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Portugal – Liechtenstein (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Rui Patrício, Danilo Pereira (67m – Rúben Neves), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo, Bernardo Silva (78m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Palhinha, Bruno Fernandes (89m – João Mário), Raphaël Guerreiro, João Félix (67m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo (78m – Gonçalo Ramos)
Liechtenstein – Benjamin Büchel, Sandro Wolfinger (80m – Seyhan Yildiz), Andreas Malin (38m – Simon Lüchinger), Lars Traber, Jens Hofer, Livio Meier (60m – Fabio Wolfinger), Noah Frommelt, Sandro Wieser, Nicolas Hasler, Philipp Gassner (60m – Jakob Lorenz) e Aron Sele (80m – Niklas Beck)
1-0 – João Cancelo – 8m
2-0 – Bernardo Silva – 47m
3-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 51m
4-0 – Cristiano Ronaldo – 63m
Cartões amarelos – Não houve
Árbitro – Espen Eskås (Noruega)
Defrontando um adversário muito frágil, a selecção de Portugal entrou nesta fase de qualificação a golear – tal como esperado –, mas numa espécie de regime de “serviços mínimos”. Não é fácil “brilhar” face a um opositor deste calibre, que, concentrado no seu sector mais recuado, “não joga, nem deixa jogar”.
Na estreia do novo seleccionador, o espanhol Roberto Martínez, as novidades foram poucas: Rui Patrício voltou à baliza (devido a lesão de Diogo Costa), e Gonçalo Inácio estreou-se também, numa assumida defesa a três.
Independentemente da maior ou menor motivação para jogar perante este tipo de adversários, a equipa portuguesa sentiu muita falta de espaço: no comprimento, por “culpa” do Liechtenstein, que o procurou reduzir ao mínimo; na largura, por “culpa” própria, por falta de flanqueadores, que abrissem o jogo, que fossem à linha de fundo cruzar.
Pelo que o jogo de Portugal foi sempre, tendencialmente, afunilado, havendo sucessivos “engarrafamentos” na área contrária.
O primeiro golo, que poderia ser de alguma forma “desbloqueador” até chegou cedo; mas, daí até final da primeira parte, o absoluto domínio português foi também, por completo, infrutífero. Tendo, com facilidade, chegado ao 3-0 nos minutos iniciais do segundo tempo, o jogo “estava feito”.
A toada não se alterou, com a equipa nacional “dona da bola”, criando algumas oportunidades para ampliar a contagem, mas, bastante perdulária, apenas tendo obtido mais um tento, a fechar a contagem, com Cristiano Ronaldo a bisar, na conversão de um livre, marcando o seu 100.º golo pela selecção, em jogos “oficiais”, de competições (120, no total – em 197 jogos, no que passa a constituir também um “record mundial”).
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 1 1 - - 4 - 0 3 2º Bósnia-Herzegovina 1 1 - - 3 - 0 3 3º Eslováquia 1 - 1 - 0 - 0 1 3º Luxemburgo 1 - 1 - 0 - 0 1 5º Islândia 1 - - 1 0 - 3 - 6º Liechtenstein 1 - - 1 0 - 4 -
1ª jornada
23.03.2023 – Bósnia-Herzegovina – Islândia – 3-0
23.03.2023 – Eslováquia – Luxemburgo – 0-0
23.03.2023 – Portugal – Liechtenstein – 4-0
Mundial 2022 – 1/4 de final – Marrocos – Portugal
1-0
Yassine Bounou “Bono”, Achraf Hakimi, Romain Saïss (57m – Achraf Dari), Jawad El Yamiq, Yahya Attiyat-Allah, Sofyan Amrabat, Azzedine Ounahi, Selim Amallah (65m – Walid Cheddira), Hakim Ziyech (82m – Zakaria Aboukhlal), Sofiane Boufal (82m – Yahya Jabrane) e Youssef En-Nesyri (65m – Badr Benoun)
Diogo Costa, Diogo Dalot (79m – Ricardo Horta), Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro (51m – João Cancelo), Rúben Neves (51m – Cristiano Ronaldo), Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Otávio Monteiro (69m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix e Gonçalo Ramos (69m – Rafael Leão)
1-0 – Youssef En-Nesyri – 42m
Cartões amarelos – Vitinha (87m); Achraf Dari (70m) e Walid Cheddira (90m)
Cartão vermelho – Walid Cheddira (90m)
Árbitro – Facundo Tello (Argentina)
Al-Thumama Stadium – Doha (18h00 / 15h00)
Este foi um desafio cujo perfil era, em larga medida, expectável, quer a nível da solidez defensiva da selecção de Marrocos (um único golo sofrido nos quatro encontros anteriores, tendo deixado a “zero” adversários da craveira da Croácia, Bélgica e Espanha), como do natural assumir da iniciativa de jogo por parte da equipa portuguesa, que, pelo seu potencial, se perfilava como “favorita”.
O que não estaria no “programa” era sofrer um golo da formação marroquina, o que, claro, aumentaria sobremaneira o grau de dificuldade a transpor.
A verdade é que, desde início, Portugal nunca demonstrou ser capaz de evitar certa ambiguidade: a de, procurando jogar de forma ofensiva, não descurar, em paralelo, a segurança do seu sector mais recuado. Daí, talvez, a entrada em campo de Rúben Neves (apostando também na possibilidade do seu remate de “meia distância”, o que, porém, acabaria por não se proporcionar), por troca com William Carvalho.
