Posts tagged ‘Selecção’
Portugal – Luxemburgo (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, Nélson Semedo (60m – João Cancelo), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, Diogo Dalot, Bruno Fernandes, Danilo Pereira (75m – Rúben Neves), Bernardo Silva (60m – Ricardo Horta), Diogo Jota, Rafael Leão (75m – Otávio) e Gonçalo Ramos (60m – João Félix)
Luxemburgo – Anthony Moris, Florian Bohnert (45m – Lars Gerson), Laurent Jans, Maxime Chanot (78m – Seid Korač), Enes Mahmutović, Michael “Mica” Pinto (54m – Vincent Thill), Yvandro Borges Sanches, Timothé Rupil (45m – Sébastien Thill), Leandro Barreiro, Danel Sinani e Alessio Curci (45m – Dirk Carlson)
1-0 – Gonçalo Inácio – 12m
2-0 – Gonçalo Ramos – 18m
3-0 – Gonçalo Ramos – 34m
4-0 – Gonçalo Inácio – 45m
5-0 – Diogo Jota – 58m
6-0 – Ricardo Horta – 67m
7-0 – Diogo Jota – 78m
8-0 – Bruno Fernandes – 83m
9-0 – João Félix – 88m
Cartões amarelos – Vincent Thill (55m), Enes Mahmutović (65m) e Lars Gerson (76m)
Árbitro – John Brooks (Inglaterra)
A discussão não terá uma conclusão definitiva, dado não ser possível fazer o contra-factual: a ausência de Cristiano Ronaldo (a cumprir jogo de castigo, devido ao cartão amarelo com que fora admoestado em Bratislava) teve influência no (notável) desempenho da selecção de Portugal neste jogo, ou ter-se-á tratado de uma coincidência? Com ele em campo teria a equipa portuguesa conseguido um resultado (e exibição) similar?
O que é facto é que Portugal fixou um novo “record” de goleadas, em mais de um século de história, superando o anterior máximo de 8-0, aplicado frente ao Liechtenstein (por duas vezes, em 1994 e em 1999, nas fases de qualificação para os “Europeus” de 1996 e 2000) e ao Kuwait (em 2003, em jogo particular).
Como se explica que tal tenha sucedido, justamente, ante a melhor selecção luxemburguesa das últimas (largas) décadas? Talvez, precisamente, por isso.
Nos quatro jogos disputados nesta fase de qualificação, frente aos restantes adversários, o Luxemburgo somou três vitórias (incluindo uma na Bósnia) e um empate (na Eslováquia), tendo sofrido um único golo… um contraste tremendo com os dois encontros com Portugal, nos quais encaixou um total de 15 golos!
Depois do 6-0 de Março, e atendendo à boa campanha que a equipa luxemburguesa vinha realizando, poderia até questionar-se – dadas também as exibições relativamente sombrias que a turma portuguesa vinha apresentando – se este jogo seria, de algum modo, susceptível a alguma (imprevista) surpresa.
Afinal, bastaram 18 minutos para colocar os luxemburgueses “KO”. Os dois golos sofridos num curto período de seis minutos desmontaram qualquer estratégia que o seleccionador contrário tivesse congeminado, numa abordagem que, distintamente do que foi característico da equipa durante numerosos anos, pretenderia ser mais ambiciosa e “atrevida”.
A partir daí, uma cada vez mais desconexa selecção do Luxemburgo, sem conseguir opor efectiva resistência, muito pouco conseguiria fazer para evitar o natural avolumar do resultado: ao intervalo eram já quatro os golos dos “Gonçalos” (ambos a bisar, com destaque para o defesa central do Sporting, Gonçalo Inácio, que se estreou a marcar).
De facto, “apenas” tiveram de dar boa sequência à avalanche de cruzamentos, ora de Bruno Fernandes, ora de Rafael Leão, verdadeiramente “endiabrados”, com realce para o centro-campista do Manchester United, em grande evidência.
E a toada do jogo não se alteraria na segunda metade: depois de Gonçalo Ramos e de Gonçalo Inácio, também Diogo Jota bisaria, havendo ainda oportunidade para Bruno Fernandes coroar a sua excelente exibição (três assistências para golo), marcando também, cabendo a João Félix fechar a contagem com um tento de assinalável execução técnica.
Chegou a pensar-se em atingir os “dois dígitos”, mas, nos minutos finais, os luxemburgueses cerraram fileiras em torno do seu sector defensivo, impedindo que se tivesse concretizado o 10-0. Mas, antes disso, outras flagrantes oportunidades tinham ficado por materializar, nomeadamente por Rafael Leão.
Para a história fica, não só a expressão do resultado – que, na continuidade dos jogos anteriores, se traduz num somatório de seis vitórias em seis jogos, e num fantástico “score” agregado de 24-0! – como, especialmente, a exibição quase “perfeita” realizada pelo colectivo português.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 6 6 - - 24 - 0 18 2º Eslováquia 6 4 1 1 8 - 2 13 3º Luxemburgo 6 3 1 2 7 -16 10 4º Islândia 6 2 - 4 10 - 9 6 5º Bósnia-Herzegovina 6 2 - 4 5 - 9 6 6º Liechtenstein 6 - - 6 1 -19 -
6ª jornada
11.09.2023 – Eslováquia – Liechtenstein – 3-0
11.09.2023 – Islândia – Bósnia-Herzegovina – 1-0
11.09.2023 – Portugal – Luxemburgo – 9-0
Eslováquia – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Martin Dúbravka, Peter Pekarík, Denis Vavro, Milan Škriniar, Dávid Hancko, Juraj Kucka (75m – László Bénes), Stanislav Lobotka (83m – Patrik Hrošovský), Ondrej Duda, Ivan Schranz (63m – Tomáš Suslov), Róbert Polievka (63m – Róbert Boženík) e Lukáš Haraslín (83m – Dávid Ďuriš)
Portugal – Diogo Costa, Diogo Dalot, Rúben Dias, António Silva, João Cancelo (62m – Nélson Semedo), João Palhinha, Bruno Fernandes, Vítor Ferreira “Vitinha” (62m – Otávio), Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão (62m – Pedro Neto)
0-1 – Bruno Fernandes – 43m
Cartões amarelos – Ivan Schranz (35m) e Ondrej Duda (53m); Cristiano Ronaldo (62m)
Árbitro – Glenn Nyberg (Suécia)
Este era, teoricamente, o jogo mais difícil desta fase de qualificação. Tendo sido superado com êxito, atingindo-se um “record” histórico de cinco vitórias em cinco jogos, com 15-0 no agregado de golos, a selecção portuguesa tem – cumprida que está apenas a primeira metade deste apuramento – praticamente garantida a presença na fase final, do próximo ano, na Alemanha.
