P. S. 2 – Novos agradecimentos, ao Shall I Tell You a Dream, Nimbypolis e O Blog do Alex.
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CONSTRUIR ABRIL
Esta era a .última grande oportunidade. para comemorar o .25 de Abril..
30 anos são já .uma vida.!
Mas é um decurso de tempo que permitiu que a generalidade dos participantes naquele histórico dia de 1974 (com as grandes excepções de Salgueiro Maia e de Melo Antunes) pudessem trazer-nos ainda as suas .memórias vivas..
Os portugueses (de praticamente .todos os quadrantes.) souberam aproveitar essa .última grande oportunidade., conseguindo unir-se e associar-se à comemoração da liberdade e da abertura à democracia.
Tal como nestes 30 anos, mas, a partir de agora cada vez com mais pertinência, mais do que recordar o passado, será necessário .construir. Abril no .dia a dia., nos seus significados essenciais, o do reforço da democracia e o do desenvolvimento de Portugal.
Uma nota final para sublinhar – como refere Paulo Querido -, o activo papel da .blogosfera. nestas comemorações, acabando por contribuir para despoletar o debate .lá fora, no mundo real. . é de elementar justiça destacar o seu próprio contributo, assim como o de Zé Nuno e André Luz (Grão de Areia), José Mário Silva (Blogue de Esquerda), Daniel Oliveira (Barnabé) e “Dona Vi” (A Internet Para as Domésticas) que, com o .blogue. .Aqui Posto de Comando., possibilitaram agregar mais de 500 textos evocativos da data.
Finalmente, a referência a alguns artigos publicados nos .media tradicionais.: de Vital Moreira, no Público; de Nuno Severiano Teixeira, no Diário de Notícias; de António Barreto e de Mário Mesquita, também ambos no Público… e, a fechar, noutra perspectiva, Vasco Pulido Valente (também no Diário de Notícias).
P. S. Devo também um agradecimento especial a todos aqueles que proporcionaram que, ontem . o dia .D. ., o Memória Virtual fosse o segundo .blogue. mais visitado no sistema Weblog.com.pt (logo após o .imbatível. Barnabé, que abriu também as suas .portas. aos textos dos leitores). Obrigado!
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XVI)
Cerca da 01h25, Spínola, acompanhado pelos restantes membros da formada .Junta de Salvação Nacional. (Rosa Coutinho, Pinheiro de Azevedo, Costa Gomes, Jaime Silvério Marques e Galvão de Melo . sendo que Diogo Neto se encontrava em Moçambique), procede a comunicação ao país do programa da “Junta” (ver em “entrada estendida”).
Pelas 6 horas da manhã, o almirante Américo Thomaz, o prof. Marcello Caetano, os ex-ministros Moreira Baptista e Silva Cunha, eram conduzidos, sob escolta militar, para o Aeródromo Base 1, tendo embarcado num avião da Força Aérea, que os transportou para a ilha da Madeira.
Ao som de uma marcha militar americana, da autoria de John Philipp De Souza (que pode ouvir aqui), a Revolução triunfara, abrindo portas à democracia (que viria ainda a ser necessário consolidar no termo do processo revolucionário), condição indispensável para que, alguns anos mais tarde, fosse possível a integração plena de Portugal na Comunidade Económica Europeia, entretanto fortalecida com a transformação em União Europeia, um dos factores decisivos na Evolução que o país viria a registar.
P. S. Ao longo dos últimos dias, aqui foram sendo divulgados um conjunto de elementos históricos, essencialmente recolhidos na excelente página do Instituto Camões, que procurei ir fazendo “reviver”, celebrando e transmitindo a “memória viva” de um período-chave da nossa história colectiva.
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(mais…)
HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XV)
Cerca das 22 horas, forças de pára-quedistas chegam à prisão de Caxias, onde a PIDE/DGS continuava a resistir. Render-se-ia definitivamente cerca das 12 horas do dia seguinte.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XIV)
Cerca das 19h30, Marcello Caetano, Moreira Baptista e Rui Patrício saem do quartel do Carmo, sob prisão, no chaimite .Bula., dirigindo-se ao quartel da Pontinha, onde Otelo Saraiva de Carvalho mantinha a coordenação e o comando operacional do movimento.
A Baixa de Lisboa é invadida por enorme multidão que vitoria as Forças Armadas e a Liberdade. O Golpe de Estado militar tinha sido transformado em Revolução.
Às 20h05, seria lida a Proclamação do Movimento das Forças Armadas, confirmando-se formalmente a queda do Governo.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XIII)
Às 18 horas, no Largo do Carmo, Francisco Sousa Tavares dirige-se ao povo (que saíra à rua, afluindo em massa ao Largo do Carmo), apelando à calma e ao comportamento com civismo, visando afastar a população, de forma a permitir a saída dos governantes.
Spínola chega ao Largo do Carmo; acompanhado por Salgueiro Maia, entra no quartel para dialogar com Marcello Caetano, recebendo o poder.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XII)
Por volta das 17 horas, a GNR rende-se; Salgueiro Maia, depois de se deslocar ao interior do Quartel e de falar com Marcello Caetano, anuncia à população, ainda via megafone, que vai proceder-se à transferência de poderes de Caetano para António Spínola.
[1238]
HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (XI)
Cerca das 16 horas, a solicitação de Salgueiro Maia, o coronel Abrantes da Silva entra no Quartel para dialogar com os sitiados.
Quinze minutos depois, dava ordens aos seus homens para abrir fogo sobre a frontaria do Carmo.
Chega a ser colocado um blindado em posição de tiro, mas, cerca das 16h45, Pedro Feytor Pinto, director dos Serviços de Informação da Secretaria de Estado da Comunicação Social, e Nuno Távora, chefe de gabinete (entretanto chegados ao Quartel do Carmo para uma tentativa de mediação), apresentam uma mensagem de Marcello Caetano, dirigida ao general António Spínola, manifestando a intenção de lhe entregar o poder, para que .não caia na rua..
Entretanto, no Quartel de Lanceiros 2, onde se haviam refugiado o Presidente da República Américo Tomás, e os ministros da Marinha, Defesa e Exército, é hasteada bandeira branca. Américo Tomás conseguiria ainda seguir para casa, em Belém.
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