Liga dos Campeões – Final – Real Madrid – At. Madrid
Estádio da Luz, em Lisboa
Real Madrid – Iker Casillas, Daniel Carvajal, Sergio Ramos, Raphaël Varane, Fábio Coentrão (59m – Marcelo), Luka Modrić, Sami Khedira (59m – Isco), Ángel Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema (79m – Álvaro Morata)
At. Madrid – Thibaut Courtois, Juanfran, João Miranda, Diego Godín, Filipe Luís (83m – Toby Alderweireld), Raúl Garcia (66m – José Sosa), Tiago, Gabi, Koke, Diego Costa (9m – Adrián López) e David Villa
0-1 – Godín – 36m
1-1 – Sergio Ramos – 90m
2-1 – Gareth Bale – 110m
3-1 – Marcelo – 118m
4-1 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 120m
Cartões amarelos – Sergio Ramos (27m), Khedira (45m), Marcelo (118m), Cristiano Ronaldo (120m) e Raphaël Varane (120m); Raúl Garcia (27m), João Miranda (53m), David Villa (72m), Juanfran (74m), Koke (86m), Gabi (100m) e Diego Godín (120m)
Árbitro – Björn Kuipers (Holanda)
O fascínio do futebol em estado puro!… A explosão da esfuziante alegria da vitória, em completo contraste com o desespero da derrota.
Decorria o minuto 93 e o Atlético de Madrid tinha a Taça “nas mãos”, que, aliás, procurava segurar com “unhas e dentes” desde há cerca de vinte minutos, quando – depois de uma primeira parte muito “morna”, sem grandes momentos de futebol, em que os “colchoneros” haviam tido a eficácia de concretizar em golo uma das raras ocasiões de perigo – o Real Madrid, aproveitando a debilidade física do adversário, o vinha empurrando cada vez mais para a sua zona defensiva.
Foi feliz Carlo Ancelotti com a dupla aposta em Marcelo e Isco, a cerca de meia hora do final, dois jogadores que, com a velocidade que imprimiram ao futebol dos “merengues”, revolucionaram o jogo, acabando por “dinamitar” a já então cada vez mais frágil resistência dos adversários.
O Atlético de Madrid esteve a dois minutos (o árbitro tinha dado cinco minutos de tempo de compensação) de se sagrar, pela primeira vez no seu historial, Campeão Europeu. Mas, na verdade, o golo de Sergio Ramos, com excelente impulsão, a antecipar-se aos adversários, e a cabecear sem apelo nem agravo para o muito sereno Courtois, levando o jogo para prolongamento, vinha colocar justiça no marcador, em face do que ambas as equipas tinham produzido no decorrer dos noventa minutos.
Logo aí se percebeu que seria muito difícil ao Atlético ir buscar forças para reagir, mas, o Real Madrid teve então o mérito de procurar evitar que a Final chegasse ao desempate da marca de grande penalidade, indo em busca do golo. E, então, aconteceu futebol, de alta qualidade, grande intensidade e emoção.
O melhor momento desta Final surgiu aos 110 minutos quando Di Maria, velocíssimo, descaído no flanco esquerdo, passou por toda a – já bastante passiva – defesa contrária, culminando com um remate de belo efeito, para uma fantástica defesa de Courtois, perfeitamente “in-extremis”, a oferecer o corpo a bola, e a conseguir desviá-la com o pé… só que, atravessando toda a linha da pequena área, iria ter com Gareth Bale, que, com boa execução, num gesto técnico de dificuldade, conseguiria encostar a cabeça e consumar a reviravolta no marcador.
O Atlético de Madrid desapareceu então por completo do jogo, arrastando-se penosamente – não obstante Tiago ter tido ainda uma oportunidade para visar a baliza, e empatar a partida, mas o remate não saiu enquadrado com a baliza -, permitindo a Marcelo avançar sem qualquer oposição, apontando o terceiro golo. Outra vez no último minuto, haveria tempo ainda para uma grande penalidade, e para Cristiano Ronaldo – a meio gás – marcar o seu 17.º golo nesta edição da Liga dos Campeões.
Uma equipa que acaba por perder por 4-1 (o Benfica já passou por situação idêntica, na Final de 1968, depois de ter desperdiçado a oportunidade de ganhar no tempo regulamentar) fica sem grandes argumentos para se “queixar”, pelo que é dificilmente aceitável a forma exuberante como Diego Simeoni, o treinador do Atlético de Madrid entrou em campo no final da primeira parte do prolongamento (reclamando do tempo de compensação atribuído), e, de novo, logo após o apito final do árbitro, que, por seu lado, foi demasiado complacente (até no exagerado tempo de paragem que concedeu entre as duas partes do prolongamento).