Uma vez mais o resultado parece ter sido bem melhor que a exibição, com a equipa da Eslováquia a começar por mostrar-se aguerrida, pressionando logo à saída do meio-campo de Portugal, que denotava dificuldades em dar fluidez ao seu jogo ofensivo.
A formação da casa criaria mesmo algumas situações de perigo, em especial, já a findar a primeira parte, com um remate ao poste. Sucedeu tal imediatamente antes do que viria a ser o único golo da partida: em dia de aniversário (29 anos) Bruno Fernandes teve (e ofereceu) uma bela prenda, com um remate cruzado, sem hipótese de defesa para Dúbravka, na sequência de uma boa arrancada.
Em termos psicológicos e motivacionais o ascendente passara para o lado de Portugal. No segundo tempo, sem ter criado grandes oportunidades para ampliar a vantagem, a equipa nacional começou, gradualmente, a privilegiar o controlo do jogo… e do tempo.
Ainda assim, não evitaria mais um susto, pouco antes da hora de jogo, com um remate de Schranz, a sair ao lado da baliza de Diogo Costa. Até final, pese embora a formação da casa não tenha baixado os braços, o resultado não se alteraria.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 5 5 - - 15 - 0 15 2º Eslováquia 5 3 1 1 5 - 2 10 3º Luxemburgo 5 3 1 1 7 - 7 10 4º Bósnia-Herzegovina 5 2 - 3 5 - 8 6 5º Islândia 5 1 - 4 9 - 9 3 6º Liechtenstein 5 - - 5 1 -16 -
5ª jornada
08.09.2023 – Bósnia-Herzegovina – Liechtenstein – 2-1
08.09.2023 – Eslováquia – Portugal – 0-1
08.09.2023 – Luxemburgo – Islândia – 3-1
Islândia – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Rúnar Rúnarsson, Valgeir Lunddal Friðriksson (78m – Alfons Sampsted), Guðlaugur Victor Pálsson, Sverrir Ingason, Hördur Magnússon, Willum Þór Willumsson, Arnór Ingvi Traustason (75m – Ísak Bergmann Jóhannesson), Jóhann Guðmundsson, Albert Guðmundsson, Alfreð Finnbogason (75m – Sævar Atli Magnússon) e Jón Dagur Þorsteinsson (79m – Hákon Arnar Haraldsson)
Portugal – Diogo Costa, Rúben Dias, Pepe, Danilo Pereira (84m – Otávio), Diogo Dalot, Rúben Neves (67m – Gonçalo Inácio), Bruno Fernandes (84m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Cancelo (67m – Raphaël Guerreiro), Bernardo Silva (90m – Diogo Jota), Cristiano Ronaldo e Rafael Leão
0-1 – Cristiano Ronaldo – 89m
Cartões amarelos – Diogo Dalot (27m), Bernardo Silva (74m) e Cristiano Ronaldo (83m); Albert Guðmundsson (45m), Alfreð Finnbogason (45m), Willum Willumsson (70m) e Jón Dagur Þorsteinsson (74m)
Cartão vermelho – Willum Willumsson (81m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Como muitas vezes tem sucedido, o resultado acabou por ser melhor que a exibição: Portugal conseguiu, in extremis, manter o pleno de vitórias (quatro), preservando a sua baliza inviolada, totalizando agora 14 golos marcados!
Este jogo fica ainda assinalado por uma outra estatística inevitavelmente de relevo: a 200.ª internacionalização de Cristiano Ronaldo ao serviço da principal equipa da selecção nacional.
A equipa portuguesa pareceu entrar com boa iniciativa, assumindo o controlo do jogo, mas as investidas foram infrutíferas e a partida entrou numa fase de alguma modorra.
Sem conseguir encontrar antídoto para desmontar o sistema do adversário, Roberto Martínez ia tentando alternativas, e, desta feita, acabaria por ser o substituto de Rúben Neves (Gonçalo Inácio) a imprimir algum ritmo à partida, acabando por ser “premiado” com a assistência para o golo de Cristiano, mesmo ao “cair do pano”, aproveitando o facto de a Islândia se encontrar já, então, reduzida a dez elementos.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 4 4 - - 14 - 0 12 2º Eslováquia 4 3 1 - 5 - 1 10 3º Luxemburgo 4 2 1 1 4 - 6 7 4º Islândia 4 1 - 3 8 - 6 3 5º Bósnia-Herzegovina 4 1 - 3 3 - 7 3 6º Liechtenstein 4 - - 4 0 -14 -
4ª jornada
20.06.2023 – Bósnia-Herzegovina – Luxemburgo – 0-2
20.06.2023 – Islândia – Portugal – 0-1
20.06.2023 – Liechtenstein – Eslováquia – 0-1
Portugal – Bósnia-Herzegovina (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Diogo Costa, António Silva, Rúben Dias, Danilo Pereira, João Cancelo, Bernardo Silva (87m – Otávio), João Palhinha (87m – Diogo Jota), Bruno Fernandes, Raphaël Guerreiro (78m – Nélson Semedo), Cristiano Ronaldo e João Félix (62m – Rúben Neves)
Bósnia-Herzegovina – Ibrahim Šehić, Anel Ahmedhodžić, Siniša Saničanin, Adrian Leon Barišić (71m – Said Hamulić), Sead Kolašinac (78m – Jusuf Gazibegović), Amar Dedić, Gojko Cimirot, Amir Hadžiahmetović (71m – Benjamin Tahirović), Miroslav Stevanović, Miralem Pjanić (78m – Sanjin Prcić) e Edin Džeko (78m – Dal Varešanović)
1-0 – Bernardo Silva – 44m
2-0 – Bruno Fernandes – 77m
3-0 – Bruno Fernandes – 90m
Cartões amarelos – Danilo Pereira (51m); Miralem Pjanić (41m) e Benjamin Tahirović (84m)
Árbitro – Davide Massa (Itália)
Depois das goleadas nas duas rondas iniciais Portugal voltou a… “golear”. Defrontando uma selecção que terá pretensões a disputar a qualificação, a equipa nacional demorou a superar a organização defensiva contrária, mas, tendo aberto o marcador mesmo a findar a primeira parte, acabaria por ter um jogo tranquilo, que se saldaria por outros dois tentos, já na fase final da partida.
