U. Tomar – Centenário (XXV)

Centenario - 25

(“O Templário”, 20.03.2014)

O União acabaria por não conseguir evitar a despromoção na época de 1969-70. No ano seguinte, de forma imprevista – já depois de concluído o campeonato –, veria abrir-se uma “janela de oportunidade” para o imediato regresso ao principal escalão. Tendo concluído o campeonato da II Divisão no 2.º lugar, atrás do Atlético, viria a beneficiar do alargamento da I Divisão, de 14 para 16 clubes, sendo os concorrentes adicionais apurados em função da disputa de uma “liguilla”.

O dia 19 de Setembro de 1971 seria decisivo para as aspirações das quatro equipas envolvidas nesse torneio. Ao mesmo tempo que o Leixões, com um triunfo categórico, de 4-1, sobre o Marinhense (em jogo realizado em Coimbra) garantia assim a permanência na I Divisão, a turma tomarense disputava com o Varzim, em São João da Madeira, a outra vaga de acesso disponível…

«Sabedor de tudo isto e experiente como é, o treinador Fernando Cabrita e ao contrário do que talvez todos pensassem, entrou a jogar ao ataque, procurando a todo o transe obter o golo. […] Marcou um golo o União e mais poderia ter obtido […]»(1)

«apenas diremos, pelo que vimos, que o União de Tomar, ao longo dos quarenta e cinco minutos iniciais, foi a melhor equipa sobre o terreno, o onze melhor estruturado e com melhores executantes.

Pondo em prática um «4x3x3» sempre sujeito a alterações de circunstância, os nabantinos sempre deram a ideia de se superiorizarem largamente a um adversário nervoso, falho de imaginação, sem capacidade ofensiva. […]

Com a bola sempre rente ao solo, jogada ao primeiro toque, os nabantinos adregavam vantagem em todas as zonas do rectângulo. […]

Ninguém se espantou, portanto, com a inauguração do marcador à saída do primeiro quarto de hora […].»(2)

Até que, aos 81 minutos, um lance infeliz de Kiki, com um auto-golo, colocava tudo em suspenso.

«Sucederam-se, então, nove minutos verdadeiramente espectaculares. Carregava o Varzim, defendia agora nervosamente o onze das margens do Nabão. E faltava um minuto, talvez menos, quando Barnabé, entre os postes, mandou para canto um cabeceamento de Murraças, com rótulo de golo. Foi o último cartucho de que dispunha ainda o Varzim.

O resultado acaba por não traduzir a verdade dos acontecimentos no concernente à produção futebolística, pois o 1-1 pode apenas ter apenas ter justificação na maneira briosa e nada mais com que se bateu o onze da Póvoa.»(3)

E assim, vencendo, ex-aequo com o Leixões, o “Torneio de Competência”, culminava – de modo absolutamente inesperado – esta curta passagem do União pela II Divisão, conseguindo alcançar, por trilhos algo sinuosos, mas com todo o mérito e justiça desportiva, o que era, afinal, o seu objectivo desde o primeiro dia: o pronto regresso ao convívio dos “grandes” do futebol português!

____________

(1) Cf. “O Templário”, 25 de Setembro de 1971
(2) Cf. “A Bola”, 20 de Setembro de 1971 – Crónica de Oliveira e Castro
(3) Cf. Idem, Ibidem

23 Março, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 19ª jornada

Pulsar - 19

(“O Templário”, 20.03.2014)

Numa fase em que começa a aproximar-se a “hora” das decisões, e não obstante haja ainda tempo para recuperação, algumas equipas que integram o quarteto que vêm disputando os lugares do topo da tabela parecem indiciar certos sinais de quebra. Assim acontecera com o Fazendense, que vinha de uma derrota e um empate nas duas partidas precedentes; sucede agora com o Coruchense, que, tendo sofrido novo deslize, apenas regista duas vitórias nas cinco últimas jornadas.

