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Liga dos Campeões – 1/4 final (2.ª mão) – Liverpool – Benfica
Liverpool – Alisson Becker, Joseph “Joe” Gomez, Ibrahima Konaté, Joël Matip, Konstantinos “Kostas” Tsimikas, Naby Keïta, James Milner (57m – Thiago Alcântara), Jordan Henderson (57m – Fábio Tavares “Fabinho”), Diogo José “Jota” (57m – Mohamed Salah), Luis Díaz (66m – Sadio Mané) e Roberto Firmino (90m – Divock Origi)
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Gil Dias), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Everton Soares (90m – André Almeida), Julian Weigl, Adel Taarabt (66m – João Mário), Diogo Gonçalves (45m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (78m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez
1-0 – Ibrahima Konaté – 21m
1-1 – Gonçalo Ramos – 32m
2-1 – Roberto Firmino – 55m
3-1 – Roberto Firmino – 65m
3-2 – Roman Yaremchuk – 73m
3-3 – Darwin Núñez – 82m
Cartões amarelos – Não houve
Árbitro – Serdar Gözübüyük (Países Baixos)
Como seria expectável confirmou-se o final da campanha do Benfica na presente edição da “Liga dos Campeões”. Mas, também como aqui escrevera na semana passada, o Benfica saiu da competição de “cabeça erguida”. Mais, surpreendeu até, impondo um empate (a três golos!) em Anfield Road, ante o poderosíssimo Liverpool.
Devido a falhas próprias (outra vez a sofrer golos de lances de “bola parada”, denotando fragilidades defensivas) a equipa portuguesa nunca conseguiu, efectivamente, reentrar na eliminatória. Mas tal até poderia ter acontecido, não fosse a sensacional defesa de Alisson, ao que teria sido o 4-3 para o Benfica, já perto do minuto 90. Um golo que, a ter ocorrido, poderia ter ainda lançado dúvida substancial no espírito dos jogadores da casa…
Sendo que, para além dos três tentos – e do tal lance do hipotético “4-3” – a turma benfiquista viu ainda invalidados outros dois “golos”, o que demonstra bem a personalidade com que enfrentou o adversário.
É, igualmente, verdade que o Liverpool, depois de ter consentido o empate a um, tratou de “fechar” outra vez a eliminatória, com o bis de Roberto Firmino, e que, a partir daí, voltou a “descansar” sobre a vantagem de que dispunha, em gestão para novo embate com o Manchester City, para as meias-finais da Taça de Inglaterra (numa lógica de activa “rotação” do plantel, Klopp fizera alinhar, logo de início, apenas quatro dos jogadores que tinham começado o desafio no Estádio da Luz: o guarda-redes Alisson Becker, Konaté, Keïta e Luis Díaz).
Pois, seria precisamente o defesa central, Konaté, na sequência de um canto, a inaugurar outra vez o marcador, tal como sucedera na Luz, e, praticamente na mesma fase, ainda na metade inicial do primeiro tempo. Isto, depois de Everton ter criado perigo junto da baliza contrária, logo aos 13 minutos… mas, também, de Vlachodimos ter já “dito presente”, a “adiar” a chegada do primeiro golo do Liverpool.
Reagindo bem, privilegiando as transições rápidas – quase de imediato Darwin, depois de “picar” a bola sobre Alisson, veria o primeiro lance de golo invalidado pela arbitragem –, apenas cerca de dez minutos volvidos após o tento sofrido, Gonçalo Ramos restabeleceria mesmo a igualdade, dando o melhor aproveitamento, sem vacilar, a um ressalto de bola, que o deixara isolado.
Até final da primeira parte, perdura ainda a imagem do sensacional desarme de Grimaldo, antecipando-se a Luis Díaz, a “tirar o pão da boca” ao colombiano, que se aprestava para visar a baliza.
No recomeço Nélson Veríssimo apostou na entrada de Yaremchuk (por troca com Diogo Gonçalves, que “substituira” o lesionado Rafa), procurando reforçar o sector ofensivo. Porém, uma dupla falha, de Vlachodimos e Vertonghen, possibilitou a Firmino recolocar a sua equipa em vantagem, apenas com dez minutos decorridos. E, mais outros dez minutos passados, o brasileiro, não enjeitando as “facilidades”, bisava.
