Posts filed under ‘Cultura, Artes e Letras’

REALIDADE E FICÇÃO EM “ANJOS E DEMÓNIOS" (II)

A anti-matéria existe? Sim, sendo regularmente produzida no CERN, que não é aliás o único centro de pesquisa a produzi-la e a estudá-la. A antimatéria tinha sido antevista em 1928 pela teoria da mecânica quântica de Paul Dirac, tendo as antipartículas sido detectadas por Carl Anderson.

Como se pode “acondicionar” a antimatéria? É extremamente difícil, porque ela se aniquila completamente em contacto com a matéria. Podem acontecer duas situações:

(i) se uma antipartícula é electricamente neutra, os campos eléctricos e magnéticos não terão qualquer efeito sobre ela, não existindo nenhum meio de as manter afastadas das paredes (em matéria normal) do recipiente em que se encontram; assim, entram em contacto com a matéria praticamente de forma imediata, aniquilando-se automaticamente;

(ii) no caso de partículas de antimatéria com uma carga eléctrica, como os antielectrões e os antiprotões, é possível utilizar “garrafas electromagnéticas” para as acondicionar; contudo, as cargas da mesma polaridade repelem-se, não sendo possível juntar grandes quantidades de antiprotões, dado que a força de repulsão exercida entre eles se torna demasiado forte para que possam manter-se afastados das paredes.

Apenas será portanto possível acondicionar quantidades ínfimas de antimatéria.

13 Setembro, 2005 at 12:36 pm Deixe um comentário

REALIDADE E FICÇÃO EM “ANJOS E DEMÓNIOS" (I)

O CERN existe? Sim, o CERN – Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (“Centro Europeu de Pesquisa Nuclear”) é uma organização internacional, localizada numa zona fronteiriça entre a Suíça e a França, próxima do Aeroporto de Genève.

A “World Wide Web” foi de facto inventada no CERN? Sim, a “Web” teve origem no CERN, criada em 1989 pelo inglês Tim Berners-Lee, desenvolvida por uma pequena equipa entre 1989 e 1994.

E a Internet, foi também inventada no CERN? Não! A “Internet” inicial baseou-se nos trabalhos conduzidos por Louis Pouzin em França, retomados por Vint Cerf e Bob Kahn nos EUA, nos anos 70.

O CERN dispõe de um acelerador de partículas com 43 km de comprimento? O acelerador de partículas (LHC) é um anel de 27 km de circunferência, localizado a 100 metros de profundidade, sendo possível obter mais detalhes no site do LHC.

O CERN dispõe de um avião espacial X-33? Não!

12 Setembro, 2005 at 12:30 pm 2 comentários

LÍNGUA PORTUGUESA: ESTRANGEIRISMOS E NEOLOGISMOS (II)

“Depois da segunda guerra, com a intensificação do estudo da língua, com a enorme e eficaz propaganda dos Estados Unidos através do cinema, dos cursos, dos livros e das bolsas de estudo, o volume de anglicismos cresceu significativamente. Notamos apenas estes: truísmo, break, tender, cottage, miss, mister, dandy, darling, court, briche, James, fruit, salt, grape fruit, coldre, colt, wagon, spleen, Tilbury, rails, sleepers, sport, e modernamente todos os termos de esporte, de mecânica, de tracção, como no Brasil bonde, motorneiro e decalques: eletrocução, electrocutar. […]

Alguns puristas tentam reagir e aparecem vários elencos de galicismos, estrangeirismos, no afã de coibir o abastardamento do idioma. Outros procuram substituir os empréstimos por neologismos que vão forjando com muita produtividade, mas pouca aceitação. Aparecem, assim, quebra-luz, lucivelo, pantalha para substituir abat-jour; convescote em lugar de pic-nic, focale para cache-nez; nasóculos para pince-nez; runimol para avalanche; concião para meeting; pedibola para foot-ball; austista para chauffeur. Pouca sorte tiveram tais tentativas. O povo achou melhor acomodar o termo estrangeiro, escrevendo e dizendo abajur, piquenique, cachenê, pincenê, futebol, chofer. […]

O desenvolvimento da ciência biológica e mecânica forja numerosos neologismos que se tornam internacionais: termómetro, barómetro, hidrómetro, agrimensura, agrimensor, topografia, toponímia, antropometria, biometria, bioquímica, biotipologia, galvanoplastia, galvanização, galvanómetro, ferrocarril, fonógrafo, automóvel, automobilista, autódromo, velódromo, hipódromo, batracódromo, aerofagia, autoclave, plástica (matéria plástica), avião, aviação, aeroplano, monoplano, biplano, motorizar, motociclismo, motocicleta, composição (ferroviária), locomotor, locomoção, locomotiva, motonave, turbonave, volante, encouraçado, torpedo, submarino, dirigível (balão), rádio, radiotelegrafia, radiotelefonia, telegrama, telefone, televisão, televisionar, televisionados, telecomandar, etc.”.

