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A manifestação
ESTÁ NA HORA, ESTÁ NA HORA DE A MINISTRA …
Logo de manhã apresentei-me no posto da PSP para dizer que ia hoje a Lisboa. Agora passei por lá só para confirmar o regresso a casa e descansar as autoridades: parece-me que a polícia tem os manifestantes contados e se amanhã aparece gente a mais podem acabar os pastéis de bacalhau e as chamuças. Sim, porque eu acredito que o Governo só mandou contar os manifestantes para organizar uma recepção bué fixe aos stôres que amanhã vão à manif.
(Waldorf, no Blogue dos Marretas)
«Hooligans em Lisboa»
Diz Emídio Rangel, no Correio da Manhã:
«Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço. Maria de Lurdes Rodrigues é uma ministra determinada. Bem haja pela sua coragem. Por ter introduzido um sistema de avaliação dos professores, por ter chamado os pais a intervir, por ter fechado escolas sem alunos, por ter prolongado os horários e criado as aulas de substituição, por ter resolvido o problema da colocação dos professores, por ter introduzido o Inglês, por levar a informática aos lugares mais recônditos do País. Estas entre outras medidas já deram frutos…»
(CAA, no Blasfémias)
"as ondas, mas de longe"
“Corria o Verão de 1996. Durante uma semana, não houve telejornal das TVs privadas – nessa época a RTP ainda mantinha um alinhamento menos tablóide nos noticiários – que não arrancasse com crimes de sangue. Era uma ‘onda’. Fizeram-se debates e anúncios inflamados, interpelações e declarações dramáticas. Portugal “deixara” de ser “um país seguro”. Na altura, ouvi sobre o assunto o sociólogo Nelson Lourenço, então na Universidade Nova, que trabalhava muito o tema da violência. “Quanto menos violenta é uma sociedade, mais percepciona a violência e mais reage a ela”, disse o universitário, hoje reitor da Universidade Atlântica. E explicou-se: o Portugal de há 100 anos era muito mais violento que o da actualidade, mas a ressonância dessa violência era muito menor.
[…]
Quer isto dizer que não devemos preocupar-nos? Que o que sucedeu na última semana não tem importância? Claro que devemos preocupar-nos com o facto de ter havido seis (ou sete, ainda não é certo) mortes violentas em poucos dias. Mas confundir isso com “um aumento da criminalidade” é um pouco como dizer, no dia das enxurradas de 18 de Fevereiro, que 2008 não vai ser um ano seco. As ondas são assim: vistas de perto fazem um grande efeito, mas de longe fundem-se no mar.”
(Fernanda Câncio, no 5dias.net)
"Avante!" clandestino
Em dia de (87º) aniversário, o Partido Comunista Português disponibilizou ontem no seu site, 43 anos de arquivos das edições do seu órgão oficial, o jornal Avante!, no período em que a sua publicação era clandestina, de 1931 até ao 25 de Abril de 1974.
Moeda comemorativa dos 10 anos de União Económica e Monetária
Terminada a votação promovida pela União Europeia, eis a escolha dos cidadãos e residentes da União Europeia: moeda comemorativa de 2 euros, evocando o 10º aniversário do lançamento da União Económica e Monetária (a 1 de Janeiro de 1999) e da criação do euro.
Exposição fotográfica sobre emigrantes portugueses em França
“Por uma vida melhor” é o título da exposição fotográfica que o Museu Colecção Berardo apresenta até ao próximo dia 18 de Maio, com cerca de meia centena de fotografias (a preto e branco), da autoria de Gérald Bloncourt, retratando a vida dos emigrantes portugueses em França, das décadas de 50 a 70 do século passado.
Publicidade a medicamentos na televisão
Em tempos, a publicidade na televisão era dominada pelas marcas de detergentes; as bebidas, em especial as cervejas, e, em anos mais recentes, os Bancos e operadores de comunicações e Internet, são também dos principais investidores no mercado publicitário.
De um dia para o outro, parece terem sido descobertos os benefícios (comerciais) da publicidade televisiva a medicamentos, a que somos agora abundantemente submetidos.
Sujeita a regras restritivas específicas, naturalmente que (noutra faceta da idiossincrasia portuguesa, que é a proverbial capacidade de improviso e de “dar a volta às situações”) de pronto foram encontradas formas de contornar as imposições legais: haverá alguém que consiga – no curto espaço de duração de um spot publicitário (10 a 20 segundos) – ler as legendas que cobrem praticamente, em letras de reduzida dimensão, e de cor algo translúcida, toda a metade inferior do écran?
