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Bósnia-Herzegovina – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Bósnia-Herzegovina – Ibrahim Šehić (72m – Nikola Vasilj), Amar Dedić, Adrian Leon Barišić (72m – Renato Gojković), Dennis Hadžikadunić, Sead Kolašinac, Miralem Pjanić, Gojko Cimirot, Miroslav Stevanović (65m – Said Hamulić), Amar Rahmanović (45m – Amir Hadžiahmetović), Ermedin Demirović (45m – Jusuf Gazibegović) e Edin Džeko
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo, Bruno Fernandes (79m – Rúben Neves), Danilo Pereira, Otávio (85m – João Neves), Cristiano Ronaldo (65m – Diogo Jota), João Félix (79m – Vítor Ferreira “Vitinha”) e Rafael Leão (65m – Pedro Neto)
0-1 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 5m
0-2 – Cristiano Ronaldo – 20m
0-3 – Bruno Fernandes – 25m
0-4 – João Cancelo – 32m
0-5 – João Félix – 41m
Cartões amarelos – Dennis Hadžikadunić (83m) e Sead Kolašinac (88m)
Árbitro – Halil Umut Meler (Turquia)
Foi um festival de Portugal a primeira parte deste jogo, com a formação da Bósnia completamente à deriva, sem saber para que lado se virar, perante a fluidez do jogo português.
A equipa nacional tinha já garantido, na partida anterior, o apuramento para a fase final do “EURO 2024”, enquanto a selecção adversária jogava uma cartada decisiva. Para a selecção portuguesa, o objectivo seguinte era o de garantir o 1.º lugar, mas terá também de colocar-se a si própria o desafio (inédito) das 10 vitórias em 10 jogos.
Para já, deu um passo determinante, mantendo o percurso “perfeito”, tendo estabelecido um novo “record”, de 8 triunfos consecutivos em jogos oficiais.
Dispondo de um excelente leque de alternativas para cada posição dentro de campo, Roberto Martínez – mesmo parecendo ter “afunilado” as opções num lote relativamente restrito de pouco mais de uma vintena de jogadores – tem aproveitado as facilidades que este Grupo proporciona para, a cada jornada dupla, ir rodando os jogadores, tendo, desta vez, feito entrar de início Gonçalo Inácio, Danilo Pereira, Otávio e João Félix (fazendo repousar António Silva, João Palhinha, Bernardo Silva e Gonçalo Ramos).
As coisas começaram a ficar facilitadas logo ao quinto minuto, com o primeiro golo, obtido na sequência de uma grande penalidade. Mas a verdade é que a equipa de Portugal tinha entrado em campo denotando já essa atitude ambiciosa, de “pegar” e “mandar” no jogo.
A Bósnia nunca conseguiu encontrar antídoto para, pelo menos, procurar condicionar a explosão de talento portuguesa, mostrando-se perfeitamente inofensiva, dando azo a um “carrossel” atacante do adversário, com os jogadores portugueses altamente inspirados no momento da finalização, com extrema eficácia.
Quando Cristiano Ronaldo, num “chapéu” de notável execução, bisou, à passagem dos vinte minutos, a Bósnia estava já irremediavelmente derrotada.
Com Gonçalo Inácio em grande plano – iniciara já a jogada que culminara no segundo tento –, estaria, logo de seguida, também na assistência para o 3-0, num passe longo para Bruno Fernandes, que não perdoou.
Com intervalos de tempo inferiores a dez minutos a turma portuguesa marcaria ainda mais dois golos: no primeiro, Ronaldo ainda começaria por não ser eficaz no remate, aparecendo João Cancelo, embalado de trás, a marcar um golo de belo efeito; depois, num bom entendimento entre Otávio e João Félix, com os dois novos reforços do Barcelona a “picar o ponto”.
Restava saber como encarariam as duas equipas a “formalidade” da segunda parte. A conjugação de uma equipa da casa a privilegiar a minimização do risco, procurando evitar um ainda maior avolumar do marcador, com um conjunto português em mera gestão do tempo fez com que, praticamente, “não houvesse jogo”.
A exibição que Portugal tinha feito na primeira parte era já suficiente para uma elevada “nota artística”…
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 8 8 - - 32 - 2 24 2º Eslováquia 8 5 1 2 11 - 5 16 3º Luxemburgo 8 3 2 3 8 -18 11 4º Islândia 8 3 1 4 15 -10 10 5º Bósnia-Herzegovina 8 3 - 5 7 -14 9 6º Liechtenstein 8 - - 8 1 -25 -
8ª jornada
16.10.2023 – Bósnia-Herzegovina – Portugal – 0-5
16.10.2023 – Islândia – Liechtenstein – 4-0
16.10.2023 – Luxemburgo – Eslováquia – 0-1
Portugal – Eslováquia (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, António Silva, João Cancelo, Bruno Fernandes, João Palhinha (86m – Otávio), Bernardo Silva (86m – Rúben Neves), Cristiano Ronaldo, Gonçalo Ramos (86m – Diogo Jota) e Rafael Leão (65m – João Félix)
Martin Dúbravka, Peter Pekarík (76m – Michal Tomič), Denis Vavro, Milan Škriniar, Dávid Hancko, Juraj Kucka (45m – László Bénes), Stanislav Lobotka, Ondrej Duda, Ivan Schranz (86m – Dávid Ďuriš), Róbert Boženík (65m – Róbert Polievka) e Róbert Mak (45m – Tomáš Suslov)
1-0 – Gonçalo Ramos – 18m
2-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 29m
2-1 – Dávid Hancko – 69m
3-1 – Cristiano Ronaldo – 72m
3-2 – Stanislav Lobotka – 80m
Cartões amarelos – Bruno Fernandes (57m) e João Palhinha (75m); Peter Pekarík (31m), Ondrej Duda (61m), Tomáš Suslov (85m), Norbert Gyömbér (90m – fora de campo) e Patrik Hrošovský (90m – fora de campo)
Árbitro – Tasos Sidiropoulos (Grécia)
Voltamos à questão das “duas partes distintas”: depois de, na primeira metade, ter controlado a seu “bel-prazer” o jogo, podendo ter chegado ao intervalo com uma vantagem de, pelo menos, quatro ou cinco golos, acabou algo com o “coração nas mãos”, não por sentir que, de alguma forma, pudesse ser colocado em causa o objectivo do apuramento, cujo consumar era uma mera formalidade, mas porque a série ininterrupta de vitórias poderia ser eventualmente quebrada.
