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"DESENVOLVER A EUROPA"
No dia em que foi indigitado futuro Primeiro-Ministro de Portugal, José Sócrates assina um artigo, editado no “Público”, em parceria com Göran Persson (Primeiro-Ministro da Suécia) e Poul Nyrup Rasmussen (Presidente do Partido dos Europeus Socialistas) – “Desenvolver a Europa: um novo pacto para o desenvolvimento sustentável“:
“Europa está novamente numa encruzilhada. Tendo realizado com êxito a integração de dez novos Estados na União Europeia, enfrentamos agora o desafio de fazer da União alargada um sucesso, digno dos seus 450 milhões de cidadãos. A formidável tarefa de ratificar o Tratado Constitucional Europeu será um feito único. Mas o nosso primeiro desafio prático será, talvez, esta Primavera, quando revirmos a nossa estratégia para tornar a Europa um continente de mais e melhor emprego, de bem-estar social e de sustentabilidade ambiental.
[…]”
[2100]
ERRO DE PREVISÃO
Aqui o tinha escrito na Sexta-feira: no cenário actual, qualquer exercício de previsão estaria inevitavelmente propenso ao erro.
Em relação às estimativas que aqui tinha apresentado, a principal falha foi a da votação do CDS-PP, que havia sobrestimado (10 %, face a uma votação efectiva de 7,3 %).
Depois, relativamente ao PSD, para uma previsão de 30 %, a votação real quedou-se pelos 28,7 %. Desvios que terão sido parcialmente justificados pela redução do nível de abstenção.
Já no que respeita aos partidos de esquerda, quase acertava nas votações do PS (45,0 %, face a uma previsão de 44,5 %) e da CDU (7,6 %, em relação a uma previsão de 7 %). Finalmente, alguma surpresa na expressão do crescimento do peso eleitoral do BE (6,4 %, face a uma previsão de 5,5 %).
A nível de mandatos, o PS (com os actuais 120 eleitos, que poderão ainda subir entre 1 a 3 deputados, na emigração) supera a minha previsão mais optimista (117 eleitos); inversamente, face a uma estimativa mínima de 79 deputados para o PSD, os eleitos são apenas de 72 (podendo ainda subir entre 1 a 3 deputados).
No que respeita à CDU, tinha apontado um intervalo entre 10 a 12, aquém do resultado efectivo (14 eleitos).
O CDS-PP, para o qual tinha estimado um intervalo entre 14 e 20, quedou-se pelos 12 eleitos.
Finalmente, o BE, com os seus 8 eleitos, a situar-se no limite máximo do intervalo que tinha previsto (6 a 8 deputados).
As principais variações a nível distrital face às minhas previsões foram as seguintes:
– Aveiro – PS elegendo um 8º deputado, em detrimento do CDS-PP
– Braga – CDU a conseguir eleger o seu “cabeça-de-lista”
– C. Branco – PS, conquistando o 4º deputado, em desfavor do PSD
– Faro – Tinha uma previsão entre 4 e 5 deputados para o PS, que atingiu os 6, em prejuízo do PSD e do CDS
– Lisboa – CDU a conquistar um deputado (o seu 5º) ao PSD
– Porto – CDU não chegou ao 3º eleito, empatando a 2 com o CDS e BE
– Santarém – PS elegendo o 6º deputado, em detrimento do CDS
– Vila Real – Previsão de 3/2 para o PSD, com o resultado a inverter-se a favor do PS
– Madeira – PS a eleger o 3º deputado, em prejuízo do PSD
[2091]
"ESTADO DE GRAÇA"
José Sócrates já o deveria saber, mas as intervenções de ontem à noite de responsáveis da CDU, do Bloco de Esquerda e de comentadores como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Barreto, não deixam grandes margens para dúvidas…
O “estado de graça” do futuro Governo será muito limitado, devendo esgotar-se praticamente no imediato. Terá sobre si “os olhos”, não só de toda a oposição e dos analistas políticos, mas também dos mais de 2,5 milhões de portugueses que ontem votaram PS.
Numa conjuntura que não se apresenta fácil, é um grande desafio o que se coloca a José Sócrates, o de ser capaz de se fazer rodear de ministros competentes, com capacidade de decisão, fugindo à lógica “aparelhística”, não hesitando em recorrer a independentes quando tal for o mais indicado. Para lá disto, nomes como o de António Vitorino são absolutamente indispensáveis para conferir credibilidade ao futuro Governo.
Terá Sócrates a capacidade de nos surpreender?
[2090]
RESULTADOS ELEITORAIS (PROV.)