Depois da concludente vitória sobre a Suíça, nos 1/8 de final, a equipa nacional voltaria a pecar em termos de ritmo, velocidade, alternâncias de flanco; numa palavra, em criatividade, que pudesse desmontar a organização contrária, que, qual “carraça”, não concedia um “centímetro” de espaço de manobra.
E, mais, desde cedo se constatou que Marrocos poderia ser, de facto, perigoso, porque, cada vez que recuperava a bola, ia mostrando que sabia “o que fazer com ela”, ensaiando rápidas transições, colocando sempre “em sentido” o meio-campo português.
Por seu lado, a selecção de Portugal viria a cair, de forma notoriamente excessiva, nos lançamentos em profundidade, face aos quais o adversário sempre esteve confortável.
Jogando a baixa intensidade, não só se viria a desperdiçar todos os primeiros 45 minutos, como, prestes a findar essa primeira metade, Marrocos chegaria ao tão receado golo. Num lance em que Diogo Costa se atrapalhou com Rúben Dias, surgiu Youssef En-Nesyri a antecipar-se de cabeça e a tocar a bola para o fundo das redes.
Até aí haviam sido escassas as oportunidades da equipa portuguesa, as três passando pelos pés de João Félix, a primeira delas logo nos minutos iniciais. E só depois do golo haveria outro lance de perigo, por Bruno Fernandes. Mas, todas essas tentativas, infrutíferas.
Com dificuldades em organizar o seu jogo, via-se Bernardo Silva a ter de recuar para a posição habitualmente ocupada no terreno por William, para ir “buscar a bola” e iniciar os lances de ataque. Ao intervalo, a opinião dos espectadores era “consensual”: era necessário fazer entrar em jogo Vitinha.
Após novo susto sofrido logo no recomeço, Fernando Santos foi lesto a fazer as primeiras alterações, fazendo entrar os “revoltados” Cancelo e Ronaldo, para os lugares de Guerreiro e Rúben Neves. Portugal avançava no terreno e empurrava ainda mais para trás a equipa de Marrocos, o que, paradoxalmente, aumentava o risco de poder vir a sofrer novo golo…
Logo ficaria a sensação de que – ainda com tanto tempo para jogar (mais de quarenta minutos) – começava a faltar algum discernimento, com a equipa a denotar grande ansiedade e algo precipitada, a querer fazer as coisas “depressa demais”, à medida que o “desespero” ia crescendo.
Perto da hora de jogo Gonçalo Ramos remataria ao lado, para, de seguida, ser outra vez Bruno Fernandes a não conseguir finalizar da melhor forma. Cristiano Ronaldo, com acção muito discreta durante todo o tempo em que esteve em campo, tentaria ainda a conversão de um livre, mas com a bola a embater na barreira. Nada saía bem…
Numa corrida contra o tempo Portugal via-se obrigado a “meter toda a carne no assador”: já após as entradas de Vitinha e Rafael Leão, numa opção de risco total, para os derradeiros dez/quinze minutos, seria o lateral direito Dalot a sair, por troca com Ricardo Horta, balanceando-se a equipa completamente para o ataque.
O conjunto marroquino deixava já transparecer sinais de grande fadiga, acantonando-se em torno da sua grande área, num instinto de auto-defesa, lutando pela “sobrevivência”. Antecipava-se que, caso a turma portuguesa conseguisse levar o jogo para prolongamento, poderia encontrar então maiores “facilidades” para ganhar.
Já em período de compensação Marrocos ficaria reduzido a dez elementos (dois cartões amarelos a Walid Cheddira num espaço de apenas dois minutos), e a situação era de “sufoco” total.
Porém, a ocasião mais “vistosa” de golo só surgiria mesmo a findar a partida, quando Pepe (a jogar, já então – saber-se-ia mais tarde –, com uma fractura no braço), em plena pequena área, não conseguiu dar o melhor desvio, de cabeça, à bola, que viria a sair ao lado.
Portugal, com muita transpiração, mas muito pouca inspiração, não teve a “ponta de sorte” que acabaria por premiar Marrocos, pelo sua grande abnegação, a quem tínhamos de dar os parabéns, sendo a primeira selecção africana a atingir as meias-finais de um Mundial.
Quanto à formação portuguesa, o resultado final obtido nesta competição é, claro, positivo (entre as oito melhores selecções do Mundo), mas, perante o alinhamento de jogos que se lhe deparou na fase a eliminar, a expectativa seria a de se alcançar, pelo menos, as tais semi-finais.
Com “altos e baixos”, num percurso algo irregular, em que se destaca, pela positiva, a exibição frente à Suíça, em contraponto aos desaires sofridos ante a Coreia do Sul e Marrocos, é inevitável acabarmos por ficar, todos, com um “amargo de boca”.
Mundial 2022 – 1/8 de final – Portugal – Suíça
6-1
Diogo Costa, Diogo Dalot, Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, William Carvalho, Bruno Fernandes (87m – Rafael Leão), Bernardo Silva (81m – Rúben Neves), Otávio Monteiro (74m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix (74m – Cristiano Ronaldo) e Gonçalo Ramos (74m – Ricardo Horta)
Yann Sommer, Manuel Akanji, Ricardo Rodríguez, Fabian Schär (45m – Eray Cömert), Edimilson Fernandes, Remo Freuler (54m – Denis Zakaria), Granit Xhaka, Djibril Sow (54m – Haris Seferović), Ruben Vargas (66m – Noah Okafor), Breel Embolo (89m – Ardon Jashari) e Xherdan Shaqiri
1-0 – Gonçalo Ramos – 17m
2-0 – Pepe – 33m
3-0 – Gonçalo Ramos – 51m
4-0 – Raphaël Guerreiro – 55m
4-1 – Manuel Akanji – 58m
5-1 – Gonçalo Ramos – 67m
6-1 – Rafael Leão – 90m
Cartões amarelos – Fabian Schär (43m) e Eray Cömert (59m)
Árbitro – César Arturo Ramos (México)
Lusail Stadium – Lusail, Al Daayen (22h00 / 19h00)
É inevitável: antes do jogo começar (e, também, no final, já depois de terminar, ao recolher, solitário, aos balneários), todas as atenções estavam focadas em Cristiano Ronaldo, com os “holofotes” (câmaras dos repórteres fotográficos) apontados para o “banco” da selecção portuguesa, onde, pela primeira vez, nos últimos largos anos, num desafio de cariz decisivo desta relevância, “foi deixado”.
