Liga dos Campeões – 1/8 final (2.ª mão) – Ajax – Benfica

15 Março, 2022 at 10:59 pm Deixe um comentário

AjaxAjax – André Onana, Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (90m – Mohammed Kudus), Lisandro Martínez, Daley Blind, Edson Álvarez (81m – Brian Brobbey), Steven Berghuis (81m – Davy Klaassen), Ryan Gravenberch, Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Valentino Lazaro), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Adel Taarabt (45m – Soualiho Meïté), Julian Weigl, Everton Soares (72m – Roman Yaremchuk), Rafael “Rafa” Silva, Gonçalo Ramos (90m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez (81m – Diogo Gonçalves)

0-1 – Darwin Núñez – 77m

Cartões amarelos – Jurriën Timber (83m), Daley Blind (90m) e Ryan Gravenberch (90m); Gonçalo Ramos (67m)

Árbitro – Carlos del Cerro Grande (Espanha)

Não foi, claro, uma exibição de “encher o olho”, no sentido em que o Benfica esteve muito longe – antes pelo contrário – de exercer o domínio do jogo. Precisamente, perante um adversário com cariz muito mais talhado para assumir a iniciativa atacante, a equipa benfiquista soube unir-se, de forma solidária, atingindo, nesse aspecto, desempenho de grande competência em termos defensivos, ao mesmo tempo que viu coroado de plena eficácia o seu único remate enquadrado com a baliza adversária!

Antecipava-se já a forte entrada do Ajax, empurrando o adversário para o seu reduto defensivo, com a bola a percorrer as imediações da área, nessa fase inicial com a equipa da casa, com forte pressão, a ameaçar cada vez com maior veemência, fazendo recear a possibilidade de chegada do golo (ganhando vários cantos, com sucessivos cabeceamentos, mas, efectivamente, sem grande perigo iminente).

O volumoso trabalho que a dupla Otamendi-Vertonghen ia tendo pela frente, foi auxiliado pelo recuo de Weigl, enquanto Taarabt era uma espécie de “duplo” de Gilberto, na lateral direita. Numa partida que requeria enorme dose de paciência – e quase absoluto rigor defensivo -, o Benfica conseguiu alcançar um equilíbrio mental, gradualmente reforçado à medida que o tempo ia avançando.

Ao intervalo, Nélson Veríssimo substituiria o marroquino por Meïté, visando controlar de forma mais eficaz as ofensivas pelo flanco esquerdo adversário, que, no decurso do segundo tempo, ia começando a denotar indícios de algum bloqueio – fazendo, de alguma forma, recordar o que se passara em Eindhoven, com o PSV, na 2.ª mão do play-off.

Conforme então sucedera, com o rolar dos minutos, viria, progressivamente, a instalar-se a dúvida na mente dos jogadores do Ajax, em contraponto a um crescente acreditar por parte dos benfiquistas. A missão era simples: com o tempo a começar correr a seu favor, o Benfica procurava, em primeira instância, ir assegurando a inviolabilidade da sua baliza, de forma a levar o mais longe possível a discussão da eliminatória… na expectativa de que pudesse, por acréscimo, vir a alcançar ainda algo mais.

O tal “acreditar” ou maior confiança no que a equipa ia desenvolvendo dentro de campo – a par da necessidade de refrescar o “onze”, submetido a intenso desgaste – levou o treinador português a fazer entrar em campo o ucraniano Yaremchuk, por troca com Everton, visando suster a subida no terreno dos defesas contrários, procurando, de alguma forma, manter o adversário “em sentido”.

E o bónus, do golo do Benfica, acabaria mesmo por chegar, apenas cinco minutos volvidos: num livre, ao estilo de um canto mais curto, Grimaldo fez um centro com “conta, peso e medida” para a zona da pequena área, onde, muito oportuno, surgiu Darwin, a antecipar-se ao guardião contrário, desviando a bola, de cabeça, para o fundo das redes.

Logo se percebeu que – ante tal rude golpe anímico – muito dificilmente o Ajax conseguiria reagir da forma de que necessitaria, porque, então, era já impraticável manter a serenidade, ao mesmo tempo que a crença se mudara por completo para o lado oposto. No (já escasso) tempo que restava o Campeão dos Países Baixos não teria “arte” para construir o que, afinal, em cerca de 80 minutos, não conseguira: efectivas ocasiões de perigo.

De facto, num balanço global, tendo o Ajax evidenciado manifesta superioridade em termos de posse de bola (69/31%), assim como em número de pontapés de canto (10/4), o duelo foi muito mais equilibrado a nível de remates à baliza (2/1), com os jogadores locais a não conseguirem esconder, no período final, a frustração pela impotência revelada – seria, aliás, Yaremchuk a desaproveitar a mais flagrante oportunidade de golo de todo o desafio, isolado frente a Onana, já no 97.º e derradeiro minuto…

Muito competente na execução do plano de jogo, tendo conseguido anular por completo o reconhecido poderio ofensivo do adversário (depois das partidas de Moscovo, Eindhoven, Kiev e Barcelona, esta foi a 5.ª vez, em seis desafios fora de casa nesta edição da prova, que preservou a “clean sheet” da sua baliza), a equipa portuguesa foi premiada, necessariamente com felicidade, pela grande eficácia.

Em qualquer caso, um embate a reavivar as noites europeias de glória do Benfica, superando, em terreno alheio – com o apoio entusiástico de cerca de três milhares de adeptos –, um rival mítico como é o Ajax (sagrado Campeão Europeu por quatro vezes), como que numa desforra face à história das eliminações de 1969 (nos quartos-de-final) e de 1972 (nas meias-finais), ambas sob a égide da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

O Benfica alcança os quartos-de-final da maior prova de clubes do Mundo pela 18.ª vez no seu historial – num total de 41 participações –, a que acresce ainda a presença, em 1992, nos “últimos 8” (então com a fase final da competição, no ano “pré-Champions”, como que num ensaio para a reformulação do modelo competitivo, a ser disputada por dois grupos de quatro clubes, tendo-se apurado os vencedores para a Final).

Na era “Champions” será a 5.ª presença, após as eliminações sofridas em 1995 (AC Milan), 2006 (Barcelona), 2012 (Chelsea) e 2016 (Bayern); nas 13 ocasiões em que atingiu tal fase na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica apurou-se para as meias-finais por oito vezes (1961, 1962, 1963, 1965, 1968, 1972, 1988 e 1990).

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O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 de final Liga dos Campeões – 1/8 de final (2.ª mão)

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