O pulsar do campeonato – 25ª jornada

Pulsar-25

(“O Templário”, 08.05.2014)

Numa jornada – penúltima do Campeonato Distrital da I Divisão – completamente atípica, em que nenhum dos quatro primeiros classificados venceu (aliás, o trio de clubes que se posicionava no topo da tabela acabaria mesmo por sofrer três derrotas!), tudo ficou já decidido na frente da classificação, com o At. Ouriense a sagrar-se, pela primeira vez no seu historial, Campeão Distrital, garantindo assim a promoção ao Campeonato Nacional de Seniores.

Efectivamente, depois de, no feriado de 1 de Maio, ter perdido a Final da Taça do Ribatejo, disputada no Entroncamento, a favor do Fazendense (graças a um golo solitário do grupo de Fazendas de Almeirim), a turma de Ourém averbaria novo desaire, na sempre difícil deslocação a Amiais de Baixo, onde perdeu por 1-2. Não obstante, mercê da inesperada derrota do Coruchense em Benavente (0-1), mantendo-se os quatro pontos de diferença entre os dois primeiros, faltando realizar apenas a derradeira ronda, ficou já selada a conquista do título.

Também o Fazendense, depois de ter conquistado, pela terceira vez, a Taça do Ribatejo (que vencera também há dois anos), foi surpreendentemente desfeiteado no seu terreno, pelo Mação, também por 0-1. O que, por seu lado, possibilitou ao Torres Novas, e apesar de um também imprevisto empate caseiro (1-1) ante o Cartaxo, igualar a equipa do sul do Distrito, com vantagem dos torrejanos na diferença global de golos, o que lhes permitiu recuperar o 3.º lugar.

Pelo que, para os interesses do União de Tomar, aspirando ainda a poder atingir o 5.º lugar, foi determinante o facto de a equipa que ocupa essa posição ter sido precisamente a única, de entre os cinco primeiros, a vencer… Em dia de comemoração de Centenário, deslocando-se a Assentiz, onde defrontava uma equipa ameaçada pela descida de Divisão – apenas a vitória poderia servir os objectivos de qualquer das equipas – os tomarenses começaram por ser distinguidos com o bonito gesto do grupo da casa, que afixou, num dos topos do terreno, uma mensagem dando os Parabéns ao União pelos 100 anos, seguindo-se a retribuição por parte do Presidente unionista, que fez oferta ao seu congénere do livro com a história do clube.

Porém, entrando mal no jogo – pese embora até ter começado por assumir a iniciativa –, a turma “rubro-negra” seria surpreendida por um contra-ataque, vendo-se em posição de desvantagem logo a partir dos oito minutos. Numa partida de nervos à “flor da pele”, dado o que estava em jogo, em particular para o Assentis, as coisas complicar-se-iam bastante, na sequência da expulsão de dois jogadores da equipa da casa, período em que o conjunto de Tomar, com dois tentos de Fábio Vieira, conseguiria enfim operar a reviravolta, acabando por vencer por 2-1, apesar de ter finalizado também o encontro, igualmente reduzido a nove unidades em campo.

Uma vitória (terceiro triunfo sucessivo dos unionistas) que, dadas as notícias que chegavam de Amiais de Baixo, acabaria por se revelar inconsequente, uma vez que os nabantinos mantêm a 6.ª posição na tabela, que será a sua classificação final, independentemente dos resultados da derradeira jornada. Ao invés, para o Assentis, significou também, desde logo, o consumar da despromoção à II Divisão Distrital, acompanhando a U. Abrantina.

A formação de Abrantes, que será o último adversário dos tomarenses, em partida a disputar no próximo sábado, empatou em casa com o U. Chamusca (1-1), colocando assim termo a uma longa série de dez desaires consecutivos. Por fim, o Pontével, surpreendido no seu terreno, pelos Empregados do Comércio (perdendo por 2-4) pode ter complicado bastante as suas contas.

