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"SILLY SEASON"
Não sei se será do tempo melancólico (esta passagem directa do Verão para o Inverno, sem paragem pelo Outono… “sinais dos tempos”), mas, hoje, não me ocorre nada de positivo para tratar.
Pelo contrário, a tradicional “silly season” das férias de Verão parece não ter “ido de férias”, dando a ideia de querer instalar-se de forma “permanente” em Portugal.
Esta época extra de “silly season” teve a sua “inauguração oficial” com o início da “Quinta das Celebridades”, provavelmente o programa mais “deprimente” de sempre da televisão portuguesa, prosseguiu com as declarações do Ministro sobre os comentários do Professor Marcelo, continuou com toda a “novela” Marcelo e as “declarações ao país” do Primeiro-Ministro (já depois do Ministro das Finanças)…
Teve novos desenvolvimentos com uma proposta de Orçamento que, numa política de “navegação à vista”, sem qualquer estratégia de médio prazo, vem tirar toda e qualquer confiança que pudesse haver da parte dos agentes económicos quanto à fiscalidade em Portugal (faz algum sentido, depois de se andar há 10 anos a tentar incutir no espírito dos portugueses que é necessário que se preocupem em “acautelar” o seu futuro, acabar com os benefícios fiscais dos PPR? – quando esse espírito não se encontra ainda devidamente consolidado…)
Não “satisfeito”, o senhor Ministro Rui Gomes da Silva “volta à carga” sugerindo a existência de teorias de cabala nos órgãos de comunicação social, enquanto que outro senhor Ministro Nuno Morais Sarmento vem introduzir uma tese peregrina: a de que “deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, porque é o Executivo que responde pelas decisões praticadas na televisão pública” (!).
A “cereja no topo do bolo” é o triste espectáculo (de “aprendizes de feiticeiro, a brincar com o fogo”) dado ao longo da semana passada e da presente semana, pelos dirigentes do Benfica e do FC Porto. Não há ninguém com responsabilidade e capacidade para os impelir a uma “conduta civilizada”?
“Quo vadis” Portugal?
Há 1 ano no Memória Virtual – Casa Pia / PS
[1791]
LUÍSA SCHMIDT
Outra personalidade a quem aqui quero prestar uma singela “homenagem” é Luísa Schmidt, uma das pessoas que mais tem feito em prol da defesa do Ambiente em Portugal, tendo ganho, em 2003, o “Prémio Internacional de Comunicação Ambiental” pelo seu trabalho pioneiro e extraordinária dedicação aos assuntos ambientais.
Tive o privilégio de, ainda “caloiro”, ter sido seu aluno de Sociologia no ISCTE (infelizmente, durante um curto período de tempo), dava então Luísa Schmidt os “primeiros passos” na carreira de docente.
Licenciada em Ciências Humanas e Sociais, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, começou por ser Assistente no ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, tendo depois transitado para o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Concretizou o Doutoramento em Sociologia, também no ISCTE.
Dedicou-se à investigação na área da Sociologia do Ambiente, escrevendo semanalmente, durante anos, artigos para a revista do jornal “Expresso”, a face mais visível da sua intervenção, sendo também autora de vários livros sobre esta temática.
Fez também parte do Membro do Conselho Geral do Instituto do Consumidor. Foi ainda fundadora e membro da direcção do “OBSERVA”, o observatório da opinião pública sobre esclarecimento e preocupações ambientais em Portugal.
Mais recentemente, é responsável pela autoria de uma série de documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», exibida pela RTP, desde o passado mês de Setembro.
[1784]
CHRISTOPHER REEVE
O desaparecimento de Christopher Reeve é uma daquelas notícias que nos provoca necessariamente um sentimento de comoção.
Com uma vida que “dava um filme”, o “Super-Homem” enfrentou “de frente”, com uma imensa coragem, a infelicidade que lhe tocara há 9 anos e continuava a alimentar um sonho, que não foi possível concretizar, o de voltar a andar…
A sua tenacidade e perseverança (colocando os recursos de que dispunha ao serviço da investigação da doença que o prendia a uma cadeira de rodas) é um grande exemplo para todos nós, mesmo que, neste caso concreto, nos tenha deixado “cedo demais”.
Até sempre, Christopher!
[1772]
PRÉMIOS NOBEL
Recupero a “entrada” que assinala a atribuição dos Prémios Nobel de 2004 (agora já completa), premiando, em duas das “categorias mais importantes”, duas mulheres:
– Paz – atribuído à militante ecologista queniana Wangari Maathai, com uma acção de mais de 30 anos contra o processo de desflorestação em África.