Durante o jogo, por curiosa coincidência, seria o seu “substituto”, Gonçalo Ramos, a estar em grande evidência, a um nível que poucos julgariam possível, ao conseguir o primeiro “hat-trick” deste Mundial – também o jogador mais novo (21 anos) a alcançá-lo e, igualmente, o primeiro a marcar três golos e dar a assistência para outro tento, em partidas da fase a eliminar de um Campeonato do Mundo, desde a 2.ª edição da competição, em 1934 (altura em que o italiano Schiavio tinha obtido registo idêntico)!
E, já que se fala em “records”: Portugal, com os seis golos marcados, igualou igualmente a marca de maior número de golos obtidos em encontros dos 1/8 de final de Mundiais, que fora, antes (em 1938!), estabelecida pela Hungria e pelo Brasil.
Quanto ao jogo, em si, teve bastantes pontos de contacto com o que estas mesmas duas selecções tinham disputado há precisamente seis meses (a 5 de Junho), a contar para a Liga das Nações, em que Portugal goleara também, por 4-0, então com um “bis” de… Cristiano Ronaldo.
Alinhando com oito (!) jogadores que não tinham iniciado o desafio ante a Coreia do Sul (para além do guarda-redes, só Dalot e Pepe se mantiveram no “onze” titular), a equipa portuguesa voltou, tal como em Junho, a entrar mal, com dificuldades para encaixar no jogo suíço.
Ao fim de um quarto de hora Portugal parecia não ter ainda “entrado em campo”, quando, num ápice, se colocou em vantagem, fruto de uma excelente execução de Gonçalo Ramos, assistido por João Félix, num remate à meia-volta, a fazer a bola passar pelo “buraco da agulha”, entre o poste e (sobre) o guardião contrário.
Animada com o golo a selecção nacional daria então início a uma das melhores actuações dos últimos tempos, mostrando, a nível colectivo, boas dinâmicas (subsistindo sempre a dúvida de qual a quota-parte que coube efectivamente à sua acção própria, e até que ponto tal beneficiou igualmente da “perda de rumo” suíça que se viria a verificar durante a hora final do encontro).
Para além da muito feliz estreia de Gonçalo Ramos a titular, João Félix terá feito também a sua melhor exibição ao serviço do conjunto português, “enchendo o campo”, curiosamente, manobrando a partir de zona mais recuada do terreno. Diogo Dalot voltou a estar a bom nível, William Carvalho e Otávio garantiram a segurança que habitualmente conferem na zona intermediária.
Se a Suíça ainda ia procurando dar réplica, o segundo tento de Portugal, pouco passava da meia hora – com Pepe, a pouco mais de dois meses de completar 40 anos (!), a elevar-se mais alto que a defensiva contrária, a dar a melhor sequência ao canto cobrado por Bruno Fernandes, cabeceando para o fundo das redes –, seria o definitivo “game changer”; o golo que desarmaria a equipa helvética, a partir daí sem conseguir organizar-se para suster a avalancha ofensiva lusa.
No reatamento da partida, bastariam apenas mais cinco minutos para a formação nacional voltar a marcar, outra vez por Gonçalo Ramos (assistido por Dalot), antecipando-se, à boca da baliza, ampliando a contagem para 3-0, sentenciando definitivamente a contenda. E, logo de seguida, seria o habitualmente discreto Raphaël Guerreiro a estabelecer a goleada, desta feita a passe do mesmo Gonçalo, a culminar uma muito boa jogada de cariz colectivo.
Aproveitando (mais) uma desconcentração defensiva portuguesa, noutro lance de bola parada, a Suíça reduziria ainda para 1-4. Mas a vitória nunca pareceu poder vir a ser ameaçada: menos de dez minutos decorridos chegava o 5.º golo português, o “hat-trick” do jovem Ramos, a isolar-se e a “picar a bola” sobre Sommer, outra vez numa abertura “açucarada” de João Félix.
Com o “Estádio” a pedir a entrada de Ronaldo, Fernando Santos colocaria então em campo – mais tarde do que seria expectável (faltando jogar apenas cerca de um quarto de hora) – o capitão da selecção, ao mesmo tempo que aproveitava para dar alguma “poupança” de esforço aos elementos sujeitos a maior desgaste, como Félix, Ramos e Otávio (e, já na parte final, também a Bernardo Silva e Bruno Fernandes).
Já em tempo de compensação, e, tal como sucedera no desafio com o Ghana, Rafael Leão faria, escassos minutos após ter entrado em campo – numa fantástica execução, a rematar em arco, ao poste mais distante, deixando o guardião “pregado” ao solo – o sexto tento para Portugal, a fixar o resultado numa histórica goleada.
Voltando ao princípio: após o termo do jogo, e já depois de ter ido agradecer os aplausos do público, Cristiano retirou de campo sozinho, como que sentindo que aquela festa (que os restantes jogadores iam fazendo, no centro do terreno), de alguma forma “não era dele”, para a qual terá sentido não ter dado efectivo contributo.