O apuramento acabou, com naturalidade, por ser garantido – ainda com três rondas por disputar –, marcando Portugal presença em fases finais de grandes competições internacionais pela 13.ª vez consecutiva: todos os sete “Europeus”, desde o ano de 2000 (2000, 2004, 2008, 2012, 2016, 2020 e 2024) e seis “Mundiais” (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022).
Com uma vantagem de dois golos à meia hora de jogo, e, para além disso, um completo controlo da partida, o caminho parecia aberto para uma noite de grande tranquilidade. Com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos a jogar, os dois, de início, fica a curiosidade de, ambos, terem marcado…
Primeiro, o jovem avançado, de cabeça, a dar a melhor sequência a cruzamento de Bruno Fernandes, que continua em grande plano, a jogar e fazer jogar os companheiros; depois, a sancionar um lance de braço na bola, uma grande penalidade convertida com a eficácia habitual por Ronaldo.
Só um muito concentrado guardião contrário impediria, aliás, que o “placard” tivesse voltado a funcionar, com, pelo menos, três defesas de elevado grau de dificuldade, para além de… uma bola no ferro.
Na segunda parte a toada de jogo seria algo diferente, com a Eslováquia a surgir mais afoita, a conseguir libertar-se e a ameaçar a baliza de Diogo Costa, chegando mesmo ao golo, a cerca de vinte minutos do final, quebrando assim – ao sétimo jogo – a inviolabilidade das redes lusas nesta fase de apuramento.
Com o jogo mais aberto, Portugal ainda aproveitou para marcar de novo, com Cristiano a bisar, repondo a vantagem de dois golos, no que se esperaria tivesse sido a definitiva confirmação de que o triunfo não escaparia.
Mas o grupo eslovaco, sem nada a perder, reduziria outra vez para a diferença tangencial. Nos derradeiros minutos, não obstante, seria Portugal a estar mais próximo de poder chegar outra vez ao golo, pelo que, mesmo com alguns momentos de certa “tremideira”, o mérito do desfecho obtido é inequívoco.
Para além de Portugal, também a França e Bélgica garantiram já – ainda com três jornadas por realizar – o apuramento para a fase final do “EURO 2024”.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 7 7 - - 27 - 2 21 2º Eslováquia 7 4 1 2 10 - 5 13 3º Luxemburgo 7 3 2 2 8 -17 11 4º Bósnia-Herzegovina 7 3 - 4 7 - 9 9 5º Islândia 7 2 1 4 11 -10 7 6º Liechtenstein 7 - - 7 1 -21 -
7ª jornada
13.10.2023 – Islândia – Luxemburgo – 1-1
13.10.2023 – Liechtenstein – Bósnia-Herzegovina – 0-2
13.10.2023 – Portugal – Eslováquia – 3-2
Portugal – Luxemburgo (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, Nélson Semedo (60m – João Cancelo), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, Diogo Dalot, Bruno Fernandes, Danilo Pereira (75m – Rúben Neves), Bernardo Silva (60m – Ricardo Horta), Diogo Jota, Rafael Leão (75m – Otávio) e Gonçalo Ramos (60m – João Félix)
Luxemburgo – Anthony Moris, Florian Bohnert (45m – Lars Gerson), Laurent Jans, Maxime Chanot (78m – Seid Korač), Enes Mahmutović, Michael “Mica” Pinto (54m – Vincent Thill), Yvandro Borges Sanches, Timothé Rupil (45m – Sébastien Thill), Leandro Barreiro, Danel Sinani e Alessio Curci (45m – Dirk Carlson)
1-0 – Gonçalo Inácio – 12m
2-0 – Gonçalo Ramos – 18m
3-0 – Gonçalo Ramos – 34m
4-0 – Gonçalo Inácio – 45m
5-0 – Diogo Jota – 58m
6-0 – Ricardo Horta – 67m
7-0 – Diogo Jota – 78m
8-0 – Bruno Fernandes – 83m
9-0 – João Félix – 88m
Cartões amarelos – Vincent Thill (55m), Enes Mahmutović (65m) e Lars Gerson (76m)
Árbitro – John Brooks (Inglaterra)
A discussão não terá uma conclusão definitiva, dado não ser possível fazer o contra-factual: a ausência de Cristiano Ronaldo (a cumprir jogo de castigo, devido ao cartão amarelo com que fora admoestado em Bratislava) teve influência no (notável) desempenho da selecção de Portugal neste jogo, ou ter-se-á tratado de uma coincidência? Com ele em campo teria a equipa portuguesa conseguido um resultado (e exibição) similar?
O que é facto é que Portugal fixou um novo “record” de goleadas, em mais de um século de história, superando o anterior máximo de 8-0, aplicado frente ao Liechtenstein (por duas vezes, em 1994 e em 1999, nas fases de qualificação para os “Europeus” de 1996 e 2000) e ao Kuwait (em 2003, em jogo particular).
Como se explica que tal tenha sucedido, justamente, ante a melhor selecção luxemburguesa das últimas (largas) décadas? Talvez, precisamente, por isso.