As felicitações ao justo vencedor, Real Madrid, que conquista pela 10.ª vez a Taça de Campeão Europeu; uma palavra de apreço pelo esforço do Atlético de Madrid, que esteve tão perto do sonho…
Convocados para o Mundial 2014
Guarda-redes – Beto (Sevilla), Eduardo (Sp. Braga) e Rui Patrício (Sporting)
Defesas – André Almeida (Benfica), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valencia), Luís Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valencia)
Médios – João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting)
Avançados – Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (Sp. Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Nani (Manchester United), Rafa (Sp. Braga), Silvestre Varela (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).
O seleccionador nacional Paulo Bento anunciou esta noite o nome dos 23 jogadores convocados para a Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol, a disputar no Brasil, a partir do próximo dia 12 de Junho.
Em relação à anterior competição (Europeu 2012), mantendo-se o trio de guarda-redes, constata-se alguma remodelação, com a entrada de 7 jogadores: André Almeida, Luís Neto, Rúben Amorim, William Carvalho, Éder, Rafa e Vieirinha. Ao invés, deixam de integrar os seleccionados: Miguel Lopes, Rolando, Carlos Martins, Ruben Micael, Ricardo Quaresma, Custódio e Nélson Oliveira.
Comparando com o Mundial de há quatro anos, na África do Sul, a remodelação é, naturalmente, mais profunda, dado que se mantêm apenas os seguintes onze: os guardiões Beto e Eduardo, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Pepe, Ricardo Costa, Miguel Veloso, Raúl Meireles, Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida e Nani.
Na convocatória hoje anunciada, o novo campeão nacional, Benfica, conta com apenas dois jogadores, tal como o Sporting, tendo sido seleccionado somente um jogador do FC Porto; sendo o Sp. Braga a equipa portuguesa com mais convocados (três). Há portanto um contingente de 15 elementos a actuar em clubes estrangeiros, com destaque para Real Madrid (três), Fenerbahçe (dois) e Valencia (dois).
Taça de Portugal – Palmarés
Vencedor Finalista Épocas (Vencedor / Finalista) Benfica 25 10 1939-40; 1942-43; 1943-44; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1954-55; 1956-57; 1958-59; 1961-62; 1963-64; 1968-69; 1969-70; 1971-72; 1979-80; 1980-81; 1982-83; 1984-85; 1985-86; 1986-87; 1992-93; 1995-96; 2003-04; 2013-14 1938-39; 1957-58; 1964-65; 1970-71; 1973-74; 1974-75; 1988-89; 1996-97; 2004-05; 2012-13 FC Porto 16 12 1955-56; 1957-58; 1967-68; 1976-77; 1983-84; 1987-88; 1990-91; 1993-94; 1997-98; 1999-00; 2000-01; 2002-03; 2005-06; 2008-09; 2009-10; 2010-11 1952-53; 1958-59; 1960-61; 1963-64; 1977-78; 1979-80; 1980-81; 1982-83; 1984-85; 1991-92; 2003-04; 2007-08 Sporting 15 11 1940-41; 1944-45; 1945-46; 1947-48; 1953-54; 1962-63; 1970-71; 1972-73; 1973-74; 1977-78; 1981-82; 1994-95; 2001-02; 2006-07; 2007-08 1951-52; 1954-55; 1959-60; 1969-70; 1971-72; 1978-79; 1986-87; 1993-94; 1995-96; 1999-00; 2011-12 Boavista 5 1 1974-75; 1975-76; 1978-79; 1991-92; 1996-97/ 1992-93 V. Setúbal 3 7 1964-65; 1966-67; 2004-05 1942-43; 1953-54; 1961-62; 1965-66 1967-68; 1972-73; 2005-06 Belenenses 3 5 1941-42; 1959-60; 1988-89/ 1939-40 1940-41; 1947-48; 1985-86; 2006-07 Académica 2 3 1938-39; 2011-12 1950-51; 1966-67; 1968-69 V. Guimarães 1 5 2012-13/ 1941-42; 1962-63; 1975-76; 1987-88; 2010-11 Braga 1 3 1965-66/ 1976-77; 1981-82; 1997-98 Leixões 1 1 1960-61/ 2001-02 Beira-Mar 1 1 1998-99/ 1990-91 E. Amadora 1 - 1989-90 Atlético - 2 1945-46; 1948-49 Marítimo - 2 1994-95; 2000-01 Rio Ave - 2 1983-84; 2013-14 Estoril - 1 1943-44 Olhanense - 1 1944-45 Torreense - 1 1955-56 Covilhã - 1 1956-57 Farense - 1 1989-90 Campomaiorense - 1 1998-99 U. Leiria - 1 2002-03 Paços Ferreira - 1 2008-09 Chaves - 1 2009-10