Cristiano Ronaldo transpareceu ser, no seu íntimo, e neste momento, um homem “destroçado”, a precisar que lhe “dêem a mão”. Terá tido uma sensação de “exclusão” do grupo, como se os amigos o tivessem renegado. Diz o ditado que: «Na cama que farás, nela te deitarás». Pois, está a ter de assimilar, de forma dolorosa, uma lei inexorável da vida: dar lugar a outros.
Num momento de euforia colectiva com esta goleada, fica a ideia de que este ambiente poderá não ser o mais saudável para a nossa selecção, para o resto do Mundial. Será ainda possível reabilitar Cristiano (voltar a trazê-lo de regresso ao seio do grupo)?
Aceitando a sua actual condição, recuperando mentalmente, poderá ter ainda o tal (relevante) contributo a dar à equipa – desde logo nuns quartos-de-final em que se antecipa forte oposição de Marrocos (com forte solidez defensiva), que surpreendeu, eliminando a favorita Espanha.
Mundial 2022 – Coreia do Sul – Portugal
2-1
Kim Seung-Gyu, Kim Moon-hwan, Kwon Kyung-won, Kim Young-gwon (81m – Son Jun-ho), Kim Jin-su, Jung Woo-young, Lee Jae-sung (66m – Hwang Hee-chan), Hwang In-beom, Lee Kang-in (81m – Hwang Ui-jo), Son Heung-min e Cho Gue-sung (90m – Cho Yu-min)
Diogo Costa, Diogo Dalot, Pepe, António Silva, João Cancelo, Rúben Neves (65m – Rafael Leão), Ricardo Horta, Matheus Nunes (65m – João Palhinha), Vítor Ferreira “Vitinha” (82m – William Carvalho), João Mário (82m – Bernardo Silva) e Cristiano Ronaldo (65m – André Silva)
0-1 – Ricardo Horta – 5m
1-1 – Kim Young-gwon – 27m
2-1 – Hwang Hee-chan – 90m
Cartões amarelos – Lee Kang-in (36m) e Hwang Hee-chan (90m)
Árbitro – Facundo Tello (Argentina)
Education City Stadium – Al Rayyan, Doha (18h00 / 15h00)
O terceiro e último encontro da fase de grupos só não foi “mais do mesmo” porque Portugal praticamente entrou a ganhar, não dando azo a um sistema defensivo tão rígido por parte do opositor.
À parte isso – e com Fernando Santos a fazer rodar seis jogadores (entradas de Diogo Dalot, António Silva, Ricardo Horta, Matheus Nunes, Vitinha e João Mário, por troca com Nuno Mendes/Raphaël Guerreiro, Rúben Dias, Wiliam Carvalho, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix, em repouso – o ritmo de jogo foi ainda substancialmente mais baixo (em especial na segunda parte, em que, literalmente, se chegou a “arrastar”).
Com o apuramento já previamente confirmado e o 1.º lugar do grupo “prometido” (pouco depois da meia hora de jogo o Uruguai já ganhava por 2-0 ao Ghana, pelo que essa posição só fugiria aos portugueses se os ganeses marcassem três golos e Portugal perdesse por dois golos de diferença), o tempo correu vagarosamente, numa modorra de que ninguém parecia despertar.
O que, por seu lado, convinha aos coreanos, que, enquanto se mantivesse o empate, tinham esperança de que poderia, a qualquer momento, suceder um “golpe de sorte” que lhes proporcionasse o golo, quanto bastava para garantirem o apuramento (desde que o Uruguai não ampliasse a vantagem no outro jogo…).
A entrada de Portugal em campo foi boa, com Dalot a “dar nas vistas”, a subir até à linha de fundo, e a oferecer o golo a Ricardo Horta, que não se fez rogado, finalizando com uma bela execução.
Este tento inaugural não provocaria grandes alterações na forma de jogar das duas equipas, com “sinal mais” da equipa portuguesa, mas os coreanos a procurar oferecer a réplica possível.
Até que, num canto, o primeiro sinal de um “dia de sorte” para a Coreia, com a bola a tabelar nas costas de Cristiano Ronaldo (em acção defensiva), e a sobrar para os pés de Kim Young-gwon, que não desperdiçou a soberana oportunidade.
Para além de Diogo Dalot, Vitinha era quem maior inconformismo demonstrava, a “pedir” um lugar no “onze”. Mas esteve sempre muito desacompanhado, pelo que, ao intervalo, o resultado não destoava da exibição das duas equipas.
O segundo tempo praticamente não tem história… A equipa portuguesa, muito a espaços, lá ia tentando sacudir a letargia, mas nem as substituições operadas tiveram qualquer efeito notório (à parte mais um episódio de manifestação de extrema “azia”, por parte de Cristiano Ronaldo, ao ser substituído, num “desabafo” urbi et orbi, para as câmaras, direccionado ao seleccionador, que «estaria com demasiada pressa para o tirar de campo»).
A verdade é que Cristiano teve uma tarde desastrada, com um cabeceamento completamente desconexo (mesmo que se tratasse de um lance em que a bola não seria fácil de dominar) e mais um par de intervenções pouco condizentes com o seu “estilo”.
Chegava então o momento em que Paulo Bento (ausente do banco, por expulsão no final do jogo da Coreia com o Ghana) entenderia que nada tinha a perder, e, ao contrário, poderia ainda ter “tudo a ganhar”.