Nos quatro jogos disputados nesta fase de qualificação, frente aos restantes adversários, o Luxemburgo somou três vitórias (incluindo uma na Bósnia) e um empate (na Eslováquia), tendo sofrido um único golo… um contraste tremendo com os dois encontros com Portugal, nos quais encaixou um total de 15 golos!
Depois do 6-0 de Março, e atendendo à boa campanha que a equipa luxemburguesa vinha realizando, poderia até questionar-se – dadas também as exibições relativamente sombrias que a turma portuguesa vinha apresentando – se este jogo seria, de algum modo, susceptível a alguma (imprevista) surpresa.
Afinal, bastaram 18 minutos para colocar os luxemburgueses “KO”. Os dois golos sofridos num curto período de seis minutos desmontaram qualquer estratégia que o seleccionador contrário tivesse congeminado, numa abordagem que, distintamente do que foi característico da equipa durante numerosos anos, pretenderia ser mais ambiciosa e “atrevida”.
A partir daí, uma cada vez mais desconexa selecção do Luxemburgo, sem conseguir opor efectiva resistência, muito pouco conseguiria fazer para evitar o natural avolumar do resultado: ao intervalo eram já quatro os golos dos “Gonçalos” (ambos a bisar, com destaque para o defesa central do Sporting, Gonçalo Inácio, que se estreou a marcar).
De facto, “apenas” tiveram de dar boa sequência à avalanche de cruzamentos, ora de Bruno Fernandes, ora de Rafael Leão, verdadeiramente “endiabrados”, com realce para o centro-campista do Manchester United, em grande evidência.
E a toada do jogo não se alteraria na segunda metade: depois de Gonçalo Ramos e de Gonçalo Inácio, também Diogo Jota bisaria, havendo ainda oportunidade para Bruno Fernandes coroar a sua excelente exibição (três assistências para golo), marcando também, cabendo a João Félix fechar a contagem com um tento de assinalável execução técnica.
Chegou a pensar-se em atingir os “dois dígitos”, mas, nos minutos finais, os luxemburgueses cerraram fileiras em torno do seu sector defensivo, impedindo que se tivesse concretizado o 10-0. Mas, antes disso, outras flagrantes oportunidades tinham ficado por materializar, nomeadamente por Rafael Leão.
Para a história fica, não só a expressão do resultado – que, na continuidade dos jogos anteriores, se traduz num somatório de seis vitórias em seis jogos, e num fantástico “score” agregado de 24-0! – como, especialmente, a exibição quase “perfeita” realizada pelo colectivo português.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 6 6 - - 24 - 0 18 2º Eslováquia 6 4 1 1 8 - 2 13 3º Luxemburgo 6 3 1 2 7 -16 10 4º Islândia 6 2 - 4 10 - 9 6 5º Bósnia-Herzegovina 6 2 - 4 5 - 9 6 6º Liechtenstein 6 - - 6 1 -19 -
6ª jornada
11.09.2023 – Eslováquia – Liechtenstein – 3-0
11.09.2023 – Islândia – Bósnia-Herzegovina – 1-0
11.09.2023 – Portugal – Luxemburgo – 9-0
Eslováquia – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Martin Dúbravka, Peter Pekarík, Denis Vavro, Milan Škriniar, Dávid Hancko, Juraj Kucka (75m – László Bénes), Stanislav Lobotka (83m – Patrik Hrošovský), Ondrej Duda, Ivan Schranz (63m – Tomáš Suslov), Róbert Polievka (63m – Róbert Boženík) e Lukáš Haraslín (83m – Dávid Ďuriš)
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, António Silva, João Cancelo (62m – Nélson Semedo), João Palhinha, Bruno Fernandes, Vítor Ferreira “Vitinha” (62m – Otávio), Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (62m – Pedro Neto)
0-1 – Bruno Fernandes – 43m
Cartões amarelos – Ivan Schranz (35m) e Ondrej Duda (53m); Cristiano Ronaldo (62m)
Árbitro – Glenn Nyberg (Suécia)
Este era, teoricamente, o jogo mais difícil desta fase de qualificação. Tendo sido superado com êxito, atingindo-se um “record” histórico de cinco vitórias em cinco jogos, com 15-0 no agregado de golos, a selecção portuguesa tem – cumprida que está apenas a primeira metade deste apuramento – praticamente garantida a presença na fase final, do próximo ano, na Alemanha.
Uma vez mais o resultado parece ter sido bem melhor que a exibição, com a equipa da Eslováquia a começar por mostrar-se aguerrida, pressionando logo à saída do meio-campo de Portugal, que denotava dificuldades em dar fluidez ao seu jogo ofensivo.
A formação da casa criaria mesmo algumas situações de perigo, em especial, já a findar a primeira parte, com um remate ao poste. Sucedeu tal imediatamente antes do que viria a ser o único golo da partida: em dia de aniversário (29 anos) Bruno Fernandes teve (e ofereceu) uma bela prenda, com um remate cruzado, sem hipótese de defesa para Dúbravka, na sequência de uma boa arrancada.
Em termos psicológicos e motivacionais o ascendente passara para o lado de Portugal. No segundo tempo, sem ter criado grandes oportunidades para ampliar a vantagem, a equipa nacional começou, gradualmente, a privilegiar o controlo do jogo… e do tempo.
