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Mundial 2014 – Portugal – Gana

Portugal Gana 2-1

Portugal Beto (89m – Eduardo); João Pereira (61m – Silvestre Varela), Pepe, Bruno Alves e Miguel Veloso; Nani, João Moutinho, William Carvalho e Rúben Amorim; Cristiano Ronaldo e Éder (69m – Vieirinha)

Gana Abdul Fatawu Dauda; Harrison Afull, John Boye, Jonathan Mensah e Kwadwo Asamoah; Christian Atsu, Mohammed Rabiu (76m – Afriyie Acquah), Emmanuel Agyemang-Badu e André Ayew (81m – Wakaso Mubarak); Abdul Majeed Waris (71m – Jordan Ayew) e Asamoah Gyan

1-0 – John Boye (p.b.) – 31m
1-1 – Asamoah Gyan – 57m
2-1 – Cristiano Ronaldo – 80m

Perante o conformismo que parecia ter-se instalado na selecção portuguesa, já (bastante) descrente na (remota) possibilidade de apuramento, pedia-se, em primeiro lugar, dignidade, e, preferencialmente, a vitória neste último jogo, frente ao Gana.

E foi o que sucederia, com uma exibição algo desequilibrada, com falta de consistência ao longo dos 90 minutos, mas com algumas fases positivas, principalmente na meia hora inicial… e no quarto de hora final, quando, inclusivamente, teve oportunidades que demonstraram que, afinal, teria sido possível…

Tal como acontecera na partida frente aos EUA, a equipa portuguesa podia ter inaugurado o marcador logo aos cinco minutos, quando, num cruzamento/remate de Cristiano Ronaldo – um pouco à semelhança do cruzamento para o golo de Varela -, também descaído no flanco direito, junto à linha lateral, procurando explorar o adiantamento do guardião contrário, a bola embateu perigosamente na trave, ficando a centímetros do êxito.

E, ainda mais flagrante, seria a ocasião de perito criada aos 18 minutos, num bom centro de João Pereira, com Cristiano Ronaldo a surgir completamente desmarcado, isolado na pequena área, cara-a-cara com o guardião contrário, mas a cabecear à figura.

Só que, no minuto imediato, o Gana ameaçaria também o golo, com Gyan a fugir a Pepe, a rematar com muito perigo, a obrigar Beto a uma defesa de recurso, com os pés.

Mas o golo surgiria mesmo, e para Portugal: num cruzamento de Miguel Veloso, da esquerda, o defesa contrário Boye, ao tentar interceptar a bola, tocou-a de forma defeituosa, com o joelho, impelindo-a involuntariamente para a sua própria baliza. O mesmo Boye reincidiria, a findar a primeira parte, com mais um corte imperfeito, com a bola a sair perto da baliza, com o guarda-redes fora do lance.

Ao intervalo, a ganhar por um golo, a margem era ainda demasiado curta face ao que a equipa portuguesa necessitaria, enquanto, no outro jogo, entre Alemanha e EUA, o nulo se mantinha teimosamente.

Curiosamente, no minuto seguinte ao golo da Alemanha, que colocava Portugal a três golos do objectivo, seria o Gana a marcar, restabelecendo a igualdade, a confirmar um período de abaixamento da intensidade do jogo português. Num ápice, eram os ganeses que passavam a estar em situação mais favorável, uma vez que necessitavam apenas de mais um golo para se colocarem em posição de apuramento.

E, apenas cinco minutos volvidos, aos 61, o Gana voltaria a assustar, criando muito perigo para a baliza portuguesa. Aos 72 minutos, um lance que suscitou alguma dúvida, na área ganesa, com uma carga (de ombro?) a derrubar Cristiano Ronaldo. E se fica o benefício da dúvida para o árbitro neste lance, não há dúvida que esteve mal ao não expulsar Jordan Ayew, que agrediu com uma cotovelada William Carvalho.

Paulo Bento arriscava então, enfim, tudo, colocando Varela e Vieirinha em campo, e tiraria frutos disso aos 80 minutos: na sequência de um cruzamento de Nani, da esquerda, pressionado pela proximidade de Varela, o guardião Daula, afastaria a bola com uma palmada para a frente, para o centro da área, onde Cristiano Ronaldo, sem dificuldade, empurrou para o segundo golo de Portugal, que, pelo menos, lhe proporcionava o triunfo, permitindo paralelamente ao jogador português marcar em seis fases finais consecutivas de grandes provas internacionais de selecções (Europeus de 2004, 2008 e 2012, Mundiais de 2006, 2010 e 2014), igualando o registo do seleccionador dos EUA, o alemão Klinsmann.

Faltavam dez minutos para o final… e três golos para a qualificação. Na melhor fase do jogo, em termos de intensidade e de ocasiões de perigo – não obstante se jogasse já mais com o coração do que com a cabeça – Portugal teria ainda… três oportunidades para marcar: primeiro, de novo por Cristiano Ronaldo, com uma flagrante possibilidade, na zona central, a rematar à figura de Dauda; e, já em período de compensação, ainda Cristiano Ronaldo, por mais duas vezes, a não conseguir concretizar, com um remate por cima da baliza, e, uma vez mais, com outra bola a ir à figura do guarda-redes ganês.

Portugal despedia-se do Mundial, numa campanha de menos a mais – beneficiando também de alguma subida de rendimento de Cristiano Ronaldo, a par de mais apropriadas opções tácticas, por via do refrescar da equipa, nomeadamente com a entrada de William Carvalho e Rúben Amorim para a zona nevrálgica do meio-campo -, conseguindo sair da prova com dignidade, ganhando esta última partida, acabando por igualar em pontos os EUA, sendo penalizado pelo desastre do jogo inicial.