Tal provocou algum distanciamento entre os dois primeiros (At. Ouriense e Torres Novas) e os seus mais directos perseguidores: a formação de Coruche, que não conseguiu ir além do nulo na Chamusca, frente ao União local (que, curiosamente, no desafio anterior em casa, vencera o Fazendense), está agora já a quatro pontos do líder; por seu lado, o grupo de Fazendas de Almeirim – não obstante, nesta ronda com um categórico triunfo em Assentiz, goleando por 5-0 – mantém o atraso de seis pontos.

Esta foi aliás uma jornada em que os resultados desnivelados marcaram presença: também o vice-líder Torres Novas – agora a atravessar uma boa fase, tendo somado, no regresso a casa, após quatro jogos em terreno alheio, a quinta vitória consecutiva – goleou, pela mesma marca de 5-0, face ao Benavente; enquanto o Amiense, em deslocação a Abrantes, perante um cada vez mais frágil opositor (a U. Abrantina somou a 13.ª derrota nos últimos 14 encontros, em que somou um único ponto!), não teve dificuldades para se impor por inequívoca margem de 4-0.

Falta-nos falar do líder, At. Ouriense (que mantém um ponto de vantagem sobre os torrejanos), o qual, visitando Tomar, ampliou para seis a sua série de triunfos sucessivos (acumulando nove vitórias, nos dez últimos desafios disputados no campeonato – apenas tendo perdido, neste período, em Fazendas de Almeirim), voltando a impor-se ao União de Tomar por 3-1 (depois do 2-0 de há duas semanas, então para a Taça Ribatejo), com a equipa unionista a ver assim interrompido o seu ciclo de invencibilidade no campeonato no ano de 2014, após ter somado oito jogos sem derrota.

No confronto entre as duas equipas que ocupam precisamente as posições de meio da tabela, o empate alcançado pelo Pontével em Mação (1-1), terá agradado mais à formação do município do Cartaxo, que assim mantém a 7.ª posição, agora a cinco pontos do União de Tomar (ultrapassado nesta ronda pelo Amiense), e com dois pontos de vantagem sobre o seu opositor neste jogo (que somou o quarto jogo sem vitória).

Por fim, o Cartaxo, ganhando por 2-0 ao grupo dos Empregados do Comércio, regressou finalmente aos triunfos, de que andava arredado há já longas sete jornadas, o que lhe permitiu recuperar algumas posições na pauta classificativa, numa outra zona nevrálgica da classificação, em que o duo que partilha o 9.º lugar (U. Chamusca e Benavente) regista apenas dois pontos de vantagem sobre outro par, que reparte o 12.º posto (Empregados do Comércio e Assentis), com os cartaxenses precisamente em posição intermédia.

A esta distância da “meta” (faltando realizar ainda sete rondas), deste quinteto, pelo menos um clube deverá vir a ser despromovido (acompanhando a “condenada” U. Abrantina), podendo passar a dois (caso o Riachense não consiga alcançar a manutenção no Campeonato Nacional de Seniores), ou, num cenário muito negativo (na eventualidade de outro agrupamento do Distrito poder vir a ser também despromovido aos Distritais), até três deles.

A este respeito, as notícias do último fim-de-semana foram animadoras: o Riachense obteve o seu segundo triunfo sucessivo, ambos em terreno alheio, vencendo no Carregado (2-1 – repetindo o marcador que registara na visita a Alcanena), trespassando finalmente a “lanterna vermelha” ao Portomosense e distando agora “apenas” cinco pontos do seu adversário desta ronda, vendo portanto entreabrir-se uma “janela de oportunidade” que lhe poderá permitir ainda escapar à descida de divisão, até porque recebe, na próxima jornada, precisamente a formação de Porto de Mós. Onde, curiosamente, o Alcanenense foi também vencer, igualmente por 2-1, subindo de novo ao 3.º lugar – que partilha com o Fátima, derrotado em Torres Vedras, por 3-1, dispondo agora ambos estes clubes de uma margem de segurança de seis pontos em relação ao antepenúltimo posto da tabela (Carregado).