Durante o primeiro tempo a equipa portuguesa pouco fizera para confirmar o seu favoritismo, mas o golo de Bernardo Silva desbloquearia a situação: um lance bem trabalhado, com Raphaël Guerreiro a lançar Cristiano Ronaldo, que solicitou Bruno Fernandes, que poderia ter rematado, mas optou por assistir o recente Campeão Europeu pelo Manchester City.
Por seu lado, a Bósnia chegara a ameaçar, em duas ocasiões, com Diogo Costa a dar boa resposta numa delas, tendo Džeko, na outra, estado mal na finalização.
Na segunda metade o tempo foi correndo e o jogo só mudaria de configuração após a entrada de Rúben Neves, que, paradoxalmente – tendo saído João Félix – tornou as ofensivas portuguesas mais fluídas, mercê do bom entendimento com Bruno Fernandes, que se destacaria como o melhor elemento em campo, tendo bisado no desafio.
Antes do 3-0 final, nota ainda para uma boa oportunidade de Diogo Jota, negada pelo guardião Šehić.
No balanço geral não ficaram dúvidas sobre a superioridade de Portugal, num jogo, contudo, em que a exibição não foi consistente ao longo dos noventa minutos. Mas os números gerais são bem elucidativos: três jogos, três vitórias, 13-0 em golos!
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 3 3 - - 13 - 0 9 2º Eslováquia 3 2 1 - 4 - 1 7 3º Luxemburgo 3 1 1 1 2 - 6 4 4º Islândia 3 1 - 2 8 - 5 3 5º Bósnia-Herzegovina 3 1 - 2 3 - 5 3 6º Liechtenstein 3 - - 3 0 -13 -
3ª jornada
17.06.2023 – Luxemburgo – Liechtenstein – 2-0
17.06.2023 – Islândia – Eslováquia – 1-2
17.06.2023 – Portugal – Bósnia-Herzegovina – 3-0
Luxemburgo – Portugal (Europeu 2024 – Qualif.)
Luxemburgo – Anthony Moris, Laurent Jans, Marvin Martins (45m – Florian Bohnert), Maxime Chanot, Lars Gerson (45m – Dirk Carlson), Christopher Martins (82m – Sébastien Thill), Leandro Barreiro, Michael “Mica” Pinto, Gerson Rodrigues, Danel Sinani (45m – Mathias Olesen) e Vincent Thill (70m – Yvandro Borges Sanches)
Portugal – Rui Patrício, António Silva, Rúben Dias, Danilo Pereira, Diogo Dalot, João Palhinha (86m – Diogo Jota), Bruno Fernandes (75m – Rafael Leão), Nuno Mendes, Bernardo Silva (64m – Rúben Neves), João Félix (75m – Otávio) e Cristiano Ronaldo (64m – Gonçalo Ramos)
0-1 – Cristiano Ronaldo – 9m
0-2 – João Félix – 15m
0-3 – Bernardo Silva – 18m
0-4 – Cristiano Ronaldo – 31m
0-5 – Otávio – 77m
0-6 – Rafael Leão – 88m
Cartões amarelos – Vincent Thill (32m), Marvin Martins (37m), Christopher Martins (74m) e Leandro Barreiro (82m); Cristiano Ronaldo (57m)
Árbitro – Radu Petrescu (Roménia)
O adversário voltava a ser relativamente fraco, mas, ainda assim, de nível bem distinto do do Liechtenstein, como, aliás, deixara bem vincado, no jogo de estreia desta fase de qualificação, tendo imposto um nulo na deslocação ao terreno de um dos candidatos ao apuramento, Eslováquia.
E o jogo também nada teve a ver com o anterior, desta feita com uma exibição convincente da selecção portuguesa que, com pouco mais de um quarto decorrido, tinha já a vitória garantida.
Tendo Roberto Martínez introduzido três alterações no “onze”, com as entradas de António Silva, Diogo Dalot e Nuno Mendes (nos lugares, respectivamente, de Gonçalo Inácio, João Cancelo e Raphaël Guerreiro), e apesar de a entrada parecer ter-se processado a baixo ritmo, bastariam depois cerca de vinte minutos “diabólicos” (entre os 9 e os 31) para Portugal marcar por quatro vezes (com Cristiano Ronaldo, outra vez, a bisar – tendo João Félix e Bernardo Silva marcado… de cabeça)!
Sem dar hipóteses ao adversário, com uma pressão intensa, a equipa nacional assenhoreava-se da bola, e, sabendo perfeitamente o que fazer dela, dominou o jogo a seu bel-prazer.
Na segunda metade, conjugando-se já alguma tendência para a gestão do tempo, em função do resultado, com as alterações introduzidas na selecção luxemburguesa, a procurar “robustecer” o seu sector defensivo, Portugal só voltaria a ampliar a contagem já no derradeiro quarto de hora – tendo ainda Rafael Leão desperdiçado uma grande penalidade (possibilitando a defesa ao guardião contrário) – isto, numa fase em que, entretanto, o Luxemburgo até chegara já a ameaçar a baliza portuguesa.