De facto, à entrada para o último dia da competição, resta definir quem será o antepenúltimo classificado, que poderá correr o risco de vir a ser despromovido, dependendo do comportamento do Riachense no Campeonato Nacional de Seniores. Nesta altura, o Benavente (que se desloca a Santarém, para defrontar os Empregados do Comércio), não obstante ter vencido nesta jornada, subsiste em posição mais delicada, a dois pontos do U. Chamusca (equipa que receberá o Torres Novas) e a três do Pontével (que visita o vizinho Cartaxo).

Em caso de empate pontual na classificação final entre Benavente e Pontével, o desempate será também pela diferença global de golos que, nesta altura, é favorável à formação do município do Cartaxo em quatro golos); no desempate entre U. Chamusca e Benavente, tem vantagem a turma chamusquense; na eventualidade de uma igualdade pontual entre os três clubes, seria também o Benavente o pior colocado. Quem ficou livre de preocupações foram as equipas dos Empregados do Comércio e do Cartaxo, tendo garantido já, matematicamente, a manutenção.

Na II Divisão Distrital, o Rio Maior (goleada de 5-0 sobre o Pego), abeira-se da promoção, assim como o Barrosense (que ganhou ao Ferreira do Zêzere por 3-1). Estas duas equipas têm agora, respectivamente, sete e seis pontos de vantagem sobre o 4.º classificado, Pego – faltando realizar três jornadas –, com o U. Santarém a retomar o último lugar de acesso à subida, ao vencer o Atalaiense por 5-3, agora com dois pontos de vantagem sobre o Pego.

Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, uma jornada totalmente vitoriosa para as equipas do Distrito, com destaque para a goleada (6-2) imposta pelo Riachense ao Carregado (seu rival na disputa de um lugar no “play-off” de manutenção); por seu lado, o Fátima venceu o Torreense por 1-0, mesmo resultado obtido pelo Alcanenense na recepção ao Portomosense. A duas rondas do final, o Riachense tem agora três pontos de vantagem sobre o Carregado, registando um atraso de quatro pontos em relação ao Lourinhanense (manutenção directa).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 8 de Maio de 2014)

11 Maio, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

«Paraíso» “rebentou pelas costuras” para receber a apresentação do livro «União de Tomar, cem anos de história»

Centenas de pessoas quiseram associar-se ao lançamento do livro «União de Tomar, cem anos de história» e lotaram, por completo, o café «Paraíso», um dos espaços mais emblemáticos da cidade nabantina. Antigas figuras do clube, desde dirigentes, jogadores e treinadores, passando aos actuais elementos que fazem o dia-a-dia do emblema, sem esquecer sócios, adeptos e diversas entidades do concelho, todos quiseram associar-se a um momento que serve de memória ao que têm sido os cem anos de um clube reconhecido à escala nacional.

De entre essas presenças, saliência para a de Fernando Mendes, antigo presidente do União de Tomar, que fica para a história do clube como o dirigente que contratou Eusébio. Também Manuel José, um nome que dispensa apresentações no panorama futebolístico nacional, quis associar-se a esta apresentação. Vítor Serpa, director do jornal «A Bola» e autor do prefácio do livro, explicou as razões que o levaram a apoiar a obra de Leonel Vicente.

(via Rádio Hertz)

8 Maio, 2014 at 7:43 pm Deixe um comentário

Sessão de Apresentação do Livro “União de Tomar – 100 Anos de História [1914-2014]“

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5 Maio, 2014 at 4:00 pm Deixe um comentário

Sessão de Apresentação do Livro “União de Tomar – 100 Anos de História [1914-2014]“

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(fotos de Sérgio Lira, a quem agradeço)

O meu imenso obrigado também ao Director do jornal “A Bola”, Vítor Serpa, e à Presidente da Assembleia Geral do União de Tomar, Dra. Graça Costa

5 Maio, 2014 at 3:59 pm Deixe um comentário

União de Tomar – Centenário

4 Maio, 2014 at 11:52 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXXI)

Centenário - 31

(“O Templário”, 01.05.2014)

No decurso de seis épocas na I Divisão o União de Tomar averbaria uma vitória e dois empates, quer com o FC Porto, quer com o Sporting. Porém, frente ao Benfica, alcançaria um único empate, na sua quinta presença no principal escalão, em partida disputada a 29 de Dezembro de 1974, face aos então tri-campeões nacionais, com o resultado a saldar-se por um nulo.