Cartões amarelos – João Moutinho (90m); Harrison Afull (39m), Abdul Majeed Waris (55m) e Jordan Ayew (79m)

Árbitro – Nawaf Shukralla (Bahrein)

Estádio Nacional de Brasília – Brasília (17h00)

26 Junho, 2014 at 5:56 pm Deixe um comentário

Mundial 2014 – EUA – Portugal

EUA Portugal 2-2

EUA Tim Howard; Fabian Johnson, Geoff Cameron, Matt Besler, DaMarcus Beasley, Alejandro Bedoya (72m – DeAndre Yedlin), Kyle Beckerman, Michael Bradley, Jermaine Jones, Graham Zusi (90m – Omar Gonzalez) e Clint Dempsey (87m – Chris Wondolowski)

Portugal Beto; João Pereira, Bruno Alves, Ricardo Costa e André Almeida (45m – William Carvalho); Miguel Veloso, João Moutinho e Raul Meireles (69m – Silvestre Varela); Nani, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (16m – Éder)

0-1 – Nani – 5m
1-1 – Jermaine Jones – 64m
2-1 – Clint Dempsey – 81m
2-2 – Silvestre Varela – 90m

Se o jogo inaugural da selecção portuguesa neste Mundial dera já claros indícios – mesmo mitigados ou, noutra perspectiva, porventura mascarados, pelas características especiais dessa partida, e a forma como a mesma se desenrolou, com diversas incidências desfavoráveis, desde o penalty muito cedo, a expulsão e as lesões, logo de seguida – de que algo não estava bem, este segundo desafio veio efectivamente confirmar, agora já sem margem para o “benefício da dúvida”, que há, aliás, muitas coisas que não estão bem.

Começando por beneficiar, logo nos minutos iniciais, de um golo feliz, fruto de uma deficiente intervenção do defesa-central estado-unidense, que, ao procurar afastar a bola, a colocou de “bandeja” nos pés de Nani, que não se fez rogado, com frieza e eficácia, dando a melhor sequência ao lance, marcando o primeiro golo português – Portugal praticamente entrou em campo a ganhar.

O “mais difícil” parecia estar feito: um golo que pudesse dar confiança e serenidade ao grupo, e que o motivasse para a necessária vitória. Eis senão quando, de forma surpreendente, a equipa nacional rapidamente perdeu o controlo do jogo, não só cedendo a iniciativa ao adversário, como, mais, vendo-se mesmo empurrada para a sua zona defensiva, perante as sucessivas investidas americanas.

Durante meia hora, não conseguindo nunca acertar as marcações, dando sempre a sensação de estar em inferioridade na zona nevrálgica do meio-campo, a selecção portuguesa esteve à mercê do adversário, que, muito rematador, ameaçava o tento do empate, que Beto, atento e concentrado, por algumas vezes teve de negar.

Curiosamente, seria depois de uma inédita paragem do jogo, determinada pelo árbitro, cerca dos 37 minutos – para que os jogadores se pudessem refrescar e recuperar do ambiente sufocante de Manaus, em plena floresta da Amazónia, hidratando-se -, que os portugueses se conseguiriam libertar também da pressão contrária, criando duas flagrantes ocasiões de golo, desperdiçando o que seria o 2-0, praticamente a findar a primeira parte, primeiro com o guardião Howard a defender um bom remate de Nani, e, de seguida, depois de um remate, também de Nani, ao poste, na recarga, de Éder (que substituíra mais um jogador lesionado, Hélder Postiga), novamente o guarda-redes contrário, com uma soberba intervenção, a desviar miraculosamente para canto – dois lances que poderiam ter ditado uma história completamente diferente para este encontro.

Ao intervalo, André Almeida, que denotara já, ao longo da primeira parte, grandes dificuldades físicas, seria também substituído. E, no segundo tempo, a toada do jogo não teria grandes alterações, sempre com os EUA em superioridade, a ameaçar o golo, que Ricardo Costa, providencialmente, em cima da linha de baliza, ainda conseguiria salvar, a remate de Bradley. Mas o tento do empate acabaria mesmo por surgir, com um potente e colocado remate de fora da área de Jermaine Jones, a desviar a bola do alcance de Beto.

Consciente de que a igualdade era um resultado comprometedor, Portugal tentaria ainda reagir, com Raul Meireles a ver um remate perigoso travado por Howard. Até que, já nos derradeiros dez minutos, os estado-unidenses chegariam à posição de vantagem, com Dempsey a aproveitar da melhor forma a lentidão de Bruno Alves, que, depois de uma tentativa de corte, caindo no terreno, demoraria a erguer-se, possibilitando assim que o marcador do golo (obtido com um encostar da barriga à bola, completamente desmarcado, à boca da baliza) estivesse em posição regular.

Culminando uma péssima actuação, denotando grandes carências, Portugal estava virtualmente eliminado. Teria ainda um lance bem ilustrativo do estado de descrença e de desnorte, com cinco (!)  jogadores portugueses a serem apanhados em situação de fora de jogo, num único lance.

O segundo golo português, obtido ao minuto 95, cairia literalmente “do céu”, com Silvestre Varela a finalizar na perfeição  a melhor jogada de Cristiano Ronaldo em todo o desafio, com um cruzamento longo, pelo ar, da extrema direita, para o lado contrário da área americana. Um golo que – não obstante poder vir eventualmente a comprometer o apuramento dos EUA – mais não será que um paliativo para Portugal…

No final deste jogo, impunha-se como inevitável a sensação de amadorismo que toda a presença de Portugal neste Mundial denota, a nível de organização, planeamento e preparação, desde a escolha do local de estágio (Campinas), ao timing de chegada ao Brasil (praticamente em cima do arranque da prova) e de deslocação para os locais de jogo, passando pelas sucessivas lesões (Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Rui Patrício, Hélder Postiga, André Almeida).

Uma selecção excessivamente dependente de Cristiano Ronaldo, que, pese embora o espírito de sacrifício que revela, não estando obviamente em condições, acaba por, mesmo que involuntariamente, ser mais prejudicial que benéfico ao grupo, que – envelhecido, em fim de ciclo, com notória falta de ritmo – não consegue suprir o sub-rendimento do seu capitão, o qual, inevitavelmente, acaba por provocar desequilíbrios na ocupação do espaço, em particular no controlo da zona intermediária, e nas tarefas defensivas, tornando a equipa vulnerável às investidas adversárias.