Finais da Taça de Portugal
Edição Época Vencedor Finalista LXXIV 2013-2014 Benfica Rio Ave 1-0 LXXIII 2012-2013 V. Guimarães Benfica 2-1 LXXII 2011-2012 Académica Sporting 1-0 LXXI 2010-2011 FC Porto V. Guimarães 6-2 LXX 2009-2010 FC Porto Chaves 2-1 LXIX 2008-2009 FC Porto Paços Ferreira 1-0 LXVIII 2007-2008 Sporting FC Porto 2-0 LXVII 2006-2007 Sporting Belenenses 1-0 LXVI 2005-2006 FC Porto Setúbal 1-0 LXV 2004-2005 Setúbal Benfica 2-1 LXIV 2003-2004 Benfica FC Porto 2-1 LXIII 2002-2003 FC Porto U. Leiria 1-0 LXII 2001-2002 Sporting Leixões 1-0 LXI 2000-2001 FC Porto Marítimo 2-0 LX 1999-2000 FC Porto Sporting 1-1 2-0 LIX 1998-1999 Beira-Mar Campomaiorense 1-0 LVIII 1997-1998 FC Porto Sp. Braga 3-1 LVII 1996-1997 Boavista Benfica 3-2 LVI 1995-1996 Benfica Sporting 3-1 LV 1994-1995 Sporting Marítimo 2-0 LIV 1993-1994 FC Porto Sporting 0-0 2-1 LIII 1992-1993 Benfica Boavista 5-2 LII 1991-1992 Boavista FC Porto 2-1 LI 1990-1991 FC Porto Beira-Mar 3-1 L 1989-1990 E. Amadora Farense 1-1 2-0 XLIX 1988-1989 Belenenses Benfica 2-1 XLVIII 1987-1988 FC Porto V. Guimarães 1-0 XLVII 1986-1987 Benfica Sporting 2-1 XLVI 1985-1986 Benfica Belenenses 2-0 XLV 1984-1985 Benfica FC Porto 3-1 XLIV 1983-1984 FC Porto Rio Ave 4-1 XLIII 1982-1983 Benfica FC Porto 1-0 XLII 1981-1982 Sporting Sp. Braga 4-0 XLI 1980-1981 Benfica FC Porto 3-1 XL 1979-1980 Benfica FC Porto 1-0 XXXIX 1978-1979 Boavista Sporting 1-1 1-0 XXXVIII 1977-1978 Sporting FC Porto 1-1 2-1 XXXVII 1976-1977 FC Porto Sp. Braga 1-0 XXXVI 1975-1976 Boavista V. Guimarães 2-1 XXXV 1974-1975 Boavista Benfica 2-1 XXXIV 1973-1974 Sporting Benfica 2-1 XXXIII 1972-1973 Sporting V. Setúbal 3-2 XXXII 1971-1972 Benfica Sporting 3-2 XXXI 1970-1971 Sporting Benfica 4-1 XXX 1969-1970 Benfica Sporting 3-1 XXIX 1968-1969 Benfica Académica 2-1 XXVIII 1967-1968 FC Porto V. Setúbal 2-1 XXVII 1966-1967 V. Setúbal Académica 3-2 XXVI 1965-1966 Sp. Braga V. Setúbal 1-0 XXV 1964-1965 V. Setúbal Benfica 3-1 XXIV 1963-1964 Benfica FC Porto 6-2 XXIII 1962-1963 Sporting V. Guimarães 4-0 XXII 1961-1962 Benfica V. Setúbal 3-0 XXI 1960-1961 Leixões FC Porto 2-0 XX 1959-1960 Belenenses Sporting 2-1 XIX 1958-1959 Benfica FC Porto 1-0 XVIII 1957-1958 FC Porto Benfica 1-0 XVII 1956-1957 Benfica Sp. Covilhã 3-1 XVI 1955-1956 FC Porto Torreense 2-0 XV 1954-1955 Benfica Sporting 2-1 XIV 1953-1954 Sporting V. Setúbal 3-2 XIII 1952-1953 Benfica FC Porto 5-0 XII 1951-1952 Benfica Sporting 5-4 XI 1950-1951 Benfica Académica 5-1 X 1948-1949 Benfica Atlético 2-1 IX 1947-1948 Sporting Belenenses 3-1 VIII 1945-1946 Sporting Atlético 4-2 VII 1944-1945 Sporting Olhanense 1-0 VI 1943-1944 Benfica Estoril 8-0 V 1942-1943 Benfica V. Setúbal 5-1 IV 1941-1942 Belenenses V. Guimarães 2-0 III 1940-1941 Sporting Belenenses 4-1 II 1939-1940 Benfica Belenenses 3-1 I 1938-1939 Académica Benfica 4-3
U. Tomar – Centenário (XXXIII)
(“O Templário”, 15.05.2014)
Chegava-se então à temporada de 1975-76, que assinalaria a derradeira participação do União de Tomar na I Divisão. Atravessando uma época difícil, a sete jornadas do termo da competição, a formação tomarense ocupava a indesejada posição de “lanterna vermelha”, a três pontos dos lugares da “salvação”. Até que aconteceria uma das maiores surpresas do campeonato…