E teve toda a “felicidade”, na competência do incansável Son: num pontapé de canto a favor de Portugal, já em período de compensação, os coreanos recuperam a bola, com o jogador do Tottenham a correr velozmente todo o campo, praticamente de baliza a baliza, e, no momento preciso, a libertar o esférico para Hwang Hee-chan fazer o golo da vitória!
Para um “final feliz” da Coreia do Sul, seria ainda necessário esperar – após o termo do desafio – praticamente dez “longos minutos” (a segunda parte do Uruguai-Ghana tinha arrancado quase sete minutos depois do reatamento do Portugal-Coreia, tendo tido ainda um período de compensação mais alargado) para confirmar um histórico apuramento para os 1/8 de final (repetindo as proezas de 2002 – em que tinham também derrotado a selecção portuguesa, acabando por chegar às meias-finais, e de 2010).
Já Portugal a única coisa que poderá ter ganho com este desafio foi uma lição, de humildade, de entrega ao jogo, e de concentração. E uma oportunidade para melhorar (muito) o que de menos bom se fez, talvez dando a devida atenção aos sinais protagonizados por Diogo Dalot e por Vitinha.
Mundial 2022 – Portugal – Uruguai
2-0
Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Pepe, Nuno Mendes (42m – Raphaël Guerreiro), Wiliam Carvalho (82m – João Palhinha), Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Neves (69m – Rafael Leão), João Félix (82m – Matheus Nunes) e Cristiano Ronaldo (82m – Gonçalo Ramos)
Sergio Rochet, José María Giménez, Diego Godín (62m – Facundo Pellistri), Sebastián Coates, Guillermo Varela, Federico Valverde, Rodrigo Bentancur, Matías Vecino (62m – Giorgian De Arrascaeta), Mathias Olivera (86m – Matías Viña), Edinson Cavani (72m – Luis Suárez) e Darwin Núñez (72m – Maximiliano Gómez)
1-0 – Bruno Fernandes – 54m
2-0 – Bruno Fernandes (pen.) – 90m
Cartões amarelos – Rúben Neves (38m), João Félix (77m) e Rúben Dias (89m); Rodrigo Bentancur (6m) e Mathias Olivera (44m)
Árbitro – Alireza Faghani (Irão)
Lusail Stadium – Lusail, Al Daayen (22h00 / 19h00)
Este foi um jogo com bastantes pontos de contacto com a partida de estreia de Portugal no Mundial, outra vez a assumir a iniciativa e com domínio a nível da posse – mesmo que não tivesse sido o “dono da bola” em tão larga extensão como sucedera no encontro ante o Ghana.
O Uruguai não foi, igualmente, tão “inofensivo” quanto o tinham sido os africanos na primeira parte daquele desafio, mas, ainda assim, não deixou de surpreender alguma passividade de quem, teoricamente, estaria mais necessitado de ganhar o jogo, privilegiando, durante largo período, o procurar “não deixar jogar o adversário”.
Com Danilo lesionado, entrou Pepe para o eixo defensivo; pelo mesmo motivo, Otávio foi também substituído por William. Fernando Santos arriscou ainda fazer alinhar de início Nuno Mendes (no lugar de Guerreiro), mas esta troca não correria bem, visto que o lateral se viria a ressentir de lesão, acabando por ter de sair ainda antes do intervalo.
A equipa portuguesa repetiu uma actuação com muitas trocas de bola, mas, muitas vezes, passes curtos e lateralizados, de novo com a pecha da falta de velocidade, sem a dinâmica necessária para criar desequilíbrios e, consequentemente, poder romper a estrutura defensiva adversária.
Não obstante tenha efectuado nove tentativas de remate à baliza, a melhor oportunidade de golo, durante a primeira parte, seria do Uruguai, com Diogo Costa – redimindo-se da desconcentração do final da partida com o Ghana – a executar excelente defesa… uma intervenção que “valeu um golo” (negado a Bentancur).
Tal como sucedera no primeiro jogo, o tento inaugural surgiria de forma algo fortuita, num lance “estranho”: um centro “bombeado” de Bruno Fernandes para a zona da pequena área, com Cristiano Ronaldo a aparecer desmarcado, a aplicar a sua tradicional capacidade de impulsão, mas, desta feita – mesmo que tenha “reclamado” ter desviado a bola – a não conseguir, por “milímetros”, tocar-lhe… ainda assim, o seu gesto técnico (“cabeceamento na atmosfera”) seria determinante para ludibriar o guardião uruguaio, que ficou desarmado, a ver a bola seguir uma trajectória directa à sua baliza.
Com o tempo a passar e o resultado a manter-se, sem “nada a perder”, o Uruguai procurou agitar o jogo, trocando a dupla de avançados (fazendo entrar Suárez e Maxi Gómez para os lugares de Cavan e Darwin). E seria Gómez a provocar o maior “susto” para Portugal, acertando no poste, escassos minutos após ter entrado em campo.
O seleccionador português optou então por fechar os caminhos para a baliza, com as entradas de Palhinha e Matheus Nunes – isto já depois de nova aposta em Rafael Leão não ter sido, desta vez, tão bem sucedida.
Até final Portugal conseguiria manter a bola afastada do seu reduto defensivo, não dando possibilidades aos uruguaios. E, já em período de compensação, num muito controverso lance de contacto da bola com o braço (de Giménez, em queda, apoiando-se no chão), numa interpretação inapropriada por parte do “VAR”, originou o bis de Bruno Fernandes, na conversão da consequente grande penalidade.