No imediato pós-jogo, o discurso derrotista do responsável técnico pela selecção (Paulo Bento), assim, como, antes, de Nani, é claro sintoma de que (já) ninguém acredita na selecção, nem os próprios…

As hipóteses matemáticas de apuramento – necessidade de reverter uma desvantagem de cinco golos, e no pressuposto, indispensável, que não haja empate no Alemanha-EUA – mais não passam do que de uma miragem; objectivamente, não seria impossível Portugal ganhar por três ao Gana, e que a Alemanha ganhasse aos EUA por dois golos de diferença, o que bastaria para concretizar tal qualificação – sendo que, por outro lado, subsiste inclusivamente o cenário de eventual necessidade de recurso a sorteio para desempatar as equipas, por exemplo, caso Portugal vencesse por 2-0 e os EUA perdessem por 0-3! Mas, no contexto presente, tal não deixaria de ser como que um milagre…

Cartão amarelo – Jermaine Jones (75m)

Árbitro – Nestor Pitana (Argentina)

Arena Amazónia – Manaus (23h00)

22 Junho, 2014 at 11:55 pm Deixe um comentário

Mundial 2014 – Alemanha – Portugal

Alemanha Portugal 4-0

Alemanha Manuel Neuer; Jérôme Boateng, Benedikt Höwedes, Mats Hummels (73m – Shkodran Mustafi) e Per Mertesacker; Philipp Lahm, Sami Khedira e Toni Kroos; Thomas Müller (82m – Lukas Podolski), Mario Götze e Mesut Özil (62m – Andre Schürrle)

Portugal Rui Patrício; João Pereira, Fábio Coentrão (65m – André Almeida), Pepe e Bruno Alves; Miguel Veloso (45m – Ricardo Costa), João Moutinho e Raul Meireles; Nani, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida (28m – Éder)

1-0 – Thomas Müller (pen.) – 12m
2-0 – Mats Hummels – 32m
3-0 – Thomas Müller – 45m
4-0 – Thomas Müller – 78m

Num jogo – de abertura da fase final de uma competição como o Campeonato do Mundo – em que se sofre uma tão pesada derrota, e em que a equipa se vê privada de quatro dos seus elementos para a partida seguinte (Pepe, por expulsão; Rui Patrício, Fábio Coentrão e Hugo Almeida, por lesão), é tarefa muito difícil encontrar algo de positivo, sendo a natural tendência a de colocar o enfoque nos aspectos negativos.

A verdade é que este foi um jogo atípico, em que, não obstante, como tantas vezes sucede, o marcador se começa a avolumar, atingindo foros de goleada, que poderia – caso a Alemanha não tivesse notoriamente desacelerado no segundo tempo – ter atingido números ainda mais desastrosos.

A selecção portuguesa não entrou bem no encontro, deixando que a equipa alemã assumisse, logo desde os primeiros minutos, a iniciativa do jogo; nessa fase, uma primeira investida da equipa de Portugal, aos cinco minutos, teria como desfecho um tímido remate de Hugo Almeida, à figura de Manuel Neuer, um autêntico passe ao guarda-redes.

Apenas com dez minutos de jogo, num lance na área portuguesa, João Pereira, com uma abordagem algo ingénua, tocando em Mario Götze, o qual aproveitaria para forçar a grande penalidade, que o árbitro, com um critério apertado, concedeu. Estava feito o primeiro golo, a proporcionar o reforço da confiança alemã, na mesma proporção em que aumentava a “dúvida” e intranquilidade dos portugueses.

As coisas tinham já começado a correr mal, quando, apenas com 27 minutos de jogo, Hugo Almeida se lesionou, tendo de abandonar o desafio. E, somente cinco minutos volvidos – e na sequência de um pontapé de canto, após uma providencial intercepção de João Pereira, desviando pela linha de fundo a bola rematada por Mario Götze, que levava “selo de golo” -, Mats Hummels surgiria desmarcado na área, a cabecear sem apelo para o segundo golo germânico.

O minuto 36 registaria uma das poucas oportunidades da selecção nacional, todavia desaproveitada por Éder. Para, no minuto imediato, depois de um contacto entre Pepe e Thomas Müller, o jogador alemão – ignorando o conceito de “fair-play” – fazer uma simulação de agressão, contorcendo-se no chão (atitude que lhe poderia ter valido um cartão amarelo), de que o português iria “tirar satisfações”, encostando a cabeça ao adversário, o que levou o árbitro, uma vez mais rigoroso, a exibir-lhe o cartão vermelho. Foi o momento crucial do encontro.

Se já era muito complexa a tarefa da equipa portuguesa, a partir desse momento, tornou-se absolutamente irrealista qualquer expectativa de recuperação, sendo, ao invés, de surpreender que o resultado não tivesse continuado a dilatar-se. Sem que Paulo Bento tivesse feito qualquer substituição – Raul Meireles recuaria para a posição de defesa central -, no imediato, a equipa portuguesa até conseguiu aparentar alguma serenidade (a possível nas circunstâncias), sem que os alemães a tivessem asfixiado. O terceiro golo, sofrido ao cair do pano do primeiro tempo, surgiu de mais uma desconcentração, não tendo Rui Patrício, que ainda tocou na bola, tido a felicidade de a conseguir desviar da baliza.

Saindo para o intervalo já com uma pesada desvantagem, de 0-3, poderia recear-se que a derrota viesse a assumir ainda contornos mais esmagadores. Não obstante, na segunda metade do jogo – e depois de a defesa ter sido de alguma forma reconstituída, com a entrada de Ricardo Costa para a zona central, ocupando o lugar de Pepe – a selecção portuguesa, mesmo em inferioridade numérica, beneficiando do abaixamento da intensidade do jogo alemão, resistiria mais de meia hora sem sofrer golos.

