Archive for 6 Junho, 2011
Minoritário(s)
Eu… Em 27 anos de votações, nunca me senti tão infimamente minoritário: na minha freguesia, apenas mais 137 pessoas me acompanharam na opção de voto, representando uns estrondosos 0,66 %!
Ainda assim, num assinalável indício de discernimento (como diria Miguel Esteves Cardoso), algo mais do que a nível concelhio (0,61 %), distrital (0,53 %) e, sobretudo, nacional (0,39 %) – conduzindo à demissão do líder do partido, que equaciona agora a sua dissolução…
Parafraseando a lúcida reflexão de Rui Tavares: «onde falhámos nós?» / onde falhei eu?
Ou a prova provada de que os dias não estão para derivas ao “mainstream” (à excepção do epifenómeno Partido pelos Animais e pela Natureza), aparentemente sem espaço para novas ideias, para a renovação, sem ser orgânica (partindo do interior dos próprios partidos do “sistema”), para mais num contexto como o vivido nestas eleições.
Num fenómeno digno de estudo sociológico, nunca como ontem as eleições em Portugal terão sido tão polarizadas em torno de uma única figura, a de José Sócrates – desta vez, mais pela negativa: para uma ampla maioria dos portugueses que foram votar, a palavra de ordem, nalguns casos mesmo o único leitmotiv, pareceu ter sido a de “afastar Sócrates”… que, com dignidade, compreendendo a mensagem, e rendendo-se à evidência, se afastou.
O maior derrotado da noite? Sim, mas… decerto não o único.
Tenderia mesmo a dizer que – para além do que vem já constituindo uma tradicional e necessariamente salutar tendência de alternância política a nível dos dois principais partidos – há um outro grande derrotado: o Bloco de Esquerda, e, dando o rosto à derrota, o seu responsável máximo, Francisco Louçã… que entendeu não ter ainda chegado a “sua hora”, garantindo que «se aprende mais com as derrotas do que com as vitórias». Posso estar equivocado, mas esta quebra do Bloco – traduzindo o esgotamento de um modelo de voto de protesto – denota toda a aparência de não ter retorno…
Minoritário então, também, o PS, após 6 anos de Governo, com bastante naturalidade, e, noutro fenómeno de estudo sociológico, minoritária igualmente a esquerda, não só em termos da composição do Parlamento, mas, mais estranho, inclusivamente a nível de votos obtidos (possivelmente justificável, pelo menos em parte, pelo contínuo crescimento dos abstencionistas, ontem mais de 41 %).
Numas eleições assim tão lineares de esmiuçar, a coligação PCP-PEV resiste, sempre, mantendo a sua percentagem de votos praticamente inalterada (uma vitória portanto); do lado dos vitoriosos, tudo muito límpido também: CDS-PP (porventura lamentando neste momento não ter resistido à tentação de proclamar publicamente maiores ambições); e, claro, o grande vencedor da noite, o PSD, e sobretudo, “contra tudo e contra todos” (fora e dentro do partido), Pedro Passos Coelho.
Não parecendo subsistir grande margem para outras leituras ou interpretações adicionais, resta desejar que o próximo Governo me (nos) surpreenda positivamente e que possa estar à altura dos exigentes dias que nos aguardam. Oxalá.
“Festa dos Tabuleiros” em Lisboa

(Foto via Tomar, a Cidade)
Festa dos Tabuleiros, em Tomar, de 2 a 11 de Julho de 2011



