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Um fantástico trabalho de levantamento de menus (ultrapassando já os 15000!), compilado pela The New York Public Library (via Malomil)
«Os cornos do touro cegam-no»
Ontem a Europa não foi salva outra vez. Espanha calou-se, Itália falou baixo, as bolsas desabaram, os juros subiram. O de sempre. Mas como nunca: a fagulha aproxima-se do paiol. Como salvar a Europa?
O de sempre é criar expectativas monumentais antes e conseguir com que resultados bons pareçam péssimos. Não foram péssimos. São insuficientes. Mas só os espanhóis não querem ver o que lhes está à frente.
Mariano Rajoy é um negacionista desesperado. Poucas imagens foram mais ridículas do que vê-lo, no dia em que pediu 100 mil milhões de euros para os bancos espanhóis, a celebrar golos no estádio de futebol. A encenação mostrou o delírio do líder espanhol, que ademais está mais preocupado em falar aos mercados do que ao seu povo. Infelizmente, isto não é um assunto só de espanhóis.
Os cornos do touro estão a cegá-lo. Espanha capitula. Nos bancos, há anos de prejuízos assustadores pela frente, que levarão à intervenção mais ou menos patrocinada pelo Estado. A dívida soberana está em contagem decrescente para um resgate. O dinheiro da Europa chega?
Numa frase simplista: os 500 mil milhões actuais chegariam para Espanha, não para Itália. Em Itália, está um homem pouco político – não foi aliás eleito – e talvez seja essa a razão que nele evita a catatonia do “está tudo bem” que hoje Rajoy (como antes Sócrates) cabeceia. Itália vai precisar de ajuda? Mario Monti, desarmado e desarmante, respondeu: “Não sei”. Ninguém sabe. Alerta geral.
Abramos a Bíblia: para vencer os cinco reis amorreus que queriam chacinar os guerreiros de Israel, Josué pediu a Deus que parasse o Sol. (A história é muito citada por causa do dogma da Igreja Católica contra o heliocentrismo de Copérnico que condenaria Galileu: se Josué mandou parar Sol e não a Terra, é o Sol que se move, logo o universo seria geocêntrico. Mas aqui a história é citada com licença da polémica de meio milénio). Foi uma matança furiosa, choveram pedras do céu, mas a mortandade era longa, de noite os amorreus fugiriam e poderiam reorganizar-se para Jerusalém. Era preciso tempo, era preciso mais dia. Então, Josué disse as palavras célebres: “Sol, detém-te em Gibeão e tu, Lua, no vale de Aijalom”. E assim, os astros pararam no firmamento durante um dia, dando tempo à matação. E a batalha foi vencida.
A Europa precisa de tempo que não tem para vencer a batalha. A forma de evitar o colapso do euro é avançar na construção de uma união bancária e numa política económica integrada que supõe um federalismo à alemã por ora irrealizável. Mas o sol não pára, o dia avança furiosamente nos mercados financeiros. Nas bolsas. Sobretudo nos mercados de dívida: quem, e por quanto, empresta a Espanha, que já pagou mais por emissões do que Portugal?
O “plano de choque”, que foi alvitrado nos últimos dias e frustrado ontem, passava por fazer “tudo o que for necessário”. Supôs-se que os juros desceriam, que o BCE passaria a comprar dívida dos Estados em mercado secundário, que seriam anunciados mais empréstimos a longo prazo à banca (mais um programa LTRO), admitiu-se uma licença bancária para o fundo europeu. Essa seria a alegria dos espanhóis e dos italianos. Mas a decisão só alegrou os alemães: o BCE poderá comprar dívida pública no mercado secundário só num quadro de apoio expresso a países. Só haverá ajuda se pedirem ajuda e se aceitarem os termos que uma intervenção externa exige: austeridade.
A solução evoluiu para uma intervenção em Espanha e Itália (é impressionante como num repente se normalizou falar de uma intervenção em Itália…) diferente da portuguesa. Não há dinheiro para retirar estes dois países do mercado, colocando-os num ecossistema controlado. O plano passa por fazer uma gestão quase diária da dívida destes países, com um pulmão nos mercados e outro em respiração assistida. E mesmo assim, diz o BCE, os empréstimos serão a curto prazo – para manter os países na trela. Para obrigá-los à austeridade e às reformas estruturais. Para obrigarem os mediterrâneos a serem como os bárbaros.