E o resultado só se tornaria efectivamente severo, com o “hat-trick” de  Thomas Müller, num lance incrível, com três falhas sucessivas na zona defensiva portuguesa – as duas primeiras, de forma inacreditável, sem que ninguém tivesse a frieza de despachar a bola da zona de perigo – sendo a terceira, menos censurável, a de Rui Patrício, que, numa defesa apertada, largou a bola para a sua frente, facilitando a acção do ponta-de-lança germânico, com a baliza à sua mercê.

Antes disso já Fábio Coentrão tinha saído também lesionado, e os portugueses tinham reclamado uma grande penalidade por nítido derrube a Nani, que o árbitro, agora, com um critério “mais largo”, não assinalou.

E, para ser verdadeiro – e embora tal nem se pudesse porventura legitimamente “exigir” – Portugal não teria grandes oportunidades de golo, com a principal ocasião a surgir já em tempo de compensação, com um potente e colocado remate de Cristiano Ronaldo, a que o concentrado Manuel Neuer respondeu da melhor forma, com uma tão atenta como eficaz defesa.

Voltando ao início: pouco há a dizer de bom sobre a exibição da equipa nacional; o resultado foi muito mau – o pior de sempre em fases finais de grandes competições -, mas terá de ser mitigado pelas condicionantes que estiveram na sua origem, principalmente por quase uma hora de inferioridade numérica.

Procurando fugir ao tradicional “8 e 80”, a selecção de Portugal é capaz de muito melhor, e deverá reagir à adversidade, em ordem a poder reverter esta “primeira má impressão”. Para já, as contas são relativamente fáceis de fazer: uma nova derrota, frente aos EUA, significaria automaticamente a eliminação; um empate reduziria drasticamente as possibilidades de apuramento, dado o saldo muito negativo de golos; duas vitórias, contra os estado-unidenses e o Gana, deverão proporcionar o seguir em frente, para os 1/8 Final.

Cartão amarelo – João Pereira (11m)

Cartão vermelho – Pepe (37m)

Árbitro – Milorad Mazic (Sérvia)

Arena Fonte Nova – Salvador (17h00)

16 Junho, 2014 at 5:54 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – Final – Real Madrid – At. Madrid

Estádio da Luz, em Lisboa

Real Madrid  – Iker Casillas, Daniel Carvajal, Sergio Ramos, Raphaël Varane, Fábio Coentrão (59m – Marcelo), Luka Modrić, Sami Khedira (59m – Isco), Ángel Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema (79m – Álvaro Morata)

At. MadridAt. Madrid – Thibaut Courtois, Juanfran, João Miranda, Diego Godín, Filipe Luís (83m – Toby Alderweireld), Raúl Garcia (66m – José Sosa), Tiago, Gabi, Koke, Diego Costa (9m – Adrián López)  e David Villa

0-1 – Godín – 36m
1-1 – Sergio Ramos – 90m
2-1 – Gareth Bale – 110m
3-1 – Marcelo – 118m
4-1 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 120m

Cartões amarelos – Sergio Ramos (27m), Khedira (45m), Marcelo (118m), Cristiano Ronaldo (120m) e Raphaël Varane (120m); Raúl Garcia (27m), João Miranda (53m), David Villa (72m), Juanfran (74m), Koke (86m), Gabi (100m) e Diego Godín (120m)

Árbitro – Björn Kuipers (Holanda)

O fascínio do futebol em estado puro!… A explosão da esfuziante alegria da vitória, em completo contraste com o desespero da derrota.

Decorria o minuto 93 e o Atlético de Madrid tinha a Taça “nas mãos”, que, aliás, procurava segurar com “unhas e dentes” desde há cerca de vinte minutos, quando – depois de uma primeira parte muito “morna”, sem grandes momentos de futebol, em que os “colchoneros” haviam tido a eficácia de concretizar em golo uma das raras ocasiões de perigo – o Real Madrid, aproveitando a debilidade física do adversário, o vinha empurrando cada vez mais para a sua zona defensiva.

Foi feliz Carlo Ancelotti com a dupla aposta em Marcelo e Isco, a cerca de meia hora do final, dois jogadores que, com a velocidade que imprimiram ao futebol dos “merengues”, revolucionaram o jogo, acabando por “dinamitar” a já então cada vez mais frágil resistência dos adversários.

O Atlético de Madrid esteve a dois minutos (o árbitro tinha dado cinco minutos de tempo de compensação) de se sagrar, pela primeira vez no seu historial, Campeão Europeu. Mas, na verdade, o golo de Sergio Ramos, com excelente impulsão, a antecipar-se aos adversários, e a cabecear sem apelo nem agravo para o muito sereno Courtois, levando o jogo para prolongamento, vinha colocar justiça no marcador, em face do que ambas as equipas tinham produzido no decorrer dos noventa minutos.

Logo aí se percebeu que seria muito difícil ao Atlético ir buscar forças para reagir, mas, o Real Madrid teve então o mérito de procurar evitar que a Final chegasse ao desempate da marca de grande penalidade, indo em busca do golo. E, então, aconteceu futebol, de alta qualidade, grande intensidade e emoção.

O melhor momento desta Final surgiu aos 110 minutos quando Di Maria, velocíssimo, descaído no flanco esquerdo, passou por toda a – já bastante passiva – defesa contrária, culminando com um remate de belo efeito, para uma fantástica defesa de Courtois, perfeitamente “in-extremis”, a oferecer o corpo a bola, e a conseguir desviá-la com o pé… só que, atravessando toda a linha da pequena área, iria ter com Gareth Bale, que, com boa execução, num gesto técnico de dificuldade, conseguiria encostar a cabeça e consumar a reviravolta no marcador.

O Atlético de Madrid desapareceu então por completo do jogo, arrastando-se penosamente – não obstante Tiago ter tido ainda uma oportunidade para visar a baliza, e empatar a partida, mas o remate não saiu enquadrado com a baliza -, permitindo a Marcelo avançar sem qualquer oposição, apontando o terceiro golo. Outra vez no último minuto, haveria tempo ainda para uma grande penalidade, e para Cristiano Ronaldo – a meio gás – marcar o seu 17.º golo nesta edição da Liga dos Campeões.