«Mas esteve certo mais este 0-0? Certíssimo, para uma e outra equipa, as quais não tiveram nem talento, nem inspiração para fazer melhor. E pode até acrescentar-se, ir um pouco mais longe, se dissermos que, na primeira parte, enquanto teve forças, o Tomar esteve bem mais perto de abrir o marcador do que o seu categorizado adversário. […].

O dispositivo da formação vem na ficha do jogo, mas podemos acrescentar ainda, o recuo de Cardoso, à frente do quatro defensivo e o adiantamento de Raul Águas, assim como um avançado centro-recuado, o primeiro com o objectivo de aumentar a segurança defensiva do sector, o segundo para aproveitar o seu excepcional poder de remate. E que remate.

Este dispositivo funcionou muito bem durante quase toda a primeira parte pois o Benfica experimentou sérias dificuldades para dele se libertar e raramente conseguiu dominá-lo, no primeiro tempo, quer dizer, penetrar na zona de remate em condições favoráveis de atirar à baliza de Silva Morais.

E com Águas, meio-liberto, na sua posição atrás dos dois pontas de lança, também algo se passou de confuso para a defesa benfiquista, a qual, nesse período, poucas vezes também se entendeu com o seu antigo companheiro de equipa.

E o golo esteve mesmo para acontecer, aos onze minutos, depois de um corte de Messias, o qual deixou a bola ao alcance de Águas. O remate partiu violento, indefensável, mas a trave, onde a bola embateu fragorosamente evitou o golo.»(1)

Recordemos também a “leitura” do desafio, na perspectiva da imprensa local:

«De tal modo que bom será dizer que o Benfica conseguiu ganhar um ponto em Tomar. Conseguiu e por sorte ou, talvez melhor, por azar do União.

Reparem só que o União disfrutou de duas oportunidades soberanas de golo feito que só por azar seu e sorte do Benfica não se concretizaram.

[L]ogo aos 11 minutos, Raúl Águas viu devolvida pela trave um remate potentíssimo, sem que José Henrique, estático na sua baliza, tivesse tido tempo de esboçar sequer qualquer gesto de defesa.

Depois cerca da meia hora, Bolota, com a baliza aberta, com toda a defesa benfiquista batida e com José Henrique já ultrapassado, atirou a bola que saiu a razar o poste lateral.

Na primeira parte os tomarenses jogaram como um todo, perfeitamente esclarecidos e os lisboetas nunca se chegaram a encontrar. […]

Foi a altura da defesa unionista mostrar o seu real valor. Tudo muito certo, de modo a desencorajar os benfiquistas que nunca puderam disfrutar de grandes largas nem viram criadas ocasiões de marcar.»(2)

____________

(1) Cf. “A Bola”, 30 de Dezembro de 1974 – Crónica de Aurélio Márcio
(2) Cf. “Cidade de Tomar”, 4 de Janeiro de 1975

4 Maio, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 24ª jornada

Pulsar - 24

(“O Templário”, 01.05.2014)

Tal como na passada semana, inicio este comentário com novo realce para o União de Tomar, que, obtendo novo triunfo, desta feita ante o Mação, por 2-0, não só garantiu matematicamente, a duas jornadas do final, o 6.º lugar, como continua a “sonhar” com a possibilidade de poder vir ainda a melhorar a sua posição na tabela classificativa.