Klopp fizera já entrar em jogo Thiago Alcântara, Fabinho e Salah, a que se juntaria ainda, de imediato após o 3-1, Sadio Mané – alterações a fazer recear que o “placard” pudesse continuar a subir, a favor do Liverpool.
Mas, nessa altura, já a equipa inglesa “desligara os motores”, e o Benfica não se faria também rogado, aproveitando o espaço livre nas costas do sector recuado do adversário, para reequilibrar a contenda. O ucraniano isolar-se-ia, desviando-se de Alisson, para reduzir para 2-3.
E, numa jogada com semelhanças, Darwin voltaria também a marcar ao Liverpool (depois de ter já bisado, nesta edição da prova, ante o Barcelona, e de ter marcado igualmente frente ao Bayern e ao Ajax), restabelecendo o empate a 3-3! (Por curiosidade, ambos os golos começaram por ser sancionados com “fora-de-jogo” por parte do árbitro assistente, vindo a ser validados por via da análise do “VAR”).
Faltavam jogar oito minutos mais o tempo de compensação e o jogo estava “partido”, com desequilíbrios defensivos de um lado e de outro. Mas a tal ocasião soberana para o 4-3, a favor do Benfica, surgiria já tarde, e, pior, sairia gorada, pela soberba intervenção de Alisson. E, por seu lado, também Mané, em posição irregular, teria um “golo” não validado.
O desafio chegava ao fim. O Liverpool “respirava fundo”, perante uma evolução inesperada dos contornos do jogo, nos derradeiros vinte minutos, protagonizada por um Benfica corajoso, a mostrar grande carácter, na melhor das suas exibições nesta fase a eliminar.
Uma “missão impossível” que esteve “a um passo” de poder vir a tornar-se “possível” (pelo menos, o forçar do prolongamento), mesmo que se tenha em consideração que tal foi, em larga medida, “concedido” pelo Liverpool, muito confiado na vantagem que alcançara já. Mas, em paralelo, a confirmação de que o acreditar é uma força motriz determinante.
Os (mais de quatro mil) adeptos, satisfeitos com a exibição e atitude demonstrada, envoltos no “espírito de Anfield”, “vitoriariam” demoradamente a equipa, que teria inclusivamente de voltar ao relvado, já depois de ter começado por recolher às cabinas.
Liga dos Campeões – 1/4 de Final (1.ª mão)
Chelsea – Real Madrid – 1-3
Manchester City – At. Madrid – 1-0
Villarreal – Bayern – 1-0
Benfica – Liverpool – 1-3
Liga dos Campeões – 1/4 final (1.ª mão) – Benfica – Liverpool
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (70m – Soualiho Meïté), Everton Soares (82m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (86m – João Mário) e Darwin Núñez
Liverpool – Alisson Becker, Trent Alexander-Arnold (89m – Joseph “Joe” Gomez), Ibrahima Konaté, Virgil Van Dijk, Andrew “Andy” Robertson, Naby Keïta (89m – James Milner), Fábio Tavares “Fabinho”, Thiago Alcântara (61m – Jordan Henderson), Mohamed Salah (61m – Diogo José “Jota”), Luis Díaz e Sadio Mané (61m – Roberto Firmino)
0-1 – Ibrahima Konaté – 17m
0-2 – Sadio Mané – 34m
1-2 – Darwin Núñez – 49m
1-3 – Luis Díaz – 87m
Cartões amarelos – Adel Taarabt (63m); Thiago Alcântara (58m)
Árbitro – Jesús Gil Manzano (Espanha)
Foi “pena” o golo sofrido já à beira do fim… o 1-2 permitiria ainda levar a eliminatória “viva” para Liverpool. Mas, efectivamente, o resultado poderia ter sido bastante mais gravoso para o Benfica, e, logo, na metade inicial do jogo.