Na II Divisão Distrital terminou a primeira fase do campeonato, sendo conhecidas já desde a semana anterior as seis equipas que disputarão o título de Campeão e a promoção ao principal escalão do futebol regional: Atalaiense, Ferreira do Zêzere, Pego, Barrosense, Rio Maior e U. Santarém.

No próximo fim-de-semana, na I Divisão, o principal destaque vai para o difícil teste que aguarda o Torres Novas em Amiais de Baixo, com os outros três clubes da frente a jogarem em casa, reunindo portanto natural favoritismo: o guia, At. Ouriense, recebe o Assentis; o Fazendense é visitado pela U. Abrantina; enquanto o Coruchense recebe o União de Tomar, que, necessariamente, procurará contrariar tal tendência, num confronto em que, por seu lado, a turma de Coruche terá de lidar também com alguma pressão, decorrente da necessidade imperiosa de vencer de forma a não correr o risco de ficar ainda mais distante do líder. Nos restantes jogos, de prognóstico repartido, estará em causa a “sobrevivência”, com o Benavente a receber o Pontével, enquanto o Cartaxo terá a visita do Mação, recebendo os Empregados do Comércio o U. Chamusca.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 20 de Março de 2014)

23 Março, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

Liga Europa – Sorteio dos 1/4 Final

AZ – Benfica
Lyon – Juventus
Basel – Valencia
FC Porto – Sevilla

Os jogos da primeira mão dos 1/4 Final serão disputados a 3 de Abril de 2014, estando a segunda mão agendada para 10 de Abril.

21 Março, 2014 at 12:14 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – Sorteio dos 1/4 Final

Barcelona – At. Madrid
Real Madrid – Borussa Dortmund
Paris St.-Germain – Chelsea
Manchester United – Bayern

Os jogos da primeira mão dos 1/4 Final serão disputados a 1 e 2 de Abril de 2014, estando a segunda mão agendada para dias 8 e 9 de Abril.

21 Março, 2014 at 11:27 am Deixe um comentário

Liga Europa – 1/8 Final (2ª mão)

                                 2ª mão     1ª mão     Total
Anzhi - AZ                         0-0        0-1        0-1
Valencia - Ludogorets              1-0        3-0        4-0
Napoli - FC Porto                  2-2        0-1        3-2
Viktoria Plzen - Lyon              2-1        1-4        3-5
Betis - Sevilla         (3-4 g.p.) 0-2        2-0        2-2
Benfica - Tottenham                2-2        3-1        5-3
Salzburg - Basel                   1-2        0-0        1-2
Fiorentina - Juventus              0-1        1-1        1-2

Os clubes ibéricos continuam a “dar cartas” na Liga Europa, com um total de quatro das oito equipas apuradas para os 1/4 Final, equitativamente repartidas entre Portugal (Benfica e FC Porto – que, depois dos triunfos averbados na 1.ª mão, confirmaram o apuramento, curiosamente com duas igualdades pela mesma marca, a dois golos – num excelente resultado de conjunto para as equipas lusas) e Espanha (Valencia e Sevilla).

Itália (Juventus),  França (Lyon), Holanda (AZ) e Suíça (Basel) são os outros países ainda com representação na prova, após uma eliminatória em que se destacam as perdas sofridas pela Itália (Napoli e Fiorentina), sendo também de notar que, nem Inglaterra, nem Alemanha, registam já qualquer representante na competição.

Para além do duelo fratricida entre Juventus e Fiorentina, destaque particular ainda para a acesa disputa entre os dois eternos rivais sevilhanos, com o Sevilla a responder na mesma moeda (vitória por 2-0 em terreno alheio, no Benito Villamarín, sob a arbitragem de Pedro Proença) à desfeita que sofrera no seu reduto, no Ramon Sanchez-Pizjuan, o que obrigou a um desempate da marca de grande penalidade, num particular duelo entre os guardiões Antonio Adán e o português Beto, em que o clube vermelho-e-branco acabaria por ser mais feliz, assim afastando da prova o destacado “lanterna vermelha” do campeonato espanhol.