Uma equipa que acaba por perder por 4-1 (o Benfica já passou por situação idêntica, na Final de 1968, depois de ter desperdiçado a oportunidade de ganhar no tempo regulamentar) fica sem grandes argumentos para se “queixar”, pelo que é dificilmente aceitável a forma exuberante como Diego Simeoni, o treinador do Atlético de Madrid entrou em campo no final da primeira parte do prolongamento (reclamando do tempo de compensação atribuído), e, de novo, logo após o apito final do árbitro, que, por seu lado, foi demasiado complacente (até no exagerado tempo de paragem que concedeu entre as duas partes do prolongamento).

As felicitações ao justo vencedor, Real Madrid, que conquista pela 10.ª vez a Taça de Campeão Europeu; uma palavra de apreço pelo esforço do Atlético de Madrid, que esteve tão perto do sonho…

24 Maio, 2014 at 9:27 pm Deixe um comentário

Convocados para o Mundial 2014

Guarda-redes – Beto (Sevilla), Eduardo (Sp. Braga) e Rui Patrício (Sporting)

Defesas – André Almeida (Benfica), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valencia), Luís Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valencia)

Médios – João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting)

Avançados – Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (Sp. Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Nani (Manchester United), Rafa (Sp. Braga), Silvestre Varela (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).

O seleccionador nacional Paulo Bento anunciou esta noite o nome dos 23 jogadores convocados para a Fase Final do Campeonato do Mundo de Futebol, a disputar no Brasil, a partir do próximo dia 12 de Junho.

Em relação à anterior competição (Europeu 2012), mantendo-se o trio de guarda-redes, constata-se alguma remodelação, com a entrada de 7 jogadores: André Almeida, Luís Neto, Rúben Amorim, William Carvalho, Éder, Rafa e Vieirinha. Ao invés, deixam de integrar os seleccionados: Miguel Lopes, Rolando, Carlos Martins, Ruben Micael, Ricardo Quaresma, Custódio e Nélson Oliveira.

Comparando com o Mundial de há quatro anos, na África do Sul, a remodelação é, naturalmente, mais profunda, dado que se mantêm apenas os seguintes onze: os guardiões Beto e Eduardo, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Pepe, Ricardo Costa, Miguel Veloso, Raúl Meireles, Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida e Nani.

Na convocatória hoje anunciada, o novo campeão nacional, Benfica, conta com apenas dois jogadores, tal como o Sporting, tendo sido seleccionado somente um jogador do FC Porto; sendo o Sp. Braga a equipa portuguesa com mais convocados (três). Há portanto um contingente de 15 elementos a actuar em clubes estrangeiros, com destaque para Real Madrid (três), Fenerbahçe (dois) e Valencia (dois).

19 Maio, 2014 at 10:48 pm Deixe um comentário

Taça de Portugal – Palmarés

           Vencedor Finalista  Épocas (Vencedor / Finalista)

Benfica        25      10   1939-40; 1942-43; 1943-44; 1948-49;
                            1950-51; 1951-52; 1952-53; 1954-55;
                            1956-57; 1958-59; 1961-62; 1963-64;
                            1968-69; 1969-70; 1971-72; 1979-80;
                            1980-81; 1982-83; 1984-85; 1985-86;
                            1986-87; 1992-93; 1995-96; 2003-04;
                            2013-14
                            1938-39; 1957-58; 1964-65; 1970-71;
                            1973-74; 1974-75; 1988-89; 1996-97;
                            2004-05; 2012-13
FC Porto       16      12   1955-56; 1957-58; 1967-68; 1976-77;
                            1983-84; 1987-88; 1990-91; 1993-94;
                            1997-98; 1999-00; 2000-01; 2002-03;
                            2005-06; 2008-09; 2009-10; 2010-11
                            1952-53; 1958-59; 1960-61; 1963-64;
                            1977-78; 1979-80; 1980-81; 1982-83;
                            1984-85; 1991-92; 2003-04; 2007-08
Sporting       15      11   1940-41; 1944-45; 1945-46; 1947-48;
                            1953-54; 1962-63; 1970-71; 1972-73;
                            1973-74; 1977-78; 1981-82; 1994-95;
                            2001-02; 2006-07; 2007-08
                            1951-52; 1954-55; 1959-60; 1969-70;
                            1971-72; 1978-79; 1986-87; 1993-94;
                            1995-96; 1999-00; 2011-12
Boavista        5       1   1974-75; 1975-76; 1978-79; 1991-92;
                            1996-97/ 1992-93
V. Setúbal      3       7   1964-65; 1966-67; 2004-05
                            1942-43; 1953-54; 1961-62; 1965-66
                            1967-68; 1972-73; 2005-06
Belenenses      3       5   1941-42; 1959-60; 1988-89/ 1939-40
                            1940-41; 1947-48; 1985-86; 2006-07
Académica       2       3   1938-39; 2011-12
                            1950-51; 1966-67; 1968-69
V. Guimarães    1       5   2012-13/ 1941-42; 1962-63; 1975-76;
                            1987-88; 2010-11
Braga           1       3   1965-66/ 1976-77; 1981-82; 1997-98
Leixões         1       1   1960-61/ 2001-02
Beira-Mar       1       1   1998-99/ 1990-91
E. Amadora      1       -   1989-90
Atlético        -       2   1945-46; 1948-49
Marítimo        -       2   1994-95; 2000-01
Rio Ave         -       2   1983-84; 2013-14
Estoril         -       1   1943-44
Olhanense       -       1   1944-45
Torreense       -       1   1955-56
Covilhã         -       1   1956-57
Farense         -       1   1989-90
Campomaiorense  -       1   1998-99
U. Leiria       -       1   2002-03
Paços Ferreira  -       1   2008-09
Chaves          -       1   2009-10