As equipas portuguesas têm vindo, sucessivamente, a demonstrar, perante este tipo de adversários do mais alto gabarito (veja-se os casos de jogos do FC Porto, Sporting e Benfica, frente a Liverpool, Manchester City e Bayern – hoje por hoje, as melhores equipas do Mundo), enorme dificuldade em delinear uma abordagem que possa ser consentânea / minimamente adaptada face às necessidades, atendendo à exigência a nível competitivo e de intensidade que tais rivais impõem: “jogar o jogo pelo jogo” seria assumir uma espécie de “hara-kiri”; acantonar-se à defesa, não tem proporcionado muito melhores resultados.
Ainda assim, uma coisa é jogar à defesa – como o Benfica fez em Amesterdão – frente a um opositor do nível do Ajax, com alguma probabilidade, como sucedeu, de “correr bem”; outra coisa, distinta, é defrontar um dos clubes antes referidos.
Pois, algo atemorizado perante o poderio do Liverpool, o Benfica insistiu na estratégia defensiva, “encolhendo-se” de tal maneira, que, objectivamente, abdicou de competir, durante larga fase do primeiro tempo.
Foi um “convite” – ao qual a equipa inglesa acedeu de bom grado – a que o oponente, com amplo espaço livre na zona intermediária do campo, viesse para cima da defesa benfiquista, necessariamente impotente para dar resposta a todas as investidas, múltiplos cruzamentos, diagonais, rupturas diversas, incapaz de controlar a profundidade do futebol ofensivo contrário.
Um golo aos 17 minutos; um segundo decorridos outros 17 minutos e Vlachodimos a impedir que o “placard” subisse até aos 4 ou 5 ainda na primeira metade, perante uma equipa do Benfica “à deriva” dentro de campo, incapaz de encontrar o posicionamento que lhe permitisse resistir ao turbilhão.
Ficou por compreender exactamente se a configuração do jogo na segunda metade terá decorrido mais de alguma “soberba” do Liverpool, confiado nas excessivas facilidades com que até aí deparara, pensando estar a eliminatória resolvida, tirando o “pé do acelerador”, se, ao invés, foi o Benfica a conseguir assumir e impor um outro tipo de abordagem.
A verdade é que, mal as equipas tinham regressado ao relvado, já o Benfica estava a reduzir o marcador para a diferença mínima, na sequência de um bom cruzamento, do flanco direito, de Rafa, com o central Konaté (que apontara o tento inicial da partida, na sequência de um pontapé de canto, cabeceando em plena liberdade no eixo da área benfiquista) desastradamente a falhar a intercepção, e Darwin, com uma calma notável, a dominar a bola e a desviá-la do alcance do guarda-redes.
O golo teve o condão de animar a Luz, com os adeptos – recordando-se do que sucedera no jogo da 1.ª mão, frente ao Ajax -, numa atmosfera de crescente e vibrante entusiasmo (num Estádio praticamente lotado) a levarem a “equipa ao colo”, dando força e energia para que o Benfica conseguisse superar-se, melhorando a sua produção de forma assinalável.
Durante um período de cerca de vinte minutos, o Benfica superiorizou-se (!) ao adversário, baralhando-o, com o Liverpool, inesperadamente, a ser permeável a sucessivos lances de ataque organizado e/ou de transição, que os benfiquistas iam conseguindo desenvolver.
O Benfica jogava bem – bastante melhor até do que tinha feito em Amesterdão. De tal forma que se passou a acreditar piamente que era possível chegar ao empate. Que Everton teve nos pés, quando, enquadrado com a baliza, liberto de marcação, fez um remate que saiu fraco, e à figura de Alisson. O próprio Darwin teria ocasião de bisar.
Em gestão de esforço – tendo em mente o que poderá ser o “desafio do título”, no Domingo, em Manchester, ante o City – Klopp procedeu, à passagem da hora de jogo, a “rotação”, fazendo entrar, simultaneamente, Diogo Jota, Firmino e Henderson, numa tripla substituição, para os lugares de Salah, Mané e Thiago Alcântara.
O fulgor benfiquista ia-se desvanecendo, à medida que a equipa começava a acusar alguma inevitável fadiga, perante a intensidade do desafio, com o Liverpool, gradualmente, a retomar o controlo.