20 Março, 2014 at 10:52 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/8 Final (2ª mão) – Benfica – Tottenham

BenficaBenfica – Jan Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira, Rúben Amorim, Filip Djuričić (71m – Enzo Pérez), Eduardo Salvio, André Gomes, Miralem Sulejmani (90m – Lazar Marković) e Óscar Cardozo (76m – Lima)

TottenhamTottenham – Brad Friedel, Kyle Naughton, Sandro, Zeki Fryers, Danny Rose, Aaron Lennon, Gylfi Sigurdsson, Nabil Bentaleb, Andros Townsend (76m – Christian Eriksen), Nacer Chadli e Roberto Soldado (71m – Harry Kane)

1-0 – Ezequiel Garay – 34m
1-1 – Chadli – 78m
1-2 – Chadli – 79m
2-2 – Lima (pen.) – 90m

Cartões amarelos – Luisão (10m) e Enzo Pérez (90m); Kyle Naughton (90m)

Árbitro – Damir Skomina (Eslovénia)

Excessivamente confiante na sequência do categórico triunfo alcançado na semana passada em Londres, em pleno White Hart Lane, a que se somou o golo obtido por Garay, culminando uma primeira meia-hora de superioridade benfiquista, frente a um Tottenham algo desfalcado, nomeadamente por lesões, a equipa do Benfica (também a prosseguir a política de rotação de jogadores, continuando a dar prioridade ao campeonato nacional), limitando-se, no segundo tempo, a deixar correr o tempo, segura de que a eliminatória estava absolutamente garantida, acabaria por sofrer um grande susto no derradeiro quarto de hora.

De facto, ao tento do empate da formação inglesa, seguiu-se, no minuto imediato, segundo golo, que deixava o Tottenham a apenas um golo de, sensacionalmente, poder igualar a eliminatória. E, aí, com cerca de dez minutos para jogar, o Benfica tremeu, com os londrinos a reclamar ainda um lance de grande penalidade, praticamente a findar o tempo regulamentar, e com o guardião Oblak, com uma defesa de belo efeito, a preservar a preciosa vantagem no conjunto das duas mãos, assim evitando um imprevisível prolongamento.

Já em período de descontos, o penalty surgiria, sim, mas a favor da turma portuguesa, num lance indiscutível, em que Lima foi grosseiramente derrubado na grande área; o mesmo Lima, com uma serena conversão, possibilitaria, finalmente, o “respirar de alívio” de todos os benfiquistas.

Mais uma lição que deverá ser retida, a de que os jogos duram até aos 90 minutos (na realidade, para lá deles, mesmo), e que, em alta competição, não há lugar a poupanças excessivas, e, muito menos, ao “desligar dos motores”; é que, depois de as coisas se complicarem, é, geralmente, muito mais difícil, retomar o ritmo perdido.

No conjunto das duas mãos o Benfica foi claramente superior, merecendo, com toda a justiça, o apuramento para os 1/4 Final da Liga Europa, fase que atinge, a nível das provas europeias, pela quinta vez consecutiva, portanto em todos os anos do consulado do técnico Jorge Jesus. Apenas por distracção, se viu hoje obrigado a sofrer, durante cerca de um quarto de hora, sem qualquer necessidade de ter passado por tal. Um importante aviso para este final de época, de modo a não repetir erros de um passado recente.

