Archive for Setembro, 2003
"Entrada do dia" (Sexta) – Companhia de Moçambique
“As políticas coloniais do Estado Novo – 1”
“Numa abordagem ainda superficial poderemos entender a política colonial portuguesa do Estado Novo como compreendendo duas fases principais, separadas entre si pelo surgimento dos movimentos independentistas nas colónias. Uma primeira fase, de 1926 a 1959, em que o Estado Novo geriu a situação colonial segundo um modelo «tradicional», autocrático e auto-suficiente, autêntico e consequente, em nome de uma supremacia civilizacional dogmaticamente afirmada que condenava as culturas dominadas a um papel meramente instrumental; uma segunda fase, de 1960 a 1974, em que a gestão da situação colonial nada mais foi de uma «gestão de sobrevivência» perante um fim anunciado, mesmo que tivesse posto em marcha todo um conjunto de reformas políticas, económicas e sociais capaz de transfigurar a própria situação colonial.”
Pode ler o texto completo aqui.
P.S. Por mim (se o “blogger” resolver “colaborar”), este artigo sobre os políticos e o jornalismo, não “vai passar despercebido em Portugal”… (A propósito, veja-se também o artigo da “Visão” desta semana, “Comentadores à Portuguesa”).
O "BIG BROTHER" ACABOU!
A partir de uma base de dezenas de milhar de candidatos (!?) e apoiada numa equipa de especialistas (integrando psicólogos), uma “Produção” apostada em conseguir a melhor “receita televisiva” para tentar recolocar a TVI na liderança das audiências (visando “estremecer” de tal modo o panorama televisivo, ao ponto de que tal tornasse possível alcançar o efeito “bombástico” da primeira edição, que levou a estação da última à primeira posição do ranking) procedeu a uma selecção de concorrentes que – basta ver 5 minutos de “emissão” – traduz uma “escolha a dedo”… (um grupo que proporcionasse um rápido e fácil “intercâmbio” entre os jovens “eles” e as jovens “elas”).
E, obviamente, ao quarto dia, já são visíveis os efeitos!
Mas, “isto” já não é o “Big Brother”; não tem rigorosamente nada a ver com a “genuidade” da primeira edição, que independentemente de todas as polémicas, não deixou de ser um “exercício sociológico de interesse”, quanto mais não seja pelo facto de se tratar de uma “experiência nova” … O “Big Brother” acabou!
É portanto melhor mudar rapidamente o nome ao programa, para que não se continue a “enganar” os incautos.
Chamem-se os “bois pelos nomes” (sem pretender ser “moralista” ou “puritanista”): “isto” é (e provavelmente será cada vez mais…) um programa que se aproxima a passos largos da pornografia!
P.S. Para “desanuviar”, aproveite para visitar o “blogue” mais extraordinário que conheço, escrito exclusivamente com palavras compostas por apenas 3 letras.
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O ISLÃO E A DEMOCRACIA
Um estudo desenvolvido a nível mundial . Views of a Changing World, pelo Centro de Pesquisa Pew (grupo independente que estuda as atitudes face à política e aos .media., actualmente dirigido por Madeleine Allbright) . conclui que a maioria dos muçulmanos gostaria de beneficiar da democracia, paralelamente a um reforço da componente religiosa nos respectivos governos.
O .anseio. de um regime democrático parece mesmo ser maior nos países islâmicos que em África, Europa de Leste e América Latina.
Curiosamente (ou talvez não.), para os muçulmanos, a possibilidade de criticar o governo é o aspecto mais apelativo das democracias ocidentais, seguindo-se a possibilidade de realização de eleições pluripartidárias.
Por outro lado, uma percentagem importante da população dos países muçulmanos considera existir uma falta de direitos políticos e liberdades cívicas (apesar de o mesmo sentimento ser compartilhado noutras latitudes, por exemplo, na Argentina).
Em conclusão, pensam que a democracia não será incompatível com os valores do Islão.
[226]
“OS CAMINHOS DA DESCENDÊNCIA DE ABRAÃO” (V)
“Todos sabemos que o islamismo é a segunda religião no mundo que tem mais adeptos e que se encontra actualmente com uma dinâmica missionária de grande expansão, sobretudo no continente africano. Por outro lado, é a religião que mais preocupações tem dado à humanidade dos nossos dias com a questão do Irão e do Iraque e com os terrorismos dos fundamentalistas islâmicos, espalhados um pouco por toda a parte, mas especialmente na Argélia.
Todos estes problemas têm a sua raiz no princípio corânico da sua “revelação directa”. É de desejar que as escolas corânicas saiam deste gueto e apliquem ao Corão um estudo “científico”, à maneira dos judeus e dos cristãos nas suas faculdades e institutos bíblicos, para se poderem distinguir os conteúdos “culturais” e os “não culturais”.
A história do islamismo, da sua fé, cultura e arte, é demasiado rica e merecedora de toda a nossa gratidão para poder estagnar em fundamentalismos e integralismos teocráticos.”
“Os caminhos da descendência de Abraão” (Joaquim Carreira das Neves) – “Notícias do Milénio”
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“A DOIS”
Foi ontem apresentado o “novo” canal de televisão “A Dois”, sucessor da RTP2, o qual deverá ser lançado no final de Outubro, contando com a participação de cerca de cinco dezenas de instituições representativas da “sociedade civil”.