– Literatura – atribuído à escritora austríaca Elfriede Jelinek, «pelo fluído das vozes e contra-vozes nos seus romances».
– Medicina – atribuído a Richard Axel e Linda B. Buck pelo seu estudo dos receptores olfactivos e da organização do sistema olfactivo nos seres humanos.
– Física – atribuído aos norte-americanos David J. Gross, David Politzer e Frank Wilczeck, em reconhecimento pelos seus trabalhos de física atómica e pelos estudos sobre os aceleradores de partículas.
– Química – atribuído aos israelitas Aaron Ciechanover e Avram Hershko, e ao norte-americano Irwin Rose, pelos seus trabalhos sobre a degradação das proteínas.
– Economia – atribuído ao norueguês Finn E. Kydland e ao norte-americano Edward C. Prescott, pelas suas contribuições a nível da dinâmica macroeconómica (a consistência da política económica no tempo e as forças “motrizes” dos ciclos económicos).
Pode consultar a lista completa de todos os premiados com o Nobel, aqui.
[1771]
"O ESTADO DA NAÇÃO"
Nota prévia: por motivos profissionais, estive, desde o final de Terça-feira, 5 de Outubro, “em retiro no Portugal profundo” (no Alentejo, próximo de Espanha), como monitor de acção de formação de acolhimento a novos colaboradores da firma em que exerço actividade.
Uma “agenda preenchida” (e a falta de acesso à Internet…) impediram-me de “blogar” ou, sequer, de “frequentar a blogosfera” (as “entradas” editadas de 6 a 8 de Outubro, já previamente preparadas, foram publicadas com recurso ao sistema disponibilizado pelo Movable Type 3.11 de “pré-publicação”).
Nestes dias aconteceu uma “revolução” em Portugal!
O abandono de Marcelo Rebelo de Sousa da sua colaboração como comentador na TVI provocou ondas de choque talvez inimagináveis: desde uma convocatória para esclarecimento da situção por parte do Presidente da República (no exercício, porventura com excesso de zelo, do seu “dever de vigilância”), a nervosas e “atabalhoadas” declarações do Primeiro-Ministro (refugiando-se em vagas promessas de que o que é importante é governar o país, e que as suas preocupações maiores são a de tentar reduzir um pouco os impostos e de aumentar um pouco as reformas… e com um “peregrino anúncio” de que iria prestar novas declarações daí a 3 dias!), finalizando ontem com a intervenção do Director Geral da estação de televisão, rejeitando qualquer tipo de pressões e “entreabrindo a porta” ao regresso do “Professor”.
O que se passa é que, directa (por via das declarações de Gomes da Silva) ou indirectamente (pela recomendação de Paes do Amaral de adaptação do formato do programa… e suavização dos comentários), foram exercidas pressões inaceitáveis sobre o direito à livre expressão de um cidadão! Que não é um cidadão “qualquer”, mas alguém com grande reputação e cujos comentários são atentamente ouvidos, não deixando indubitavelmente de ter reflexos na formação da opinião pública.
Este (triste) episódio é apenas mais um exemplo (depois do surrealista processo da publicitação das listas de colocação de professores e da absolutamente inoportuna decisão de concessão de tolerância de ponto na véspera do feriado de 5 de Outubro) de um Governo sem qualquer linha de rumo ou orientação visível, que “navega à vista”, de desastre em desastre, no pior exercício de “desgovernação” que a democracia portuguesa alguma vez viveu.
É claro que a blogosfera não deixou de analisar em detalhe a situação, mais uma vez com comentários bastante pertinentes de que aqui deixo referência a alguns exemplos (na comunicação social “tradicional”, destaque para o artigo de Miguel Sousa Tavares): José Pacheco Pereira, no Abrupto (textos de 7 de Outubro, “Pasmo, Tristeza e Revolta” e “Rigorosos e Especiosos”); Francisco José Viegas, no Aviz (“Liberdade”, “entrada” de 8 de Outubro); Daniel Oliveira, no Barnabé; Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias (“Qual a Importância do Caso Marcelo?” e “Agora a Sério“); João Paulo Meneses, no Blogouve-se (“Marcelo Gomes da Silva – o contraditório”, de 7 de Outubro); Paulo Gorjão, no Bloguítica (“A Eterna Questão do Ser e do Parecer” e “A Recolha de Provas Já Começou“); Vital Moreira, no Causa Nossa; João Morgado Fernandes, no Terras do Nunca; Paulo Querido, em O Vento Lá Fora; …
E como urge “fazer qualquer coisa”, aqui fica também a referência a um movimento mais ou menos “idealista”, lançado por dois dos meus amigos “blogosféricos” Rui Branco e Nuno Peralta: “Queremos uma alternativa real ao bloco central“.