De facto, dada a sequência final reservada pelo calendário ao Amiense – defrontando, nas três últimas rondas, os três primeiros classificados, tendo começado por perder (2-3) no terreno do Fazendense (3.º), recebendo na próxima jornada o líder, At. Ouriense, e finalizando a prova em Coruche (2.º) –, tendo-se entretanto reduzido a diferença face ao União a quatro pontos, caso a turma unionista consiga vencer os dois jogos que restam (curiosamente, contra os dois últimos classificados), poderá ainda ficar à espreita de um eventual deslize da formação de Amiais (que, para garantir a posição que actualmente ocupa necessitaria, nesse caso, de uma vitória, ou de empatar os seus dois últimos desafios).

Foi portanto uma jornada muito positiva para os tomarenses, a do passado fim-de-semana, beneficiando também das goleadas sofridas pelo Pontével (0-4, em Coruche) e pelos Empregados do Comércio (1-7, em Santarém, frente ao Torres Novas), para assegurar, como mínimo, o lugar em que se posiciona nesta altura – uma vez que ampliou para nove pontos a vantagem de que dispõe face ao trio agora formado por Cartaxo (vencedor caseiro, ante a U. Abrantina, por 4-3, de acordo com o site da A. F. Santarém, ou por 4-1, tendo por base outras fontes – somando uma boa série de três triunfos consecutivos, tantos quantos os obtidos em todo o restante campeonato…), Mação e Pontével.

Mas nem tudo foram más notícias para Mação, Pontével e Empregados do Comércio: na sequência dos resultados registados no passado fim-de-semana no Campeonato Nacional de Seniores, Alcanenense e Fátima garantiram já a manutenção, o que significa que, no pior dos cenários – caso o Riachense não consiga evitar a despromoção – terão de descer à II Divisão Distrital três equipas (12.º ao 14.º classificados).

Ora, o 12.º posto é actualmente ocupado pelo Benavente (também goleado, por 1-5, em Ourém, pelo comandante, que mantém um extraordinário registo, 100% vitorioso, nas 11 jornadas disputadas na segunda volta), que dista já seis pontos de Cartaxo, Mação e Pontével, cinco dos Empregados do Comércio, e quatro do U. Chamusca (vencedor, em casa, ante o Assentis, por 3-1), pelo que – se considerarmos ainda que o Benavente terá uma difícil recepção ao Coruchense, num derradeiro esforço de se manter ainda na luta pelo título – as probabilidades de uma destas cinco equipas poder vir ainda a cair nessa indesejada posição são relativamente remotas (em alguns casos, eventualmente já afastadas, dependendo da conjugação dos resultados dos diversos envolvidos).

O que, paralelamente, significa que o Benavente – tal como sucedeu na época ao União de Tomar, então em suspenso da classificação final do Alcanenense – deverá ficar dependente da manutenção ou não no Campeonato Nacional de Seniores por parte do Riachense. E isto também, porque, para além do já há muito matematicamente despromovido grupo da U. Abrantina (somou a décima derrota sucessiva), também o Assentis (perdendo na Chamusca conforme referido, assim ampliando para sete o ciclo negativo de desaires) está à beira de cair igualmente na II Divisão Distrital, dado que regista um atraso de cinco pontos face aos benaventenses.

Na II Divisão Distrital, o líder Rio Maior – que, até agora, beneficiava do facto de, na primeira volta, ter disputado quatro das cinco jornadas em casa –, impôs-se desta feita em Ferreira do Zêzere por categórico 5-3, tendo o Barrosense ido também vencer, à Atalaia (3-0), enquanto o Pego recebeu e bateu o U. Santarém, por 2-0. Deste modo, o clube de Rio Maior mantém o comando, com 13 pontos, mais um que o grupo da Barrosa, com o Pego a quatro pontos, dispondo agora já de uma margem de cinco pontos em relação à primeira equipa fora dos lugares de promoção, U. Santarém.