18 Maio, 2014 at 6:26 pm Deixe um comentário

Finais da Taça de Portugal

Edição     Época     Vencedor     Finalista
LXXIV    2013-2014   Benfica      Rio Ave         1-0
LXXIII   2012-2013   V. Guimarães Benfica         2-1
LXXII    2011-2012   Académica    Sporting        1-0
LXXI     2010-2011   FC Porto     V. Guimarães    6-2
LXX      2009-2010   FC Porto     Chaves          2-1
LXIX     2008-2009   FC Porto     Paços Ferreira  1-0
LXVIII   2007-2008   Sporting     FC Porto        2-0
LXVII    2006-2007   Sporting     Belenenses      1-0
LXVI     2005-2006   FC Porto     Setúbal         1-0
LXV      2004-2005   Setúbal      Benfica         2-1
LXIV     2003-2004   Benfica      FC Porto        2-1
LXIII    2002-2003   FC Porto     U. Leiria       1-0
LXII     2001-2002   Sporting     Leixões         1-0
LXI      2000-2001   FC Porto     Marítimo        2-0
LX       1999-2000   FC Porto     Sporting        1-1   2-0
LIX      1998-1999   Beira-Mar    Campomaiorense  1-0
LVIII    1997-1998   FC Porto     Sp. Braga       3-1
LVII     1996-1997   Boavista     Benfica         3-2
LVI      1995-1996   Benfica      Sporting        3-1
LV       1994-1995   Sporting     Marítimo        2-0
LIV      1993-1994   FC Porto     Sporting        0-0   2-1
LIII     1992-1993   Benfica      Boavista        5-2
LII      1991-1992   Boavista     FC Porto        2-1
LI       1990-1991   FC Porto     Beira-Mar       3-1
L        1989-1990   E. Amadora   Farense         1-1   2-0
XLIX     1988-1989   Belenenses   Benfica         2-1
XLVIII   1987-1988   FC Porto     V. Guimarães    1-0
XLVII    1986-1987   Benfica      Sporting        2-1
XLVI     1985-1986   Benfica      Belenenses      2-0
XLV      1984-1985   Benfica      FC Porto        3-1
XLIV     1983-1984   FC Porto     Rio Ave         4-1
XLIII    1982-1983   Benfica      FC Porto        1-0
XLII     1981-1982   Sporting     Sp. Braga       4-0
XLI      1980-1981   Benfica      FC Porto        3-1
XL       1979-1980   Benfica      FC Porto        1-0
XXXIX    1978-1979   Boavista     Sporting        1-1   1-0
XXXVIII  1977-1978   Sporting     FC Porto        1-1   2-1
XXXVII   1976-1977   FC Porto     Sp. Braga       1-0
XXXVI    1975-1976   Boavista     V. Guimarães    2-1
XXXV     1974-1975   Boavista     Benfica         2-1
XXXIV    1973-1974   Sporting     Benfica         2-1
XXXIII   1972-1973   Sporting     V. Setúbal      3-2
XXXII    1971-1972   Benfica      Sporting        3-2
XXXI     1970-1971   Sporting     Benfica         4-1
XXX      1969-1970   Benfica      Sporting        3-1
XXIX     1968-1969   Benfica      Académica       2-1
XXVIII   1967-1968   FC Porto     V. Setúbal      2-1
XXVII    1966-1967   V. Setúbal   Académica       3-2
XXVI     1965-1966   Sp. Braga    V. Setúbal      1-0
XXV      1964-1965   V. Setúbal   Benfica         3-1
XXIV     1963-1964   Benfica      FC Porto        6-2
XXIII    1962-1963   Sporting     V. Guimarães    4-0
XXII     1961-1962   Benfica      V. Setúbal      3-0
XXI      1960-1961   Leixões      FC Porto        2-0
XX       1959-1960   Belenenses   Sporting        2-1
XIX      1958-1959   Benfica      FC Porto        1-0
XVIII    1957-1958   FC Porto     Benfica         1-0
XVII     1956-1957   Benfica      Sp. Covilhã     3-1
XVI      1955-1956   FC Porto     Torreense       2-0
XV       1954-1955   Benfica      Sporting        2-1
XIV      1953-1954   Sporting     V. Setúbal      3-2
XIII     1952-1953   Benfica      FC Porto        5-0
XII      1951-1952   Benfica      Sporting        5-4
XI       1950-1951   Benfica      Académica       5-1
X        1948-1949   Benfica      Atlético        2-1
IX       1947-1948   Sporting     Belenenses      3-1
VIII     1945-1946   Sporting     Atlético        4-2
VII      1944-1945   Sporting     Olhanense       1-0
VI       1943-1944   Benfica      Estoril         8-0
V        1942-1943   Benfica      V. Setúbal      5-1
IV       1941-1942   Belenenses   V. Guimarães    2-0
III      1940-1941   Sporting     Belenenses      4-1
II       1939-1940   Benfica      Belenenses      3-1
I        1938-1939   Académica    Benfica         4-3

18 Maio, 2014 at 6:25 pm Deixe um comentário

Liga Europa – Final – Sevilla – Benfica

Juventus Stadium, Turim – Itália

SevillaSevilla – Beto, Coke, Nicolas Pareja, Federico Fazio, Alberto Moreno, Daniel Carriço, José Antonio Reyes (78m – Marko Marin) (104m – Kevin Gameiro), Stéphane Mbia, Vitolo (110m – Diogo Figueiras), Ivan Rakitić e Carlos Bacca

BenficaBenfica – Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira (99m – Óscar Cardozo), Rúben Amorim, Miralem Sulejmani (25m – André Almeida), André Gomes, Nico Gaitán (119m – Ivan Cavaleiro), Rodrigo e Lima

Desempate da marca de grande penalidade

0-1 – Lima
1-1 – Carlos Bacca
Óscar Cardozo permitiu a defesa a Beto
2-1 – Stéphane Mbia
Rodrigo permitiu a defesa a Beto
3-1 – Coke
3-2 – Luisão
4-2 – Kevin Gameiro

Cartões amarelos – Fazio (11m), Moreno (13m) e Coke (98m); Siqueira (30m) e André Almeida (100m)

Árbitro – Felix Brych (Alemanha)

É fácil agora concluir que o Benfica começou a perder esta Final no momento em que ganhou o direito a nela participar, precisamente em Turim, há menos de duas semanas, quando Enzo Pérez, Lazar Marković e Eduardo Salvio, por motivos disciplinares, ficaram privados de a jogar.