O desfecho da partida pode ser considerado algo penalizador para o Luxemburgo, mas faz jus ao bom futebol desbobinado pela equipa portuguesa. Dois adversários “fáceis”, mas superados com distinção, neste “pontapé de saída” da fase de qualificação para o “Europeu” de 2024.
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 2 2 - - 10 - 0 6 2º Eslováquia 2 1 1 - 2 - 0 4 3º Islândia 2 1 - 1 7 - 3 3 4º Bósnia-Herzegovina 2 1 - 1 3 - 2 3 5º Luxemburgo 2 - 1 1 0 - 6 1 6º Liechtenstein 2 - - 2 0 -11 -
2ª jornada
26.03.2023 – Liechtenstein – Islândia – 0-7
26.03.2023 – Eslováquia – Bósnia-Herzegovina – 2-0
26.03.2023 – Luxemburgo – Portugal – 0-6
Portugal – Liechtenstein (Europeu 2024 – Qualif.)
Portugal – Rui Patrício, Danilo Pereira (67m – Rúben Neves), Rúben Dias, Gonçalo Inácio, João Cancelo, Bernardo Silva (78m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Palhinha, Bruno Fernandes (89m – João Mário), Raphaël Guerreiro, João Félix (67m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo (78m – Gonçalo Ramos)
Liechtenstein – Benjamin Büchel, Sandro Wolfinger (80m – Seyhan Yildiz), Andreas Malin (38m – Simon Lüchinger), Lars Traber, Jens Hofer, Livio Meier (60m – Fabio Wolfinger), Noah Frommelt, Sandro Wieser, Nicolas Hasler, Philipp Gassner (60m – Jakob Lorenz) e Aron Sele (80m – Niklas Beck)
1-0 – João Cancelo – 8m
2-0 – Bernardo Silva – 47m
3-0 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 51m
4-0 – Cristiano Ronaldo – 63m
Cartões amarelos – Não houve
Árbitro – Espen Eskås (Noruega)
Defrontando um adversário muito frágil, a selecção de Portugal entrou nesta fase de qualificação a golear – tal como esperado –, mas numa espécie de regime de “serviços mínimos”. Não é fácil “brilhar” face a um opositor deste calibre, que, concentrado no seu sector mais recuado, “não joga, nem deixa jogar”.
Na estreia do novo seleccionador, o espanhol Roberto Martínez, as novidades foram poucas: Rui Patrício voltou à baliza (devido a lesão de Diogo Costa), e Gonçalo Inácio estreou-se também, numa assumida defesa a três.
Independentemente da maior ou menor motivação para jogar perante este tipo de adversários, a equipa portuguesa sentiu muita falta de espaço: no comprimento, por “culpa” do Liechtenstein, que o procurou reduzir ao mínimo; na largura, por “culpa” própria, por falta de flanqueadores, que abrissem o jogo, que fossem à linha de fundo cruzar.
Pelo que o jogo de Portugal foi sempre, tendencialmente, afunilado, havendo sucessivos “engarrafamentos” na área contrária.
O primeiro golo, que poderia ser de alguma forma “desbloqueador” até chegou cedo; mas, daí até final da primeira parte, o absoluto domínio português foi também, por completo, infrutífero. Tendo, com facilidade, chegado ao 3-0 nos minutos iniciais do segundo tempo, o jogo “estava feito”.
A toada não se alterou, com a equipa nacional “dona da bola”, criando algumas oportunidades para ampliar a contagem, mas, bastante perdulária, apenas tendo obtido mais um tento, a fechar a contagem, com Cristiano Ronaldo a bisar, na conversão de um livre, marcando o seu 100.º golo pela selecção, em jogos “oficiais”, de competições (120, no total – em 197 jogos, no que passa a constituir também um “record mundial”).
GRUPO J Jg V E D G Pt 1º Portugal 1 1 - - 4 - 0 3 2º Bósnia-Herzegovina 1 1 - - 3 - 0 3 3º Eslováquia 1 - 1 - 0 - 0 1 3º Luxemburgo 1 - 1 - 0 - 0 1 5º Islândia 1 - - 1 0 - 3 - 6º Liechtenstein 1 - - 1 0 - 4 -
1ª jornada
23.03.2023 – Bósnia-Herzegovina – Islândia – 3-0
23.03.2023 – Eslováquia – Luxemburgo – 0-0
23.03.2023 – Portugal – Liechtenstein – 4-0
Mundial 2022 – 1/4 de final – Marrocos – Portugal
1-0
Yassine Bounou “Bono”, Achraf Hakimi, Romain Saïss (57m – Achraf Dari), Jawad El Yamiq, Yahya Attiyat-Allah, Sofyan Amrabat, Azzedine Ounahi, Selim Amallah (65m – Walid Cheddira), Hakim Ziyech (82m – Zakaria Aboukhlal), Sofiane Boufal (82m – Yahya Jabrane) e Youssef En-Nesyri (65m – Badr Benoun)
Diogo Costa, Diogo Dalot (79m – Ricardo Horta), Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro (51m – João Cancelo), Rúben Neves (51m – Cristiano Ronaldo), Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Otávio Monteiro (69m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix e Gonçalo Ramos (69m – Rafael Leão)
1-0 – Youssef En-Nesyri – 42m
Cartões amarelos – Vitinha (87m); Achraf Dari (70m) e Walid Cheddira (90m)
Cartão vermelho – Walid Cheddira (90m)
Árbitro – Facundo Tello (Argentina)
Al-Thumama Stadium – Doha (18h00 / 15h00)
Este foi um desafio cujo perfil era, em larga medida, expectável, quer a nível da solidez defensiva da selecção de Marrocos (um único golo sofrido nos quatro encontros anteriores, tendo deixado a “zero” adversários da craveira da Croácia, Bélgica e Espanha), como do natural assumir da iniciativa de jogo por parte da equipa portuguesa, que, pelo seu potencial, se perfilava como “favorita”.