Votos % Dep. PS 2.573.311 45,05 120 PSD 1.639.020 28,69 72 CDU 432.130 7,57 14 CDS-PP 414.813 7,26 12 BE 364.296 6,38 8 PCTP/MRPP 47.745 0,84 - PND 39.987 0,70 - PH 16.866 0,30 - PNR 9.362 0,16 - POUS 5.572 0,10 - PDA 1.604 0,03 -
Votantes – 5.712.026 – 65,02 %
Abstenção – 3.073.201 – 34,98 %
Brancos – 103.555 – 1,81%
Nulos – 63.765 – 1,12%
(via http://www.legislativas1.mj.pt/index.html)
[2089]
EXIGÊNCIA
Os portugueses mobilizaram-se, acorreram em massa às mesas de voto, votaram e decidiram conferir uma maioria absoluta ao Partido Socialista.
Foi um sinal claro de que desejavam uma mudança, de que queriam um Governo que desse garantias de uma política diferente e de que um Governo que pudesse beneficiar de estabilidade e proporcionar estabilidade ao país.
Hoje, inicia-se um novo ciclo político. Um ciclo de grande responsabilidade para o Partido Socialista, José Sócrates e os socialistas e para o novo Governo.
Um ciclo de esperança, em que, paralelamente, os portugueses vão / deverão ser (cada vez) mais exigentes.
[2088]
DEPUTADOS ELEITOS (PROV.)
PS PSD CDU CDS BE TOTAL Aveiro 8 6 - 1 - 15 Beja 2 - 1 - - 3 Braga 9 7 1 1 - 18 Bragança 2 2 - - - 4 C. Branco 4 1 - - - 5 Coimbra 6 4 - - - 10 Évora 2 - 1 - - 3 Faro 6 2 - - - 8 Guarda 2 2 - - - 4 Leiria 4 5 - 1 - 10 Lisboa 23 12 5 4 4 48 Portalegre 2 - - - - 2 Porto 20 12 2 2 2 38 Santarém 6 3 1 - - 10 Setúbal 8 3 3 1 2 17 V. Castelo 3 2 - 1 - 6 Vila Real 3 2 - - - 5 Viseu 4 4 - 1 - 9 Açores 3 2 - - - 5 Madeira 3 3 - - - 6
Total 120 72 14 12 8 226
AVEIRO (15)
PS (8) – Manuel Pinho; Maria do Rosário Carneiro; Pedro Nuno de Oliveira Santos; Elísio da Costa Amorim; Luís Afonso Cerqueira Natividade Candal; Rosa Maria Albernaz; Armando França Rodrigues Alves; Maria Helena Terra de Oliveira Ferreira Dinis
PSD (6) – Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes; Hermínio José Sobral de Loureiro Gonçalves; Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves; Regina Maria Pinto da Fonseca Ramos Bastos; José Manuel Ferreira Nunes Ribeiro; Jorge Tadeu Correia Franco Morgado
CDS-PP (1) – Paulo Sacadura Cabral Portas
BEJA (3)
PS (2) – Luís António Pita Ameixa; Marcos Perestrello
CDU (1) – José Batista Mestre Soeiro
BRAGA (18)
PS (9) – António José Seguro; José António Vieira da Silva; Teresa Maria Neto Venda; António Fernandes Silva Braga; Miguel Laranjeiro; Isabel Maria Pinto Nunes Jorge; Fernando Ribeiro Moniz; Laurentino Monteiro Castro Dias; Deolinda Isabel Costa Coutinho
PSD (7) – Luís Filipe Menezes; Joaquim Virgílio Leite Almeida da Costa; Miguel Bento Martins da Costa Macedo Silva; Mário Patinha Antão; Fernando Santos Pereira; Emídio Guerreiro; Carlos Jorge Martins Pereira
CDS-PP (1) – João Nuno Lacerda Teixeira de Melo
CDU (1) – Agostinho Lopes
BRAGANÇA (4)
PS (2) – José Carlos Correia Mota Andrade; Manuel Luís Gomes Vaz
PSD (2) – Domingos Duarte Lima; Adão José Fonseca Silva
C. BRANCO (5)
PS (4) – José Sócrates; Fernando Serrasqueiro; Cristina Granada; Valter Lemos
PSD (1) – Nuno Albuquerque Morais Sarmento
COIMBRA (10)
PS (6) – Matilde Sousa Franco; Victor Manuel Bento Baptista; Maria António Almeida Santos; Horácio André Antunes; Maria Teresa Alegre Portugal; João Raúl Moura Portugal
PSD (4) – Zita Maria Roseiro Seabra; António Paulo Martins Pereira Coelho; Jaime Marta Soares; Fernando dos Santos Antunes
ÉVORA (3)
PS (2) – José Carlos das Dores Zorrinho; António de Oliveira Troncho
CDU (1) – Abílio Miguel Joaquim Dias Fernandes
FARO (8)
