5.ª vitória de Tadej Pogačar no “Tour de France”

26 Julho, 2026 at 6:58 pm Deixe um comentário

Tadej Pogačar chega às cinco vitórias no “Tour”, igualando o registo das maiores figuras da prova, alcandorando-se ao nível de Anquetil, Merckx, Hinault e Indurain.

Esta foi, aliás, uma edição “sem história”, no que respeita à disputa pelo 1.º lugar.

Bastante antes da queda que levou à desistência de Jonas Vingegaard, na 15.ª etapa, já o esloveno tinha o triunfo “no bolso”, contando quatro minutos e meio de vantagem sobre o seu principal rival – tendo começado por fazer a diferença logo no sexto dia, nos Pirenéus, vencendo a etapa, a solo, com 2:38 minutos de avanço, completou o trabalho na 10.ª e na 14.ª etapas (que ganhou também, adicionando, por coincidência, em cada uma delas, mais 54 segundos ao diferencial face ao até então vice-líder).

No total, Pogačar somou cinco vitórias em etapas, passando a totalizar 26 triunfos (apenas superado, nesta altura, pelas 35 etapas ganhas pelo sprinter Mark Cavendish, as 34 de Eddy Merckx e as 28 de Bernard Hinault).

Mas, o mais impressionante, é que, ainda antes disso, começara, logo na 2.ª etapa, em Barcelona (primeira disputada individualmente, após o arranque com um contra-relógio por equipas… vencido pela Visma, de Vingegaard, o que lhe proporcionara ostentar o “maillot jaune”), por oferecer a vitória ao seu colega de equipa, Isaac del Toro.

Para, na 20.ª etapa, abdicar da disputa da etapa, de novo em prol do apoio ao mexicano, ajudando-o a preservar o lugar no pódio, deixando para trás a jovem (19 anos) promessa francesa, Paul Seixas… e deixando ir embora Evenepoel (o 2.º classificado da geral), ainda assim com o belga sem conseguir evitar segunda vitória de Carapaz, na etapa rainha, no Alpe d’Huez (onde Pogačar tinha triunfado na véspera!).

Mais do que um competidor único, Pogačar afirma-se como um grande líder, pelo qual os seus gregários estarão também dispostos a dar tudo.

Neste aspecto, de triunfos em etapas, esta foi uma edição especialmente concentrada: para além das cinco vitórias do esloveno, estiveram também em grande evidência: os belgas Tim Merlier (três etapas ganhas) e Remco Evenepoel (duas vitórias), tal como o equatoriano Richard Carapaz e o neerlandês Mathieu van der Poel.

Por fim, de assinalar, de novo, a singularidade de – para além do vencedor e do 10.º classificado – mais nenhum ciclista conseguir repetir a presença no “Top 10” entre 2025 e 2026.

Desta vez o único português em prova, Nelson Oliveira, aos 37 anos,  na 11.ª temporada ao serviço da Movistar, completou a sua 24.ª grande volta (10 “Tour” / 4 “Giro” / 10 “Vuelta”), em 24 participações, estabelecendo um fantástico “record” mundial, tendo disputado mais de 500 etapas!

Classificação geral final:

1.º Tadej Pogačar (Eslovénia) – UAE Team Emirates XRG – 73h 56′ 26”
2.º Remco Evenepoel (Bélgica) – Red Bull – Bora – Hansgrohe – a 06′ 26”
3.º Isaac del Toro (México) – UAE Team Emirates XRG – a 09′ 42”
4.º Paul Seixas (França) – Decathlon CMA CGM Team – a 11′ 56”
5.º Lenny Martinez (França) – Bahrain Victorious – a 13′ 02”
6.º Mattias Skjelmose (Dinamarca) – Lidl-Trek – a 14′ 59”
7.º Juan Ayuso (Espanha) – Lidl-Trek – a 17′ 48”
8.º Richard Carapaz (Equador) – EF Education – EasyPost – a 20′ 00”
9.º Thomas Pidcock (Inglaterra) – Pinarello–Q36.5 Pro Cycling Team – a 29′ 28”
10.º Jordan Jegat (França) – TotalEnergies – a 33′ 21”

65.º Nelson Oliveira (Portugal) – Movistar Team – a 4h 17′ 56”

É a seguinte a lista completa dos vencedores da maior prova de ciclismo mundial:

  • 5 vitórias – Jacques Anquetil (1957, 1961, 1962, 1963 e 1964), Eddy Merckx (1969, 1970, 1971, 1972 e 1974), Bernard Hinault (1978, 1979, 1981, 1982 e 1985), Miguel Indurain (1991, 1992, 1993, 1994 e 1995) e Tadej Pogačar (2020, 2021, 2024, 2025 e 2026);
  • 4 vitórias – Christopher Froome (2013, 2015, 2016 e 2017);
  • 3 vitórias – Philippe Thys (1913, 1914 e 1920), Louison Bobet (1953, 1954 e 1955), Greg Lemond (1986, 1989 e 1990);
  • 2 vitórias – Lucien Petit-Breton (1907 e 1908), Firmin Lambot (1919 e 1922), Ottavio Bottecchia (1924 e 1925), Nicolas Frantz (1927 e 1928), André Leducq (1930 e 1932), Antonin Magne (1931 e 1934), Sylvère Maes (1936 e 1939), Gino Bartali (1938 e 1948), Fausto Coppi (1949 e 1952), Bernard Thévenet (1975 e 1977), Laurent Fignon (1983 e 1984), Alberto Contador (2007 e 2009) e Jonas Vingegaard (2022 e 2023);
  • 1 vitória – Maurice Garin (1903), Henri Cornet (1904), Louis Trousselier (1905), René Pottier (1906), François Faber (1909), Octave Lapize (1910), Gustave Garrigou (1911), Odile Defraye (1912), Léon Scieur (1921), Henri Pélissier (1923), Lucien Buysse (1926), Maurice De Waele (1929), Georges Speicher (1933), Romain Maes (1935), Roger Lapébie (1937), Jean Robic (1947), Ferdi Kubler (1950), Hugo Koblet (1951), Roger Walkowiak (1956), Charly Gaul (1958), Federico Bahamontes (1959), Gastone Nencini (1960), Felice Gimondi (1965), Lucien Aimar (1966), Roger Pingeon  (1967), Jan Janssen (1968), Luis Ocaña (1973), Lucien Van Impe (1976), Joop Zoetemelk (1980), Stephen Roche (1987), Pedro Delgado (1988), Bjarne Riis (1996), Jan Ullrich (1997), Marco Pantani (1998), Oscar Pereiro (2006), Carlos Sastre (2008), Andy Schleck (2010), Cadel Evans (2011), Bradley Wiggins (2012), Vincenzo Nibali (2014), Geraint Thomas (2018) e Egan Bernal (2019) .

A competição não se disputou nas épocas das duas Guerras Mundiais (1915 a 1918 e 1940 a 1946). Foram anuladas as classificações (7 vitórias) de Lance Armstrong nas edições de 1999 a 2005.

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