O que não estaria no “programa” era sofrer um golo da formação marroquina, o que, claro, aumentaria sobremaneira o grau de dificuldade a transpor.
A verdade é que, desde início, Portugal nunca demonstrou ser capaz de evitar certa ambiguidade: a de, procurando jogar de forma ofensiva, não descurar, em paralelo, a segurança do seu sector mais recuado. Daí, talvez, a entrada em campo de Rúben Neves (apostando também na possibilidade do seu remate de “meia distância”, o que, porém, acabaria por não se proporcionar), por troca com William Carvalho.
Depois da concludente vitória sobre a Suíça, nos 1/8 de final, a equipa nacional voltaria a pecar em termos de ritmo, velocidade, alternâncias de flanco; numa palavra, em criatividade, que pudesse desmontar a organização contrária, que, qual “carraça”, não concedia um “centímetro” de espaço de manobra.
E, mais, desde cedo se constatou que Marrocos poderia ser, de facto, perigoso, porque, cada vez que recuperava a bola, ia mostrando que sabia “o que fazer com ela”, ensaiando rápidas transições, colocando sempre “em sentido” o meio-campo português.
Por seu lado, a selecção de Portugal viria a cair, de forma notoriamente excessiva, nos lançamentos em profundidade, face aos quais o adversário sempre esteve confortável.
Jogando a baixa intensidade, não só se viria a desperdiçar todos os primeiros 45 minutos, como, prestes a findar essa primeira metade, Marrocos chegaria ao tão receado golo. Num lance em que Diogo Costa se atrapalhou com Rúben Dias, surgiu Youssef En-Nesyri a antecipar-se de cabeça e a tocar a bola para o fundo das redes.
Até aí haviam sido escassas as oportunidades da equipa portuguesa, as três passando pelos pés de João Félix, a primeira delas logo nos minutos iniciais. E só depois do golo haveria outro lance de perigo, por Bruno Fernandes. Mas, todas essas tentativas, infrutíferas.
Com dificuldades em organizar o seu jogo, via-se Bernardo Silva a ter de recuar para a posição habitualmente ocupada no terreno por William, para ir “buscar a bola” e iniciar os lances de ataque. Ao intervalo, a opinião dos espectadores era “consensual”: era necessário fazer entrar em jogo Vitinha.
Após novo susto sofrido logo no recomeço, Fernando Santos foi lesto a fazer as primeiras alterações, fazendo entrar os “revoltados” Cancelo e Ronaldo, para os lugares de Guerreiro e Rúben Neves. Portugal avançava no terreno e empurrava ainda mais para trás a equipa de Marrocos, o que, paradoxalmente, aumentava o risco de poder vir a sofrer novo golo…
Logo ficaria a sensação de que – ainda com tanto tempo para jogar (mais de quarenta minutos) – começava a faltar algum discernimento, com a equipa a denotar grande ansiedade e algo precipitada, a querer fazer as coisas “depressa demais”, à medida que o “desespero” ia crescendo.
Perto da hora de jogo Gonçalo Ramos remataria ao lado, para, de seguida, ser outra vez Bruno Fernandes a não conseguir finalizar da melhor forma. Cristiano Ronaldo, com acção muito discreta durante todo o tempo em que esteve em campo, tentaria ainda a conversão de um livre, mas com a bola a embater na barreira. Nada saía bem…
Numa corrida contra o tempo Portugal via-se obrigado a “meter toda a carne no assador”: já após as entradas de Vitinha e Rafael Leão, numa opção de risco total, para os derradeiros dez/quinze minutos, seria o lateral direito Dalot a sair, por troca com Ricardo Horta, balanceando-se a equipa completamente para o ataque.
O conjunto marroquino deixava já transparecer sinais de grande fadiga, acantonando-se em torno da sua grande área, num instinto de auto-defesa, lutando pela “sobrevivência”. Antecipava-se que, caso a turma portuguesa conseguisse levar o jogo para prolongamento, poderia encontrar então maiores “facilidades” para ganhar.
Já em período de compensação Marrocos ficaria reduzido a dez elementos (dois cartões amarelos a Walid Cheddira num espaço de apenas dois minutos), e a situação era de “sufoco” total.
Porém, a ocasião mais “vistosa” de golo só surgiria mesmo a findar a partida, quando Pepe (a jogar, já então – saber-se-ia mais tarde –, com uma fractura no braço), em plena pequena área, não conseguiu dar o melhor desvio, de cabeça, à bola, que viria a sair ao lado.
Portugal, com muita transpiração, mas muito pouca inspiração, não teve a “ponta de sorte” que acabaria por premiar Marrocos, pelo sua grande abnegação, a quem tínhamos de dar os parabéns, sendo a primeira selecção africana a atingir as meias-finais de um Mundial.
Quanto à formação portuguesa, o resultado final obtido nesta competição é, claro, positivo (entre as oito melhores selecções do Mundo), mas, perante o alinhamento de jogos que se lhe deparou na fase a eliminar, a expectativa seria a de se alcançar, pelo menos, as tais semi-finais.
Com “altos e baixos”, num percurso algo irregular, em que se destaca, pela positiva, a exibição frente à Suíça, em contraponto aos desaires sofridos ante a Coreia do Sul e Marrocos, é inevitável acabarmos por ficar, todos, com um “amargo de boca”.