Francisco da Silva Bueno, “A Formação Histórica da Língua Portuguesa”, 2ª ed. (1958)

9 Setembro, 2005 at 12:34 pm 1 comentário

LÍNGUA PORTUGUESA: ESTRANGEIRISMOS E NEOLOGISMOS (I)

“Os estrangeirismos afluíram abundantemente, de modo especial os galicismos; depois os anglicismos.

Garrett, Herculano, Castilho e sobretudo Camilo Castelo Branco adoptaram: petimetre, eclodir, explosir, bordel, bimbalhar, gavroche, patchouli, badine, boudoir, detalhe, afetado, adresse, de resto, obrigações a cumprir, de modo, de maneira a, desolado, baixa extracção (baixa origem), boche, dirandela, tigre, bigotismo, argot, agir, abordar, cólera, tal qual como, fazer valer, activar, calembourg, chefe de obra, matéria prima, dessedentar-se, esquissa, fazer política, filão, instalar-se, instalar, instalação, banal, amor por, ponto de vista, ter lugar, perder a cabeça e muitos outros que não podemos enumerar.

À medida que nos aproximamos de épocas mais modernas, cresce a avalanche dos vocábulos estrangeiros, trazidos da França, da Inglaterra, da Itália, da Espanha.

São exagerados, neste particular, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Maria Amália Vaz de Carvalho, para citar apenas alguns: sege, landeaux, debute, debutar, debutante, reps, massacrar, Algéria, Genève, attaché, boutonière, boulevard, avenu, tourist, fauteil, trousseaux, marron, feito em seda, bordado em ouro, estátua em mármore, coterie, feérico, conduta, chic, pantalonas, quinzena (terno de roupa), cheviote, luneta, etc.”.

Francisco da Silva Bueno, “A Formação Histórica da Língua Portuguesa”, 2ª ed. (1958)

9 Setembro, 2005 at 8:45 am Deixe um comentário

LÍNGUA PORTUGUESA: SUBSTRATOS ÁRABES

“Três séculos depois, a Península sofre nova invasão: a dos árabes. A civilização dos árabes era talvez superior à cristã; não puderam porém conquistar toda a Ibéria. Ao norte, no Cantábrico, ficou um reduto cristão, de onde partiu, com implacável tenacidade, a guerra da reconquista. Tem-se hoje como certo que a maioria dos árabes sofreu logo de início e cada vez mais a influência da cultura e até da língua românica; mas não é menos verdadeiro que alguma coisa devia ficar da longa dominação islâmica. O vocabulário português de origem árabe denuncia bem em que medida se exerceu entre nós a influência dos sarracenos, que introduziram na Península novidades referentes à agricultura, indústria, ciências e artes, jogos, comércios, administração, etc.

Alguns dos vocábulos mais usuais de origem árabe: açorda, alambique, álcool, alecrim, alfaiate, algarismo, alqueire, armazém, arroba, arrobe, azul, fatia, garrafa, mesquinho, oxalá, xadrez, xarope, etc.

Pelo sentido destas palavras verificamos que o domínio da civilização árabe foi grande, pelo que respeita aos aspectos materiais da vida […].

Logo, a requintada cultura árabe não tocou na estrutura da língua; limitou-se a enriquecer o vocabulário de palavras que traduzem geralmente as aquisições da técnica e os gozos terrestres da vida.”

M. Rodrigues Lapa, “Estilística da Língua Portuguesa”, 8ª ed. (1975)

8 Setembro, 2005 at 8:35 am Deixe um comentário

LÍNGUA PORTUGUESA: SUBSTRATOS GERMÂNICOS

“Veio depois a grande arremetida dos bárbaros germânicos. A Península é outra vez invadida e assolada. Mas os germanos possuíam uma civilização inferior; dominando pelas armas, deixaram intacta a velha cultura, imprimindo-lhe leves modificações, sobretudo no campo do direito.

A língua continua a mesma; porém o vocabulário foi acrescido de um certo número de palavras, que denunciavam as preocupações guerreiras dos conquistadores.

Termos de guerra, sobretudo, ou coisas aparentadas com a guerra, foi quanto a língua adquiriu com a invasão dos germanos: agasalhar, albergar, arreio, baluarte, banir, barriga, bradar, brandir, dardo, elmo, escaramuça, esgrimir, franco, galope, garbo, gastar, guerra, grinalda, luva, marchar, orgulho, raça, roubar, sala, tirar, trepar, etc.

