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2.159.181
A 3 de Junho (há uma eternidade, porém apenas há 4 meses) aqui escrevi:
«Infelizmente, a minha convicção – não será porventura muito difícil antecipá-lo – é a de que acabaremos por ser forçados a ir a votos novamente a não muito longo prazo. Receio que os portugueses – que, necessariamente, são soberanos na sua decisão, tomada tão em consciência quanto a minha – rapidamente venham a experimentar um sentimento de arrependimento em relação à opção pela alternativa de Governo que se perfila.»
Hoje, aqui expresso a minha curiosidade pessoal: quantos dos 2.159.181 votantes no PSD no dia 5 de Junho experimentarão já, neste preciso momento, esse sentimento de arrependimento?
(E não, já nada adianta agora invocar uma justificação baseada num nome próprio começado e terminado em “s” e compreendendo também as letras “c”, “r” e “t”).
«Depressão»
A minha singela opinião: não tenho dúvidas que os ajustamentos são necessários e que, nesse sentido, não há alternativa; parece-me porém que as medidas agora propostas denotam um Governo preguiçoso, que não quis estudar soluções alternativas, optando pela facilidade – e a desculpa do tempo aqui já não colhe (não estamos a tratar já de medidas para aplicar com urgência, num horizonte de 2 ou 3 meses, mas sim para todo o próximo ano – e tendo em vista um objectivo de défice de 4,5 %, equivalente a 7,6 mil milhões de euros).
A propósito, vale a pena ler:
«1- Cortam-se os 13º e 14º meses de funcionários públicos e pensionistas (menos 14% do seu rendimento, a que acrescem todos os outros aumentos de impostos). Para além do drama que numerosas famílias vão viver, reduz-se a procura agregada e consequentemente o PIB para além do que estava previsto. A recessão de -2% para o próximo ano passa a ser um cenário impossível de alcançar. Uma economia em colapso.
2- Aumenta-se o horário de trabalho meia hora por dia. Transfere-se à volta de 7% do valor criado pelo trabalho para o capital. Num contexto de aumento abrupto de desemprego, os incentivos a contratar por quem pode são menores e os sectores que mais beneficiam são os mais atrasados (mão-de-obra intensivos). […]»
(Nuno Teles, no Ladrões de Bicicletas)
E, também, algumas questões de grande pertinência:
«Posto isto, há algumas interrogações que são, essas sim, pertinentes. E ambas têm dimensão ética. A primeira diz respeito à avaliação das promessas e compromissos eleitorais de Passos Coelho. Está a violar aquilo a que se vinculou e, em casos afirmativo, tem para isso justificação? A resposta é fundamental para percebermos da viabilidade do vínculo de confiança que deve existir entre eleitores e governantes. A segunda coloca-se ao nível da repartição dos sacrifícios. Está a classe média a ser a única sacrificada ou aqueles a quem chamamos ricos estão também a ser chamados a participar no esforço nacional? Existe um esforço sério para combater a corrupção e a utilização abusiva de dinheiros públicos? Está a ser percorrido caminho no sentido de assegurar a frugalidade e equilíbrio nas remunerações dos titulares de cargos públicos? E responder a isto é fundamental para percebermos da viabilidade da manutenção da paz social.»
(Rui Rocha, no Delito de Opinião)
Comunicação do Primeiro-Ministro ao País
A propósito da comunicação do Primeiro-Ministro, relativa à apresentação da proposta de Orçamento para 2012, uma oportunidade para recordar algumas das posições do PSD que sustentaram a rejeição do PEC IV, apresentado pelo anterior Governo:
«O Governo não só foi responsável pela situação de grave crise económica e social que se criou no país, como falhou os objectivos de consolidação orçamental. Circunstância a que acresce uma incapacidade clara do executivo em reformar estruturalmente os sistemas públicos e em promover as bases de um crescimento económico sustentado.
A essa realidade junta-se ainda a incapacidade em suster o aumento galopante do desemprego e do endividamento do país.
Os resultados que se atingiram tiveram o condão de se fundar ou no sacrifício das pessoas e das empresas – suportado pelo aumento asfixiante da carga fiscal – ou no recurso a receitas extraordinárias. […]
Mais uma vez o governo recorre aos aumentos de impostos e cortes cegos na despesa, sem oferecer uma componente de crescimento económico, sem uma esperança aos portugueses.
Pela terceira vez, em menos de um ano, com medidas orçamentais pelo meio, o Governo apresenta um documento em que falta a componente do crescimento económico, confessando mesmo uma recessão. Por essa razão, Portugal é o único País da Europa, para além da Grécia, que não vai crescer. Não pode, por isso mesmo, o Governo afirmar que a culpa é da “crise internacional”, como insistentemente afirma para tentar enganar os portugueses.