20 Março, 2014 at 9:57 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1/8 Final (2ª mão)

                                 2ª mão     1ª mão     Total
Barcelona - Manchester City        2-1        2-0        4-1
Manchester United - Olympiakos     3-0        0-2        3-2
At. Madrid - AC Milan              4-1        1-0        5-1
Paris St.-Germain - B. Leverkusen  2-1        4-0        6-1
Chelsea - Galatasaray              2-0        1-1        3-1
Real Madrid - Schalke 04           3-1        6-1        9-2
Borussia Dortmund - Zenit          1-2        4-2        5-4
Bayern München - Arsenal           1-1        2-0        3-1

Os oito vencedores da fase de grupos acabaram por garantir o apuramento para os 1/4 Final, depois da boa reviravolta operada pelo Manchester United ao resultado negativo que averbara em Atenas, graças a um hat-trick de van Persie.

Teremos portanto os seguintes contingentes: Espanha (3) – Barcelona, At. Madrid e Real Madrid; Alemanha (2) – Borussia Dortmund e Bayern; Inglaterra (2) – Manchester United e Chelsea; França (1) – Paris St.-Germain. Quer a Alemanha, quer a Inglaterra perderam duas equipas nos 1/8 Final; sendo ainda de notar que a Itália ficou também sem representação na prova.

19 Março, 2014 at 9:37 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXIV)

Centenario - 24

(“O Templário”, 13.03.2014)

Depois do excelente desempenho na época de estreia na I Divisão, a temporada de 1969-70 revelar-se-ia bem mais difícil para as cores unionistas. Não obstante, a 8 de Março de 1970, o União de Tomar alcançaria uma das mais sensacionais proezas do seu historial, recebendo e vencendo categoricamente a equipa do F. C. Porto, pela magnífica marca de 3-0!

«E em que é que foi diferente o União de Tomar? Em tudo. Em abnegação, em velocidade, em organização, em autoconfiança.

De aí, nunca termos visto, no Estádio de Tomar, o União tão acarinhado e tão apoiado pelo seu público. De aí, também, havermos afirmado, no título desta crónica, que, a jogar sempre assim, os tomarenses não estariam no lugar que ocupam na classificação do Campeonato. De aí, ainda e finalmente, a conquista de uma vitória nítida, indiscutível e preciosa, sobre um adversário do prestígio do F. C. Porto.»(1)

Iniciando o jogo com uma deliberada toada ofensiva, a formação tomarense cedo criou duas soberanas ocasiões de golo, logo aos 3 e 8 minutos, por Tito e Alberto. Contudo, o primeiro golo apenas surgiria aos 32 minutos, numa oportuna recarga de Leitão, aproveitando a desconcentração do guardião, Vaz, numa altura em que já amplamente justificava a vantagem no marcador.

O F. C. Porto procuraria então reequilibrar a tendência do jogo, o que acabaria por facultar mais espaços, para rápidos contra-ataques, de que acabariam por surgir o segundo golo (aos 70 minutos, novamente por Leitão, e, outra vez, na sequência de recarga a uma bola inicialmente rematada por Tito, que Vaz, incapaz de deter, apenas pudera desviar) e o terceiro tento (aos 78 minutos, por Alberto, finalizando da melhor forma um lance iniciado numa abertura de Leitão, a que Tito dera continuidade, com um excelente cruzamento). E o União de Tomar poderia inclusivamente ter dilatado a vantagem, para números ainda mais fantásticos.

«Finalmente, o União fez a exibição e o resultado que o seu público aguardava, e que a categoria dos jogadores que possui há muito justificava. A equipa jogou, de facto, com inteira convicção, com força, com determinação – numa palavra: como equipa e não como 11 jogadores.»(2)

Pelo mesmo diapasão afinava também a crónica de outro jornalista local: «Os mesmos jogadores, fizeram neste jogo uma nova e excelente equipa, deixando entre os assistentes a melhor impressão. A equipa apresentada por Fernando Cabrita, encheu-se de brios e tomou o comando do jogo, impondo-se à equipa do Porto.»(3)

A concluir esta memorável jornada:

«Já o deixámos escrito: esta foi, de longe, a melhor exibição que vimos nesta época, aos tomarenses. E também já dissemos porquê: determinação, velocidade, poder de antecipação, capacidade de conjunto – tudo a revelar autoconfiança ou melhor, talvez, uma notável esperança em que a despromoção ainda pode ser evitada.»(4)