PS (6) – João Cravinho; José Apolinário Nunes Portada; Aldemira Maria Cabanita Bispo Pinho; Miguel João Pisoeiro Freitas; Luís Manuel Carvalho Carito; Jovita de Fátima Romano Ladeira
PSD (2) – José Mendes Bota; José Manuel Pereira da Costa
GUARDA (4)
PS (2) – Joaquim Augusto Nunes Pina Moura; Fernando dos Santos Cabral
PSD (2) – Ana Maria Sequeira Mendes Pires Manso; Miguel Jorge Reis Antunes Frasquilho
LEIRIA (10)
PS (4) – Alberto Costa; José Miguel Medeiros; Odete João; Osvaldo Castro
PSD (5) – Luís Miguel Pais Antunes; Feliciano José Barreiras Duarte; Mário Henrique de Almeida Santos David; Carlos Alberto Garcia Poço; Maria Ofélia Fernandes dos Santos Moleiro
CDS-PP (1) – Teresa Margarida Figueiredo Vasconcelos Caeiro
LISBOA (48)
PS (23) – Jaime Gama; Manuel Alegre; Maria de Belém; Jorge Coelho; João Soares; Leonor Coutinho; Ferro Rodrigues; Vera Jardim; Ana Paula Vitorino; Rui Cunha; Miguel Coelho; Celeste Correia; José Lamego; José Augusto Carvalho; Custódia Fernandes; Rui Vieira; Pedro Farmhouse; Susana Amador; Ramos Preto; António Galamba; Ana Couto; João Serrano; Humberto Rosa
PSD (12) – Pedro Miguel de Santana Lopes; Manuel Joaquim Dias Loureiro; Maria Helena Passos Rosa Lopes da Costa; Pedro Augusto Cunha Pinto; António Alfredo Delgado da Silva Preto; Rui Manuel Lobo Gomes da Silva; Arménio dos Santos; José Manuel de Matos Correia; Luís Maria de Barros Serra Marques Guedes; Pedro Quartin Graça Simão José (MPT); Nuno Maria da Câmara Pereira (PPM); Henrique José Praia da Rocha de Freitas
CDS-PP (4) – Telmo Augusto Gomes de Noronha Correia; Luís Pedro Russo da Mota Soares; João Guilherme Nobre Prata Fragoso Rebelo; António Carlos Bívar Branco de Penha Monteiro
CDU (5) – Jerónimo Carvalho Sousa; Bernardino José Torrão Soares; António Filipe Gaião Rodríguez; Francisco Miguel Baudoin Madeira Lopes (PEV); Miguel Tiago Crispim Rosado
BE (4) – Francisco Anacleto Louçã; Luís Emídio Lopes Mateus Fazenda; Ana Isabel Drago Lobato; Helena Maria Moura Pinto
PORTALEGRE (2)
PS (2) – Júlio Francisco Miranda Calha; António José Ceia da Silva
PORTO (38)
PS (20) – Luís Braga da Cruz; José Lello; Manuela de Melo; Fernando Gomes; Alberto Martins; Luísa Salgueiro; Carlos Lages; Augusto Santos Silva; Isabel Pires de Lima; Jorge Strecht Ribeiro; Guilherme Oliveira Martins; Maria José Gamboa; Renato Sampaio; Marques Júnior; Paula Cristina Duarte; Manuel Pizarro; José Magalhães; Isabel Santos; José Saraiva; Joaquim Couto
PSD (12) – José Pedro Correia de Aguiar-Branco; José António Freire Antunes; Marco António Ribeiro dos Santos Costa; Jorge Manuel Ferraz de Freitas Neto; Jorge Fernando Magalhães da Costa; António Edmundo Barbosa Montalvão Machado; Agostinho Correia Branquinho; Paulo Artur dos Santos Castro de Campos Rangel; Miguel Jorge Pignatelli de Ataíde Queiroz (PPM); Pedro Miguel de Azeredo Duarte; José Raúl Guerreiro Mendes dos Santos; Sérgio André da Costa Vieira
CDS-PP (2) – António Magalhães Pires de Lima; Álvaro António Magalhães Ferrão Castello-Branco
CDU (2) – Honório Novo; Jorge Machado
BE (2) – João Teixeira Lopes; Alda Macedo
SANTARÉM (10)
PS (6) – Jorge Lacão; Vitalino Canas; Idália Moniz; Paulo Fonseca; Nelson Baltazar; Fernanda Asseiceira
PSD (3) – Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas; Mário Albuquerque; Vasco Cunha
CDU (1) – Maria Luísa Raimundo Mesquita
SETÚBAL (17)
PS (8) – António Vitorino; Joel Hasse Ferreira; Teresa Dinis; Eduardo Cabrita; Vitor Ramalho; Marisa Costa; Alberto Antunes; Arons de Carvalho
PSD (3) – Fernando Mimoso Negrão; Luís Filipe Alexandre Rodrigues; Luís Filipe Carloto Marques (MPT)
CDS-PP (1) – Nuno Miguel Miranda Magalhães
