DECLARAÇÃO DE VOTO
20 Janeiro, 2006 at 1:57 pm 3 comentários
As ilações que retiro das reflexões anteriores traduzem-se numa opção de voto, que aqui deixo expressa, por um princípio de transparência que julgo devido a quem faz o favor de me ler (numa altura em que seria porventura “mais fácil” optar por não expressar esse sentido de voto ou, alternativamente, optar pela adesão à corrente aparentemente vitoriosa(!)). Não se trata de um apelo ao voto num candidato, mas tão só de uma espécie de “declaração de interesses”.
Porque vou votar Manuel Alegre?
– Porque estas eleições são “demasiado” importantes (muito mais do que se possa pensar!).
– Porque os resultados eleitorais dependem do voto (dos portugueses que decidam mobilizar-se, fazendo o “esforço” de se deslocarem às assembleias de voto, para exercerem o seu direito de cidadania), não sendo determinados pelas sondagens. E, em particular, nestas eleições, cada voto “conta”!
– Porque as funções presidenciais se centram na representação do país, na política externa, no acompanhamento (“suivi” na expressão em francês, traduzindo uma dualidade que integra também alguma componente de “fiscalização”) da acção do Governo. Manuel Alegre é hoje, a meu ver, o candidato com o perfil claramente mais adequado a estas funções.
– Porque as eleições presidenciais se destinam a eleger um Presidente da República e não um Governo. Durante a campanha eleitoral (uma campanha “morna”, sem grande debate de ideias), subsistiu a sensação de que o Presidente pode conduzir o país “para a frente”, tomando decisões; em Portugal, o órgão executivo é o Governo. Ao Presidente compete apreciar e validar essas decisões, mas não procurar de alguma forma influenciar a política governamental; é, acima de tudo, um moderador e um “árbitro” imparcial. Manuel Alegre, integrando o Partido Socialista, beneficia hoje da independência e autonomia necessárias para exercer uma magistratura de acompanhamento, sem ser “paternalista”, mas também sem “afrontar” / “bloquear” a acção governativa.
– Porque Portugal – depois dos anos atribulados que tem passado, com sucessivas alterações de Governo e, necessariamente, de políticas governamentais e, mais que isso, de orientações estratégicas (parecendo em alguns períodos não ter definido qualquer rumo futuro) – necessita, mais do que nunca nos últimos 10 anos, de garantir estabilidade. Manuel Alegre é o candidato que melhores garantias de estabilidade pode dar ao país, o que melhor pode contribuir para a “governabilidade”, evitando mais atrasos na evolução de Portugal, que não tem condições para continuar a ser um país “adiado”.
Os portugueses decidirão em consciência e, como é habitual dizer-se, a sua vontade será soberana; o candidato eleito será o Presidente de todos os portugueses. Independentemente das diferenças de opinião, é mais que altura de todos “puxarmos” para o mesmo lado!
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1.
Zé Pedro | 20 Janeiro, 2006 às 7:15 pm
Também vou votar no Manuel Alegre.
2.
Rui MCB | 20 Janeiro, 2006 às 9:31 pm
Mais uma reflexão para ajudar na minha. Um abraço.
3.
caterina | 21 Janeiro, 2006 às 3:30 pm
Eu não voto Manuel Alegre. A menos que passe à (desejada) segunda volta. Mas voto à esquerda, claramente. Cavaco é que não.