Depois da bela reacção benfiquista, o tal terceiro golo soou a punição excessiva, mesmo que o desfecho final (margem da vitória inglesa) não esteja desfasado do desempenho das duas equipas dentro de campo, na globalidade do tempo de jogo.
Ficou a demonstração de que é possível competir, mesmo que seja muito difícil fazê-lo durante os noventa minutos, ao ritmo estabelecido por adversários deste quilate. O Benfica parece próximo de finalizar a sua campanha desta temporada na “Liga dos Campeões”, mas, pelo que fez esta noite, poderá sair de “cabeça erguida”… desde que consiga “estar à (sua) altura” na partida em Inglaterra.
Liga dos Campeões – Sorteio dos 1/4 de Final e das 1/2 Finais
1/4 de final
Chelsea – Real Madrid
Manchester City – At. Madrid
Villarreal – Bayern
Benfica – Liverpool
Os jogos da primeira mão serão disputados nas seguintes datas: 5 e 6 de Abril. Por seu lado, as partidas da segunda mão estão agendadas para 12 e 13 de Abril.
1/2 finais
Manchester City / At. Madrid – Chelsea / Real Madrid
Benfica / Liverpool – Villarreal / Bayern
Os jogos das meias-finais estão agendados para 26 e 27 de Abril (1.ª mão) e 3 e 4 de Maio (2.ª mão).
Liga dos Campeões – 1/8 de final (2.ª mão)
2ª mão 1ª mão Total Bayern - Salzburg 7-1 1-1 8-2 Manchester City - Sporting 0-0 5-0 5-0 Ajax - Benfica 0-1 2-2 2-3 Lille - Chelsea 1-2 0-2 1-4 Manchester United - At. Madrid 0-1 1-1 1-2 Juventus - Villarreal 0-3 1-1 1-4 Liverpool - Inter 0-1 2-0 2-1 Real Madrid - Paris St.-Germain 3-1 0-1 3-2
Três equipas inglesas, outras tantas espanholas (esta época sem o Barcelona, mas com a “novidade” Villarreal), uma portuguesa e outra alemã, compõem o alinhamento dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Pelo caminho ficaram, para além dos galácticos do Paris Saint-Germain (com Messi, Mbappé e Neymar), o Manchester United (de Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes e Diogo Dalot) e os dois representantes italianos (Inter e Juventus), tendo a França ficado igualmente sem representação, também em função da eliminação do Lille.
Liga dos Campeões – 1/8 final (2.ª mão) – Ajax – Benfica
Ajax – André Onana, Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (90m – Mohammed Kudus), Lisandro Martínez, Daley Blind, Edson Álvarez (81m – Brian Brobbey), Steven Berghuis (81m – Davy Klaassen), Ryan Gravenberch, Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Valentino Lazaro), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Adel Taarabt (45m – Soualiho Meïté), Julian Weigl, Everton Soares (72m – Roman Yaremchuk), Rafael “Rafa” Silva, Gonçalo Ramos (90m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez (81m – Diogo Gonçalves)
0-1 – Darwin Núñez – 77m
Cartões amarelos – Jurriën Timber (83m), Daley Blind (90m) e Ryan Gravenberch (90m); Gonçalo Ramos (67m)
Árbitro – Carlos del Cerro Grande (Espanha)

Não foi, claro, uma exibição de “encher o olho”, no sentido em que o Benfica esteve muito longe – antes pelo contrário – de exercer o domínio do jogo. Precisamente, perante um adversário com cariz muito mais talhado para assumir a iniciativa atacante, a equipa benfiquista soube unir-se, de forma solidária, atingindo, nesse aspecto, desempenho de grande competência em termos defensivos, ao mesmo tempo que viu coroado de plena eficácia o seu único remate enquadrado com a baliza adversária!
Antecipava-se já a forte entrada do Ajax, empurrando o adversário para o seu reduto defensivo, com a bola a percorrer as imediações da área, nessa fase inicial com a equipa da casa, com forte pressão, a ameaçar cada vez com maior veemência, fazendo recear a possibilidade de chegada do golo (ganhando vários cantos, com sucessivos cabeceamentos, mas, efectivamente, sem grande perigo iminente).