No Campeonato Nacional de Seniores, o Fátima perdeu na Lourinhã (0-1), enquanto Riachense e Alcanenense repartiram os pontos entre si, em Riachos, não desfazendo o nulo inicial. Os conjuntos de Alcanena (3.º) e Fátima (4.º), respectivamente com onze e dez pontos a mais que o 6.º classificado (Riachense), garantiram já, tal como indicado anteriormente – faltando ainda três jornadas para o final da prova –, a manutenção. O grupo de Riachos disputará com o Carregado (com quem partilha actualmente a posição, com o mesmo número de pontos) quem jogará o play-off de despromoção.

Na próxima jornada do Distrital, penúltima da competição, as atenções estarão focadas na disputa do título de Campeão, com dois sérios testes aos candidatos: em teoria, mais difícil o do guia, At. Ouriense, numa sempre complicada deslocação a Amiais de Baixo, enquanto o Coruchense visita Benavente, cuja (delicada) posição aparenta estar já definida. O grupo de Ourém tem a significativa vantagem de depender apenas de si, podendo sagrar-se desde já Campeão, se vencer; ou, mesmo no caso de empate ou derrota, desde que o Coruchense não ganhe o seu jogo. Caso contrário, tudo ficaria adiado para a derradeira ronda.

Para além destes dois empolgantes desafios, há um outro que, necessariamente, é merecedor de particular relevo: em dia de Centenário – 4 de Maio de 2014 –, o União de Tomar desloca-se até Assentiz, na expectativa de poder comemorar da melhor forma esse notável marco da sua gloriosa história, ao completar 100 anos de vida, e esperando que cheguem também notícias favoráveis desde Amiais de Baixo…

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Maio de 2014)

4 Maio, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário

UT - Logo Centenario

4 Maio, 2014 at 12:01 am Deixe um comentário

Liga Europa – 1/2 Finais (2ª mão) – Juventus – Benfica

JuventusJuventus – Gianluigi Buffon, Martín Cáceres, Leonardo Bonucci (73m – Sebastian Giovinco), Giorgio Chiellini, Andrea Pirlo, Stephan Lichsteiner, Paul Pogba, Arturo Vidal (78m – Pablo Osvaldo), Kwadwo Asamoah, Carlos Tévez e Fernando Llorente (78m – Claudio Marchisio)

BenficaBenfica – Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira, Ruben Amorim, Lazar Marković (86m – Miralem Sulejmani), Enzo Pérez, Nicolás Gaitán (76m – Eduardo Salvio), Rodrigo (69m – André Almeida) e Lima

Cartões amarelos – Kwadwo Asamoah (64m); Rodrigo (56m), Enzo Pérez (61m) e Eduardo Salvio (90m)

Cartões vermelhos – Mirko Vučinić (89m – no banco); Enzo Pérez (67m) e Lazar Marković (89m – depois de ter sido substituído, por desentendimento com Vučinić)

Árbitro – Mark Clattenburg (Inglaterra)

Partindo para o que viria a ser a sua primeira viagem a Turim nesta edição da Liga Europa beneficiando da escassa vantagem de um golo adquirida na primeira mão, o Benfica terá de alguma forma começado por surpreender uma algo sobranceira Juventus – porventura excessivamente confiante no seu favoritismo – pela forma como entrou no desafio desta noite, com a equipa muito personalizada, assumindo a iniciativa do jogo, instalando-se, logo desde os primeiros minutos, próximo da baliza adversária.

Esse período inicial poderá ter sido determinante no desfecho que a eliminatória viria a ter, dado que possibilitou à equipa portuguesa refrear o que poderia ter sido um ímpeto avassalador da formação da casa, com a motivação suplementar de a Final da competição se disputar no seu próprio terreno. E, assim, mantendo a sua baliza inviolada nos primeiros vinte minutos, tradicionalmente os mais temidos nestas circunstâncias, o Benfica começaria a reforçar os seus níveis de confiança, na mesma medida em que a Juventus começaria, gradualmente, a ver aumentar os seus níveis de intranquilidade e ansiedade.