____________

(1) Cf. “A Bola”, 9 de Março de 1970 – Crónica de Cruz dos Santos
(2) Cf. “Cidade de Tomar”, 14 de Março de 1970 – Coluna da autoria de Raúl Pereira
(3) Cf. “O Templário”, 14 de Março de 1970 – Crónica de Silva Monteiro
(4) Cf. “A Bola”, 9 de Março de 1970 – Crónica de Cruz dos Santos

16 Março, 2014 at 12:00 pm Deixe um comentário

O pulsar do campeonato – 18ª jornada

Pulsar - 18jornada

(“O Templário”, 13.03.2014)

Na retoma dos campeonatos distritais, na I Divisão o quarteto da frente desuniu-se, passando a trio. Para tal, contribuiu de forma determinante o empate alcançado pelo União de Tomar em Fazendas de Almeirim, principal nota de destaque desta ronda, com o grupo unionista, reagindo da melhor forma à contrariedade da eliminação na Taça do Ribatejo, a impor um nulo frente a um dos candidatos ao título, Fazendense, que assim se atrasa nessa disputa (mais adiante se verá se de forma determinante), agora já a seis pontos do líder, e a quatro pontos do 3.º lugar.

Os três primeiros, vitoriosos nesta jornada, mantêm portanto as distâncias relativas, continuando separados entre si por um único ponto. O líder, At. Ouriense, recebendo a visita do U. Chamusca, teve de aplicar-se para operar a reviravolta no marcador, depois de se ter visto em posição de desvantagem, acabando não obstante por golear, por 4-1, obtendo assim a quinta vitória consecutiva, oitava nas últimas nove jornadas.

Por seu lado, o Torres Novas, 2.º classificado, somente a um ponto – e depois de, na última partida do campeonato que disputou em casa, logo a abrir a segunda volta da prova, ter sido desfeiteado pelo União de Tomar (tendo sido ainda eliminado da Taça do Ribatejo, também no seu campo, perante o Fazendense) – completou uma excelente série de quatro triunfos em outras tantas partidas disputadas sucessivamente em terreno alheio, ganhando em Pontével por 1-0.

O Coruchense, parecendo querer voltar à senda do sucesso – depois de ter atravessado uma fase algo oscilante, registando, nos jogos das três rondas imediatamente anteriores, uma derrota, uma vitória e um empate –, recebeu desta vez o Cartaxo, ganhando por categórica margem de 3-0, continuando deste modo a perfilar-se como forte candidato à subida, somente um ponto abaixo dos torrejanos.

Como já indicado a abrir este comentário, o União de Tomar, prolongando a invencibilidade no campeonato no ano de 2014 (somou o oitavo desafio sem derrota, após o desaire sofrido na Chamusca, já a 15 de Dezembro do ano transacto), segurou um bastante positivo 5.º posto na pauta classificativa, a quatro pontos do opositor do passado fim-de-semana, apesar de ter o Amiense (vencedor frente ao Assentis, por 4-1) agora somente a um ponto. Paralelamente, tendo alcançado a fasquia dos 30 pontos, terão os tomarenses garantido já o objectivo prioritário desta tranquila temporada, o da manutenção, dado disporem – a oito jornadas do final da competição – de uma segura vantagem de 13 pontos sobre a zona perigosa da classificação.

Precisamente, na parte baixa da tabela, o Benavente, confirmando o favoritismo que lhe era conferido, vencendo face à U. Abrantina por 3-1, foi o principal beneficiado desta ronda, subindo ao 9.º lugar, apesar de estar ainda relativamente distante do Pontével (7.º, com mais cinco pontos) e do Mação (8.º, a três pontos). Por fim, os Empregados do Comércio, recebendo a visita do Mação, registaram uma igualdade a um golo.