Ainda assim, não evitaria mais um susto, pouco antes da hora de jogo, com um remate de Schranz, a sair ao lado da baliza de Diogo Costa. Até final, pese embora a formação da casa não tenha baixado os braços, o resultado não se alteraria.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 5 5 - - 15 - 0 15 2º Eslováquia 5 3 1 1 5 - 2 10 3º Luxemburgo 5 3 1 1 7 - 7 10 4º Bósnia-Herzegovina 5 2 - 3 5 - 8 6 5º Islândia 5 1 - 4 9 - 9 3 6º Liechtenstein 5 - - 5 1 -16 -
5ª jornada
08.09.2023 – Bósnia-Herzegovina – Liechtenstein – 2-1
08.09.2023 – Eslováquia – Portugal – 0-1
08.09.2023 – Luxemburgo – Islândia – 3-1
Islândia – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Rúnar Rúnarsson, Valgeir Lunddal Friðriksson (78m – Alfons Sampsted), Guðlaugur Victor Pálsson, Sverrir Ingason, Hördur Magnússon, Willum Þór Willumsson, Arnór Ingvi Traustason (75m – Ísak Bergmann Jóhannesson), Jóhann Guðmundsson, Albert Guðmundsson, Alfreð Finnbogason (75m – Sævar Atli Magnússon) e Jón Dagur Þorsteinsson (79m – Hákon Arnar Haraldsson)
Portugal – Diogo Costa, Rúben Dias, Pepe, Danilo Pereira (84m – Otávio), Diogo Dalot, Rúben Neves (67m – Gonçalo Inácio), Bruno Fernandes (84m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Cancelo (67m – Raphaël Guerreiro), Bernardo Silva (90m – Diogo Jota), Cristiano Ronaldo e Rafael Leão
0-1 – Cristiano Ronaldo – 89m
Cartões amarelos – Diogo Dalot (27m), Bernardo Silva (74m) e Cristiano Ronaldo (83m); Albert Guðmundsson (45m), Alfreð Finnbogason (45m), Willum Willumsson (70m) e Jón Dagur Þorsteinsson (74m)
Cartão vermelho – Willum Willumsson (81m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Como muitas vezes tem sucedido, o resultado acabou por ser melhor que a exibição: Portugal conseguiu, in extremis, manter o pleno de vitórias (quatro), preservando a sua baliza inviolada, totalizando agora 14 golos marcados!
Este jogo fica ainda assinalado por uma outra estatística inevitavelmente de relevo: a 200.ª internacionalização de Cristiano Ronaldo ao serviço da principal equipa da selecção nacional.
A equipa portuguesa pareceu entrar com boa iniciativa, assumindo o controlo do jogo, mas as investidas foram infrutíferas e a partida entrou numa fase de alguma modorra.
Sem conseguir encontrar antídoto para desmontar o sistema do adversário, Roberto Martínez ia tentando alternativas, e, desta feita, acabaria por ser o substituto de Rúben Neves (Gonçalo Inácio) a imprimir algum ritmo à partida, acabando por ser “premiado” com a assistência para o golo de Cristiano, mesmo ao “cair do pano”, aproveitando o facto de a Islândia se encontrar já, então, reduzida a dez elementos.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 4 4 - - 14 - 0 12 2º Eslováquia 4 3 1 - 5 - 1 10 3º Luxemburgo 4 2 1 1 4 - 6 7 4º Islândia 4 1 - 3 8 - 6 3 5º Bósnia-Herzegovina 4 1 - 3 3 - 7 3 6º Liechtenstein 4 - - 4 0 -14 -
4ª jornada
20.06.2023 – Bósnia-Herzegovina – Luxemburgo – 0-2
20.06.2023 – Islândia – Portugal – 0-1
20.06.2023 – Liechtenstein – Eslováquia – 0-1
Portugal – Bósnia-Herzegovina (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, António Silva, Rúben Dias, Danilo Pereira, João Cancelo, Bernardo Silva (87m – Otávio), João Palhinha (87m – Diogo Jota), Bruno Fernandes, Raphaël Guerreiro (78m – Nélson Semedo), Cristiano Ronaldo e João Félix (62m – Rúben Neves)
Bósnia-Herzegovina – Ibrahim Šehić, Anel Ahmedhodžić, Siniša Saničanin, Adrian Leon Barišić (71m – Said Hamulić), Sead Kolašinac (78m – Jusuf Gazibegović), Amar Dedić, Gojko Cimirot, Amir Hadžiahmetović (71m – Benjamin Tahirović), Miroslav Stevanović, Miralem Pjanić (78m – Sanjin Prcić) e Edin Džeko (78m – Dal Varešanović)
1-0 – Bernardo Silva – 44m
2-0 – Bruno Fernandes – 77m
3-0 – Bruno Fernandes – 90m
Cartões amarelos – Danilo Pereira (51m); Miralem Pjanić (41m) e Benjamin Tahirović (84m)
Árbitro – Davide Massa (Itália)
Depois das goleadas nas duas rondas iniciais Portugal voltou a… “golear”. Defrontando uma selecção que terá pretensões a disputar a qualificação, a equipa nacional demorou a superar a organização defensiva contrária, mas, tendo aberto o marcador mesmo a findar a primeira parte, acabaria por ter um jogo tranquilo, que se saldaria por outros dois tentos, já na fase final da partida.
Durante o primeiro tempo a equipa portuguesa pouco fizera para confirmar o seu favoritismo, mas o golo de Bernardo Silva desbloquearia a situação: um lance bem trabalhado, com Raphaël Guerreiro a lançar Cristiano Ronaldo, que solicitou Bruno Fernandes, que poderia ter rematado, mas optou por assistir o recente Campeão Europeu pelo Manchester City.
Por seu lado, a Bósnia chegara a ameaçar, em duas ocasiões, com Diogo Costa a dar boa resposta numa delas, tendo Džeko, na outra, estado mal na finalização.
Na segunda metade o tempo foi correndo e o jogo só mudaria de configuração após a entrada de Rúben Neves, que, paradoxalmente – tendo saído João Félix – tornou as ofensivas portuguesas mais fluídas, mercê do bom entendimento com Bruno Fernandes, que se destacaria como o melhor elemento em campo, tendo bisado no desafio.