Um magnífico Boavista cedera entretanto a liderança (que ocupara durante a primeira fase da prova) ao Benfica, mas continuava a ocupar um estupendo 2.º lugar, e, sobretudo, não abdicara ainda da luta pelo título. Na 24.ª ronda, a 13 de Março de 1976, o União visitava o Estádio do Bessa e ninguém apostaria “um tostão” numa eventual possibilidade de triunfo unionista.
Bastaria porém um golo de Camolas, ao findar da primeira parte, para desmentir toda e qualquer lógica do futebol: os “rubro-negros” obtinham uma tão sensacional como absolutamente surpreendente vitória sobre o Boavista, em terreno alheio, que terá sido determinante para afastar o “Boavistão” de Pedroto da possibilidade de se vir a sagrar Campeão Nacional!
«Parecia fácil, por tudo isso e ainda porque os visitados, segundos da classificação, defrontavam o último da tabela. Realmente parecia fácil. Mas foi difícil. Parecia simples. E foi tremendamente complicado. Parecia de ganhar. E foi de perder. Sem um apelo, sem um reparo para o árbitro, sem outras atenuantes que fossem afinal, as ausências de Celso e de Alves. Celso que é dono do meio-campo, que aí segura o jogo, que aí mina o adversário, que o impede, aí, de se mostrar, de se organizar, de partir para o contra-ataque. Alves que é o estratega, o homem que constrói, que corre o campo, que mete a bola, quando não marca o golo, que disciplina os movimentos, o «empreiteiro» que faz os «alicerces» da actuação, que vê o lance, que faz jogar, que arrasta consigo a equipa, que lhe dá o balanço certo que é a «inteligência do «onze», o cérebro que o comanda, lá dentro, mesmo quando marcado, quando vigiado, quando policiado, quando perseguido em todos os terrenos, que tem sido o grande impulsionador do mesmo assim sensacional «Boavistão» de 1975-76, no sábado apenas «Boavistinha», confundido, desnorteado, descompassado, sem ritmo de início, depois nervoso, despistado, sempre ao ataque, um ataque porfiado, prolongado, constante, persistente, que deparou com todo um «União dos Defesas Unidos» que de Tomar foi até ao Bessa jogar uma cartada que se antevia difícil, quase impossível, mas que redundou num triunfo naturalmente surpreendente mas justificado, para não dizermos justo, sopesados bem os acontecimentos daqueles noventa minutos de nervos em franja para toda a gente, as duas equipas e todos os espectadores, sobretudo os interessados, os que sofreram mais com a derrota, por a ela não estarem habituados.
Não foi um jogo espectacular. Mas foi um espectáculo todo o jogo. Emotivo, emocionante, que prendeu toda a gente até ao derradeiro segundo do último minuto. […].
O União de Tomar acabou por vencer bem – por culpa alheia, também. E o Boavista perdeu mal – mas apenas porque jogou realmente mal. […]
Claro que o União, como já vimos, teve a sua tarefa de algum modo facilitada. Mas soube deitar a mão ao ensejo, soube aproveitar a oportunidade, soube construir, com abnegação e lucidez, o caminho que a conduziu ao êxito. Com certa dose de sorte, convenhamos. Mas o importante é que soube procurar essa sorte, soube agarrá-la, soube conquistá-la e, depois, soube guardá-la com determinação, soube segurá-la com unhas e dentes.»(1)
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O pulsar do campeonato – 26ª jornada
(“O Templário”, 15.05.2014)
Decidida que fora já – na jornada anterior – a atribuição do título de Campeão Distrital da I Divisão, conquistado com mérito pelo At. Ouriense, equipa mais regular ao longo de toda a competição, a derradeira ronda da prova tinha como aliciante principal a disputa da manutenção, ainda com três equipas envolvidas (Pontével, U. Chamusca e Benavente), procurando escapar ao indesejável 13.º lugar, posição que se traduz no ficar em suspenso do desempenho final do Riachense no Campeonato Nacional de Seniores.