Sobretudo no caso de Enzo Pérez, a sua ausência fez-se sentir de forma notória, pela incapacidade revelada pela equipa em “pensar” o jogo de forma serena, sendo sistematicamente traída pela ansiedade da procura do golo, acusando em demasia a condição – porventura inédita no seu historial, em dez Finais europeias disputadas – de favorita.

Mas o Benfica pode queixar-se de vários outros factores, que justificam esta oportunidade perdida – traduzindo-se na oitava Final sucessiva em que fica marcado pelo inêxito, igualando a Juventus em número de finais falhadas -, mas, neste caso, com a nítida sensação de desperdício, que, inevitavelmente, deixa, mais que um travo amargo, uma verdadeira “azia”.

Desde logo, a lesão sofrida por Sulejmani apenas com pouco mais de 10 minutos de jogo, o que fez com que Jorge Jesus hesitasse durante quase quinze minutos, até se decidir pela opção que entendeu ser a mais apropriada para o substituir (fazendo avançar Maxi Pereira no terreno, e colocando André Almeida como defesa direito – depois de ter chegado a equacionar fazer entrar, de imediato, Ivan Cavaleiro). Pior do que ter jogado esse período em “inferioridade numérica” (Sulejmani estava, então, apenas a fazer figura de “corpo presente”), foi a sensação de desnorte que transmitiu à equipa, completamente perdida em campo, passando por alguns “maus bocados” até cerca dos 35 minutos do primeiro tempo.

Só nos derradeiros cinco minutos desta metade inicial o Benfica voltou a crer em si próprio e nas suas possibilidades, empurrando o Sevilla para o seu reduto defensivo, e desperdiçando a oportunidade de marcar.

O que se intensificaria no primeiro quarto de hora da segunda parte, período em que – aliada a alguma falta de tranquilidade – a incapacidade de concretizar em golo as diversas ocasiões de perigo de que dispôs (quatro sucessivas, à passagem do terceiro minuto), com a bola a fazer várias “carambolas” na defensiva sevilhana, ou com Beto em intervenções de grande “aperto”.

Mas, para além dos erros próprios – de novo, na fase final do jogo, Jesus voltaria a hesitar, assim como, depois, já no prolongamento, não teria a capacidade de arriscar, de forma a procurar evitar o desempate da marca de grande penalidade (Ivan Cavaleiro apenas entraria em campo aos 119 minutos (!), demasiado tarde para aproveitar a debilidade física que a equipa do Sevilla patenteava) -, e de alguma “falta de competência” para ganhar esta Final, houve um outro factor determinante, que não é possível escamotear.

É dificilmente compreensível que se possa ter tratado de incompetência o facto de, uma, duas, três vezes, o árbitro (e seus auxiliares, incluindo os de baliza), não terem visto – ou, pelo menos, não tenham assinalado – outras três situações de grandes penalidades, reclamadas pelo Benfica, uma, a findar a primeira parte, por evidente toque em Gaitán, outra, por derrube a Lima, aos 56 minutos (ambas originariam, adicionalmente, a expulsão dos infractores, dado que veriam o segundo cartão amarelo, respectivamente Fazio e Moreno!), e, ainda, uma terceira, por toque com o braço de Carriço, a desviar remate benfiquista na área de rigor.

Tendo deixado a decisão chegar aos pontapés da marca de grande penalidade, o ascendente passava automaticamente para a equipa espanhola – que, assim, alcançava o que pretendia desde há largos minutos, inclusivamente já no decurso do tempo regulamentar … -, pelo que nem valeria a pena referir a forma, à margem das regras, como Beto se posicionou para defender duas tentativas de conversão do Benfica, adiantando-se até à linha de pequena área; no fundo, beneficiando do “pavor” denotado por Cardozo, que, depois de ter ensaiado, por duas vezes, a “paradinha”, sem que o guardião português se deixasse enganar, ficou automaticamente “desarmado”, acabando por ter de rematar sem balanço, sem convicção, sem força, à figura, assim como da extrema fadiga que Rodrigo denotava já.

Depois de ter eliminado, nomeadamente, o Tottenham e a favorita Juventus, sem perder um único jogo na prova, o Benfica viu – uma vez mais – escapar-se a Taça, pela segunda vez consecutiva em dois anos. Muito duro de engolir… E, o pior, a inevitável sensação de uma flagrante oportunidade desperdiçada – face à notória superioridade demonstrada em relação ao adversário -, oportunidade que não sabemos quando poderá voltar a repetir-se… Há que continuar a porfiar!

14 Maio, 2014 at 9:32 pm 1 comentário

Classificação Final – Campeonato Nacional Futebol 2013-14

Equipa              J     V     E     D    GM   GS     P
1 Benfica           30    23     5     2    58 - 18    74
2 Sporting          30    20     7     3    54 - 20    67
3 FC Porto          30    19     4     7    57 - 25    61
4 Estoril           30    15     9     6    42 - 26    54
5 Nacional          30    11    12     7    43 - 33    45
6 Marítimo          30    11     8    11    40 - 44    41
7 V. Setúbal        30    10     9    11    41 - 41    39
8 Académica         30     9    10    11    25 - 35    37
9 Sp. Braga         30    10     7    13    39 - 37    37
10 V. Guimarães     30    10     5    15    30 - 35    35
11 Rio Ave          30     8     8    14    21 - 35    32
12 Arouca           30     8     7    15    28 - 42    31
13 Gil Vicente      30     8     7    15    23 - 37    31
14 Belenenses       30     6    10    14    19 - 33    28
15 Paços Ferreira   30     6     6    18    28 - 59    24
16 Olhanense        30     6     6    18    21 - 49    24

Campeão – Benfica – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
2º classificado – Sporting – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
3º classificado – FC Porto – “Play-off” de acesso à Fase Grupos Liga dos Campeões
4º classificado – Estoril – Entrada directa na Fase Grupos da Liga Europa
5º classificado – Nacional – “Play-off” de acesso à Fase Grupos da Liga Europa
Finalista Taça – Rio Ave – 3ª eliminatória de acesso à Fase Grupos da Liga Europa

