U. Tomar – Centenário (XXXII)
11 Maio, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário
(“O Templário”, 08.05.2014)
No final da época de 1974-75, em que o União de Tomar registara a sua quinta participação na I Divisão Nacional, garantindo a permanência por mais uma temporada, a formação unionista atingia, também pela quinta vez na sua história, os 1/4 Final da Taça de Portugal. Ditara o sorteio que a turma “rubro-negra” recebesse no seu terreno, a 25 de Maio de 1975, a visita do Sporting.
E, de alguma forma, aconteceria surpresa: não obstante não terem faltado oportunidades de golo, para ambos os contendores, o nulo no marcador não se alteraria, mesmo após a disputa de um prolongamento de trinta minutos.
«Quis-nos parecer que o Sporting está num mau momento ou «procurou-o», por causas diversas, logo neste encontro de Tomar. E podia, por isso mesmo, já estar afastado da competição […]. O «leão» precisava de um banho no Nabão. Para despertar da letargia. […]
Como dissemos, várias circunstâncias podiam ter contribuído para a pouca inspiração colectiva dos sportinguistas. Duas delas: a lesão de Fraguito, e a figura de corpo presente que Yazalde fez durante uma grande mão cheia de minutos. Atenuantes? Até certo ponto. Atenuantes em relação à pouca dinamização da linha média e à falta de poder de concretização da dianteira, mas, no resto, parece-nos que será pôr demasiados condicionalismos à excelente resistência dos tomarenses, focando as desgraças sem lhes contar os méritos.
Durante a época, a defesa de Tomar tem sido muito mal tratada pela crítica. Ontem, antes do jogo, era também a grande incógnita e pareceu-nos que da sua actuação dependia o êxito da equipa ou o seu rápido aniquilamento. […]
Assim, sobre cinco homens [Silva Morais, Kiki, Calado, Zeca e Fernandes] estava suspensa uma acusação. Afinal, o gato não conseguiu comer as filhós, a defesa do União, umas vezes com uma certa tranquilidade, de outras perfeitamente desaustinada, pontapeando para fora, afastando a bola de qualquer jeito da sua área, não se portou nada mal. A começar no guarda-redes [Silva Morais], que fez duas ou três defesas de grande categoria e jogou muito bem, durante toda a partida, e a terminar no homem do lado esquerdo [Fernandes]. […]
Foi uma forma inteligente de actuação, foi, também, sentido das realidades. Da forma como jogou, batendo-se bem na defesa e tentando chegar à baliza de Damas através de lances rápidos de contra-ataque, os homens de Tomar disputaram o jogo e podiam ter perfeitamente eliminado o Sporting.»(1)
Este fora o momento em que o União terá estado mais próximo das ½ Finais da competição, fase que, porém, nunca conseguiria franquear. Tendo forçado o grupo “leonino” a um jogo de desempate, o qual seria disputado apenas dois dias depois, agora em Lisboa, no Estádio de Alvalade, e no termo de mais uma época desgastante em termos anímicos e físicos, sem um adequado período de recuperação, o conjunto nabantino acabaria por soçobrar, perante uma exibição de grande nível do adversário, sendo goleado por pesados 0-5.
Cumprido que fora o objectivo fundamental, de manutenção entre os grandes do futebol português, complementado com uma boa e digna campanha também na Taça de Portugal (tendo eliminado Famalicão e Montijo, ambos por 5-3), era tempo de pensar na temporada seguinte…
____________
Entry filed under: Tomar.





Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed