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Portugal – Macedónia do Norte (Mundial 2022 – Play-off – “Final”)
Estádio do Dragão, Porto
Portugal – Diogo Costa, João Cancelo, Danilo Pereira, Pepe, Nuno Mendes, Bruno Fernandes (87m – Matheus Nunes), João Moutinho (90m – Vítor Ferreira “Vitinha”), Otávio Monteiro (76m – William Carvalho), Diogo Jota (76m – Rafael Leão), Bernardo Silva (87m – João Félix) e Cristiano Ronaldo
Stole Dimitrievski, Stefan Ristovski, Visar Musliu, Darko Velkoski, Ezgjan Alioski, Eljif Elmas (87m – Boban Nikolov), Enis Bardi, Arijan Ademi, Aleksandar Trajkovski (59m – Darko Churlinov), Milan Ristovski (45m – Bojan Miovski) e Tihomir Kostadinov (75m – Stefan Ashkovski)
1-0 – Bruno Fernandes – 32m
2-0 – Bruno Fernandes – 65m
Cartões amarelos – João Cancelo (68m); Visar Musliu (68m) e Ezgjan Alioski (74m)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
Agora, findos os jogos do play-off, constata-se que Portugal conseguiu, com muito maior facilidade que o esperado, garantir o apuramento para a fase final do Mundial. Efectivamente – beneficiando, em larga medida, da grande surpresa protagonizada pela Macedónia do Norte em Itália –, a selecção portuguesa acabou por ver-se confrontada com duas equipas de nível manifestamente inferior ao seu.
Fazendo alinhar nesta “final” João Cancelo, Pepe e Nuno Mendes (por troca com Diogo Dalot, José Fonte e Raphaël Guerreiro), a formação nacional fez uma exibição segura, controlando durante praticamente todo o jogo, exercendo natural predomínio.
Isto apesar de a Macedónia do Norte ter começado por surpreender, entrando em campo de forma muito aguerrida, com linhas subidas, a disputar os lances a meio-campo, visando bloquear, logo aí, as iniciativas contrárias, beneficiando também, nessa fase, de um estilo de arbitragem que ia enervando os portugueses, permitindo excessiva agressividade aos adversários.
Ainda assim, nesse período, os lances de maior perigo surgiriam, primeiro, num remate cruzado de Cristiano Ronaldo, no flanco esquerdo, a sair a rasar o poste da baliza de Dimitrievski; e, logo depois, num cabeceamento “defeituoso” de Diogo Jota, muito direccionado para o solo, a desperdiçar soberana ocasião de marcar.
Por curiosidade, Portugal chegaria ao golo de forma talvez menos expectável, num lance de transição, aproveitando um mau passe (de grande risco) de Stefan Ristovski, na zona intermediária, paralelo à linha de meio campo, mas ligeiramente atrasado, o qual seria interceptado por Bruno Fernandes, que, após pronta combinação com Cristiano Ronaldo, surgiu desmarcado, a rematar colocado, para o fundo da baliza.
Não obstante a Macedónia como que tivesse “desaparecido” do jogo, o tento da confirmação só chegaria passada outra meia hora de jogo (já após o intervalo), outra vez com início numa recuperação de bola, com Diogo Jota a fazer excelente assistência, de “longa distância”, para notável remate, na passada, do mesmo Bruno Fernandes, particularmente inspirado nesta noite, igualmente sem hipóteses para o guardião macedónio.
Até final, Portugal ainda podia ter ampliado a contagem, não fosse um defesa ter “tirado o pão da boca” a Cristiano Ronaldo, num corte “in extremis”, quando este se preparava para “fazer o gosto ao pé”.
A selecção nacional, sem necessidade de se aplicar a fundo, ou de “brilhar”, não deixou de colocar em evidência o seu superior potencial, face a uma inofensiva equipa contrária, que não conseguiu qualquer remate enquadrado à baliza portuguesa, obtendo um triunfo tão claro como lógico.
Desde a ausência da fase final do Mundial de 1998, em França, nunca mais Portugal voltou a falhar uma grande competição internacional, somando, consecutivamente, 12 participações: seis no Europeu (2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020/21) e, agora, outras tantas em Campeonatos do Mundo (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) – a que junta os até então raros apuramentos (1966 e 1986 no Mundial; 1984 e 1996 em Europeus).