O volumoso trabalho que a dupla Otamendi-Vertonghen ia tendo pela frente, foi auxiliado pelo recuo de Weigl, enquanto Taarabt era uma espécie de “duplo” de Gilberto, na lateral direita. Numa partida que requeria enorme dose de paciência – e quase absoluto rigor defensivo -, o Benfica conseguiu alcançar um equilíbrio mental, gradualmente reforçado à medida que o tempo ia avançando.
Ao intervalo, Nélson Veríssimo substituiria o marroquino por Meïté, visando controlar de forma mais eficaz as ofensivas pelo flanco esquerdo adversário, que, no decurso do segundo tempo, ia começando a denotar indícios de algum bloqueio – fazendo, de alguma forma, recordar o que se passara em Eindhoven, com o PSV, na 2.ª mão do play-off.
Conforme então sucedera, com o rolar dos minutos, viria, progressivamente, a instalar-se a dúvida na mente dos jogadores do Ajax, em contraponto a um crescente acreditar por parte dos benfiquistas. A missão era simples: com o tempo a começar correr a seu favor, o Benfica procurava, em primeira instância, ir assegurando a inviolabilidade da sua baliza, de forma a levar o mais longe possível a discussão da eliminatória… na expectativa de que pudesse, por acréscimo, vir a alcançar ainda algo mais.
O tal “acreditar” ou maior confiança no que a equipa ia desenvolvendo dentro de campo – a par da necessidade de refrescar o “onze”, submetido a intenso desgaste – levou o treinador português a fazer entrar em campo o ucraniano Yaremchuk, por troca com Everton, visando suster a subida no terreno dos defesas contrários, procurando, de alguma forma, manter o adversário “em sentido”.
E o bónus, do golo do Benfica, acabaria mesmo por chegar, apenas cinco minutos volvidos: num livre, ao estilo de um canto mais curto, Grimaldo fez um centro com “conta, peso e medida” para a zona da pequena área, onde, muito oportuno, surgiu Darwin, a antecipar-se ao guardião contrário, desviando a bola, de cabeça, para o fundo das redes.
Logo se percebeu que – ante tal rude golpe anímico – muito dificilmente o Ajax conseguiria reagir da forma de que necessitaria, porque, então, era já impraticável manter a serenidade, ao mesmo tempo que a crença se mudara por completo para o lado oposto. No (já escasso) tempo que restava o Campeão dos Países Baixos não teria “arte” para construir o que, afinal, em cerca de 80 minutos, não conseguira: efectivas ocasiões de perigo.
De facto, num balanço global, tendo o Ajax evidenciado manifesta superioridade em termos de posse de bola (69/31%), assim como em número de pontapés de canto (10/4), o duelo foi muito mais equilibrado a nível de remates à baliza (2/1), com os jogadores locais a não conseguirem esconder, no período final, a frustração pela impotência revelada – seria, aliás, Yaremchuk a desaproveitar a mais flagrante oportunidade de golo de todo o desafio, isolado frente a Onana, já no 97.º e derradeiro minuto…
Muito competente na execução do plano de jogo, tendo conseguido anular por completo o reconhecido poderio ofensivo do adversário (depois das partidas de Moscovo, Eindhoven, Kiev e Barcelona, esta foi a 5.ª vez, em seis desafios fora de casa nesta edição da prova, que preservou a “clean sheet” da sua baliza), a equipa portuguesa foi premiada, necessariamente com felicidade, pela grande eficácia.
Em qualquer caso, um embate a reavivar as noites europeias de glória do Benfica, superando, em terreno alheio – com o apoio entusiástico de cerca de três milhares de adeptos –, um rival mítico como é o Ajax (sagrado Campeão Europeu por quatro vezes), como que numa desforra face à história das eliminações de 1969 (nos quartos-de-final) e de 1972 (nas meias-finais), ambas sob a égide da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
O Benfica alcança os quartos-de-final da maior prova de clubes do Mundo pela 18.ª vez no seu historial – num total de 41 participações –, a que acresce ainda a presença, em 1992, nos “últimos 8” (então com a fase final da competição, no ano “pré-Champions”, como que num ensaio para a reformulação do modelo competitivo, a ser disputada por dois grupos de quatro clubes, tendo-se apurado os vencedores para a Final).