Com a equipa Uruguai “entregue”, conformada com a derrota, a equipa nacional poderia ter ainda ampliado a contagem, por duas vezes, e, novamente, através de um inspirado Bruno Fernandes, primeiro com Rochet a “tapar a baliza”, e, de imediato, com um remate ao poste. A ter sucedido, o 3-0 teria sido punição demasiado severa para os sul-americanos, não justificando a exibição da formação portuguesa tal desnível no marcador.
Portugal conseguia a “desforra” da eliminação (nos 1/8 de final) do Mundial de 2018, ante esta mesma selecção do Uruguai, garantindo, ainda com um jogo por disputar, o apuramento para tal fase a eliminar – desta vez sem necessidade de recurso “à calculadora”.
Mundial 2022 – Portugal – Ghana
3-2
Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Danilo Pereira, Raphaël Guerreiro, Rúben Neves (77m – Rafael Leão), Bruno Fernandes, Bernardo Silva (88m – João Palhinha), Otávio Monteiro (56m – William Carvalho), João Félix (88m – João Mário) e Cristiano Ronaldo (88m – Gonçalo Ramos)
Lawrence Ati-Zigi, Alidu Seidu (66m – Tariq Lamptey), Mohammed Salisu, Daniel Amartey, Alexander Djiku (90m – Antoine Semenyo), Abdul Rahman Baba, André Ayew (77m – Jordan Ayew), Thomas Partey, Salis Abdul Samed (90m – Daniel-Kofi Kyereh), Mohammed Kudus (77m – Osman Bukari) e Iñaki Williams
1-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 65m
1-1 – André Ayew – 73m
2-1 – João Félix – 78m
3-1 – Rafael Leão – 80m
3-2 – Osman Bukari – 89m
Cartões amarelos – Danilo Pereira (90m) e Bruno Fernandes (90m); Mohammed Kudus (45m), André Ayew (49m), Alidu Seidu (57m) e Iñaki Williams (90m)
Árbitro – Ismail Elfath (EUA)
Stadium 974 – Ras Abu Aboud, Doha (19h00 / 16h00)
A estreia da selecção nacional na fase final do Campeonato do Mundo teve “quase de tudo”: um domínio tão absoluto como estéril ao longo da primeira parte (a equipa portuguesa chegou a ter “posse de bola” na ordem dos 80%), com o Ghana perfeitamente inofensivo; um golo algo fortuito, a fixar mais um “record” de Cristiano Ronaldo, o único a marcar em cinco “Mundiais” (desde 2006); uma primeira falha defensiva a proporcionar o empate; Portugal a tirar partido das armas com que a formação africana pretenderia surpreender, marcando dois golos em rápidas transições, “virando-se o feitiço contra o feiticeiro”; outro erro a fazer com que o desfecho se mantivesse incerto até ao minuto 100 (!), altura em que uma incrível e caricata desconcentração poderia ter resultado no 3-3!
Ainda na fase inicial da partida, logo aos dez minutos, a equipa portuguesa tivera ocasião soberana para inaugurar o marcador, quando Cristiano Ronaldo, isolado por Bruno Fernandes, não conseguiu dominar a bola da melhor forma, gorando-se tal oportunidade, devido à intervenção de Lawrence Ati-Zigi.
De resto, assistiu-se a uma (excessivamente) paciente troca de bola, entre os vários jogadores da equipa nacional, com os adversários literalmente a “assistir”, mas, quase sempre, de forma denunciada e lenta, sem alterações de ritmo que pudessem desmontar a estratégia defensiva delineada pelo Ghana. Apenas de grande penalidade Portugal viria a chegar ao golo.
Só após o tento do empate – dando a ideia de que Fernando Santos terá protelado em demasia as substituições (à parte a saída “forçada” de Otávio) – a turma nacional se viu compelida a alterar o seu esquema táctico, com a entrada de Rafael Leão, uma opção que logo se revelou ganhadora – beneficiando também do facto de, enfim, a selecção africana ter abdicado da concentração de quase todos os elementos no seu sector defensivo, abrindo mais o jogo.
Bruno Fernandes assumiu a batuta, e foi protagonista, com duas notáveis assistências para outros tantos golos, intervalados por escassos dois minutos, primeiro por João Félix, a isolar-se e a “picar” a bola sobre o guardião contrário, e, quase de imediato, pelo próprio Leão, a surgir também desmarcado, pela esquerda, com um toque subtil a desviar a bola do alcance de Ati-Zigi.
Sem saber muito bem como, ou, pelo menos, sem ter feito grande coisa por isso, o Ghana reduziria ainda para a diferença tangencial, aproveitando um erro da defesa, lançando a dúvida, e fazendo com que Portugal tivesse de sofrer ainda durante os cerca de dez minutos de tempo de compensação, mesmo que tenha, nesse período, controlado bem o jogo, quase sempre em zona ofensiva do terreno.
Faltariam cerca de trinta segundos para o apito final quando, numa reposição de bola, o matreiro Iñaki Williams, sorrateiramente colocado, expectante, atrás de Diogo Costa – praticamente em cima da linha de baliza portuguesa, e sem que o guarda-redes se tivesse apercebido da sua presença ali – rapidamente se esgueirou para lhe roubar a bola, mal ela tinha sido colocada a rolar no chão, valendo ter escorregado, para que não tivesse havido mal maior, com dois defesas a acorrer em socorro do “keeper” português, a interceptar o remate que tinha saído frouxo.
Num balanço final, houve coisas boas, a dar sinais de esperança e a mostrar que há soluções e opções para além do “onze base”, mas também indícios preocupantes, no que respeita às fragilidades defensivas demonstradas, assim como a sensação de que há trabalho por fazer, a nível, por exemplo, de lances de bola parada.