Antes do 3-0 final, nota ainda para uma boa oportunidade de Diogo Jota, negada pelo guardião Šehić.
No balanço geral não ficaram dúvidas sobre a superioridade de Portugal, num jogo, contudo, em que a exibição não foi consistente ao longo dos noventa minutos. Mas os números gerais são bem elucidativos: três jogos, três vitórias, 13-0 em golos!
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 3 3 - - 13 - 0 9 2º Eslováquia 3 2 1 - 4 - 1 7 3º Luxemburgo 3 1 1 1 2 - 6 4 4º Islândia 3 1 - 2 8 - 5 3 5º Bósnia-Herzegovina 3 1 - 2 3 - 5 3 6º Liechtenstein 3 - - 3 0 -13 -
3ª jornada
17.06.2023 – Luxemburgo – Liechtenstein – 2-0
17.06.2023 – Islândia – Eslováquia – 1-2
17.06.2023 – Portugal – Bósnia-Herzegovina – 3-0
Luxemburgo – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Luxemburgo – Anthony Moris, Laurent Jans, Marvin Martins (45m – Florian Bohnert), Maxime Chanot, Lars Gerson (45m – Dirk Carlson), Christopher Martins (82m – Sébastien Thill), Leandro Barreiro, Michael “Mica” Pinto, Gerson Rodrigues, Danel Sinani (45m – Mathias Olesen) e Vincent Thill (70m – Yvandro Borges Sanches)
Portugal – Rui Patrício, António Silva, Rúben Dias, Danilo Pereira, Diogo Dalot, João Palhinha (86m – Diogo Jota), Bruno Fernandes (75m – Rafael Leão), Nuno Mendes, Bernardo Silva (64m – Rúben Neves), João Félix (75m – Otávio) e Cristiano Ronaldo (64m – Gonçalo Ramos)
0-1 – Cristiano Ronaldo – 9m
0-2 – João Félix – 15m
0-3 – Bernardo Silva – 18m
0-4 – Cristiano Ronaldo – 31m
0-5 – Otávio – 77m
0-6 – Rafael Leão – 88m
Cartões amarelos – Vincent Thill (32m), Marvin Martins (37m), Christopher Martins (74m) e Leandro Barreiro (82m); Cristiano Ronaldo (57m)
Árbitro – Radu Petrescu (Roménia)
O adversário voltava a ser relativamente fraco, mas, ainda assim, de nível bem distinto do do Liechtenstein, como, aliás, deixara bem vincado, no jogo de estreia desta fase de qualificação, tendo imposto um nulo na deslocação ao terreno de um dos candidatos ao apuramento, Eslováquia.
E o jogo também nada teve a ver com o anterior, desta feita com uma exibição convincente da selecção portuguesa que, com pouco mais de um quarto decorrido, tinha já a vitória garantida.
Tendo Roberto Martínez introduzido três alterações no “onze”, com as entradas de António Silva, Diogo Dalot e Nuno Mendes (nos lugares, respectivamente, de Gonçalo Inácio, João Cancelo e Raphaël Guerreiro), e apesar de a entrada parecer ter-se processado a baixo ritmo, bastariam depois cerca de vinte minutos “diabólicos” (entre os 9 e os 31) para Portugal marcar por quatro vezes (com Cristiano Ronaldo, outra vez, a bisar – tendo João Félix e Bernardo Silva marcado… de cabeça)!
Sem dar hipóteses ao adversário, com uma pressão intensa, a equipa nacional assenhoreava-se da bola, e, sabendo perfeitamente o que fazer dela, dominou o jogo a seu bel-prazer.
Na segunda metade, conjugando-se já alguma tendência para a gestão do tempo, em função do resultado, com as alterações introduzidas na selecção luxemburguesa, a procurar “robustecer” o seu sector defensivo, Portugal só voltaria a ampliar a contagem já no derradeiro quarto de hora – tendo ainda Rafael Leão desperdiçado uma grande penalidade (possibilitando a defesa ao guardião contrário) – isto, numa fase em que, entretanto, o Luxemburgo até chegara já a ameaçar a baliza portuguesa.
O desfecho da partida pode ser considerado algo penalizador para o Luxemburgo, mas faz jus ao bom futebol desbobinado pela equipa portuguesa. Dois adversários “fáceis”, mas superados com distinção, neste “pontapé de saída” da fase de qualificação para o “Europeu” de 2024.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 2 2 - - 10 - 0 6 2º Eslováquia 2 1 1 - 2 - 0 4 3º Islândia 2 1 - 1 7 - 3 3 4º Bósnia-Herzegovina 2 1 - 1 3 - 2 3 5º Luxemburgo 2 - 1 1 0 - 6 1 6º Liechtenstein 2 - - 2 0 -11 -
2ª jornada
26.03.2023 – Liechtenstein – Islândia – 0-7
26.03.2023 – Eslováquia – Bósnia-Herzegovina – 2-0
26.03.2023 – Luxemburgo – Portugal – 0-6
Portugal – Liechtenstein (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Rui Patrício, Danilo Pereira (67m – Rúben Neves), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo, Bernardo Silva (78m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Palhinha, Bruno Fernandes (89m – João Mário), Raphaël Guerreiro, João Félix (67m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo (78m – Gonçalo Ramos)
Liechtenstein – Benjamin Büchel, Sandro Wolfinger (80m – Seyhan Yildiz), Andreas Malin (38m – Simon Lüchinger), Lars Traber, Jens Hofer, Livio Meier (60m – Fabio Wolfinger), Noah Frommelt, Sandro Wieser, Nicolas Hasler, Philipp Gassner (60m – Jakob Lorenz) e Aron Sele (80m – Niklas Beck)
1-0 – João Cancelo – 8m
2-0 – Bernardo Silva – 47m
3-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 51m
4-0 – Cristiano Ronaldo – 63m
Cartões amarelos – Não houve
Árbitro – Espen Eskås (Noruega)
Defrontando um adversário muito frágil, a selecção de Portugal entrou nesta fase de qualificação a golear – tal como esperado –, mas numa espécie de regime de “serviços mínimos”. Não é fácil “brilhar” face a um opositor deste calibre, que, concentrado no seu sector mais recuado, “não joga, nem deixa jogar”.
