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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (X)
Pelas 15h10, Salgueiro Maia solicita, através de um megafone, a rendição do Quartel do Carmo, dando um ultimato de 10 minutos aos governantes refugiados, para se renderem.
Cerca de 15 minutos depois, Salgueiro Maia ordena ao tenente Santos Silva para abrir uma rajada da torre da Chaimite, sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (IX)
Cerca das 14 horas, agentes da PIDE/DGS disparam sobre estudantes que se manifestavam na Rua António Maria Cardoso, provocando um morto. Seis horas mais tarde, ainda no mesmo local, a DGS faria mais quatro mortos.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (VIII)
Pelas 11h30, as forças que ocupavam o Terreiro do Paço são repartidas, dirigindo-se as da Escola Prática de Cavalaria ao Quartel da GNR, no Largo do Carmo; enquanto que as dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1, comandadas nomeadamente por Jaime Neves, se dirigiam aos quartéis da PSP e da PIDE/DGS.
Por volta das 12h30, Salgueiro Maia cercava o Quartel do Carmo, em que se refugiavam o primeiro-ministro Marcello Caetano, o ministro do Interior Moreira Baptista e o ministro dos Negócios Estrangeiros Rui Patrício, a quem daria um ultimato para que se rendessem.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (VII)
Cerca das 9 horas da manhã, depois de forças de Cavalaria 7 (ainda opostas ao movimento), terem tomado posição nas extremidades do Terreiro do Paço, junto das ruas do Arsenal e da Alfândega, nova coluna, comandada pelo brigadeiro Junqueira dos Reis procura opor-se aos militares do MFA.
As ordens de fogo dadas pelo brigadeiro (sobre o tenente Alfredo Assunção, que procurava negociar uma solução pacífica e, mais tarde, sobre o próprio Salgueiro Maia) não seriam contudo respeitadas pelos soldados, acabando os militares por abdicar da confrontação.
À semelhança do ocorrido cerca das 7 horas com anterior coluna de Cavalaria 7, comandada pelo major Ferrand de Almeida, que havia sido enviada ao Terreiro do Paço para se opor ao militares do MFA, transferindo-se para o lado de Salgueiro Maia, também agora, novamente, metade da coluna transferia-se para o MFA, acabando o brigadeiro por regressar ao quartel.
A fragata .Gago Coutinho., que, também cerca das 9 horas, se dirigira ao Cais das Colunas, a quem Marcelo Caetano ordenara que bombardeasse o Terreiro do Paço, decide rumar ao Alfeite; acabaria por retirar (cerca das 12 horas), sob a ameaça de forças da Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas instaladas junto do Cristo-Rei.
A revolução estava “ganha”!.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (VI)
Pelas 5h55, as tropas comandadas por Salgueiro Maia instalam-se no Terreiro do Paço, cercando os ministérios, a Câmara Municipal, a Marconi, o Banco de Portugal e a 1ª Divisão da PSP, apontando armas ao Ministério do Exército.
Salgueiro Maia afirmaria ao jornalista Adelino Gomes que .Estamos aqui para derrubar o governo..
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (V)
O Rádio Clube Português que, desde as 4 horas, suspendera a transmissão do programa .A Noite é Nossa., emitindo apenas música, transforma-se em .Posto de Comando do MFA.; às 04h26, era emitido o primeiro comunicado, lido por Joaquim Furtado (que pode ouvir aqui!).
Seguir-se-iam novos comunicados às 04h45, 05h15, 06h45, 07h30 (nota histórica lida por Luís Filipe Costa, que comunica aos portugueses que .as Forças Armadas desencadearam uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.), 08h45, 10h47, 11h45 e 14h30 (comunicando já .Sua Excelência o Almirante Américo Tomás, Sua Excelência o prof. Marcelo Caetano e os membros do Governo encontram-se cercados por forças do Movimento.).
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (IV)
Pelas 3 horas da madrugada, os estúdios da RTP no Lumiar, do Rádio Clube Português (R. Sampaio e Pina) – 3h12 – e da Emissora Nacional (Quelhas) – 3h15 -, tal como o Aeroporto de Lisboa (4h20), são ocupados pelo .Movimento das Forças Armadas., sendo também cercado o Quartel-General, em São Sebastião da Pedreira (4h30).
Meia hora depois, pelas 3h30, uma coluna militar (com 10 viaturas blindadas e 12 viaturas de transporte de tropas), com origem na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, tendo como adjunto o tenente Alfredo Assunção, inicia a sua marcha em direcção a Lisboa.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (III)
Cerca da 01h30, Salgueiro Maia, depois de deter o comandante da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, faz acordar os militares, ordenando a formação em parada, .recrutando. os soldados disponíveis para o acompanhar numa acção militar a desencadear em Lisboa, com a finalidade de depor o regime.
Ao mesmo tempo (a partir das 2 horas), iniciam-se movimentações de forças em Lisboa (Batalhão de Caçadores 5 – que desencadearia as operações, com a ocupação do Quartel-General da Região Militar de Lisboa, em S. Sebastião da Pedreira), Mafra (Escola Prática de Infantaria, ocupando o Aeroporto), Aveiro, Lamego, Vendas Novas, Tomar, Viseu, Figueira da Foz, Estremoz, entre outras localidades.
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (II)

Às 00h20, no programa .Limite. (de produção independente), transmitido pela Rádio Renascença, em bobine previamente gravada, o locutor Leite de Vasconcelos – depois de ler a primeira estrofe (.Grândola, vila morena / Terra da fraternidade / o povo é quem mais ordena / dentro de ti ó cidade.) -, lançava no ar a música de Zeca Afonso, .Grândola Vila Morena. (que pode ouvir aqui!); a confirmação do início das operações; a Revolução já estava em marcha…
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HÁ 30 ANOS, A ESTA HORA (I)
Às 22h55 de 24 de Abril de 1974, através dos “Emissores Associados de Lisboa”, João Paulo Diniz coloca no ar, a partir dos estúdios do Rádio Clube Português, a canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho – que vencera a edição de 1974 do Festival RTP da Canção, realizado poucas semanas antes -, a “senha” de início da Revolução:
.Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, .E Depois do Adeus…
O processo é colocado em marcha!
“Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei…
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós”
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