Para ilustrar esta proeza lusa, anote-se que apenas três países (Alemanha, Espanha e França) acompanharam Portugal em todas estas 12 fases finais, superando o registo português: os germânicos não falham uma fase final desde o Europeu de 1968 (somando 13 Europeus e 14 Mundiais sucessivos); os espanhóis registam 15 presenças consecutivas (desde 1994, com 8 Mundiais e 7 Europeus); enquanto os gauleses alcançaram uma série de 14 participações (desde 1996, com 7 Mundiais e 7 Europeus) – devendo, por outro lado, considerar-se ainda os casos do Brasil (nunca falhou o Mundial, que irá disputar pela 22.ª vez) e Argentina (13 presenças sucessivas, desde 1974).
Mundial 2022 – Play-off (Zona Europeia) – “Semi-finais”
Semi-final 1 – Escócia – Ucrânia – (Adiado)
Semi-final 2 – País de Gales – Áustria – 2-1
Semi-final 3 – Rússia – Polónia – Jogo não disputado, devido ao facto de a selecção russa ter sido suspensa da competição, no âmbito das sanções aplicadas à Rússia pela invasão da Ucrânia
Semi-final 4 – Suécia – R. Checa – 0-0 (1-0 a.p.)
Semi-final 5 – Itália – Macedónia do Norte – 0-1
Semi-final 6 – Portugal – Turquia – 3-1
O alinhamento – previamente sorteado – dos jogos das “finais”, agendados para o próximo dia 29 de Março, é o seguinte:
País de Gales – Escócia / Ucrânia
Polónia – Suécia
Portugal – Macedónia do Norte
A Campeã da Europa em título, Itália, foi surpreendida, em casa, perdendo com a Macedónia do Norte, mercê de um golo apontado já em período de compensação, com os italianos a falharem o apuramento para o Mundial pela segunda edição sucessiva. Tendo-se estreado em fases finais de grandes competições no “EURO 2020”, em Junho do ano passado, a Macedónia do Norte ganhara já, na fase de grupos desta qualificação para o Mundial, na Alemanha, há cerca de um ano, tendo ido agora vencer a Itália.
Portugal – Turquia (Mundial 2022 – Play-off – “Semi-final”)
Estádio do Dragão, Porto
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Danilo Pereira, José Fonte, Raphaël Guerreiro (88m – Nuno Mendes), Bruno Fernandes (80m – William Carvalho), João Moutinho (88m – Matheus Nunes), Bernardo Silva, Otávio Monteiro (88m – Rafael Leão), Diogo Jota (71m – João Félix) e Cristiano Ronaldo
Turquia – Uğurcan Çakır, Ozan Kabak, Merih Demiral, Çağlar Söyüncü, Berkan Kutlu (90m – Serdar Dursun), Zeki Çelik (80m – Yusuf Yazıcı), Orkun Kökçü (80m – Dorukhan Toköz), Hakan Çalhanoğlu, Kerem Aktürkoglu (66m – Enes Ünal), Cengiz Ünder e Burak Yılmaz
1-0 – Otávio Monteiro – 15m
2-0 – Diogo Jota – 42m
2-1 – Burak Yılmaz – 65m
3-1 – Matheus Nunes – 90m
Cartões amarelos – Diogo Jota (35m) e João Moutinho (86m); Zeki Çelik (35m), Hakan Çalhanoğlu (69m), Merih Demiral (76m) e Dorukhan Toköz (90m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Pese embora uma exibição desequilibrada e inconstante, com “altos” e “baixos”, o primeiro objectivo (intermédio) foi alcançado: o apuramento para o jogo da final dos “play-off”, no qual Portugal irá disputar, com a surpreendente Macedónia do Norte, a qualificação para a fase final do Mundial 2022.
A selecção portuguesa ganhou à Turquia, porque é claramente melhor – mesmo privada de elementos-chave na defesa como têm sido João Cancelo, Rúben Dias ou Pepe, obrigando ao recurso a José Fonte e ao recuo de Danilo Pereira para o eixo central, e com alguma surpresa na titularidade (em estreia) do guardião Diogo Costa.
Mas não deixou de passar por um enorme susto quando, a escassos cinco minutos do final, Burak Yılmaz teve a soberana oportunidade de igualar o marcador a dois golos, tendo, para nossa tranquilidade, desperdiçado a grande penalidade de que dispôs, ao rematar muito por alto.
Com uma boa entrada em jogo, afirmativa, assumindo a iniciativa, “sufocando” o adversário, Portugal cedo chegou ao golo de que necessitava para poder serenar, isto depois de ter já deixado algumas ameaças, uma delas com uma perdida flagrante de Diogo Jota. Foi na sequência de um remate de Bruno Fernandes, com a bola a embater com estrondo no poste, surgindo Otávio, muito oportuno, a antecipar-se e a fazer a recarga para o fundo da baliza.