Mundial 2022 – 1/8 de final – Portugal – Suíça
6-1
Diogo Costa, Diogo Dalot, Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, William Carvalho, Bruno Fernandes (87m – Rafael Leão), Bernardo Silva (81m – Rúben Neves), Otávio Monteiro (74m – Vítor Ferreira “Vitinha”), João Félix (74m – Cristiano Ronaldo) e Gonçalo Ramos (74m – Ricardo Horta)
Yann Sommer, Manuel Akanji, Ricardo Rodríguez, Fabian Schär (45m – Eray Cömert), Edimilson Fernandes, Remo Freuler (54m – Denis Zakaria), Granit Xhaka, Djibril Sow (54m – Haris Seferović), Ruben Vargas (66m – Noah Okafor), Breel Embolo (89m – Ardon Jashari) e Xherdan Shaqiri
1-0 – Gonçalo Ramos – 17m
2-0 – Pepe – 33m
3-0 – Gonçalo Ramos – 51m
4-0 – Raphaël Guerreiro – 55m
4-1 – Manuel Akanji – 58m
5-1 – Gonçalo Ramos – 67m
6-1 – Rafael Leão – 90m
Cartões amarelos – Fabian Schär (43m) e Eray Cömert (59m)
Árbitro – César Arturo Ramos (México)
Lusail Stadium – Lusail, Al Daayen (22h00 / 19h00)
É inevitável: antes do jogo começar (e, também, no final, já depois de terminar, ao recolher, solitário, aos balneários), todas as atenções estavam focadas em Cristiano Ronaldo, com os “holofotes” (câmaras dos repórteres fotográficos) apontados para o “banco” da selecção portuguesa, onde, pela primeira vez, nos últimos largos anos, num desafio de cariz decisivo desta relevância, “foi deixado”.
Durante o jogo, por curiosa coincidência, seria o seu “substituto”, Gonçalo Ramos, a estar em grande evidência, a um nível que poucos julgariam possível, ao conseguir o primeiro “hat-trick” deste Mundial – também o jogador mais novo (21 anos) a alcançá-lo e, igualmente, o primeiro a marcar três golos e dar a assistência para outro tento, em partidas da fase a eliminar de um Campeonato do Mundo, desde a 2.ª edição da competição, em 1934 (altura em que o italiano Schiavio tinha obtido registo idêntico)!
E, já que se fala em “records”: Portugal, com os seis golos marcados, igualou igualmente a marca de maior número de golos obtidos em encontros dos 1/8 de final de Mundiais, que fora, antes (em 1938!), estabelecida pela Hungria e pelo Brasil.
Quanto ao jogo, em si, teve bastantes pontos de contacto com o que estas mesmas duas selecções tinham disputado há precisamente seis meses (a 5 de Junho), a contar para a Liga das Nações, em que Portugal goleara também, por 4-0, então com um “bis” de… Cristiano Ronaldo.
Alinhando com oito (!) jogadores que não tinham iniciado o desafio ante a Coreia do Sul (para além do guarda-redes, só Dalot e Pepe se mantiveram no “onze” titular), a equipa portuguesa voltou, tal como em Junho, a entrar mal, com dificuldades para encaixar no jogo suíço.
Ao fim de um quarto de hora Portugal parecia não ter ainda “entrado em campo”, quando, num ápice, se colocou em vantagem, fruto de uma excelente execução de Gonçalo Ramos, assistido por João Félix, num remate à meia-volta, a fazer a bola passar pelo “buraco da agulha”, entre o poste e (sobre) o guardião contrário.
Animada com o golo a selecção nacional daria então início a uma das melhores actuações dos últimos tempos, mostrando, a nível colectivo, boas dinâmicas (subsistindo sempre a dúvida de qual a quota-parte que coube efectivamente à sua acção própria, e até que ponto tal beneficiou igualmente da “perda de rumo” suíça que se viria a verificar durante a hora final do encontro).
Para além da muito feliz estreia de Gonçalo Ramos a titular, João Félix terá feito também a sua melhor exibição ao serviço do conjunto português, “enchendo o campo”, curiosamente, manobrando a partir de zona mais recuada do terreno. Diogo Dalot voltou a estar a bom nível, William Carvalho e Otávio garantiram a segurança que habitualmente conferem na zona intermediária.
Se a Suíça ainda ia procurando dar réplica, o segundo tento de Portugal, pouco passava da meia hora – com Pepe, a pouco mais de dois meses de completar 40 anos (!), a elevar-se mais alto que a defensiva contrária, a dar a melhor sequência ao canto cobrado por Bruno Fernandes, cabeceando para o fundo das redes –, seria o definitivo “game changer”; o golo que desarmaria a equipa helvética, a partir daí sem conseguir organizar-se para suster a avalancha ofensiva lusa.
No reatamento da partida, bastariam apenas mais cinco minutos para a formação nacional voltar a marcar, outra vez por Gonçalo Ramos (assistido por Dalot), antecipando-se, à boca da baliza, ampliando a contagem para 3-0, sentenciando definitivamente a contenda. E, logo de seguida, seria o habitualmente discreto Raphaël Guerreiro a estabelecer a goleada, desta feita a passe do mesmo Gonçalo, a culminar uma muito boa jogada de cariz colectivo.
Aproveitando (mais) uma desconcentração defensiva portuguesa, noutro lance de bola parada, a Suíça reduziria ainda para 1-4. Mas a vitória nunca pareceu poder vir a ser ameaçada: menos de dez minutos decorridos chegava o 5.º golo português, o “hat-trick” do jovem Ramos, a isolar-se e a “picar a bola” sobre Sommer, outra vez numa abertura “açucarada” de João Félix.
Com o “Estádio” a pedir a entrada de Ronaldo, Fernando Santos colocaria então em campo – mais tarde do que seria expectável (faltando jogar apenas cerca de um quarto de hora) – o capitão da selecção, ao mesmo tempo que aproveitava para dar alguma “poupança” de esforço aos elementos sujeitos a maior desgaste, como Félix, Ramos e Otávio (e, já na parte final, também a Bernardo Silva e Bruno Fernandes).
Já em tempo de compensação, e, tal como sucedera no desafio com o Ghana, Rafael Leão faria, escassos minutos após ter entrado em campo – numa fantástica execução, a rematar em arco, ao poste mais distante, deixando o guardião “pregado” ao solo – o sexto tento para Portugal, a fixar o resultado numa histórica goleada.