Há 1 ano no Memória Virtual – E agora?
[1768]
5 DE OUTUBRO (DE 1910… E DE 1143)
Sem procurar criar divisões mais ou menos “artificiais” entre os portugueses, no dia de hoje, não se comemora apenas a implantação da República, a 5 de Outubro de 1910.
No mesmo dia, em 1143, pelo Tratado de Zamora, “oficializava-se a fundação de Portugal”.
Sobre a evolução dos símbolos nacionais (em particular da bandeira), vidé esta página:
“A bandeira nacional, da autoria de Columbano, João Chagas e Abel Botelho, foi adoptada pelo regime revolucionário de 5 de Outubro de 1910. De acordo com o Decreto-lei de 19 de Junho de 1911, a bandeira tem as cores verde (dois quintos) e vermelha (três quintos), com o escudo de armas na linha divisória.”
Significado dos símbolos e cores:
– As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique.
– Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo. Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: “Com este sinal, vencerás!”. Contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.
– Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros.
–
A esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
– O verde simboliza a esperança.
– O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos Portugueses mortos em combate.
[1763]
REDUÇÃO DA DURAÇÃO DAS LICENCIATURAS
Em minha opinião, na linha da “cultura de facilitismo” de que aqui falava ontem, a duração das licenciaturas em Portugal vai ser encurtada para três anos (à excepção do curso de Medicina), num processo de harmonização face às universidades europeias, em conformidade com a Declaração de Bolonha (a qual visa uma aproximação das qualificações proporcionadas pelas escolas superiores europeias até 2010).
A questão que – mais uma vez, com algum cepticismo – tenho de me colocar é: “Será que essa harmonização em termos quantitativos, de número de anos de licenciatura, terá associada uma harmonização a nível qualitativo”?
[1755]
ACESSO AO ENSINO SUPERIOR
Num período em que tanto se falou da (inacreditável e incompreensível) demora na publicitação da lista de colocação de professores, retomo duas questões que já aqui havia formulado há cerca de um ano e para as quais não obtive resposta:
“Qual a lógica de admissão no ensino superior de candidatos com notas de acesso inferiores a 50 %?”
“Não se estará assim a promover uma «cultura de facilitismo»?”
(Vidé exemplo; informação mais detalhada disponível aqui).
Há 1 ano no Memória Virtual – “Modernidade nasceu na Idade Média”
[1752]
MUSEU VIRTUAL DA IMPRENSA
Uma fantástica “descoberta”, a que cheguei via “Jornalista Free-lancer“!…
“O Museu Virtual da Imprensa é um projecto da AMI – Associação Museu da Imprensa, Porto, Portugal.
Através dele, pretende-se divulgar a história do sector, mostrar património, sugerir itinerários, recolher informação sobre a museologia da imprensa e artes gráficas e dar/receber notícias.
Desde as escritas milenares até à edição electrónica dos nossos dias, passando pela tipografia de Gutenberg, pela litografia, pela fotogravura, pelas rotativas, pelos jornais livres e amordaçados ao longo dos tempos, etc., etc., há um mundo a descobrir através da nova realidade virtual.”
[1747]
LIVROS PARA TIMOR
Porque o português é a nossa “pátria comum”, transcrevo de seguida um apelo de uma professora em Dili:
“Encontro-me a leccionar em Dili, na Escola Pré-Secundária Cristal. Esta escola, à semelhança de muitas, muitas outras não tem biblioteca. Tem apenas uma estante (na sala dos professores) na qual se encontram apenas livros em inglês, oferecidos pela Austrália. Os únicos livros em português são os manuais e gramáticas de português que foram fornecidos à escola.
Já perceberam o que eu quero? Gostava de ajudar a fazer uma pequena biblioteca naquele mesmo espaço ….. será que alguém tem por aí uns livros (de preferência literatura infantil/juvenil, manuais escolares de várias disciplinas e outros), revistas e jornais que já não fazem falta?
Se tiverem enviem-mos. Decerto que vão ser muito úteis aos meus alunos e aos meus colegas (professores timorenses).
Se estiverem dispostos/as a fazê-lo aqui vai o endereço:
Embaixada de Portugal em Dili
A/c Professora Ana Medeiros – Dili Edifício ACAIT
Av. Nicolau Lobato
Dili – Timor Leste”
Há 1 ano no Memória Virtual – Os “blogues” mais “referidos”
[1736]