Vencedor Taça – Benfica

Despromovido – Olhanense
Promovidos – Moreirense, Penafiel e Boavista (reintegração na 1.ª Liga)
Paços de Ferreira – Manutenção via play-off

Melhores marcadores:
1. Jackson Martinez – FC Porto – 20
2. Derley – Marítimo – 16
3. Rafael Martins – V. Setúbal – 16


Palmarés – Campeões:

Benfica (33) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14

FC Porto (27) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13

Sporting (18) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02

Belenenses (1) – 1945-46

Boavista (1) – 2000-01

11 Maio, 2014 at 8:07 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/2 Finais (2ª mão) – Juventus – Benfica

JuventusJuventus – Gianluigi Buffon, Martín Cáceres, Leonardo Bonucci (73m – Sebastian Giovinco), Giorgio Chiellini, Andrea Pirlo, Stephan Lichsteiner, Paul Pogba, Arturo Vidal (78m – Pablo Osvaldo), Kwadwo Asamoah, Carlos Tévez e Fernando Llorente (78m – Claudio Marchisio)

BenficaBenfica – Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira, Ruben Amorim, Lazar Marković (86m – Miralem Sulejmani), Enzo Pérez, Nicolás Gaitán (76m – Eduardo Salvio), Rodrigo (69m – André Almeida) e Lima

Cartões amarelos – Kwadwo Asamoah (64m); Rodrigo (56m), Enzo Pérez (61m) e Eduardo Salvio (90m)

Cartões vermelhos – Mirko Vučinić (89m – no banco); Enzo Pérez (67m) e Lazar Marković (89m – depois de ter sido substituído, por desentendimento com Vučinić)

Árbitro – Mark Clattenburg (Inglaterra)

Partindo para o que viria a ser a sua primeira viagem a Turim nesta edição da Liga Europa beneficiando da escassa vantagem de um golo adquirida na primeira mão, o Benfica terá de alguma forma começado por surpreender uma algo sobranceira Juventus – porventura excessivamente confiante no seu favoritismo – pela forma como entrou no desafio desta noite, com a equipa muito personalizada, assumindo a iniciativa do jogo, instalando-se, logo desde os primeiros minutos, próximo da baliza adversária.

Esse período inicial poderá ter sido determinante no desfecho que a eliminatória viria a ter, dado que possibilitou à equipa portuguesa refrear o que poderia ter sido um ímpeto avassalador da formação da casa, com a motivação suplementar de a Final da competição se disputar no seu próprio terreno. E, assim, mantendo a sua baliza inviolada nos primeiros vinte minutos, tradicionalmente os mais temidos nestas circunstâncias, o Benfica começaria a reforçar os seus níveis de confiança, na mesma medida em que a Juventus começaria, gradualmente, a ver aumentar os seus níveis de intranquilidade e ansiedade.

No último quarto de hora do primeiro tempo, a Juventus intensificaria a pressão, empurrando o Benfica para trás, quase encostando a equipa portuguesa às “cordas”, mas, paradoxalmente, sem que tivesse criado efectivas e flagrantes oportunidades de golo, para além do lance salvo por Luisão, de cabeça, em cima do risco de golo, e de uma ou outra situação em que Jan Oblak, extremamente confiante, concentrado e seguro, mostrou a sua frieza, com verdadeiros “nervos de aço” (de que daria ainda maior exemplo no segundo tempo, em função das vicissitudes do desafio, com o terreno pesado, pela inclemente chuva que caiu nesse período, com a bola molhada, mas em que o guardião benfiquista revelou um controlo absoluto da bola), com destaque para a resposta a um potente remate de Pilro, a desviar subtilmente a bola por cima da trave.

A segunda parte faria apelo à capacidade de sacrifício e superação do Benfica. A equipa italiana voltou a entrar muito forte, com alta pressão, quase sufocando o adversário, incapaz de ter posse de bola, obrigado a recuar para a sua linha de grande área, limitando-se a aliviar a bola, para nova e imediata investida da Juventus, que, não obstante, nunca revelou capacidade de contrariar a organização defensiva portuguesa, não conseguindo ultrapassar esse bloqueio.

A situação complicar-se-ia quando Enzo Pérez, vendo dois cartões amarelos num curtíssimo intervalo de tempo, provocou que a sua equipa – pela terceira vez nos últimos jogos (depois dos dois encontros contra o FC Porto, para a Taça de Portugal e para a Taça da Liga) – ficasse em inferioridade numérica. Curiosamente, a jogar com dez, e tal como acontecera nesses dois desafios, a equipa benfiquista uniu-se, denotando um forte sentido de grupo e colectivismo, ao mesmo tempo que a Juventus se ia deixando trair pela crescente ansiedade, resultante da combinação de dois factores: por um lado, o facto de se encontrar com um homem a mais; por outro, de sinal contrário, o tempo que começava a fugir-lhe para inverter o rumo da eliminatória.

Seria nessa fase que o Benfica acabaria inclusivamente por conseguir libertar-se do espartilho a que se vira submetido, procurando a sua sorte, em dois ou três contra-ataques rápidos. E, já na entrada do tempo de compensação (estendido até aos oito minutos), quando Garay teve de sair de campo, depois de ter sido atingido por um pontapé na cara, passando a jogar apenas com nove elementos, a resistência benfiquista tornou-se então heróica, culminando com a eufórica satisfação do alcançar de uma Final europeia pelo segundo ano consecutivo – 10.ª Final da sua história –, no que se traduzirá no seu regresso a Turim, já no próximo dia 14 de Maio, para defrontar o Sevilla… infelizmente, sem poder contar com Enzo Pérez, Markovic (ambos expulsos, o segundo já após ter sido substituído) e Salvio, esperando-se que Garay possa recuperar em tempo útil.

1 Maio, 2014 at 10:51 pm Deixe um comentário

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