Ou, de forma similar às divulgações legalmente obrigatórias no que respeita, por exemplo, a anúncios a venda de automóveis ou de concessão de créditos, haverá alguém que consiga acompanhar o ritmo, de forma a ler o texto que, noutro anúncio a medicamentos, corre (literalmente, em excesso de velocidade) em rodapé?
Nesta como noutras matérias, qual a vantagem de ter leis excessivamente sofisticadas que não são respeitadas (ou que são “cumpridas” por via sinuosa)?
Mirandês – Primeiro manual de apoio pedagógico
Cerca de 20 anos após ter começado a ser ensinado nas escolas e dez anos depois de ter sido reconhecido como (segunda) língua oficial em Portugal, o mirandês tem agora o primeiro manual de apoio pedagógico, “Las mies purmeiras palabras na mirandês” (da autoria de António Bárbolo e Duarte Martins), que será distribuído gratuitamente a cerca de 400 alunos nas escolas de Miranda do Douro, numa iniciativa do Centro de Estudos Mirandeses.
Este livro terá uma edição inicial de dois mil exemplares, visando contribuir para a divulgação e aprendizagem do mirandês, língua de tradição oral falada por alguns milhares de pessoas numa região relativamente restrita do Nordeste Transmontano, junto à fronteira com Espanha.
Cheias
Quando, ontem, já próximo da meia-noite, Maria Elisa estreava na televisão um novo programa, tendo como tema da emissão inicial as grandes cheias que assolaram a região de Lisboa em 1967, estaria longe de profetizar o que se iria passar nesta madrugada…
Depois de – na semana passada – se ter anunciado que este era o Inverno menos chuvoso dos últimos 90 anos, questionava-se ontem qual o impacto que umas eventuais cheias de dimensão análoga poderia registar… Entre as 4 e as 5 da manhã, a forte precipitação que se abateu sobre a região de Lisboa foi, ainda assim, de intensidade muito inferior a outras já registadas.
Esta manhã, o caos estava instalado em Lisboa e arredores, com a linha do Norte interrompida (comboios); as auto-estradas do Norte e do Oeste, tal como a marginal, cortadas; a circulação do Metropolitano limitada; falhas nos abastecimentos de água, gás e de electricidade; milhares de pessoas perdendo horas no trânsito.
E, confirmando as idiossincrasias aparentemente inseparáveis do carácter português – e na ausência de medidas preventivas, que deveriam ter sido tomadas há meses atrás – o que hoje se discute (com mais de meia hora nos telejornais e direito a “programa especial” sobre as cheias, numa espécie de “show da vida real”, explorando as emoções associadas às imagens sempre espectacularmente impressionantes) é “de quem é a culpa”, com o Governo a endossar responsabilidades às autarquias e estas a devolverem a acusação.
Algum dia conseguiremos aprender com os nossos erros? Vencer a inércia e o laxismo?
P. S. A ler, a propósito, Francisco José Viegas, José Pacheco Pereira, Paulo Gorjão, Francisco Almeida Leite e, também, Filipe Nunes Vicente.
Kosovo
Há meses que se sabia que o Kosovo iria declarar unilateralmente a sua independência face à Sérvia – a primeira a ocorrer na Europa em mais de 50 anos -, portanto “tecnicamente” uma declaração ilegal.
Há semanas que se sabia que essa declaração seria efectuada a muito curto prazo e que a União Europeia não iria adoptar uma posição comum.
Há dias que se sabe que a França, Alemanha, Reino Unido e Itália irão reconhecer esta independência – patrocinada pelos EUA -, enquanto a Espanha, Chipre, Grécia, Roménia, Bulgária e Eslováquia se mostram contrários a esta tomada de posição da maioria de origem albanesa que habita o território que tem estado sob tutela da ONU.
E Portugal?
Tomará uma decisão (quanto ao reconhecimento da independência) “em devido tempo”, depois de realizar as “consultas necessárias”.
Obviamente – e não obstante o alerta do Presidente da República quanto aos riscos associados a esta situação -, a decisão está tomada e acabará por ir, inevitavelmente, no sentido do reconhecimento da independência… Porquê então o protelamento?
P. S. Sobre o tema, a ler, Pedro Sales (também aqui), Paulo Pinto, Luís Novaes Tito e João Miranda.