Na estreia do novo seleccionador, o espanhol Roberto Martínez, as novidades foram poucas: Rui Patrício voltou à baliza (devido a lesão de Diogo Costa), e Gonçalo Inácio estreou-se também, numa assumida defesa a três.
Independentemente da maior ou menor motivação para jogar perante este tipo de adversários, a equipa portuguesa sentiu muita falta de espaço: no comprimento, por “culpa” do Liechtenstein, que o procurou reduzir ao mínimo; na largura, por “culpa” própria, por falta de flanqueadores, que abrissem o jogo, que fossem à linha de fundo cruzar.
Pelo que o jogo de Portugal foi sempre, tendencialmente, afunilado, havendo sucessivos “engarrafamentos” na área contrária.
O primeiro golo, que poderia ser de alguma forma “desbloqueador” até chegou cedo; mas, daí até final da primeira parte, o absoluto domínio português foi também, por completo, infrutífero. Tendo, com facilidade, chegado ao 3-0 nos minutos iniciais do segundo tempo, o jogo “estava feito”.
A toada não se alterou, com a equipa nacional “dona da bola”, criando algumas oportunidades para ampliar a contagem, mas, bastante perdulária, apenas tendo obtido mais um tento, a fechar a contagem, com Cristiano Ronaldo a bisar, na conversão de um livre, marcando o seu 100.º golo pela selecção, em jogos “oficiais”, de competições (120, no total – em 197 jogos, no que passa a constituir também um “record mundial”).
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 1 1 - - 4 - 0 3 2º Bósnia-Herzegovina 1 1 - - 3 - 0 3 3º Eslováquia 1 - 1 - 0 - 0 1 3º Luxemburgo 1 - 1 - 0 - 0 1 5º Islândia 1 - - 1 0 - 3 - 6º Liechtenstein 1 - - 1 0 - 4 -
1ª jornada
23.03.2023 – Bósnia-Herzegovina – Islândia – 3-0
23.03.2023 – Eslováquia – Luxemburgo – 0-0
23.03.2023 – Portugal – Liechtenstein – 4-0
Mundial 2022 – 1/4 de final – Marrocos – Portugal
1-0
Yassine Bounou “Bono”, Achraf Hakimi, Romain Saïss (57m – Achraf Dari), Jawad El Yamiq, Yahya Attiyat-Allah, Sofyan Amrabat, Azzedine Ounahi, Selim Amallah (65m – Walid Cheddira), Hakim Ziyech (82m – Zakaria Aboukhlal), Sofiane Boufal (82m – Yahya Jabrane) e Youssef En-Nesyri (65m – Badr Benoun)
Diogo Costa, Diogo Dalot (79m – Ricardo Horta), Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro (51m – João Cancelo), Rúben Neves (51m – Cristiano Ronaldo), Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Otávio Monteiro (69m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix e Gonçalo Ramos (69m – Rafael Leão)
1-0 – Youssef En-Nesyri – 42m
Cartões amarelos – Vitinha (87m); Achraf Dari (70m) e Walid Cheddira (90m)
Cartão vermelho – Walid Cheddira (90m)
Árbitro – Facundo Tello (Argentina)
Al-Thumama Stadium – Doha (18h00 / 15h00)
Este foi um desafio cujo perfil era, em larga medida, expectável, quer a nível da solidez defensiva da selecção de Marrocos (um único golo sofrido nos quatro encontros anteriores, tendo deixado a “zero” adversários da craveira da Croácia, Bélgica e Espanha), como do natural assumir da iniciativa de jogo por parte da equipa portuguesa, que, pelo seu potencial, se perfilava como “favorita”.
O que não estaria no “programa” era sofrer um golo da formação marroquina, o que, claro, aumentaria sobremaneira o grau de dificuldade a transpor.
A verdade é que, desde início, Portugal nunca demonstrou ser capaz de evitar certa ambiguidade: a de, procurando jogar de forma ofensiva, não descurar, em paralelo, a segurança do seu sector mais recuado. Daí, talvez, a entrada em campo de Rúben Neves (apostando também na possibilidade do seu remate de “meia distância”, o que, porém, acabaria por não se proporcionar), por troca com William Carvalho.
Depois da concludente vitória sobre a Suíça, nos 1/8 de final, a equipa nacional voltaria a pecar em termos de ritmo, velocidade, alternâncias de flanco; numa palavra, em criatividade, que pudesse desmontar a organização contrária, que, qual “carraça”, não concedia um “centímetro” de espaço de manobra.
E, mais, desde cedo se constatou que Marrocos poderia ser, de facto, perigoso, porque, cada vez que recuperava a bola, ia mostrando que sabia “o que fazer com ela”, ensaiando rápidas transições, colocando sempre “em sentido” o meio-campo português.
Por seu lado, a selecção de Portugal viria a cair, de forma notoriamente excessiva, nos lançamentos em profundidade, face aos quais o adversário sempre esteve confortável.
Jogando a baixa intensidade, não só se viria a desperdiçar todos os primeiros 45 minutos, como, prestes a findar essa primeira metade, Marrocos chegaria ao tão receado golo. Num lance em que Diogo Costa se atrapalhou com Rúben Dias, surgiu Youssef En-Nesyri a antecipar-se de cabeça e a tocar a bola para o fundo das redes.