Na era “Champions” será a 5.ª presença, após as eliminações sofridas em 1995 (AC Milan), 2006 (Barcelona), 2012 (Chelsea) e 2016 (Bayern); nas 13 ocasiões em que atingiu tal fase na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica apurou-se para as meias-finais por oito vezes (1961, 1962, 1963, 1965, 1968, 1972, 1988 e 1990).
Liga dos Campeões – 1/8 de final (1.ª mão)
16.02.2022 – Salzburg – Bayern – 1-1
15.02.2022 – Sporting – Manchester City – 0-5
23.02.2022 – Benfica – Ajax – 2-2
22.02.2022 – Chelsea – Lille – 2-0
23.02.2022 – At. Madrid – Manchester United – 1-1
22.02.2022 – Villarreal – Juventus – 1-1
16.02.2022 – Inter – Liverpool – 0-2
15.02.2022 – Paris Saint-Germain – Real Madrid – 1-0
Liga dos Campeões – 1/8 final (1.ª mão) – Benfica – Ajax
Benfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Diogo Gonçalves), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (85m – Paulo Bernardo), Everton Soares (62m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos e Darwin Núñez (90m – Valentino Lazaro)
Ajax – Remko Pasveer, Noussair Mazraoui (90m – Devyne Rensch), Jurriën Timber, Lisandro Martínez, Daley Blind (73m – Nicolás Tagliafico), Edson Álvarez, Steven Berghuis, Ryan Gravenberch (73m – Davy Klaassen), Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller
0-1 – Dušan Tadić – 18m
1-1 – Sébastien Haller (p.b.) – 26m
1-2 – Sébastien Haller – 29m
2-2 – Roman Yaremchuk – 72m
Cartões amarelos – Darwin Núñez (46m), Gonçalo Ramos (49m) e Roman Yaremchuk (72m); Noussair Mazraoui (23m), Steven Berghuis (45m) e Antony Matheus dos Santos (87m)
Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)
O resultado final foi claramente lisonjeiro para o Benfica. Não sei se é “suposto” festejarmos (enquanto benfiquistas) um empate em casa. Mas é também de “noites europeias” como esta que se forjou a mística e prestígio internacional do Benfica.
Contrariamente ao proclamado por Nélson Veríssimo, a abordagem do jogo por parte das duas equipas cedo denotou que esta não era uma eliminatória “50/50”. A diferença de intensidade competitiva foi demasiado flagrante, como se se enfrentassem uma equipa assustada, retraída, e outra, plena de confiança na sua superioridade, com uma dinâmica imparável.
O “onze” benfiquista, evidenciando dificuldades de organização, cometia falhas sucessivas, nem sempre resultado de “erros forçados” pelo adversário. Cabal exemplo, nessa fase inicial do jogo, foi dado pelo primeiro golo dos neerlandeses, aproveitando uma perda de bola (situação já antes repetida) de Grimaldo (não tendo conseguido fazer a recepção apropriada), com Tadić a surgir completamente liberto de marcação ao segundo poste, a alvejar a baliza num remate de primeira, algo “acrobático”, após cruzamento largo.
Seria da forma mais improvável que, escassos minutos volvidos, o Benfica reporia a igualdade no marcador: o defesa central, Vertonghen (antigo jogador do Ajax, onde completou a sua formação, tendo integrado a equipa principal do clube de Amesterdão de 2007 a 2012 – antes de enfileirar, durante oito temporadas, no Tottenham), aventurando-se pelo meio-campo contrário (acorrera à marcação de um pontapé de canto), driblou um adversário na zona central, ensaiou um remate que foi rechaçado, recuperou a bola, descaindo para a esquerda, avançou até à linha de fundo, procurando “cruzar” para a zona da pequena área – onde não havia nenhum jogador benfiquista, mas vários do Ajax, tendo a bola tabelado… no “ponta de lança” Haller, autor involuntário de um auto-golo!
