O primeiro jornal

7 Abril, 2009 at 12:57 pm Deixe um comentário

De uma maneira geral, pode dizer-se que o jornalismo nasceu, em Portugal como em qualquer outro país, da confluência de três factores distintos: o progresso da tipografia, a melhoria das comunicações e o interesse do público pela notícia.

Durante algum tempo manteve-se a ideia de que a imprensa periódica começara em Portugal com as referidas relações de Severim de Faria. Examinando cuidadosamente, porém, as duas únicas que vieram a público, conclui-se facilmente que não podem assinalar o início do periodismo no nosso país por lhe faltar duas condições essenciais: a periodicidade e a continuidade ou encadeamento.

Estas características, aliadas à do objectivo eminentemente informativo, só se reúnem pela primeira vez nas chamadas Gazetas da Restauração, a primeira das quais tem o título, longo como todos os desse tempo, de Gazeta em Que Se Relatam as Novas Todas Que Houve Nesta Corte e Que Vieram de Várias Partes no Mês de Novembro de 1641 (Lisboa, na Ofic. De Lourenço de Anvers, com privilégio real concedido a Manuel de Galhegos por Alvará de 14 de Novembro de 1641).

[…]

É nessa efervescência política, acompanhada de intensa agitação de ideias, que se inscreve o aparecimento entre nós do jornalismo. O mais importante significado que apresenta é, pois, o de tornar periódica uma informação que até aí fora irregular, ao sabor da gravidade dos acontecimentos ou da vontade dos impressores. A sua periodicidade, anunciada no primeiro número, é mensal. A folha passa a ser esperada em determinadas datas, criando-se assim os hábitos característicos dos leitores da imprensa periódica.

As Gazetas da Restauração tinham circulação muito restrita, devido não só ao seu elevado preço (6 réis, em média – o que para a época era considerável –, variando o custo segundo o número de páginas), como ao baixíssimo nível de instrução. Poderemos visionar os seus leitores entre os comerciantes, homens de negócios e outros elementos instruídos da burguesia e a aristocracia ilustrada e mais directamente interessada nas notícias da guerra com Castela.

Embora as condições fossem mais favoráveis após a Restauração, a primeira gazeta portuguesa estava ainda submetida às regras da censura prévia estabelecidas na carta de Filipe II (tít. CII do liv. V das Ordenações Filipinas) e confirmadas por D. João IV pela Lei de 29 de Janeiro de 1643, de acordo com as quais, «não se imprimiam livros sem licença d’El-Rei».

[…]

Tendo cessado a publicação da Gazeta em Setembro de 1647, foram postas em circulação, até 1663, algumas folhas volantes com as notícias da guerra da independência.

“História da Imprensa Periódica Portuguesa”, José Tengarrinha, 2º edição, 1989, pp. 35, 38 e 39

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