Convocados para o Mundial 2022
Guarda-redes – Diogo Costa (FC Porto), José Sá (Wolverhampton) e Rui Patrício (Roma);
Defesas – Diogo Dalot (Manchester United), João Cancelo (Manchester City), Danilo Pereira (Paris Saint-Germain), Pepe (FC Porto), Rúben Dias (Manchester City), António Silva (Benfica), Nuno Mendes (Paris Saint-Germain) e Raphael Guerreiro (Borussia Dortmund);
Médios – João Palhinha (Fulham), Rúben Neves (Wolverhampton), Bernardo Silva (Manchester City), Bruno Fernandes (Manchester United), João Mário (Benfica), Matheus Nunes (Wolverhampton), Otávio Monteiro (FC Porto), Vítor Ferreira “Vitinha” (Paris Saint-Germain) e William Carvalho (Betis);
Avançados – André Silva (RB Leipzig), Cristiano Ronaldo (Manchester United), Gonçalo Ramos (Benfica), João Félix (Atlético Madrid), Rafael Leão (AC Milan) e Ricardo Horta (Sp. Braga).
O seleccionador nacional, Fernando Santos, anunciou esta tarde o nome dos 26 jogadores convocados para a Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol, a disputar de 20 de Novembro a 18 de Dezembro, no Qatar.
Em relação à anterior competição (“EURO 2020”, disputado no ano passado) verifica-se a entrada de onze jogadores: Diogo Costa, José Sá, Diogo Dalot, António Silva, João Mário, Matheus Nunes, Otávio Monteiro, Vitinha, Gonçalo Ramos, Rafael Leão e Ricardo Horta.
Ao invés, deixaram de integrar os seleccionados os seguintes jogadores: Anthony Lopes, Rui Silva, Nélson Semedo, José Fonte, João Moutinho, Renato Sanches, Sérgio Oliveira, Pedro Gonçalves, Diogo Jota, Gonçalo Guedes e Rafa Silva.
Na convocatória hoje anunciada, o Benfica e o FC Porto contam com três jogadores cada, não tendo sido convocado nenhum jogador do Sporting. São também três os seleccionados de cada um dos seguintes clubes: Manchester City, Manchester United, Paris Saint-Germain e Wolverhampton.
EURO 2024 – Sorteio da Fase de Qualificação
Realizou-se hoje, em Frankfurt, o sorteio da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de Futebol de 2024, cuja fase final será disputada na Alemanha, agendada entre 14 de Junho e 14 de Julho. É a seguinte a constituição dos 10 Grupos:
Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Espanha Países Baixos Itália Croácia Escócia França Inglaterra País Gales Noruega Irlanda Ucrânia Arménia Geórgia Grécia Macedónia Norte Turquia Chipre Gibraltar Malta Letónia Grupo E Grupo F Grupo G Polónia Bélgica Hungria R. Checa Áustria Sérvia Albânia Suécia Montenegro I. Faroé Azerbaijão Bulgária Moldova Estónia Lituânia Grupo H Grupo I Grupo J Dinamarca Suíça Portugal Finlândia Israel Bósnia-Herzegovina Eslovénia Roménia Islândia Cazaquistão Kosovo Luxemburgo I. Norte Bielorrússia Eslováquia S. Marino Andorra Liechtenstein
Serão apurados para a fase final os dois primeiros classificados de cada Grupo – decorrendo a fase de qualificação em cinco jornadas duplas, agendadas para os meses de Março, Junho, Setembro, Outubro e Novembro de 2023 –, sendo as restantes três vagas a atribuir por via de play-off, também associados ao desempenho na “Liga das Nações”, previstos para Março de 2024.
Portugal – Espanha (Liga das Nações – 6.ª Jornada)
Portugal – Diogo Costa, João Cancelo, Danilo Pereira, Rúben Dias, Nuno Mendes, William Carvalho (78m – Rafael Leão), Rúben Neves (89m – João Félix), Bruno Fernandes, Bernardo Silva (73m – João Mário), Diogo Jota (78m – Vítor Ferreira “Vitinha”) e Cristiano Ronaldo
Espanha – Unai Simón, Dani Carvajal, Hugo Guillamón (45m – Sergio Busquets), Pau Torres, José Gayà, Carlos Soler (60m – Pedri), Rodri, Koke (60m – Gavi), Ferran Torres (73m – Nico Williams), Pablo Sarabia (60m – Yéremy Pino) e Álvaro Morata
0-1 – Álvaro Morata – 88m
Cartões amarelos – Bernardo Silva (46m), Nuno Mendes (83m) e João Félix (90m); Hugo Guillamón (31m) e Dani Carvajal (55m)
Árbitro – Daniele Orsato (Itália)
O que mais surpreendeu nesta partida não foi o seu desfecho, mas, em contraponto, a forma como a Espanha se apresentou em Braga, com uma exibição muito distante dos seus melhores dias, denotando insuspeitas fragilidades, decorrentes de alguma menor qualidade a nível individual, comparativamente a outros conjuntos espanhóis recentes.
De facto, durante toda a primeira parte, a equipa espanhola, com uma posse de bola estereotipada e completamente estéril, não deu, nunca, sinais daquela selecção afirmativa, que se impunha frente a qualquer adversário, tendo, ao invés, sido Portugal a criar os lances de maior perigo, como foi o caso, mais flagrante, do remate de Bruno Fernandes à malha lateral, tendo também Cristiano Ronaldo mostrado desinspiração num par de outros lances.
Este estado de coisas foi-se mantendo durante o quarto de hora inicial do segundo tempo, altura em que Luis Enrique – sem nada a perder – começou a “agitar as águas”, colocando sucessivamente em campo os jovens Pedri (19 anos), Gavi (18 anos), Pino (19 anos) e Nico Williams (20 anos).