A sua principal missão, segundo o futuro director, Manuel Falcão, será “reforçar os princípios de universalidade, defender a língua, cultura e história”, visando responder às necessidades de “jovens, minorias e cidadãos com dificuldade”.
É de “bom tom” portanto, nesta fase, dar o “benefício da dúvida” (ou seja, “ver primeiro, para falar depois”).
P.S. Mais um agradecimento, ao Campo de afectos.
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1926 – 28 DE MAIO
“O general Gomes da Costa, no dia 28, e o comandante Mendes Cabeçadas, no dia 30, partem respectivamente de Braga e Lisboa, instituindo a ditadura militar. Os novos detentores do poder convidam para as Finanças o prof. António de Oliveira Salazar, que depressa renuncia à pasta, perante os conflitos no bloco político-militar. Cabeçadas será depois demitido e desterrado para Angra do Heroísmo. O general Óscar Fragoso Carmona, nomeado para o substituir, reprime brutalmente uma revolta militar contra a ditadura, no início de 1927.”
“Notícias do Milénio”, publicação dos jornais do “Grupo Lusomundo”, Julho de 1999
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1926 – TELEVISÃO
“Realiza-se em Londres a primeira demonstração pública. A primeira transmissão a longa distância verifica-se em 1929.”
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1926 – HIROHITO IMPERADOR
“Com a morte do imperador japonês Yoshihito, sucede-lhe o seu filho Hirohito, que se manterá no trono imperial durante 63 anos. Os seus funerais, em 1989, constituirão uma cerimónia impressionante observada em todo o mundo pela televisão.”
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"Entrada do dia" (Quinta) – A Esquina do Rio
“Sonho”
“Continuo a acreditar que em todas as coisas que fazemos tem de existir uma dimensão de sonho, um patamar de desafio, de inconformismo. Sem isto, nunca existe mudança.
O sentido da vida passa por isto, por ajudar a fazer um mundo novo e melhor, por cada um de nós não se demitir da sua responsabilidade, de se empenhar em causas colectivas.
Hoje, a única citação que deixo é de Alexandre O’Neill:
Quem? O Infinito? Diz-lhe que entre. Faz bem ao infinito estar entre a gente.”
FUTEBOL, FUTEBOL E … FUTEBOL
Alguns “milhões” de portugueses terão “aprendido a ler” com “A Bola”, que teve – em simultâneo! – jornalistas / “escritores” da estirpe de Vítor Santos, Carlos Miranda (com as suas magníficas reportagens do “Tour de France” com Joaquim Agostinho), Carlos Pinhão (“Ai que saudades, ai, ai…”), Homero Serpa, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio (só para falar da “velha guarda”, dos anos 80).
Nesse tempo, “A Bola” era claro “líder de mercado”, com “O Record” a uma distância significativa. Depois, mais tarde, surgiu a “Gazeta dos Desportos”, com uma existência relativamente curta (uns anos antes – acho que já não “é do meu tempo” – tinha havido o “Mundo Desportivo”).
Mas eram todos “ trissemanários”.
Eis aqui o ponto a que quero chegar (eu que sempre fui um “fanático desportista de bancada”): o (muito) exagerado peso que a “informação desportiva” (“futebolística”) tem hoje em dia na comunicação social.
Hoje temos três jornais desportivos diários! (com “O Jogo” predominantemente implantado a Norte) – é claro, se subsistem, é porque existe mercado…
Mas, para além disso, é a rádio (e, por exemplo, quando se fala nos “bons programas” da TSF, um deles será sem dúvida a “Bancada Central”, uma espécie de “blogues falados” – mas com duas horas diárias!!!), em que o sentido das proporções é bastantes vezes esquecido (nomeadamente nos serviços informativos, considerando a relação de tempo face à cobertura noticiosa da informação generalista) e, acima de tudo, a televisão.
E aqui, penso que se está a atingir situações de extremo: não há justificação possível (não pode ser de todo enquadrado no conceito de “serviço público”) que se enviem repórteres para os estágios de pré-época que as equipas (as tradicionais três: Benfica, Porto e Sporting – por ordem alfabética…) fizeram no estrangeiro; foi confrangedor assistir ao espectáculo da “não notícia” (em particular, com um “misto de tragicomédia”, a propósito das várias contratações que o Benfica acabou por não fazer e da deprimente história da “braçadeira de capitão”); não há razão que justifique – mesmo agora que as competições já “arrancaram” – que, quase diariamente, haja um repórter, tendo por pano de fundo um estádio vazio, dizendo quais “as águias, dragões ou leões” que treinaram hoje, quais os que estiveram “lesionados”, conjecturando, especulando sobre a constituição das equipas e as tácticas para o próximo jogo (daí a quatro ou cinco dias)…
E mais as “tricas”, o “diz que disse”, os “arrufos”e os “amuos” dos treinadores, as polémicas da arbitragem.
E, a culminar, “4 – Quatro – 4” jogos televisionados por jornada!!!
É a lei do mercado no seu “estado puro”? (Dar às pessoas o que elas querem ver…) “Pão e circo”, como no tempo dos Romanos?
Nós, que “amamos o futebol” (slogan do “Euro2004”), queremos ver (ouvir e ler) futebol de qualidade, não necessariamente em quantidade.
P.S. Veja aqui o “porquê?” e o “como?” dos “blogues”.
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