Afinal, acabou por não haver surpresas, tendo as três equipas ainda em risco perdido os respectivos jogos: o Pontével, derrotado pelo vizinho Cartaxo por 0-3 (culminando um sofrido final de época, com cinco desaires nas cinco jornadas finais); o U. Chamusca, perdendo em casa com o Torres Novas (1-2); e o Benavente, goleado em Santarém, pelos Empregados do Comércio (1-5). Deste modo, mantiveram-se portanto as posições relativas dos três clubes, pelo que é o Benavente que se mantém em suspenso, tendo o seu futuro “nas mãos” do Riachense.
Nas outras quatro partidas, o novo Campeão, At. Ouriense, recebeu e bateu o Fazendense (4.º classificado), por 1-0, enquanto o vice-campeão, Coruchense, goleou o Amiense (5.º lugar) por 4-1. O Mação ganhou por 2-1 ao Assentis, na nona derrota consecutiva do grupo do município de Torres Novas. Por fim, despedindo-se “em beleza” da edição correspondente ao ano do Centenário, o União de Tomar completou uma série de quatro vitórias sucessivas – o melhor ciclo que registou em toda a prova –, vencendo, na recepção à U. Abrantina, por 2-0.
Num balanço final deste campeonato, destaque para o At. Ouriense, que, depois de um mau início (apenas obteve a primeira vitória à quarta jornada, somando apenas dois pontos nas três rondas inaugurais), engrenou para um excelente desempenho (melhor ataque, de forma destacada, apenas tendo sido superado, a nível de defesa menos batida, pelo Coruchense), com uma magnífica 2.ª volta, em que, em 13 jornadas, obteve doze triunfos, apenas perdendo no jogo “menos conveniente” para os interesses do União de Tomar, em Amiais de Baixo (o que impossibilitaria aos unionistas consumar a sua recuperação do 5.º lugar).
O Coruchense e o Torres Novas, embora claudicando em “momentos-chave” (a equipa de Coruche, tendo começado o campeonato com três empates, perdeu mais sete pontos nos seis primeiros jogos da 2.ª volta; os torrejanos, acumulando três desaires em quatro encontros, entre a 20.ª e a 23.ª jornadas) mantiveram, não obstante, alguma regularidade (28+29 pontos para o Coruchense; 27+25 pontos para o Torres Novas, nas duas metades da prova), que lhes permitiram alcançar os restantes lugares no pódio.
O Fazendense chegou a liderar a competição, prometendo bastante, mas, cinco derrotas na 2.ª volta, fizeram com que baixasse até ao 4.º posto. Os grupos do Amiense e do União de Tomar, respectivamente 5.º e 6.º classificados, ambos com épocas absolutamente tranquilas, tiveram desempenhos muito similares (19+25 pontos para a turma de Amiais de Baixo; 19+24 pontos para os unionistas). No caso específico do União de Tomar, o mau arranque (três derrotas nas quatro primeiras jornadas) acabaria por ser bastante penalizador, resultando em apenas 13 pontos obtidos no ano de 2013, face aos 30 conquistados no ano do Centenário…
Na prova dos tomarenses, destaque particular para um ciclo de oito jogos sem derrota, entre a 11.ª e a 18.ª jornadas (com um total de três meses sem perder, entre 15 de Dezembro e 16 de Março), assim como para a série final de quatro triunfos, para além da fantástica goleada obtida em Santarém (8-0), a maior de todo o seu centenário historial em jogos fora de casa. Adicionalmente, merece ainda registo que o União empatou no terreno do Campeão, At. Ouriense (onde, aliás, poderia ter ganho, com a tal grande penalidade em período de descontos!…); ganhou ao vice-campeão, Coruchense; venceu, frente ao 3.º classificado, em Torres Novas; empatou as duas partidas com o Fazendense (4.º); e ganhou também ao Amiense (5.º); não tendo perdido nenhum dos jogos com o Mação e Empregados do Comércio; e tendo ganho os dois desafios frente a Benavente, Assentis e U. Abrantina, demonstrando portanto, de forma cabal, a sua capacidade para se bater com qualquer adversário, em qualquer terreno.