Como vemos, a maioria destes vocábulos tem uma fisionomia acentuadamente militar. A acumulação dos rr parece dar-lhes a sonoridade dum tinir de armas; a natureza violenta e selvática dos germanos espelhou-se nas predilecções do seu vocabulário.”

M. Rodrigues Lapa, “Estilística da Língua Portuguesa”, 8ª ed. (1975)

7 Setembro, 2005 at 8:45 am Deixe um comentário

LÍNGUA PORTUGUESA: SUBSTRATOS CELTAS

“Muito antigas e muito profundas foram as influências dos celtas na Ibéria. […]

Vindos do Sul da Germânia, penetraram na Hispânia depois de haver dominado as Gálias. Apareceram primeiramente na Catalunha e daí se expandiram por todo o território. Guerreiros e agricultores, encontraram, certamente, resistência, procurando fixar-se nas montanhas, nas elevações do terreno onde fosse mais fácil a defesa.

Os topónimos revelam esta preocupação, encerrando a palavra briga, fortaleza, sego, vitória, dunum, mais ou menos aldeia, burgo e bona, cidade. A Lusitânia enumera Conimbriga (Coimbra), Brigantium (Bragança), Caladunum (Cala, em Trás-os-Montes), Ebora (Évora), Lisbona (Lisboa).

No vocabulário geral não é menor a contribuição dada por este povo: camisa (camisa), saio, saia (sagum), cabana (cappana), cerveja (cerevisia), légua (leuca), salmão (salmo), carro (carrus), carpinteiro (carpentarius), brio (brigos), vassalo (vassalus), arar (ara, planície), tona (pele, casca dos frutos, superfície dos líquidos), manteiga (mantica), parra, parreira, bragas (bracae), caminho (caminum), gato (cattus), cavalo (caballus), calandra, bico, camba, gamba (camba), trado (taratru), lança (lancea), palanfreneiro, de paraveredus através da fonética provençal, Epona, Eponina, a deusa dos cavalos, calhau, teixo, etc.”.

Francisco da Silva Bueno, “A Formação Histórica da Língua Portuguesa”, 2ª ed. (1958)

6 Setembro, 2005 at 12:36 pm 3 comentários

LÍNGUA PORTUGUESA: ORIGENS

Será hoje incontroverso que a língua portuguesa decorre de uma transformação lenta e sucessiva, ao longo de séculos, do latim (idioma do Lácio, região que inclui a actual cidade de Roma), uma língua de raíz indo-europeia (aliás comum à generalidade das línguas actualmente faladas na Europa e em algumas regiões da Ásia).

O latim, inicialmente falado por um reduzido número de pessoas, de usos “bárbaros”, conseguiu transpor as suas limitadas fronteiras originais, sobrepondo-se às restantes línguas de Itália, e também de grande parte do Centro e Sul da Europa, como do Norte de África.

Efectivamente, com a formação do vasto Império Romano, o latim tornar-se-ia em “língua corrente” de diversos territórios, pelo uso do que se pode denominar de “latim vulgar”, que viria a originar – quando a unidade do Império foi abalada – um variado leque de dialectos.

Com a fundação dos primeiros Estados modernos, os dialectos regionais foram-se concentrando, por efeito do predomínio de alguns deles, começando assim a definir-se as línguas românicas: castelhano, catalão, dalmático, francês, galego-português, italiano, provençal, reto-romano, romeno e sardo.

Que viriam a ser também influenciadas por outros contributos, de que aqui referirei alguns durante esta semana, no que concerne ao caso específico da língua portuguesa…

5 Setembro, 2005 at 8:28 am Deixe um comentário

CUBO MÁGICO PERFEITO (VI)

Finalmente, as 30 “pequenas diagonais” serão obtidas da seguinte forma:

(a) 10, resultando dos 5 planos horizontais (sobrepostos) anteriormente apresentados:

(b) Outras 10, resultando de 5 planos do cubo que poderíamos designar como frontais (numa perspectiva de profundidade), conforme exemplificado de seguida:

(c) E, por fim, as restantes 10, resultando de outros 5 planos laterais do cubo (na perspectiva da largura), conforme exemplificado de seguida:

2 Setembro, 2005 at 8:41 am Deixe um comentário

CUBO MÁGICO PERFEITO (V)

As 4 grandes diagonais (tendo por ponto central a quadrícula do plano intermédio com o número 63):

Diagonal 1: 25 + 64 + 63 + 62+ 101 = 315
Diagonal 2: 90 + 69 + 63 + 57 + 36 = 315
Diagonal 3: 67 + 39 + 63 + 87 + 59 = 315
Diagonal 4: 5 + 44 + 63 + 82 + 121 = 315

1 Setembro, 2005 at 8:48 am Deixe um comentário

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