Posts filed under ‘Sociedade’
«Agur, ETA»
(«Adeus, ETA» – clicar na imagem para ampliar – ver artigos aqui, aqui e aqui)
«Uma geração traída»
O meu pai nasceu no dia 11 de Outubro de 1941. Teria acabado de fazer 70 anos…
É também dele um pedacinho do texto de Pedro Lomba, a quem aqui agradeço por estas memórias.
(clicar na imagem para ampliar)
«Modos de vida»
«Num Estado de Direito, não é legítimo cortarem-se salários, subsídios de trabalho ou reduzir-se o valor de qualquer uma dessas prestações remuneratórias, a não ser que isso decorra do que for livremente contratado e convencionado pelas partes. Num verdadeiro Estado de Direito, daqueles em que o comportamento do governo é previsível e fundado na lei constitucional, estes cortes são ainda mais ilegítimos, se forem impostos unilateralmente pelo estado apenas com a finalidade de tapar os buracos financeiros da sua gestão desregrada e irresponsável. Isto é e será sempre um ataque à propriedade privada e à liberdade, um roubo, em suma, por mais “legal” que seja, isto é, ainda que suportado pela lei do orçamento ou por outra lei qualquer. No caso português, também não vale a pena argumentar que os portugueses viveram “uma vida desregrada e desafogada” durante décadas e estão agora a pagar a factura. Isso não é verdade. Quem viveu muito acima das suas possibilidades foi o estado, a generalidade da classe política, a alta burocracia, os gestores públicos, os amigos dos governantes que se encostaram ao orçamento do estado, os falsos gestores e empresários saídos dos cargos governamentais e políticos para a gestão de influências e cumplicidades. O português comum tem vivido muito abaixo do nível médio do europeu ou do norte-americano, e foi tolerando estes abusos por ignorância e desconhecimento, sempre convencido que quem lhe prometia mais e melhor era capaz de lho dar. O que, então, tem agora que terminar não é o modo de vida dos portugueses comuns, de resto, muito fraco nos últimos anos, mas o modo de vida do estado e de quem o dirige.»
(Rui A., no Blasfémias)
“Campeões” da Dívida
(gráficos via Der Spiegel – em que pode consultar diversos outros gráficos, num excelente dossier sobre as dívidas públicas)
A dívida pública de Portugal ascende a cerca de 160 mil milhões de euros (1/4 da dívida da Espanha, ou menos de 10 % da dívida da Itália). A dívida pública da Grécia ascenderá a algo em torno de 350 mil milhões de euros.
Desvio colossal
Finalmente, quase 4 meses depois de a expressão ter sido pela primeira vez invocada, o Ministro das Finanças explicou hoje – no âmbito da apresentação da proposta de Orçamento de Estado para 2012 – em que consiste o famigerado “Desvio colossal”, agora ampliado para 3 400 milhões de euros:
- cerca de 1 100 milhões de euros, devido à recapitalização do BPN, e à perda de receita esperada, decorrendo da não concretização da venda de património e de concessões;
- 800 milhões de euros respeitantes a um desvio em receitas correntes, resultante de valores inferiores ao esperado relativos a contribuições para a Segurança Social, receitas próprias da justiça, e redução nos dividendos auferidos pelo Estado;
- cerca de 600 milhões de euros associados a desvios no sector empresarial da Madeira;
- acréscimo de 560 milhões de euros nos consumos intermédios (incluindo principalmente 335 milhões de euros de comissões pagas pelos empréstimos da “Troika”);
- menos 300 milhões de euros relativamente ao impacto esperado da redução dos salários dos trabalhadores da função pública e empresas públicas, na sequência do corte de 5 por cento aplicado no início deste ano, a que acrescem desvios nos salários dos professores, das forças de segurança e do Exército.
Estamos esclarecidos quanto à responsabilidade deste desvio, que agora deixou de ser “colossal”, para passar a ser “substancial”, representando 2 % do PIB, e que justifica, no essencial, as medidas extraordinárias e temporárias (?) de suspensão dos Subsídios de férias e de Natal de funcionários públicos e pensionistas em 2012 e 2013.
Pelo menos temos um Ministro das Finanças que, contrariando a propaganda, fala verdade…
Número de aulas e disciplinas reduzido
«Reforma passará por corte nas aulas de História e Geografia e fim da segunda língua estrangeira obrigatória.
A reforma para acabar com a “dispersão curricular” e reduzir as disciplinas no ensino básico está a ser preparada pelo Ministério da Educação. Esta é uma das prioridades do ministro Nuno Crato e deve entrar em vigor já no próximo ano lectivo, mas directores e professores temem que tenha apenas como objectivo reduzir o número de docentes nas escolas.»
Raramente terá um Ministro relevado, em tão pouco tempo de exercício do cargo, tratar-se de um completo erro de casting…
«Rasgar o contrato de confiança»
«Nunca como no último ano e meio, o maior partido da oposição – agora no Governo -, co-autor do Orçamento em vigor, dispôs de tanta informação sobre as contas públicas nacionais que, por via da negociação com o programa da troika, foram auditadas como nunca antes tinha acontecido. Daí que invocar desconhecimento sobre a realidade e justificar as inverdades ditas em campanha eleitoral com um “desvio colossal” que surpreendeu as piores previsões é atirar areia para os olhos. A verdade verdadinha é que, à hora do telejornal de quinta-feira, Pedro Passos Coelhos rasgou o que ainda restava do contrato de confiança que estabeleceu com os eleitores na noite das últimas eleições legislativas.»
(Nuno Saraiva, no Diário de Notícias)
«Já somos a Grécia»
«O primeiro-ministro justificou os cortes bem para além da Troika com base num conjunto de surpresas que terá encontrado. Nenhum dos documentos de execução orçamental conhecidos dá cobertura às afirmações de Passos Coelho. O único desvio conhecido resulta da Madeira, do BPN e da degradação da receita fiscal, fruto da austeridade adicional. Até prova em contrário, o elemento de surpresa é o conjunto de mitos em que assentou a campanha eleitoral do PSD. Recuperar as justificações de Passos Coelho para chumbar o PECIV é penoso e fragiliza hoje a capacidade política do primeiro-ministro. Da austeridade que era excessiva passámos, como por arte mágica, para uma austeridade necessária. Para quem se alcandorou na verdade, estamos falados.»
(Pedro Adão e Silva, no Léxico Familiar)
Justiça social, crescimento da economia e combate ao desemprego
«A acção do novo Governo, ao contrário do que por vezes se diz, não vai estar limitada ao cumprimento do memorando de entendimento que foi acordado com as instituições internacionais.
O novo Governo terá muito mais para decidir e fazer, de modo a garantir a justiça social, o crescimento da economia e o combate ao desemprego.»
(Mensagem do Presidente da República a propósito das Eleições Legislativas, 4 de Junho de 2011)
«Uma Questão de Seriedade (Ou Falta Dela)»
«Os portugueses estão mais ou menos resignados perante a falta de seriedade dos políticos. Em apenas 120 dias de Governo, Pedro Passos Coelho rasgou todas as promessas eleitorais que havia feito num momento em que a situação do país era cabalmente conhecida.
Pedro Passos Coelho está a fazer exactamente o mesmo que José Sócrates. E, em termos de seriedade, também estamos falados. No exacto dia em que responsabiliza o anterior Governo pelas medidas adoptadas, a Comissão Europeia desmente o Primeiro-Ministro e imputa o desvio à Madeira e à crise internacional.
E, por falar em Madeira, já alguém conhece o plano de austeridade insular?
(Pedro Morgado, no anamnese)