Já depois de um período de algumas perdas de bola na fase de construção, a actuação da equipa portuguesa, mantendo a toada ofensiva, culminaria com o segundo tento, obtido já à beira do intervalo, pelo mesmo Diogo Jota, assistido por Otávio, uma aposta para esta partida, ganha pelo seleccionador Fernando Santos. Parecia uma margem confortável e segura.
Na segunda metade, aproveitando também alguma quebra anímica por parte da selecção turca, a formação nacional, continuando a exercer forte domínio, mesmo que baixando a intensidade de jogo, teve ocasiões para ampliar o marcador (em especial, de novo, por Diogo Jota, por mais de uma vez), mas não conseguiria chegar ao 3-0, que teria, desde logo, ditado o desfecho do desafio.
Perante tantas (aparentes) “facilidades”, vindo gradualmente a cair de produção, principalmente após o golo turco, apontado por Burak Yılmaz (a aproveitar alguma passividade na defesa), Portugal correu riscos que teriam sido desnecessários, tendo perdido o controlo do jogo, experimentando então dificuldades para suster a dinâmica turca, agora com renovada crença.
Logo depois de, por via da entrada de William Carvalho (a substituir, a dez minutos do fim, Bruno Fernandes), Fernando Santos ter pretendido “trancar” o resultado, surgiria o lance da grande penalidade, que poderia ter mudado drasticamente a configuração deste embate.
Tendo acabado por passar por um período de algum sofrimento, durante vários minutos, o terceiro golo, da confirmação – com Rafael Leão a desmarcar Matheus Nunes, o qual, com excelente execução técnica, desviou a bola do alcance do guarda-redes –, surgiria apenas já em período de compensação.
Praticamente em simultâneo a Macedónia do Norte acabara de marcar também, em Itália, o tento solitário que foi o bastante para afastar o Campeão Europeu em título do Mundial, no que constitui a segunda fase final sucessiva que os transalpinos falham.
No Estádio do Dragão haveria ainda tempo, nos derradeiros instantes, para Cristiano Ronaldo rematar à trave, no que, a ter-se materializado em golo, constituiria um excessivamente pesado castigo para os turcos, então já conformados com o desenlace da eliminatória.
Liga Conferência Europa – Sorteio dos 1/4 de Final e das 1/2 Finais
1/4 de final
Bodø/Glimt – Roma
Feyenoord – Slavia Praha
Olympique Marseille – PAOK
Leicester City – PSV Eindhoven
Os jogos da primeira mão serão disputados a 7 de Abril, estando a segunda mão agendada para 14 de Abril.
1/2 finais
Leicester City / PSV Eindhoven – Bodø/Glimt / Roma
Feyenoord / Slavia Praha – Olympique Marseille / PAOK
Os jogos das meias-finais estão agendados para 28 de Abril (1.ª mão) e 5 de Maio (2.ª mão).
Liga Europa – Sorteio dos 1/4 de Final e das 1/2 Finais
1/4 de final
RB Leipzig – Atalanta
E. Frankfurt – Barcelona
West Ham – Olympique Lyon
Sp. Braga – Rangers
Os jogos da primeira mão serão disputados a 7 de Abril, estando a segunda mão agendada para 14 de Abril.
1/2 finais
RB Leipzig / Atalanta – Sp. Braga / Rangers
West Ham / Olympique Lyon – E. Frankfurt / Barcelona
Os jogos das meias-finais estão agendados para 28 de Abril (1.ª mão) e 5 de Maio (2.ª mão).
Liga dos Campeões – Sorteio dos 1/4 de Final e das 1/2 Finais
1/4 de final
Chelsea – Real Madrid
Manchester City – At. Madrid
Villarreal – Bayern
Benfica – Liverpool
Os jogos da primeira mão serão disputados nas seguintes datas: 5 e 6 de Abril. Por seu lado, as partidas da segunda mão estão agendadas para 12 e 13 de Abril.
1/2 finais
Manchester City / At. Madrid – Chelsea / Real Madrid
Benfica / Liverpool – Villarreal / Bayern
Os jogos das meias-finais estão agendados para 26 e 27 de Abril (1.ª mão) e 3 e 4 de Maio (2.ª mão).