A partir daí, se a selecção portuguesa já fora dando indícios de que o resultado a satisfazia – actuando quase sempre na expectativa –, passou, assumidamente, a “especular” com o jogo, procurando fazer a gestão do tempo; não tendo as substituições, tardias (em especial as entradas de Vitinha e Rafael Leão), resultado na alteração desse estado de espírito, não se tendo conseguido, sequer, aproveitar o maior balanceamento ofensivo espanhol.
À medida que o tempo se escoava, a Espanha foi empurrando cada vez mais a equipa portuguesa para o seu reduto defensivo, de onde, praticamente, não conseguiu sair nos derradeiros dez minutos.
O golo – com Morata a surgir completamente solto na zona da pequena área, a empurrar a bola, sem dificuldade, para o fundo da baliza –, que se ia já antecipando, apenas acabou por chegar tarde no jogo, mas, claro, no “timing” perfeito para a formação espanhola.
Depois do que sucedera na fase de qualificação para o Mundial, Portugal – tendo-se “posto a jeito” de novo – voltava a deixar escapar o apuramento (directo), nos últimos instantes do desafio final, quando, em ambos os casos (frente à Sérvia e à Espanha), apenas necessitava de empates caseiros.
Depois do “brilharete” de Praga, este jogo de Braga deixou “más sensações” para o Mundial, com início daqui a menos de dois meses. Têm a palavra os responsáveis, que deverão reflectir, nomeadamente sobre o modelo de jogo e atitude, e agir de forma atempada.
R. Checa – Portugal (Liga das Nações – 5.ª Jornada)
R. Checa – Tomáš Vaclík, David Zima, Jakub Brabec (22m – Ondřej Kúdela), Václav Jemelka, Vladimír Coufal, Tomáš Souček (77m – Jan Kuchta), Alex Král, Jaroslav Zelený (63m – Adam Vlkanova), Antonín Barák (63m – Petr Ševčík), Adam Hložek (63m – Václav Černý) e Patrik Schick
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, Danilo Pereira (83m – João Mário), Mário Rui, William Carvalho (77m – João Palhinha), Bruno Fernandes (77m – Matheus Nunes), Rúben Neves, Bernardo Silva (67m – Ricardo Horta), Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (67m – Diogo Jota)
0-1 – Diogo Dalot – 33m
0-2 – Bruno Fernandes – 45m
0-3 – Diogo Dalot – 52m
0-4 – Diogo Jota – 82m
Cartões amarelos – Não houve
Árbitro – Srđan Jovanović (Sérvia)
É difícil fazer a “leitura” de um jogo sem deixar que, de alguma forma, a mesma seja “contaminada” pelo resultado.
Os números finais – sendo que ficaram, ainda, mais alguns “golos” por marcar – expressam uma superioridade incontestável da equipa portuguesa, em reflexo de uma boa exibição, em especial a nível do sector nevrálgico do meio-campo.
Mas o jogo não foi pleno de facilidades. Poderá até especular-se: se a R. Checa tem convertido a grande penalidade, que, já em período de compensação do primeiro tempo, lhe permitira reduzir a desvantagem para 1-2, como teria evoluído a partida na segunda metade?
Depois de uma meia hora inicial em que não houve um claro domínio de qualquer das equipas, Portugal inaugurou o marcador na sequência de um lance iniciado por Diogo Dalot, com o próprio defesa lateral direito a ir conclui-lo: após ter passado a Bruno Fernandes, este cruzou, não tendo Cristiano Ronaldo conseguido desviar, escapando-se a bola para a zona do segundo poste, onde surgiu Rafael Leão – que teve o mérito de não dar o lance por perdido – a assistir Diogo Dalot, que tinha acompanhado o ataque.
E quando se pensava ir para o intervalo com 1-0, uma jogada colectiva, com William Carvalho a “descobrir” Mário Rui no flanco esquerdo, que faria um bom cruzamento, para Bruno Fernandes, na zona da pequena área, desviar para o fundo da baliza.
E, num ápice, lance na grande área portuguesa, com a bola a bater na mão de Ronaldo (que pareceu procurar proteger a face), originando a sanção de grande penalidade (por via do “VAR”), que Schick remataria por alto. Um lance que terá (pelo seu desfecho) reforçado a confiança da selecção nacional, enquanto, em paralelo, impediu um maior estímulo do conjunto adversário.
O “herói” improvável seria Diogo Dalot, a bisar na partida, poucos minutos depois do recomeço, sentenciando definitivamente o desfecho do encontro. Atrevendo-se novamente em zonas mais adiantadas do terreno, tirou mesmo um adversário do caminho, antes de rematar com êxito para a baliza.
A intensidade de jogo cairia, com naturalidade, com as duas formações “conformadas” com o resultado. Só já próximo do final Diogo Jota voltaria a “agitar as águas”, ampliando para um robusto 4-0, dando perfeita sequência a desvio de cabeça de Cristiano Ronaldo, ao primeiro poste.
Voltando ao início: uma vitória categórica, por números inusuais, frente a adversários desta craveira, e, para mais, em terreno alheio, de uma equipa personalizada, a carburar bem, e a dar sinais de grande confiança.
Beneficiando do imprevisto desaire da Espanha, derrotada, em casa, pela Suíça, Portugal retoma a liderança do grupo, abordando assim a “final” da próxima terça-feira, recebendo a turma espanhola, em vantagem, necessitando apenas de um empate para garantir o apuramento para a “Final 4” da Liga das Nações.