Até aí haviam sido escassas as oportunidades da equipa portuguesa, as três passando pelos pés de João Félix, a primeira delas logo nos minutos iniciais. E só depois do golo haveria outro lance de perigo, por Bruno Fernandes. Mas, todas essas tentativas, infrutíferas.
Com dificuldades em organizar o seu jogo, via-se Bernardo Silva a ter de recuar para a posição habitualmente ocupada no terreno por William, para ir “buscar a bola” e iniciar os lances de ataque. Ao intervalo, a opinião dos espectadores era “consensual”: era necessário fazer entrar em jogo Vitinha.
Após novo susto sofrido logo no recomeço, Fernando Santos foi lesto a fazer as primeiras alterações, fazendo entrar os “revoltados” Cancelo e Ronaldo, para os lugares de Guerreiro e Rúben Neves. Portugal avançava no terreno e empurrava ainda mais para trás a equipa de Marrocos, o que, paradoxalmente, aumentava o risco de poder vir a sofrer novo golo…
Logo ficaria a sensação de que – ainda com tanto tempo para jogar (mais de quarenta minutos) – começava a faltar algum discernimento, com a equipa a denotar grande ansiedade e algo precipitada, a querer fazer as coisas “depressa demais”, à medida que o “desespero” ia crescendo.
Perto da hora de jogo Gonçalo Ramos remataria ao lado, para, de seguida, ser outra vez Bruno Fernandes a não conseguir finalizar da melhor forma. Cristiano Ronaldo, com acção muito discreta durante todo o tempo em que esteve em campo, tentaria ainda a conversão de um livre, mas com a bola a embater na barreira. Nada saía bem…
Numa corrida contra o tempo Portugal via-se obrigado a “meter toda a carne no assador”: já após as entradas de Vitinha e Rafael Leão, numa opção de risco total, para os derradeiros dez/quinze minutos, seria o lateral direito Dalot a sair, por troca com Ricardo Horta, balanceando-se a equipa completamente para o ataque.
O conjunto marroquino deixava já transparecer sinais de grande fadiga, acantonando-se em torno da sua grande área, num instinto de auto-defesa, lutando pela “sobrevivência”. Antecipava-se que, caso a turma portuguesa conseguisse levar o jogo para prolongamento, poderia encontrar então maiores “facilidades” para ganhar.
Já em período de compensação Marrocos ficaria reduzido a dez elementos (dois cartões amarelos a Walid Cheddira num espaço de apenas dois minutos), e a situação era de “sufoco” total.
Porém, a ocasião mais “vistosa” de golo só surgiria mesmo a findar a partida, quando Pepe (a jogar, já então – saber-se-ia mais tarde –, com uma fractura no braço), em plena pequena área, não conseguiu dar o melhor desvio, de cabeça, à bola, que viria a sair ao lado.
Portugal, com muita transpiração, mas muito pouca inspiração, não teve a “ponta de sorte” que acabaria por premiar Marrocos, pelo sua grande abnegação, a quem tínhamos de dar os parabéns, sendo a primeira selecção africana a atingir as meias-finais de um Mundial.
Quanto à formação portuguesa, o resultado final obtido nesta competição é, claro, positivo (entre as oito melhores selecções do Mundo), mas, perante o alinhamento de jogos que se lhe deparou na fase a eliminar, a expectativa seria a de se alcançar, pelo menos, as tais semi-finais.
Com “altos e baixos”, num percurso algo irregular, em que se destaca, pela positiva, a exibição frente à Suíça, em contraponto aos desaires sofridos ante a Coreia do Sul e Marrocos, é inevitável acabarmos por ficar, todos, com um “amargo de boca”.
Mundial 2022 – 1/8 de final – Portugal – Suíça
6-1
Diogo Costa, Diogo Dalot, Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, William Carvalho, Bruno Fernandes (87m – Rafael Leão), Bernardo Silva (81m – Rúben Neves), Otávio Monteiro (74m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix (74m – Cristiano Ronaldo) e Gonçalo Ramos (74m – Ricardo Horta)
Yann Sommer, Manuel Akanji, Ricardo Rodríguez, Fabian Schär (45m – Eray Cömert), Edimilson Fernandes, Remo Freuler (54m – Denis Zakaria), Granit Xhaka, Djibril Sow (54m – Haris Seferović), Ruben Vargas (66m – Noah Okafor), Breel Embolo (89m – Ardon Jashari) e Xherdan Shaqiri
1-0 – Gonçalo Ramos – 17m
2-0 – Pepe – 33m
3-0 – Gonçalo Ramos – 51m
4-0 – Raphaël Guerreiro – 55m
4-1 – Manuel Akanji – 58m
5-1 – Gonçalo Ramos – 67m
6-1 – Rafael Leão – 90m
Cartões amarelos – Fabian Schär (43m) e Eray Cömert (59m)
Árbitro – César Arturo Ramos (México)
Lusail Stadium – Lusail, Al Daayen (22h00 / 19h00)
É inevitável: antes do jogo começar (e, também, no final, já depois de terminar, ao recolher, solitário, aos balneários), todas as atenções estavam focadas em Cristiano Ronaldo, com os “holofotes” (câmaras dos repórteres fotográficos) apontados para o “banco” da selecção portuguesa, onde, pela primeira vez, nos últimos largos anos, num desafio de cariz decisivo desta relevância, “foi deixado”.