Algumas considerações que não nos cansaremos de repetir: a crise não é de nações, não é portuguesa nem espanhola, é do euro; a austeridade não tem alternativa europeia, mas não está a resultar, porque desemprega, porque mata a economia, destrói a sociedade, tritura riqueza em impostos, porque nisso torna a própria dívida insustentável; as reformas estruturais são apesar disso importantes, para libertar a economia dos interesses que a capturam, para abri-la à concorrência.
Não há nenhuma resposta instantânea para a crise. Nenhuma cimeira, nenhum BCE, nenhum alemão tem poder para desligar num átimo a máquina da destruição. O que tem de ser feito é moroso e doloroso. Mas escusa de ser desvairado. Precisa de sentido. Não está a ter. Tem de ter.
José Hermano Saraiva (1919-2012)

Sobre uma figura tão marcante como não consensual, a ler, por exemplo, os artigos publicados por:
- Rui Bebiano (A Terceira Noite)
- João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos)
- Paulo Pinto (Jugular)
- (Bic Laranja)
- João Aníbal Henriques (Portugal)
Time com 5 diferentes capas, alusivas aos Jogos Olímpicos

A revista Time da próxima semana apresenta cinco diferentes capas, três nos EUA (com a ginasta Gabrielle Douglas, a barreirista Lolo Jones – a propósito, ver também esta magnífica infografia no The New York Times) e o nadador Ryan Lochte, sendo esta também apresentada na edição da região do Pacífico Sul), outra na edição da Europa / África / Médio Oriente (a atleta britânica de pentatlo Jessica Ennis), e ainda outra para a edição asiática (a futebolista japonesa Homare Sawa).
Nelson Mandela: os caminhos da liberdade
Nos 94 anos de Nelson Mandela, a ver este documentário da RTP.
«O mau e bom estado da Nação»
Pela primeira vez, desde a segunda guerra mundial, Portugal regista este ano um excedente comercial. Um número que retrata a enorme capacidade de adaptação dos portugueses que, em menos de dois anos, passaram de esbanjadores consumidores para aforradores exportadores. Revelador de um Estado que estaria em muito melhor estado se outras e melhores fossem as lideranças.
O debate sobre o estado da Nação, que hoje marca o fim da sessão legislativa, deveria revelar este país. Um país feito de pessoas que se assustaram em Outubro do ano passado, perceberam que o paraíso prometido pelo euro era uma ilusão e puseram mãos à obra. Uns partem para trabalhar lá fora, outros vão lá para fora conquistar clientes.
Os mesmos portugueses que se endividaram, reagindo assim aos incentivos que as políticas públicas lhes foram dando desde finais dos anos 80 do século XX, responderam agora com extraordinária rapidez e flexibilidade aos problemas que se colocaram com o colapso financeiro do país.
Já tinha acontecido noutras ocasiões. Após a revolução de 1974, em pleno choque petrolífero, o país foi capaz de integrar quase um milhão de pessoas vindas das ex-colónias sem conflitos que merecessem essa designação. Nos anos 80, quando pela segunda vez o FMI esteve em Portugal, as medidas adoptadas para corrigir os desequilíbrios financeiros tiveram um resultado imediato e surpreendente.
O actual processo de correcção dos desequilíbrios financeiros promete ser mais um caso de sucesso da história económica portuguesa se tudo correr bem na frente europeia. Tal como no passado, os portugueses anónimos, aqueles que não vivem à custa do dinheiro dos contribuintes, fazem o que é preciso fazer, fazem aquilo que as políticas económicas sinalizam que é necessário fazer.
Museu da Máquina de escrever
O jornalista Robert Messenger, proprietário da maior colecção de máquinas de escrever da Austrália, fundador do “Museu da Máquina de escrever“, apresenta o seu fantástico espólio no Museu de Camberra.
(via Clases de periodismo.com)
A propósito, vale bem a pena visitar esta lista de “favoritos”, relacionados com o tema:
- The Classic Typewriter Page (Richard Polt)
- Machines of Loving Grace (Alan Seaver)
- Typewriters by Will Davis
- Portable Typewriters (Richard Milton)
- The Virtual Typewriter Museum (Paul Robert)
- The Chestnut Ridge Typewriter Museum (Herman Price)
- typewriter.be (Wim Van Rompuy)
- typewriter.ch (Georg Sommeregger)
- Antique Typewriters (Martin Howard)
- Typewriters (Arnold Betzwieser)