Foi “sol de pouca dura”. Apenas mais três minutos decorridos o próprio Haller recolocava a sua equipa em vantagem, marcando, agora, na “baliza certa” (na sua perspectiva, claro), aproveitando uma defesa incompleta de Vlachodimos. Foi o 7.º jogo do franco-marfinense na Liga dos Campeões e, de forma incrível, o 7.º jogo a marcar consecutivamente na competição – registo nunca antes visto –, num total de 11 golos, que leva já nesta sua época de estreia no torneio (não obstante contar já 27 anos, tendo antes passado, no decurso da sua carreira, pelo Utrecht, Eintracht Frankfurt e West Ham).
Até ao termo da primeira metade subsistiria o desequilíbrio, a par de algum descontrolo da parte do Benfica, que bem poderia ter saído para o intervalo com, pelo menos, outros tantos tentos sofridos (não fossem as intervenções do guarda-redes grego, uma bola no poste, e uma recarga falhada de Haller).
A segunda parte seria substancialmente diferente: a ideia que fica é que o Ajax, perante tamanhas facilidades com que lidara até então, como que se “acomodou”, limitando-se a adormecer o jogo, confiante, não só de que a vitória não lhe escaparia, como, com naturalidade, seria ampliada a margem. Mas não… Era não contar com o impacto do apoio entusiasta dos adeptos benfiquistas, levando a equipa “ao colo”, capacitando-a animicamente e impulsionando-a a reverter a situação.
E, claro, necessariamente, também com uma mudança de atitude dentro de campo, de grande entrega, com um inesperado “playmaker” a revelar-se em Taarabt, deambulando por todo o campo, a puxar também pelos companheiros, a solicitar a velocidade de Rafa na direita e a fogosidade (mesmo que, por vezes, inconsequente, por menor inteligência emocional) de Darwin a partir do flanco esquerdo. Tudo isto coroado com a alteração estratégica delineada por Nélson Veríssimo: a entrada de Yaremchuk, enquanto o incansável Gonçalo Ramos descaía para a zona intermediária, agora em apoio à dupla mais ofensiva. A que acresceria, uma vez mais, a intervenção “salvadora” de Vlachodimos (por volta do minuto 65), a evitar o que poderia ter sido o terceiro golo adversário, o que, a acontecer, teria selado o desenlace da partida.
Bastariam dez minutos após a entrada do ucraniano em campo – curiosamente, num lance de insistência, depois de um potente remate de meia distância de Gonçalo Ramos (assistido por Rafa, embalado em velocidade, após uma recuperação de bola na sequência de canto a favor do Ajax), que “levava fogo”, o qual o guardião neerlandês não conseguiu igualmente suster, mais não conseguindo que repelir a bola para a sua frente – para, muito focado, de forma bastante oportuna, se antecipar ao guarda-redes, cabeceando sem apelo para o fundo da baliza. O golo que, certamente, mais terá desejado marcar em toda a sua carreira, dedicando-o ao povo da Ucrânia, numa hora grave para o país, enfrentando a inadmissível agressão russa.
Daí até final, ainda com cerca de vinte minutos por jogar, o Ajax, tendo quebrado o ritmo que impusera na primeira parte, denotaria maiores dificuldades em voltar a reactivar a dinâmica inicial, num contexto agora já distinto. Vlachodimos ainda seria chamado a mais duas intervenções, a remates de Antony, mas o 2-2 não se alteraria até final, colocando assim travão à caminhada triunfal do Ajax na presente edição da prova, depois de ter vencido todos os seis jogos da fase de grupos (frente a Sporting, Borussia Dortmund e Beşiktaş).
Os adeptos benfiquistas saíam satisfeitos com o desempenho da equipa – e, sobretudo, com a capacidade de reagir à adversidade que demonstrou -, e, porque não dizê-lo, com o próprio resultado, não se tendo confirmado os piores “temores”. Mais, independentemente das dificuldades que serão de esperar no desafio da 2.ª mão, em Amesterdão – com o Ajax óbvio favorito –, terá aumentado de forma interessante a expectativa de poder levar de vencida esta eliminatória, no que, a concretizar-se, não deixaria de se traduzir num sensacional desfecho.