CDU (3) – Francisco José de Almeida Lopes; Maria Odete dos Santos; Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia (PEV)
BE (2) – Fernando Rosas; Mariana Aiveca
V. CASTELO (6)
PS (3) – Luís Amado; Rosalina Maria Barbosa Martins; Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão
PSD (2) – José Eduardo Rego Mendes Martins; Luís Álvaro Campos Ferreira
CDS-PP (1) – Abel Lima Baptista
VILA REAL (5)
PS (3) – Ascenso Luís Seixas Simões; Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira; Paula Cristina Barros Teixeira Santos
PSD (2) – Maria do Rosário Cardoso Águas; Ricardo Jorge Olímpio Martins
VISEU (9)
PS (4) – José Junqueiro; Manuel Maria Carrilho; Cláudia Vieira; Miguel Ginestal
PSD (4) – José Luís Fazenda Arnaut Duarte; António Joaquim Almeida Henriques; Melchior Ribeiro Pereira Moreira; Carlos Andrade Miranda
CDS- PP (1) – José Miguel Nunes Anacoreta Correia
AÇORES (5)
PS (3) – Ricardo Manuel de Amaral Rodrigues; Luís Fagundes Duarte; Renato Luís Pereira Leal
PSD (2) – João Bosco Mota Amaral; Victor do Couto Cruz
MADEIRA (6)
PS (3) – Jacinto Serrão; Maximiano Martins; Júlia Caré
PSD (3) – Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim; Guilherme Henrique Valente R. Da Silva; Manuel Filipe Correia de Jesus
[2087]
RESPONSABILIDADE
Do Partido Socialista.
De José Sócrates.
Dos dirigentes socialistas.
Com a vitória desta noite – a maior de sempre do partido, alcançando finalmente (após 30 anos de democracia!) a maioria absoluta, coincidindo com a maior votação dos partidos de esquerda e, paralelamente, a mais severa derrota eleitoral de sempre dos partidos de direita e centro-direita – surge como imperativo que todos os socialistas assumam as suas responsabilidades e que se apresentem disponíveis para colaborar num Governo que tem perante si uma exigente missão.
[2086]
MUDANÇA
20h00 – Projecções de resultados, de acordo com as sondagens:
PS PSD CDU CDS-PP BE RTP (%) 45,0-49,0 25,0-29,0 6,0-8,0 5,0-7,0 6,0-8,0 RTP (Dep.) 124-136 62-70 10-14 7-10 10-14 SIC (%) 46,9-50,7 23,3-27,1 7,5-9,3 6,1-7,9 6,1-7,9 SIC (Dep.) 123-130 65-75 14-16 9-13 8-9 TVI (%) 44,2-48,2 26,1-30,1 6,4-9,0 5,5-8,1 5,1-7,7 TVI (Dep.) 117-127 68-78 12-18 8-14 6-12
[2085]
VOTAR É PRECISO
Como antevi na “entrada” anterior, o PS estará no limiar da maioria absoluta, que pode alcançar / “escapar-lhe” por um ou dois deputados.
Na conjuntura actual, Portugal não pode continuar a viver na instabilidade por que se têm caracterizado os últimos anos; desde 1999, os Governos cumpriram pouco mais de metade da duração dos mandatos para que foram eleitos, situação agravada com um claro erro de “casting” na sucessão de Durão Barroso.
Apesar da “campanha (pouco) alegre” a que assistimos, insuficientemente clarificadora; não obstante o desencanto generalizado dos portugueses perante a “política” e os políticos, ganha particular acuidade neste momento o tradicional slogan de que “votar é um direito, mas também um dever cívico”.
E votar no único partido que pode alcançar uma maioria absoluta, o PS; e, subsequentemente, ser exigentes e pedir responsabilidades no termo da legislatura.
Porque, caso tal não aconteça, dificilmente o país deixará de se ver envolvido, a curto prazo, em novo processo eleitoral.
O que não seria necessariamente uma situação grave, não fosse o caso de tal significar que Portugal continuaria – uma vez mais – adiado, perdendo tempo precioso no seu desenvolvimento e atrasando o processo de recuperação e convergência com o espaço europeu em que nos inserimos.
[2082]