O Mação (7.º) e o Cartaxo (9.º) registaram um comportamento aquém das expectativas, tendo os cartaxenses conseguido ainda empreender uma boa recuperação, com quatro vitórias nas cinco rondas finais. Os Empregados do Comércio, tendo superado alguns momentos negativos (goleadas sofridas ante o União, por 0-8, e Torres Novas, por 1-7, ambas em casa) obteve uma boa classificação (8.º lugar), superando o irregular Pontével, também abaixo do desempenho do ano anterior. O U. Chamusca, embora em esforço, conseguiria relegar o Benavente, com um mau campeonato, para a zona de risco da pauta classificativa. Por fim, Assentis (com uma muito má 2.ª volta, em que apenas somou 4 pontos), e U. Abrantina, com um péssimo rendimento (apenas uma vitória), acabaram por ser, com naturalidade, as duas equipas despromovidas.
No Distrital da II Divisão, Rio Maior e Barrosense (que empataram a um golo) garantiram já, ainda a duas jornadas do final, a promoção à I Divisão Distrital. Por seu lado, o também regressado à competição U. Santarém (tal como o grupo de Rio Maior), tendo ganho em Ferreira do Zêzere (1-0) abeira-se igualmente da subida, necessitando apenas de obter mais um ponto para confirmar tal posição, tendo beneficiado do desaire do Pego na Atalaia (0-1).
No Campeonato Nacional de Seniores, Alcanenense (empate 2-2 na Lourinhã) e Fátima (derrotado em casa, por 1-3, pelo Carregado) estavam já descansados. O Riachense, culminando uma excepcional recuperação (acumulando dez jogos de invencibilidade), com uma boa vitória em Porto de Mós (2-0) garantiu, pelo menos, o “play-off”, podendo mesmo confirmar a manutenção de forma directa, caso ganhe, na derradeira ronda, ao Lourinhanense.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Maio de 2014)
Liga Europa – Final – Sevilla – Benfica
Juventus Stadium, Turim – Itália
Sevilla – Beto, Coke, Nicolas Pareja, Federico Fazio, Alberto Moreno, Daniel Carriço, José Antonio Reyes (78m – Marko Marin) (104m – Kevin Gameiro), Stéphane Mbia, Vitolo (110m – Diogo Figueiras), Ivan Rakitić e Carlos Bacca
Benfica – Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira (99m – Óscar Cardozo), Rúben Amorim, Miralem Sulejmani (25m – André Almeida), André Gomes, Nico Gaitán (119m – Ivan Cavaleiro), Rodrigo e Lima
Desempate da marca de grande penalidade
0-1 – Lima
1-1 – Carlos Bacca
Óscar Cardozo permitiu a defesa a Beto
2-1 – Stéphane Mbia
Rodrigo permitiu a defesa a Beto
3-1 – Coke
3-2 – Luisão
4-2 – Kevin Gameiro
Cartões amarelos – Fazio (11m), Moreno (13m) e Coke (98m); Siqueira (30m) e André Almeida (100m)
Árbitro – Felix Brych (Alemanha)
É fácil agora concluir que o Benfica começou a perder esta Final no momento em que ganhou o direito a nela participar, precisamente em Turim, há menos de duas semanas, quando Enzo Pérez, Lazar Marković e Eduardo Salvio, por motivos disciplinares, ficaram privados de a jogar.
Sobretudo no caso de Enzo Pérez, a sua ausência fez-se sentir de forma notória, pela incapacidade revelada pela equipa em “pensar” o jogo de forma serena, sendo sistematicamente traída pela ansiedade da procura do golo, acusando em demasia a condição – porventura inédita no seu historial, em dez Finais europeias disputadas – de favorita.
Mas o Benfica pode queixar-se de vários outros factores, que justificam esta oportunidade perdida – traduzindo-se na oitava Final sucessiva em que fica marcado pelo inêxito, igualando a Juventus em número de finais falhadas -, mas, neste caso, com a nítida sensação de desperdício, que, inevitavelmente, deixa, mais que um travo amargo, uma verdadeira “azia”.