Voltando ao princípio: após o termo do jogo, e já depois de ter ido agradecer os aplausos do público, Cristiano retirou de campo sozinho, como que sentindo que aquela festa (que os restantes jogadores iam fazendo, no centro do terreno), de alguma forma “não era dele”, para a qual terá sentido não ter dado efectivo contributo.
Cristiano Ronaldo transpareceu ser, no seu íntimo, e neste momento, um homem “destroçado”, a precisar que lhe “dêem a mão”. Terá tido uma sensação de “exclusão” do grupo, como se os amigos o tivessem renegado. Diz o ditado que: «Na cama que farás, nela te deitarás». Pois, está a ter de assimilar, de forma dolorosa, uma lei inexorável da vida: dar lugar a outros.
Num momento de euforia colectiva com esta goleada, fica a ideia de que este ambiente poderá não ser o mais saudável para a nossa selecção, para o resto do Mundial. Será ainda possível reabilitar Cristiano (voltar a trazê-lo de regresso ao seio do grupo)?
Aceitando a sua actual condição, recuperando mentalmente, poderá ter ainda o tal (relevante) contributo a dar à equipa – desde logo nuns quartos-de-final em que se antecipa forte oposição de Marrocos (com forte solidez defensiva), que surpreendeu, eliminando a favorita Espanha.
Mundial 2022 – Coreia do Sul – Portugal
2-1
Kim Seung-Gyu, Kim Moon-hwan, Kwon Kyung-won, Kim Young-gwon (81m – Son Jun-ho), Kim Jin-su, Jung Woo-young, Lee Jae-sung (66m – Hwang Hee-chan), Hwang In-beom, Lee Kang-in (81m – Hwang Ui-jo), Son Heung-min e Cho Gue-sung (90m – Cho Yu-min)
Diogo Costa, Diogo Dalot, Pepe, António Silva, João Cancelo, Rúben Neves (65m – Rafael Leão), Ricardo Horta, Matheus Nunes (65m – João Palhinha), Vítor Ferreira “Vitinha” (82m – William Carvalho), João Mário (82m – Bernardo Silva) e Cristiano Ronaldo (65m – André Silva)
0-1 – Ricardo Horta – 5m
1-1 – Kim Young-gwon – 27m
2-1 – Hwang Hee-chan – 90m
Cartões amarelos – Lee Kang-in (36m) e Hwang Hee-chan (90m)
Árbitro – Facundo Tello (Argentina)
Education City Stadium – Al Rayyan, Doha (18h00 / 15h00)
O terceiro e último encontro da fase de grupos só não foi “mais do mesmo” porque Portugal praticamente entrou a ganhar, não dando azo a um sistema defensivo tão rígido por parte do opositor.
À parte isso – e com Fernando Santos a fazer rodar seis jogadores (entradas de Diogo Dalot, António Silva, Ricardo Horta, Matheus Nunes, Vitinha e João Mário, por troca com Nuno Mendes/Raphaël Guerreiro, Rúben Dias, Wiliam Carvalho, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Félix, em repouso – o ritmo de jogo foi ainda substancialmente mais baixo (em especial na segunda parte, em que, literalmente, se chegou a “arrastar”).
Com o apuramento já previamente confirmado e o 1.º lugar do grupo “prometido” (pouco depois da meia hora de jogo o Uruguai já ganhava por 2-0 ao Ghana, pelo que essa posição só fugiria aos portugueses se os ganeses marcassem três golos e Portugal perdesse por dois golos de diferença), o tempo correu vagarosamente, numa modorra de que ninguém parecia despertar.
O que, por seu lado, convinha aos coreanos, que, enquanto se mantivesse o empate, tinham esperança de que poderia, a qualquer momento, suceder um “golpe de sorte” que lhes proporcionasse o golo, quanto bastava para garantirem o apuramento (desde que o Uruguai não ampliasse a vantagem no outro jogo…).
A entrada de Portugal em campo foi boa, com Dalot a “dar nas vistas”, a subir até à linha de fundo, e a oferecer o golo a Ricardo Horta, que não se fez rogado, finalizando com uma bela execução.
Este tento inaugural não provocaria grandes alterações na forma de jogar das duas equipas, com “sinal mais” da equipa portuguesa, mas os coreanos a procurar oferecer a réplica possível.
Até que, num canto, o primeiro sinal de um “dia de sorte” para a Coreia, com a bola a tabelar nas costas de Cristiano Ronaldo (em acção defensiva), e a sobrar para os pés de Kim Young-gwon, que não desperdiçou a soberana oportunidade.
Para além de Diogo Dalot, Vitinha era quem maior inconformismo demonstrava, a “pedir” um lugar no “onze”. Mas esteve sempre muito desacompanhado, pelo que, ao intervalo, o resultado não destoava da exibição das duas equipas.
O segundo tempo praticamente não tem história… A equipa portuguesa, muito a espaços, lá ia tentando sacudir a letargia, mas nem as substituições operadas tiveram qualquer efeito notório (à parte mais um episódio de manifestação de extrema “azia”, por parte de Cristiano Ronaldo, ao ser substituído, num “desabafo” urbi et orbi, para as câmaras, direccionado ao seleccionador, que «estaria com demasiada pressa para o tirar de campo»).
A verdade é que Cristiano teve uma tarde desastrada, com um cabeceamento completamente desconexo (mesmo que se tratasse de um lance em que a bola não seria fácil de dominar) e mais um par de intervenções pouco condizentes com o seu “estilo”.
Chegava então o momento em que Paulo Bento (ausente do banco, por expulsão no final do jogo da Coreia com o Ghana) entenderia que nada tinha a perder, e, ao contrário, poderia ainda ter “tudo a ganhar”.
E teve toda a “felicidade”, na competência do incansável Son: num pontapé de canto a favor de Portugal, já em período de compensação, os coreanos recuperam a bola, com o jogador do Tottenham a correr velozmente todo o campo, praticamente de baliza a baliza, e, no momento preciso, a libertar o esférico para Hwang Hee-chan fazer o golo da vitória!