Liga Conferência Europa – 1/8 de Final (2.ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Basel - Olympique Marseille 1-2 1-2 2-4 Rennes - Leicester City 2-1 0-2 2-3 Gent - PAOK 1-2 0-1 1-3 Roma - Vitesse 1-1 1-0 2-1 København - PSV Eindhoven 0-4 4-4 4-8 LASK Linz - Slavia Praha 4-3 1-4 5-7 AZ Alkmaar - Bodø/Glimt 2-2 (a.p.) 1-2 3-4 Feyenoord - Partizan 3-1 5-2 8-3
Das quatro equipas dos Países Baixos apenas duas (PSV e Feyenoord) seguem em frente, ainda assim o maior contingente, a que se junta um representante de Inglaterra (Leicester), Itália (Roma), França (Marseille), Grécia, R. Checa e Noruega.
Liga Europa – 1/8 de Final (2.ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Crvena zvezda - Rangers 2-1 0-3 2-4 Monaco - Sp. Braga 1-1 0-2 1-3 Olympique Lyon - FC Porto 1-1 1-0 2-1 Bayer Leverkusen - Atalanta 0-1 2-3 2-4 West Ham - Sevilla 2-0 (a.p.) 0-1 2-1 Galatasaray - Barcelona 1-2 0-0 1-2 Spartak Moskva - RB Leipzig * --- --- --- E. Frankfurt - Betis 1-1 (a.p.) 2-1 3-2
* Não foram disputados os jogos da eliminatória entre RB Leipzig – Spartak Moskva, devido ao facto de o Spartak ter sido suspenso da competição, no âmbito das sanções aplicadas à Rússia pela invasão da Ucrânia.
As duas equipas de Sevilha ainda forçaram o prolongamento, mas acabaram ambas eliminadas, portanto afastadas da Final, que se disputará… em Sevilha. Nos 1/4 de final teremos como maior contingente o da Alemanha (RB Leipzig e E. Frankfurt), subsistindo um único representante de Portugal (Sp. Braga), Inglaterra (West Ham), Espanha (Barcelona), Itália (Roma), França (Lyon) e Escócia (Rangers).
Liga dos Campeões – 1/8 de final (2.ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Bayern - Salzburg 7-1 1-1 8-2 Manchester City - Sporting 0-0 5-0 5-0 Ajax - Benfica 0-1 2-2 2-3 Lille - Chelsea 1-2 0-2 1-4 Manchester United - At. Madrid 0-1 1-1 1-2 Juventus - Villarreal 0-3 1-1 1-4 Liverpool - Inter 0-1 2-0 2-1 Real Madrid - Paris St.-Germain 3-1 0-1 3-2
Três equipas inglesas, outras tantas espanholas (esta época sem o Barcelona, mas com a “novidade” Villarreal), uma portuguesa e outra alemã, compõem o alinhamento dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Pelo caminho ficaram, para além dos galácticos do Paris Saint-Germain (com Messi, Mbappé e Neymar), o Manchester United (de Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Diogo Dalot) e os dois representantes italianos (Inter e Juventus), tendo a França ficado igualmente sem representação, também em função da eliminação do Lille.
Liga dos Campeões – 1/8 final (2.ª mão) – Ajax – Benfica
Ajax – André Onana, Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (90m – Mohammed Kudus), Lisandro Martínez, Daley Blind, Edson Álvarez (81m – Brian Brobbey), Steven Berghuis (81m – Davy Klaassen), Ryan Gravenberch, Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Valentino Lazaro), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Adel Taarabt (45m – Soualiho Meïté), Julian Weigl, Everton Soares (72m – Roman Yaremchuk), Rafael “Rafa” Silva, Gonçalo Ramos (90m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez (81m – Diogo Gonçalves)
0-1 – Darwin Núñez – 77m
Cartões amarelos – Jurriën Timber (83m), Daley Blind (90m) e Ryan Gravenberch (90m); Gonçalo Ramos (67m)
Árbitro – Carlos del Cerro Grande (Espanha)

Não foi, claro, uma exibição de “encher o olho”, no sentido em que o Benfica esteve muito longe – antes pelo contrário – de exercer o domínio do jogo. Precisamente, perante um adversário com cariz muito mais talhado para assumir a iniciativa atacante, a equipa benfiquista soube unir-se, de forma solidária, atingindo, nesse aspecto, desempenho de grande competência em termos defensivos, ao mesmo tempo que viu coroado de plena eficácia o seu único remate enquadrado com a baliza adversária!
Antecipava-se já a forte entrada do Ajax, empurrando o adversário para o seu reduto defensivo, com a bola a percorrer as imediações da área, nessa fase inicial com a equipa da casa, com forte pressão, a ameaçar cada vez com maior veemência, fazendo recear a possibilidade de chegada do golo (ganhando vários cantos, com sucessivos cabeceamentos, mas, efectivamente, sem grande perigo iminente).