Desde logo, a lesão sofrida por Sulejmani apenas com pouco mais de 10 minutos de jogo, o que fez com que Jorge Jesus hesitasse durante quase quinze minutos, até se decidir pela opção que entendeu ser a mais apropriada para o substituir (fazendo avançar Maxi Pereira no terreno, e colocando André Almeida como defesa direito – depois de ter chegado a equacionar fazer entrar, de imediato, Ivan Cavaleiro). Pior do que ter jogado esse período em “inferioridade numérica” (Sulejmani estava, então, apenas a fazer figura de “corpo presente”), foi a sensação de desnorte que transmitiu à equipa, completamente perdida em campo, passando por alguns “maus bocados” até cerca dos 35 minutos do primeiro tempo.
Só nos derradeiros cinco minutos desta metade inicial o Benfica voltou a crer em si próprio e nas suas possibilidades, empurrando o Sevilla para o seu reduto defensivo, e desperdiçando a oportunidade de marcar.
O que se intensificaria no primeiro quarto de hora da segunda parte, período em que – aliada a alguma falta de tranquilidade – a incapacidade de concretizar em golo as diversas ocasiões de perigo de que dispôs (quatro sucessivas, à passagem do terceiro minuto), com a bola a fazer várias “carambolas” na defensiva sevilhana, ou com Beto em intervenções de grande “aperto”.
Mas, para além dos erros próprios – de novo, na fase final do jogo, Jesus voltaria a hesitar, assim como, depois, já no prolongamento, não teria a capacidade de arriscar, de forma a procurar evitar o desempate da marca de grande penalidade (Ivan Cavaleiro apenas entraria em campo aos 119 minutos (!), demasiado tarde para aproveitar a debilidade física que a equipa do Sevilla patenteava) -, e de alguma “falta de competência” para ganhar esta Final, houve um outro factor determinante, que não é possível escamotear.
É dificilmente compreensível que se possa ter tratado de incompetência o facto de, uma, duas, três vezes, o árbitro (e seus auxiliares, incluindo os de baliza), não terem visto – ou, pelo menos, não tenham assinalado – outras três situações de grandes penalidades, reclamadas pelo Benfica, uma, a findar a primeira parte, por evidente toque em Gaitán, outra, por derrube a Lima, aos 56 minutos (ambas originariam, adicionalmente, a expulsão dos infractores, dado que veriam o segundo cartão amarelo, respectivamente Fazio e Moreno!), e, ainda, uma terceira, por toque com o braço de Carriço, a desviar remate benfiquista na área de rigor.
Tendo deixado a decisão chegar aos pontapés da marca de grande penalidade, o ascendente passava automaticamente para a equipa espanhola – que, assim, alcançava o que pretendia desde há largos minutos, inclusivamente já no decurso do tempo regulamentar … -, pelo que nem valeria a pena referir a forma, à margem das regras, como Beto se posicionou para defender duas tentativas de conversão do Benfica, adiantando-se até à linha de pequena área; no fundo, beneficiando do “pavor” denotado por Cardozo, que, depois de ter ensaiado, por duas vezes, a “paradinha”, sem que o guardião português se deixasse enganar, ficou automaticamente “desarmado”, acabando por ter de rematar sem balanço, sem convicção, sem força, à figura, assim como da extrema fadiga que Rodrigo denotava já.
Depois de ter eliminado, nomeadamente, o Tottenham e a favorita Juventus, sem perder um único jogo na prova, o Benfica viu – uma vez mais – escapar-se a Taça, pela segunda vez consecutiva em dois anos. Muito duro de engolir… E, o pior, a inevitável sensação de uma flagrante oportunidade desperdiçada – face à notória superioridade demonstrada em relação ao adversário -, oportunidade que não sabemos quando poderá voltar a repetir-se… Há que continuar a porfiar!