É um documento que não ataca os problemas de frente e prefere atacar a despesa social, atacando, sempre os mesmos, os mais desprotegidos.
Mantém a receita preferida deste Governo: a solução da incompetência. Ou seja, se falta dinheiro, aumentam-se os impostos. […]
Num momento particularmente difícil o governo propõe-se mais uma vez restringir o acesso aos apoios sociais, particularmente aos desempregados. […]
Mas o que não pode aceitar é um documento que apenas castiga os portugueses e não dedica uma única linha para o crescimento da economia. […]»
(Projecto de Resolução apresentado pelo PSD – 23.03.2011)
Prémio Nobel da Economia – 2011
O Prémio Nobel da Economia foi hoje atribuído aos estado-unidenses Christopher A. Sims e Thomas J. Sargent, “pelas suas pesquisas empíricas sobre causa e efeito na macroeconomia”.
Prémio Nobel da Paz – 2011
O Prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído a Ellen Johnson-Sirleaf, Leymah Gbowee (ambas da Libéria) e a Tawakkul Karman, “pela sua luta não violenta pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres a uma completa participação no trabalho de construção da paz”.
Ellen Johnson-Sirleaf, Presidente da Libéria, foi a primeira mulher africana eleita presidente democraticamente.
Leymah Gbowee é uma activista da paz, tendo organizado um movimento pela paz, que conduziu ao termo da guerra civil na Libéria, em 2003.
Tawakkul Karman, do Iémen, é também uma activista dos direitos humanos e da paz, tendo criado, em 2005, o grupo “Women Journalists Without Chains”.
Prémio Nobel da Literatura – 2011
O Prémio Nobel da Literatura foi hoje atribuído ao poeta sueco Tomas Tranströmer, de 80 anos, “because, through his condensed, transluscent images, he gives us fresh access to reality“.
Steve Jobs (1955-2011)
No desaparecimento de um génio visionário, uma palavra: OBRIGADO, Steve Jobs!
Steven P. Jobs: His Life, His Companies, His Products (infografia The New York Times)
Sacrifícios vs. Europa
09.03.2011 – Discurso de tomada de Posse do Presidente da República: «Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.»
05.10.2011 – Discurso do Presidente da República, na comemoração do 101º aniversário da implantação da República: «Agora, estamos confrontados com uma situação que irá exigir grandes sacrifícios aos Portugueses, provavelmente os maiores sacrifícios que esta geração conheceu.»
09.03.2011 – Número de referências à conjuntura europeia / internacional – 1:
- «Da União Europeia devemos esperar não apenas que assegure a estabilidade e a sustentabilidade da Zona Euro, mas também que desenvolva uma estratégia comum e solidária que promova o crescimento, o emprego e a coesão.»
05.10.2011 – Número de referências à conjuntura europeia / internacional – 9:
- «No mundo novo deste século novo, a Europa encontra-se numa encruzilhada quanto ao seu futuro.
- Os princípios fundadores do projecto europeu estão a ser postos à prova de uma forma muito profunda e até dramática.
- Vivemos dias que são um teste decisivo para a vitalidade da União Europeia […]
- Os líderes europeus da actualidade têm de saber estar à altura dos ideais grandiosos de Jean Monnet ou de Robert Schuman.
- É essencial que o País inteiro seja um agente activo da defesa e do aprofundamento de um projecto comum, cujo enfraquecimento representaria uma irreparável perda para todos os povos da Europa.
- Sem qualquer dúvida, o fracasso da experiência do euro iria arrastar consigo toda a União, mergulhando-a num turbilhão de resultados imprevisíveis.
- A diluição da zona euro seria o início de um processo que culminaria na destruição da Europa unida, tal como a conhecemos e ambicionámos.
- Se isso acontecesse, que credibilidade apresentariam os países europeus no quadro de um mundo globalizado e extremamente competitivo?
- É esta a grande questão que os líderes europeus devem colocar, a si próprios e aos cidadãos dos seus países.»
Prémio Nobel da Química – 2011
O Prémio Nobel da Química 2011 foi hoje atribuído ao investigador israelita Daniel Shechtman, “pela descoberta dos quasi-cristais” (cristais nos quais os átomos estavam reunidos num modelo que não poderia ser repetido).
Prémio Nobel da Física – 2011
O Prémio Nobel da Física 2011 foi hoje atribuído aos investigadores estado-unidenses Saul Perlmutter e a Brian P. Schmidt e Adam G. Riess, na área da astrofísica, “pela descoberta da aceleração da expansão do Universo, através de observações de supernovas distantes”.