O volumoso trabalho que a dupla Otamendi-Vertonghen ia tendo pela frente, foi auxiliado pelo recuo de Weigl, enquanto Taarabt era uma espécie de “duplo” de Gilberto, na lateral direita. Numa partida que requeria enorme dose de paciência – e quase absoluto rigor defensivo -, o Benfica conseguiu alcançar um equilíbrio mental, gradualmente reforçado à medida que o tempo ia avançando.
Ao intervalo, Nélson Veríssimo substituiria o marroquino por Meïté, visando controlar de forma mais eficaz as ofensivas pelo flanco esquerdo adversário, que, no decurso do segundo tempo, ia começando a denotar indícios de algum bloqueio – fazendo, de alguma forma, recordar o que se passara em Eindhoven, com o PSV, na 2.ª mão do play-off.
Conforme então sucedera, com o rolar dos minutos, viria, progressivamente, a instalar-se a dúvida na mente dos jogadores do Ajax, em contraponto a um crescente acreditar por parte dos benfiquistas. A missão era simples: com o tempo a começar correr a seu favor, o Benfica procurava, em primeira instância, ir assegurando a inviolabilidade da sua baliza, de forma a levar o mais longe possível a discussão da eliminatória… na expectativa de que pudesse, por acréscimo, vir a alcançar ainda algo mais.
O tal “acreditar” ou maior confiança no que a equipa ia desenvolvendo dentro de campo – a par da necessidade de refrescar o “onze”, submetido a intenso desgaste – levou o treinador português a fazer entrar em campo o ucraniano Yaremchuk, por troca com Everton, visando suster a subida no terreno dos defesas contrários, procurando, de alguma forma, manter o adversário “em sentido”.
E o bónus, do golo do Benfica, acabaria mesmo por chegar, apenas cinco minutos volvidos: num livre, ao estilo de um canto mais curto, Grimaldo fez um centro com “conta, peso e medida” para a zona da pequena área, onde, muito oportuno, surgiu Darwin, a antecipar-se ao guardião contrário, desviando a bola, de cabeça, para o fundo das redes.
Logo se percebeu que – ante tal rude golpe anímico – muito dificilmente o Ajax conseguiria reagir da forma de que necessitaria, porque, então, era já impraticável manter a serenidade, ao mesmo tempo que a crença se mudara por completo para o lado oposto. No (já escasso) tempo que restava o Campeão dos Países Baixos não teria “arte” para construir o que, afinal, em cerca de 80 minutos, não conseguira: efectivas ocasiões de perigo.
De facto, num balanço global, tendo o Ajax evidenciado manifesta superioridade em termos de posse de bola (69/31%), assim como em número de pontapés de canto (10/4), o duelo foi muito mais equilibrado a nível de remates à baliza (2/1), com os jogadores locais a não conseguirem esconder, no período final, a frustração pela impotência revelada – seria, aliás, Yaremchuk a desaproveitar a mais flagrante oportunidade de golo de todo o desafio, isolado frente a Onana, já no 97.º e derradeiro minuto…
Muito competente na execução do plano de jogo, tendo conseguido anular por completo o reconhecido poderio ofensivo do adversário (depois das partidas de Moscovo, Eindhoven, Kiev e Barcelona, esta foi a 5.ª vez, em seis desafios fora de casa nesta edição da prova, que preservou a “clean sheet” da sua baliza), a equipa portuguesa foi premiada, necessariamente com felicidade, pela grande eficácia.
Em qualquer caso, um embate a reavivar as noites europeias de glória do Benfica, superando, em terreno alheio – com o apoio entusiástico de cerca de três milhares de adeptos –, um rival mítico como é o Ajax (sagrado Campeão Europeu por quatro vezes), como que numa desforra face à história das eliminações de 1969 (nos quartos-de-final) e de 1972 (nas meias-finais), ambas sob a égide da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
O Benfica alcança os quartos-de-final da maior prova de clubes do Mundo pela 18.ª vez no seu historial – num total de 41 participações –, a que acresce ainda a presença, em 1992, nos “últimos 8” (então com a fase final da competição, no ano “pré-Champions”, como que num ensaio para a reformulação do modelo competitivo, a ser disputada por dois grupos de quatro clubes, tendo-se apurado os vencedores para a Final).
Na era “Champions” será a 5.ª presença, após as eliminações sofridas em 1995 (AC Milan), 2006 (Barcelona), 2012 (Chelsea) e 2016 (Bayern); nas 13 ocasiões em que atingiu tal fase na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica apurou-se para as meias-finais por oito vezes (1961, 1962, 1963, 1965, 1968, 1972, 1988 e 1990).