As diferenças pontuais são contudo ainda muito ténues, com Benavente, U. Chamusca, Empregados do Comércio e Assentis, concentrados num intervalo de apenas dois pontos, sendo que, pelo menos um destes clubes, poderá vir a ver-se relegado no final da temporada para uma posição indesejada. Ao invés, o Cartaxo foi a equipa mais penalizada, tendo baixado à penúltima (13.ª) posição, dois pontos abaixo dos dois competidores que imediatamente o precedem na classificação. A U. Abrantina, com doze derrotas acumuladas nos últimos treze jogos, tem praticamente sentenciada a sua despromoção.

Entretanto, na II Divisão Distrital, com a vitória do Pego na recepção ao Ferreira do Zêzere, e a derrota sofrida pelo U. Almeirim em Rio Maior (0-3), estão já matematicamente apuradas – a uma jornada do final desta primeira fase – as seis equipas que disputarão o título de Campeão Distrital do escalão, assim como as três vagas de promoção à I Divisão Distrital: Atalaiense, Pego, Ferreira do Zêzere, Barrosense, Rio Maior e U. Santarém.

No Campeonato Nacional de Seniores, o Fátima ganhou ao Lourinhanense (2-0), com as outras duas equipas do Distrito a encontrarem-se em Alcanena, onde o Riachense causou surpresa, obtendo a sua primeira vitória nesta fase (à quarta jornada), ganhando por 2-1. Tal tem como reflexo a subida dos fatimenses ao 2.º lugar (mantendo uma margem de segurança de seis pontos sobre o antepenúltimo classificado, Carregado, também surpreendente vencedor em Torres Vedras); por seu lado, o Alcanenense, tendo somado o terceiro desaire em quatro jogos, começa a abeirar-se perigosamente da zona de maior risco, dado dispor agora de apenas três pontos de vantagem sobre a mencionada equipa do Carregado – em relação à qual o Riachense subsiste porém com um atraso de oito pontos.

Neste fim-de-semana, o União de Tomar prossegue a sua série de jogos de elevado grau de dificuldade, voltando a encontrar o guia, At. Ouriense, desta vez na cidade do Nabão. O Torres Novas, no regresso a casa, recebendo a visita do Benavente, estará à espreita de um eventual deslize da turma de Ourém, para poder reassumir a liderança. Por seu lado, o Coruchense necessitará confirmar a sua candidatura numa difícil saída, à Chamusca. Também o Fazendense joga uma cartada importante, na deslocação a Assentiz.

As tranquilas equipas do Mação e Pontével disputarão em confronto directo, entre si, a última posição da primeira metade da tabela, actualmente pertença da turma do sul do Distrito. Por fim, o Amiense reúne favoritismo na visita a Abrantes; enquanto o Cartaxo necessitará vencer os Empregados do Comércio para procurar escapar da posição aflitiva em que se encontra.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Março de 2014)

16 Março, 2014 at 10:00 am Deixe um comentário

Liga Europa – 1/8 Final (1ª mão) – Tottenham – Benfica

TottenhamTottenham – Hugo Lloris, Kyle Walker (76m – Danny Rose), Younès Kaboul, Jan Vertonghen, Kyle Naughton, Aaron Lennon, Paulinho, Sandro (82m – Nabil Bentaleb), Christian Eriksen, Harry Kane (75m – Roberto Soldado) e Emmanuel Adebayor

BenficaBenfica – Jan Oblak, Sílvio, Luisão, Ezequiel Garay, Siqueira, Ljubomir Fejsa, Lazar Marković, Rúben Amorim, Miralem Sulejmani (65m – Enzo Pérez), Rodrigo (87m – Lima) e Óscar Cardozo (66m – Nico Gaitán)

0-1 – Rodrigo – 30m
0-2 – Luisão – 58m
1-2 – Eriksen – 64m
1-3 – Luisão – 84m

Cartões amarelos – Sandro (9m) e Jan Vertonghen (81m); Sílvio (63m) e Rúben Amorim (81m)