Classificação Final – Campeonato Nacional Futebol 2013-14
Equipa J V E D GM GS P 1 Benfica 30 23 5 2 58 - 18 74 2 Sporting 30 20 7 3 54 - 20 67 3 FC Porto 30 19 4 7 57 - 25 61 4 Estoril 30 15 9 6 42 - 26 54 5 Nacional 30 11 12 7 43 - 33 45 6 Marítimo 30 11 8 11 40 - 44 41 7 V. Setúbal 30 10 9 11 41 - 41 39 8 Académica 30 9 10 11 25 - 35 37 9 Sp. Braga 30 10 7 13 39 - 37 37 10 V. Guimarães 30 10 5 15 30 - 35 35 11 Rio Ave 30 8 8 14 21 - 35 32 12 Arouca 30 8 7 15 28 - 42 31 13 Gil Vicente 30 8 7 15 23 - 37 31 14 Belenenses 30 6 10 14 19 - 33 28 15 Paços Ferreira 30 6 6 18 28 - 59 24 16 Olhanense 30 6 6 18 21 - 49 24
Campeão – Benfica – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
2º classificado – Sporting – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
3º classificado – FC Porto – “Play-off” de acesso à Fase Grupos Liga dos Campeões
4º classificado – Estoril – Entrada directa na Fase Grupos da Liga Europa
5º classificado – Nacional – “Play-off” de acesso à Fase Grupos da Liga Europa
Finalista Taça – Rio Ave – 3ª eliminatória de acesso à Fase Grupos da Liga Europa
Vencedor Taça – Benfica
Despromovido – Olhanense
Promovidos – Moreirense, Penafiel e Boavista (reintegração na 1.ª Liga)
Paços de Ferreira – Manutenção via play-off
Melhores marcadores:
1. Jackson Martinez – FC Porto – 20
2. Derley – Marítimo – 16
3. Rafael Martins – V. Setúbal – 16
Palmarés – Campeões:
Benfica (33) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14
FC Porto (27) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13
Sporting (18) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02
Belenenses (1) – 1945-46
Boavista (1) – 2000-01
U. Tomar – Centenário (XXXII)
(“O Templário”, 08.05.2014)
No final da época de 1974-75, em que o União de Tomar registara a sua quinta participação na I Divisão Nacional, garantindo a permanência por mais uma temporada, a formação unionista atingia, também pela quinta vez na sua história, os 1/4 Final da Taça de Portugal. Ditara o sorteio que a turma “rubro-negra” recebesse no seu terreno, a 25 de Maio de 1975, a visita do Sporting.
E, de alguma forma, aconteceria surpresa: não obstante não terem faltado oportunidades de golo, para ambos os contendores, o nulo no marcador não se alteraria, mesmo após a disputa de um prolongamento de trinta minutos.
«Quis-nos parecer que o Sporting está num mau momento ou «procurou-o», por causas diversas, logo neste encontro de Tomar. E podia, por isso mesmo, já estar afastado da competição […]. O «leão» precisava de um banho no Nabão. Para despertar da letargia. […]
Como dissemos, várias circunstâncias podiam ter contribuído para a pouca inspiração colectiva dos sportinguistas. Duas delas: a lesão de Fraguito, e a figura de corpo presente que Yazalde fez durante uma grande mão cheia de minutos. Atenuantes? Até certo ponto. Atenuantes em relação à pouca dinamização da linha média e à falta de poder de concretização da dianteira, mas, no resto, parece-nos que será pôr demasiados condicionalismos à excelente resistência dos tomarenses, focando as desgraças sem lhes contar os méritos.
Durante a época, a defesa de Tomar tem sido muito mal tratada pela crítica. Ontem, antes do jogo, era também a grande incógnita e pareceu-nos que da sua actuação dependia o êxito da equipa ou o seu rápido aniquilamento. […]
Assim, sobre cinco homens [Silva Morais, Kiki, Calado, Zeca e Fernandes] estava suspensa uma acusação. Afinal, o gato não conseguiu comer as filhós, a defesa do União, umas vezes com uma certa tranquilidade, de outras perfeitamente desaustinada, pontapeando para fora, afastando a bola de qualquer jeito da sua área, não se portou nada mal. A começar no guarda-redes [Silva Morais], que fez duas ou três defesas de grande categoria e jogou muito bem, durante toda a partida, e a terminar no homem do lado esquerdo [Fernandes]. […]
Foi uma forma inteligente de actuação, foi, também, sentido das realidades. Da forma como jogou, batendo-se bem na defesa e tentando chegar à baliza de Damas através de lances rápidos de contra-ataque, os homens de Tomar disputaram o jogo e podiam ter perfeitamente eliminado o Sporting.»(1)
Este fora o momento em que o União terá estado mais próximo das ½ Finais da competição, fase que, porém, nunca conseguiria franquear. Tendo forçado o grupo “leonino” a um jogo de desempate, o qual seria disputado apenas dois dias depois, agora em Lisboa, no Estádio de Alvalade, e no termo de mais uma época desgastante em termos anímicos e físicos, sem um adequado período de recuperação, o conjunto nabantino acabaria por soçobrar, perante uma exibição de grande nível do adversário, sendo goleado por pesados 0-5.
Cumprido que fora o objectivo fundamental, de manutenção entre os grandes do futebol português, complementado com uma boa e digna campanha também na Taça de Portugal (tendo eliminado Famalicão e Montijo, ambos por 5-3), era tempo de pensar na temporada seguinte…
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