No último quarto de hora do primeiro tempo, a Juventus intensificaria a pressão, empurrando o Benfica para trás, quase encostando a equipa portuguesa às “cordas”, mas, paradoxalmente, sem que tivesse criado efectivas e flagrantes oportunidades de golo, para além do lance salvo por Luisão, de cabeça, em cima do risco de golo, e de uma ou outra situação em que Jan Oblak, extremamente confiante, concentrado e seguro, mostrou a sua frieza, com verdadeiros “nervos de aço” (de que daria ainda maior exemplo no segundo tempo, em função das vicissitudes do desafio, com o terreno pesado, pela inclemente chuva que caiu nesse período, com a bola molhada, mas em que o guardião benfiquista revelou um controlo absoluto da bola), com destaque para a resposta a um potente remate de Pilro, a desviar subtilmente a bola por cima da trave.

A segunda parte faria apelo à capacidade de sacrifício e superação do Benfica. A equipa italiana voltou a entrar muito forte, com alta pressão, quase sufocando o adversário, incapaz de ter posse de bola, obrigado a recuar para a sua linha de grande área, limitando-se a aliviar a bola, para nova e imediata investida da Juventus, que, não obstante, nunca revelou capacidade de contrariar a organização defensiva portuguesa, não conseguindo ultrapassar esse bloqueio.

A situação complicar-se-ia quando Enzo Pérez, vendo dois cartões amarelos num curtíssimo intervalo de tempo, provocou que a sua equipa – pela terceira vez nos últimos jogos (depois dos dois encontros contra o FC Porto, para a Taça de Portugal e para a Taça da Liga) – ficasse em inferioridade numérica. Curiosamente, a jogar com dez, e tal como acontecera nesses dois desafios, a equipa benfiquista uniu-se, denotando um forte sentido de grupo e colectivismo, ao mesmo tempo que a Juventus se ia deixando trair pela crescente ansiedade, resultante da combinação de dois factores: por um lado, o facto de se encontrar com um homem a mais; por outro, de sinal contrário, o tempo que começava a fugir-lhe para inverter o rumo da eliminatória.

Seria nessa fase que o Benfica acabaria inclusivamente por conseguir libertar-se do espartilho a que se vira submetido, procurando a sua sorte, em dois ou três contra-ataques rápidos. E, já na entrada do tempo de compensação (estendido até aos oito minutos), quando Garay teve de sair de campo, depois de ter sido atingido por um pontapé na cara, passando a jogar apenas com nove elementos, a resistência benfiquista tornou-se então heróica, culminando com a eufórica satisfação do alcançar de uma Final europeia pelo segundo ano consecutivo – 10.ª Final da sua história –, no que se traduzirá no seu regresso a Turim, já no próximo dia 14 de Maio, para defrontar o Sevilla… infelizmente, sem poder contar com Enzo Pérez, Markovic (ambos expulsos, o segundo já após ter sido substituído) e Salvio, esperando-se que Garay possa recuperar em tempo útil.

1 Maio, 2014 at 10:51 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/2 Finais (2ª mão)

                                  2ª mão    1ª mão     Total
Juventus - Benfica                  0-0       1-2       1-2
Valencia - Sevilla                  3-1       0-2       3-3

No termo de um heróico desafio, em que terminou com apenas nove elementos em campo, o Benfica garantiu a presença, pelo segundo ano consecutivo, na Final da Liga Europa, no que constitui a sua 10.ª Final Europeia, regressando a Turim já no próximo dia 14 de Maio, para defrontar o Sevilla, vencedor da Taça UEFA nas épocas de 2005-06 e 2006-07.

Os quatro lugares de finalistas europeus desta época ficaram assim reservados para os clubes ibéricos, com 3 equipas espanholas e uma portuguesa.

1 Maio, 2014 at 10:40 pm Deixe um comentário

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