Liga dos Campeões – Sorteio dos 1/8 de Final
Salzburg – Bayern
Sporting – Manchester City
Benfica – Ajax
Chelsea – Lille
At. Madrid – Manchester United
Villarreal – Juventus
Inter – Liverpool
Paris Saint-Germain – Real Madrid
Devido a erro nos procedimentos do sorteio (a bola referente ao Manchester United tinha sido indevidamente colocada no pote de adversários do Villarreal, tendo estes dois clubes sido inicialmente emparelhados – o que, regulamentarmente, não era possível, dado terem disputado o mesmo grupo –, vindo, de imediato, tal bola a faltar depois no pote de adversários possíveis do At. Madrid), este teve de ser repetido, ficando, pois, sem efeito o primeiro sorteio realizado, o qual resultara no seguinte alinhamento de jogos:
Benfica – Real Madrid
Villarreal – Manchester City
At. Madrid – Bayern
Salzburg – Liverpool
Inter – Ajax
Sporting – Juventus
Chelsea – Lille
Paris Saint-Germain – Manchester United
Os jogos da primeira mão serão disputados nas seguintes datas: 15, 16, 22 e 23 de Fevereiro de 2022. Por seu lado, as partidas da segunda mão estão agendadas para 8, 9, 15 e 16 de Março.
Liga dos Campeões – 6ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Paris Saint-Germain – Brugge – 4-1
RB Leipzig – Manchester City – 2-1
1º Manchester City, 12; 2º Paris Saint-Germain, 11; 3º RB Leipzig, 7; 4º Brugge, 4
Grupo B
FC Porto – Atlético Madrid – 1-3
AC Milan – Liverpool – 1-2
1º Liverpool, 18; 2º Atlético Madrid, 7; 3º FC Porto, 5; 3º AC Milan, 4
Grupo C
Ajax – Sporting – 4-2
Borussia Dortmund – Beşiktaş – 5-0
1º Ajax, 18; 2º Sporting, 9; 3º Borussia Dortmund, 9; 4º Beşiktaş, 0
Grupo D
Shakhtar Donetsk – Sheriff Tiraspol – 1-1
Real Madrid – Inter – 2-0
1º Real Madrid, 15; 2º Inter, 10; 3º Sheriff Tiraspol, 7; 4º Shakhtar Donetsk, 2
Grupo E
Benfica – Dynamo Kyiv – 2-0
Bayern München – Barcelona – 3-0
1º Bayern München, 18; 2º Benfica, 8; 3º Barcelona, 7; 4º Dynamo Kyiv, 1
Grupo F
Manchester United – Young Boys – 1-1
Atalanta – Villarreal – 2-3 (09.12.2021)
1º Manchester United, 11; 2º Villarreal, 10; 3º Atalanta, 6; 4º Young Boys, 5
Grupo G
Salzburg – Sevilla – 1-0
Wolfsburg – Lille – 1-3
1º Lille, 11; 2º Salzburg, 10; 3º Sevilla, 6; 4º Wolfsburg, 5
Grupo H
Zenit – Chelsea – 3-3
Juventus – Malmö – 1-0
1º Juventus, 15; 2º Chelsea, 13; 3º Zenit, 5; 4º Malmö, 1
Garantiram o apuramento para os 1/8 de final da Liga dos Campeões as seguintes equipas: Manchester City, Paris Saint-Germain, Liverpool, At. Madrid, Ajax, Sporting – que se qualifica apenas pela 2.ª vez (em nove participações), depois da época de 2008-09 –, Real Madrid, Inter, Bayern München, Benfica, Manchester United, Villarreal, Lille, Salzburg, Juventus e Chelsea.
Salientam-se os contingentes de Inglaterra (4 clubes), Espanha (3), Itália, França e Portugal (2 cada). Pela negativa, a surpresa de a Alemanha apenas manter em prova um único representante (o mesmo registo que a Áustria e os Países Baixos).
Por seu lado, RB Leipzig, FC Porto, Borussia Dortmund, Sheriff Tiraspol, Barcelona, Atalanta, Sevilla e Zenit transitam para a Liga Europa, onde disputarão o “play-off” intercalar com um dos 2.º classificados da fase de grupos dessa competição.