Árbitro – Jonas Eriksson (Suécia)

Cerca de 52 anos depois da vitória nas 1/2 Finais da Taça dos Campeões Europeus, que proporcionou ao clube português o acesso à sua primeira Final nessa competição (que viria a vencer, frente ao Real Madrid, sagrando-se assim Campeão Europeu), o Benfica voltou hoje a defrontar a equipa do Tottenham, num regresso às grandes “noites europeias”, em que construiu e cimentou a  sua glória, impondo-se, em pleno White Hart Lane, por categórica margem de 3-1 (que, inclusivamente, podia ter ainda ampliado, precisamente no derradeiro lance do desafio).

Uma equipa personalizada, com um grupo formando um verdadeiro colectivo, em que praticamente não se faz sentir a rotação de jogadores que o técnico Jorge Jesus vem colocando em prática (alinhando, de início, por exemplo, com Sílvio, na lateral direita, Rúben Amorim – que se viria a cotar com uma das principais figuras, com duas assistências para golo -, Sulejmani, ou o regressado Óscar Cardozo; e, desta forma, “poupando” Maxi Pereira, Enzo Pérez, Nico Gaitán ou Lima), o grande destaque vai para a solidariedade entre todos os jogadores, a par da invulgar proeza de Luisão, um defesa central a bisar, com dois golos de belo efeito.

Um magnífico resultado, que faz recordar um outro, precisamente pela mesma marca, obtido na época de 1991-92, igualmente em Londres, no terreno do Arsenal, e que, salvo um “cataclismo”, coloca o Benfica com “pé e meio” na eliminatória seguinte. Em Lisboa, bastará gerir a preciosa vantagem adquirida esta noite.

Denotando boa atitude desde início, num jogo bastante movimentado, em toada de parada e resposta, com o Tottenham a procurar a iniciativa do jogo, mas o Benfica a corresponder, acabaria por não surpreender o primeiro golo, à passagem da meia hora, numa excelente execução técnica de Rodrigo, a desmarcar-se em corrida, a partir da linha de meio-campo, e, ao aproximar-se da zona de acção do guarda-redes, a fazer a bola desferir uma trajectória, como que contornando o guardião adversário, para o poste mais distante, sem hipóteses.

No segundo tempo, o cariz do jogo não se alteraria significativamente, com a equipa portuguesa confiante, e a chegar mesmo ao 2-0, na sequência de um canto – após magnífica defesa de Lloris, a evitar o golo de Rúben Amorim -, em que Luisão, oportuno, surgiu a desviar de cabeça, inapelavelmente, para o fundo das redes.

O Tottenham procuraria reagir e, pouco depois, na sequência de um livre directo, próximo da grande área, o dinamarquês Eriksen, com uma execução perfeita, reduziu a desvantagem, dando ânimo à sua equipa, que, nos minutos imediatos, procurou carregar mais, em busca do tento da igualdade.

Mas a formação portuguesa rapidamente se recomporia, e, já depois de um primeiro remate, que o guardião francês, susteve com dificuldade, Luisão “encheu o pé” e disparou um remate fulminante, também sem hipótese de defesa, fixando o 3-1 final (que, conforme referido, poderia ter sido ainda dilatado no último lance do desafio).

Uma excelente exibição, de uma equipa confiante em si própria, a juntar mais uma noite de glória ao seu palmarés.

13 Março, 2014 at 10:16 pm Deixe um comentário

Older Posts Newer Posts


Autor – Contacto

Destaques


Literatura de Viagens e os Descobrimentos Tomar - História e Actualidade
União de Tomar - Recolha de dados históricosSporting de Tomar - Recolha de dados históricos

Calendário

Novembro 2026
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos

Pulsar dos Diários Virtuais

O Pulsar dos Diários Virtuais em Portugal

O que é a memória?

Memória - TagCloud

Jogos Olímpicos

Categorias

Notas importantes

1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.