Para um “final feliz” da Coreia do Sul, seria ainda necessário esperar – após o termo do desafio – praticamente dez “longos minutos” (a segunda parte do Uruguai-Ghana tinha arrancado quase sete minutos depois do reatamento do Portugal-Coreia, tendo tido ainda um período de compensação mais alargado) para confirmar um histórico apuramento para os 1/8 de final (repetindo as proezas de 2002 – em que tinham também derrotado a selecção portuguesa, acabando por chegar às meias-finais, e de 2010).
Já Portugal a única coisa que poderá ter ganho com este desafio foi uma lição, de humildade, de entrega ao jogo, e de concentração. E uma oportunidade para melhorar (muito) o que de menos bom se fez, talvez dando a devida atenção aos sinais protagonizados por Diogo Dalot e por Vitinha.
Mundial 2022 – Portugal – Uruguai
2-0
Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Pepe, Nuno Mendes (42m – Raphaël Guerreiro), Wiliam Carvalho (82m – João Palhinha), Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Neves (69m – Rafael Leão), João Félix (82m – Matheus Nunes) e Cristiano Ronaldo (82m – Gonçalo Ramos)
Sergio Rochet, José María Giménez, Diego Godín (62m – Facundo Pellistri), Sebastián Coates, Guillermo Varela, Federico Valverde, Rodrigo Bentancur, Matías Vecino (62m – Giorgian De Arrascaeta), Mathias Olivera (86m – Matías Viña), Edinson Cavani (72m – Luis Suárez) e Darwin Núñez (72m – Maximiliano Gómez)
1-0 – Bruno Fernandes – 54m
2-0 – Bruno Fernandes (pen.) – 90m
Cartões amarelos – Rúben Neves (38m), João Félix (77m) e Rúben Dias (89m); Rodrigo Bentancur (6m) e Mathias Olivera (44m)
Árbitro – Alireza Faghani (Irão)
Lusail Stadium – Lusail, Al Daayen (22h00 / 19h00)
Este foi um jogo com bastantes pontos de contacto com a partida de estreia de Portugal no Mundial, outra vez a assumir a iniciativa e com domínio a nível da posse – mesmo que não tivesse sido o “dono da bola” em tão larga extensão como sucedera no encontro ante o Ghana.
O Uruguai não foi, igualmente, tão “inofensivo” quanto o tinham sido os africanos na primeira parte daquele desafio, mas, ainda assim, não deixou de surpreender alguma passividade de quem, teoricamente, estaria mais necessitado de ganhar o jogo, privilegiando, durante largo período, o procurar “não deixar jogar o adversário”.
Com Danilo lesionado, entrou Pepe para o eixo defensivo; pelo mesmo motivo, Otávio foi também substituído por William. Fernando Santos arriscou ainda fazer alinhar de início Nuno Mendes (no lugar de Guerreiro), mas esta troca não correria bem, visto que o lateral se viria a ressentir de lesão, acabando por ter de sair ainda antes do intervalo.
A equipa portuguesa repetiu uma actuação com muitas trocas de bola, mas, muitas vezes, passes curtos e lateralizados, de novo com a pecha da falta de velocidade, sem a dinâmica necessária para criar desequilíbrios e, consequentemente, poder romper a estrutura defensiva adversária.
Não obstante tenha efectuado nove tentativas de remate à baliza, a melhor oportunidade de golo, durante a primeira parte, seria do Uruguai, com Diogo Costa – redimindo-se da desconcentração do final da partida com o Ghana – a executar excelente defesa… uma intervenção que “valeu um golo” (negado a Bentancur).
Tal como sucedera no primeiro jogo, o tento inaugural surgiria de forma algo fortuita, num lance “estranho”: um centro “bombeado” de Bruno Fernandes para a zona da pequena área, com Cristiano Ronaldo a aparecer desmarcado, a aplicar a sua tradicional capacidade de impulsão, mas, desta feita – mesmo que tenha “reclamado” ter desviado a bola – a não conseguir, por “milímetros”, tocar-lhe… ainda assim, o seu gesto técnico (“cabeceamento na atmosfera”) seria determinante para ludibriar o guardião uruguaio, que ficou desarmado, a ver a bola seguir uma trajectória directa à sua baliza.
Com o tempo a passar e o resultado a manter-se, sem “nada a perder”, o Uruguai procurou agitar o jogo, trocando a dupla de avançados (fazendo entrar Suárez e Maxi Gómez para os lugares de Cavan e Darwin). E seria Gómez a provocar o maior “susto” para Portugal, acertando no poste, escassos minutos após ter entrado em campo.
O seleccionador português optou então por fechar os caminhos para a baliza, com as entradas de Palhinha e Matheus Nunes – isto já depois de nova aposta em Rafael Leão não ter sido, desta vez, tão bem sucedida.
Até final Portugal conseguiria manter a bola afastada do seu reduto defensivo, não dando possibilidades aos uruguaios. E, já em período de compensação, num muito controverso lance de contacto da bola com o braço (de Giménez, em queda, apoiando-se no chão), numa interpretação inapropriada por parte do “VAR”, originou o bis de Bruno Fernandes, na conversão da consequente grande penalidade.
Com a equipa Uruguai “entregue”, conformada com a derrota, a equipa nacional poderia ter ainda ampliado a contagem, por duas vezes, e, novamente, através de um inspirado Bruno Fernandes, primeiro com Rochet a “tapar a baliza”, e, de imediato, com um remate ao poste. A ter sucedido, o 3-0 teria sido punição demasiado severa para os sul-americanos, não justificando a exibição da formação portuguesa tal desnível no marcador.
Portugal conseguia a “desforra” da eliminação (nos 1/8 de final) do Mundial de 2018, ante esta mesma selecção do Uruguai, garantindo, ainda com um jogo por disputar, o apuramento para tal fase a eliminar – desta vez sem necessidade de recurso “à calculadora”.