Durante o jogo, por curiosa coincidência, seria o seu “substituto”, Gonçalo Ramos, a estar em grande evidência, a um nível que poucos julgariam possível, ao conseguir o primeiro “hat-trick” deste Mundial – também o jogador mais novo (21 anos) a alcançá-lo e, igualmente, o primeiro a marcar três golos e dar a assistência para outro tento, em partidas da fase a eliminar de um Campeonato do Mundo, desde a 2.ª edição da competição, em 1934 (altura em que o italiano Schiavio tinha obtido registo idêntico)!
E, já que se fala em “records”: Portugal, com os seis golos marcados, igualou igualmente a marca de maior número de golos obtidos em encontros dos 1/8 de final de Mundiais, que fora, antes (em 1938!), estabelecida pela Hungria e pelo Brasil.
Quanto ao jogo, em si, teve bastantes pontos de contacto com o que estas mesmas duas selecções tinham disputado há precisamente seis meses (a 5 de Junho), a contar para a Liga das Nações, em que Portugal goleara também, por 4-0, então com um “bis” de… Cristiano Ronaldo.
Alinhando com oito (!) jogadores que não tinham iniciado o desafio ante a Coreia do Sul (para além do guarda-redes, só Dalot e Pepe se mantiveram no “onze” titular), a equipa portuguesa voltou, tal como em Junho, a entrar mal, com dificuldades para encaixar no jogo suíço.
Ao fim de um quarto de hora Portugal parecia não ter ainda “entrado em campo”, quando, num ápice, se colocou em vantagem, fruto de uma excelente execução de Gonçalo Ramos, assistido por João Félix, num remate à meia-volta, a fazer a bola passar pelo “buraco da agulha”, entre o poste e (sobre) o guardião contrário.
Animada com o golo a selecção nacional daria então início a uma das melhores actuações dos últimos tempos, mostrando, a nível colectivo, boas dinâmicas (subsistindo sempre a dúvida de qual a quota-parte que coube efectivamente à sua acção própria, e até que ponto tal beneficiou igualmente da “perda de rumo” suíça que se viria a verificar durante a hora final do encontro).
Para além da muito feliz estreia de Gonçalo Ramos a titular, João Félix terá feito também a sua melhor exibição ao serviço do conjunto português, “enchendo o campo”, curiosamente, manobrando a partir de zona mais recuada do terreno. Diogo Dalot voltou a estar a bom nível, William Carvalho e Otávio garantiram a segurança que habitualmente conferem na zona intermediária.
Se a Suíça ainda ia procurando dar réplica, o segundo tento de Portugal, pouco passava da meia hora – com Pepe, a pouco mais de dois meses de completar 40 anos (!), a elevar-se mais alto que a defensiva contrária, a dar a melhor sequência ao canto cobrado por Bruno Fernandes, cabeceando para o fundo das redes –, seria o definitivo “game changer”; o golo que desarmaria a equipa helvética, a partir daí sem conseguir organizar-se para suster a avalancha ofensiva lusa.
No reatamento da partida, bastariam apenas mais cinco minutos para a formação nacional voltar a marcar, outra vez por Gonçalo Ramos (assistido por Dalot), antecipando-se, à boca da baliza, ampliando a contagem para 3-0, sentenciando definitivamente a contenda. E, logo de seguida, seria o habitualmente discreto Raphaël Guerreiro a estabelecer a goleada, desta feita a passe do mesmo Gonçalo, a culminar uma muito boa jogada de cariz colectivo.
Aproveitando (mais) uma desconcentração defensiva portuguesa, noutro lance de bola parada, a Suíça reduziria ainda para 1-4. Mas a vitória nunca pareceu poder vir a ser ameaçada: menos de dez minutos decorridos chegava o 5.º golo português, o “hat-trick” do jovem Ramos, a isolar-se e a “picar a bola” sobre Sommer, outra vez numa abertura “açucarada” de João Félix.
Com o “Estádio” a pedir a entrada de Ronaldo, Fernando Santos colocaria então em campo – mais tarde do que seria expectável (faltando jogar apenas cerca de um quarto de hora) – o capitão da selecção, ao mesmo tempo que aproveitava para dar alguma “poupança” de esforço aos elementos sujeitos a maior desgaste, como Félix, Ramos e Otávio (e, já na parte final, também a Bernardo Silva e Bruno Fernandes).
Já em tempo de compensação, e, tal como sucedera no desafio com o Ghana, Rafael Leão faria, escassos minutos após ter entrado em campo – numa fantástica execução, a rematar em arco, ao poste mais distante, deixando o guardião “pregado” ao solo – o sexto tento para Portugal, a fixar o resultado numa histórica goleada.
Voltando ao princípio: após o termo do jogo, e já depois de ter ido agradecer os aplausos do público, Cristiano retirou de campo sozinho, como que sentindo que aquela festa (que os restantes jogadores iam fazendo, no centro do terreno), de alguma forma “não era dele”, para a qual terá sentido não ter dado efectivo contributo.
Cristiano Ronaldo transpareceu ser, no seu íntimo, e neste momento, um homem “destroçado”, a precisar que lhe “dêem a mão”. Terá tido uma sensação de “exclusão” do grupo, como se os amigos o tivessem renegado. Diz o ditado que: «Na cama que farás, nela te deitarás». Pois, está a ter de assimilar, de forma dolorosa, uma lei inexorável da vida: dar lugar a outros.
Num momento de euforia colectiva com esta goleada, fica a ideia de que este ambiente poderá não ser o mais saudável para a nossa selecção, para o resto do Mundial. Será ainda possível reabilitar Cristiano (voltar a trazê-lo de regresso ao seio do grupo)?
Aceitando a sua actual condição, recuperando mentalmente, poderá ter ainda o tal (relevante) contributo a dar à equipa – desde logo nuns quartos-de-final em que se antecipa forte oposição de Marrocos (com forte solidez defensiva), que surpreendeu, eliminando a favorita Espanha.



